Domingo, 24 de Junho de 2007

GENTE DO CRISTO

O vocábulo gente significa quantidade de pessoas, população.
A gente bauruense – quem mora em Bauru.
A gente paulistana – população de São Paulo.
Também é usado para definir o caráter.
Dizemos:
– Fulano é gente!
Exprimimos admiração. Trata-se de um ser humano autêntico, naquilo que nossa espécie tem de melhor; alguém que prazerosamente consideramos nosso próximo, nosso irmão.
A língua inglesa possui um vocábulo que bem define essa condição: gentleman.
Pode ocorrer o contrário.
Há pessoas que se comprometem num comportamento tão irregular, em atitudes tão indignas, que somos levados a dizer:
- Não é gente!
Situam-se assim os que cometem crimes hediondos, os tiranos, os estupradores, os vândalos, os que se comprazem na maldade.
Causam-nos horror.
Parecem ter perdido a humanidade.
Comportam-se como feras.

***
A expressão também é usada por grupos radicais que, numa visão estreita e preconceituosa, tendem a aceitar como seus iguais – a sua gente – apenas os que têm a mesma cor, a mesma crença, a mesma concepção política, o mesmo time de futebol, a mesma preferência…
Para o branco racista, negro não é gente.
Nos tempos de escravidão, os infelizes africanos eram vendidos como mercadoria, avaliada sua capacidade de trabalho e sua saúde, como quem examina o potencial de um animal de carga.
Em contrapartida, para o negro preconceituoso, somente os que ostentam a mesma cor são irmãos. Em alguns bairros, de população predominantemente negra, nos Estados Unidos, é temerário branco entrar. Ali não é considerado gente.
Para os nazistas de triste lembrança, gente era a raça ariana, que deveria governar o Mundo por mil anos. Os demais povos, pura ralé, estavam destinados ao domínio alemão.
Gente, para os antigos judeus, eram os filhos da raça – o povo escolhido. Os demais, meros gentios, estrangeiros sem expressão.
Quando Paulo de Tarso se dispôs a disseminar os princípios cristãos, uma de suas dificuldades foi convencer os companheiros de que os gentios podiam ser iniciados na nova fé. Também era gente. Isso porque os cristãos judeus não admitiam que o Cristianismo transcendesse os limites da raça.
Outro problema: a circuncisão, que consiste em cortar a pele que cobre a glande, no pipi da criança. Pretendia-se que o gentio devia deixar-se circuncidar, por testemunho de sua conversão, algo absurdo, porquanto se tratava de uma prática do Judaísmo, sem nenhuma relação com o Evangelho.
Jesus dizia existirem muitas ovelhas, referindo-se às múltiplas raças e concepções religiosas, mas que ele reuniria todas em torno de seus ensinamentos.
Idéia absolutamente lógica, considerando-se que o Evangelho é um repositório de leis divinas, de caráter universal.
Isso não significa que todas as religiões o adotem, considerada a diversidade de culturas e de entendimento, mas haverá algo de seus princípios em todas elas, destacando-se a lei maior: o amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.
Então estaremos todos irmanados em torno do Cristo.

***

Não obstante o Evangelho ser, por excelência, contrário às discriminações, criaram-se em torno dele grupos fechados em concepções dogmáticas, com interpretações meio à moda da casa.
Chamam-se irmãos entre si. E dizem:
– Quem não comunga nossas idéias não é filho de Deus. Apenas criatura.
Incrível! De acordo com esse disparate, perto de quatro bilhões de pessoas, dois terços da população mundial, não são gente – apenas criaturas, seres de segunda classe no contexto universal, simplesmente porque não nasceram em países cristãos, o que sustenta a estranha idéia de que a filiação divina obedece à geografia.
Tão radicais foram as facções cristãs no passado que, frequentemente, trucidavam-se umas às outras, como se a inspiração do Cristianismo fosse a guerra, não a paz; o ódio, não o amor.
Ainda hoje, embora não haja mais clima para a luta armada, permanece a tendência de se fecharem os religiosos em suas concepções, julgando-se detentores da Verdade e considerando gente do Cristo, sua gente, apenas os que comungam das mesmas idéias.

***

Antes de pretendermos impor nossa posição de gente do Cristo, em clima de desentendimento, melhor seria que procurássemos definir quem Jesus considera sua gente.
A resposta a essa pergunta está na Parábola do Bom Samaritano:
Levantou-se certo doutor da lei e, querendo testar Jesus, perguntou-lhe:
– Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Jesus lhe respondeu:
– O que está escrito na Lei? Como lês?
Respondeu-lhe o homem:
– Amará ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.
Então Jesus lhe disse:
– Respondeste bem. Faze isso, e viverás.
Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus:
– E quem é o meu próximo?
Poderíamos traduzir a interrogação assim:
– Quem é meu irmão, ou quem é minha gente?
E Jesus, respondendo, contou uma história:
Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de salteadores que o despiram, o espancaram e se foram, deixando-o semimorto.
Descia pelo mesmo caminho um sacerdote, oficiante das cerimônias do culto judeu. Vendo o homem caído, passou ao largo, evitando envolver-se com o infeliz.
Pouco depois surgiu um levita, servidor do Templo, da tribo sacerdotal de Levi. Não deixou por menos: desviou-se, dando volta.
Surgiu, finalmente, um samaritano, judeu habitante da Samaria, região da antiga Palestina. Por motivos religiosos e políticos os samaritanos sofriam discriminação por parte dos seus irmãos de raça. Não era gente para eles.
O mais lógico, portanto, seria passar ainda mais longe do homem caído, evitando complicações em terra hostil.
Contrariando as expectativas, aproximou-se do ferido e cuidou dele. Colocou-o sobre sua montaria e o levou até uma hospedaria. No dia seguinte tomou dois denários, importância que daria pelo menos para uma semana de hospedagem, deu-os ao atendente e recomendou-lhe:
– Trata-o, e na minha volta eu te pagarei tudo quanto despenderes a mais.
Terminando a parábola, Jesus perguntou ao fariseu:
– Qual desses três homens te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?
O doutor da Lei, logicamente, respondeu:
– Aquele que usou de misericórdia com ele.
E terminou Jesus, dizendo:
– Vai e faze tu o mesmo.

***

Fácil concluir quem é gente para Jesus ou quem é sua gente.
São aqueles que estão atentos ao irmão caído na estrada.
Ele pode estar bem perto de nós.
O familiar com problemas…
O colega de serviço sobrecarregado…
O necessitado que nos procurem…
O carente na periferia…
O doente no hospital…
O sentenciado na prisão…
É também aquele que nos ofendeu que nos prejudicou que nos causou prejuízos…
Haverá queda mais danosa que o mal praticado contra alguém? Altamente meritório se nos dispusermos a relevar, sem partir para o revide em pensamento ou ação.
Gente do Cristo age assim.

***

Todos querem as benesses divinas, sem as quais ficamos perdidos na Terra.
Para tanto é preciso que nos movimentemos nas lides do Bem, amando e servindo, estendendo braços fraternos ao irmão caído.
Só assim demonstraremos que estamos cuidando da gente da Terra, para que a gente do Céu cuide de nós.

Livro Histórias que Trazem Felicidade
Richard Simonetti
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:19

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O vocábulo gente significa quantidade de pessoas, população.
A gente bauruense – quem mora em Bauru.
A gente paulistana – população de São Paulo.
Também é usado para definir o caráter.
Dizemos:
– Fulano é gente!
Exprimimos admiração. Trata-se de um ser humano autêntico, naquilo que nossa espécie tem de melhor; alguém que prazerosamente consideramos nosso próximo, nosso irmão.
A língua inglesa possui um vocábulo que bem define essa condição: gentleman.
Pode ocorrer o contrário.
Há pessoas que se comprometem num comportamento tão irregular, em atitudes tão indignas, que somos levados a dizer:
- Não é gente!
Situam-se assim os que cometem crimes hediondos, os tiranos, os estupradores, os vândalos, os que se comprazem na maldade.
Causam-nos horror.
Parecem ter perdido a humanidade.
Comportam-se como feras.

***
A expressão também é usada por grupos radicais que, numa visão estreita e preconceituosa, tendem a aceitar como seus iguais – a sua gente – apenas os que têm a mesma cor, a mesma crença, a mesma concepção política, o mesmo time de futebol, a mesma preferência…
Para o branco racista, negro não é gente.
Nos tempos de escravidão, os infelizes africanos eram vendidos como mercadoria, avaliada sua capacidade de trabalho e sua saúde, como quem examina o potencial de um animal de carga.
Em contrapartida, para o negro preconceituoso, somente os que ostentam a mesma cor são irmãos. Em alguns bairros, de população predominantemente negra, nos Estados Unidos, é temerário branco entrar. Ali não é considerado gente.
Para os nazistas de triste lembrança, gente era a raça ariana, que deveria governar o Mundo por mil anos. Os demais povos, pura ralé, estavam destinados ao domínio alemão.
Gente, para os antigos judeus, eram os filhos da raça – o povo escolhido. Os demais, meros gentios, estrangeiros sem expressão.
Quando Paulo de Tarso se dispôs a disseminar os princípios cristãos, uma de suas dificuldades foi convencer os companheiros de que os gentios podiam ser iniciados na nova fé. Também era gente. Isso porque os cristãos judeus não admitiam que o Cristianismo transcendesse os limites da raça.
Outro problema: a circuncisão, que consiste em cortar a pele que cobre a glande, no pipi da criança. Pretendia-se que o gentio devia deixar-se circuncidar, por testemunho de sua conversão, algo absurdo, porquanto se tratava de uma prática do Judaísmo, sem nenhuma relação com o Evangelho.
Jesus dizia existirem muitas ovelhas, referindo-se às múltiplas raças e concepções religiosas, mas que ele reuniria todas em torno de seus ensinamentos.
Idéia absolutamente lógica, considerando-se que o Evangelho é um repositório de leis divinas, de caráter universal.
Isso não significa que todas as religiões o adotem, considerada a diversidade de culturas e de entendimento, mas haverá algo de seus princípios em todas elas, destacando-se a lei maior: o amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.
Então estaremos todos irmanados em torno do Cristo.

***

Não obstante o Evangelho ser, por excelência, contrário às discriminações, criaram-se em torno dele grupos fechados em concepções dogmáticas, com interpretações meio à moda da casa.
Chamam-se irmãos entre si. E dizem:
– Quem não comunga nossas idéias não é filho de Deus. Apenas criatura.
Incrível! De acordo com esse disparate, perto de quatro bilhões de pessoas, dois terços da população mundial, não são gente – apenas criaturas, seres de segunda classe no contexto universal, simplesmente porque não nasceram em países cristãos, o que sustenta a estranha idéia de que a filiação divina obedece à geografia.
Tão radicais foram as facções cristãs no passado que, frequentemente, trucidavam-se umas às outras, como se a inspiração do Cristianismo fosse a guerra, não a paz; o ódio, não o amor.
Ainda hoje, embora não haja mais clima para a luta armada, permanece a tendência de se fecharem os religiosos em suas concepções, julgando-se detentores da Verdade e considerando gente do Cristo, sua gente, apenas os que comungam das mesmas idéias.

***

Antes de pretendermos impor nossa posição de gente do Cristo, em clima de desentendimento, melhor seria que procurássemos definir quem Jesus considera sua gente.
A resposta a essa pergunta está na Parábola do Bom Samaritano:
Levantou-se certo doutor da lei e, querendo testar Jesus, perguntou-lhe:
– Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Jesus lhe respondeu:
– O que está escrito na Lei? Como lês?
Respondeu-lhe o homem:
– Amará ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.
Então Jesus lhe disse:
– Respondeste bem. Faze isso, e viverás.
Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus:
– E quem é o meu próximo?
Poderíamos traduzir a interrogação assim:
– Quem é meu irmão, ou quem é minha gente?
E Jesus, respondendo, contou uma história:
Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de salteadores que o despiram, o espancaram e se foram, deixando-o semimorto.
Descia pelo mesmo caminho um sacerdote, oficiante das cerimônias do culto judeu. Vendo o homem caído, passou ao largo, evitando envolver-se com o infeliz.
Pouco depois surgiu um levita, servidor do Templo, da tribo sacerdotal de Levi. Não deixou por menos: desviou-se, dando volta.
Surgiu, finalmente, um samaritano, judeu habitante da Samaria, região da antiga Palestina. Por motivos religiosos e políticos os samaritanos sofriam discriminação por parte dos seus irmãos de raça. Não era gente para eles.
O mais lógico, portanto, seria passar ainda mais longe do homem caído, evitando complicações em terra hostil.
Contrariando as expectativas, aproximou-se do ferido e cuidou dele. Colocou-o sobre sua montaria e o levou até uma hospedaria. No dia seguinte tomou dois denários, importância que daria pelo menos para uma semana de hospedagem, deu-os ao atendente e recomendou-lhe:
– Trata-o, e na minha volta eu te pagarei tudo quanto despenderes a mais.
Terminando a parábola, Jesus perguntou ao fariseu:
– Qual desses três homens te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?
O doutor da Lei, logicamente, respondeu:
– Aquele que usou de misericórdia com ele.
E terminou Jesus, dizendo:
– Vai e faze tu o mesmo.

***

Fácil concluir quem é gente para Jesus ou quem é sua gente.
São aqueles que estão atentos ao irmão caído na estrada.
Ele pode estar bem perto de nós.
O familiar com problemas…
O colega de serviço sobrecarregado…
O necessitado que nos procurem…
O carente na periferia…
O doente no hospital…
O sentenciado na prisão…
É também aquele que nos ofendeu que nos prejudicou que nos causou prejuízos…
Haverá queda mais danosa que o mal praticado contra alguém? Altamente meritório se nos dispusermos a relevar, sem partir para o revide em pensamento ou ação.
Gente do Cristo age assim.

***

Todos querem as benesses divinas, sem as quais ficamos perdidos na Terra.
Para tanto é preciso que nos movimentemos nas lides do Bem, amando e servindo, estendendo braços fraternos ao irmão caído.
Só assim demonstraremos que estamos cuidando da gente da Terra, para que a gente do Céu cuide de nós.

Livro Histórias que Trazem Felicidade
Richard Simonetti
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:19

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Terça-feira, 5 de Junho de 2007

A IMPOSSIBILIDA LÓGICA DA EXISTENCIA DO DIABO

O mal sempre acompanhou o homem, sempre esteve concretamente em sua vida por meio de suas manifestações objetivas; a dor e o sofrimento. Os vulcões e os terremotos, os tsunames, os tornados, as epidemias, as doenças crônicas são as formas mais comuns do que poderíamos chamar de mal natural ou físico. Ao lado deste tipo de mal, há um outro que vamos chamar de mal moral, ou seja, mal que tem por causa os desvios da conduta humana como: os homicídios, roubos e furtos, a perversidade, a traição e a mentira, entre outros.
Assim que o homem foi capaz de pensar teologicamente, surgiu à necessidade de se explicar a origem do mal e esta foram atribuídas aos deuses já que eles eram considerados os autores de todas as coisas existentes, boas ou más. A medida, porém, que a teologia foi se sofisticando, houve também uma depuração de conceito de Deus, chegando-se ao deus único que seria infinitamente bom e justo. Então, uma outra questão é posta: como um deus infinitamente justo e bom poderia ter criado o mal? A questão era muito antiga. Já Epicuro de Samos, no século IV, colocava a seguinte questão: ou Deus quer acabar com o mal e não pode ou pode, mas não quer. No primeiro caso é fraco e incapaz e no segundo é perverso e mau, qualidades impossíveis de serem atribuídas a Deus. A solução encontrada por Epicuro foi a seguinte: os deuses existem, são feitos de átomos sutilíssimos e vivem em regiões longínquas do espaço infinito em estado de eterna felicidade e por isso não se ocupam dos negócios humanos nem para o bem nem para o mal.
Foi esta idéia que, no século XIX, o poeta dos escravos Antonio Castro Alves resgatou em versos condoreiros em seu poema Vozes da África.
Deus, ó Deus onde estás que não respondes.
Em que sol, em que estrelas tu te escondes?
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito.
Que embalde, desde então percorre o infinito.
Onde estás, onde estás Senhor Deus?

Nesse poema, o poeta dá voz à África e esta questiona Deus que, sem argumentos, se esconde embuçado nos céus. Assim, voltamos à questão epicurista: Deus quer acabar com o sofrimento dos escravos, mas não pode ou pode, mas não quer.
Para resolver esta questão, na Idade-Média, a igreja Romana tomou do profeta Zoroastro ou Zaratustra a idéia de um demônio metafísico chamado Arhiman que disputa com Ormusd, o deus do bem, a alma do homem. Assim, transfere-se para o demônio a responsabilidade do mal no mundo.
Esta não foi uma boa solução uma vez que levava a uma outra questão: quem criou o diabo? A resposta lógica é a seguinte: se Deus criou todos os seres existentes tanto na ordem física quanto na ordem metafísica e o diabo existe, logo Deus criou o diabo; entretanto, é impossível que um deus infinitamente bom e justo tenha criado um ser voltado para o mal; ora se Deus não pode ter criado o diabo nem o diabo pode ter criado a si mesmo, logo o diabo não existe.
Para buscar uma solução para este problema, os teólogos inventaram o mito dos anjos rebeldes.
Segundo esta narrativa Deus não teria criado o diabo, mas apenas os anjos que eram bons e perfeitos, porém, um dia, um deles, exatamente o mais belo, por nome de Lúcifer, revoltou-se contra o seu criador e chefiou um motim no céu. Deus mandou contra os revoltados as suas milícias celestes e venceu os rebeldes que foram expulsos das regiões celestes e enviado para o inferno, uma região equivalente ao tártaro da mitologia grega.
Examinemos com maior cuidado este mito. Os anjos se rebelam contra Deus. Muito bem. Mas como é possível que alguém se rebele contra a perfeição? Dizem os defensores desta tese que o motivo da rebelião não estava em Deus, mas nos próprios revoltados. Ora, se eles tinham a semente da revolta e do mal em si, logo foram criado imperfeitos e estamos de volta a questão que desejamos evitar, ou seja, um Deus bom criando o mal, um Deus perfeito criando a imperfeição.
Como se pode ver, com facilidade, este mito não resiste a menor crítica. Fiquemos, portanto com a Doutrina dos Espíritos que, em um livro notável, intitulado O Céu e O Inferno, negando tanto a existência dos anjos bons como a dos anjos maus ou demônios, desviando-se do mito tradicional, apresenta o demônio não como um Espírito condenado eternamente ao mal mas como Espíritos que, usando seu livre arbítrio afastaram-se do bem. Este afastamento não é eterno e vai depender dos esforços que eles fizerem na direção da luz
Texto retirado do Jornal Correio Espírita de Maio/07
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:51

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A IMPOSSIBILIDA LÓGICA DA EXISTENCIA DO DIABO

O mal sempre acompanhou o homem, sempre esteve concretamente em sua vida por meio de suas manifestações objetivas; a dor e o sofrimento. Os vulcões e os terremotos, os tsunames, os tornados, as epidemias, as doenças crônicas são as formas mais comuns do que poderíamos chamar de mal natural ou físico. Ao lado deste tipo de mal, há um outro que vamos chamar de mal moral, ou seja, mal que tem por causa os desvios da conduta humana como: os homicídios, roubos e furtos, a perversidade, a traição e a mentira, entre outros.
Assim que o homem foi capaz de pensar teologicamente, surgiu à necessidade de se explicar a origem do mal e esta foram atribuídas aos deuses já que eles eram considerados os autores de todas as coisas existentes, boas ou más. A medida, porém, que a teologia foi se sofisticando, houve também uma depuração de conceito de Deus, chegando-se ao deus único que seria infinitamente bom e justo. Então, uma outra questão é posta: como um deus infinitamente justo e bom poderia ter criado o mal? A questão era muito antiga. Já Epicuro de Samos, no século IV, colocava a seguinte questão: ou Deus quer acabar com o mal e não pode ou pode, mas não quer. No primeiro caso é fraco e incapaz e no segundo é perverso e mau, qualidades impossíveis de serem atribuídas a Deus. A solução encontrada por Epicuro foi a seguinte: os deuses existem, são feitos de átomos sutilíssimos e vivem em regiões longínquas do espaço infinito em estado de eterna felicidade e por isso não se ocupam dos negócios humanos nem para o bem nem para o mal.
Foi esta idéia que, no século XIX, o poeta dos escravos Antonio Castro Alves resgatou em versos condoreiros em seu poema Vozes da África.
Deus, ó Deus onde estás que não respondes.
Em que sol, em que estrelas tu te escondes?
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito.
Que embalde, desde então percorre o infinito.
Onde estás, onde estás Senhor Deus?

Nesse poema, o poeta dá voz à África e esta questiona Deus que, sem argumentos, se esconde embuçado nos céus. Assim, voltamos à questão epicurista: Deus quer acabar com o sofrimento dos escravos, mas não pode ou pode, mas não quer.
Para resolver esta questão, na Idade-Média, a igreja Romana tomou do profeta Zoroastro ou Zaratustra a idéia de um demônio metafísico chamado Arhiman que disputa com Ormusd, o deus do bem, a alma do homem. Assim, transfere-se para o demônio a responsabilidade do mal no mundo.
Esta não foi uma boa solução uma vez que levava a uma outra questão: quem criou o diabo? A resposta lógica é a seguinte: se Deus criou todos os seres existentes tanto na ordem física quanto na ordem metafísica e o diabo existe, logo Deus criou o diabo; entretanto, é impossível que um deus infinitamente bom e justo tenha criado um ser voltado para o mal; ora se Deus não pode ter criado o diabo nem o diabo pode ter criado a si mesmo, logo o diabo não existe.
Para buscar uma solução para este problema, os teólogos inventaram o mito dos anjos rebeldes.
Segundo esta narrativa Deus não teria criado o diabo, mas apenas os anjos que eram bons e perfeitos, porém, um dia, um deles, exatamente o mais belo, por nome de Lúcifer, revoltou-se contra o seu criador e chefiou um motim no céu. Deus mandou contra os revoltados as suas milícias celestes e venceu os rebeldes que foram expulsos das regiões celestes e enviado para o inferno, uma região equivalente ao tártaro da mitologia grega.
Examinemos com maior cuidado este mito. Os anjos se rebelam contra Deus. Muito bem. Mas como é possível que alguém se rebele contra a perfeição? Dizem os defensores desta tese que o motivo da rebelião não estava em Deus, mas nos próprios revoltados. Ora, se eles tinham a semente da revolta e do mal em si, logo foram criado imperfeitos e estamos de volta a questão que desejamos evitar, ou seja, um Deus bom criando o mal, um Deus perfeito criando a imperfeição.
Como se pode ver, com facilidade, este mito não resiste a menor crítica. Fiquemos, portanto com a Doutrina dos Espíritos que, em um livro notável, intitulado O Céu e O Inferno, negando tanto a existência dos anjos bons como a dos anjos maus ou demônios, desviando-se do mito tradicional, apresenta o demônio não como um Espírito condenado eternamente ao mal mas como Espíritos que, usando seu livre arbítrio afastaram-se do bem. Este afastamento não é eterno e vai depender dos esforços que eles fizerem na direção da luz
Texto retirado do Jornal Correio Espírita de Maio/07
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:51

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O mal sempre acompanhou o homem, sempre esteve concretamente em sua vida por meio de suas manifestações objetivas; a dor e o sofrimento. Os vulcões e os terremotos, os tsunames, os tornados, as epidemias, as doenças crônicas são as formas mais comuns do que poderíamos chamar de mal natural ou físico. Ao lado deste tipo de mal, há um outro que vamos chamar de mal moral, ou seja, mal que tem por causa os desvios da conduta humana como: os homicídios, roubos e furtos, a perversidade, a traição e a mentira, entre outros.
Assim que o homem foi capaz de pensar teologicamente, surgiu à necessidade de se explicar a origem do mal e esta foram atribuídas aos deuses já que eles eram considerados os autores de todas as coisas existentes, boas ou más. A medida, porém, que a teologia foi se sofisticando, houve também uma depuração de conceito de Deus, chegando-se ao deus único que seria infinitamente bom e justo. Então, uma outra questão é posta: como um deus infinitamente justo e bom poderia ter criado o mal? A questão era muito antiga. Já Epicuro de Samos, no século IV, colocava a seguinte questão: ou Deus quer acabar com o mal e não pode ou pode, mas não quer. No primeiro caso é fraco e incapaz e no segundo é perverso e mau, qualidades impossíveis de serem atribuídas a Deus. A solução encontrada por Epicuro foi a seguinte: os deuses existem, são feitos de átomos sutilíssimos e vivem em regiões longínquas do espaço infinito em estado de eterna felicidade e por isso não se ocupam dos negócios humanos nem para o bem nem para o mal.
Foi esta idéia que, no século XIX, o poeta dos escravos Antonio Castro Alves resgatou em versos condoreiros em seu poema Vozes da África.
Deus, ó Deus onde estás que não respondes.
Em que sol, em que estrelas tu te escondes?
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito.
Que embalde, desde então percorre o infinito.
Onde estás, onde estás Senhor Deus?

Nesse poema, o poeta dá voz à África e esta questiona Deus que, sem argumentos, se esconde embuçado nos céus. Assim, voltamos à questão epicurista: Deus quer acabar com o sofrimento dos escravos, mas não pode ou pode, mas não quer.
Para resolver esta questão, na Idade-Média, a igreja Romana tomou do profeta Zoroastro ou Zaratustra a idéia de um demônio metafísico chamado Arhiman que disputa com Ormusd, o deus do bem, a alma do homem. Assim, transfere-se para o demônio a responsabilidade do mal no mundo.
Esta não foi uma boa solução uma vez que levava a uma outra questão: quem criou o diabo? A resposta lógica é a seguinte: se Deus criou todos os seres existentes tanto na ordem física quanto na ordem metafísica e o diabo existe, logo Deus criou o diabo; entretanto, é impossível que um deus infinitamente bom e justo tenha criado um ser voltado para o mal; ora se Deus não pode ter criado o diabo nem o diabo pode ter criado a si mesmo, logo o diabo não existe.
Para buscar uma solução para este problema, os teólogos inventaram o mito dos anjos rebeldes.
Segundo esta narrativa Deus não teria criado o diabo, mas apenas os anjos que eram bons e perfeitos, porém, um dia, um deles, exatamente o mais belo, por nome de Lúcifer, revoltou-se contra o seu criador e chefiou um motim no céu. Deus mandou contra os revoltados as suas milícias celestes e venceu os rebeldes que foram expulsos das regiões celestes e enviado para o inferno, uma região equivalente ao tártaro da mitologia grega.
Examinemos com maior cuidado este mito. Os anjos se rebelam contra Deus. Muito bem. Mas como é possível que alguém se rebele contra a perfeição? Dizem os defensores desta tese que o motivo da rebelião não estava em Deus, mas nos próprios revoltados. Ora, se eles tinham a semente da revolta e do mal em si, logo foram criado imperfeitos e estamos de volta a questão que desejamos evitar, ou seja, um Deus bom criando o mal, um Deus perfeito criando a imperfeição.
Como se pode ver, com facilidade, este mito não resiste a menor crítica. Fiquemos, portanto com a Doutrina dos Espíritos que, em um livro notável, intitulado O Céu e O Inferno, negando tanto a existência dos anjos bons como a dos anjos maus ou demônios, desviando-se do mito tradicional, apresenta o demônio não como um Espírito condenado eternamente ao mal mas como Espíritos que, usando seu livre arbítrio afastaram-se do bem. Este afastamento não é eterno e vai depender dos esforços que eles fizerem na direção da luz
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