Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

EM HOMENAGEM AOS 145 ANOS DE LANÇAMENTO DO “EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” OCORRIDO EM 30 DE ABRIL DE 1864 EM PARIS.

 

Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (João, XIV: 15 a 17 e 26)

 
Jesus promete outro consolador: é o Espírito da Verdade, que o mundo ainda não conhece, pois que não está suficientemente maduro para compreendê-lo, e que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para fazer lembrar o que Cristo disse. Se, pois, o Espírito da Verdade deve vir mais tarde, ensinar todas as coisas, é que o Cristo não pode dizer tudo. Se ele vem fazer lembrar o que o Cristo disse, é que o seu ensino foi esquecido ou mal compreendido.
O Espiritismo vem, no tempo assinalado, cumprir a promessa do Cristo: o Espírito da Verdade preside ao seu estabelecimento. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas, fazendo compreender o que o Cristo só disse em parábolas. O Cristo disse: “que ouçam os que têm ouvidos para ouvir”. O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porque ele fala sem figuras e alegorias. Levanta o véu propositalmente lançado sobre certos mistérios, e vem, por fim, trazer uma suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, ao dar uma causa justa e um objetivo útil a todas as dores.
            Disse o Cristo: “Bem-aventurados os aflitos, porque eles serão consolados”. Mas como se pode ser feliz por sofrer, se não se sabe por que se sofre?
            O Espiritismo revela que a causa está nas existências anteriores e na própria destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Revela também o objetivo, mostrando que os sofrimentos são como crises salutares que levam à cura, são a purificação que assegura a felicidade nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer, e acha justo o sofrimento. Sabe que esse sofrimento auxilia o seu adiantamento, e o aceita sem queixas, como o trabalhador aceita o serviço que lhe assegura o salário. O Espiritismo lhe dá uma fé inabalável no futuro, e a dúvida pungente não tem mais lugar na sua alma. Fazendo-o ver as coisas do alto, a importância das vicissitudes terrenas se perde no vasto e esplêndido horizonte que ele abarca, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem, para ir até o fim do caminho.
            Assim realiza o Espiritismo o que Jesus disse do consolador prometido: conhecimento das coisas, que faz o homem saber de onde vem, para onde vai e porque está na Terra, lembrança dos verdadeiros princípios da lei de Deus, e consolação pela fé e pela esperança.
 

 

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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 20:08

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CONTROLE UNIVERSAL DOS ESPÍRITOS


EM HOMENAGEM AOS 145 ANOS DE LANÇAMENTO DO "EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO" OCORRIDO EM 30 DE ABRIL DE 1864 EM PARIS.




Controle Universal do Ensino dos Espíritos
Se a doutrina espírita fosse uma concepção puramente humana, não teria como garantia senão as luzes daquele que a tivesse concebido. Ora, ninguém neste mundo poderia ter a pretensão de possuir, sozinho, a verdade absoluta. Se os Espíritos que a revelaram se houvessem manifestado a apenas um homem, nada lhe garantiria a origem, pois seria necessário crer sob palavra no que dissesse haver recebido os seus ensinos. Admitindo-se absoluta sinceridade de sua parte, poderia no máximo convencer as pessoas do seu meio, e poderia fazer sectários, mas não chegaria nunca a reunir a todos.
Deus quis que a nova revelação chegasse aos homens por um meio mais rápido e mais autêntico. Eis porque encarregou os Espíritos de a levarem de um pólo ao outro, manifestando-se por toda parte, sem dar a ninguém o privilégio exclusivo de ouvir a sua palavra. Um homem pode ser enganado e pode enganar-se a si mesmo, mas não aconteceria assim, quando milhões vêem e ouvem a mesma coisa: isto é uma garantia para cada um e para todos. Demais, pode fazer-se desaparecer um homem, mas não se faz desaparecerem as massas; podem-se queimar livros, mas não se podem queimar espíritos. Ora, queimem-se todos os livros, e a fonte da doutrina não será menos inesgotável, porque não se encontra na Terra, surge de toda parte e cada um pode captá-la. Se faltarem homens para a propagar, haverá sempre os Espíritos, que atingem a todos e que ninguém pode atingir.
São realmente os próprios Espíritos que fazem a propaganda, com a ajuda de inumeráveis médiuns, que eles despertam por toda parte. Se houvesse um intérprete único, por mais favorecido que esse fosse, o Espiritismo estaria apenas conhecido. Esse intérprete, por sua vez, qualquer que fosse a sua categoria, provocaria a prevenção de muitos; não seria aceito por todas as nações. Os Espíritos, entretanto, comunicando-se por toda parte, a todos os povos, a todas as seitas e a todos os partidos, são aceitos por todos. O Espiritismo não tem nacionalidade, independe de todos os cultos particulares, não é imposto por nenhuma classe social, visto que cada um pode receber instruções de seus parentes e amigos de além-túmulo. Era necessário que assim fosse, para que ele pudesse conclamar todos os homens à fraternidade, pois se não se colocasse em terreno neutro, teria mantido as dissensões, em lugar de apaziguá-las.
Esta universalidade do ensino dos Espíritos faz a força do Espiritismo, e é ao mesmo tempo a causa de sua tão rápida propagação. Enquanto a voz de um só homem, mesmo com o auxílio da imprensa, necessitaria de séculos para chegar aos ouvidos de todos, eis que milhares de vozes se fazem ouvir simultaneamente, em todos os pontos da Terra, para proclamar os mesmos princípios e os transmitir aos mais ignorantes e aos mais sábios, a fim de que ninguém seja deserdado. É uma vantagem de que não pode gozar nenhuma das doutrinas aparecidas até hoje. Se, portanto, o Espiritismo é uma verdade, ele não teme nem a má vontade dos homens, nem as resoluções morais, nem as transformações físicas do globo, porque nenhuma dessas coisas pode atingir os Espíritos.
Mas não é esta única vantagem que resulta dessa posição excepcional. O Espiritismo ainda encontra nela uma poderosa garantia contra os cismas que poderiam ser suscitados, quer pela ambição de alguns, quer pelas contradições de certos Espíritos. Essas contradições são certamente um escolho, mas carregam em si mesmas o remédio ao lado do mal.
Sabe-se que os Espíritos, em conseqüência das suas diferenças de capacidade, estão longe de possuir individualmente toda a verdade; que não é dado a todos penetrar certos mistérios; que o seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais do que os homens; que há, entre eles, como entre estes, presunçosos e falsos sábios, que crêem saber aquilo que não sabem; sistemáticos, que tomam suas próprias idéias pela verdade; enfim, que os Espíritos da ordem mais elevada, que são completamente desmaterializados, são os únicos libertos das idéias e das preocupações terrenas. Mas sabe-se também que os Espíritos embusteiros não têm escrúpulos para esconder-se atrás de nomes emprestados, a fim de fazerem aceitar suas utopias. Disso resulta que, para tudo o que está fora do ensino exclusivamente moral, as revelações que alguém possa obter são de caráter individual, sem autenticidade, e devem ser consideradas como opiniões pessoais deste ou daquele Espírito, sendo imprudência aceitá-las e propagá-las levianamente como verdades absolutas.
O primeiro controle é, sem contradita, o da razão, ao qual é necessário submeter, sem exceção, tudo o que vem dos Espíritos. Toda teoria em contradição manifesta com o bom-senso, com uma lógica rigorosa, e com os dados positivos que possuímos, por mais respeitável que seja o nome que a assine, deve ser rejeitada. Mas esse controle é incompleto para muitos casos, em virtude da insuficiência de conhecimentos de certas pessoas, e da tendência de muitos, de tomarem seu próprio juízo por único árbitro da verdade. Em tais casos, que fazem os homens que não confiam absolutamente em si mesmos? Aconselham-se com os outros, e a opinião da maioria lhes serve de guia. Assim deve ser no tocante ao ensino dos Espíritos, que nos fornecem por si mesmos os meios de controle.
A concordância do ensino dos Espíritos é portanto o seu melhor controle, mas é ainda necessário que ela se verifique em certas condições. A menos segura de todas é quando um médium interroga por si mesmo numerosos Espíritos, sobre uma questão duvidosa. É claro que, se ele está sob o império de uma obsessão, ou se tem relações com um Espírito embusteiro, este Espírito pode dizer-lhe a mesma coisa sob nomes diferentes. Não há garantia suficiente, da mesma maneira, na concordância que se possa obter pelos médiuns de um mesmo centro, porque eles podem sofrer a mesma influência.
A única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância das revelações feitas espontaneamente, através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares.
Compreende-se que não se trata aqui de comunicações relativas a interesses secundários, mas das que se referem aos próprios princípios da doutrina. A experiência prova que, quando um novo princípio deve ser revelado, ele é ensinado espontaneamente, ao mesmo tempo, em diferentes lugares, e de maneira idêntica, senão na forma, pelo menos quanto ao fundo. Se, portanto, apraz a um Espírito formular um sistema excêntrico, baseado em suas próprias idéias e fora da verdade, pode-se estar certo de que esse sistema ficará circunscrito, e cairá diante da unanimidade das instruções dadas por toda parte, como já mostraram numerosos exemplos. É esta unanimidade que tem posto abaixo todos os sistemas parciais surgidos na origem do Espiritismo, quando cada qual explicava os fenômenos do mundo visível com o mundo invisível.
Esta é a base em que nos apoiamos, para formular um princípio da doutrina. Não é por concordar ele com as nossas idéias, que o damos como verdadeiro. Não nos colocamos, absolutamente, como árbitro supremo da verdade, e não dizemos a ninguém: “Crede em tal coisa, porque nós vo-la dizemos”. Nossa opinião não é, aos nossos próprios olhos, mais do que uma opinião pessoal, que pode ser justa ou falsa, porque não somos mais infalíveis do que os outros. E não é também porque um princípio nos foi ensinado que o consideramos verdadeiro, mas porque ele recebeu a sanção da concordância.
Nossa posição, recebendo as comunicações de cerca de mil centros espíritas sérios, espalhados pelos mais diversos pontos do globo, estamos em condições de ver quais os princípios sobre que essa concordância se estabelece. É esta observação que nos tem guiado até hoje, e é igualmente ela que nos guiará, através dos novos campos que o Espiritismo está convocado a explorar. E assim que, estudando atentamente as comunicações recebidas de diversos lugares, tanto da França como do exterior, reconhecemos, pela natureza toda especial das revelações, que há uma tendência para entrar numa nova via, e que chegou o momento de se dar um passo à frente. Essas revelações, formuladas às vezes com palavras veladas, passaram quase sempre despercebidas para muitos daqueles que as obtiveram, e muitos outros acreditaram tê-las recebido sozinhos. Tomadas isoladamente, elas seriam para nós sem valor; somente a coincidência lhes confere gravidade. Depois, quando chega o momento de publicá-las, cada um se lembrará de haver recebido instruções no mesmo sentido. É esse o movimento geral que observamos e estudamos, com a assistência dos nossos guias espirituais, e que nos ajuda a avaliar a oportunidade de fazermos uma coisa ou de nos abstermos.
Esse controle universal é uma garantia para a unidade futura do Espiritismo, e anulará todas as teorias contraditórias. É nele que, no futuro, se procurará o criterium da verdade. O que determinou o sucesso da doutrina formulada no Livro dos Médiuns, foi que, por toda parte, cada qual pode receber, diretamente dos Espíritos, a confirmação do que eles afirmavam. Se, de todas as partes, os Espíritos os contradissessem, esses livros teriam, após tão longo tempo, sofrido a sorte de todas as concepções fantásticas. O apoio mesmo da imprensa não os teria salvado do naufrágio, enquanto que, privados desse apoio, não deixaram de fazer rapidamente o seu caminho, porque tiveram o dos Espíritos, cuja boa vontade compensou, com vantagem, a má vontade dos homens. Assim acontecerá com todas as idéias manadas dos Espíritos ou dos homens, que puderem suportar a prova desse controle, cujo poder ninguém pode contestar.
Suponhamos, portanto, que alguns Espíritos queiram ditar, com qualquer título, um livro de sentido contrário; suponhamos mesmo que, com intenção hostil, e com o fim de desacreditar a doutrina, a malevolência suscitasse comunicações apócrifas. Que influência poderia ter esses escritos, se eles são desmentidos de todos os lados pelos Espíritos? É da adesão desses últimos que se precisa assegurar, antes de lançar um sistema em seu nome. Do sistema de um só ao sistema de todos, há a distância da unidade ao infinito. Que podem, mesmo, todos os argumentos dos detratores contra a opinião das massas, quando milhões de vozes amigas, vindas do espaço, chegam de todas as partes do Universo, e no seio de cada família os repelem vivamente? A experiência já não confirmou a teoria, no tocante a este assunto? Que foi feito de todas essas publicações que deviam, segundo afirmavam, destruir o Espiritismo? Qual delas conseguiu, pelo menos, deter-lhe a marcha? Até hoje não se havia consideração à questão desse ponto de vista, sem dúvida um dos mais graves: cada um contou consigo mesmo, sem contar com os Espíritos.
O princípio da concordância é ainda uma garantia contra as alterações que em proveito próprio, pretendessem introduzir no Espiritismo as seitas que dele quisessem apoderar-se, acomodando-o à sua maneira. Quem quer que tente fazê-lo desviar de seu fim providencial fracassaria, pela bem simples razão de que os Espíritos, através da universalidade dos seus ensinos, farão cair toda modificação que se afaste da verdade.
Resulta de tudo isto uma verdade capital: é que quem desejasse atravessar-se na corrente de idéias estabelecida e sancionada, poderia provocar uma pequena perturbação local e momentânea, mas jamais dominar o conjunto, mesmo no presente, quanto menos no futuro.
E resulta mais, que as instruções dadas pelos Espíritos, sobre os pontos da doutrina ainda não esclarecidos, não teriam força de lei, enquanto permanecessem isolados, só devendo, por conseguinte, ser aceitas sob todas as reservas, a título de informações.
Daí a necessidade da maior prudência na sua publicação, e no caso de julgar-se que devem ser publicadas, só devem ser apresentadas como opiniões individuais, mais ou menos prováveis, mas tendo, em todo o caso, necessidade de confirmação. È esta confirmação que se deve esperar, antes de apresentar um princípio como verdade absoluta, se não se quiser ser acusado de leviandade ou de credulidade irrefletida.
Os Espíritos Superiores procedem, nas suas revelações, com extrema prudência. Só abordam as grandes questões da doutrina de maneira gradual, á medida que a inteligência se torna apta a compreender as verdades de uma ordem mais elevada, e que as circunstâncias são propícias para a emissão de uma idéia nova. Eis porque, desde o começo, eles não disseram tudo, e nem o disseram até agora, não cedendo jamais á impaciência de pessoas muito apressadas, que desejam colher os frutos antes de amadurecerem. Seria, pois, inútil, querer antecipar o tempo marcado pela Providência para cada coisa porque então os Espíritos verdadeiramente sérios recusam-se positivamente a ajudar. Os Espíritos levianos, porém, pouco se incomodando com a verdade, a tudo respondem. É por essa razão que, sobre todas as questões prematuras, há sempre respostas contraditórias.
Os princípios acima não são o resultado de uma teoria pessoal, mas a forçosa conseqüência das condições em que os Espíritos se manifestam. È evidente que, se um Espírito diz uma coisa num lugar, enquanto milhões dizem o contrário por toda parte, a presunção de verdade não pode estar com aquele que ficou só, e nem se aproximar da sua opinião, pois pretender que um só tenha razão, contra todos, seria tão ilógico de parte de um Espírito como de parte dos homens. Os Espíritos verdadeiramente sábios, quando não se sentem suficientemente esclarecidos sobre uma questão, não a resolvem jamais de maneira absoluta. Declaram tratar do assunto de acordo com a sua opinião pessoal, e aconselham esperar-se a confirmação.
Por maior, mais bela e justa que seja uma idéia, é impossível que reúna, desde o princípio, todas as opiniões. Os conflitos de que dela resultam são a conseqüência inevitável do movimento que se processa, e são mesmo necessários, para melhor fazer ressaltar a verdade, È também útil que eles surjam no começo, para que as idéias falsas sejam mais rapidamente desgastadas. Os espíritas que revelam alguns temores devem ficar tranqüilos. Todas as pretensões isoladas cairão, pela força mesma das coisas, diante do grande e poderoso critério do controle universal.
Não será pela opinião de um homem que se produzirá a união, mas pela unanimidade da voz dos Espíritos. Não será um homem, e muito menos nós que qualquer outro, que fundará a ortodoxia espírita. Nem será tampouco um Espírito, vindo impor-se a quem quer que seja. È a universalidade dos Espíritos, comunicando-se sobre toda a Terra, por ordem de Deus. Este é o caráter essencial da doutrina espírita, nisto está a sua força e a sua autoridade. Deus quis que a sua lei fosse assentada sobre uma base inabalável, e foi por isso que não a fez repousar sobre a cabeça frágil de um só.
È diante desse poderoso areópago, que nem conhece o conluio, nem as rivalidades ciumentas, nem o sectarismo, nem as divisões nacionais, que virão quebrar-se todas as oposições, todas as ambições, todas as pretensões à supremacia individual, que nos quebraríamos nós mesmos, se quiséssemos substituir esses decretos soberanos por nossas próprias idéias. Será ele somente que resolverá todas as questões litigiosas, que fará calar as dissidências e dará falta ou razão a quem de direito. Diante desse grandioso acordo de todas as vozes do céu, que pode a opinião de um homem ou de um Espírito? Menos que uma gota d’água que se perde no oceano, menos que a voz de uma criança abafada pela tempestade.
A opinião universal, eis portanto o juiz supremo, aquele que pronuncia em última instância. Ela se forma de todas as opiniões individuais. Se uma delas é verdadeira, tem na balança o seu peso relativo; se uma é falsa, não pode sobrepujar as outras. Nesse imenso concurso, as individualidades desaparecem, e eis aí um novo revés para o orgulho humano.
Esse conjunto harmonioso já se esboça; portanto, este século não passará antes que ele brilhe em todo o seu esplendor, de maneira a resolver todas as incertezas; porque daqui para diante vozes poderosas terão recebido a missão de se fazerem ouvir, para reunir os homens sob a mesma bandeira, uma vez que o campo esteja suficientemente preparado. Enquanto isso, aquele que flutuar entre dois sistemas opostos poderá observar em que sentido se forma a opinião geral: é o indício seguro do sentido em que se pronuncia a maioria dos Espíritos, dos diversos pontos sobre os quais se comunicam; é um sinal não menos seguro de qual dos dois sistemas predominará.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 15:24

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CONTROLE UNIVERSAL DOS ESPÍRITOS


EM HOMENAGEM AOS 145 ANOS DE LANÇAMENTO DO "EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO" OCORRIDO EM 30 DE ABRIL DE 1864 EM PARIS.




Controle Universal do Ensino dos Espíritos
Se a doutrina espírita fosse uma concepção puramente humana, não teria como garantia senão as luzes daquele que a tivesse concebido. Ora, ninguém neste mundo poderia ter a pretensão de possuir, sozinho, a verdade absoluta. Se os Espíritos que a revelaram se houvessem manifestado a apenas um homem, nada lhe garantiria a origem, pois seria necessário crer sob palavra no que dissesse haver recebido os seus ensinos. Admitindo-se absoluta sinceridade de sua parte, poderia no máximo convencer as pessoas do seu meio, e poderia fazer sectários, mas não chegaria nunca a reunir a todos.
Deus quis que a nova revelação chegasse aos homens por um meio mais rápido e mais autêntico. Eis porque encarregou os Espíritos de a levarem de um pólo ao outro, manifestando-se por toda parte, sem dar a ninguém o privilégio exclusivo de ouvir a sua palavra. Um homem pode ser enganado e pode enganar-se a si mesmo, mas não aconteceria assim, quando milhões vêem e ouvem a mesma coisa: isto é uma garantia para cada um e para todos. Demais, pode fazer-se desaparecer um homem, mas não se faz desaparecerem as massas; podem-se queimar livros, mas não se podem queimar espíritos. Ora, queimem-se todos os livros, e a fonte da doutrina não será menos inesgotável, porque não se encontra na Terra, surge de toda parte e cada um pode captá-la. Se faltarem homens para a propagar, haverá sempre os Espíritos, que atingem a todos e que ninguém pode atingir.
São realmente os próprios Espíritos que fazem a propaganda, com a ajuda de inumeráveis médiuns, que eles despertam por toda parte. Se houvesse um intérprete único, por mais favorecido que esse fosse, o Espiritismo estaria apenas conhecido. Esse intérprete, por sua vez, qualquer que fosse a sua categoria, provocaria a prevenção de muitos; não seria aceito por todas as nações. Os Espíritos, entretanto, comunicando-se por toda parte, a todos os povos, a todas as seitas e a todos os partidos, são aceitos por todos. O Espiritismo não tem nacionalidade, independe de todos os cultos particulares, não é imposto por nenhuma classe social, visto que cada um pode receber instruções de seus parentes e amigos de além-túmulo. Era necessário que assim fosse, para que ele pudesse conclamar todos os homens à fraternidade, pois se não se colocasse em terreno neutro, teria mantido as dissensões, em lugar de apaziguá-las.
Esta universalidade do ensino dos Espíritos faz a força do Espiritismo, e é ao mesmo tempo a causa de sua tão rápida propagação. Enquanto a voz de um só homem, mesmo com o auxílio da imprensa, necessitaria de séculos para chegar aos ouvidos de todos, eis que milhares de vozes se fazem ouvir simultaneamente, em todos os pontos da Terra, para proclamar os mesmos princípios e os transmitir aos mais ignorantes e aos mais sábios, a fim de que ninguém seja deserdado. É uma vantagem de que não pode gozar nenhuma das doutrinas aparecidas até hoje. Se, portanto, o Espiritismo é uma verdade, ele não teme nem a má vontade dos homens, nem as resoluções morais, nem as transformações físicas do globo, porque nenhuma dessas coisas pode atingir os Espíritos.
Mas não é esta única vantagem que resulta dessa posição excepcional. O Espiritismo ainda encontra nela uma poderosa garantia contra os cismas que poderiam ser suscitados, quer pela ambição de alguns, quer pelas contradições de certos Espíritos. Essas contradições são certamente um escolho, mas carregam em si mesmas o remédio ao lado do mal.
Sabe-se que os Espíritos, em conseqüência das suas diferenças de capacidade, estão longe de possuir individualmente toda a verdade; que não é dado a todos penetrar certos mistérios; que o seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais do que os homens; que há, entre eles, como entre estes, presunçosos e falsos sábios, que crêem saber aquilo que não sabem; sistemáticos, que tomam suas próprias idéias pela verdade; enfim, que os Espíritos da ordem mais elevada, que são completamente desmaterializados, são os únicos libertos das idéias e das preocupações terrenas. Mas sabe-se também que os Espíritos embusteiros não têm escrúpulos para esconder-se atrás de nomes emprestados, a fim de fazerem aceitar suas utopias. Disso resulta que, para tudo o que está fora do ensino exclusivamente moral, as revelações que alguém possa obter são de caráter individual, sem autenticidade, e devem ser consideradas como opiniões pessoais deste ou daquele Espírito, sendo imprudência aceitá-las e propagá-las levianamente como verdades absolutas.
O primeiro controle é, sem contradita, o da razão, ao qual é necessário submeter, sem exceção, tudo o que vem dos Espíritos. Toda teoria em contradição manifesta com o bom-senso, com uma lógica rigorosa, e com os dados positivos que possuímos, por mais respeitável que seja o nome que a assine, deve ser rejeitada. Mas esse controle é incompleto para muitos casos, em virtude da insuficiência de conhecimentos de certas pessoas, e da tendência de muitos, de tomarem seu próprio juízo por único árbitro da verdade. Em tais casos, que fazem os homens que não confiam absolutamente em si mesmos? Aconselham-se com os outros, e a opinião da maioria lhes serve de guia. Assim deve ser no tocante ao ensino dos Espíritos, que nos fornecem por si mesmos os meios de controle.
A concordância do ensino dos Espíritos é portanto o seu melhor controle, mas é ainda necessário que ela se verifique em certas condições. A menos segura de todas é quando um médium interroga por si mesmo numerosos Espíritos, sobre uma questão duvidosa. É claro que, se ele está sob o império de uma obsessão, ou se tem relações com um Espírito embusteiro, este Espírito pode dizer-lhe a mesma coisa sob nomes diferentes. Não há garantia suficiente, da mesma maneira, na concordância que se possa obter pelos médiuns de um mesmo centro, porque eles podem sofrer a mesma influência.
A única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância das revelações feitas espontaneamente, através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares.
Compreende-se que não se trata aqui de comunicações relativas a interesses secundários, mas das que se referem aos próprios princípios da doutrina. A experiência prova que, quando um novo princípio deve ser revelado, ele é ensinado espontaneamente, ao mesmo tempo, em diferentes lugares, e de maneira idêntica, senão na forma, pelo menos quanto ao fundo. Se, portanto, apraz a um Espírito formular um sistema excêntrico, baseado em suas próprias idéias e fora da verdade, pode-se estar certo de que esse sistema ficará circunscrito, e cairá diante da unanimidade das instruções dadas por toda parte, como já mostraram numerosos exemplos. É esta unanimidade que tem posto abaixo todos os sistemas parciais surgidos na origem do Espiritismo, quando cada qual explicava os fenômenos do mundo visível com o mundo invisível.
Esta é a base em que nos apoiamos, para formular um princípio da doutrina. Não é por concordar ele com as nossas idéias, que o damos como verdadeiro. Não nos colocamos, absolutamente, como árbitro supremo da verdade, e não dizemos a ninguém: “Crede em tal coisa, porque nós vo-la dizemos”. Nossa opinião não é, aos nossos próprios olhos, mais do que uma opinião pessoal, que pode ser justa ou falsa, porque não somos mais infalíveis do que os outros. E não é também porque um princípio nos foi ensinado que o consideramos verdadeiro, mas porque ele recebeu a sanção da concordância.
Nossa posição, recebendo as comunicações de cerca de mil centros espíritas sérios, espalhados pelos mais diversos pontos do globo, estamos em condições de ver quais os princípios sobre que essa concordância se estabelece. É esta observação que nos tem guiado até hoje, e é igualmente ela que nos guiará, através dos novos campos que o Espiritismo está convocado a explorar. E assim que, estudando atentamente as comunicações recebidas de diversos lugares, tanto da França como do exterior, reconhecemos, pela natureza toda especial das revelações, que há uma tendência para entrar numa nova via, e que chegou o momento de se dar um passo à frente. Essas revelações, formuladas às vezes com palavras veladas, passaram quase sempre despercebidas para muitos daqueles que as obtiveram, e muitos outros acreditaram tê-las recebido sozinhos. Tomadas isoladamente, elas seriam para nós sem valor; somente a coincidência lhes confere gravidade. Depois, quando chega o momento de publicá-las, cada um se lembrará de haver recebido instruções no mesmo sentido. É esse o movimento geral que observamos e estudamos, com a assistência dos nossos guias espirituais, e que nos ajuda a avaliar a oportunidade de fazermos uma coisa ou de nos abstermos.
Esse controle universal é uma garantia para a unidade futura do Espiritismo, e anulará todas as teorias contraditórias. É nele que, no futuro, se procurará o criterium da verdade. O que determinou o sucesso da doutrina formulada no Livro dos Médiuns, foi que, por toda parte, cada qual pode receber, diretamente dos Espíritos, a confirmação do que eles afirmavam. Se, de todas as partes, os Espíritos os contradissessem, esses livros teriam, após tão longo tempo, sofrido a sorte de todas as concepções fantásticas. O apoio mesmo da imprensa não os teria salvado do naufrágio, enquanto que, privados desse apoio, não deixaram de fazer rapidamente o seu caminho, porque tiveram o dos Espíritos, cuja boa vontade compensou, com vantagem, a má vontade dos homens. Assim acontecerá com todas as idéias manadas dos Espíritos ou dos homens, que puderem suportar a prova desse controle, cujo poder ninguém pode contestar.
Suponhamos, portanto, que alguns Espíritos queiram ditar, com qualquer título, um livro de sentido contrário; suponhamos mesmo que, com intenção hostil, e com o fim de desacreditar a doutrina, a malevolência suscitasse comunicações apócrifas. Que influência poderia ter esses escritos, se eles são desmentidos de todos os lados pelos Espíritos? É da adesão desses últimos que se precisa assegurar, antes de lançar um sistema em seu nome. Do sistema de um só ao sistema de todos, há a distância da unidade ao infinito. Que podem, mesmo, todos os argumentos dos detratores contra a opinião das massas, quando milhões de vozes amigas, vindas do espaço, chegam de todas as partes do Universo, e no seio de cada família os repelem vivamente? A experiência já não confirmou a teoria, no tocante a este assunto? Que foi feito de todas essas publicações que deviam, segundo afirmavam, destruir o Espiritismo? Qual delas conseguiu, pelo menos, deter-lhe a marcha? Até hoje não se havia consideração à questão desse ponto de vista, sem dúvida um dos mais graves: cada um contou consigo mesmo, sem contar com os Espíritos.
O princípio da concordância é ainda uma garantia contra as alterações que em proveito próprio, pretendessem introduzir no Espiritismo as seitas que dele quisessem apoderar-se, acomodando-o à sua maneira. Quem quer que tente fazê-lo desviar de seu fim providencial fracassaria, pela bem simples razão de que os Espíritos, através da universalidade dos seus ensinos, farão cair toda modificação que se afaste da verdade.
Resulta de tudo isto uma verdade capital: é que quem desejasse atravessar-se na corrente de idéias estabelecida e sancionada, poderia provocar uma pequena perturbação local e momentânea, mas jamais dominar o conjunto, mesmo no presente, quanto menos no futuro.
E resulta mais, que as instruções dadas pelos Espíritos, sobre os pontos da doutrina ainda não esclarecidos, não teriam força de lei, enquanto permanecessem isolados, só devendo, por conseguinte, ser aceitas sob todas as reservas, a título de informações.
Daí a necessidade da maior prudência na sua publicação, e no caso de julgar-se que devem ser publicadas, só devem ser apresentadas como opiniões individuais, mais ou menos prováveis, mas tendo, em todo o caso, necessidade de confirmação. È esta confirmação que se deve esperar, antes de apresentar um princípio como verdade absoluta, se não se quiser ser acusado de leviandade ou de credulidade irrefletida.
Os Espíritos Superiores procedem, nas suas revelações, com extrema prudência. Só abordam as grandes questões da doutrina de maneira gradual, á medida que a inteligência se torna apta a compreender as verdades de uma ordem mais elevada, e que as circunstâncias são propícias para a emissão de uma idéia nova. Eis porque, desde o começo, eles não disseram tudo, e nem o disseram até agora, não cedendo jamais á impaciência de pessoas muito apressadas, que desejam colher os frutos antes de amadurecerem. Seria, pois, inútil, querer antecipar o tempo marcado pela Providência para cada coisa porque então os Espíritos verdadeiramente sérios recusam-se positivamente a ajudar. Os Espíritos levianos, porém, pouco se incomodando com a verdade, a tudo respondem. É por essa razão que, sobre todas as questões prematuras, há sempre respostas contraditórias.
Os princípios acima não são o resultado de uma teoria pessoal, mas a forçosa conseqüência das condições em que os Espíritos se manifestam. È evidente que, se um Espírito diz uma coisa num lugar, enquanto milhões dizem o contrário por toda parte, a presunção de verdade não pode estar com aquele que ficou só, e nem se aproximar da sua opinião, pois pretender que um só tenha razão, contra todos, seria tão ilógico de parte de um Espírito como de parte dos homens. Os Espíritos verdadeiramente sábios, quando não se sentem suficientemente esclarecidos sobre uma questão, não a resolvem jamais de maneira absoluta. Declaram tratar do assunto de acordo com a sua opinião pessoal, e aconselham esperar-se a confirmação.
Por maior, mais bela e justa que seja uma idéia, é impossível que reúna, desde o princípio, todas as opiniões. Os conflitos de que dela resultam são a conseqüência inevitável do movimento que se processa, e são mesmo necessários, para melhor fazer ressaltar a verdade, È também útil que eles surjam no começo, para que as idéias falsas sejam mais rapidamente desgastadas. Os espíritas que revelam alguns temores devem ficar tranqüilos. Todas as pretensões isoladas cairão, pela força mesma das coisas, diante do grande e poderoso critério do controle universal.
Não será pela opinião de um homem que se produzirá a união, mas pela unanimidade da voz dos Espíritos. Não será um homem, e muito menos nós que qualquer outro, que fundará a ortodoxia espírita. Nem será tampouco um Espírito, vindo impor-se a quem quer que seja. È a universalidade dos Espíritos, comunicando-se sobre toda a Terra, por ordem de Deus. Este é o caráter essencial da doutrina espírita, nisto está a sua força e a sua autoridade. Deus quis que a sua lei fosse assentada sobre uma base inabalável, e foi por isso que não a fez repousar sobre a cabeça frágil de um só.
È diante desse poderoso areópago, que nem conhece o conluio, nem as rivalidades ciumentas, nem o sectarismo, nem as divisões nacionais, que virão quebrar-se todas as oposições, todas as ambições, todas as pretensões à supremacia individual, que nos quebraríamos nós mesmos, se quiséssemos substituir esses decretos soberanos por nossas próprias idéias. Será ele somente que resolverá todas as questões litigiosas, que fará calar as dissidências e dará falta ou razão a quem de direito. Diante desse grandioso acordo de todas as vozes do céu, que pode a opinião de um homem ou de um Espírito? Menos que uma gota d’água que se perde no oceano, menos que a voz de uma criança abafada pela tempestade.
A opinião universal, eis portanto o juiz supremo, aquele que pronuncia em última instância. Ela se forma de todas as opiniões individuais. Se uma delas é verdadeira, tem na balança o seu peso relativo; se uma é falsa, não pode sobrepujar as outras. Nesse imenso concurso, as individualidades desaparecem, e eis aí um novo revés para o orgulho humano.
Esse conjunto harmonioso já se esboça; portanto, este século não passará antes que ele brilhe em todo o seu esplendor, de maneira a resolver todas as incertezas; porque daqui para diante vozes poderosas terão recebido a missão de se fazerem ouvir, para reunir os homens sob a mesma bandeira, uma vez que o campo esteja suficientemente preparado. Enquanto isso, aquele que flutuar entre dois sistemas opostos poderá observar em que sentido se forma a opinião geral: é o indício seguro do sentido em que se pronuncia a maioria dos Espíritos, dos diversos pontos sobre os quais se comunicam; é um sinal não menos seguro de qual dos dois sistemas predominará.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 15:24

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Domingo, 26 de Abril de 2009

25 DE ABRIL: DIA A DIA

 

PORTUGAL: REVOLUÇÃO E TRANSIÇÃO PARA A DEMOCRACIA

 

 
  Foi assim que grupo de capitães (entre os quais se encontravam Salgueiro Maia, Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Lourenço, Melo Antunes) que desde há alguns meses conspirava contra o regime de ditadura vigente no país fez acontecer a Revolução dos Cravos em Abril de 1974. cravo


24/03 Última reunião clandestina da Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas (MFA), na qual foi decidido o derrube do regime e o golpe militar.  


23/04 Otelo Saraiva de Carvalho entrega, a capitães mensageiros, sobrescritos fechados contendo as instruções para as acções a desencadear na noite de 24 para 25 e um exemplar do jornal a Época, como senha de identificação, destinada às unidades militares participantes.  


24/04

O jornal República, em breve notícia, chama a atenção dos seus leitores para a emissão do programa Limite  dessa noite, na Rádio Renascença.

22h Otelo Saraiva de Carvalho e outros cinco oficiais ligados ao MFA, entre eles Sanches Osório e Victor Crespo, já estão no Regimento de Engenharia 1 na Pontinha (Lisboa) onde, desde a véspera, fora clandestinamente preparado o Posto de Comando do Movimento. Será ele a comandar as operações militares contra o regime.

22. 55h   A transmissão da canção ”E depois do Adeus”, interpretada por Paulo de Carvalho, aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa, marca o ínicio das operações militares contra o regime.
 

news
 
 
 
 

mfa


25/04

0. 20 h  A transmissão da canção ”Grândola Vila Morena“ de José Afonso, no programa Limite da Rádio Renancença, é a senha, escolhida pelo MFA, como sinal confirmativo de que as operações militares estão em marcha e são irreversíveis. 

 0.30. às 16 h Ocupação de pontos estratégicos considerados fundamentais (RTP, Emissora Nacional, Rádio Clube Português, Aeroporto de Lisboa, Quartel General, Estado Maior do Exército, Ministério do Exército, Banco de Portugal e Marconi).

Primeiro Comunicado do MFA difundido pelo Rádio Clube Português.

Forças da Escola Prática de Cavalaria de Santarém estacionam no Terreiro do Paço.

As forças paramilitares leais ao regime começam a render-se: a Legião Portuguesa é a primeira.

Início do cerco ao Quartel do Carmo, chefiado por Salgueiro Maia, entre milhares de pessoas que apoiavam os militares revoltosos. Dentro do Quartel estão refugiados o Primeiro Ministo Marcelo Caetano e mais dois ministros do seu Gabinete, César Moreira Baptista e Rui Patrício.

16.30h Expirado o prazo inicial para a rendição anunciado por megafone pelo Capitão Salgueiro Maia, e após algumas diligências feitas por mediadores civis, Marcelo Caetano faz saber que está disposto a render-se e pede a comparência no Quartel do Carmo de um oficial do MFA de patente não inferior a corone.

17.45h Spínola, mandatado pelo MFA  entra no Quartel do Carmo para negociar a rendição do Governo.
 O Quartel do Carmo hasteia a bandeira branca.

19. 30 h Rendição de Marcelo Caetano. A chaimite BULA entra no Quartel para retirar o ex-presidente do Conselho e os ministros que o acompanhavam, levando-os, à guarda do MFA para o Posto de Comando do Movimento no Quartel da Pontinha.

20 h  Disparos de elementos da PIDE/DGS sobre manifestantes que começavam a afluir à sede daquela polícia na Rua António Maria Cardoso, fazem quatro mortos e 45 feridos.
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Terreiro do Paço
 
 
 

Carmo


26/04

A PIDE/DGS rende-se após conversa telefónica entre o General Spínola e Silva Pais director daquela corporação.

Apresentação da Junta de Salvação Nacional ao país, perante as câmaras da RTP. 
Por ordem do MFA Marcelo Caetano, Américo Tomás, César Moreira Baptista e outros elementos afectos ao antigo regime, são enviados para a Madeira.

O General Spínola é designado Presidente da República.
São libertados os presos políticos de Caxias e Peniche.
 

 


27/4 Apresentação do Programa do Movimento das Forças Armadas.  


29 a 30/05 Regressam do exílio os líderes do Partido Socialista (Mário Soares) e do Partido Comunista Português (Álvaro Cunhal).  


01/05 Manifestação do 1º de Maio, em Lisboa, congrega cerca de 500.000 pessoas. Outras grandes manifestações decorreram nas principais cidades do país.  

 

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 06:14

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O 25 DE ABRIL PARA OS MAIS NOVOS

 

PORTUGAL: REVOLUÇÃO E TRANSIÇÃO PARA A DEMOCRACIA

 

Se recuássemos uns anos, até antes do 25 de Abril de 1974, não reconheceriamos Portugal.

 

Não havia liberdade. Existia censura, a actividade política, associativa e sindical era quase nula e controlada pela polícia política, havia presos políticos, a Constituição não garantia os direitos dos cidadãos, Portugal mantinha uma guerra colonial e encontrava-se praticamente isolado na comunidade internacional.

A informação e as formas de expressão cultural eram controladas, fazia-se uma censura prévia que abrangia a Imprensa, o Cinema, o Teatro, as Artes Plásticas, a Música e a Escrita. Não havia Liberdade.

A actividade política estava condicionada, não existiam eleições livres e a única organização política aceite era a União Nacional/Acção Nacional Popular. A oposição ao regime  autoritário de Salazar e depois de Marcelo Caetano, era perseguida pela polícia política (PIDE/DGS) e tinha de agir na clandestinidade ou refugiar-se no exílio.

Os oposicionistas, sob a acusação de pensarem e agirem contra a ideologia e prática do Estado Novo, eram presos em cadeias e centros especiais de detenção (Caxias, Aljube Tarrafal). Não havia Liberdade nem Democracia.

A Constituição não garantia o direito dos cidadãos à educação, à saúde, ao trabalho, à habitação. Não existia o direito de reunião e de livre associação e as manifestações eram proíbidas. Não havia Liberdade.

Portugal estava envolvido na guerra colonial em Angola, na Guiné e em Moçambique, o que gerou o protesto de milhares de jovens e se transformou num dos temas dominantes da oposição ao regime, com especial realce para os estudantes universitários.Não havia Liberdade nem Paz.

Hoje é difícil imaginar como era Portugal antes do 25 de Abril de 1974. Mas, se pensarmos que, por exemplo, as escolas tinham salas e recreios separados para rapazes e raparigas, que muitos discos e livros estavam proíbidos, que existiam nas Rádios listas de música que não se podia passar, que havia bens de consumo que não se podiam importar, que não se podia sair livremente do país, que sobre todos os rapazes de 18 anos pairava o espectro da guerra, será mais fácil compreender porque é que a Mudança  teve de acontecer e como é que Portugal se tornou diferente
 

 

 

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 06:10

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CONHEÇA O ESPIRITISMO

 

CONHEÇA O ESPIRITISMO
 
Talvez você já tenha feito perguntas como estas:
 
Quem sou eu? De onde vim ao nascer?
Para onde irei depois da morte, e o que há depois dela?
Por que uns sofrem mais do que outros?
Por que uns têm determinada aptidão e outros não?
Por que alguns nascem ricos e outros pobres?
Alguns cegos, aleijados, débeis mentais, enquanto outros nascem inteligentes e saudáveis?
Por que Deus permite tamanha desigualdade entre seus filhos?
Por que uns, que são maus, sofrem menos que outros, que são bons?
No entanto, a maioria das pessoas, vivendo a vida atribulada de hoje, não está interessada nos problemas fundamentais da existência. Antes se preocupam com seus negócios, com seus prazeres, com seus problemas particulares. Acham que questões como “a existência de Deus” e “a imortalidade da alma” são da competência de sacerdotes, de ministros religiosos, de filósofos e teólogos. Quando tudo vai bem em suas vidas, elas nem se lembram de Deus e, quando se lembram é apenas para fazer uma oração, ir a um templo, como se tais atitudes fossem simples obrigações das quais todas têm que se desincumbir de uma maneira ou de outra. A religião para elas é mera formalidade social, alguma coisa que as pessoas devem ter, e nada mais; no máximo será um desencargo de consciência, para estar com Deus. Tanto assim, que muitos nem sequer alimentam firme convicção naquilo que professam, carregando sérias dúvidas a respeito de Deus e da continuidade da vida após a morte.
Quando, porém, tais pessoas surpreendidas por um grande problema, a perda de um ente querido, uma doença incurável, uma queda financeira desastrosa - fatos que podem acontecer na vida de todo mundo - não encontram em si mesmas a fé necessária, nem a compreensão para enfrentar o problema com coragem e resignação, caindo invariavelmente, no desespero.
 
Onde se encontra a solução?
 
Há uma doutrina que atende a todos estes questionamentos. É o Espiristimo.
O conhecimento espírita abre-nos uma visão ampla e racional da vida, explicando-a de maneira convincente e permitindo-nos iniciar uma transformação íntima, para melhor.
 
Mas, o que é o Espiritismo?
 
O Espiritismo é uma doutrina revelada pelos Espíritos Superiores, através de médiuns, e organizada (codificada) por um educador francês, conhecido por Allan Kardc, no século passado.
O Espiritismo é ao mesmo tempo filosofia, ciência e religião.
Filosofia, porque dá uma interpretação da vida, respondendo questões como “de onde eu vim”, “o que faço no mundo”, “para onde irei depois da morte”. Toda doutrina que dá uma interpretação da vida, uma concepção própria do mundo, é um filosofia.
Ciência, porque estuda, à luz da razão e dentro de critérios científicos, os fenômenos mediúnicos, isto é, fenômenos provocados pelos espíritos e que não passam de fatos naturais. Todos os fenômenos, mesmo os mais estranhos, têm explicação científica. Não existe o sobrenatural no Espiritismo.
Religião, porque tem por objetivo a transformação moral do homem, revivendo os ensinamentos de Jesus Cristo, na sua verdadeira expressão de simplicidade, pureza e amor. Uma religião simples sem sacerdotes, cerimoniais e nem sacramentos de espécie alguma. Sem rituais, culto e imagens, velas, vestes especiais, nem manifestações exteriores.
 
E quais são os fundamentos básicos do Espiritismo?
 
A existência de Deus, que é o Criador, causa primária de todas as coisas. A Suprema Inteligência. É eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom.
A imortalidade da alma ou espírito. O espírito é o princípio inteligente do Universo, criado por Deus, para evoluir e realizar-se individualmente pelos seus próprios esforços. Como espíritos já existíamos antes do nascimento e continuaremos a existir depois da morte do corpo.
A reencarnação. Criado simples e sem nenhum conhecimento, o espírito é quem decide e cria o seu próprio destino. Para isso, ele é dotado de livre-arbítrio, ou seja, capacidade de escolher entre o bem e o mal. Tem a possibilidade de se desenvolver, evoluir, aperfeiçoar-se, de tornar-se cada vez melhor, mais perfeito, como um aluno na escola, passando de uma série para outra, através dos diversos cursos. Essa evolução requer aprendizado, e o espírito só pode alcançá-la encarnando no mundo e reencarnando, quantas vezes necessárias, para adquirir mais conhecimentos, através das múltiplas experiências de vida. O progresso adquirido pelo espírito não é somente intelectual, mas, sobretudo, o progresso moral.
Não nos lembramos das existências passadas e nisso também se manifesta a sabedoria de Deus.
Se lembrássemos do mal que fizemos ou dos sofrimentos que passamos, dos inimigos que nos prejudicaram ou daqueles a quem prejudicamos, não teríamos condições de viver entre eles atualmente. Pois, muitas vezes, os inimigos do passado hoje são nossos filhos, nossos irmãos, nossos pais, nossos amigos que, presentemente, se encontram juntos de nós para a reconciliação. A reencarnação, desta forma, é a oportunidade de reparação, assim como é, também, oportunidade de devotarmos nossos esforços pelo bem dos outros, apressando nossa evolução espiritual. Pelo mecanismo da reencarnação vemos que Deus não castiga. Somos nós os causadores dos próprios sofrimentos, pela lei de “ação e reação”.
Todavia, nem todas as encarnações se verificam na Terra. Existem mundos superiores e inferiores ao nosso. Quando evoluirmos muito, poderemos renascer num planeta de ordem elevada. O Universo é infinito e “na casa do meu Pai há muitas moradas”, já dizia Jesus.
A comunicabilidade dos espíritos. Os espíritos são serem humanos desencarnados e continuam sendo como eram quando encarnados: bons ou maus, sérios ou brincalhões, trabalhadores ou preguiçosos, cultos ou medíocres, verdadeiros ou mentirosos. Eles estão por toda parte. Não estão ociosos. Pelo contrário, eles têm as suas ocupações. Através dos denominados médiuns, o espírito pode comunicar-se conosco, se puder e se quiser.
A comunicação se dá de conformidade com o tipo de mediunidade, sendo as mais conhecidas: pela fala (psicofonia), pela escrita (psicografia), pela visão (vidência) e a intuição, da qual todos guardamos experiências pessoais.
 
Como o Espiritismo interpreta o Céu e o Inferno?
 
Não há céu nem inferno. Existem, sim, estados de alma que podem ser descritos como celestiais ou infernais. Não existem também anjos ou demônios, mas apenas espíritos superiores e espíritos inferiores, que também estão a caminho da perfeição - os bons se tornando melhores e os maus se regenerando.
Deus não se esquece de nenhum de seus filhos, deixando a cada um o mérito das suas obras. Somente desta forma podemos entender a Suprema Justiça Divina.
 
Por que o Espiristimo realça a Caridade?
Porque fora dos preceitos da verdadeira caridade, o espírito não poderá atingir a perfeição para a qual foi destinado. Tendo-a por norma, todos os homens são irmãos e qualquer que seja a forma pela qual adorem o Criador, eles se estendem as mãos, se entendem e se ajudam mutuamente.
 
Por que fé raciocinada?
A fé sem raciocínio não passa de uma crendice ou mesmo de uma superstição. Antes de aceitarmos alguma coisa como verdade, devemos analisá-la bem. “Fé inabalável é aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade.” (Allan Kardec)
 
E onde podemos encontrar mais esclarecimentos sobre o Espiritismo?
Começando pela leitura dos livros de Allan Kardec.      
 
O Livro dos Espíritos. O livro básico da Doutrina Espírita. Contém os princípios do Espiritismo sobre a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida futura e o porvir da humanidade.
O Livro dos Médiuns. Reúne as explicações sobre todos os gêneros de manifestações mediúnicas, os meios de comunicação e relação com os espíritos, a educação da mediunidade e as dificuldades que eventualmente possam surgir na sua prática.
O Evangelho segundo o Espiritismo. É o livro dedicado à explicação das máximas de Jesus, de acordo com o Espiritismo e sua aplicação às diversas situações da vida.
O Céu e o Inferno, denominado também “A Justiça Divina Segundo o Espiritismo”. Oferece o exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual. Coloca ao alcance de todos o conhecimento do mecanismo pelo qual se processo a Justiça Divina.
A Gênese. Destacam-se os temas: Existência de Deus, origem do bem e do mal, destruição dos seres vivos uns pelos outros, explicações sobre as leis naturais, a criação e a vida no Universo, a formação da Terra, a formação primária dos seres vivos, o homem corpóreo e a união do princípio espiritual à matéria.
Você poderá ler, ainda, os livros psicografados por Francisco Cândido Xavier, Divaldo Franco, Yvonne Pereira e os livros de Leon Denis, Gabriel Delanne e de tantos outros autores, encontrando-se entre eles estudos doutrinários, romances, poesias, histórias e mensagens de alento.
Depois desta simples leitura, você poderá ter dúvidas e perguntas a fazer. Se tiver, é bom sinal. Sinal que você está procurando explicações racionais para a vida. Você as encontrará lendo os livros indicados acima e procurando uma Sociedade Espírita seguramente doutrinária e indiscutivelmente Espírita.
 
Extraído do livreto “Iniciação ao Conhecimento da Doutrina Espírita”, elaborado pelo Centro Espírita “Caminho de Damasco” - Garça (SP).
HOJE ESTOU: FELIZ
MÚSICA: ANDREA BOCELLI
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 06:00

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ESPIRITISMO NÃO IMPÕE - EXPLICA


Allan Kardec
O debate tomou rumo indesejável quando o ouvinte contestou o expositor, alegando que o discurso dele não diferia em nada dos feitos pelos clérigos conservadores. Moralista, castrador, punitivo, discriminatório e, acima de tudo, com vezo de censura.
De fato, toda campanha provida é absolutamente necessária e meritória. As resistências ao aborto, à pena de morte, à depredação do Planeta são sempre merecedoras de respeito e credoras de nossa reflexões. Querer impô-las, entretanto, é desrespeitar o livre arbítrio alheio. Há que se considerar que a melhor forma de se combater a ignorância é espalhar o saber. Fora disso é tolice.
O ser iluminado pelo conhecimento não se guia pelas leis apenas, mas, sobretudo, pela ética consciencial. Quando ele chega a esse estágio, as proibições lhe são inúteis, porque sabe agir com responsabilidade em quaisquer circunstâncias. Tem a liberdade como um bem que deve ser preservado pelo discernimento do certo e do errado, bem como pelo respeito de si e do próximo.
As religiões falham no seu papel quando domina os seus adeptos pelo medo do pecado. O homem precisa saber e não temer. Algumas delas, aproveitando-se de sua influência política, chegaram mesmo a inspirar leis civis que aplacassem a ira de Deus. Estratégia infeliz, inverosímil e inaceitável por todos, o tempo todo. Ira, pois, é sentimento humano e não divino. Descoberta essa farsa, eis o pecador livre da marota peia. Deseducado, continua então a cometer os mesmos erros. É por isso que o Ser Supremo, através de seus Mensageiros, não proíbe, esclarece.
O Estado também claudica quando impõe restrições aos seus cidadãos. Melhor será que os eduque.
O Espiritismo, consciente de sua tarefa, não impõe, não proíbe, explica.
Coerente com essa postura, o divulgador espírita deve analisar, debater os problemas e, buscando as melhores soluções, relacioná-los com postulados doutrinários, sem, contudo, pintar um clima de censura inquisitorial indigno do Espiritismo. Este não busca aprisionar ninguém pela ignorância, mas enseja a liberdade espiritual pelo conhecimento da verdade, conforme sugeriu Jesus.
Tolher o homem por decreto ou por dogmas religiosos é querer permanecer convivendo com a hipocrisia. No Brasil, por exemplo, país essencialmente religioso, o aborto é crime previsto em lei e abominado pelas religiões. E todo mundo sabe que aqui se pratica esse delito milhões de vezes por ano.
Porque desse abuso à legalidade e aos preconceitos religiosos? Porque as pessoas não foram ainda suficientemente informadas e convencidas de que se podem burlar as leis terrenas e esconder seus pecados de suas Igrejas, jamais fugirão das leis divinas.
Desenvolva-se no homem a capacidade de amar e o aborto e as demais mazelas que rolam por esse mundo desaparecerão.
Voltem-se as baterias à destruição do egocentrismo e tudo será equacionado dentro dos parâmetros viáveis e civilizados por cada criatura.
Cada problema tem sua causa-núcleo. Atacá-lo pela periferia, sem atingir-lhe a origem é desperdiçar munição.
Recorra-se, não às opressões, (como se fez no passado e como alguns teimam em fazer ainda hoje), mas às sinceras elucidações e à humildade para levar o esclarecimento mais apropriado aos que buscam novos rumos e dentro em breve veremos florescer uma nova humanidade na Terra.
Revolucionem-se os nossos meios de comunicação, imprimindo-lhes a força da persuasão democrática, pela linguagem objetiva, sadia, sem ranço de personalismo moralista, autoritário, vaidoso, mas, sim, fortalecida pelo equilíbrio de quem fala, e o homem mudará logo seu tonus vibratório e, conseqüentemente, seu procedimento. Que não se combata a treva, simplesmente. Ilumine-a. Que não se limite a falar do mal. Construa o bem.
Se a boa semente for bem cultivada, desabrochará e crescerá de tal forma que o joio não terá condições de sufocá-la. Todo esforço deve ser empregado na manutenção e no desenvolvimento da boa sementeira. A má já basta por si só.
Dar-lhe trela e espaço certamente significará o atrofiamento daquela.
Enfim, semear o bem é uma questão de inteligência.
Concorda?
"Assim diz hoje o Espiritismo aos seus adeptos: Não violenteis nenhuma consciência; não forceis ninguém a deixar a sua crença para adotar a vossa; não lanceis o anátema sobre os que não pensam como vós. Acolhei os que vos procuram e deixai em paz os que vos repelem. Lembrai-vos das palavras do Cristo:
Antigamente o Céu era tomado por violência, mas hoje o será pela caridade e a doçura".
"O Evangelho segundo o Espiritismo"Matéria extraída do Editorial do jornal Correio Fraterno do ABC, Março de 1993
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 01:34

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ESPIRITISMO NÃO IMPÕE - EXPLICA


Allan Kardec
O debate tomou rumo indesejável quando o ouvinte contestou o expositor, alegando que o discurso dele não diferia em nada dos feitos pelos clérigos conservadores. Moralista, castrador, punitivo, discriminatório e, acima de tudo, com vezo de censura.
De fato, toda campanha provida é absolutamente necessária e meritória. As resistências ao aborto, à pena de morte, à depredação do Planeta são sempre merecedoras de respeito e credoras de nossa reflexões. Querer impô-las, entretanto, é desrespeitar o livre arbítrio alheio. Há que se considerar que a melhor forma de se combater a ignorância é espalhar o saber. Fora disso é tolice.
O ser iluminado pelo conhecimento não se guia pelas leis apenas, mas, sobretudo, pela ética consciencial. Quando ele chega a esse estágio, as proibições lhe são inúteis, porque sabe agir com responsabilidade em quaisquer circunstâncias. Tem a liberdade como um bem que deve ser preservado pelo discernimento do certo e do errado, bem como pelo respeito de si e do próximo.
As religiões falham no seu papel quando domina os seus adeptos pelo medo do pecado. O homem precisa saber e não temer. Algumas delas, aproveitando-se de sua influência política, chegaram mesmo a inspirar leis civis que aplacassem a ira de Deus. Estratégia infeliz, inverosímil e inaceitável por todos, o tempo todo. Ira, pois, é sentimento humano e não divino. Descoberta essa farsa, eis o pecador livre da marota peia. Deseducado, continua então a cometer os mesmos erros. É por isso que o Ser Supremo, através de seus Mensageiros, não proíbe, esclarece.
O Estado também claudica quando impõe restrições aos seus cidadãos. Melhor será que os eduque.
O Espiritismo, consciente de sua tarefa, não impõe, não proíbe, explica.
Coerente com essa postura, o divulgador espírita deve analisar, debater os problemas e, buscando as melhores soluções, relacioná-los com postulados doutrinários, sem, contudo, pintar um clima de censura inquisitorial indigno do Espiritismo. Este não busca aprisionar ninguém pela ignorância, mas enseja a liberdade espiritual pelo conhecimento da verdade, conforme sugeriu Jesus.
Tolher o homem por decreto ou por dogmas religiosos é querer permanecer convivendo com a hipocrisia. No Brasil, por exemplo, país essencialmente religioso, o aborto é crime previsto em lei e abominado pelas religiões. E todo mundo sabe que aqui se pratica esse delito milhões de vezes por ano.
Porque desse abuso à legalidade e aos preconceitos religiosos? Porque as pessoas não foram ainda suficientemente informadas e convencidas de que se podem burlar as leis terrenas e esconder seus pecados de suas Igrejas, jamais fugirão das leis divinas.
Desenvolva-se no homem a capacidade de amar e o aborto e as demais mazelas que rolam por esse mundo desaparecerão.
Voltem-se as baterias à destruição do egocentrismo e tudo será equacionado dentro dos parâmetros viáveis e civilizados por cada criatura.
Cada problema tem sua causa-núcleo. Atacá-lo pela periferia, sem atingir-lhe a origem é desperdiçar munição.
Recorra-se, não às opressões, (como se fez no passado e como alguns teimam em fazer ainda hoje), mas às sinceras elucidações e à humildade para levar o esclarecimento mais apropriado aos que buscam novos rumos e dentro em breve veremos florescer uma nova humanidade na Terra.
Revolucionem-se os nossos meios de comunicação, imprimindo-lhes a força da persuasão democrática, pela linguagem objetiva, sadia, sem ranço de personalismo moralista, autoritário, vaidoso, mas, sim, fortalecida pelo equilíbrio de quem fala, e o homem mudará logo seu tonus vibratório e, conseqüentemente, seu procedimento. Que não se combata a treva, simplesmente. Ilumine-a. Que não se limite a falar do mal. Construa o bem.
Se a boa semente for bem cultivada, desabrochará e crescerá de tal forma que o joio não terá condições de sufocá-la. Todo esforço deve ser empregado na manutenção e no desenvolvimento da boa sementeira. A má já basta por si só.
Dar-lhe trela e espaço certamente significará o atrofiamento daquela.
Enfim, semear o bem é uma questão de inteligência.
Concorda?
"Assim diz hoje o Espiritismo aos seus adeptos: Não violenteis nenhuma consciência; não forceis ninguém a deixar a sua crença para adotar a vossa; não lanceis o anátema sobre os que não pensam como vós. Acolhei os que vos procuram e deixai em paz os que vos repelem. Lembrai-vos das palavras do Cristo:
Antigamente o Céu era tomado por violência, mas hoje o será pela caridade e a doçura".
"O Evangelho segundo o Espiritismo"Matéria extraída do Editorial do jornal Correio Fraterno do ABC, Março de 1993
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 01:34

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Sábado, 25 de Abril de 2009

REENCARNAÇÃO: DÍVIDAS EM FAMÍLIA

O karma familiar está ligado às pessoas de nossa convivência. É muito comum vermos famílias em que os membros se detestam. Há um tipo de violência familiar que não se explica de outra forma. É um caso típico de pessoas que dividiram vidas anteriores e levam para esta vida seus antigos relacionamentos; abuso de crianças, ou complexos de Édipo são resquícios de antigas paixões incontroláveis. Casos de violência e distanciamento emocional são exemplos de inimigos de outrora que voltam sob o mesmo teto e com o mesmo sangue, na ten­tativa de resolverem suas diferenças.
A família é o núcleo da sociedade. E como se fosse uma miniatura do mundo em que vivemos. Se ela possui ranços e problemas sérios e entrega-se à decadência emocional e afetiva, o que pode­remos esperar da sociedade, seu reflexo?
O karma familiar é um dos mais difíceis de lidar. Especialmente porque ele está exatamente entre o karma pessoal e o social, o que pode atrapalhar ainda mais o relacionamento entre pais e filhos, maridos e esposas. É difícil também porque precisamos criar uma conexão com pessoas que muitas vezes nos prejudicaram ou foram prejudicadas por nós. Há muita mágoa e rancor dos dois lados. Aí você pergunta: "E de quem foi esta idéia de jerico?". Apesar de não parecer, é uma idéia brilhante. O karma familiar é um dos últimos recursos para aprendermos a conviver com diferenças e superar o ego em detrimento do amor ao outro. Por mais que sua mãe tenha diferenças com você, na um elo inquebrantável entre vocês e isso vai ajudar a superar as pendengas do passado. Se você não suporta pessoas do seu trabalho, pode pedir demissão. Se você odeia seus vizinhos, pode se mudar. Mas com a família, a história é outra. Não dá pra fugir. Temos que resolver.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 22:12

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Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Intolerância e Preconceito

 

 

NO DIA 24 DE ABRIL DE 1984 DESENCARNAVA NO RIO DE JANEIRO. DEOLINDO AMORIM, JORNALISTA E ESCRITOR DE IDEALIZOU OS CONGRESSOS DOS JORNALISTAS E ESCRITORES ESPÍRITAS, A ABRAJEE E O INSTITUTO DE CULTURA ESPÍRITA DO BRASIL.

 

Deolindo Amorim

Em matéria de prevenções contra qualquer «novidade», há exemplos abundantes, quer na seara religiosa quer na seara científica. Já vimos, embora de relance, algumas ocorrências características dessa mentalidade. Nem toda pessoa que cuida de ciência ou faz carreira em atividade cientifica é cientista de verdade, pois o cientista, na acepção integral, precisa ter vocação, aptidões e qualidades especiais. Há muita confusão a este respeito. Do mesmo modo, nem todo aquele que faz um curso de Direito é jurista de verdade; mas quase todo mundo confunde o jurista com qualquer bacharel, pelo simples fato de ser portador de um diploma. Há pessoas que fazem curso de especialização, pertencem a sociedades científicas etc, mas não têm, na realidade, uma formação compatível com a índole da Ciência. É o caso daqueles que ensinam ciências nas escolas, fizeram todos os cursos, lidam com materiais de laboratório, mas nem sempre reagem como homem de mentalidade científica, porque repelem a priori toda idéia nova, qualquer processo que seja diferente dos padrões aceitos. Há ocasiões em que raciocinam mais em termos de fé, porque prejulgam e às vezes chegam ao extremo de condenar aquilo que ainda não conhecem, ainda não examinaram. Tal procedimento não é de um homem de cultura moderna, é de um vigário de aldeia no século XVI.

Os fatos demonstram, cada dia, que não basta fazer um currículo universitário, não basta apresentar títulos e laureas para ficar verdadeiramente credenciado como cientista. Não. A mentalidade do cientista define-se pelas suas concepções, pelo arejamento de sua cultura, pela independência de suas opiniões, pela sua disposição natural de procurar as manifestações da verdade, venham de onde vierem: o cientista afirma-se, finalmente, pelos horizontes de seu espírito, nunca pelas medalhas que ostenta no peito ou pelos méritos exteriores. É uma qualidade intrínseca, não é extrinseca. Há pessoas que não têm curso sistematizado, nunca passaram por uma Escola Superior, mas possuem naturalmente, uma embocadura científica, uma predisposição muito acentuada para os raciocínios exatos ; na prática, no modo de reagir e proceder, revelam muito mais espírito científico do que certas «eminências galardoadas». Não é a erudição por si só, como não é o planejamento de um curso acadêmico que faz o cientista; a cultura regular fornece apenas os instrumentos, dá orientação básica, mas ninguém sai cientista de uma Universidade, por mais adiantada que seja ela. É preciso ter formação, e a formação é inerente à estrutura psicológica do indivíduo. Há muita gente, por exemplo, que nunca fez curso de Direito, nunca entrou em Faculdade, mas tem muito mais senso jurídico do que determinados bacharéis

0 espírito cientifico, se é legítimo ou autêntico, nunca repele uma idéia, uma descoberta, sem exame. Justamente por isso, o patrimônio da Ciência sempre se enriqueceu e há de se enriquecer cada vez mais, aproveitando achegas de toda a ordem, até mesmo quando trazidas por elementos leigos. Nosso índio, lá nas selvas, não ofereceu tanto material terapêutico ao europeu ? Não foi aqui, nos aldeamentos indígenas, com a sua «medicina de beberagens», que os primeiros pesquisadores europeus descobriram as propriedades curativas de certas plantas? Evidentemente o homem de ciência não iria ficar nas «beberagens», fazendo o empirismo dos índios, mas aproveitou o material, observou bem os processos por eles empregados e, depois, foi aperfeiçoar as técnicas na Europa. Mas levou daqui as primeiras noções, o índio foi o instrumento dessa contribuição cientifica, embora sem saber do papel que estava desempenhando.

A visão da ciência tem de ser sempre e cada vez mais ampla. É bom lembrar que um fabricante de cerveja - Joule - e que nem por isso deixou de ser um físico inglês, fazendo as suas observações nas horas vagas, realizou importantes experiências sobre conservação de energia. Quem o diz é Albert Einstein, em trabalho de colaboração com L. Infield, no livro

Evolução da Física (Zahar Editores) ). Lá está escrito: «É uma estranha coincidência que todo trabalho fundamental relacionado com a natureza do calor tenha sido realizado por físicos não profissionais», que consideravam a física como «passa-tempo». A história das ciências, quer nos domínios da Física e da Química, quer nos da Biologia ou de outros ramos, pode enumerar muitos exemplos de pessoas que, não tendo carreira científica, não sendo profissionais, fizeram estudos valiosos: Não seria razoável rejeita uma colaboração, que pode até provocar uma descoberta, pelo fato de se tratar de elemento não integrado nas corporações acadêmicas.

O horror a inovações, como se vê, tanto se manifesta na vida religiosa, como em qualquer campo de atividade cultural. Sempre houve espíritos avessos à renovação de idéias ou de hábitos. O pior, ainda mais, é que certas reações chegam a tomar feição de guerra de prevenções e ódio, por causa de uma teoria ou de uma técnica, desde que saia dos moldes habituais. O caso da Homeopatia, por exemplo. Hahnemann sofreu hostilidade franca dentro do meio médico. Aqui mesmo, no Brasil, quando se iniciou a difusão da nova doutrina, ainda no tempo do Império, a campanha movida pela corrente alopata foi muito forte. E a Homeopatia, a esse tempo, já. era muito conhecida no Velho Mundo. Até o clero, na Bahia, também levantou desconfianças. Quando os homeopatas tentaram introduzir o ensino da doutrina hahnemaniana na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro encontraram oposição frontal. Não houve muita tolerância na cúpula médica. Muita gente combateu a Homeopatia sem fazer estudos sérios, sem qualquer experiência.

O mesmo critério de julgar a priori ainda se observa, até hoje, no que respeita ao Espiritismo e, principalmente, aos médiuns. É verdade que há muita exploração e muita ignorância no campo mediúnico, mas o estudo criterioso pode muito bem separar o «joio do trigo». O Espiritismo é combatido em dois flancos: a igreja e a classe médica, em parte. Não podemos generalizar, tanto mais quanto já é grande o número de médicos nas fileiras espíritas. Mas o combate sistemático ao Espiritismo peca pela base, porque os que o atacam não fazem estudos, não procuram conhecer as verdadeiras teses espíritas. O problema da Igreja é com a Doutrina, por causa dos seus pontos de fé; mas o problema médico, que não cogita do aspecto doutrinário,, está justamente no exercício da mediunidade. É o ponto nevrálgico. Todos nós sabemos que há muita coisa errada na prática mediúnica, muito abuso, em grande parte decorrente do espírito de exploração, por um lado, e da falta de estudo, por outro lado. Também sabemos que o receituário constitui um problema dos mais delicados, inclusive para o próprio meio espírita, justamente por causa de certos fatos desagradáveis. Mas é indispensável considerar, antes de tudo, que o aspecto negativo é apenas uma contingência da ignorância e das fraquezas humanas a que os médiuns também estão sujeitos, ao passo que o aspecto positivo, que sempre existiu e existe, ainda não foi suficientemente estudado no meio médico de nossa terra e de outros países, onde ainda se pede a prisão de médiuns, como se fossem elementos marginais ou perigosos.

O lado mediúnico pode ser considerado fora da área espírita, em determinados casos, porque nem todo médium é espírita. A faculdade mediúnica - é ensino rudimentar da Doutrina - não depende das idéias, das qualidades morais, nem da crença do médium. O uso da mediunidade, entretanto, é um problema essencialmente moral. E é com este ponto, principalmente, que a Doutrina Espírita tem que ver, em todos os casos. Isto, porém, é o que todos nós sabemos, porque estamos no movimento espírita, já nos familiarizamos com as obras doutrinárias e, mal ou bem, nos apresentamos como espíritas. Ainda que este ou aquele caso de médium não seja, a rigor, um caso de Espiritismo, desde que o médium não tenha compromissos com a Doutrina e queira fazer da mediunidade o uso que bem entender, o certo é que, no fim de tudo, aparece o Espiritismo, porque a maioria, em seus raciocínios simplistas, entende que todo médium é espírita e, por esse prisma, faz os seus julgamentos. O Espiritismo é sempre envolvido...

Seja como for, e deixando de lado os princípios doutrinários e a situação particular do médium, se é espírita, budista, católico ou lá o que seja, a mediunidade em si deve ser estudada seriamente, mas com critério científico. Isto ainda não se fez nas altas instituições médicas. Combate-se, condena-se, reclama-se a prisão, mas não se faz um exame in loco, não se procura selecionar os casos para separar «a verdade da impostura». Veja-se o caso Arigó, que é, hoje, um assunto de repercussão internacional. Não interessa discutir crença nem deduzir conseqüências filosóficas ou religiosas, nem igualmente saber o que o médium pensa em matéria de fé: o que interessa, ou devia interessar à Medicina, é o jates, são as operações que ele faz, por processos rudimentares, à luz do dia, para quem quiser ver com os próprios olhos, inteiramente fora das técnicas e das precauções normais da cirurgia. Mas faz, não é verdade ? Como ? Por que ? Como pode ser ?... Partindo destas indagações preliminares, mas necessárias, as corporações médicas, com o verdadeiro espírito cientifico, já deveriam ter designado comissões de especialistas para um exame direto. Que se fez, porém ? Nada disto. O que se viu foi a prisão do médium, com processo criminal, e a pedido exatamente de uma Associação Médica !... Qual a Sociedade cientifica que teve o cuidado de, antes de qualquer pronunciamento, mandar chamar o médium Arigó para um estudo geral, com observação de todos os aspectos do caso ?... Enquanto vários homens de ciência, de outros países, estão interessados em estudar demoradamente o caso Arigó, aqui, no Brasil, o médium foi encarcerado, respondeu a um processo e, por fim. saiu absolvido e aclamado por multidão compacta. Tudo isto seria evitado, se houvesse um critério científico. Não houve infelizmente. E do que se acusou Arigó ? Qual o seu crime?...

Estaria Arigó enquadrado na figura penal do charlatão ? Ora, charlatão é impostor, o indivíduo que impinge falsas drogas ou se apresenta" com uma qualidade que não possui. Arigó nunca vendeu e não vende drogas de falsas propriedades curativas. Não é um impostor, portanto; nunca se disse médico e sempre diz que não é ele quem opera; declara abertamente que é o Dr. Fritz (espírito) quem faz as operações, pois ele, pessoalmente, nada pode fazer de si mesmo. Seria charlatão, incurso em contravenções penais, se algum dia se dissesse médico ou atribuísse aos seus méritos pessoais o resultado das operações de que os jornais dão notícia. (O autor deste artigo esteve em Congonhas e viu Arigó «virar» os olhos de dois pacientes com uma faca comum e, logo depois, os operados saiam da sala, normalmente). Se Arigó não é médico e não se apresenta como tal; se não recebe dinheiro dos que o procuram, porque vive do seu emprego e tem, por isso mesmo, um horário determinado para os trabalhos mediúnicos, fora do serviço ; se ele próprio confessa francamente que as operações são feitas pelo espírito que o assiste, onde está o charlatão, que não explora ninguém, não se considera milagroso, não faz comércio com a faculdade mediúnica ?...

Se ele faz intervenções com êxito sem ser médico, sem conhecer técnica operatória e sem utilizar anestesia nem os instrumentos da cirurgia, e se já está provado que não houve até hoje um caso fatal, se nenhum paciente ficou inutilizado por causa disto, é o caso, então, de algum recurso diferente, seja extra-humano, seja de natureza ainda desconhecida dentro dos conceitos gerais da Medicina. Por que as corporações médicas ainda não foram testar os conhecimentos desse espírito, uma vez que o médium é leigo no assunto, pois funciona apenas como instrumento ? Poderiam fazê-lo, por simples experiência, estabelecendo uma converse,, em linguagem técnica, quando Arigó estivesse mediunizado. Se realmente o espírito do Dr. Fritz fosse um cirurgião, agüentaria uma interpelação em termos médicos, poderia dar respostas certas sobre uns tantos problemas pertinentes à profissão; se, porém, o espírito nada dissesse ou respondesse tolices, revelando completo desconhecimento da Medicina; ou seria - um embusteiro, muito ignorante, ou não seria espírito. Seria o próprio médium, que estaria mistificando ou «inventando» o nome de um espírito. Admitindo-se que fosse mistificação, e que não houvesse espírito algum nem tivesse existido o Dr. Fritz, como explicar as operações sem anestesia, sem os cuidados mais comezinhos da cirurgia, sem o instrumental apropriado ? Seria habilidade excepcional de Arigó ? Ainda que fosse ele muito hábil para fazer tudo isso em poucos minutos, não poderia evitar hemorragias e outras conseqüências, como não poderia prever um acidente operatório. Ainda não houve desses casos. Então há qualquer elemento imponderável, qualquer interferência transcendental ainda não identificada, desde que não seja admitida a existência do espírito.

Porque, então, as corporações médicas não estudam diretamente o problema Arigó, ainda que pondo de lado a questão do espírito ? Infelizmente não foi este o critério adotado. Em lugar de observações rigorosas, com espírito científico, porque se trata de alguma coisa inabitual, o que se deu, lamentavelmente, foi a prisão do médium, como se ainda estivéssemos nos tempos das «bruxas» da Idade-Média. Tudo isto demonstra, enfim, que não é somente do lado religioso que há bitolamento, mas também do lado cientifico, com o mesmo espírito de intolerância dos processos inquisitoriais. Quem não se lembra da campanha contra o movimento espírita, em 1939, no Rio de Janeiro, por causa da «Hora Espírita Radiofônica ?» Qual o objetivo da campanha? Impedir que se difundissem os princípios espíritas pelo rádio. De onde partiu essa infeliz iniciativa ? De uma Sociedade Médica.. A, fonte é outra, mas o sentido é o mesmo: puro sectarismo, que tanto existe nas corporações religiosas, quanto nas agremiações científicas, embora seja paradoxal.

E' bom lembrar, finalmente, que ,a, campanha médica contra o Espiritismo não produziu efeito. Como . decorrência do ambiente, que logo se formou, alguns jornais abriram suas colunas em defesa da Causa espírita. De tudo isto, resultaram algumas ocorrências benéficas, começando pela doação de um terreno para a construção do Hospital Espírita Pedro de Alcântara, no bairro do Rio Comprido. Pouco depois, como reação à campanha, promoveu-se o I Congresso Brasileiro de Jornalistas e Escritores Espíritas, no Rio, tendo-se realizado a sessão inaugural na ABI, no dia 15 de novembro de 1939, data comemorativa do 50° aniversário da República Brasileira. Também, como reação, o saudoso confrade médico Dr. Levindo Melo arregimentou diversos colegas seus, espíritas, e muitos outros confrades, para a fundação da Sociedade de Medicina e Espiritismo do Rio de Janeiro. Ainda houve outras ocorrências provocadas pela atitude de elementos hostis, na classe médica.

Queremos concluir, dizendo apenas que a intolerância, seja no meio religioso, seja no meio médico, como também no meio espírita é sempre prejudicial à cultura e ao progresso do espírito. Ninguém possui a verdade integral, quer em ciência, quer em filosofia, quer em religião. Justamente por isso, devemos procurar a luz do conhecimento, observando, estudando e raciocinando sem preconceitos.

Revista Internacional de Espiritismo – Dezembro de 1968.

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 05:34

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