Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

MAS O QUE É OBSESSÃO?




A Obsessão é um dos graves problemas que infelicitam a humanidade.
Ela pode afetar a qualquer um, em qualquer lugar do planeta.
Quando consegue atingir suas vítimas produz estragos sem conta.

Mas o que é a Obsessão?
Na doutrina espírita denominamos obsessão a toda influencia maléfica exercida por um espírito sobre um encarnado, ou exercida por um encarnado sobre um espírito, um encarnado sobre outro encarnado, e finalmente um espírito sobre outro espírito.
No presente exame vamos nos ater somente a obsessão de um espírito sobre um encarnado, porque é a forma que nos interessa de perto e não é diagnosticável pela ciência médica terrena.
Essa obsessão é difícil de ser percebida dado que o espírito é invisível para o encarnado e para as demais pessoas que são procuradas para auxiliá-lo. Daí a dificuldade de ser combatida.
A obsessão se dá quando um espírito por alguma razão busca prejudicar o encarnado. Os motivos podem ser os mais variados, mas os mais comuns são: ódio e vingança, ciúme, despeito, trabalhos de magia, vampirização, e atração por afinidade vibratória.
As motivadas pelo ódio são, obviamente, as reações de parte de quem sofreu agressões. A pessoa que sofre um malefício, uma agressão ou maldade e não perdoa o agressor, pode voltar-se contra ele buscando vingança. Esta obsessão é pérfida porque o obsessor escondido em sua invisibilidade pode atuar com liberdade junto ao encarnado pelo tempo que quiser. Assim ele procura insuflar pensamentos que visam perturbar o encarnado, podendo levá-lo a desesperação, depressão, confusão mental, doenças e até a morte. A par com a irradiação de pensamentos ruins e forças magnéticas constritoras, a sua proximidade causa penosa impressão no encarnado que lhe sente as emanações de ódio.
O processo de obsessão tem muitas facetas e formas de ser implantado, mas um dos recursos cruéis usados pelos obsessores é colocar junto ao encarnado, imantado a ele, um espírito infeliz, geralmente dementado, para manter o obsediado em permanente estado depressivo.
Quanto às obsessões causadas pelo ciúme, dão-se quando uma pessoa desencarnada não consegue se afastar da pessoa a quem ama, e se lança contra aqueles que dele ou dela se aproximam para um relacionamento. De outras vezes é quando o desencarnado vê que o seu amor que ficou aqui na Terra não se mantêm fiel “até a morte” como ele (ou ela) desejaria, e lança-se contra o seu antigo amor cobrando fidelidade. Ainda pode ocorrer que um espírito reencontra um ser amado após muito tempo, séculos, e que não se conforma de ver que o outro (ou a outra) segue sua vida, com outro amor. Estes são apenas alguns exemplos de casos de obsessão causados por ciúme, mas muitas outras formas podem existir na manifestação deste vicio moral que nos institue como “donos” daqueles a quem amamos.
A obsessão causada pelo despeito é quando um desencarnado não suportando ver o sucesso de alguém, moído de inveja lança-se contra o encarnado visando derrubá-lo de sua atual situação. Seja por motivo de sucesso financeiro, seja de uma conquista amorosa, ou por uma posição de destaque ou poder, e até do sucesso que alguém faz na conquista da sua elevação moral e espiritual.
A obsessão causada por “trabalhos de magia”, são os ataques de espíritos que foram requisitados por outros – geralmente encarnados – mediante pagamento, para perturbar algum encarnado. O objetivo pode ser para afastar um concorrente do seu caminho na conquista de uma promoção no emprego, na concorrência de negocios, na conquista de um amor, ou qualquer outro motivo em que uma pessoa deseja o que outro tem ou que poderá obter em seu lugar. Às vezes também é somente para fazer alguma maldade a alguém de quem não se goste.
Quanto a vampirização, trata-se da obsessão de um desencarnado sobre um encarnado que busca se aproveitar do vicio deste para satisfazer as suas paixões, visto que não tendo corpo físico, não tem como desfrutá-los senão por intermédio de uma ligação mental com uma pessoa encarnada. Assim, aqueles encarnados que se comprazem no consumo do álcool, da gula, das drogas, do fumo, do vicio do jogo, da maledicência, do sexo desregrado ou desnaturado, taras, e de qualquer outro desvio de comportamento que interesse a um desencarnado, pode considerar-se como potencial vitima de uma vampirização. Mas o que é isso? Vampirização é quando um desencarnado liga-se a um encarnado através dos seus fios mentais, quase que numa incorporação mediúnica. O desencarnado, por desejar cada vez mais locupletar-se, procura induzir o encarnado mais profundamente no vicio, levando-o muitas vezes a graves viciações que poderão redundar em perigosas enfermidades e até na morte.
E por fim, a obsessão por afinidade vibratória é quando uma pessoa vibrando negativamente por qualquer motivo, atrai por semelhança vibracional espíritos na mesma faixa de sintonia. Assim, como uma pessoa muito lamurienta e queixosa, que vive a dizer que é a ultima das criaturas, a mais sofrida, etc. poderá atrair espíritos que pensam da mesma maneira agravando um o estado do outro por uma simbiose nefasta. Outros que desconfiam sistematicamente do próximo, ou pensam sempre o pior das outras pessoas, tem comportamento raivoso e irado, impaciência crônica, crêem-se melhor do que os outros, querem mandar em tudo e em todos, que procuram trabalhos de magia, etc., podem atrair espíritos que concordam com sua forma de ser e sentindo-se bem ao lado desses encarnados, passam sem querer a ser seus obsessores involuntários, apoiando suas ações, num conúbio prejudicial a ambos.
O processo obsessivo é uma nefasta influencia que começa devagar e vai se consolidando na medida em que o encarnado não lhe opõe resistência, ou não busca socorro.
As pessoas que ouvem falar sobre a obsessão pela primeira vez, costumam se perguntar por que simplesmente o encarnado não repele o obsessor, ou porque Deus permite que tal violência seja cometida. Na verdade, o encarnado tem dificuldade de rechaçar tal influencia pelos seguintes motivos: no caso de vingança, ele tem a consciência pesada pelo crime que cometeu. Vê na pessoa do seu atual verdugo, a sua vitima do passado que vem cobrar desforra, e seu sentimento de culpa lhe dificulta ignora-lo e se afastar de sua perseguição. Em momentos do sono noturno, quando o espírito pode se afastar um pouco do corpo físico, o encarnado entra em contato com o mundo espiritual, e vê o seu obsessor cara a cara, sentindo muitas vezes extremo pavor, sendo isto causa de maior infortúnio e sofrimento.
Nos casos de ciúme é porque a vitima de qualquer forma tem uma ligação anterior com o obsessor e a dificuldade em afasta-lo(a) é a mesma que uma pessoa tem de afastar um assédio deste tipo aqui na Terra, com o agravante de que quem assedia está invisível.
Por despeito e trabalhos de magia, a dificuldade de se auto proteger reside simplesmente na invisibilidade do obsessor e no desconhecimento da maioria das pessoas sobre esses assuntos, o que as leva a atribuírem o desconforto a causas terrenas, e assim não combatem ou reagem contra a verdadeira causa de seus males.
Nos casos de vampirização, o desvio de conduta parte antes do próprio encarnado, que pelas suas preferências e ações atrai os espíritos que acabam por incomoda-lo(a) ou obsedia-lo(a).
Nos casos de afinidade vibratória, novamente a atração parte dos encarnados e a presença de espíritos perturbadores é mera conseqüência de sua forma de ser ou de agir.
E quanto à outra indagação – porque Deus permite – não é que Deus permita ou não tal maldade, é porque simplesmente a Lei de Causa e Efeito está se manifestando. A lei foi instituída por Deus e visa guiar-nos para a evolução, dando a cada um o fruto de seus atos. Como as criaturas ainda não aprenderam a comportar-se somente na diretriz do bem, e cometem faltas contra o próximo e contra si mesmas, colhem naturalmente as conseqüências de seus atos, e isso pode significar a presença de obsessores influenciando estes resgates ou desvios de comportamento. Portanto, não é uma sentença divina, mas reação natural a uma ação atual ou pregressa. Não se trata de Deus permitir ou não, mas simplesmente o resultado natural da nossa imprevidência.
Mas se é assim, por que se procura afastar o obsessor, já que ele está de certa forma cumprindo a lei de reação? Por três motivos muito importantes.
Primeiro: para evitar que o mal se perpetue. Quando um se vinga, pode induzir o outro a se vingar por sua vez, e mais adiante este um se vingará de novo do outro, que mais a frente se vingara do um, num moto continuo que só se desfazerá no dia que um deles vier a perdoar.
Segundo: para livrar o obsessor de penas futuras, pois o ato de vingança ou assedio não tem justificativa e gera um novo carma que deverá ser resgatado. Então, nos casos de vingança, aquele que se vinga porque sofreu – sofrimento este que serviu para resgatar um debito do seu passado – estará criando um novo debito para si mesmo no futuro. E nos outros casos porque qualquer perturbação que se faz aos outros ser-nos-a causa de sofrimentos no futuro.
Terceiro: para que o resgate ou aprendizado do encarnado se cumpra de forma natural, e não induzida por um espírito.
O espírito que busca vingança está agindo incorretamente, pois está querendo fazer justiça pelas próprias mãos. A ninguém é dado tomar a justiça de Deus em suas mãos. Nem na lei terrena se admite isso. O homem aqui na Terra não pode se vingar do seu adversário. Ele pode somente denuncia-lo as autoridades para que a lei dos homens aja e se faça a justiça. Também na lei de Deus é assim.
E os espíritos que perturbam os encarnados sob qualquer pretexto estão na verdade perturbando a ordem das coisas e sofrerão as conseqüências.

Mas como lutar contra este terrível mal que é a Obsessão?
A medicina e a psicologia terrena não conseguem ajudar, porque desconhecem a parte espiritual do problema. Ou seja, desconhecem a verdadeira causa. Tratando desses obsidiados como doentes comuns conseguem apenas classifica-los nas patologias mentais corriqueiras, tratando-os com medicamentos calmantes ou anti-ansioliticos, quando não terminam por interná-los em clinicas psiquiátricas. Em outras palavras, nada conseguem fazer.
O caminho mais adequado para se obter a cura desse mal é através da identificação da sua verdadeira causa, e do tratamento conveniente dessa causa. Para identificá-lo e trata-lo é necessário conhecer-se o mundo espiritual na sua verdadeira expressão, e sabemos que atualmente somente a Doutrina Espírita esclarece como é o mundo espiritual e suas manifestações. Portanto, somente numa casa espírita poderá um obsediado encontrar o adequado tratamento.
Assim, caso você sinta um desconforto renitente e não identifique o porque, desconfie de uma obsessão. Caso se defronte com um caso similar em um familiar ou em um amigo, ou em si mesmo, não vacile! Procure o mais rapidamente possível o socorro numa casa espírita, sabendo que a obsessão se torna mais grave com o passar do tempo e, portanto fica mais difícil de ser tratada, como qualquer doença.

Henrique Fracalanza
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 14:43

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O SERVIÇO RELIGIOSO

 
Emmanuel
 
Desde quando começou na Terra o serviço de adoração a Deus? Perde-se o alicerce da fé na sombra de evos insondáveis.
Dir-se-ia que o primeiro impulso da planta e do verme, à procura da luz, não é senão anseio religioso da vida, em busca do Criador que lhes instila o ser.
Considerando, porém, as escolas religiosas dos povos mais antigos, vemos no sistema egípcio a idéia central da imortalidade, com avançadas concepções da Grandeza Divina, mas enclausurada nos templos do sacerdócio ou no palácio dos faraós, sem ligação com o espírito popular, muita vez relegado à superstição e ao abandono.
Na Índia, identificando o culto da sabedoria. Instrutores eminentes aí ensinam que a bondade deve ser a raiz de nossas relações com os semelhantes, que as nossas virtudes e vícios são as forças que nos seguirão, além do túmulo, propagando-se abençoadas lições de aperfeiçoamento moral e compreensão humana; entretanto, o espírito das castas aí sufocou os santuários, impedindo a desejável extensão dos benefícios espirituais aos círculos do povo.
Na Pérsia, temos no zoroastrismo a consagração do nosso dever para com o Bem; todavia, as comunidades felicitadas por seus respeitáveis ensinamentos se confiam a guerras de conquista e destruição.
Entre os Judeus, sentimos o sopro da revelação do Deus Único, estabelecendo o reino da justiça na Terra, mas, apesar da glória sublime que coroa a fronte de Moisés e dos profetas que o sucederam, o orgulho racial é uma chaga viva no coração do Povo Escolhido.
Na China, possuímos a exaltação da simplicidade, através de lições que fulguram em todas as suas linhas sociais, destacando o equilíbrio e a solidariedade, contudo, o grande povo chinês não consegue superar as perturbações do separativismo e do cativeiro.
Na Grécia, encontramos o culto da Beleza. Os mistérios de Orfeu traçam formosos ideais e constroem maravilhosos santuários. O aprimoramento da arte e da cultura, porém, não consegue criar no espírito helênico a noção do Amor Universal. Generais e filósofo usam a inteligência para a dominação e, de modo algum, se furtam às tentações do campo bélico, acendendo a abominável fogueira da discórdia e do arrasamento.
Em Roma, surpreendemos o Direito ensinando que o patrimônio e a liberdade do próximo devem ser respeitados, no entanto, em nenhuma civilização do mundo observamos juntos tantos gênios da flagelação e da morte.
Hermes é a Sabedoria.
Buda é a Renunciação.
Zoroastro é o Dever.
Moisés é a Justiça.
Confúcio é a Harmonia.
Orfeu é a Beleza.
Numa Pompílio é o Poder.
Em todos os grandes períodos da evolução religiosa, antes do Cristo, vemos, porém, as demonstrações incompletas da espiritualidade. Não há padrões absolutos de perfeição moral, indicando aos homens o caminho regenerador e santificante. Aparecem linhas divisórias entre raças e castas, com vários tipos de louvor e humilhação para ricos e pobres, senhores e escravos, vencedores e vencidos.
Com Jesus, no entanto, surge no mundo o vitorioso coroamento da fé. No Cristianismo, recebemos as gloriosas sementes de fraternidade que dominarão os séculos. O Divino Fundador da Boa Nova entra em contacto com a multidão e o santuário do Amor Universal se abre, iluminado e sublime, para a santificação da Humanidade inteira.
 
Livro “Roteiro”, psicografado por Francisco Cândido Xavier)
Transcrição feita por: Maria Luiza da Silveira Chaves.

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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:46

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Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

EMIGRAÇÕES E IMIGRAÇÕES DOS ESPÍRITOS


No intervalo de suas existências corpóreas, os Espíritos estão no estado de erraticidade, e compõem a população espiritual ambiente do Globo.
Através das mortes e dos nascimentos estas duas populações contribuem incessantemente uma para a outra. Há, pois, diariamente emigrações do mundo corpóreo para o mundo espiritual, e imigrações do mundo espiritual para o mundo corpóreo: é este o estado normal.
Em certas épocas, reguladas pela sabedoria divina, essas emigrações e imigrações se operam em massas mais ou menos consideráveis, em conseqüência das grandes revoluções que fazem partir ao mesmo tempo quantidades inumeráveis, as quais são logo substituídas por quantidades equivalentes de encarnações. É preciso, portanto considerar os flagelos destruidores e os cataclismos como ocasiões de chegada e de partidas coletivas, meios providenciais de renovar a população corporal do Globo, de retemperá-la mediante a introdução de novos elementos espirituais mais purificados. Se nessas catástrofes há destruição de um grande número de corpos, não há senão vestes despedaçadas, mas nenhum Espírito perece: não fazem senão mudar de ambiente. Em vez de partirem isoladamente, partem em grande número. Eis toda a diferença. Pois, quanto a partir por uma causa ou por outra, não iriam deixar de fatalmente partir ou mais cedo ou mais tarde.
É notável como todas as grandes calamidades que dizimam as populações são sempre seguidas de uma era de progresso na ordem física, intelectual e moral, e, conseqüentemente, no estado social das nações em que ocorreram. É que elas têm por finalidade operar um remanejamento na população normal e atuante do Globo.
Essa transfusão que se opera entre a população encarnada e a população desencarnada de um mesmo globo opera-se igualmente entre os mundos, quer individualmente nas condições normais, quer em massa, em circunstâncias especiais. Há, portanto emigrações coletivas de um mundo a outro. Delas resulta a introdução, na população de um globo, de elementos inteiramente novos; novas raças de Espíritos, vindo misturar-se às raças já existentes, constituem novas raças humanas. Ora, como os Espíritos jamais perdem aquilo que adquiriram, eles trazem consigo a inteligência e a intuição dos conhecimentos que possuem. Imprimem, por conseguinte, o caráter deles à raça corporal a que vêm dar vida. Para isto não têm necessidade de que novos corpos sejam criados especialmente para o seu uso; visto que a espécie corporal existe, acham-nos já prontos para recebê-los.
São, pois simplesmente novos habitantes. Ao chegarem ao planeta, a princípio fazem parte de sua população espiritual, depois se encarnam como os demais.

RAÇA "ADÂMICA"
Foi uma dessas grandes imigrações, ou, se quiserem uma dessas colônias de Espíritos, vindos de outra esfera, que deu origem à raça simbolizada na pessoa de Adão e, por esta razão, denominada raça adâmica.
Quando surgiu, a Terra já era povoada desde tempos imemoriais, como a América quando aí chegaram os Europeus.
A raça adâmica, mais adiantada do que as que a haviam precedido na Terra, é, com efeito, a mais inteligente. É ela que impele todas as outras ao progresso. A Gênese no-la mostra, desde a sua origem, industriosa, apta para as artes e as ciências, sem haver passado pela infância intelectual, o que não é próprio das raças primitivas, mas que concorda com a opinião de que se compunha de Espíritos que já haviam progredido. Tudo prova que ela não é antiga na Terra e nada se opõe a que ela esteja aqui apenas há alguns
milhares de anos, o que não estaria em contradição nem com os fatos geológicos nem com as observações antropológicas, tendendo, pelo contrário, a confirmá-las.
A doutrina que faz todo o gênero humano ter-se originado de uma única individualidade, há seis mil anos atrás, não é admissível no estado atual dos conhecimentos. As principais considerações que a contradizem, tiradas da ordem física e da ordem moral, se resumem nos pontos seguintes:
No ponto de vista fisiológico, certas raças apresentam tipos peculiares característicos que não permitem que se lhes atribua uma origem comum. Há diferenças que não são evidentemente efeito do clima, visto que os brancos que se reproduzem na terra dos negros não ficam negros, e reciprocamente. O ardor do sol queima e escurece a epiderme, mas jamais transformou um branco em um negro, achatou o nariz, mudou os traços da fisionomia e tornou encarapinhados e duros os cabelos longos e sedosos.
Sabe-se hoje que a cor do negro provém de um tecido especial subcutâneo próprio da raça.
Deve-se, pois considerar as raças negra, mongólica ou caucásica como possuindo uma origem própria e como tendo surgido simultaneamente ou sucessivamente em diferentes partes do Globo. Seu cruzamento produziu as raças mestiças, secundárias. Os caracteres fisiológicos das raças primitivas são índice evidente de que elas provêm de tipos especiais. As mesmas considerações existem, portanto para o Homem como para os animais, quanto à pluralidade dos troncos genealógicos.
Adão e seus descendentes são representados na Gênese como homens essencialmente inteligentes, visto que desde a segunda geração construíram cidades, cultivaram a terra, trabalharam os metais. Os seus progressos nas artes e nas ciências foram rápidos e mantiveram-se sempre. Não se poderia conceber, pois, que esse tronco tivesse por descendentes povos numerosos tão atrasados, de inteligência tão rudimentar que até hoje se igualam aos animais; que houvessem perdido todos os vestígios até a menor recordação tradicional do que faziam os seus pais. Uma diferença tão radical nas aptidões intelectuais e no adiantamento moral atesta, com não menos evidência, uma diferença de origem.
Independentemente dos fatos geológicos, a prova da existência do homem na superfície da Terra anteriormente à época fixada pela Gênese foi tirada da população do Globo.
Sem falar na cronologia chinesa que remonta - dizem - há trinta mil anos, documentos mais autênticos atestam que o Egito, a Índia e outras regiões eram povoadas e florescentes pelo menos três mil anos antes da era cristã, mil anos, por conseguinte, depois da criação do primeiro homem, segundo a cronologia bíblica. Documentos e observações recentes hoje não deixam dúvida alguma quanto às relações que existiram entre a América e os antigos egípcios. Donde é forçoso concluir que aquela região já era povoada naquela época. Seria preciso, pois, admitir que em mil anos a posteridade de um único homem pôde abranger a maior parte da Terra. Ora, tal fecundidade seria contrária a todas as leis antropológicas.

DOUTRINA DOS ANJOS DECAÍDOS E DO PARAÍSO PERDIDO
Os mundos progridem fisicamente pela elaboração da matéria, e moralmente pela purificação dos Espíritos que nele habitam. A felicidade neles existe em razão da predominância do bem sobre o mal, e a predominância do bem é resultado do adiantamento moral dos Espíritos. O progresso intelectual não é suficiente, já que com a inteligência eles podem praticar o mal.
Quando, portanto um mundo atinge um de seus períodos de transformação que deve fazê-lo ascender na hierarquia, operam-se mutações na população encarnada e na desencarnada. É então que têm lugar as grandes emigrações e imigrações. Aqueles que, malgrado sua inteligência e seu saber, preseveraram-se no mal, em sua revolta contra Deus e contra suas leis, seriam dali por diante um entrave para o progresso moral ulterior, uma causa permanente de perturbação da felicidade dos bons. É por isso que dele são excluídos e enviados para mundos menos adiantados. Ali aplicarão a sua inteligência e a intuição dos conhecimentos adquiridos no progresso daqueles entre os quais foram chamados a viver, ao mesmo tempo em que expiarão, numa série de existências penosas e através de trabalho árduo, as faltas passadas e o seu endurecimento voluntário.
O que serão no seio dessas tribos, novas para eles, ainda na infância da barbárie, senão anjos ou Espíritos decaídos enviados em expiação? A terra do qual foram expulsos não é para eles um paraíso perdido? Não fora para eles um lugar de delícias em comparação com o ambiente ingrato onde vão achar-se relegados durante milhares de séculos, até ao dia em que tiverem merecido o seu resgate? A vaga lembrança intuitiva que dela conservam é para eles como miragem longínqua que os faz recordar aquilo que perderam por culpa própria.
Mas ao mesmo tempo em que os maus partem do mundo em que habitavam, são substituídos por Espíritos melhores, vindos quer da erraticidade desse mesmo mundo, quer de um mundo menos adiantado do qual merecem sair, e para os quais a sua nova morada é uma recompensa. Sendo a população espiritual assim renovada e expurgada de seus piores elementos, no fim de algum tempo o estado moral do mundo se acha melhorado.
Estas mutações são por vezes parciais, isto é, limitadas a um povo, a uma raça, e doutras vezes são gerais, quando chega para o globo o período de renovação.
A raça adâmica tem todas as características de uma raça proscrita. Os Espíritos que dela fazem parte foram exilados na Terra, que já era povoada, mas de homens primitivos, mergulhados na ignorância, aos quais tiveram por missão fazer progredir trazendo consigo as luzes de uma inteligência desenvolvida. Não é este, com efeito, o papel que essa raça tem desempenhado até hoje? A sua superioridade intelectual prova que o mundo de onde vieram era mais adiantado do que a Terra. Mas, devendo esse mundo entrar numa nova fase de progresso e não tendo esses Espíritos, devido à sua obstinação, sabido colocar-se à altura dele, ali teriam ficado deslocados, constituindo-se um entrave ao curso providencial das coisas. É por isso que foram excluídos enquanto outros mereceram substituí-los.
Relegando essa raça para esta terra de trabalho e de sofrimentos, Deus teve razão em dizer: "Ganharás o teu sustento com o suor de teu rosto". Em sua mansidão prometeu que lhes enviaria o Salvador, isto é, aquele que deveria esclarecê-los no caminho a seguir para sair desse lugar de misérias, desse inferno, e alcançar a felicidade dos eleitos. Este Salvador Ele o enviou na pessoa do Cristo, que ensinou a lei do amor e da caridade desconhecida para eles e que deveria ser a verdadeira tábua de salvação.
É igualmente com a finalidade de fazer avançar a Humanidade num determinado sentido que Espíritos superiores, sem possuírem as qualidades do Cristo, se encarnam de tempos a tempos na Terra para aqui cumprirem missões especiais que são ao mesmo tempo proveitosas para o seu adiantamento pessoal, caso as desempenhem de acordo com os objetivos do Criador.
Sem a reencarnação, a missão do Cristo seria um contra-senso, assim como a promessa feita por Deus. Suponhamos, com efeito, que a alma de cada pessoa seja criada por ocasião do nascimento de seu corpo e que ela nada faça a não ser aparecer e desaparecer na Terra. Não haverá nenhuma relação entre aquelas que vieram desde Adão até Jesus Cristo nem entre aquelas que vieram depois. São todas estranhas umas às outras. A promessa de um Salvador feita por Deus não poderia aplicar-se aos descendentes de Adão se as suas almas ainda não estivessem criadas. Para que a missão do Cristo pudesse prender-se às palavras de Deus, seria necessário que elas pudessem ser aplicadas às mesmas almas. Se estas almas forem novas não poderão estar maculadas pela falta do primeiro pai, que não é senão o pai carnal e não o pai espiritual. Do contrário, Deus teria criado almas maculadas por uma falta que não poderia ser apagada nelas, visto que essas almas não existiam. A doutrina vulgar do pecado original implica, pois, na necessidade de uma relação entre as almas do tempo do Cristo com as do tempo de Adão, e, por conseguinte, na reencarnação.
Suponha-se que todas essas almas fizessem parte da colônia de Espíritos exilados na Terra no tempo de Adão, e que elas estivessem maculadas por vícios que fizeram com que fossem excluídos de um mundo melhor, e tereis a única interpretação racional do pecado original, pecado próprio de cada indivíduo e não o resultado da responsabilidade da falta de um outro que ele jamais conheceu. Suponha-se que estas almas ou Espíritos renascem diversas vezes na Terra para a vida corpórea, para progredir e purificar-se; que o Cristo veio esclarecer estas mesmas almas não somente quanto a suas vidas passadas, mas quanto às suas vidas ulteriores, e só então dareis à sua missão um objetivo real e sério, aceitável pela razão.
À primeira vista, a idéia de queda parece em contradição com o princípio pelo quais os Espíritos não podem retrogradar. Mas é preciso considerar que não se trata absolutamente de um retorno ao estado primitivo. O Espírito, embora numa posição inferior, nada perde daquilo que já adquiriu. Seu desenvolvimento moral e intelectual é o mesmo qualquer que seja o meio em que se ache colocado. Está na posição do homem do mundo, condenado à prisão por seus crimes. Certamente ele se acha degradado, decaído no ponto de vista social, mas não se torna nem mais estúpido nem mais ignorante.

(Extraído da obra "A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo" - Allan Kardec
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:05

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Domingo, 20 de Setembro de 2009

OS TEMPOS SÃO CHEGADOS

Os tempos marcados por Deus são chegados, dizem-nos de todas as partes, onde os grandes acontecimentos vão se cumprir para a regeneração da Humanidade. Em que sentido é preciso entender estas palavras proféticas? Para os incrédulos, elas não têm nenhuma importância; aos seus olhos, não é senão a expressão de uma crença pueril sem fundamento; para a maioria dos crentes, ela têm alguma coisa de mística e de sobrenatural que lhes parece ser precursoras do transtorno das leis da Natureza. Estas duas interpretações são igualmente errôneas: a primeira naquilo que implica a negação da Providência, e que os fatos cumpridos provam a verdade dessas palavras; a segunda, naquilo que estas não anunciam a perturbação das leis da Natureza, mas seu cumprimento.

Procuremos, pois, o sentido mais racional.

Tudo é harmonia na obra da criação, tudo revela uma previdência que não se desmente nem nas menores coisas nem nas maiores; devemos, pois, de inicio descartar toda a idéia de capricho irreconciliável com a sabedoria divina; em segundo lugar, se nossa época está marcada para o cumprimento de certas coisas, é que elas têm sua razão de ser na marcha geral do conjunto.

Isto posto, diremos que o nosso globo, como tudo o que existe, está submetido à lei do progresso. Ele progride fisicamente pela transformação dos elementos que o compõem, e moralmente pela depuração dos Espíritos, encarnados e desencarnados, que o povoam. Estes dois progressos se seguem e caminham paralelamente, porque a perfeição da habitação está em relação com a do habitante. Fisicamente, o globo sofreu transformações, constatadas pela ciência, e que, sucessivamente, o tomaram habitável para seres cada vez mais aperfeiçoados; moralmente, a Humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo que a melhora do globo se opera, sob o império das forças materiais, os homens nisso concorrem pelos esforços de sua inteligência; eles saneiam as regiões insalubres, tornam as comunicações mais fáceis e a terra mais produtiva.

Esse duplo progresso se realiza de duas maneiras: uma lenta, gradual e insensível; a outra por mudanças mais bruscas, em cada uma das quais se opera um movimento ascensional mais rápido que marca, por caracteres marcantes, os períodos progressivos da Humanidade. Esses movimentos, subordinados nos detalhes ao livre arbítrio dos homens, são, de alguma sorte, fatais em seu conjunto, porque estão submetidos à leis, como aqueles que se operam na germinação, crescimento e maturidade das plantas, tendo em vista que o objetivo da Humanidade é o progresso, não obstante a marcha retardatária de algumas individualidades; por isso, o movimento progressivo é algumas vezes parcial, quer dizer, limitado a uma raça ou a uma nação, outras vezes geral. O progresso da Humanidade se efetua, pois, em virtude de uma lei; ora, como todas as leis da Natureza são a obra eterna da sabedoria e da presciência divinas, tudo o que é o efeito dessas leis é o resultado da vontade de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável. Portanto, quando a Humanidade está amadurecida para transpor um degrau, pode-se dizer que os tempos marcados por Deus são chegados, como se pode dizer também que em tal época chegaram pela maturidade os frutos e a colheita.

Do fato de que o movimento progressivo da Humanidade é inevitável, porque está na Natureza, não se segue que Deus a isto seja indiferente, e que, depois de ter estabelecido as leis, tenha entrado na inação, deixando as coisas irem inteiramente sozinhas. Suas leis são eternas e imutáveis, sem dúvida, mas porque sua própria vontade é eterna e constante, e que seu pensamento anima todas as coisas sem interrupção; seu pensamento, que penetra tudo, e a força inteligente e permanente que mantém tudo na harmonia; que esse pensamento cessasse um único instante de agir, e o Universo seria como um relógio sem pêndulo regulador. Deus vela, pois, incessantemente pela execução de suas leis, e os Espíritos que povoam o espaço são seus ministros encarregados dos detalhes, segundo as atribuições que tocam ao seu grau de adiantamento.

O Universo é, ao mesmo tempo, um mecanismo incomensurável conduzido por um número não menos incomensurável de inteligências, um imenso governo onde cada ser inteligente tem sua parte de ação sob o olhar do soberano Senhor, cuja vontade única mantém por toda a parte a unidade. Sob o domínio dessa vasta força reguladora tudo se move, tudo funciona numa ordem perfeita, o que nos parece perturbações são os movimentos parciais e isolados que não nos parecem irregulares senão porque nossa visão é circunscrita. Se pudéssemos abarcar-lhe o conjunto, veríamos que essas irregularidades não são senão aparentes e que se harmonizam no todo.

A previsão dos movimentos progressivos da Humanidade nada tem de surpreendente entre os seres desmaterializados que vêem o objetivo para onde tendem todas as coisas, dos quais alguns possuem o pensamento direto de Deus, e que julgam, nos movimentos parciais, o tempo pelo qual poderá se cumprir um movimento geral, como se julga antes o tempo que é preciso a uma árvore, para dar frutos, como os astrônomos calculam a época de um fenômeno astronômico pelo tempo que é preciso a um astro para cumprir sua revolução.

Mas todos aqueles que anunciam esses fenômenos, os autores de almanaques que predizem os eclipses e as marés, certamente eles mesmos não estão no estado de fazer os cálculos necessários não são senão os ecos; assim ocorre com os Espíritos secundários cuia visão é limitada, e que não fazem senão repetir o que aprouve aos Espíritos superiores lhes revelar.

A Humanidade realizou, até este dia. incontestáveis progressos; os homens, por sua inteligência, chegaram a resultados que jamais tinham atingido com relação às ciências, às artes e ao bem-estar material; resta-lhes, ainda, um imenso progresso a realizar: é o de fazer reinar entre eles a caridade, a fraternidade e a solidariedade, para assegurar o seu bem-estar moral. Não o podiam nem com suas crenças, nem com suas instituições antiquadas, restos de uma outra época, boas em uma certa época, suficientes para um estado transitório, mas que, tendo dado o que elas comportam, seriam um atraso hoje. Tal uma criança é estimulada por móveis, impotentes quando vem a idade madura. Não é mais somente o desenvolvimento da inteligência que é necessário aos homens, é a elevação do sentimento, e para isto é preciso destruir tudo o que poderia superexcitar neles o egoísmo e o orgulho.

Tal é o período onde vão entrar doravante, e que marcará as fases principais da Humanidade. Esta fase que se elabora neste momento, é o complemento necessário do estado precedente, como a idade viril é o complemento da juventude; ela podia, pois, ser prevista e predita antecipadamente, e é por isto que se diz que os tempos marcados por Deus são chegados.

Neste tempo, não se trata de uma mudança parcial, de uma renovação limitada a uma região, a um povo, a uma raça; é um movimento universal que se opera no sentido do progresso moral. Uma nova ordem de coisas tende a se estabelecer, e os homens que lhe são os mais opostos nela trabalham com o seu desconhecimento; a geração futura, desembaraçada das escórias do velho mundo e formada de elementos mais depurados, achar-se-á animada de idéias e de sentimentos diferentes da geração presente que se vai a passos de gigante. O velho mundo estará morto, e viverá na história, como hoje os tempos da Idade Média, com seus costumes bárbaros e suas crenças supersticiosas.

De resto, cada um sabe que a ordem das coisas atuais deixa a desejar; depois de ver, de alguma sorte, esgotar o bem-estar material, que é o produto da inteligência, chega-se a compreender que o complemento desse bem-estar não pode estar senão no desenvolvimento moral. Quanto mais se avança, mais se sente o que falta, sem, no entanto, poder ainda defini-lo claramente: é o efeito do trabalho intimo que se opera para a regeneração; têm-se desejos, aspirações que são como o pressentimento de um estado melhor.

Mas uma mudança tão radical, quanto a que se elabora, não pode se realizar sem comoção; a luta inevitável entre as idéias, e quem diz luta, diz alternativa de sucesso e de revés; no entanto, como as idéias novas são as do progresso, e que o progresso está nas leis da Natureza, elas não podem deixar de se impor sobre as idéias retrógradas. Forçosamente, desse conflito, surgirão as perturbações temporárias, até que o terreno seja desobstruído dos obstáculos que se opõem ao estabelecimento de um novo edifício social. Da luta das idéias é que surgirão os graves acontecimentos anunciados, e não cataclismos, ou catástrofes puramente materiais. Os cataclismos gerais eram a conseqüência do estado de formação da Terra; hoje, não são mais as entranhas do globo que se agitam, são as da Humanidade.

A Humanidade é um ser coletivo em que se operam as mesmas revoluções morais que em cada ser individual, com esta diferença de que umas se cumprem de ano em ano, e as outras de século em século. Que sejam acompanhadas, em suas evoluções através do tempo, e ver-se-á a vida das diversas raças marcadas por períodos que dão a cada época uma fisionomia particular.

Ao lado dos movimentos parciais, há um movimento geral que dá o impulso à Humanidade inteira; mas o progresso de cada parte do conjunto é relativo ao seu grau de adiantamento. Tal será uma família composta de vários filhos dos quais o mais jovem está no berço e o primogênito com a idade de dez anos, por exemplo. Em dez anos, o primogênito terá vinte anos e será um homem; o mais jovem terá dez anos e, embora mais avançado, será ainda uma criança; mas, a seu turno, tornar-se-á um homem. Assim é com as diferentes frações da Humanidade; os mais atrasados avançam, mas não saberão, de um pulo, alcançar o nível dos mais avançados.

A Humanidade, tornada adulta, tem novas necessidades, aspirações mais largas, mais elevadas; compreende o vazio das idéias das quais foi embalada, a insuficiência de suas instituições para a sua felicidade; ela não encontra mais, no estado das coisas, as satisfações legitimas para as quais se sente chamada; por isso ela sacode coeiros, e se lança impelida por uma força irresistível, para as margens desconhecidas, para descoberta de novos horizontes menos limitados. E é no momento em que ela se encontra muito pobremente em sua esfera material, onde a vida intelectual transborda, onde o sentimento da espiritualidade desabrocha, quantos homens, pretensos filósofos, esperam encher o vazio por doutrinas do niilismo e do materialismo! Estranha aberração! Esses mesmos homens que pretendem impeli-la para a frente, se esforçam por circunscrevê-la no circulo estreito da matéria; de onde ela aspira sair; e lhe fecham o aspecto da vida infinita, e lhe dizem, em lhe mostrando o túmulo: Nec plus ultra!

A marcha progressiva da Humanidade se opera de duas maneiras, como o dissemos: uma gradual, lenta, insensível, se se consideram as épocas próximas, que não se traduz por melhorias sucessivas nos costumes, nas leis, nos usos, e não se percebe que, com o tempo, como as mudanças que as correntes d'água trazem à superfície do globo; o outro, por um movimento relativamente brusco, rápido, semelhante ao de uma torrente rompendo seus diques, que lhe faz transpor em alguns anos o espaço que ela teria séculos para percorrer. É então um cataclismo moral que engole, em alguns instantes, as instituições do passado, e ao qual sucede uma nova ordem de coisas, que se assenta pouco a pouco, à medida que a calma se restabelece, e se torna definitiva.

Àquele que vive bastante tempo para abarcar as duas vertentes da nova fase, parece que um mundo novo tenha saído das ruínas do antigo; o caráter, os costumes, os usos, tudo está mudado; é que, com efeito, homens novos, ou melhor, regenerados, surgiram; as idéias trazidas pela geração que se extingue de o lugar às idéias novas na geração que se educa.

É a um desses períodos de transformação, ou, querendo-se, de crescimento moral, que chegou a Humanidade. Da adolescência ela passa à idade viril; o passado não pode mais bastar para suas novas aspirações, suas novas necessidades; não pode ser mais conduzida pelos mesmos meios; não se paga mais com ilusões e prestígios: é preciso, à sua razão, amadurecer os alimentos mais substanciais. O presente é muito efêmero; ela sente que seu destino é mais vasto e que a vida corpórea é muito restrita para encerrá-la toda inteira; por isso ela mergulha seus olhares no passado e no futuro, a fim de ali descobrir o mistério de sua existência e ali haurir uma consoladora segurança.

Quem meditou sobre o Espiritismo e suas conseqüências, e não o circunscreveu à produção de alguns fenômenos, compreende que ele abre à Humanidade um caminho novo, e lhe desenrola os horizontes do infinito; iniciando-o nos mistérios do mundo invisível, mostra-lhe seu verdadeiro papel na criação, papel perpetuamente ativo, tanto no estado espiritual como no estado corpóreo. O homem não caminha mais às cegas: ele sabe de onde vem, para onde vai e porque está sobre a Terra. O futuro se lhe mostra em sua realidade, livre dos preconceitos da ignorância e da superstição; não é mais uma vaga esperança: é uma verdade palpável, tão certa para ele quanto a sucessão do dia e da noite. Sabe que o seu ser não está limitado a alguns instantes de uma existência cuja duração está submetida ao capricho do acaso; que a vida espiritual não é interrompida pela morte; que ele já viveu, reviverá ainda, e que de tudo aquilo que adquire em perfeição pelo trabalho, nada está perdido; encontra em suas existências anteriores a razão daquilo que é hoje, e daquilo que se faz hoje, pode concluir o que será um dia.

Com o pensamento de que a atividade e a cooperação individuais à obra geral da civilização são limitados à vida presente, que nada se foi e que nada será, que faz ao homem o progresso ulterior da Humanidade? Que lhe importa que no futuro os povos sejam melhor governados, mais felizes, mais esclarecidos, melhores uns para os outros? Uma vez que disso não deve retirar nenhum fruto, esse progresso não está perdido para ele? De que lhe serve trabalhar por aqueles que virão depois dele, se não deve jamais conhecê-los, e se são seres novos que pouco depois reentrarão, eles mesmos, no nada? Sob o império da negação do futuro individual, tudo, forçosamente diminuiria às mesquinhas proporções do momento e da personalidade

Mas, ao contrário, que amplitude dá ao pensamento do homem a certeza da perpetuidade do ser espiritual ! que orça, que coragem não retira dali contra as vicissitudes da vida material! O que de mais racional, de mais grandioso, de mais digno do Criador que esta lei segundo à qual a vida espiritual e a vida corpórea não são senão dois modos de existência que se alternam para a realização do progresso o que de mais justo e de mais consolador do que a idéia dos mesmos seres progredindo sem cessar, primeiro através das gerações de um mesmo mundo, e em seguida de mundo em mundo, até a perfeição sem solução de continuidade! Todas as ações têm então um objetivo porque, trabalhando por todos, trabalha-se para si, e reciprocamente de sorte que nem o progresso individual nem o progresso geral jamais são estéreis; aproveita às gerações e às individualidades futuras, que não são outras senão as gerações e as individualidades passadas chegadas a um mais alto grau de adiantamento.

A vida espiritual é a vida normal e eterna do Espirito, e a encarnação não é senão uma forma temporária de sua existência. Salvo a veste exterior, há pois, identidade entre os encarnados e os desencarnados; são as mesmas individualidades sob dois aspectos diferentes, pertencendo tanto ao mundo visível, quanto ao mundo invisível, se reencontrando seja num, seja no outro, concorrendo num e no outro ao mesmo objetivo, por meios apropriados à sua situação.

Dessa lei decorre a da perpetuidade das relações entre os seres a morte não os separa, e não põe fim às suas relações simpáticas nem aos seus deveres recíprocos. Dai a solidariedade de todos para cada um, e de cada um para todos; dai também a fraternidade. Os homens não viverão felizes sobre a Terra senão quando esses dois sentimentos tiverem entrado em seus corações e em seus costumes porque, então, a eles sujeitarão suas leis e sua instituições. Estará ai um dos principais resultados da transformação que ali se opera.

Mas como conciliar os deveres da solidariedade e da fraternidade com a crença de que a morte torna para sempre os homens estranhos uns aos outros? Pela lei da perpetuidade das relações que ligam todos os seres, o Espiritismo funda esse duplo principio sobre as próprias leis da Natureza; disso não faz só um dever, mas uma necessidade. Pela da pluralidade das existências, o homem se prende ao que se fez e ao que se fará, aos homens do passado e aos do futuro; ele não pode mais dizer que não tem mais nada de comum com aqueles que morrem, uma vez que uns e os outros se reencontram sem cessar, neste mundo e no outro, para subirem juntos a escala do progresso e se prestarem um mútuo apoio. A fraternidade não está mais circunscrita a alguns indivíduos que o acaso reuniu durante a duração efêmera da vida; ela é perpétua como a vida do Espírito, universal como a Humanidade, que constitui uma grande família da qual todos os membros são solidários uns com os outros, qualquer que seja a época na qual viveram.

Tais são as idéias que ressaltam do Espiritismo, e que suscitará, entre todos os homens, quando estiver universalmente difundido, compreendido, ensinado. Com o Espiritismo a fraternidade, sinônimo da caridade pregada pelo Cristo, não é mais uma vã palavra; ela tem a sua razão de ser. Do sentimento da fraternidade nascem o da reciprocidade e dos deveres sociais, de homem a homem, de povo a povo, de raça a raça; desses dois sentimentos bem compreendidos sairão, forçosamente, as instituições mais proveitosas ao bem-estar de todos.

A fraternidade deve ser a pedra angular da nova ordem social; mas não há fraternidade real, sólida e efetiva se não estiver apoiada sobre uma base inabalável; essa base é a fé; não a fé de tais ou tais dogmas particulares que mudam com o tempo e os povos e se lançam pedras, porque, anatematizando-se, entretêm o antagonismo; mas a fé nos princípios fundamentais que todo o mundo pode aceitar Deus, a alma, o futuro, O PROGRESSO INDIVIDUAL, INDEFINIDO, A PERPETUIDADE DAS RELAÇÕES ENTRE OS SERES. Quando todos os homens estiverem convencidos de que Deus é o mesmo para todos, que esse Deus, soberanamente justo e bom, nada pode querer de injusto, que o mal vem dos homens e não dele, se olharão como filhos de um mesmo pai e se estenderão a mão. É esta fé que o Espiritismo dá, e que será doravante o pivô sobre o qual se moverá o gênero humano, quaisquer que sejam suas maneiras de adorá-lo e suas crenças particulares, que o Espiritismo respeita, mas da qual não tem que se ocupar. Só dessa fé pode sair o verdadeiro progresso moral, porque só ela dá uma sanção lógica aos direitos legítimos e aos deveres; sem ela, o direito é aquele que dá a força; o dever, um código humano imposto pelo constrangimento. Sem ela, o que é o homem? um pouco de matéria que se desfaz, um ser efêmero que não faz senso passar; o próprio gênio o uma centelha que brilha um instante para se apagar para sempre; certamente, não há ali de que se isentar muito aos seus próprios olhos. Com um tal pensamento, onde estão realmente os direitos e os deveres? qual é o objetivo do progresso? Sozinha, esta fé faz sentir ao homem sua dignidade pela perpetuidade e o progresso do seu ser. Não num futuro mesquinho e circunscrito à personalidade, mas grandioso e esplêndido; seu pensamento se eleva acima da Terra; sente-se crescer pensando que tem seu papel no Universo e que esse Universo é seu domínio que poderá um dia percorrer, e que a morte dele não fará uma nulidade, ou um ser inútil a si mesmo e aos outros.

O progresso intelectual realizado até hoje, nas mas vastas proporções, é um grande passo, e marca a primeira fase da Humanidade, mas sozinho é impotente para regenerá-la; enquanto o homem for dominado pelo orgulho e pelo egoísmo, utilizará sua inteligência e seus conhecimentos em proveito de suas paixões e de seus interesses pessoais; é por isso que os aplica ao aperfeiçoamento dos meios de prejudicar aos outros e de se entredestruirem. Só o progresso moral pode assegurar a felicidade dos homens sobre a Terra, colocando um freio às más paixões; só ele pode fazer reinar entre eles a concórdia, a paz, a fraternidade. Será ele que abaixará as barreiras dos povos, que fará tombar os preconceitos de casta, e calar os antagonismos de seitas, ensinando aos homens a se olharem como irmãos, chamados para se entre ajudarem e não viverem às expensas uns dos outros. Será ainda o progresso moral, secundado aqui pelo progresso da inteligência, que confundirá os homens numa mesma crença, estabelecida sobre as verdades eternas, não sujeitas à discussão e, por isto mesmo, aceitas por todos. A unidade de crença será o laço mais poderoso, o mais sólido fundamento da fraternidade universal, quebrado em todos os tempos pelos antagonismos religiosos que dividem os povos e as famílias, que fazem ver no próximo inimigos que é preciso fugir, combater, exterminar, em lugar de irmãos que é preciso amar.

Um tal estado de coisas supõe uma mudança radical nos sentimentos das massas, um progresso geral que não poderia se realizar senão saindo do circulo das idéias estreitas e terra-a-terra que fomentam o egoísmo. Em diversas épocas, homens de elite procuraram conduzir a Humanidade nesse caminho; mas a Humanidade, embora muito jovem, permaneceu surda, e seus ensinos foram como a boa semente caída sobre a pedra. Hoje, ela está madura para levar seus olhares mais alto do que ela não o fez, para assimilar as idéias mais amplas e compreender o que não tinha compreendido. A geração que desaparece levará com ela seus preconceitos e seus erros; a geração que se levanta, temperada numa fonte mais depurada, imbuída de idéias mais sadias, imprimirá ao mundo o movimento ascensional no sentido do progresso moral, que deve marcar a nova fase da Humanidade. Esta fase já se revela por sinais inequívocos, por tentativas de reformas úteis, pelas idéias grandes e generosas que vêm à luz e que começam a encontrar ecos. Assim é que se vê se fundar uma multidão de instituições protetoras, civilizadoras e emancipadoras, sob o impulso e pela iniciativa de homens evidentemente predestinados à obra da regeneração; que as leis penais se impregnam cada dia de um sentimento mais humano. Os preconceitos de raça se enfraquecem, os povos começam a se olhar como os membros de uma grande família; pela uniformidade e a facilidade dos meios de transação, suprimem as barreiras que os dividiam de todas as partes do mundo, se reúnem em comícios universais pelos torneios pacíficos da inteligência. Mas falta a essas reformas uma base para se desenvolver, se completar e se consolidar, uma predisposição moral mais geral para frutificar e se fazer aceitas pelas massas. Este não é menos um sinal característico do tempo, o prelúdio daquilo que se realizará sobre uma mais vasta escala, à medida que o terreno se tornar mais propicio.

Um sinal não menos característico do período em que entramos, é a reação evidente que se opera no sentido das idéias espiritualistas, uma repulsa instintiva se manifesta contra as idéias materialistas, cujos representantes se tornam menos numerosos ou menos absolutos. O espírito de incredulidade que tinha se apoderado das massas, ignorantes ou esclarecidas, e lhe tinha feito rejeitar, com a forma, o próprio fundo de toda crença, parece Ter tido um sono ao sair do qual experimenta a necessidade de respirar um ar mais vivificante. Involuntariamente, onde o vazio se fez, procura-se alguma coisa, um ponto de apoio, uma esperança.

Neste grande movimento regenerador, o Espiritismo tem um papel considerável, não o Espiritismo ridículo inventado por uma critica zombeteira, mas o Espiritismo filosófico, tal como o compreende quem se dá ao trabalho de procurar a amêndoa sob a casca. Pelas provas que ele traz das verdades fundamentais, ele enche o vazio que a incredulidade faz nas idéias e nas crenças; pela certeza que dá de um futuro conforme a justiça de Deus, e que a mais severa razão pode admitir, tempera as amarguras da vida e previne os funestos efeitos do desespero. Fazendo conhecer novas leis da Natureza, dá a chave de fenômenos incompreendidos e de problemas insolúveis até este dia. e mata ao mesmo tempo a incredulidade e a superstição. Para ele, não há nem sobrenatural nem maravilhoso; tudo se cumpre no mundo em virtude de leis imutáveis. Longe de substituir um exclusivismo por um outro, se coloca como campeão absoluto da liberdade de consciência, combate o fanatismo sob todas as formas, e o corta em sua raiz proclamando a salvação para todos os homens de bem, e a possibilidade, para os mais imperfeitos, de chegar, pelos seus esforços, a expiação e a reparação, à perfeição, única que conduz à suprema felicidade. Em lugar de desencorajar o fraco, encoraja-o mostrando-lhe o objetivo que pode alcançar.

Ele não diz: Fora do Espiritismo não há salvação, mas com o Cristo: Fora da caridade não há salvação, principio de união, de tolerância, que unirá os homens num comum sentimento de fraternidade, em lugar de dividi-los em seitas inimigas. Por este outro principio: Não há fé inabalável senão aquela que pode olhara razão face a face em todas as épocas da Humanidade, destrói o império da fé cega que anula a razão, da obediência passiva que embrutece; ele emancipa a inteligência do homem e levanta seu moral.

Consequentemente, com ele não se impõe; ele diz o que é, o que quer, o que dá, e espera que se venha a ele livremente, voluntariamente; quer ser aceito pela razão e não pela força. Ele respeita todas as crenças sinceras, e não combate senão a incredulidade, o egoísmo, o orgulho e a hipocrisia, que são as chagas da sociedade, e os mais sérios obstáculos ao progresso moral; mas não lança anátema a ninguém, nem mesmo aos seus inimigos, porque está convencido de que o caminho do bem está aberto aos mais imperfeitos, e que, cedo ou tarde, nele entrarão.

Se se supõe a maioria dos homens imbuídos desse sentimento, podem-se facilmente se figurar as modificações que trarão nas relações sociais: caridade, fraternidade, benevolência para todos, tolerância para todas as crenças, tal será a sua divisa. É o objetivo para o qual tende, evidentemente, a Humanidade, o objeto de suas aspirações, de seus desejos, sem que ela se dê muita conta dos meios de realizá-los; ela ensaia, tateia, mas é detida por resistências ativas ou pela força da inércia dos preconceitos, das crenças estacionárias e refratárias ao progresso. São essas resistências que é preciso vencer, e isto será obra da nova geração; seguindo-se o curso atual das coisas, reconhece-se que tudo parece predestinado a lhe abrirá caminho; terá para ele a dupla força do número e das idéias, e além disto a experiência do passado.

A nova geração caminhará, pois, para a realização de todas as idéias humanitárias compatíveis com o grau de adiantamento ao qual tiver chegado. O Espiritismo caminhando no mesmo objetivo, e realizando seus fins , encontrar-se-ão sob o mesmo terreno , não como concorrentes, mas como auxiliares se prestando um mútuo apoio. Os homens progressistas encontrarão nas idéias espiritas uma possante alavanca, e o Espiritismo encontrará nos homens novos espíritos dispostos a acolhê-lo. Neste estado de coisas, que poderão fazer aqueles que quiserem se colocar como obstáculo?

Não é o Espiritismo que cria a renovação social, é a maturidade da Humanidade que faz dessa renovação uma necessidade. Por seu poder moralizador, por suas tendências progressivas, pela amplitude de seus objetivos, pela generalidade das questões que abarca, o Espiritismo está, mais do que qualquer outra doutrina, apto a secundar o movimento regenerador; é por isto que é dele contemporâneo; veio no momento em que poderia ser útil, porque para ele também os tempos estão chegados; mais cedo, teria encontrado obstáculos insuperáveis; teria inevitavelmente sucumbido, porque os homens, satisfeitos com o que tinham, não sentiam a necessidade daquilo que ele traz. Hoje, nascido com o movimento das idéias que agitam, encontra o terreno preparado para recebê-lo; os espíritos, as da dúvida e da incerteza, assustados com o abismo que se cava diante deles, o acolhem como uma ancora de salvação e uma suprema consolação.

Dizendo que a Humanidade está madura para a regeneração, isto não quer dizer que todos os indivíduos o estão no mesmo grau, mas muitos têm, por intuição, o germe das idéias novas que as circunstancias farão eclodir; então, mostrar-se-ão mais avançados do que se supunha, e seguirão com diligência o impulso da maioria.

Há deles, no entanto, que são essencialmente refratários, mesmo entre os mais inteligentes, e que, seguramente, não se juntarão jamais, pelo menos nesta existência, uns de boa-fé, por convicção; os outros por interesse. Aqueles cujos interesses materiais estão ligados ao estado presente das coisas, e que não estão bastante avançados para disso fazer abnegação, que o bem geral toca menos que o de sua pessoa, não podem ver sem apreensão o menor movimento reformador; a verdade é para eles uma questão secundária, ou, melhor dizendo, a verdade está inteiramente naquilo que não lhe cause nenhuma perturbação; todas as idéias progressistas são, aos seus olhos, idéias subversivas, é porque lhe devotam um ódio implacável e lhe fazem uma guerra obstinada. Muito inteligentes por não verem no Espiritismo um auxiliar dessas idéias e os elementos da transformação que temem porque não se sentem à sua altura, se esforçam por abatê-lo; se o julgassem sem valor e sem importância, não se preocupariam com ele. Já dissemos em outro lugar: "Quanto mais uma idéia é grande, mais encontra ela adversários, e pode se medir sua importância pela violência dos ataques dos quais é objeto."

O número dos retardatários é ainda grande, sem dúvida, mas o que podem contra a onda que cresce, senão nela lançar algumas pedras? Esta onda é a regeneração que se ergue, ao passo que eles desaparecem com a geração que se vai cada dia a grandes passos. Até lá defenderão o terreno palmo a palmo; há, pois, uma luta inevitável, mas uma luta desigual, porque é a do passado decrépito que cai em farrapos, contra o futuro juvenil; da estagnação contra o progresso; da criatura contra a vontade de Deus, porque os tempos marcados para ele estão chegados.

ALLAN KARDEC
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 22:31

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Sábado, 12 de Setembro de 2009

ENSINOS ESPIRITUALISTAS

(As respostas dadas nesta segunda seção são da mesma fonte. A conversa começou por algumas perguntas sobre o que podia prestar mais serviços à vida do Espírito durante a sua aprendizagem terrestre. Deu-se grande importância ao coração e à cabeça, indispensáveis ao desenvolvimento gradual, regular, dos poderes do corpo e insistiu-se sobre a inteligência e a afeição. Disse-se que a falta de equilíbrio era uma grande causa da retrogradação, ou da incapacidade para o progresso. Apresentei o filantropo como o tipo humano que mais se relaciona com o ideal. Eis a resposta:)
O verdadeiro filantropo, o homem que tem no coração o interesse e vela pelo progresso dos seus irmãos, é o homem tipo, o verdadeiro filho do Todo-Poderoso, que é o Grande Filantropo. O verdadeiro filantropo é o que se eleva todas as horas com o fim de se assemelhar a Deus. Ele se satisfaz pelo constante exercício das simpatias eternas, no desenvolvimento das quais o homem acha uma felicidade, que aumenta sem cessar. O filantropo e o filósofo, o homem que ama a Humanidade e o que ama a Ciência pelo que ela vale, esses para Deus são jóias de inestimável valor, e o que lhes é prometido é ilimitado. Esse, a quem nenhuma restrição de raça ou de lugar, de crença ou de nome embaraça, envolve com o seu amor a Humanidade inteira. Ele ama todos os homens como Irmãos, não pergunta quais são as suas opiniões, só vê as suas necessidades e, por incutir-lhes conhecimentos progressivos, é abençoado. É esse o filantropo, e não aquele que ama os que pensam como ele, que ajuda os que o adulam e dá esmola para que a sua ação generosa seja conhecida; em antagonismo com a verdadeira filantropia, ele procura encobrir em si a aparência dessa beneficência, que é o seu característico. O outro, o filósofo, separado das teorias, sobre o que deveria existir e por conseqüência existiu, emancipado de toda a subordinação às opiniões sectárias, dos dogmas de uma escola especial, livre de preconceitos, presta-se a receber a verdade, qualquer que ela seja, logo que fique demonstrada; pesquisa nos mistérios da divina Sabedoria e, pesquisando, acha a sua felicidade.
Não há que recear esgotarem-se-lhe os tesouros, pois eles são inexauríveis. A sua alegria, através da vida, é obter sucessivamente mais conhecimentos ricos e idéias mais verdadeiras de Deus. A união do filantropo e do filósofo realiza o homem perfeito, aqueles que possuem essas duas qualidades elevam-se mais rapidamente do que os Espíritos que progridem sem elas.
Dizeis a sua vida. A vida é eterna?
Sim; temos todas as razões para o acreditar. A vida tem duas fases: a progressiva e a contemplativa. Nós, que estamos em progresso e que esperamos progredir durante miríades sem-número de séculos, como dizeis, depois do ponto mais distanciado ao qual o vosso espírito limitado possa atingir, nada sabemos da vida de contemplação. Acreditamos, porém, que longe, bem longe, na vasta eternidade haverá um período ao qual as almas adiantadas atingirão eventualmente, quando os seus progressos as conduzirem à mansão do Onipotente, onde elas despojarão o seu primeiro estado e se banharão na abundante luz da Divindade, contemplando os segredos do Universo. Disso não vos podemos falar, pois é muito elevado; não adejeis em tais alturas. A vida é sem-fim, como o entendeis, mas só a aproximação do limiar vos pertence e não a entrada no templo interior.
E certo. Tendes melhor conhecimento de Deus do que tínheis aqui na Terra?
Temos melhor conhecimento das operações do seu amor, dos atos desse bem-aventurado poder que fiscaliza e guia os mundos.
Temos conhecimento dEle, mas não o conhecemos, nem o conheceremos como o entendeis, até que entremos na vida de contemplação. Ele apenas nos é conhecido pelos seus atos.
(Em outras conversas, fiz ainda alusão do conflito entre o bem e o mal, sendo-me dada uma longa resposta a essa pergunta, ou antes ao que estava em meu pensamento. Disse-me que a tempestade desabaria com intervalos de calma, durante dez a doze anos, seguindo-se depois um período de calmaria. Foi esse o único caso notável, em que nos aventuramos a profetizar. Posto que as idéias desse ditado tenham sido depois repetidas com mais energia e precisão, apresento-o tal qual para mostrar o caráter do ensinamento nessa época.)
O que ouvis são os primeiros murmúrios de um conflito que será longo e árduo; são ocorrências periódicas. Se lêsseis a história do mundo com os olhos do espírito, veríeis que sempre houve batalhas renovadas em certos períodos entre o bem e o mal. Fases houve em que as inteligências não desenvolvidas predominaram, fases especialmente conseqüentes das grandes guerras que arrebentam entre vós. Muitos Espíritos saem prematuramente do corpo, deixando-o antes de preparados para isso, e na hora da partida ficam irritados, sedentos de sangue, transbordando más paixões, e conservando-se por muito tempo prejudiciais na vida de Além-Túmulo.
Nada é mais perigoso para as almas do que serem bruscamente separadas do invólucro corpóreo e lançadas na vida espiritual, agitadas por violentas paixões, dominadas por sentimentos de vingança. É muito prejudicial ser uma alma atirada fora da vida terrestre sem que seja o laço cortado por efeito da morte natural.
Toda destruição de vida corpórea é selvageria e loucura; selvageria, demonstrando uma bárbara ignorância das condições de vida e progresso, na vida de Além-Túmulo; loucura, por libertar de seus óbices um Espírito atrasado, irritado, que obtém assim mais intensa a capacidade malfazeja.
Sois cegos e ignorantes em vossos atos para com aqueles que ofendem as vossas leis ou as regras morais e restritas que governam as relações sociais. Em presença de uma alma degradada, cometendo delitos contra a moral e as leis constituídas, tomais logo as medidas mais apropriadas para aumentar a sua capacidade criminal. Em vez de subtrair tal ser das más influencias, de lhe evitar todo o contacto vicioso, isolando-o sob a influencia educadora da verdadeira espiritualidade onde as inteligências mais elevadas possam contrabalançar o pernicioso poder do mal, o colocais no meio de insalubres associações, em companhia de culpados como ele, onde a própria atmosfera está saturada de vício, onde os espíritos não desenvolvidos se aglomeram e onde, pelas aglomerações humanas e pelas influências espirituais, as tendências são completamente más.
Pueril e curta vista! Não podemos entrar em vossos antros de criminosos. Os Espíritos missionários se retraem e consideram infrutífera a sua missão, choram em presença de uma associação humana e espiritual malfazeja a, formada contra eles pela ignorância insensata do homem. Com um tal método, não é de admirar que tenhais adquirido a convicção de que a disposição declarada para o crime é raras vezes sanável; sois vós próprios os cúmplices manifestos desses Espíritos, que assistem com alegria às quedas que estimularam. Quantas almas desviadas, por ignorância ou por escolha, saíram dos cárceres, endurecidas e seguidas de guias perigosos, não o sabeis nem nunca podeis sabê-lo. Mas se quiserdes experimentar um melhor sistema para os culpados, obtereis um lucro perceptível, e incalculáveis bênçãos seriam conferidas aos mal guiados e aos viciosos.
Deveríeis instruir os vossos criminosos; deveríeis puni-los como o são aqui, pela demonstração do dano que fizeram resvalar sobre eles próprios, cometendo faltas que retardam o seu futuro progresso.
Deveríeis colocá-los onde espíritos adiantados e ardentes, entre vós, pudessem incutir-lhes a aversão ao pecado e a sede do bem, onde os bandos dos Bem-aventurados pudessem auxiliar os seus esforços e os Espíritos das mais elevadas esferas pudessem espalhar por sobre eles a sua reconfortante e benigna influência. Porém, reunis os espíritos perigosos e os castigais barbaramente com vinganças e crueldades, tratando-os como pessoas das quais nada mais se pode esperar, e o homem que foi a vítima da vossa ignorante repressão prossegue em sua louca carreira de pecado suicida, até que acrescentais, à série dos vossos atos insensatos, o último e pior; eliminais o culpado. Vós o libertais do grande freio das suas paixões e o mandais trabalhar, sem obstáculo, na vida de Além-Túmulo, sob a infernal sugestão das suas paixões irritadas.
Cegos! Cegos! Não sabeis o que fazeis. Sois os vossos piores inimigos, os verdadeiros aliados daqueles que lutam contra Deus, contra nós e contra vós próprios. Arrogai-vos falsamente o direito, pela Lei Divina, de derramar o sangue humano. Errais, e não sabeis que os espíritos assim maltratados vingar-se-ão por sua vez de vós.
Tendes ainda que aprender os primeiros princípios dessa divina e piedosa ternura que trabalha, mesmo por nosso intermédio, para libertar o espírito viciado, a fim de reerguê-lo das profundezas do pecado e da paixão, para elevá-lo à pureza e ao progresso. Formastes um Deus cujos atos estão de acordo com os vossos próprios instintos; inventastes que Ele reside no Alto, indiferente à sorte das suas criaturas, cioso somente do seu próprio poder e da sua honra.
Fabricastes um monstro que se compraz em estragar, em matar, em torturar, um Deus que se regozija infligindo amargos castigos semfim nem alivio. Fizestes Deus pronunciar palavras que Ele nunca conheceu, atribuís-lhe leis que Ele reprovaria.
Deus, o nosso caro Deus, amante, terno, piedoso, regozijar-se punindo com mão cruel a seus filhos desgarrados e ignorantes!
Desprezível fábula! Baixa e louca concepção nascida do espírito brutal, grosseiro e limitado do homem.
Grande Pai! revela-te a esses cegos ociosos e ilumina-os para que eles te conheçam. Dize-lhes que fazem mau juízo de ti, que te não conhecem nem podem conhecer-te até que apaguem as suas ignorantes concepções da tua natureza e do teu amor.
Sim, amigo, os vossos cárceres, o homicídio legal e todo o conjunto do vosso processo criminal é baseado no erro e na ignorância. As guerras e massacres em massa são ainda mais pavorosos. Estabeleceis desavenças com os vossos vizinhos, que deveriam ser amigos, impelindo massas de espíritos, uns contra osoutros - nós não vemos o corpo; só cuidamos do espírito temporariamente vestido com átomos humanos - elevais esses espíritos ao auge da raiva e do furor, e assim os atirais, bruscamente, na vida espiritual, e os desencarnados ainda ligados a Terra, animados das mesmas horrendas paixões, formam multidões e incitam viciosos, que ainda não deixaram as corpos, a cometer crueldades e violências.
Ah! amigo, tendes muito, muito que aprender, e a triste obrigação de desfazer depois o que fazeis agora vos convencerá disso. Aprendei primeiro a lição de ouro - que Piedade e Amor são a sabedoria, e não a vingança nem os castigos rancorosos. E preciso que conheçais Deus, nós e vós mesmos, para vos colocardes em estado de progredir e de participar dos nossos trabalhos em vez de ajudar aos dos nossos adversários.
Amigo, quando vos pretenderem tomar informações acerca da utilidade da nossa comunicação e dos benefícios que pode conferir àqueles a quem o Pai a envia, dizei que ela é um Evangelho a revelar um Deus de ternura, de piedade e amor, em vez de uma fabulosa divindade rigorosa e cruelmente apaixonada; dizei que ela os levará a conhecer Inteligências cuja vida inteira é amor, é misericórdia, e auxílio eficaz para o homem, combinado com a adoração do Supremo; dizei que a nossa palavra conduzirá o homem a ver a sua própria loucura, a rejeitar as suas falsas teorias, a cultivar a sua inteligência para que ela progrida, a utilizar-se de todas as ocasiões oportunas para servir aos seus semelhantes, a fim de que, nos encontros extraterrestres, lhe não possam exprobrar ter sido por eles obstados ou prejudicados.
Dizei que tal é a nossa gloriosa missão; se fordes ridicularizados à maneira dos ignorantes que se ufanam de um saber imaginário, voltai-vos para as almas progressistas, que receberam o ensino de sabedoria; falai-lhes da comunicação da Divina Verdade que regenerará o mundo e orai pelos cegos, a fim de que, quando seus olhos se abrirem, eles não se aflijam com o espetáculo que se lhes deparará.
TEXTO TIRADO DA SEÇÃO II DO LIVRO ENSINOS ESPIRITUALISTAS
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:18

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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

A APARIÇÃO DE JESUS DEPOIS DA MORTE


Em várias oportunidades Jesus disse aos seus discípulos que após sua morte ressuscitaria. Preocupa-nos a compreensão correta do que, em seu conceito, era a ressurreição. Vejamos a seguinte passagem:
“E que os mortos ressuscitem, é Moisés quem dá a conhecer através do episódio da Sarça Ardente, quando chama ao Senhor: o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó. Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos; para ele, então, todos são vivos”. (Lc 20,37-38).
Vejam bem, se Jesus, em se referindo a pessoas que haviam morrido, diz que para Deus todos “são vivos” é porque nossa individualidade sobrevive após a morte, em outras palavras, poderia estar dizendo da nossa condição de espíritos eternos. Ao que chamamos de morte é apenas o processo, ao qual nosso espírito, em seu regresso ao plano espiritual de onde veio, devolve à natureza os elementos constitutivos do corpo físico, cuja finalidade era viabilizar o seu desenvolvimento moral e intelectual. Em vista disso, é que devemos entender que a ressurreição de que Jesus falava não era no corpo físico, e sim o ressurgir em espírito. Foi o que aconteceu com ele. Depois de sua morte esteve ainda na terra em seu corpo espiritual, conforme se encontra em Atos: “Após sua paixão, ele lhes mostrou, com muitas provas, que estava vivo, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do Reino de Deus”. (1,3).
Sabemos, por informação dos próprios espíritos, que eles se manifestam em seu corpo espiritual, denominado perispírito. Nele é evidenciada toda a evolução moral do espírito, assim quanto mais luminoso maior evolução e, via de conseqüência, quanto menos luz produzir mais inferior é o espírito. Deve ser pelo motivo de sua luminosidade que, em algumas situações, Jesus não foi reconhecido pelos seus discípulos, como observamos em Mc 16,12: “Depois disto, ele apareceu sob outra forma, a dois deles que estavam a caminho do campo”. Também ao aparecer a Saulo, na estrada de Damasco (At 9, 3-9), veio em sua plenitude espiritual, fato que impossibilitou aos que presenciavam o fenômeno de vê-lo, só ouviram sua voz. Ao narrar esse acontecimento, Paulo diz (At 22,6-9): “... aí pelo meio-dia, de repente uma grande luz que vinha do céu brilhou ao redor de mim”, o que confirma o que estamos dizendo sobre o perispírito refletir a evolução moral.
A matéria, igualmente, não oferece nenhuma resistência a esse corpo perispiritual. Vejamos a prova disso, pelo fato de Jesus ter entrado em ambiente fechado: “Oito dias depois, os discípulos se achavam de novo na casa, e Tomé com eles. Jesus entrou, estando as portas fechadas, pôs-se no meio deles e os cumprimentou: A paz esteja convosco!”. (Jo 20,26).
Podemos aceitar também que, em algumas circunstâncias, Jesus se materializou diante dos discípulos, nesse caso tornou-se tangível, o que podemos verificar quando diz: “Olhai para minhas mãos e pés: sou eu mesmo! Apalpai-me e vede: um fantasma não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho! Dizendo isto, mostrou-lhes mãos e pés. Mas como hesitavam em acreditar, por causa da muita alegria, e continuavam espantados, Jesus lhes disse: ‘Tendes aqui alguma coisa para comer?’ Deram-lhe um pedaço de peixe grelhado. Ele o tomou e comeu na presença deles”. (Lc 24, 39-43). É bem provável que Jesus, ao se materializar, teve que se comportar como se fosse realmente de carne e osso, tendo em vista que nem os discípulos nem os de sua época tinham conhecimento dos mecanismos das manifestações espirituais para entender o que estava acontecendo.
Temos que convir que, em certos relatos do Evangelho, existem alguns exageros. Assim, determinados acontecimentos foram colocados buscando valorizar os fatos ou a pessoa quem os produziu. Vejamos, como exemplo, o que consta em Jo 21,25: “Há, porém, muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem escritas uma por uma, creio que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que seriam escritos”.
Dito isso, vamos à 1ª carta aos Coríntios 15, 3-6: “Eu vos transmiti principalmente o que eu mesmo recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, depois aos doze. Em seguida apareceu, de uma só vez, a mais de quinhentos irmãos, dos quais a maior parte vive ainda hoje, embora alguns tenham morrido”. Nenhum dos quatro evangelistas fala que Jesus teria aparecido a quinhentas pessoas, assim podemos supor que pode ser apenas um exagero de Paulo.
Por outro lado, até mesmo a questão de Jesus ter ficado quarenta dias no meio dos discípulos poderíamos entender de outra forma, pois o número 40 possuía, para eles, um significado importante, observem:
O povo hebreu permaneceu 40 anos no deserto;
No dilúvio choveu 40 dias e 40 noites;
Jacó ao morrer ficou 40 dias embalsamado;
Moisés ficou no Sinai 40 dias e 40 noites, quando recebe os Dez Mandamentos;
Deus, por castigo, entrega os israelitas aos filisteus por 40 anos (Jz 13,1);
Em desafio um filisteu se apresenta ao exército hebreu por 40 dias (1Sm 17,16);
Davi reinou por 40 anos (2Sm 5,4);
O templo tinha 40 côvados.(1Rs 6,17);
O reinado de Salomão durou 40 anos (1Rs 11,42);
Elias, após comer o que um anjo lhe dá, caminha 40 dias e 40 noites (1Rs 19,8);
Jesus jejuou 40 dias e 40 noites.
Carlos Torres Pastorino no Livro A Sabedoria do Evangelho, quando fala sobre como devemos fazer a interpretação da Bíblia, coloca:
Os números possuem sentido muito simbólico, assim:
10 – diversos
40 – muitos
07 – grande número
70 – todos, sempre.
Então, conclui: não devem ser tomados à risca.
Dessas aparições de Jesus podemos realçar duas coisas. A primeira, é que há vida após a morte, caso contrário, ninguém poderia aparecer depois de morto. A segunda, é que os mortos se comunicam com os vivos, por mais que alguns ainda venham a dizer que isso não pode ocorrer, a nós não resta dúvida alguma quanto a isso. Alguns querem sustentar que Jesus tenha se manifestado com o corpo físico, entretanto isso não condiz com o que podemos tirar dos acontecimentos.
Então Jesus não ressuscitou no corpo físico? Reafirmamos: Não, apesar de que isso possa lhe causar um certo choque, mas analisemos.
Quando se apresenta a Maria de Madalena, diz “não me toques, porque ainda não subi para meu Pai” (Jo 20,17), entretanto, a Tomé Ele disse: “Põe aqui o teu dedo, vê as minhas mãos, aproxima também a tua mão, põe-na no meu lado” (Jo 20,27), nos parecendo contraditório. Fica ainda mais difícil de compreender, quando colocam Jesus dizendo “porque um espírito não tem carne, nem ossos, como vós vedes que eu tenho” (Lc 24,39), e, na seqüência (v.43), ele está comendo peixe com favo de mel. Tudo isso nos parece ter sido um ajuste para sustentar a idéia de que a alma não sobrevive sem o corpo físico.
No livro de Tobias, encontramos um anjo fazendo coisas comuns ao seres humanos, inclusive comendo, mas ao final ele declara: “Eu sou Rafael, um dos sete anjos... Vocês pensavam que eu comia, mas era só aparência... E o anjo desapareceu...”. (Tb 12, 15-22). No caso de Jesus não poderia ter sido uma situação semelhante ou mesmo completamente materializado, conforme já o dissemos? Esta hipótese justificaria a questão de que poderia ser tocado, pois estaria tangível.
Mas considerando que, em várias oportunidades, se manifesta e ninguém o reconhece, somente acontecendo após algum gesto dele. Isso não ocorreria se ele tivesse mesmo ressuscitado no corpo físico. Se fosse em espírito poderia muito bem, por sua evolução espiritual, transparecer com tanta luz que não conseguiram de imediato identificá-lo. Teria Ele, quando vivo, dito algo que viesse a negar depois de morto, já que acreditamos que o que pregou foi realmente a ressurreição do Espírito?
Os evangelistas são unânimes em dizer que o corpo de Jesus foi colocado num túmulo novo. As narrativas de Mateus (27.59-60) e Marcos (15,46) dizem que o túmulo era de José de Arimatéia, enquanto a de Lucas (23,52) não dá a entender isso e João (19,41-42) diz que o túmulo estava localizado no jardim perto do lugar onde Jesus fora crucificado e o colocaram lá apenas porque estava perto, faltam dados para concluir que seria de José de Arimatéia. Prestem a atenção à narrativa, pois foi dito “colocaram” em vez de enterraram, com isso não estaria mesmo para ser um lugar provisório?
Em Atos (5,6.10), quando se narra a morte de Ananias, e, logo após, a de Safira, sua mulher, a expressão usada foi: “levaram para enterrar”, ou seja, em definitivo. Assim, por falta de maiores comprovações, podemos concluir que o lugar onde colocaram o corpo de Jesus não era o seu túmulo definitivo, o que, provavelmente, foi feito depois, daí a razão do desaparecimento de seu corpo, hipótese mais provável tomando-se como base as narrativas.
Por outro lado, no domingo de manhã, dois dias depois da morte de Jesus, algumas mulheres compraram perfumes e foram ao sepulcro para embalsamar o corpo (Mc 16,1; Lc 24,1), reforçando a idéia de que estava ali provisoriamente. João (20,1-2) relata que somente Maria Madalena foi ao sepulcro, sem dizer o motivo, que ao encontrá-lo vazio, diz: “levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram”, ou seja, falou exatamente o que seria de se esperar para uma situação provisória.
Quem vai nos tirar desse impasse? Em Atos (16,7) Paulo e Timóteo tentam entrar na Bitínia, aí diz o texto: “mas o Espírito de Jesus os impediu”. Em 2Cor 3,17, Paulo afirma: “O Senhor é Espírito”. Pedro já nos diz que Jesus: “...sofreu a morte em seu corpo, mas recebeu vida pelo Espírito” (1Pe 3,18) e mais adiante nos dá outra informação dizendo que Jesus foi pregar o Evangelho aos mortos (1Pe 4,4-6), o que Jesus só poderia ter feito em Espírito. Assim, tudo se converge para a idéia de que Jesus, após sua morte, ressuscitou em Espírito.
A conclusão final, portanto, fica-nos que a ressurreição contida na Bíblia é a do Espírito e não do corpo. E sendo a do Espírito teremos também que, forçosamente, admitir a comunicação dos “mortos” com os vivos, conforme o acontecido com o próprio Jesus após sua morte.
Fica aí ainda evidenciada a necessidade de uma exegese mais realista dos fatos acontecidos, já que o que os teólogos nos colocaram não condiz com a realidade.

Paulo da Silva Neto Sobrinho
Bibliografia:


Bíblia Sagrada, São Paulo, Edições Paulinas, 1980.


Bíblia Sagrada, São Paulo, Paulus, 1990
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 21:57

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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

AJUSTES AOS DOGMAS


 
Ao longo do tempo a Bíblia vem sendo ajustada às conveniências dogmáticas das religiões tradicionais que dela fazem uso.
Todos sabemos, ou deveríamos saber, que, por exemplo, a Trindade foi cópia de tradições pagãs. Uma vez instituído tal dogma, foi necessário ajustar os textos e as interpretações bíblicas a esse, vamos dizer, aculturamento religioso, assim, o que era “um” Espírito Santo, se transformou em “o” Espírito Santo.
Mesmo sem possuirmos profundos conhecimentos que possam nos fornecer pistas de todas as interpolações, algumas saltam aos olhos de tão evidentes, que só não ver quem não quer. Nos textos que iremos analisar deixaremos a numeração dos versículos, para nos ajudar a localização dos trechos que vamos ressaltar.
Uma primeira que poderemos citar encontra-se em Gênesis, especificamente nos capítulos 10 e 11, vejamos:
Gênesis 10:
1. Esta é a descendência dos filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé, que tiveram filhos depois do dilúvio. 2. Filhos de Jafé: Gomer, Magog, Madai, Javã, Tubal, Mosoc e Tiras. 3. Filhos de Gomer: Asquenez, Rifat e Togorma. 4. Filhos de Javã: Elisa, Társis, Cetim e Dodanim. 5. Foi destes que se separaram as populações das ilhas, cada qual segundo o seu país, língua, família e nação. 6. Filhos de Cam: Cuch, Mesraim, Fut e Canaã. 7. Filhos de Cuch: Saba, Hévila, Sabata, Regma e Sabataca. Filhos de Regma: Sabá e Dadã. 8. Cuch gerou Nemrod, que foi o primeiro valente na terra. 9. Foi um valente caçador diante de Javé, e é por isso que se diz: "Como Nemrod, valente caçador diante de Javé". 10. As capitais do seu reino foram Babel, Arac e Acad, cidades que estão todas na terra de Senaar. 11. Dessa terra saiu Assur, que construiu Nínive, Reobot-Ir, Cale 12. e Resen, entre Nínive e Cale. Esta última é a maior. 13. Mesraim gerou os de Lud, de Anam, de Laab, de Naftu, 14. de Patros, de Caslu e de Cáftor; deste último surgiram os filisteus. 15. Canaã gerou Sídon, seu primogênito, depois Het, 16. e também o jebuseu, o amorreu, o gergeseu, 17. o heveu, o araceu, o sineu, 18. o arádio, o samareu e o emateu. Em seguida, as famílias dos cananeus se dispersaram. 19. A fronteira dos cananeus ia de Sidônia, em direção a Gerara, até Gaza; depois, em direção a Sodoma, Gomorra, Adama e Seboim, até Lesa. 20. Esses foram os filhos de Cam, segundo suas famílias e línguas, terras e nações. 21. Sem, antepassado de todos os filhos de Héber e irmão mais velho de Jafé, também teve descendência. 22. Filhos de Sem: Elam, Assur, Arfaxad, Lud e Aram. 23. Filhos de Aram: Hus, Hul, Geter e Mes. 24. Arfaxad gerou Salé, e Salé gerou Héber. 25. Héber teve dois filhos: o primeiro chamava-se Faleg, porque em seus dias a terra foi dividida; o seu irmão chamava-se Jectã. 26. Jectã gerou Elmodad, Salef, Asarmot, Jaré, 27. Aduram, Uzal, Decla, 28. Ebal, Abimael, Sabá, 29. Ofir, Hévila e Jobab; todos esses são filhos de Jectã. 30. Eles habitavam desde Mesa até Sefar, a montanha do oriente. 31. Foram esses os filhos de Sem, conforme suas famílias e línguas, suas terras e nações. 32. Foram essas as famílias dos descendentes de Noé, conforme suas linhagens e nações. Foi a partir deles que as nações se dispersaram pela terra depois do dilúvio.
Gênesis 11:
1. O mundo inteiro falava a mesma língua, com as mesmas palavras. 2. Ao emigrar do oriente, os homens encontraram uma planície no país de Senaar, e aí se estabeleceram. 3. E disseram uns aos outros: "Vamos fazer tijolos e cozê-los no fogo!" Utilizaram tijolos em vez de pedras, e piche no lugar de argamassa. 4. Disseram: "Vamos construir uma cidade e uma torre que chegue até o céu, para ficarmos famosos e não nos dispersarmos pela superfície da terra". 5. Então Javé desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo. 6. E Javé disse: "Eles são um povo só e falam uma só língua. Isso é apenas o começo de seus empreendimentos. Agora, nenhum projeto será irrealizável para eles. 7. Vamos descer e confundir a língua deles, para que um não entenda a língua do outro". 8. Javé os espalhou daí por toda a superfície da terra, e eles pararam de construir a cidade. 9. Por isso, a cidade recebeu o nome de Babel, pois foi aí que Javé confundiu a língua de todos os habitantes da terra, e foi daí que ele os espalhou por toda a superfície da terra.
10. Esta é a descendência de Sem: Quando Sem completou cem anos, gerou Arfaxad, dois anos depois do dilúvio. 11. Depois do nascimento de Arfaxad, Sem viveu quinhentos anos, e gerou filhos e filhas. 12. Quando Arfaxad completou trinta e cinco anos, gerou Salé. 13. Depois do nascimento de Salé, Arfaxad viveu quatrocentos e três anos, e gerou filhos e filhas. 14. Quando Salé completou trinta anos, gerou Héber. 15. Depois do nascimento de Héber, Salé viveu quatrocentos e três anos, e gerou filhos e filhas. 16. Quando Héber completou trinta e quatro anos, gerou Faleg. 17. Depois do nascimento de Faleg, Héber viveu quatrocentos e trinta anos, e gerou filhos e filhas. 18. Quando Faleg completou trinta anos, gerou Reu. 19. Depois do nascimento de Reu, Faleg viveu duzentos e nove anos, e gerou filhos e filhas. 20. Quando Reu completou trinta e dois anos, gerou Sarug. 21. Depois do nascimento de Sarug, Reu viveu duzentos e sete anos, e gerou filhos e filhas. 22. Quando Sarug completou trinta anos, gerou Nacor. 23. Depois do nascimento de Nacor, Sarug viveu duzentos anos, e gerou filhos e filhas. 24. Quando Nacor completou vinte e nove anos, gerou Taré. 25. Depois do nascimento de Taré, Nacor viveu cento e dezenove anos, e gerou filhos e filhas. 26. Quando Taré completou setenta anos, gerou Abrão, Nacor e Arã. 27. Esta é a descendência de Taré: Taré gerou Abrão, Nacor e Arã. Arã gerou Ló. 28. Arã morreu em Ur dos caldeus, sua terra natal, quando seu pai Taré ainda estava vivo. 29. Abrão e Nacor se casaram: a mulher de Abrão chamava-se Sarai; a mulher de Nacor era Melca, filha de Arã, que era o pai de Melca e Jesca. 30. Sarai era estéril e não tinha filhos. 31. Taré tomou seu filho Abrão, seu neto Ló, filho de Arã, e sua nora Sarai, mulher de Abrão. Ele os fez sair de Ur dos caldeus para que fossem à terra de Canaã; mas, quando chegaram a Harã, aí se estabeleceram. 32. Ao todo, Taré viveu duzentos e cinco anos, e depois morreu em Harã.
Observar que em Gn 10,1 diz a que se propõe o autor bíblico, aqui ele vai falar da descendência dos filhos de Noé: Cam, Sem e Jafé; o que faz nos versículos 2, 6 e 22. No versículo 5 e reafirmado no 31, está se informando que cada uma desses povos tinham sua língua, o que significa que não se falava a mesma língua.
Mais à frente em Gn 11,10, pulamos propositalmente o trecho Gn 11, 1-9, a narrativa volta descrever a descendência de Sem, um dos filhos de Noé, que vai até o final desse capítulo. Assim, mesmo pulando um trecho o texto mantém-se coerente, sem perder a solução de continuidade, o que vem provar que houve uma interpolação. Fato que também se pode corroborar com a contradição em relação à questão da língua, que anteriormente foi afirmado que cada desses povos originados dos filhos de Noé já falavam cada um a sua língua, entretanto, agora esquecendo-se que foi tido, colocam que todos falavam a mesma língua.
Pode-se então concluir que a história da confusão de línguas ocorrida na construção da Torre de Babel, não ocorreu, está apenas, e muito fora de lugar, tentando-se dar uma explicação singela, bem ao nível intelectual da época, do porquê o homem possuía diferentes línguas: só mesmo por castigo de Deus!
Mateus 27:
1. De manhã cedo, todos os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo convocaram um conselho contra Jesus, para o condenarem à morte. 2. Eles o amarraram e o levaram, e o entregaram a Pilatos, o governador.
3. Então Judas, o traidor, ao ver que Jesus fora condenado, sentiu remorso, e foi devolver as trinta moedas de prata aos chefes dos sacerdotes e anciãos, 4. dizendo: "Pequei, entregando à morte sangue inocente." Eles responderam: "E o que temos nós com isso? O problema é seu." 5. Judas jogou as moedas no santuário, saiu, e foi enforcar-se. 6. Recolhendo as moedas, os chefes dos sacerdotes disseram: "É contra a Lei colocá-las no tesouro do Templo, porque é preço de sangue." 7. Então discutiram em conselho, e as deram em troca pelo Campo do Oleiro, para aí fazer o cemitério dos estrangeiros. 8. É por isso que esse campo até hoje é chamado de "Campo de Sangue." 9. Assim se cumpriu o que tinha dito o profeta Jeremias: "Eles pegaram as trinta moedas de prata - preço com que os israelitas o avaliaram - 10. e as deram em troca pelo Campo do Oleiro, conforme o Senhor me ordenou."
11. Jesus foi posto diante do governador, e este o interrogou: "Tu és o rei dos judeus?" Jesus declarou: "É você que está dizendo isso." 12. E nada respondeu quando foi acusado pelos chefes dos sacerdotes e anciãos. 13. Então Pilatos perguntou: "Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?" 14. Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou vivamente impressionado. 15. Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse. 16. Nessa ocasião tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. 17. Então Pilatos perguntou à multidão reunida: "Quem vocês querem que eu solte: Barrabás, ou Jesus, que chamam de Messias?" 18. De fato, Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. 19. Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele: "Não se envolva com esse justo, porque esta noite, em sonhos, sofri muito por causa dele." 20. Porém os chefes dos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás, e que fizessem Jesus morrer. 21. O governador tornou a perguntar: "Qual dos dois vocês querem que eu solte?" Eles gritaram: "Barrabás." 22. Pilatos perguntou: "E o que vou fazer com Jesus, que chamam de Messias?" Todos gritaram: "Seja crucificado!" 23. Pilatos falou: "Mas que mal fez ele?" Eles, porém, gritaram com mais força: "Seja crucificado!" 24. Pilatos viu que nada conseguia, e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse: "Eu não sou responsável pelo sangue desse homem. É um problema de vocês." 25. O povo todo respondeu: "Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos." 26. Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e o entregou para ser crucificado.
Ao lermos sequencialmente os versículos 1-2 e 11-25, veremos que a narrativa está perfeitamente inteligível, não perdendo sua solução de continuidade. Os versículos 3-10, que saltamos de início é o trecho que foi interpolado, que foi tão mal feito, que estranhamos que, em geral, as pessoas não percebem isso.
Veja bem, o versículo 3, numa flagrante contradição com o desenrolar da narrativa, se diz que Judas sentiu remorso quando viu que Jesus havia sido condenado, entretanto, até aquele momento histórico, Jesus apenas tinha sido levado à presença do governador (v. 2). O que, na seqüência, aconteceu está no v. 11, onde diz que Jesus foi posto diante do governador, que passou a interrogá-lo, ou seja, não tinha ainda acontecido a condenação, que só ocorreu mais tarde, quando ele, Pilatos, pede ao povo para decidir entre “Barrabás ou Jesus”, aí sim, manda flagelar Jesus e depois o entrega para ser crucificado (v. 26).
Há ainda nessa passagem uma outra contradição no que diz respeito ao campo do oleiro, pois aqui diz que os sacerdotes pegaram as moedas devolvidas por Judas e com elas compram o campo, entretanto, em Atos 1,18 se afirma que foi o próprio Judas quem o comprou.
Aqui o objetivo foi criar um traidor para entregar Jesus, para se ajustar a uma suposta profecia que dizia isso. Entretanto, ao analisarmos a passagem que diz sobre a traição de um amigo (Sl 41,10), percebemos claramente que ela se refere ao rei Davi, autor do salmo, que foi traído pelo seu amigo e conselheiro Aquitofel (2Sm 15,12.31), que remoído se enforca (2Sm 17,23). A coincidência é que essa é exatamente umas das formas citadas na Bíblia sobre como Judas teria morrido, essa é a mais conhecida, a outra diz que ele teria se jogado num abismo (At 1,18).
João 11:
1. Um tal de Lázaro tinha caído de cama. Ele era natural de Betânia, o povoado de Maria e de sua irmã Marta. 2. Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com perfume, e que tinha enxugado os pés dele com os cabelos. Lázaro, que estava doente, era irmão dela. 3. Então as irmãs mandaram a Jesus um recado que dizia: "Senhor, aquele a quem amas está doente." 4. Ouvindo o recado, Jesus disse: "Essa doença não é para a morte, mas para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela." 5. Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro. 6. Quando ouviu que ele estava doente, ficou ainda dois dias no lugar onde estava. 7. Só então disse aos discípulos: "Vamos outra vez à Judéia." 8. Os discípulos contestaram: "Mestre, agora há pouco os judeus queriam te apedrejar, e vais de novo para lá?" 9. Jesus respondeu: "Não são doze as horas do dia? Se alguém caminha de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10. Mas se alguém caminha de noite, tropeça, porque nele não há luz." 11. Disse isso e acrescentou: "O nosso amigo Lázaro adormeceu. Eu vou acordá-lo." 12. Os discípulos disseram: "Senhor, se ele está dormindo, vai se salvar."
13. Jesus se referia à morte de Lázaro, mas os discípulos pensaram que ele estivesse falando de sono natural. 14. Então Jesus falou claramente para eles: "Lázaro está morto. 15. E eu me alegro por não termos estado lá, para que vocês acreditem. Agora, vamos para a casa dele." 16. Então Tomé, chamado Gêmeo, disse aos companheiros: "Vamos nós também para morrermos com ele."
17. Quando Jesus chegou, já fazia quatro dias que Lázaro estava no túmulo. 18. Betânia ficava perto de Jerusalém; uns três quilômetros apenas. 19. Muitos judeus tinham ido à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão. 20. Quando Marta ouviu que Jesus estava chegando, foi ao encontro dele. Maria, porém, ficou sentada em casa. 21. Então Marta disse a Jesus: "Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. 22. Mas ainda agora eu sei: tudo o que pedires a Deus, ele te dará." 23. Jesus disse: "Seu irmão vai ressuscitar." 24. Marta disse: "Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição, no último dia." 25. Jesus disse: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá. 26. E todo aquele que vive e acredita em mim, não morrerá para sempre. Você acredita nisso?" 27. Ela respondeu: "Sim, Senhor. Eu acredito que tu és o Messias, o Filho de Deus que devia vir a este mundo." 28. Dito isso, Marta foi chamar sua irmã Maria. Falou com ela em voz baixa: "O Mestre está aí, e está chamando você." 29. Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi ao encontro de Jesus. 30. Jesus ainda não tinha entrado no povoado, mas estava no mesmo lugar onde Marta o havia encontrado. 31. Os judeus estavam com Maria na casa e a procuravam consolar. Quando viram Maria levantar-se depressa e sair, foram atrás dela, pensando que ela iria ao túmulo para aí chorar. 32. Então Maria foi para o lugar onde estava Jesus. Vendo-o, ajoelhou-se a seus pés e disse: "Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido." 33. Jesus viu que Maria e os judeus que iam com ela estavam chorando. Então ele se conteve e ficou comovido. 34. E disse: "Onde vocês colocaram Lázaro?" Disseram: "Senhor, vem e vê." 35. Jesus começou a chorar. 36. Então os judeus disseram: "Vejam como ele o amava!" 37. Alguns deles, porém, comentaram: "Um que abriu os olhos do cego, não poderia ter impedido que esse homem morresse?" 38. Jesus, contendo-se de novo, chegou ao túmulo. Era uma gruta, fechada com uma pedra. 39. Jesus falou: "Tirem a pedra." Marta, irmã do falecido, disse: "Senhor, já está cheirando mal. Faz quatro dias."
40. Jesus disse: "Eu não lhe disse que, se você acreditar, verá a glória de Deus?" 41. Então tiraram a pedra. Jesus levantou os olhos para o alto e disse: "Pai, eu te dou graças porque me ouviste. 42. Eu sei que sempre me ouves. Mas eu falo por causa das pessoas que me rodeiam, para que acreditem que tu me enviaste." 43. Dizendo isso, gritou bem forte: "Lázaro, saia para fora!" 44. O morto saiu. Tinha os braços e as pernas amarrados com panos e o rosto coberto com um sudário. Jesus disse aos presentes: "Desamarrem e deixem que ele ande."
Lázaro estava doente, suas irmãs preocupadas mandam avisar a Jesus que afirma “essa doença não é para morte” (v.4), e tranqüilo, ainda fica por lá mais dois dias (v.6). Disse aos discípulos que “Nosso amigo Lázaro adormeceu, eu vou acordá-lo” (v.11), coerente com o que havia dito antes e também semelhante ao que disse da filha de Jairo “a criança não morreu. Ela está apenas dormindo” (Mc 5,39). Partindo do lugar onde estava, demorou ainda mais dois dias para chegar a Betânia (v. 17), chegando chama Lázaro de volta e ele ressuscita.
Como havia necessidade de fazer de Jesus um milagreiro era melhor ressuscitar um morto que curar um doente. Daí, colocam essas palavras na boca de Jesus: “Lázaro morreu”, fazendo-o cair em contradição com o que havia dito antes e com um fato bem semelhante a esse – a filha de Jairo. Poder-se-ia até ser um outro motivo, o de quererem justificar a ressurreição de Jesus, como sendo uma ressurreição física e não espiritual, pois, se fosse espiritual, como explicar o sumiço do seu corpo?
O que é estranho nisso tudo é que sempre afirmam que os textos estão iguais aos originais, certamente isso não é verdade. É muito mais provável que, mesmo agindo de boa-fé, esses textos tidos como originais são copias alteradas que, após uma “queima de arquivo”, se transformaram em originais. Quem fez isso? Não sabemos e na verdade, a essa altura do campeonato, pouco importa, o que importa e sabermos separar o joio que cresceu junto ao trigo.
Paulo da Silva Neto Sobrinho
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 15:54

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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

A INDEPENDÊNCIA

O movimento da emancipação percorria todos os departamentos de atividades políticas da pátria; mas, por disposição natural, era no Rio de Janeiro, cérebro do país, que fervilhavam as idéias libertárias, incendiando todos os espíritos. Os mensageiros invisíveis desdobravam sua ação junto de todos os elementos, preparando a fase final do trabalho da independência, através dos processos pacíficos.
Os patriotas enxergavam no Príncipe D. Pedro a figura máxima, que deveria encarnar o papel de libertador do reino do Brasil. O príncipe, porém, considerando as tradições e laços de família, hesitava ainda em optar pela decisão suprema de se separar, em caráter definitivo, da direção da metrópole.
Conhecendo as ordens rigorosas das Cortes de Lisboa, que determinavam o imediato regresso de D. Pedro a Portugal, reúnem-se os cariocas para tomarem as providências de possível execução e uma representação com mais de oito mil assinaturas é levada ao príncipe regente, pelo Senado da Câmara, acompanhado de numerosa multidão, a 9 de janeiro de 1822. D. Pedro, diante da massa de povo, sente a assistência espiritual dos companheiros de Ismael, que o incitam a completar a obra da emancipação política da Pátria do Evangelho, recordando-lhe, simultaneamente, as palavras do pai no instante das despedidas. Aquele povo já possuía a consciência da sua maioridade e nunca mais suportaria o retrocesso à vida colonial, integrado que se achava no patrimônio das suas conquistas e das suas liberdades. Em face da realidade positiva, após alguns minutos de angustiosa expectativa, o povo carioca recebia, por intermédio de José Clemente Pereira, a promessa formal do príncipe de que ficaria no Brasil, contra todas as determinações das Cortes de Lisboa, para o bem da coletividade e para a felicidade geral da nação. Estava, assim, proclamada a independência do Brasil, com a sua audaciosa desobediência às determinações da metrópole portuguesa.
Todo o Rio de Janeiro se enche de esperança e de alegria. Mas, as tropas fiéis a Lisboa resolvem normalizar a situação, ameaçando abrir luta com os brasileiros, a fim de se fazer cumprirem as ordens da Coroa. Jorge de Avilez, comandante da divisão, faz constar, imediatamente, os seus propósitos, e, a 11 de janeiro, as tropas portuguesas ocupam o Morro do Castelo, que ficava a cavaleiro da cidade. Ameaçado de bombardeio, o povo carioca reúne as multidões de milicianos, incorpora-os às tropas brasileiras e se posta contra o inimigo no Campo de Santana. O perigo iminente faz tremer o coração fraterno da cidade. Não fosse o auxilio do Alto, todos os propósitos de paz se teriam malogrado numa pavorosa maré de ruína e de sangue. Ismael acode ao apelo das mães desveladas e sofredoras e, com o seu coração angélico e santificado, penetra as fortificações de Avilez e lhe faz sentir o caráter odioso das suas ameaças à população. A verdade é que, sem um tiro, o chefe português obedeceu, com humildade, à intimação do Príncipe D. Pedro, capitulando a 13 de janeiro e retirando-se com suas tropas para a outra margem da Guanabara, até que pudesse regressar com elas, para Lisboa.
Os patriotas, daí por diante, já não pensam noutra coisa que não seja a organização política do Brasil. Todas as câmaras e núcleos culturais do país se dirigem a D. Pedro em temos encomiásticos, louvando-lhe a generosidade e exaltando-lhe os méritos. Os homens eminentes da época, a cuja frente somos forçados a colocar a figura de José Bonifácio, como a expressão culminante dos Andradas, auxiliam o príncipe regente, sugerindo-lhe medidas e providências necessárias. Chegando ao Rio por ocasião do grande triunfo do povo, após a memorável resolução do “Fico”, José Bonifácio foi feito ministro do reino do Brasil e dos Negócios Estrangeiros. O patriarca da independência adota as medidas políticas que a situação exigia, inspirando, com êxito, o príncipe regente nos seus delicados encargos de governo.
Gonçalves Ledo, Frei Sampaio e José Clemente Pereira, paladinos da imprensa da época, foram igualmente grandes propulsores do movimento da opinião, concentrando as energias nacionais para a suprema afirmação da liberdade da pátria.
Todavia, se a ação desses abnegados condutores do povo se fazia sentir desde Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, o predomínio dos portugueses, desde a Bahia até o Amazonas, representava sério obstáculo ao incremento e consolidação do ideal emancipacionista. O governo resolve contratar os serviços das tropas mercenárias de Lorde Cochrane, o cavaleiro andante da liberdade da América Latina. Muitas lutas se travam nas costas baianas e verdadeiros sacrifícios se impõem os mensageiros de Ismael, que se multiplicam em todos os setores com o objetivo de conciliar seus irmãos encarnados, dentro da harmonia e da paz, sempre com a finalidade de preservar a unidade territorial do Brasil, para que se não fragmentasse o coração geográfico do mundo.
José Bonifácio aconselha a D. Pedro uma viagem a Minas Gerais, a fim de unificar e serenar a luta acerba dos partidarismos. Em seguida, outra viagem, com os mesmos objetivos, realiza o príncipe regente a São Paulo. Os bandeirantes, que no Brasil sempre caminharam na vanguarda da emancipação e da autonomia, recebem-no com o entusiasmo da sua paixão libertária e com a alegria da sua generosa hospitalidade e, enquanto há música e flores nos teatros e nas ruas paulistas, comemorando o acontecimento, as falanges invisíveis se reúnem no Colégio de Piratininga. O conclave espiritual se realiza sob a direção de Ismael, que deixa irradiar a luz misericordiosa do seu coração. Ali se encontram heróis das lutas maranhenses e pernambucanas, mineiros e paulistas, ouvindo-lhe a palavra cheia de ponderação e de ensinamentos. Terminando a sua alocução pontilhada de grande sabedoria, o mensageiro de Jesus sentenciou:
- A independência do Brasil, meus irmãos, já se encontra definitivamente proclamada. Desde 1808, ninguém lhe podia negar ou retirar essa liberdade. A emancipação da Pátria do Evangelho consolidou-se, porém, com os fatos verificados nestes últimos dias e, para não quebrarmos a força dos costumes terrenos, escolheremos agora uma data que assinale aos pósteros essa liberdade indestrutível.
Dirigindo-se ao Tiradentes, que se encontrava presente, rematou:
- - O nosso irmão, martirizado há alguns anos pela grande causa, acompanhará D. Pedro em seu regresso ao Rio e, ainda na terra generosa de São Paulo, auxiliará o seu coração no grito supremo da liberdade. Uniremos assim, mais uma vez, as duas grandes oficinas do progresso da pátria, para que sejam as registradoras do inesquecível acontecimento nos fastos da história. O grito da emancipação partiu das montanhas e deverá encontrar aqui o seu eco realizador. Agora, todos nós que aqui nos reunimos, no sagrado Colégio de Piratininga, elevemos a Deus nosso coração em prece, pelo bem do Brasil.
Dali, do âmbito silencioso daquelas paredes respeitáveis, saiu uma vibração nova de fraternidade e de amor.
Tiradentes acompanhou o príncipe nos seus dias faustosos, de volta ao Rio de Janeiro. Um correio providencial leva ao conhecimento de D. Pedro as novas imposições das Cortes de Lisboa e ali mesmo, nas margens do Ipiranga, quando ninguém contava com essa última declaração sua, ele deixa escapar o grito de “Independência ou Morte!”, sem suspeitar de que era dócil instrumento de um emissário invisível, que velava pela grandeza da pátria.
Eis por que o 7 de setembro, com escassos comentários da história oficial que considerava a independência já realizada nas proclamações de 1º de agosto de 1822, passou à memória da nacionalidade inteira como o Dia da Pátria e data inolvidável da sua liberdade.
Esse fato, despercebido da maioria dos estudiosos, representa a adesão intuitiva do povo aos elevados desígnios do mundo espiritual.
Livro: “Brasil, Coração do Mundo – Pátria do Evangelho”.
Espírito: Humberto de Campos. Psicografia: Francisco Candido Xavier.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 16:15

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BRASIL

Desde o Nilo famoso, aberto ao sol da graça,
Da virtude ateniense à grandeza espartana,
O anjo triste da paz chora e se desengana,
Em vão plantando o amor que o ódio despedaça,

Tribos, tronos, nações... tudo se esfuma e passa.
Mas o torvo dragão da guerra soberana
Ruge, fere, destrói e se alteia e se ufana,
Disputando o poder e denegrindo a raça.

Eis, porém, que o Senhor, na América nascente,
Acende nova luz em novo continente
Para a restauração do homem exausto e velho.

E aparece o Brasil que, valoroso, avança,
Encerrando consigo, em láureas de esperança,
O Coração do Mundo e a Pátria do Evangelho.


Olavo Bilac
Do livro Parnaso de Além-Túmulo. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 15:36

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Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

TUA BENÇÃO

Não te queixes de cansaço na tarefa que Deus te confiou: um filho a orientar, um lar a manter, o bem a construir ou algum princípio nobre a defender.
Recorda aqueles companheiros do mundo que suspiram por ligeira parcela das possibilidades que te enriquecem a vida: os que anseiam por movimentos livres e jazem parafusados no catre; os que desejariam comunicar aos semelhantes os mais belos sentimentos que lhes povoam a alma e sofrem a provação da mudez; os enfermos e desmemoriados que se atormentam na sede de um lar e sofrem a provação e vagueiam sem rumo, atirados à noite, mendigando assistência; e os outros muitos que aspirariam a socorrer aos irmãos em Humanidade, expondo as idéias de paz e reconforto, cultura e beleza que lhes brilham no espírito e permanecem trancados na obsessão ou que caminham dissipando os próprios recursos nas substâncias tóxicas que ainda não conseguiram erradicar das próprias vidas.
Teu trabalho – tua bênção.
Seja lavrando o campo ou amoldando o metal suportando com paciência algum calvário doméstico ou sofrendo as vicissitudes das causas públicas, não digas que te encontras em sacrifício por agradar a teus pais ou a fim de acompanhar determinado amigo, de modo a prestigiar um parente amado ou em benefício desse ou daquele irmão.
Se guardas o privilégio de servir, amparando aos outros, estás edificando a felicidade em favor de ti mesmo.
Lembra-te de que todos nos achamos interligados nas criações da Divina Sabedoria.
Embora transformado e redistribuído por muitas mãos, à maneira da força elétrica que procede da usina, o trabalho que se te confia vem positivamente da Bondade de Deus.
MEIMEI
Livro: Somente Amor – Psicografia: Francisco C. Xavier – Espíritos: Maria Dolores e Meimei.
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 14:44

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