Sábado, 19 de Junho de 2010

COLHENDO A MAÇÃ

No principio do século V, o debate sofre o sofrimento humano centrou-se nos bebês  recém-nascidos, que obviamente não haviam cometido ainda qualquer pecado. Se não havia pecado, por que alguns nasciam com deficiências, ou poucos inteligentes, enquanto outros eram normais? A Igreja rejeitara a resposta de Orígenes a esta pergunta: os seus destinos eram resultados direto de suas ações no passado. Por isso tiveram que providenciar outra resposta para a mesma questão: por que os bebês inocentes( e as pessoas boas em geral) sofrem e morrem?

Os primeiros teólogos contemplavam a ideia de que o estado lamentável da condição humana relacionava-se, de alguma forma,  com a Queda de Adão e Eva no Paraíso. Mas foi Santo Agostinho (354-430) que apanhou do chão  esta maçã empoeirada, limpou-a em seu manto de bispo e transformou-a naquilo que ainda hoje é fundamento da teologia cristã – o pecado original.

Coisas más acontecem às pessoas boas porque todas as pessoas são más por natureza, dizia Agostinho, e à única oportunidade para se recuperarem desta maldade natural era alcançar a graça de Deus através da Igreja. Como escreveu: “Ninguém será bom, se antes não tiver sido mau”.

Embora a Igreja tenha, desde então, rejeitado alguns dos argumentos de Agostinho, o catecismo católico ainda nos diz: “Não podemos interferir com a revelação do pecado original sem minarmos o mistério do Cristo”. O pecado original está intimamente vinculado ao Cristo, afirma a Igreja, pois é o Cristo que nos liberta do pecado original.

Agostinho acreditava que Adão e Eva viviam num estado de imortalidade física. Não teriam morrido nem envelhecido se não tivessem provado do fruto proibido e, assim, perdido o privilégio da graça divina. Depois da sua queda, as pessoas passaram a sofre, envelhecer e morrer.

De acordo com Agostinho, a vinda do Cristo deu-nos a oportunidade de restabelecermos o estado de graça. Ele atuaria como um mediador entre o Pai e uma criação desobediente. Embora a intercessão  do Cristo não salvasse da morte física, permitira o seu retorno ao estado de imortalidade física através da ressurreição do corpo. A graça não impediria que coisas más acontecessem às pessoas na Terra, mas garantiria a sua imortalidade após a morte.

A principal implicação do pecado original é que, como descendente de Adão, temos também  a sua natureza imperfeita. “O homem... não tem poder de ser bom”, escreve Agostinho. Ele acreditava  que somos tão capazes de fazer o bem como um macaco de falar. Só podemos fazer o bem através da graça. (as ideias de Agostinho, levadas ao extremo, provavelmente induziram as pessoas a pecar. “Não posso fazer nada” seria uma boa desculpa).

A abordagem de Agostinho sobre o sexo deixou profundas marcas na nossa civilização. Mais do que qualquer outro, foi responsável  pela ideia de que o sexo é inerentemente mau. A seu ver, o sexo, era indicação mais visível do estado caído do homem, ele via o desejo sexual como a “prova” e o “castigo” pelo pecado original.

 

MOSTRE-ME NA BIBLIA

Muitas pessoas  reagem à ideia do pecado original com descrença. Ele não existe em parte alguma da bíblia, dizem.

Agostinho encontrou apoio para sua doutrina nas Escrituras, em Romanos 5:12. Na nova tradução Revista, o versículo diz: “O pecado veio ao mundo através do homem, e a morte veio através do pecado, e a morte espalhou-se por todos porque todos havia pecado”.

A versão que Agostinho possuía deste versículo havia sido mal traduzido. Ele não lia grego, a língua original do Novo Testamento, por isso usou a tradução em latim, agora conhecida como Vulgata. Nela lemos na segunda parte deste versículo: “E assim, a morte espalhou-se por todos os homens, através de um homem, através do qual todos os homens pecaram”. Agostinho  conclui que “através do qual” referia-se a Adão e que, de alguma forma, todas as pessoas havia pecado quando Adão pecou.

Fez de Adão uma personalidade que incorporava a natureza de todos os homens futuros, transmitida através de seu sêmen. Agostinho escreveu: “Todos nós estávamos naquele homem”. Embora  não tivéssemos ainda uma forma física, “a natureza seminal pela qual seriamos propagado já se encontrava ali”.

Por isso todos os descendentes de Adão seriam corruptos e condenáveis, porque estavam presentes dentro dele(como sêmen) quando pecou. Agostinho descreveu o pecado como algo que fora “contraído” e que se espalhara pela raça humana como uma doença venérea. Jesus ficou isento do pecado original porque, de acordo com os ortodoxos, foi concebido sem sêmen.

Agostinho concluiu que, como resultado do pecado de Adão,  toda a raça humana era um “comboio do mal” dirigindo-se para “destruição pela segunda morte”. Com exceção, é claro, daqueles que conseguem alcançar a graça divina através da igreja.

 

A CONTROVÉRSIA DO BEBÊ

A doutrina de Agostinho sobre o pecado original gerou uma discussão sobre o batismo infantil. A pergunta central era: O QUE ACONTECE AOS BEBÊS QUE MORRESSEM SEM TEREM SIDO BATIZADOS? VÃO PARA O CÉU OU PARA O INFERNO?

Parecia difícil acreditar que Deus os mandaria para o inferno, uma vez que não tinham cometido qualquer pecado. Mas, se fossem mandados para o céu, porque então precisariam ser batizados? Na verdade, por que alguém precisa ser batizado? Esta controvérsia ameaçava grandemente a autoridade da igreja.

Na época de Agostinho, muitas pessoas adiavam o batismo até a idade adulta, pela mesma razão que Constantino adiara o seu batismo, cerca de um século antes. Não queriam perder a oportunidade de se libertar de todos os pecados. Alem disso, não apreciavam  a ideia de fazer penitência pública, exigida pela igreja para pecados cometidos depois do batismo.

Agostinho foi capaz de convencer a cristandade de que todas as crianças precisavam ser batizadas, porque haviam sido maculadas pelo pecado origina. Como os bebês não haviam cometidos pecado algum, ele escreveu: “Só resta o pecado original” para explicar o seu sofrimento. A menos que os bebês sejam batizados, “correm perigo de danação” – de irem para o inferno – alertava ele.

Durante a vida de Agostinho esta doutrina transformou-se numa terrível ameaça para os pais, como vemos na seguinte história, relatada por ele 1 a sua congregação; uma mãe  estava desesperada porque seu filho havia morrido sem ser batizado. Levou o corpo da criança para o santuário de Santo Estevão. A criança ressuscitou milagrosamente, foi batizada e morreu outra vez. A mãe aceitou esta segunda morte com muito mais resignação, pois agora estava certa de que seu filho seria poupado da dor eterna do inferno.

O medo da danação das crianças persiste até hoje. Pouco antes do dia 06 de Junho de 1996, milhares de mulheres colombianas encheram as igrejas de Bogotá  exigindo que seus filhos fossem batizados. Temiam que, se as crianças não fossem protegidas pelo batismo, ficariam vulneráveis ao Anticristo, cuja vinda estava sendo anunciada para breve. Este rumor surgiu a partir de uma predição feita por uma seita fundamentalista cristã.

 

VENDENDO A MAÇÃ

Fazer com que a igreja engolisse a pílula amarga do pecado original não foi uma tarefa fácil. Mas Agostinho devotou 20 anos a este fim. Depois da sua conversão ao Cristianismo, deixou a Itália  e retornou a África, tornando-se bispo no porto marítimo de Hippo Regius, no norte da África, hoje Algéria. Começou a escrever cartas e tratados, que enviava pelos navios carregados de milho que se dirigiam ao já decadente Império Romano. Instalado em segurança entre os olivais e vinhedos férteis, enfrentava bispos e influenciava papas e concílios da igreja.

Combateu com eficácia as ideias de João Crisóstomo, patriarca de Constantinopla (347-407), que dizia que não deveríamos ser acusados dos pecados cometidos por Adão. Crisóstomo afirmava que, quando alguma coisa de mal acontecia, era uma punição pelos nossos próprios pecados, e não pelos pecados de Adão. Embora a sua argumentação fosse lógica, não explicava as iniquidades da vida – incluindo o sofrimento dos bebês inocentes.

A explicação de Agostinho para o pecado original tinha certa consistência e moldava-se perfeitamente à imagem de Deus como um imperador criado por Constantino. Agostinho escreveu: “Deus, o mais alto governante do universo, decretou com justiça que nós, que descendemos da primeira união, nascêssemos na ignorância e nas adversidades e sujeitos à morte, pois eles (Adão e Eva) pecaram e foram lançados no meio do erro, das dificuldades e da morte”.

O maior oponente de Agostinho foi o teólogo britânico Pelágio (354-418) que considerava o conceito de pecado original absurdo. Ele não podia compreender uma crença que dizia que os homens eram maus por natureza e incapazes de se aperfeiçoar. Pelágio, como Ário, acreditava que o homem tinha um destino mais elevado. Escreveu: “Não existe uma exortação mais premente do que esta: que devemos ser chamados filhos de Deus”.

Mas Agostinho conseguiu convencer o papa e Honório, governante da metade do império, a excomungar Pelágio (que vivia em Roma) e a envia-lo para o exílio, junto com seus seguidores. Pelágio morreu pouco tempo depois. Mas um dos seus seguidores, Juliano, o jovem bispo italiano de Eclanum, continuou a luta no exílio, na Ásia Menor. Juliano e Agostinho trocaram mísseis de pergaminho através do Mediterrâneo, de 418 até a morte de Agostinho, em 430. Agostinho, porem, já havia vencido.

Juliano perdeu a batalha por não conseguir defender a justiça Divina que permitia o sofrimento dos bebês.

Agostinho argumentava que se Deus era justo e as pessoas eram boas, por que os bebês deveriam sofrer? Mais especificamente, por que Deus permitiria que as almas dos bebês fossem “atormentadas nesta vida pelas aflições da carne”.

Disse Juliano: “É preciso responder que tão grande inocência às vezes nasce cega, “surda” ou “retardada””. A única explicação, acreditava, era o pecado original que os pais da criança lhe haviam “transmitido”.

Juliano contra-atacou perguntando por que um Deus justo condenaria uma criança a sofrer pelos “pecados dos outros” (os de Adão), que contraíra “sem saber nem querer”.

Agostinho respondeu: “Se não existiu o pecado (original), então os bebês... não sofreriam nenhum mal no corpo ou na alma, sob o grande poder do Deus justo”. Se alguém liberta as crianças do pecado original, este individuo esta acusando Deus  de ser injusto. “Ambos percebemos a punição”, escreveu Agostinho a Juliano, “mas vós que dizeis que não foram os pais que transmitiram algo que mereça castigo – quando ambos concordamos que Deus é justo – precisais provar se fordes capazes, que existe num bebê alguma culpa que mereça punição”.

A menos que recorresse à reencarnação, Juliano não poderia provar que as crianças tinham feito algo que justificasse os “castigos”que sofriam. Por isso a igreja acabou rejeitando os argumentos de Juliano.

Agostinho conhecia bem o conceito de reencarnação. Em seus 9 anos como maniqueísta, provavelmente aceitou a ideia, pois era um dos princípios fundamentais daquela fé. Sabemos que alguns dos seus oponentes no debate sobre o pecado original sugeriram a reencarnação como uma explicação alternativa para o sofrimento humano.

Mas Agostinho – e finalmente a igreja – rejeitou imediatamente a reencarnação. Disse que era uma “ideia revoltante” considerar que almas precisassem “retornar novamente ao jugo da carne corrupta para pagar as penas do tormento”. Aparentemente, Agostinho achava que o tormento do inferno e da segunda morte eram preferíveis aos “tormentos” da “carne corrupta”.

A controvérsia sobre o pecado original foi resolvida no ano de 529, quando o Concilio de Orange aceitou a doutrina do pecado original elaborada por Agostinho. O concilio  declarou que o pecado de Adão corrompera o corpo e alma de toda a raça humana e que o pecado e a morte eram resultado da desobediência de Adão.

Texto retirado do livro Reencarnação – o elo perdido do Cristianismo. De Elizabeth Clare Prophet.

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Sexta-feira, 11 de Junho de 2010

ALÉM DA VIDA

O que nos espera depois da morte física? Esta é uma pergunta que muitos se fazem. Ante o desconhecimento do que os aguarda, alimentam o terror da morte.

Pessoas há que sequer ousam mencionar a palavra, como se isso fosse atrair o fato para si ou para os seus. Mas isso não impede que a morte chegue.

O medo de morrer está muito em função do desconhecimento de que para além da vida corporal existe a verdadeira, a vida espiritual.

Embora alguns ainda duvidem, é uma certeza. Dr. Raymond Moody Jr, com residência na Escola de Medicina da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, possuem larga experiência sobre o assunto.

Com vários livros publicados, ele relata os casos de pacientes que tiveram experiências de quase morte.

Isto é, pessoas que sofreram problemas graves, que quase lhes assinalaram a morte e retornaram, contando o que lhes aconteceu naquele período.

Embora alguns tratem tais relatos como alucinação, não se pode conceber que ao retornarem ao corpo, após a morte aparente, tais criaturas relatem fatos, situações, quase sempre confirmados.

Mais recentemente, Dr. Moody passou a analisar o caso de crianças que sofreram morte aparente.

Porque, diz ele, se o adulto teve tempo para ser influenciado e modelado pelas experiências de sua vida e crenças religiosas, as crianças não estão profundamente influenciadas pelo ambiente cultural e nelas a experiência adquire certo frescor.

É o caso da garota de sete anos que, ao atravessar um trecho congelado do rio, caiu e bateu a cabeça. Desmaiou e permaneceu inconsciente por doze horas. Durante esse tempo, o médico não sabia se ela iria morrer ou viver.

A garota se viu em um jardim extraordinariamente belo, com flores semelhantes a dálias enormes.

Olhou em volta e viu um ser. Sentiu-se amada e acalentada pela sua presença.

Foi uma sensação deliciosa, como jamais experimentara em sua vida.

O ser então lhe disse: você vai voltar. E ela respondeu: sim.

Ele perguntou por que ela queria retornar ao seu corpo e ela disse: porque minha mãe precisa de mim.

Depois disso, sentiu-se descendo por um túnel. Acordou na cama, levantou-se e disse: oi, mamãe.

Essa é uma boa evidência de que há vida depois da morte.

Prosseguiremos a viver sim, porque o espírito é imortal e haverá de retornar, muitas vezes ainda, ao cenário da Terra, até sua completa depuração.

Você sabia?

Você sabia que, quando as crianças relatam suas experiências de quase morte, constata-se que um número surpreendente delas se vê em corpos espirituais adultos?

Tal fato está levando expoentes da psiquiatria, da psicologia e da psicanálise à conclusão de que o homem não é um ser físico, vivendo experiências espirituais, mas um ser espiritual, temporariamente ligado a um corpo físico.

É a ciência levando o homem a reconhecer as verdades já propaladas desde a remota Antigüidade e vulgarizadas pelo Cristo.


Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3 do livro A luz do além, de Raymond Moody, Jr., Ed. Nórdica.

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Quinta-feira, 10 de Junho de 2010

A VISÃO DO HOMEM ACERCA DA ERRATICIDADE

É ainda muito deficiente o conhecimento das criaturas humanas acerca da vida nos domínios da erraticidade, e, para que possamos fazer uma abordagem mais ampla sobre o assunto, comecemos recordando o que nos diz Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, no capítulo VIII, quando o Codificador nos fala dos Espíritos errantes, ou seja, daqueles seres extracorpóreos que desencarnaram na Terra e aguardam uma nova encarnação.

A erraticidade é constituída, dessa forma, pela presença dos bilhões de Espíritos desencarnados que habitam as regiões vinculadas ao orbe terreno, estejam eles nos círculos sombrios da perturbação e do remorso ou fulgurem nas mais iluminadas colônias espirituais.

Não queremos, de modo nenhum, menosprezar o esforço de milhares de estudiosos que investigam os domínios da vida extra-física, nem podemos esquecer o manancial dos conhecimentos que os Gênios Tutelares da Humanidade, através de centenas de mensageiros da luz, transmitiram, em todas as épocas, ao pensamento humano, sendo nosso dever destacar que a própria Doutrina Espírita, revelada pelos Espíritos Superiores e codificada por Allan Kardec, tem vínculos com o conhecimento oculto das grandes Escolas do Oriente e guarda identificação com a mensagem de Jesus, o Cristo de Deus.

Importa considerar, porém, que os homens, em sua grande maioria, não se têm interessado pelo conhecimento espiritual, preferindo conceber a vida extra-física como sendo um reino de fantasias e criando uma mentalidade supersticiosa, com um falso misticismo, como se Deus tivesse preferências por algum dos seus filhos ou como se a estrutura das igrejas humanas pudesse suprir as omissões em que vivem milhões de religiosos. Quando o fenômeno da morte física, inexoravelmente, lhes desafia a visão fantasiosa, eles se debatem ante o desespero, sem compreenderem que são almas eternas e que o túmulo é apenas uma transição para uma vida mais dinâmica, onde cada Espírito vai encontrar-se com a realidade de si mesmo.

O conhecimento da vida extrafísica encontra-se, em sentido oculto, na própria Bíblia e em todos os outros livros que se constituem roteiro dos grandes grupos religiosos da Terra. Muitas vezes, o simbolismo escondeu a essência de grandes verdades, porque o raciocínio da criatura humana não tinha condições de suportar o fulgor da Luz Divina. Por essa razão é que, durante muitos séculos, a vida religiosa se restringiu a grupos fechados, como a Escola dos Essênios e de outros agrupamentos de instrutores da Sabedoria Antiga.

Quando ocorreu o cumprimento das profecias de Isaías e demais profetas, Jesus, o Messias Prometido, chega à Terra, e um Emissário sublime proclama: “Eis que vos trago Boa Nova de grande alegria, que será para todo povo.”

A Era do Evangelho desdobrou a todos os seres humanos a oportunidade de perceberem que, além da Terra, a vida se desdobra infinitamente e que Deus é Nosso Pai.

Hoje, no século XXI da Era Cristã, a Ciência Espírita, com o testemunho de centenas de pesquisadores, autentica os fenômenos da comunicação dos Espíritos e nos desdobra uma visão mais ampla da realidade em que eles vivem.

A fenomenologia mediúnica, que precedeu à revelação da Doutrina dos Espíritos, aparece, historicamente, como fase preparatória para que a Codificação de Allan Kardec lançasse as bases de uma Filosofia Transcendental, que deu ao homem uma visão mais iluminada cerca da idéia de Deus e, explicando imortalidade da alma e a comunicação os Espíritos, fez luz na análise dos complexos questionamentos relacionados com a origem o destino do homem, bem como sobre a razão de ser de suas dores ante a Augusta Justiça de Nosso Pai, graças ao conhecimento da bendita Lei da Reencarnação.

Os fenômenos mediúnicos prosseguem, dando cumprimento à profecia de Joel, citada em Atos dos Apóstolos (2:17-18), e, através da própria mediunidade, decorridas várias décadas da publicação de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, eis que através do médium Francisco Cândido Xavier, o mundo contemporâneo começa a perceber, de modo mais claro, a erraticidade, consoante as descrições encontradas no livro Nosso Lar, ditadas pelo Espírito André Luiz, descrições essas que se desdobram em numerosos outros livros, de autoria do citado Espírito comunicante e através do mesmo medianeiro, que foi Chico Xavier.

A vida dos Espíritos errantes tem-se constituído tema de centenas de livros psicografados ou de autores encarnados, ampliando a bibliografia espiritista e alargando os horizontes dos investigadores do mundo extra-corpóreo, através da transcomunicação, que se evidencia, no mundo contemporâneo, como sendo a presença dos Espíritos diretamente nos aparelhos de comunicação, como o rádio, o telefone, o computador e todos os demais mecanismos suscetíveis de registrar as suas mensagens.

Ante o desdobramento e o dinamismo que esta nova fase da pesquisa mediúnica proporciona aos investigadores do mundo psíquico, lembramos que sempre ocorreram na Terra os fenômenos de escrita direta e de voz direta. A propósito, registramos um fenômeno ocorrido no Festim de Baltazar, consoante está narrado no Velho Testamento, quando a mão do Espírito comunicante escreveu diretamente sobre a parede, sem a necessidade da participação do homem físico; e, na apoteose gloriosa da Natividade de Jesus, segundo o texto bíblico, os Espíritos Celestes enunciaram, pela voz direta, na quietude das cercanias de Belém de Judá, ante a Manjedoura singela, o enunciado sublime:

“Glória a Deus, nas alturas; Boa Vontade para com os Homens, na Terra.”

Ismael Ramos das Neves
Reformador/Fevereiro 2005

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Quarta-feira, 9 de Junho de 2010

RECONHECE-SE O BEM PELAS SUAS OBRAS.

No capítulo XVII, item 4, de O Evangelho segundo o Espiritismo, edição FEB, encontramos uma frase de Kardec muito citada nas palestras espíritas: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más”.

 

Nesse mesmo capítulo, item 1, Kardec cita os versículos 44, 46 a 48, do capítulo 5, do Evangelho de Mateus, com a recomendação de Jesus para amarmos os nossos inimigos, fazermos o bem aos que nos odeiam e orarmos pelos que nos perseguem e caluniam. Pois se amarmos apenas os que nos amam e se saudarmos somente os nossos irmãos estaremos fazendo o mesmo que os publicanos e pagãos já faziam. E termina Jesus: “– Sede, pois, vós outros, perfeitos como perfeito é o vosso Pai celestial” (entenda-se aqui a perfeição relativa, ou da caridade ampla, que abrange todas as virtudes).

 

Exemplo: ao tomar café da manhã com a família, sua filha derrama café em sua camisa branca de trabalho. Você não tem controle sobre isso, mas sua ação, em seguida, pode provocar uma reação em cadeia.

Primeira hipótese: Você briga com sua filha e ela chora, critica sua esposa por ter colocado a xícara muito na beirada da mesa e começa uma discussão. Você fica estressado e troca a camisa. Sua filha continua chorando e perde o ônibus escolar. Sua esposa vai para o trabalho chateada.

 

Você tem que levar sua filha de carro para a escola. Como está atrasado, dirige em alta velocidade e é multado. Discute com o guarda e perde mais 15 minutos. Quando chega à escola, sua filha entra e não se despede de você. Ao chegar atrasado ao escritório, percebe que esqueceu sua pasta. Ansioso para o dia acabar, quando chega a casa, sua esposa e filha estão aborrecidas com você. Tudo isso por causa de sua reação ao café derramado na camisa.

 

Segunda hipótese: o café cai na sua camisa e você diz, gentilmente, à filha: – Não fique triste, acidentes acontecem. Troca de camisa dá um beijo em sua esposa e na filha e, antes de sair de carro para o escritório, vê a filha, ao longe, pegando o ônibus e lhe acenando adeus com uma das mãos.

 

A situação foi a mesma, mas sua reação pode determinar se seu dia será bom ou ruim.

 

Segundo Kardec, o homem de bem:

• cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade em sua maior pureza, consulta sua consciência para saber se violou essa lei, se fez todo o bem que podia;

• tem fé na bondade, na justiça e na sabedoria de Deus e se submete à sua Vontade;

• tem fé no futuro, colocando os bens espirituais acima dos temporais; aceita as dificuldades da vida como provas ou expiações;

• faz o bem pelo bem, retribui o mal com o bem e sacrifica seus interesses à justiça;

• pensa primeiro nos outros antes de pensar em si mesmo e faz o bem com satisfação; o egoísta, ao contrário, calcula as vantagens e os prejuízos de sua ação; Reconhece-se o bem pelas suas obras;

• vê todas as pessoas como irmãs;

• respeita as crenças alheias;

• não alimenta ódio nem desejo de vingança;

• perdoa e esquece as ofensas;

• é tolerante com as fraquezas alheias, pois sabe que precisa de tolerância para com as suas;

• não comenta os defeitos alheios, mas se obrigado a isso, procura ver o lado bom das pessoas;

• estuda as próprias imperfeições e trabalha incessantemente para corrigi-las;

• é modesto com as próprias qualidades e procura destacar as dos outros;

• usa os bens que possui sem vaidade e com consciência;

• trata com respeito seus superiores, e com bondade e simplicidade seus subordinados;

• respeita todos os direitos naturais do próximo como deseja que sejam respeitados os seus. (Op. cit., item 3.)

 

Conclui Kardec que não ficam assim enumeradas todas as qualidades do homem de bem, mas, quem se esforçar em praticá-las encontra-se no caminho que conduz a todas as demais qualidades.

 

Em seguida, tratando sobre os bons espíritas, ele informa que, bem compreendido e bem sentido, o Espiritismo leva-nos à condição de homem de bem. “[...] O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.” (Op. cit., item 4.)

 

Infelizmente, muitas pessoas acham que a moral espírita ou cristã se aplica às outras pessoas e não a si próprias. A Doutrina Espírita é muito clara, não necessita de uma inteligência fora do comum para praticá-la. Prova disso é que muitas pessoas sem instrução compreendem perfeitamente o Espiritismo, enquanto que outras, mesmo possuindo muito estudo, não o aceitam. O mesmo ocorreu com os apóstolos de Jesus e os cristãos... Quanto mais espiritualizada, mais facilmente a pessoa compreende as mensagens da vida espiritual... É preciso, pois, domínio sobre a matéria... Daí a conclusão de Allan Kardec, citada na introdução: “Reconhece-se o verdadeiro espírita [...]”.

 

Quando percebermos e pusermos em prática os amoráveis conselhos do Mestre Divino, certamente reconheceremos as vantagens de vivermos em harmonia com o nosso próximo. Em O Livro dos Espíritos, temos algumas informações fundamentais para uma vida melhor. Uma delas é a de que a fonte de nossos sofrimentos se baseia em dois sentimentos: egoísmo e orgulho. A outra é a de que uma só coisa é necessária para vivermos bem: devotamento ao próximo, ou seja, vivenciar o amor na sua mais alta expressão.

 

Assim, pelo devotamento e abnegação, dizem os bons Espíritos, estaremos pondo em prática a mais excelsa das virtudes: a Caridade. Quando entendermos isso, estaremos no caminho que nos tornará homens e mulheres bons. Junho 2010

 

 

JORGE LEITE DE OLIVEIRA

Reformador Junho 2010

 

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 03:25

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A PLENIPOTÊNCIA DO SENHOR DA VIDA

Todos nós trazemos na consciência um importante e gigantesco espaço reservado para o Criador. São muitos, porém, aqueles que imaginam poder expulsá-Lo de suas vidas. A rigor, é como se Deus se deixasse mesmo expulsar, pois é imensurável seu respeito pelo nosso livre-arbítrio. Muito embora Ele continue ali mesmo, pois não há como dissociarmo-nos Dele, de vez que nada existe senão Nele, as coisas se passam como se O Senhor do Universo não existisse mesmo, pelo menos, ali, nos limites daquele espaço consciencial.

Ao enumerar pensadores de grande influência na sociedade, deparamos com uma certa coligação de intelectuais, arautos da tese anti-Deus a exemplo de Karl Marx para quem a religião era o ópio do povo; Sigmund Freud que considerava a fé uma manifestação de infantilismo, Friedrich Nietzsche que teve a ousadia de decretar a morte de Deus.

Recordamos que o ex-presidente brasileiro (FHC) afirmou numa circunstância não acreditar em Deus e usou do eufemismo político para retificar dizendo que podia abrir uma chance para crer Nele.(!!??) Recentemente nos foi enviado um e-mail curioso, informando que em 1966, o cantor John Lennon teria dito: “Hoje, nós [Beatles] somos mais populares que Jesus Cristo[Deus]”, na década de 80 caiu mortalmente sob o impacto de cinco tiros desferido por um fanático fã. Ainda nos anos oitenta, em campanha presidencial, Tancredo Neves afirmou que se tivesse 500 votos do seu partido (PDS), nem Deus o tiraria da presidência da república. Os votos ele conseguiu, mas a cadeira presidencial lhe foi tirada um dia antes de tomar posse. Cazuza, um cantor de rock, disse certa vez, em um show no Canecão, (Rio de Janeiro) após um trago em um cigarro de maconha, baforando a fumaça para cima: Deus essa é para você! Sem comentários!.........

Outro fato curioso foi quando o construtor de navio Titanic, apontado como o maior navio de passageiros da época, após sua construção ao ser lançado ao mar, uma repórter inglesa perguntou-lhe: “O seu navio é seguro?" Com ironia, respondeu: "Minha filha, nem se Deus quiser ele afunda o meu navio". Mais tarde a imprensa noticia o maior naufrágio de um navio de passageiros no mundo, o Titanic afundou na sua primeira viagem. Outro fato marcante foi quando Marilyn Monroe, foi visitada por um cristão. Porém ela, depois de ouvir a mensagem do Evangelho, disse: "Não preciso do seu Deus”.Uma semana depois foi encontrada morta em seu apartamento.

Não propomos analisar o tradicional Deus das religiões. Interessa-nos, sim, destruir o conceito de um Deus temível disposto a “castigar” conforme idéias profundamente enraizadas nos textos do Antigo Testamento. Idéias essas que foram incorporadas pela teologia cristã. E, ainda hoje muitos cristãos não se livraram desse e de outros conceitos de que bom cristão teria de ser temente a Deus.

Evidentemente, que os fatos expostos acima sugerem que devemos respeitar o Nosso Criador com mais inteligência, todavia, precisamos adotar uma consciência crítica e rejeitar os sectarismos, porque Deus nada tem a ver com as distorções das teses antropomórficas engendradas por ideologias religiosas que acabaram por remeter muitas pessoas ao ateísmo. Atualmente pesquisadores que se prenderam ao materialismo, herdeiros diretos do atomismo de Demócrito, Leucipo e Lucrécio, zombam da fé ingênua e primitiva, escravizadas aos prosélitos dos religiosos destarte, tentam aniquilar histórica e emocionalmente a existência desse Deus teológico, por ser incompatível com a racionalidade acadêmica.

Por outro lado o magistral Carl Gustav Jung num programa de televisão americana disse: eu não acredito em Deus, porque eu sei que ele existe!!! E, ainda Voltaire foi sábio quando afirmou que não acreditava nos deuses feitos pelos homens, mas, sim no Deus que fez o homem. Sócrates nominava Deus como “A razão perfeita" o seu discípulo Platão O designava por “Idéia do bem".

Ante os muitos debates históricos relembro, ainda, o neoplatonismo, com, Plotino, que propôs o renascimento do Panteísmo, fazendo o “Deus, o Uno Supremo". Aguça-se no contexto o ideário do monismo que recebe o apoio de Fichte, Hegel, Schelling e outros, enquanto larga faixa de pensadores e místicos religiosos empenhavam-se na sobrevivência do chamado Dualismo.

Albert Einstein, o maior gênio científico do século XX confessou a um assistente que seu único interesse era descobrir se no instante da criação Deus teve escolha de fazer um universo diferente e, caso tenha tido opção, por que é que decidiu criar esse universo singular que conhecemos e não outro qualquer?

Atualmente com a ciência contemporânea poderemos até mesmo adentrar na intimidade do corpo atômico, fotografar a célula e extasiar-nos ante a genética, mas não conseguiremos, sem prejuízos psíquicos e emocionais, deslocar a idéia de Deus em um milímetro de rota. A certeza no Senhor da Vida representa claridade de um Sol que ilumina a mente humana, e, sem esse Sol Majestático no caminho da Terra perderíamos a esperança de uma vida saudável e feliz.

Por fim nessas breves reflexões a respeito do Senhor da Vida, que rege a orquestra cósmica e tudo o que está muito além do Universo, encontramos o atestado lógico e cientificamente provado sobre a plenipotência de Deus quando concluímos que tudo aquilo que não é obra do homem, logicamente tem que ser obra de Deus, consoante elucidam os Espíritos desde 18 de abril de 1857.

JORGE HESSEN/DF
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Terça-feira, 8 de Junho de 2010

O PRIMEIRO SINAL

 

         Esse é o título da passagem em que João narra o primeiro milagre de Jesus. Apesar de temos refletido muito sobre ela, ainda não tínhamos nenhuma explicação que justificasse a atitude de Jesus em transformar água em vinho, para embebedar os convidados da festa de que participava.

         Vejamos o episódio:

“No terceiro dia, houve uma festa de casamento em Caná da Galiléia, e a mãe de Jesus estava aí. Jesus também tinha sido convidado para essa festa de casamento, junto com seus discípulos.

Faltou vinho e a mãe de Jesus lhe disse:

- Eles não têm mais vinho!

Jesus respondeu:

- Mulher, que existe entre nós? Minha hora ainda não chegou.

A mãe de Jesus disse aos que estavam servindo:

- Façam o que ele mandar.

Havia aí seis potes de pedra de uns cem litros cada um, que serviam para os ritos de purificação dos judeus.

Jesus disse aos que serviam:

- Encham de água esses potes.

Eles encheram os potes até a boca.

Depois Jesus disse:

- Agora tirem e levem ao mestre-sala.

Então levaram ao mestre-sala. Este provou a água transformada em vinho, sem saber de onde vinha. Os que serviam estavam sabendo, pois foram eles que tiraram a água. Então o mestre-sala chamou o noivo e disse:

- Todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados estão bêbados, servem o pior. Você, porém, guardou o vinho bom até agora.

Foi assim, em Caná da Galiléia, que Jesus começou seus sinais. Ele manifestou a sua glória, e seus discípulos acreditaram nele.

Depois disso, Jesus desceu para Cafarnaum com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos. E aí ficaram apenas alguns dias”. (Jo 2,1-12).

 

Ao lermos essa passagem, podemos achar que Jesus tenha faltado com respeito à sua mãe quando diz: “Mulher, que existe entre nós? Minha hora ainda não chegou”. Hoje, se usássemos a expressão “mulher”, talvez pensaríamos ser mesmo um desprezo, entretanto, naquela época correspondia à palavra “senhora”, com que, atualmente, tratamos com respeito as mulheres. Jesus não estava negando qualquer relação entre Ele e sua mãe. A explicação que encontramos foi que o sentido seria “em si nós nada temos a ver com esta falta de vinho. Minha hora de fazer milagres ainda não chegou. Contudo, a teu pedido, antecipo esta hora” (Bíblia Sagrada Ave Maria, pág. 1385).

Mas qual é o verdadeiro sentido dessa passagem? Nós o vamos encontrar no que a pessoa encarregada da festa disse para o noivo: Todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados estão bêbados, servem o pior. Você, porém, guardou o vinho bom até agora.

Considerando que, com esse primeiro ato público, Jesus inicia a sua missão, podemos dizer que o “vinho bom guardado até agora” são os ensinamentos de Jesus, superiores aos recebidos anteriormente, por meio de Moisés que seria simbolicamente o vinho de pior qualidade,. Até mesmo porque, e sem querer desmerecê-los, a humanidade daquela época não estava preparada para receber vinho de melhor qualidade, se assim podemos nos expressar.

O que podemos confirmar com o que, por várias vezes, foi dito por Jesus: “aprendeste o que foi dito, eu porém vos digo”, deixando-nos bem claro que os ensinamentos anteriores não eram, daquele momento em diante, suficientes para “encher” o coração dos homens da verdade do Pai. Fatos que nos levam à conclusão de que Jesus veio trazer coisas novas. Os fariseus ficavam inconformados por Jesus não seguir as prescrições da Lei Mosaica, ao que obtiveram como resposta: “Não se coloca remendo de pano novo em pano velho, nem vinho novo em odres velhos” (Mt 9,16-27).

Podemos ainda trazer como apoio a isso: “Em comparação com esta imensa glória, o esplendor do ministério da antiga aliança já não é mais nada” (2Cor 3,10), e “Dessa maneira é que se dá a ab-rogação do regulamento anterior em virtude de sua fraqueza e inutilidade – a Lei, na verdade, nada levou à perfeição – e foi introduzida uma esperança melhor pela qual nos aproximamos de Deus” (Hb 7,18-19).

Assim, não temos dúvida alguma quanto à superioridade dos ensinamentos de Jesus, principalmente se entendermos o sentido dessa passagem como o que estamos propondo.

 

 

 

 

 

Paulo da Silva Neto Sobrinho

 

 

 

 

Referência bibliográfica

Bíblia Sagrada, São Paulo, Ave Maria, 1968.

 

 

 

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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A RESPONSABILIDADE DOS ESPÍRITAS

O Cristianismo autêntico baseia-se no Amor a Deus e ao próximo, como ensinou o Cristo.

Na doutrina cristã, a Fé identifica-se com a Verdade, de tal forma que a fuga à realidade torna-se incompatível com a Fé verdadeira.

Se uma doutrina que se diz cristã divorcia-se das realidades dos fatos e da razão, a fé que ela inspira compromete-se e enfraquece-se naturalmente.

A Doutrina Espírita não foge à s bases ensinadas pelo Cristo de Deus, desdobrando-as e interpretando-as com as revelações do Espírito de Verdade e da plêiade de Espíritos que se propuseram trazer à Humanidade os conhecimentos novos a que ela faz jus.

O progresso da Humanidade não pode resumir-se no conhecimento científico e na variada aplicação tecnológica dele derivada.

A verdadeira evolução humana fundamenta-se no conhecimento, sim, conjugado à s leis de amor, de justiça e de caridade, que resumem todas as leis morais.

A grande força do Espiritismo está na sua abrangência e na resposta que dá às interrogações do homem, em todos os tempos: de onde vem; para onde vai; o que significa a vida atual.

A certeza da vida futura é demonstrada experimentalmente.

A filosofia espírita é baseada em fatos. Ela demonstra e aceita verdades já conhecidas no passado, aclarando-as com os novos conhecimentos revelados. É o que ocorre com a doutrina da reencarnação, ou das vidas sucessivas, hoje percebida em sua lógica a serviço da justiça divina.

As interpretações literais de muitos escritos antigos e as idéias pessoais de fundadores de religiões tradicionais influenciaram poderosamente na concepção de doutrinas e informações inteiramente divorciadas da realidade.

É o caso das concepções de céu, de inferno, das penas eternas, do Deus trino da Santíssima Trindade e de tantos dogmas impróprios que fazem parte das religiões.

O Espiritismo, como o Consolador, procura repor a realidade, retificar os desvios, identificar a verdade, evitar as ilusões.

Por isso mesmo, sua aceitação e sua prática no mundo áspero e rebelde dos homens não será nem fácil, nem rápida. Pelo contrário, há necessidade de tempo, de paciência, de compreensão, de parte de sucessivas gerações, para que a idéia espírita seja implantada por toda parte, independentemente das barreiras religiosas, raciais, lingüísticas, institucionais.

O progresso, no sentido do bem e do aperfeiçoamento, aplica-se a todos os indivíduos, povos e civilizações. Não há dúvida de que o futuro reserva melhores condições de vida para todos os habitantes da Terra.

Mas, nas condições atuais do mundo em que vivemos, com a presença predominante de três fatores negativos

– ignorância das leis divinas, orgulho e egoísmo

– não têm os homens possibilidade de previsão de quando, em que tempo, ocorrerá a regeneração da Humanidade, já que o progresso coletivo tem como fundamento essencial a transformação individual, intelectual e moral.

Diante da civilização do terceiro milênio da Era Cristã já se notam sinais de melhoria nas relações entre os povos. Diminuem as barreiras que antes os separavam.

Acertaram-se tratados internacionais para a proscrição de várias determinantes de guerras, depois das duas hecatombes ocorridas na primeira metade do século XX.

Por outro lado, a Organização das Nações Unidas, organização que reflete o idealismo de boa parte da Humanidade, esforça-se contra toda espécie de conflitos, procura defender as condições ambientais em favor das futuras gerações, chama a atenção dos povos e nações para o problema da pobreza e da miséria, que podem ser desde já proscritas do mundo, e procura aproximar as religiões para a prática comum dos princípios que implicam compreensão, solidariedade, cooperação e não-violência, entre todos os homens, o que corresponde à prática do amor nas relações humanas.

Há, portanto, sinais positivos de um mundo melhor.

Mas, de outro lado, o atraso moral da maioria dos habitantes da Terra provoca conflitos armados de graves conseqüências, com o emprego da tecnologia para a destruição. O ódio entre grupos religiosos e raciais ainda subsiste neste mundo contraditório.

O progresso dos povos demonstra a justiça da lei divina da reencarnação.

Com a pluralidade das existências as vantagens do progresso geral aproveita a todos, podendo gozar das novas condições de vida os que não as conheceram em existências anteriores.

Diariamente morrem e renascem milhares de criaturas nas diversas regiões do mundo. Ao cabo de um milênio renovam-se costumes, hábitos e muitas concepções.

É evidente que o renascimento do Espírito em novas condições vai proporcionar-lhe o progresso que não lhe foi possível antes.

Assim, quando todos os povos estiverem em nível adiantado de sentimentos, os terrícolas terão substituído o egoísmo e orgulho, que ora os caracteriza, pela solidariedade, pela compreensão e pela simpatia.

Será o tempo da Terra regenerada, habitada por Espíritos fraternalmente unidos, onde os maus e egoístas, sentindo-se repelidos, procurarão mundos adequados às suas condições morais.

Sendo incontestável o progresso humano, bastando, para percebê-lo, a comparação de dois períodos distanciados no tempo, por exemplo, a época atual com os séculos passados, não há que duvidar que o futuro reserva a toda a Humanidade melhores dias.

Já que o progresso intelectual, pelos descobrimentos da ciência, é fato notório e incontestável, resta aos homens buscar a segurança e o equilíbrio em suas relações sociais, pelo avanço no campo moral.

A fase nova de um progresso moral mais acentuado para os habitantes deste Planeta já começou, neste largo período de transição em que tem havido melhor compreensão da vida por aqueles que já conseguem ver além de uma existência terrena.

São os idealistas espalhados pelos diversos grupamentos religiosos do Mundo que crêem firmemente na existência de uma Inteligência Suprema e Criadora de todas as coisas, que têm a certeza da imortalidade da Essência Espiritual e da sua evolução contínua no sentido do Bem.

A Espiritualidade Superior, sob a orientação do Governador deste orbe, através de um corpo de idéias claras e sintéticas, englobando conhecimentos antigos e atuais, intui, inspira, ensina e apóia o progresso moral da Humanidade.

É o Espiritismo a Doutrina Consoladora do Cristo de volta à Terra orientando os que estão à procura da Verdade e da própria felicidade.

A felicidade, individual e coletiva, nesta vida e na futura, é um dos segredos da força das idéias espíritas. Outra parcela dessa força é a fundamentação lógica e realista das informações e revelações que vieram com o Consolador, pondo à mostra as leis divinas, imutáveis e justas.

A certeza da responsabilidade individual, na prática do bem ou do mal, afasta inúmeras ilusões criadas por concepções humanas, como a salvação pelo “sangue do Cristo”, pela “doutrina da graça”, pela indulgência comprada e tantas outras de favorecimento ao erro, praticado conscientemente na vida terrestre.

A responsabilidade dos espíritas, nesta fase de transição em que vive a Humanidade, é enorme.

Em primeiro lugar porque, ao conhecer a Doutrina e verificar a realidade e as firmes bases em que se assenta, cumpre ao espírita não somente o conhecimento doutrinário, mas a prática, a vivência das normas e leis que se apóiam em revelações superiores e não em teorias e conceitos humanos.

Em segundo lugar, o conhecimento da Verdade impõe-lhe o dever de divulgar todo o conhecimento adquirido, para que outras criaturas que estejam em condições de beneficiarem-se não se privem dela.

A divulgação da Doutrina Espírita, entretanto, pela razão mesma de sua natureza, há que obedecer a critérios éticos e morais compatíveis com seus próprios princípios e postulados.

Nesse caso, a tecnologia moderna, a mídia, os múltiplos sistemas de comunicação oral e escrita podem e devem ser utilizados, evitando-se, entretanto, os excessos de marketing e os apelos ao proselitismo puro e simples.

Como conclama o luminoso Espírito Bezerra de Menezes, dirigindo-se especialmente aos espíritas:

“Nós, vossos amigos espirituais, aqui estamos de pé, em intercâmbio convosco, para apressarmos o grande momento da fraternidade universal, para construirmos a civilização justa, onde os fatores de perturbações sociais, econômicas, desapareçam diante da grandeza moral dos postulados avançados. Ide, servidores da Boa Nova! Cantai a música da Nova Era.”

Juvanir Borges de Souza

• Fonte: Palavras de Bezerra de Menezes no encerramento do 1o Congresso Espírita Mundial – Médium Divaldo P. Franco.
Reformador de dezembro, 1995, p. 357.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Segunda-feira, 7 de Junho de 2010

A FORÇA DO EXEMPLO

Manhã luminosa. Sol esplendente, fazendo jorrar seus raios multicores sobre a minha face. Inicio a minha trajetória em mais um dia abençoado por Deus.

Alhures, diviso um casal de rolinhas, arrulhando e se acariciando – exemplo de amor!

Subindo a ladeira, caminhando com passos incertos, olhos perdidos no tempo, surge uma criatura esquálida e maltrapilha – exemplo de abandono! Alguém se desvia dela, como se de um malfeitor. Lembro-me de uma frase que aprendi:

“Por que fugirmos dos andrajos humanos se em nossos corações repousam ulcerações lamentáveis?”

Mais adiante, uma velhinha de pequena estatura tem dificuldades em alcançar a campainha de sua residência. Alguém presto resolve o seu problema – exemplo de solidariedade!

A caminhada prossegue. Vejo uma igreja. Pela porta semi-aberta, diviso criaturas orando – exemplo de fé! Vem-me à mente outro ensinamento: “O templo que o homem ergue seja, antes de tudo, o teto de agasalho onde o cansado repouse, o aflito dormite e o infeliz encontre a paz. Seja simples e modesto, para que sua ostentação não fira a humildade de quantos o busquem.”

Sentados num banco junto à pracinha, três amigos recordam animados os “bons tempos” e sorriem felizes: exemplo de amizade! Ouço um deles dizendo:

“Na amizade e no amor se repartem os bens imortais da alma.”

Respiro a longos haustos. Observo um lindo prédio e penso como seria bom construir um edifício da paz com os tijolos da cooperação e a argamassa da caridade.

Não longe, forte rapaz puxa uma carroça abarrotada de mercadorias – exemplo de trabalho!

O tempo transcorre. Continuo com minhas observações.

Um lindo jardim surge à minha frente. Paro extasiado e meus olhos brilham de encantamento – exemplo de beleza! Um pensamento, outrora anotado, surge de repente: “A beleza não está somente nas flores do jardim, mas, antes de tudo, nos olhos de quem as admira.”

Ao lado, recostado em frondosa árvore, um casal dá vazão ao seu sentimento, entre beijos, abraços e juras de amor – exemplo de afeto! Um poeta disse: “O amor é a doce presença da alegria, que envolve as criaturas em harmonias luarizantes e duradouras.”

Caminhando cambaleante, segue um infeliz dominado pela bebida – exemplo do vício. Pitágoras exarou um dia: “Não é livre aquele que não obteve domínio sobre si próprio.”

Um senhor de aproximadamente 60 anos faz seu cooper, disposto e consciente da preservação física. Cumprimenta-me com um sorriso e prossegue feliz – exemplo de vitalidade!

Ali perto, uma livraria. Dirijo-me até lá. Um vendedor solícito atende-me com carinho e atenção – exemplo de gentileza! Na vitrina deparo com um extraordinário pensamento do Pe. Antonio Vieira: “O livro é um mundo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive.”

Retiro-me feliz. Uma senhora conversa com um maltrapilho e lhe oferece, além do caldo reconfortante, alguns minutos de conversação fraterna – exemplo de caridade! Emmanuel, escritor espiritual, baila em meu campo mental, relembrando-me um ensinamento: “Sublime é a caridade que se transforma em reconforto. Divina é a caridade que se converte em amor irradiante.”

Uma estátua na praça. Uma menina loura a observá-la. Na ampulheta do tempo, revejo-me lendo uma historieta: “O fato ocorreu na Itália. Havia uma estátua que representava uma menina grega, escrava. Era formosa, limpa e bem vestida. Uma menina maltrapilha, desasseada, despenteada, deteve-se a contemplar a estátua, enamorando-se dela. Ficou admirada, encantada. Chegou a casa, lavou-se e penteou-se. Pôs em ordem seus vestidos e passou a cuidar-se melhor. A força do exemplo, mesmo um exemplo mudo, estereotipado no mármore.”

Num parque, sento-me e respiro profundamente. Volvo o olhar para o Alto e agradeço as dádivas Divinas. Um toque suave de mão em meus ombros. A entrega de um folheto, enquanto a criatura abençoada se vai. Os pássaros gorjeiam.

Os ventos convidam-me à reflexão. Tudo é festa! Curioso, abro o folheto e leio magistrais elucidações para meu espírito, ávido de aprendizado:

“É longa a estrada dos preceitos: a dos exemplos é breve e mais segura.” – Sêneca.

“Em todas as idades, o exemplo pode muitíssimo convosco; na infância, então, é onipotente.” – Fénelon.

“As palavras comovem, os exemplos arrastam.” – Provérbio árabe.

“Não há modo de mandar ou ensinar mais forte e suave do que o exemplo; persuade sem retórica, seduz sem porfiar, convence sem debate, todas as dúvidas desata, e corta caladamente todas as desculpas.” – Pe. Manuel Bernardes.

“(...) vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais também vós.” – Jesus.

Retorno ao lar, meditando numa bela frase da autora espiritual Joanna de Ângelis:

“Vive de tal forma, que deixes pegadas luminosas no caminho percorrido, como estrelas apontando o rumo da felicidade.”

DALTRO RIGUEIRA VIANNA
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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A MAGNITUDE DA FÉ EM NOSSAS VIDAS.

Quando Ele veio ao encontro do povo, um homem se lhe aproximou e, lançando-se de joelhos aos seus pés, disse:

 

Senhor tem piedade de meu filho, que é lunático e sofre muito; pois cai muitas vezes no fogo e, muitas vezes, na água. Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar.

 

Jesus respondeu, dizendo: Ó raça incrédula e depravada, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui este menino.

 

E, tendo Jesus ameaçado o demônio, este saiu do menino, que no mesmo instante ficou são.

 

Os discípulos, então, vieram ter com Jesus em particular e lhe perguntaram: Por que não pudemos nós outros expulsar esse demônio?

 

Respondeu-lhes Jesus: Por causa da vossa incredulidade. Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: transporta-te daí para ali e ela se transportaria e nada vos seria impossível. (Mateus,17:14-20.)

 

Muito significativa essa passagem de Jesus.

A parábola da figueira que secou é outra demonstração deixada por Jesus para refletirmos seriamente sobre a fé, encontrada em Lucas (13:6-9). Nela, passamos a ver o homem na figueira que foi plantada, mas que não frutificou. Assim é o religioso que se diz cristão, mas em verdade, não mostra seus “frutos”.

 

Todos os homens, deliberadamente inúteis por não terem posto em ação os recursos que traziam consigo, serão tratados como a figueira que secou.

 

Pedro, ao não conseguir andar sobre as águas, mereceu de Jesus uma advertência quanto à sua falta de fé, em Lucas (8:25). Quantos de nós não nos amedrontaríamos como o fez Pedro, e também afundaríamos!?

 

Tomé, em João (20:24), não acreditou no reaparecimento de Jesus após a sua crucificação. Tornou-se, por isso mesmo, até hoje, um símbolo da falta de fé. Essa passagem é sempre lembrada por todos quantos desejam enfatizar a ausência da fé na criatura.

 

Jesus, em várias de suas lições, querendo destacar a significativa importância da fé, mostrou, com sua exemplificação, que será necessário ao homem acreditar nas próprias forças, o que o tornará capaz de executar certos feitos materiais. Quem duvida é um pessimista e se vê impossibilitado de crescimento moral. Se não acreditarmos que somos capazes de amar até os inimigos, de que adianta afirmar que acreditamos em Jesus? Estabeleceria, por acaso, Jesus um objetivo educativo para nós impossível de ser alcançado?

 

Como ficaria sua condição de Mestre dos mestres?

Tiago, em sua Carta (2:14), foi extraordinário quando se referiu à associação que deve existir entre a fé e as ações da criatura, ao afirmar que “[...] nenhum proveito existe, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras. Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?”.

 

Uma realidade fica patente: da fé vacilante resulta a incerteza, a dúvida; já a fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos que fazem se vençam os obstáculos, nas grandes como nas pequenas tarefas.

 

Quem acredita no tratamento a que está submetido – dizem os entendidos – está com meio caminho andado para curar-se. Todavia, quem não acredita...

 

Inquestionavelmente, são a fé e o amor os dois fundamentais instrumentos de trabalho do espírita.

“A fé é a garantia do que se espera a prova das realidades invisíveis”, testificou Paulo, em Carta aos Hebreus (11:1). E ele sabia, perfeitamente, do que falava, pois sem essa virtude, teria fracassado em sua missão de ser o maior divulgador do Cristianismo nascente.

 

A força e o poder da fé se transmitem à prece, enunciada com emoção e sinceridade. A prece é a manifestação mais pura do diálogo entre o homem e Deus.

 

A fé sincera e verdadeira é sempre calma, facultando a paciência que sabe esperar.

 

A confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais, que não consegue fazer quem duvida de si.

 

Aqui, porém, unicamente no sentido moral se devem entender tais palavras. As montanhas que a fé, exaltada por Jesus, desloca, são as dificuldades, as resistências, a má vontade; em suma, tudo com que se depara da parte dos homens, ainda quando se trate das melhores coisas.

Como se adquire a fé inabalável?

Através do conhecimento que se obtém com o estudo dos postulados da Doutrina Espírita, que não arregimenta, em suas fileiras, crentes devotos, mas homens de fé raciocinada.

 

Seja, portanto, inabalável a nossa fé, alicerçada nos postulados fundamentais do Espiritismo:

 

Deus, Espírito, imortalidade da alma, reencarnação, mediunidade, pluralidade dos mundos habitados, lei de ação e reação, lei da evolução, prática da caridade, vivência do Evangelho de Jesus, e outros.

 

A “preceterapia” é hoje testada por estudiosos do assunto, renomados homens de ciência. Servindo-se de um número de pacientes portadores da mesma enfermidade, chegaram à conclusão de que em dois grupos, um com 192 enfermos e outro com 214, o número maior dos que apresentaram resultados positivos, após tratamento, foram justamente os que nele acreditavam, e, consequentemente na cura. O mais importante de tudo: igual tratamento foi dispensado a todos.

 

Relevante é “[...] não confundir a prece com a presunção. A verdadeira fé se conjuga à humildade [...].” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX – que serviu de base para este artigo –, item 4.) Aquele que a tem deposita mais confiança em Deus do que em si mesmo, porque sabe que nada lhe é possível sem a ação de Deus.

 

Com a fé pulsante em seu interior, o homem movimenta seu magnetismo atuando sobre o fluido, o agente universal, modificando-lhe as qualidades e lhe dando uma impulsão irresistível. É sempre a fé dirigida para o bem que podem operar os chamados, equivocadamente, “milagres”.

 

A fé pode ser raciocinada ou cega. A espírita é raciocinada. A fé cega, levada ao excesso, conduz ao fanatismo, ao “homem-bomba”.

 

A fé cega imposta é sinal de confissão de impotência para demonstrar que se está de posse da verdade. A fé não se prescreve nem se impõe.

 

A fé não procura ninguém, é ao homem que compete buscá-la, encontrá-la. Quem a procurar sinceramente não deixará de encontrá-la. Ensina Allan Kardec:

A resistência do incrédulo, devemos convir, muitas vezes provém menos dele do que da maneira por que lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender.

 

A fé cega já não é deste século [...]. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 7.) A criatura deve crer, porque tem certeza, apoiando-se nos fatos e na lógica. Somente tem certeza porque compreendeu.

 

“Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade”, é o que encontramos no livro acima citado.

 

Sob o título “A fé: mãe da esperança e da caridade”, o Espírito protetor José afirma:

 

Para ser proveitosa, a fé tem de ser ativa; não deve entorpecer-se. Mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus cumpre-lhe velar atentamente pelo desenvolvimento dos filhos que gerou.

 

A fé sincera é empolgante e contagiosa; comunica-se aos que não na tinham, ou, mesmo, não desejariam tê-la. Encontra palavras persuasivas que vão à alma [...]. (Op. cit., item 11).

 

Preguemos pelo exemplo de nossa fé.

 

Não admitamos a fé sem comprovação: fé cega é filha da cegueira.

 

Amemos a Deus, mas sabendo por que o amamos; acreditemos em suas promessas, mas sabendo por que acreditamos; sigamos os seus conselhos, mas compenetrados do fim que nos é apontado e dos meios que nos são trazidos para atingi-lo.

 

Precisamos colocar a vontade a serviço dessa força que todos trazemos – a fé, que é ainda tão pouco utilizada.

 

A fé é humana e divina.

 

Se todos nos achássemos persuadidos da força que em nós trazemos, e se quiséssemos pôr a vontade a serviço dessa força, seríamos capazes de realizar o que hoje é considerado prodígios mas que, no entanto, não passa de um natural desenvolvimento das faculdades humanas.

A certeza na obtenção de algo é resultado da vontade de querer e a certeza de que esta vontade pode obter satisfação.

 

É a fé que conduz a Deus. Deve ser, portanto, ativa para ser proveitosa.

 

Cada religião pretende ter a posse exclusiva da verdade. Assim, preconizar a fé cega sobre um ponto de crença é confessar-se impotente para demonstrar que está com a razão.

 

Pondera o Codificador:

[...] A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário, denota fraqueza e dúvida de si mesmo. (Op. cit., cap. XIX, item 3.)

 

A fé, saibamos em definitivo, não se impõe nem se prescreve.

 

Ela é adquirida e ninguém há que esteja impedido de possuí-la, mesmo entre os mais refratários.

 

Hoje ou amanhã, nesta ou noutra encarnação, todos a possuirão.

 

Reformador Fev.08

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Domingo, 6 de Junho de 2010

CONVÍVIO NACIONAL DA CRIANÇA ESPÍRITA - PORTUGAL

 

A Associação Cultural e Beneficente Mudança Interior promoverá no dia 6 de junho, em Vale de Cambra, mais um encontro espírita voltado ao público infantil.

Chamado de Convívio Nacional da Criança Espírita (Concesp), o evento chega à sua 14ª edição tendo o tema “A família” como foco central de seus estudos. O Concesp ocorrerá no Pavilhão Ilídio Pedro, em Lordelo, com participação aberta a todos os inscritos nas Casas Espíritas daquela região e de outras partes do país.

Outros detalhes, pelo telefone 256 403 021, ou pelos correios eletrônicos:

 concesp 2010@gmail.com  

geral@acbmi.org.

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 06:33

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