Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

REFLEXÕES SOBRE A MORTE


Cidadão da eternidade, o homem convive, simultaneamente, com o mundo físico e o espiritual. Durante o sono, verifica-se a separação provisória entre a alma e o corpo. Enquanto este dorme, o Espírito semiliberto, envolto em seu corpo fluídico, ou períspirito, pode adentrar o mundo invisível, em excursão de aprendizagem ou em tarefa de ajuda aos mais necessitados nos dois planos da vida.
Na morte, porém, a libertação é definitiva: a vida, no corpo espiritual, desabrocha intensa e livre, pois “semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual” (Paulo, I Cor. 15:44). Por outro lado, o nascimento na Terra é como uma morte para o Espírito: este é encerrado em um “túmulo de carne”, no dizer de Léon Denis. O mesmo se infere do conselho de Jesus ao homem que queria segui-Lo: “A outro disse: - Segue-me”. “Mas ele disse: - Senhor, permite-me que eu vá primeiro sepultar meu pai”- “Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; quanto a ti, vai anunciar o reino de Deus” (Lucas, 11:59-60).
É evidente que Jesus não censurava a preocupação piedosa do filho: providenciar o sepultamento de seu pai. A lição que se infere dessa passagem evangélica é que a vida real, intensa e bela, é a vida espiritual, natural ao ser; havia, pois, urgência em proclamá-la.
Toda morte é um renascimento: o despertar da vida em sua plenitude.
Assim como morre a feia lagarta para surgir a borboleta multicolor, assim também desagrega-se o invólucro material para libertar o Espírito que, em sua roupagem diáfana, flutua rumo ao verdadeiro lar, em busca de novos compromissos.
No dia de Finados, uma multidão de pessoas comparece aos cemitérios, cumprindo a tradição do culto aos mortos. As necrópoles ficam em festa, numa profusão de flores e velas, com direito à cobertura da mídia. Respeitamos aqueles que assim o fazem; no entanto, somos levados a refletir sobre o fato à luz dos ensinamentos da Doutrina Espírita.
Não é no silêncio frio das sepulturas que vamos encontrar os nossos entes queridos que partiram. Dos tristes despojos muitas vezes, resta apenas pó. Não raro, os amores por que choramos e vamos procurar no cemitério estão ao nosso lado, velando por nós. Às vezes sofrem e perturbam-se, angustiados com o nosso sofrimento.
Em “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec pergunta: (323) – “ A visita de uma pessoa a um túmulo causa maior contentamento ao Espírito, cujos despojos corporais aí se encontrem, do que a prece que por ele faça essa pessoa em sua casa?”
“Aquele que visita um túmulo apenas manifesta, por essa forma, que pensa no Espírito ausente. A visita é a representação exterior de um fato íntimo.
Já dissemos que a prece é que santifica o ato da rememoração. Nada importa o lugar, desde que é feita com o coração.”
Convocados pelo pensamento, os finados comparecem ao triste local, em atenção aos seus familiares e amigos que lá se encontram. Tal, porém, poderia ser feito no recesso do lar, quando, em demonstração de saudade e carinho, fosse-lhes oferecida cariciosa vibração de uma prece. .

Reformador Nov. 1999
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 17:42

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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

PARA QUE EDUCAR?


A educação constitui a base senão todo o fundamento do progresso e desenvolvimento moral de um povo ou nação. Infelizmente, as sociedades humanas não têm sabido valorizar o papel da educação. Na maioria das nações, a educação é limitada à escola instrucional, cingindo-se a um papel mais informativo. Apenas a História, aqui ou ali, oferece-nos um testemunho inequívoco de povos que souberam valorizar o processo educacional e conseguiram colher dele indeléveis resultados. Como exemplo, não devemos deixar de mencionar o chamado século de Péricles, na Grécia ateniense, e o século de Augusto, em Roma, ou a velha China de tão sadio e puro misticismo na alma de Lao-Tseu, Confúcio, Mêncio e tantos outros.
Claro que não estamos ignorando outras grandes civilizações do passado, é que o nosso propósito, o móvel do presente trabalho é a educação como fator de desenvolvimento e de espiritualização, ainda que, na maioria dos casos, não tenha ti­do sustentação por mais de um século, mas que é o bastante para garantir a veracidade de nossa tese. Sabemos o que era Roma quando Caio Júlio César assumiu o poder e o que este imperador teve de enfrentar e sofrer para manter a sua dignidade. Mas deixou a sua marca para todo o sempre. Já a Grécia foi mais feliz. Não houve apenas Péricles. A própria índole do povo heleno favorecia a presença de homens extraordinários que sabiam respeitar o princípio da aretê, não obstante tratar-se de povo adorador de deuses dos pés de barro, como mais tarde acentuaria Sócrates.
Nosso propósito, já o disse­mos, é salientar o papel da educação que, conforme consta do dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, é “processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social”. E quando acrescentamos à ação de educar o atributo espiritual, tal conceituação assume, de imediato, uma profundidade bem maior, porque fica acrescida, também, do desenvolvi­mento da capacidade espiritual do ser.
O próprio conceito — não dizemos definição — assegura-nos que educação demanda um longo processo de realização. Por conseguinte, ela não se adquire de um salto, não se aprende numa aula, não se desenvolve durante uma palestra nem sequer incute-se num ser­mão, conforme tantas vezes se esforçou por demonstrar o velho Vieira. Educação é também um processo que se estabelece através de múltiplos passos, técnicas, princípios e muita dedicação, onde entram, como condições principais, a motivação e a vontade. A motivação pode ser função do educador. Mas a vontade, que pode ser salientada ou incentivada pela motivação, esta precisa ser cultivada na alma do educando. Se ele não estiver convencido do valor e da importância da educação, nada fará por desenvolvê-la em si mesmo.
A conceituação fala ainda em desenvolvimento da capacidade, o que compreende exercitação. Qualquer capacidade só se desenvolve, no indivíduo, através do exercício, que constitui o fundamento ou alicerce do hábito, que para muitos é uma nova natureza no indivíduo. Convém, por isso mesmo, não alimentar ilusões a respeito dos hábitos antes de conhecer bem a sua força e poder, bem como saber distinguir entre um hábito positivo e um hábito negativo. No processo educacional, quando o educando atinge o nível da auto percepção, ele passa a se firmar e robustecer-se na distinção dos hábitos, reforçando aqueles que são bons e procurando esquecer aqueles que a cons­ciência desaprova. E a partir daí que o educando se inicia num patamar mais adiantado do processo: o conhecimento de si mesmo. Paulo, o Apóstolo dos gentios, conheceu a importância desse estágio quando afirmou: “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém” (1 Cor., 6:12).
Diz ainda a conceituação de educação que sua meta é a melhor integração individual e social do educando. Isto significa bem-estar, felicidade, alegria e condiz com o pensamento do Prof. Huberto Rohden em seu “Educação do Homem Integral”:
“A felicidade não consiste em que o homem goze aqui todos os prazeres — a felicidade consiste em que o homem viva em perfeita harmonia com as leis cósmicas, que regem o Uni­verso inteiro e também a vida do homem.”
Realmente, o homem de nos­sos dias não é feliz, seu bem­ estar não é eficaz e sua alegria é um simulacro porque ele não se educou para a vida em sociedade, que requer abnegação e altruísmo. Preparou-se para competir e a base da com­petição é a escassez, cujas conseqüências são frustrações em cadeia.
Em verdade, nós completamos o conceito de educação encontrado no dicionário do Prof. Aurélio Buarque ao acrescentar o atributo espiritual, isto é, “visando à sua melhor integração individual, social e espiritual”. Realmente, nenhum homem deve desvincular-se de sua condição espiritual. Enquanto se mantiver subordinado à crença de que após a morte física nada mais lhe restará, o homem continuará egoísta e infeliz, portanto em oposição a si mesmo. E, conseqüentemente, um desajustado.
Para que educar? Ou para que educarmo-nos? E possível que alguém faça a si mesmo uma ou outra indagação. E quando esse alguém é espiritista, isto é, estuda e vive o Espiritismo, ele tem resposta para as duas indagações por­quanto educa e educa-se. Se é pai, nunca se descura da educação dos filhos que o Pai verdadeiro colocou sob a sua tutela, nem se olvida quanto à necessidade da própria educação. E nesse sentido que Jesus assim se expressou, no Monte: “Sede vós pois perfeitos como é per­feito o vosso Pai que está nos Céus”, consoante as anotações cuidadosas de Mateus, no fecho do Capítulo Quinto. Não consta que o Mestre Jesus era algum momento de seu apostolado haja empregado o termo educação, todavia é expressiva a maneira como encerra o Segundo Capítulo do Sermão da Montanha: “Sede vós pois per­feitos...” Ora, ninguém será capaz de atingir a perfeição sem muito esforço desenvolvi­do, sem dedicação ao Bem, sem muita abnegação, sem muita violência sobre si mesmo e com absoluta perseverança. A perseverança é aquele estado interior de quem decidiu escalar o infinito e não permite que nada modifique a sua disposição. Dentre muitos exemplos notáveis na história do Evangelho, pelo menos dois possuem características intraduzíveis: a conversão de Saulo e a reforma íntima de Maria Madalena. Saulo rompe de vez com todo o manancial de suas velhas crenças. Não discute com Jesus nem lhe pede explicação. Sua postura foi a de quem entendeu tudo, e deixa escapar da mente através dos lábios uma autêntica indagação de humildade: “Senhor, que queres que eu faça?” (Atos, 9:6). Quanto a Maria Madalena, uma mulher do mundo, uma filha do chamado pecado, não sabia quem era Jesus, mas recebera o desafio de tentá-lo, de seduzi-lo como a tantos outros fizera. Mas não lhe suporta o olhar pleno de ternura, como nunca conhecera em nenhum outro momento de sua tumultuada existência. E Maria capitula, e muda, e se transforma, e despe-se para sempre de tudo, do apogeu de luxos e de vícios, de luxúria e de paixões.
Ao acrescentarmos ao conceito de educação o atributo espiritual, ou melhor, o desenvolvimento da capacidade espiritual, estamos colocando a educação no âmbito do quase inimaginável. Isto significa que ao desenvolver a capacidade espiritual, estará atingindo o educando níveis extraordinários de sua evolução, começando, em primeiro lugar, pelo desenvolvimento da capa­cidade volitiva, conquistando poder decisório e perseverança: em segundo lugar, desenvolve o domínio do próprio organismo e o comando da saúde; vem a seguir o domínio do Bem sobre o mal, e a partir daí nada mais realizará sem o exa­me antecipado da conseqüência de seus atos; segue-se a conquista do controle da mente e do pensamento, já passando a desenvolver uma certa autoridade sobre os Espíritos pequeninos ou atrasados.
É indispensável não esquecer a importância do desenvolvimento da humildade, vacina especial contra os germens da vaidade e do personalismo.
Não é por acaso que o Espiritismo está no Mundo. Ele atende ao cumprimento de uma promessa. O momento é propício. E não podemos perder tempo uma vez que o tempo urge. Eduquemo- nos, pois, porquanto educar, à luz do Espiritismo, é agilizar o processo de nossa reforma interior com vistas à perfeição e conquista dos valores essenciais do Espírito que se liberta das cadeias de si mesmo para atender àquele mandamento contido no Versículo 12 do Capítulo 15 de João:
“O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como vos amei.”

Fonte: Reformador – agosto, 1989


PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 18:23

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Sábado, 8 de Outubro de 2011

OBSESSÃO - O Livro dos Médiuns


Dá-se o nome de obsessão ao “domínio que alguns Espíritos exercem sobre certas pessoas”.1 Com estas palavras Allan Kardec inicia o capítulo XXIII, segunda parte, de O Livro dos Médiuns, antecedidas pelo esclarecimento de que a obsessão encontra-se na primeira linha das dificuldades da prática espírita.1
 Mais comum do que imaginamos, a obsessão não se manifesta somente entre desencarnados e encarnados, enfoque dado na referida obra, mas em ambos os planos da vida, o físico e o espiritual, em razão de um fator primordial: a imposição da vontade. Esta é a forma de agir do obsessor, que gosta de dar ordens e de ser obedecido.
 [...] É praticada unicamente pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar, pois os Espíritos bons não impõem nenhum constrangimento. Aconselham, combatem a influência dos maus e, se não são ouvidos, retiram-se. Os maus, ao contrário, agarram-se àqueles a quem podem aprisionar. Se chegam a dominar alguém, identificam-se com o Espírito deste e o conduzem como se fora verdadeira criança.1
O domínio obsessivo pode estar associado a muitos fatores: mágoa, revolta, ciúme, inveja, orgulho, fraqueza de caráter etc., sobretudo, à incapacidade de perdoar ou relevar ofensas. Daí a obsessão apresentar diferentes características: desde uma simples influência sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais, “que é preciso distinguir e que resultam do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos que produz”.1
Dessa forma, “a palavra obsessão é, de certo modo, um termo genérico, pelo qual se designa esta espécie de fenômeno, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação”.1 As causas da obsessão, portanto,
[...] variam de acordo com o caráter do Espírito. Às vezes é uma vingança que ele exerce sobre a pessoa que o magoou nesta vida ou em existências anteriores. Muitas vezes, é o simples desejo de fazer o mal; como o Espírito sofre, quer fazer que os outros também sofram; encontra uma espécie de prazer em atormentá-los, em humilhá-los, e a impaciência que a vítima demonstra o exacerba mais ainda, porque é esse o objetivo que o obsessor tem  em vista, enquanto a paciência acaba por cansá-lo. Ao irritar-se e mostrar-se despeitado, o perseguido faz exatamente o que o perseguidor deseja. Esses Espíritos agem, não raras vezes, por ódio e por inveja do bem, o que os leva a lançarem suas vistas malfazejas sobre as pessoas mais honestas. [...]2
Na Obsessão simples, também conhecida como influência espiritual, a ação da entidade desencarnada se manifesta de forma episódica, inoportuna e desagradável, produzindo mal-estar generalizado e inquietações ao obsidiado. Na prática mediúnica, a obsessão simples ocorre “quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, intromete-se contra a sua vontade nas comunicações que ele recebe, impede-o de se comunicar com outros Espíritos”.3 Esta situação pode ser percebida pelo teor das comunicações que, usualmente, apresenta um mesmo tipo de ideias, variáveis apenas quanto à forma, mas não quanto ao conteúdo. O Espírito comunicante apresenta interpretações próprias a respeito de diferentes assuntos, nem sempre condizentes com a orientação espírita. Kardec, contudo, pondera:
Ninguém está obsidiado pelo simples fato de ser enganado por um Espírito mentiroso. O melhor médium se acha exposto a isso, principalmente no começo, quando ainda lhe falta a experiência necessária, do mesmo modo que entre nós as pessoas mais honestas podem ser enganadas por espertalhões. Pode-se, pois, ser enganado, sem estar obsidiado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito, do qual a pessoa sobre quem ele atua não consegue desembaraçar-se.3
O Codificador considera também que na obsessão simples, o médium sabe muito bem que está lidando com um Espírito mentiroso e este não se disfarça, nem dissimula de forma alguma suas más intenções e seu propósito de contrariar. O médium reconhece a fraude sem dificuldade e, como se mantém vigilante, raramente é enganado. [...]3
A Fascinação é bem mais grave que a obsessão simples, caracterizando-se por “uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que de certa forma paralisa a sua capacidade de julgar as comunicações”.4 O obsessor age sobre a mente do obsidiado projetando imagens e pensamentos hipnotizantes, alimentadores de ideias fixas: o indivíduo fascinado “não acredita que esteja sendo enganado; o Espírito tem a arte de lhe inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o absurdo do que escreve [ou do que faz], ainda quando esse absurdo salte aos olhos de todo mundo”.4
Não é fácil lidar com a fascinação. “[...] Para chegar a tais fins, é preciso que o Espírito seja muito esperto, astucioso e profundamente hipócrita, porque só pode enganar e se impor à vítima por meio da máscara que toma e de uma falsa aparência de virtude.”4
Já dissemos que as consequências da fascinação são muito mais graves. Com efeito, graças à ilusão que dela resulta, o Espírito dirige a pessoa que ele conseguiu dominar, como faria com um cego, podendo levá-la a aceitar as doutrinas mais estranhas, as teorias mais falsas, como se fossem a única expressão da verdade. Mais ainda: pode arrastá-la a situações ridículas, comprometedoras e até perigosas.4
Para auxiliar a pessoa que se encontra sob fascinação espiritual é preciso tato, paciência e compaixão, pois “o que o fascinador mais teme são as pessoas que veem as coisas com clareza, de modo que a tática deles, quase sempre, consiste em inspirar ao seu intérprete [obsidiado] o afastamento de quem quer que lhe possa abrir os olhos”.4
A Subjugação é grau mais aprofundado da obsessão, manifestada como constrição ou opressão, moral ou corpórea, “que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir contra a sua vontade. Numa palavra, o paciente fica sob um verdadeiro jugo”.5 Nestas condições, a assistência médica especializada é requisitada, e deve ser associada ao apoio espiritual, uma vez que a pessoa já não tem domínio sobre si mesma. Na subjugação moral, “o subjugado é constrangido a tomar decisões muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, ele julga sensatas”.5 Na subjugação corpórea, “o Espírito atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários. [...]
Algumas vezes, a subjugação corpórea vai mais longe, podendo levar a vítima aos atos mais ridículos”.5
O médium obsidiado não deve participar das reuniões mediúnicas enquanto durar o processo obsessivo porque “toda comunicação dada por um médium obsidiado é de origem suspeita e não merece nenhuma confiança”.6 Entretanto, não lhe deve faltar o amparo do passe, da prece, da conversa fraterna, do Evangelho no lar, da água magnetizada, do estudo, do trabalho no bem.
“Os meios de se combater a obsessão variam de acordo com o caráter que ela reveste”7 e a capacidade do obsidiado em se libertar do jugo, o que não é fácil, porque “as imperfeições morais do obsidiado constituem, quase sempre, um obstáculo à sua libertação”.8
Na obsessão simples depende do esforço do obsidiado, que deve “provar ao Espírito que não está iludido por ele e que não lhe será possível enganar; depois, cansar a sua paciência, mostrando-se mais paciente que ele”.7
Na fascinação, “a única coisa a fazer-se com a vítima é convencê-la de que está sendo ludibriada e reverter a sua obsessão ao nível de obsessão simples. Isto, porém, nem sempre é fácil, para não dizer impossível, algumas vezes”.9
Na subjugação, “se torna necessária a intervenção de outra pessoa, que atue pelo magnetismo ou pela força da sua própria vontade. Em falta do concurso do obsidiado, essa pessoa deve ter predomínio sobre o Espírito; porém [...] só poderá ser exercido por um ser moralmente superior ao Espírito [...]. É por isso que Jesus tinha grande poder para expulsar os que, naquela época, se chamavam demônios, isto é, os Espíritos maus obsessores”.10

Reformador Nov.2011

Referências:
1KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 23, it. 237.
2______. ______. It. 245.
3______. ______. It. 238.
4______. ______. It. 239.
5______. ______. It. 240.
6______. ______. It. 242.
7______. ______. It. 249.
8______. ______. It. 252.
9______. ______. It. 250.
10______. ______. It. 251.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 14:55

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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011

HIPPOLYTE LÉON-DENIZARD RIVAIL - ALLAN KARDEC


 Allan Kardec nasceu Hippolyte Léon-Denizard Rivail, em 03 de Outubro de 1804 em Lyon, França, no seio de uma antiga família de magistrados e advogados. Educado na Escola de Pestalozzi, em Yverdum, Suíça, tornou-se um de seus discípulos mais eminentes.
Foi membro de várias sociedades sábias, entre as quais a Academie Royale d'Arras. De 1835 à 1840, fundou em seu domicílio cursos gratuitos, onde ensinava química, física, anatomia comparada, astronomia, etc.
Dentre suas inúmeras obras de educação, podemos citar: "Plano proposto para a melhoria da instrução pública" (1828); "Curso prático e teórico de aritmética (Segundo o método de Pestalozzi)", para uso dos professores primários e mães de família (1829); "Gramática Francesa Clássica" (1831); "Programa de cursos usuais de química, física, astronomia, fisiologia"(LYCÉE POLYMATIQUE); "Ditado normal dos exames da Prefeitura e da Sorbonne", acompanhado de "Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas (1849).
Por volta de 1855, desde que duvidou das manifestações dos Espíritos, Allan Kardec entregou-se a observações perseverantes sobre esse fenômeno, e, se empenhou principalmente em deduzir-lhe as conseqüências filosóficas.
Nele entreviu, desde o início, o princípio de novas leis naturais; as que regem as relações do mundo visível e do mundo invisível; reconheceu na ação deste último uma das forças da Natureza, cujo conhecimento deveria lançar luz sobre uma multidão de problemas reputados insolúveis, e compreendeu-lhe a importância do ponto de vista religioso.
As suas principais obras espíritas são:
- O Livro dos Espíritos, para a parte filosófica, e cuja primeira edição surgiu em 18 de Abril de 1857;
- O Livro dos Médiuns, para a parte experimental e científica (Janeiro de 1861);
- O Evangelho Segundo o Espiritismo, para a parte moral (Abril de 1864);
- O Céu e o Inferno, ou "A Justiça de Deus segundo o Espiritismo" (Agosto de 1865);
- A Gênese, os Milagres e as Predições (Janeiro de 1868);
- A Revista Espírita, jornal de estudos psicológicos.
Allan Kardec fundou em Paris, a 1º de Abril de 1858, a primeira Sociedade Espírita regularmente constituída, sob o nome de "Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas".
Casado com Amélie Gabrielle Boudet, não teve filhos.
Trabalhador infatigável desencarnou no dia 31 de março de 1869, em Paris, da maneira como sempre viveu: trabalhando.
("Obras Póstumas", Biografia de Allan Kardec, edição IDE)
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Sábado, 1 de Outubro de 2011

A ISSO FOMOS CHAMADOS


 Amanhece... O céu ainda coberto por tênue nevoeiro deixa transparecer tons de azul esvanecidos pela sombra da noite, que aos poucos desaparece dispersada pelo nascimento do Sol que desponta no horizonte... A lua minguante, recurvada como um barquinho de brinquedo,  segue seu rumo calmo, com seu brilho menos intenso, a nos indicar que com serenidade poderemos vislumbrar a vida que acorda neste novo dia cheio de promessas e expectativas... Há dentro de mim um turbilhão de idéias, de planos para este alvorecer, todavia procuro me acalmar meditando e orando a Jesus para que eu não me perca na pressa nem me acomode na indiferença ao iniciar mais um dia.

Quando somos alvo de problemas que causam desencanto e perplexidade, devemos procurar entender a causa de tudo e acalmar nosso mundo íntimo; buscar nas mensagens do Evangelho de Jesus as lições e diretrizes para desanuviar nossa mente diante dos testemunhos que, certamente, devem auferir se melhoramos nossas atitudes ou se ainda deixamos o orgulho obscurecer nossos melhores sentimentos.

Pois para isto é que fostes chamados, porque também o Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo para que lhe sigais as pegadas (I Pedro, 2:21).

Passamos a refletir em torno dos problemas que vivenciamos. Sabemos que irão passar e que soluções chegarão para superá-los. Não estamos na Terra para viver somente de prazeres e ilusões, mas sim para os testemunhos diante das aflições que nos procuram em diferentes formas e nos levam a sofrer, muitas vezes, injustamente, se analisarmos apenas nossos atos do presente...

Em sua caminhada evolutiva o ser humano se defronta com situações nas quais são analisadas suas reações e analisados seus comportamentos diante do poder, do dinheiro e da beleza física. Poucos sabem lidar com estes atributos sem ferir o próximo, sem se deixar levar pelas paixões perturbadoras... Dos três, considero o poder o mais perigoso. As pessoas mudam quando dispõem de autoridade material. Tornam-se arbitrárias, prepotentes, insensíveis, usam máscaras procurando ocultar seus conflitos, sua realidade interior...

Muitas o fazem sem perceber que estão causando sofrimentos e prejuízos aos outros...

Julgam-se corretas em suas decisões, não analisam seus gestos e se perdem ante a bajulação dos que as cercam enquanto estão no topo das decisões... Esquecem-se de que tudo é transitório e de que, pela lei de causa e efeito, estão semeando o que colherão no futuro...

Suas atitudes exteriores revelam seu “eu” mais profundo.

Nem o aconselhamento dos mais experientes consegue demovê-las de atitudes impensadas e prejudiciais ao grupo social onde atuam.

Infelizmente, no meio espírita, surgem também pessoas assim, despreparadas para cargos diretivos, iludidas com o poder transitório.

Deveria ser diferente, porque como espíritas desejosos de abraçar a causa do Espiritismo e vivenciar os ensinamentos de Jesus em quaisquer situações da vida, mesmo enfrentando muitas dificuldades, não poderíamos nos deixar levar pelas perigosas tentações do poder...

Todavia, nos verdadeiros espíritas há um grau de discernimento que os torna mais fortes e imune às arbitrariedades, porque se sentem fortalecidos quando a luz do Evangelho se aloja em seu coração, iluminando sua mente.

Alterações profundas acontecem em seu mundo íntimo:

Não se envaidecem ao ocupar posições de destaque; afastam o egoísmo de seu mundo íntimo; evitam dissensões, maledicências e comentários levianos; defendem os mais fracos e não abusam do poder para ferir a quem quer que seja; são simples e humildes, buscando sempre entender o outro, mesmo que discordem de suas opiniões; não impõem sua vontade e buscam sempre o equilíbrio íntimo e a convivência harmoniosa com os que estão caminhando ao seu lado.

São almas livres, sem as algemas do preconceito, da vaidade e das ilusórias conquistas materiais, sabendo que são transitórias as posições, as glórias e o poder...

Quando os ensinamentos de Jesus iluminam nossa consciência para acertarmos nossos passos na senda do progresso moral, nossa sensibilidade aumenta e começamos a perceber nuanças que antes nos eram desconhecidas... Sentimo-nos mais suscetíveis de entender o outro em suas dores e aflições...

Todo crescimento e toda mudança causam sofrimento e desconforto íntimo.

Por estarem mais sensíveis, aguçam suas percepções e padecem incompreensões e distanciamento dos que antes se acercavam deles com objetivo de receber ajuda ou obter alguma vantagem.

Na hora do testemunho geralmente estamos sozinhos...

Mesmo rodeados dos que são verdadeiramente amigos e querem nos ajudar, nos sentimos isolados do mundo... É quando buscamos na fé e no amor de Deus a coragem para prosseguir...

Em nossas fileiras espíritas, quando somos defrontados por problemas e sofremos incompreensões dos que deveriam nos estender as mãos, temos que vigiar as nascentes do coração e ouvir as lições de Jesus que enriquecem nosso mundo íntimo, convidando-nos à reflexão em torno dos valores reais da vida, da aceitação da lei divina, e buscar no recôndito de nossas almas o conforto espiritual para vencermos, os desafios do caminho.

Emmanuel nos diz que:

Se nos encontrarmos, pois, em extremos desajustes na vida íntima, em face dos problemas suscitados pela fé, saibamos superar corajosamente os conflitos da senda, optando sempre pelo sacrifício de nós mesmos, em favor do bem geral, de vez que não fomos trazidos à comunhão com Jesus, simplesmente para o ato de crer, mas para contribuir na extensão do Reino de Deus, ao preço de nossa própria renovação.

E enfatiza que não podemos desistir da luta, nem recuar diante do sofrimento, mas sim aprender a usá-lo na concretização de nossos ideais de amor e crescimento espiritual por meio da fraternidade, da compreensão, do ânimo e da alegria, prosseguindo corajosos e livres.

Jesus nos deixou o roteiro, e se fomos chamados a servir, caminhando ao seu encontro, teremos que alijar de nosso coração a mágoa, o desencanto, o desânimo, buscando sempre evidenciar que já estamos seguindo seus ensinamentos e já conhecemos o quanto ainda nos falta crescer para chegarmos até Ele.



“A isso fomos chamados”...


Lucy Dias Ramos
REFORMADOR SET.2010
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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