Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

OS DEZ MANDAMENTOS

Sem dúvida, o famoso decálogo atribuído a Moisés, segundo Mario Cavalcantti de Mello, em seu livro "Da Bíblia aos Nossos Dias" foi tirado dos Sete Preceitos do Bem Viver pregado pelos sábios da época, e que Moisés teria desdobrado.

Contudo, estranhamento, na Vulgata Latina de São Jerônimo, o que consta no livro de Êxodos, no capítulo XX, são apenas nove mandamentos. Senão, vejamos:

1 - Ego sum te Deum... Traduzindo: Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou das terras do Egito, da casa das servidões. Não terás outros deuses ante mim e não farás para ti ícones de esculturas que tenha semelhanças do que haja sobre os céus, nem em baixo, na Terra, nem sob a terra, nas águas. E não curvarás aos mesmos, nem as servirás, porque sou teu Deus, Senhor, que conheço as maldades dos pais transmitidos aos filhos até a terceira e quarta gerações dos que aborrecem o Senhor. E transmito misericórdia aos quantos que me amam e guardam meu mandamento.

2 - Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão porque Ele não terá como inocente o que assim o fizer.

3 - Lembra-te do dia de sabat para que o santifiques. Que seis dias trabalharás para realizares tua obra, mas, no sétimo dia, que é o sabat dedicado ao Senhor teu Deus, não realizarás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem teu servo ou tua serva, nem o animal, muito menos o estranho que esteja dentro de tua porta, porque em seis dias fez o Senhor os céus e a Terra e o mar e tudo o que nela exista, que, ao sétimo descansou; assim, abençoa o sabat.

4 - Honra a teu pai e à tua mãe, para que vivas teus dias na Terra que o Senhor teu Deus de concede.

5 - Não matarás.

6 - Não cometerás adultério.

7 - Não furtarás.

8 - Não cometerás falso testemunho contra teu próximo.

9 - Não cobiçarás a casa do teu próximo nem a mulher do teu próximo, nem seu servo, muito menos sua serva ou seu gado, nem seu jumento nem nada que seja do teu próximo.

E ponto final.

Cadê o décimo mandamento?

Segundo Kardec, esta seria a primeira revelação, evidentemente, se levarmos em conta, apenas, a civilização ocidental.

De fato, historicamente, pode-se admitir que, Moisés, ao impingir a taboa dos mandamentos de Deus, visava, exclusivamente, ao bom comportamento da civilização a ele afeita.

Não há, sem dúvida, nenhuma crítica às recomendações feitas, como se fora princípio ditado por Deus e, até mesmo, admitindo-se que Moisés tenha sido orientado por alguma Entidade espiritual cujo objetivo fosse o de disciplinar os costumes da sociedade daquela época.

O que não se pode admitir é que tenha sido Deus - o Supremo Arquiteto do Universo, segundo os maçons e, até mesmo, o Agente Supremo, responsável pela existência cósmica - o porta-voz de tais ditames que, segundo Mário Cavalcanti, seria mera cópia e desdobramento dos aludidos sete preceitos do bem viver que existiam à época.

Todavia, não se pode ignorar que, muito antes da civilização semita, já os orientais possuíam ensinamentos correlatos e que, se não traduziram como mandamentos divinos, o tinham como preceitos do bom viver, que datam desde Kung Fu Tséu (Confúcio) até os ensinamentos taoístas de Láu Tséu, complementados por Shin-Tó, o filósofo da civilização chinesa.

Então, o que se encontra em Moisés já existia, anteriormente, em civilizações mais antigas e quiçá, do próprio Egito, com a lenda de Osíris - que narro em meu livro Lendas de Osíris - onde os ensinamentos ancestrais à civilização árabe e judaica, já pregava os mesmos princípios, sob outras formas e recomendações compatíveis com o povo da sua época.

De fato, para Kardec, os mandamentos de Moisés poderiam ser o primeiro fundamento da era cristã sob a qual se estabeleceu a sociedade européia em que nasceu a codificação espírita. Não se discute tal fato porque a Bíblia era tida, àquela época, como livro sagrado e ninguém ousava discutir tal prerrogativa mas, sem dúvida, a História nos dá uma versão mais ampla dos conhecimentos humanos e, atualmente, não se pode restringir, como fazem alguns países super desenvolvidos, a existência terrena à nossa restrita sociedade de existência terrena.

Não se nega o valor do decálogo de nove itens estabelecido por Moisés a seu povo, todavia, não mais se pode dar a ele o cunho de revelação ante as evidências dos fatos.

Se Kardec errou, lógico, o fez com seus melhores propósitos e não será este fato que tornará seu trabalho inócuo e desprezível.

Kardec teve que conviver com os preceitos da sua época para fazer com que a doutrina que apresentava não fosse repudiada e tivesse aceitação pelos seus contemporâneos, talvez, por isso, tenha se fixado na base do cristianismo para instituir os fundamentos do Espiritismo.

Sem dúvida, se tivesse vivido na Índia, adotaria o Bagavad Ghita como fundamento, ou, talvez, nos outros países asiáticos, adotasse o Budismo como base, mas, soia ser importante que ele ditasse sua doutrina para a civilização européia que tinha na França o centro da cultura e do desenvolvimento renascentista daquela época.

Teria errado, sem dúvida, se ousasse basear sua codificação por princípios incompatíveis com a verdadeira moral da evolução, ou correlatos com os desmandos da sociedade orgíaca que dominava os antros da sedição.

Mas sua doutrina, apesar de adulterada por correntes hodiernas que visam à mutilação de seus fundamentos com imposição de princípios incompatíveis com a codificação, resiste ao tempo e às intempéries porque suas bases, embora discutíveis, se estabelecem dentro,do mais rígido princípio da evolução universal.

Carlos de Brito Imbassahy

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 01:03

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