Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

SERMÃO DO MONTE


MATEUS: V. 1. Vendo a multidão, Jesus subiu a um monte, sentou-se e os discípulos o rodearam. - 2. Pôs-se então a lhes pregar, dizendo: - 3, "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. - 4. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. - 5. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. - 6. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. - 7. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. - 8. Bem-aventurados os de coração puro, porque verão a Deus. - 9. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. 10. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos céus. - 11. Bem-aven-turados sereis quando vos cobrirem de maldições, vos perseguirem e, mentindo, disserem de vós todo o mal por minha causa. - 12. Rejubilai então e exultai, porque grande recompensa vos está reservada nos céus; visto que assim também perseguiram os profetas, que existiram antes de vós."
LUCAS: V. 20. Jesus, dirigindo o olhar para seus discípulos, dizia: "Bem-aventurados vós, que sois pobres, porque vosso é o reino de Deus. -21. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados; bem-aventurados vós, que agora chorais, porque rireis. - 22. Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, quando vos separarem, quando vos carregarem de injúrias, quando rejeitarem como mau o vosso nome por causa do filho do homem. - 23. Rejubilai nesse dia e exultai, que grande recompensa vos está reservada no céu, porquanto assim é que os pais deles trataram os profetas. - 24. Ai, porém, de vós, que sois ricos. pois que tendes a vossa consolação no mundo. - 25. Ai de vós, que estais saciados, pois que vireis a ter fome! Ai de vós os que rides agora, pois que gemereis e chorareis! - 26. Ai de vós quando vos louvarem os homens, porquanto é o que os pais deles faziam aos falsos profetas.
A humildade, - a doçura que tem por companheiras a afabilidade e a benevolência, - a resignação nos sofrimentos físicos e morais, que são sempre uma expiação justa, porquanto derivam ou de faltas e imprudências com que o homem agrava sua provações terrenas, ou de existências anteriores, todas solidárias entre si de modo que cada um traz consigo a pena secreta da sua precedente encarnação, - o amor ardente, sério, perseverante do dever por toda parte e sempre, - a tolerância também por toda parte e sempre, a indulgência para com os fracos e para com as faltas de outrem, a simpatia viva e delicada pelos sofrimentos e dores, físicos e morais, de seus irmãos, - o perdão, do íntimo d’alma, para as injúrias e ofensas, - o esquecimento, mas de maneira tal que o passado fique morto tanto no coração, como no pensamento, - a caridade e o amor, - a pureza de coração, que exclui não só todas as palavras e ações más, como ainda todos os maus pensamentos, e que só existe quando há abstenção de tudo que é mal, de par com a prática ativa e abnegada de tudo que é bem, assim na ordem física, como na ordem moral e na intelectual, - a moderação, a brandura, - a paciência, a obediência, - a resignação, - a fé, - a firmeza e a perseverança na fé e na prática da justiça, quaisquer que sejam as injúrias, as perseguições físicas e morais que venham dos homens, - o desinteresse, - a renunciação às coisas materiais, como determinantes do orgulho e do egoísmo, dos apetites materiais; das paixões e dos vícios que degradam a humanidade, - a aspiração da felicidade celeste, - o reconhecimento ao Criador que reserva grande recompensa aos que cumprirem esses deveres e praticarem essas virtudes, - eis o que encerram aquelas palavras do Cristo. Estudai-as, pois, e ponde-as em prática. Não vos fieis na felicidade terrena, não descanseis nas vossas riquezas, na vossa inteligência. Confiai unicamente no vosso Deus, de quem recebeis todas as coisas.
Que aquele que possui riquezas faça como se fora pobre, as reparta com seus irmãos e viva humildemente; que aquele que tem inteligência faça como a criancinha que espera ser guiada pela mãe, mas que ao mesmo tempo a partilhe com seus irmãos, dando-lhes conselhos salutares e brandos, tirados sobretudo do exemplo; que aquele que está saciado pense nos que têm fome e divida com eles o pão material que sustenta o corpo e o pão espiritual que alimenta a alma; que aquele que se acha alegre faça como se estivesse triste e associe à sua alegria o irmão que chora, prodigalizando-lhe consolações e tomando parte nas suas dores.
Aquelas palavras se resumem nisto: prática do trabalho, do amor e da caridade, tanto na ordem física ou material, como na ordem moral e intelectual.
Os pobres de espírito são os que só confiam no Senhor e não em si mesmos; são os que, reconhecendo dever tudo ao Criador, reconhecem que nada possuem. Despidos de orgulho, são como o pobre despojado dos bens mundanos. Podem caminhar mais livremente, pois não temem os ladrões que durante a noite assaltam a casa do rico. Apresentam-se nus diante do Senhor, isto é, sem se terem apropriado de coisa alguma, cônscios de que tudo devem à bondade do pai celestial. A humildade lhes aplaina o caminho a percorrer afastando os obstáculos que o orgulho faz surgir de todos os lados.
Tende o coração simples, oh! bem-amados, e humilde o espírito, porquanto a humildade, que é o princípio e a fonte de todas as virtudes, de todos os progressos, abre ao homem a estrada que leva à luz e às moradas felizes, ao passo que o orgulho conduz às trevas e à expiação, ao exílio em mundos inferiores.
Estas palavras de Jesus: "Bem-aventurados sereis quando os homens vos cobrirem de maldições, vos perseguirem e, mentindo, disserem de vós todo o mal par minha causa; - bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos separarem, vos carregarem de injúrias, quando rejeitarem como maus os vosso, nomes por causa do filho do homem." se aplicavam, como quase todas as que lhe saíram dos lábios, tanto ao presente, ao momento em que ele as dirigia aos discípulos, quanto aos tempos futuros.
Eram e são dirigidas a todos os que pela sua fé em Deus se tornaram alvo de quaisquer perseguições, físicas ou morais; aos que, perseguidos pelas suas crenças, sofrem pela sua fé e triunfam das provações por mais rudes que sejam. Efetivamente, enquanto o vosso mundo se não houver purificado, haverá homens perseguidos por causa da verdade. Os que triunfarem poderão considerar-se bem-aventurados, pois, sobretudo hoje, a defecção é fácil. Os que perseverarem até ao fim receberão grande recompensa.
Espíritas, armai-vos, portanto, de toda a vossa energia. Para o homem, a arma mais perigosa é o ridículo. É a que ele mais teme; é presentemente a que tendes de rebater. Dolorosas são as feridas que ocasiona. Mantende-vos, pois, em guarda e preparai de antemão o único bálsamo que as pode curar: - a fé.
Que a vossa fé vos sustente. Ela vos tornará surdos aos sarcasmos e vos fará achar doçura nos pérfidos processos que contra vós intentarem. A fé constitui a vossa égide; abrigai-vos nela e caminhai desassombradamente. Contra esse escudo virão embotar-se todos os dardos que vos lancem a inveja e a calúnia. Sede sempre dignos e caridosos no vosso proceder, no vosso falar, nos vossos ensinamentos, dando o exempIo do que pregais, e nós vos ampararemos.
Compreendei igualmente bem estas outras palavras de Jesus: "Mas, ai de vós, ricos, que tendes a vossa consolação no mundo!"
A maldição assim lançada pelo meigo e justo pastor não se aplica senão aos que, tudo sacrificando a posse dos bens terrenos, deleitando-se e confiando unicamente no que é material, rejeitam as verdades que se lhes ensinam, repelem seus guias protetores, repelem seus irmãos e se entregam aos maus Espíritos, que deles se apossam.
Jesus disse: - Ai! deles, porque terão que sofrer para resgatar suas faltas passadas e o remorso lhes será tanto mais cruel quanto mais voluntário tenha sido o endurecimento.
Ai! de vós que agora rides, disse também o Suave Mestre, pois que gemereis e chorareis.
Sim, os que riem das verdades lamentarão um dia o tê-las negado. Tudo vem a seu tempo. Deixai que ainda riam à vossa custa. Dia virá em que, arrependidos, os que agora riem pedirão para voltar ao meio de vós como apóstolos da verdadeira fé, da fé espírita, e não mais rirão.
Não vos agasteis, pois, com os risos; antes chorai pelos que zombam de vós, por isso que bem grandes serão suas penas!
Ai! de vós, disse ainda Jesus, quando os homens vos louvarem, porquanto é o que os pais deles faziam aos falsos profetas.
Quando essas palavras eram dirigidas aos discípulos, os falsos profetas tinham sido, eram e, dado o estado de inferioridade moral em que ainda se encontra a Terra, são neste momento aqueles que, impelidos por maus instintos, por más paixões, oriundas, seja do orgulho, do egoísmo, do interesse material, da cupidez, seja da intolerância ou do fanatismo, trabalham por incutir suas idéias nas almas simples e confiantes. São aqueles que, conhecendo a verdade, a ocultam do povo, a fim de o terem preso e submisso. São os que, compenetrados da verdade, recusam submeter-se a ela por orgulho e pregam o erro, conscientes do que fazem, mas receosos do "que dirão". "Ai! deles!"
Ai! de vós, quem quer que sejais, quando os que escutam as vozes desses falsos profetas e os bendizem, caminhando-lhes nas pegadas, vos louvarem e disserem bem de vós, porque então sereis atraídos pelos seus elogios e a vossa defecção já se deu ou está para dar-se, arrastando-vos para os caminhos do erro e da mentira voluntários, da hipocrisia e da perversão moral.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 20:31

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