Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

SOBRE A PRÁTICA MEDIÚNICA ESPÍRITA E NÃO ESPÍRITA




Notamos uma grande necessidade de se esclarecer a diferença entre Espiritismo e Mediunismo, dado o aumento de pessoas que praticam a doutrina espírita, porém sem estudo crítico adequado, especialmente sem estudo das obras básicas de Kardec.
Ocorre também o afastamento de confrades mais experientes do movimento e falta de elementos dispostos à difusão sadia e clara da doutrina espírita cristã, codifica por Kardec.
Os “centenários” das obras do mestre de Lyon são comemorados por um reduzido grupo de adeptos fervorosos porém não atinge a massa popular que no momento está se interessando pelo Espiritismo.
Outro fato prejudicial que ocorre é de muitas pessoas conhecerem inicialmente as orientações e práticas deformadas e não realmente espíritas. Infelizmente as práticas espíritas mal orientadas e eivadas de erros se difundem rapidamente devido à falta de estudo metódico, pouca orientação por parte de órgãos competentes e às vezes devido à teimosia de dirigentes de entidades espíritas em não aceitar os princípios simples e profundos da Codificação Kardecista.
Por isso a USE em 1962 realizou a 1ª Reunião Centro-Sul do Brasil, com a participação de presidentes das federações dos estados sulinos (Ver “Unificação” — Jan. Fev. 1965) e aprovou os trabalho das Comissões de Doutrina Assistência, Mocidades e Educação — E das conclusões do cap. V (Doutrina) que destacamos os seguintes itens importantes:
PRATICA MEDIÚNICA ESPIRITA
Considerando:
a) que é tarefa de eleva­do alcance a relacionada com a prática mediúnica genuinamente espírita;
b) que se deve procurar a harmonia no setor da prática mediúnica;
c) que o estudo e a difusão da Doutrina estão intimamente relacionados com o setor mediúnico;
d) que a igualdade nesse setor é mera ilusão, não de­vendo ser procurada;
e) que há necessidade de tornar bem patente que nem todo trabalho mediúnico é trabalho espírita;
f) que o setor mediúnico é das mais largas portas de entrada para o Espiritismo;
g) que há necessidade de trabalho mediúnico bem orientado para haver produção e difusão eficiente da Doutrina espírita;
Propõe:
a) incentivar no meio espírita brasileiro, em face das sessões mediúnicas, o método usado por Kardec, assim sintetizado:
1º) — escolha de colabora­dores mediúnicos insuspeitos tanto no ponto de vista moral quanto da pureza das faculdades e da assistência espiritual;
2º) — análise rigorosa das comunicações, do ponto de vista lógico, bem como do seu confronto com as verdades científicas demonstradas, pondo-se de lado tudo aquilo que não possa ser logicamente justificado;
3º) — controle dos Espíritos comunicantes através da coerência das suas comunicações e do teor de sua linguagem;
4º) — consenso universal, ou seja, concordância de vá­rias comunicações dadas por médiuns diferentes, ao mesmo tempo e em vários lugares, sobre o mesmo assunto;
b) esclarecer o meio espírita acerca da prática mediúnica confeccionando um trabalho sintético sobre “normas práticas” para o uso espírita da mediunidade;
c) fazer compreender ao meio espírita brasileiro que o fenômeno mediúnico sem Doutrina espírita não é Espiritismo;
d) para evitar a vaidade e o personalismo, difundir no meio mediúnico o caráter de devedor e de oportunidade de redenção em relação a cada médium;
e) pugnar para que, no movimento espírita brasileiro, as sessões mediúnicas vulgarmente intituladas “doutrinação de espíritos”, se tornem paulatinamente privativas, perdendo seu caráter público.



PRÁTICA MEDIÚNICA NAO ESPÍRITA
Considerando:
a) que se a solução de um problema não for encontrada ou permitida dentro da Doutrina, fora dela é que não o deverá ser, a bem do próprio interessado;
b) que via de regra, são a ignorância doutrinária ou os interesses imediatistas de certos espíritas menos avisa­dos e menos esclarecidos o que os leva à procura das práticas mediúnicas não espíritas;
c) que as soluções encontradas fora da Doutrina são apenas de efeitos paliativos, com resultados contra-producentes, para o futuro;
d) que a Doutrina espírita vem, para, com a aplicação adequada do Evangelho, esclarecer e facilitar a solução de todos os problemas humanos de acordo com as leis imutáveis que regem a vida;
e) que toda a doutrina praticada com sinceridade e boas intenções merece o nosso respeito e a nossa consideração;
f) que, embora com pontos de contacto ou semelhanças com outras doutrinas espiritualistas, a Doutrina espírita não deve com elas ser confundida;



Propõe:
a) o espírita deve saber que o Espiritismo esclarece ou soluciona os problemas humanos sempre conforme os méritos, as necessidades e as possibilidades e não conforme a vontade de cada um;
b) alertar os espíritas sobre o perigo de sintonia com vibrações menos elevadas de determinados trabalhos mediúnicos não espíritas;
e) alertar o meio espírita sobre os efeitos passageiros e as conseqüências indesejáveis de soluções imediatistas e fora do que a Dou­trina admite.



O QUE SE DEVE EVITAR
Neste capítulo do tema geral “Doutrina”, deverão ser estudadas as várias atitudes que um adepto da Doutrina não deve tomar para não prejudicar o movimento espírita. Tanto se refere à atitude diante dos “movimentos paralelos” como do mediunismo ou das atitudes em sociedade. Neste sentido é preciso lembrar ainda uma vez que o Espiritismo vem para “reformar, revolver” e fazer desaparecer certos velhos hábitos da humanidade visando sempre à espiritualização progressiva e ao conseqüente afastamento do setor das crendices das superstições, das convenções sociais sem expressão real, do ilusório, do fictício, do apenas aparente. Neste sentido, além do já contido no Trabalho aprovado pelo Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira e intitulado “Esclarecendo Dúvidas”,



Propõe:
a) o espírita deve evitar a adesão irrefletida ou menos avisada a movimentos ou a produções literárias que, direta ou indiretamente, colidam com o movimento espírita;
b) o espírita deve evitar a prática de quaisquer rituais como casamentos, batizados, crismas, bem como uso do luto, participação em apadrinhamentos e cerimônias ritualistas de qualquer natureza, e o aprisionamento a exterioridades;
c) o espírita deve evitar trazer luta política-partidária para dentro das agremiações espíritas;
d) o espírita deve evitar que as realizações espíritas vivam à sombra dos poderes públicos;
e) o espírita deve evitar que pessoas sem idoneidade moral ocupem postos de direção no Movimento;
f) o espírita deve evitar que, nos núcleos espíritas prevaleça a autoridade de um só elemento;
g) o espírita deve evitar o uso de distintivos e emblemas, no movimento doutrinário,
Curitiba, 21 de abril de 1962
Ass. LUIZ MONTEIRO DE BARROS — Presidente (USE — S. Paulo)
LAURO SCHLEDER — Relator (F. E. P. — Paraná) etc.
A USE (União das Sociedades Espíritas de S. Paulo) num trabalho pioneiro no Brasil e quiçá no mundo conseguiu reunir grande parte das entidades espíritas, com a finalidade de unificação doutrinária. Para a Assembléia Estadual a ter lugar em 13 e 14 de julho próximo em S. Paulo, todas entidades espíritas (Centros, Mocidades, Obras Assistenciais) devem apoiar as UMES e UDES, a fim de que estas indiquem seus representantes junto a USE.
Os grupos espíritas e demais entidades devem procurar as UMES de sua cidade para unidas trabalharem decididamente para levar bem alto o nome do Espiritismo. Notamos pelo Rádio, pela TV, pelos jornais que há ainda confusão entre Espiritismo Mediunismo, com conseqüências danosas para o progresso da nossa doutrina.
Fonte: Correio Fraterno – junho, 1968
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 22:12

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