Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

A BELEZA SOB NOVO PRISMA


Ainda não faço parte dos tarefeiros que mourejam na Terra, no abençoado afã de servir.
Sou agregada das colônias e pedi ao venerável Dr. Bezerra de Menezes que me concedesse a oportunidade de dar o meu testemunho, principalmente por ser a Terra palco de tantas vaidades, de tantas ilusões.
Estive em uma encarnação, em Sevilha. Descobriram na escola meus grandes pendores para a dança. e a beleza foi-se plasmando em meu corpo a medida que eu crescia. Quanto mais bela eu ficava, mais vaidosa e independente eram as minhas atitudes. Como quem se liberta de algemas pesadas, deixei a casa paterna pelos falsos braços de quem eu julgava ser amigo. Abandonada logo depois, mergulhei na vida noturna, desvairadamente. Procurei as tabernas mais inferiores. E nas noites de orgia, nas bodegas de Sevilha, dançava e cantava incansavelmente.
Certa noite, entrando em disputa com uma companheira, por um rico senhor já avançado em idade, pródigo em oferecer pesetas ¹, tive meu rosto mutilado por uma afiada navalha. Não havia recursos naquela época para restauração facial e uma enorme infecção repuxou um lado do meu rosto, me transformando numa criatura deformada. Poderia na época ter me recolhido a algum convento. Havia casas de caridade, mas, não. Minha boca era belíssima e consegui com donos de bodegas um número diferente. Eu cobria a parte superior do rosto, deixava só aboca à mostra e os belos seios, e por pesetas, distribuía nas tabernas, beijos. E viam bêbados se divertirem e rirem para colher no prazer de um segundo, a beleza dos meus lábios, enquanto eu arrebatava dinheiro para o meu sustento. Terminei meus dias em extrema miséria mendiga, a esmolar nas portas das igrejas.
Narrar o que eu sofri no plano espiritual é desnecessário. Bem podem avaliar as condições dos espíritos que me cercavam. O deboche, a maldade...
Em um belo dia fui informada que voltaria à Pátria. Deveria reencarnar com família, filhos e o auxílio de amigos que se ofereceram para me tutelar e teria um esposo dedicado. Até aí a reencarnação só me oferecia vantagens e eu aceitei. E tudo foi como o esperado. Até que depois de casada, muito vaidosa e procurando sempre ansiosamente o olhar de todos os homens, com os quais me divertia, apesar de amar o esposo e minhas duas filhinhas, terrível enfermidade se abateu sobre os meus lábios. Primeiro uma acentuada inchação. Um caroço escuro na parte inferior dos lábios. E depois, o corroer lento, progressivo de pertinaz enfermidade a me roubar a beleza do rosto, a me deformar. O mal cheiro, desespero .. Muitas vezes pensei em terminar com os meus dias. Mas lá dentro de mim, insistentemente, uma voz falava:
Fique firme, suporte, siga adiante...
E o desespero de ver pouco a pouco meu rosto ser dilacerado, devorado, me torturava. Mas fui suportando, até chegar ao fim dos meus dias. Fui acolhida por uma colônia de esclarecimentos. Todas as minhas encarnações foram mostradas. Meu inimigo pior era a vaidade, o hábito desregrado, o desrespeito ao corpo físico, o desrespeito à confiança, ao amor que me devotavam, o desapego à benção da família, as permanentes fugas do lar materno, sempre haviam sido uma constante no meu destino. E quando me restauraram a face no plano espiritual, eu já não ansiava mais pela beleza física. Havia observado dia a dia meu rosto corroído, já não queria mais nada que me pudesse leva às quedas morais. E pedia ansiosamente uma vida bem humilde e recatada. E me foi concedida.
Eu era a mais feia de três irmãs e no entanto despertei paixão e amor no coração boníssimo de um companheiro dedicado. Sim, lá dentro de mim, eu invejava as minhas irmãs tão belas e quando, às vezes, à noite chorava, querendo ser tão bela quanto elas, tinha pesadelos horríveis. Sonhava que mãos me arrancavam a face, me deformavam. E eu então despertava em dolorosa sudorese com o coração batendo descompassado, e no dia seguinte, mais humilde eu me tornava. E foi uma encarnação feliz, fui uma mãe tão amada... Meus braços recebiam cada neto com alegria. Eu mesma fazia seus partos. E aprendi, então, a alegria de servir! A alegria de encontrar beleza em tudo aquilo que nos cerca. Respeito pelo corpo, tolerância a dor, alegria na humildade, conforto na religião. E todas as minhas irmãs, tão belas, choravam durante muitos anos as suas desilusões nos meus ombros. E eu lhes dizia:
Tudo é passageiro. Procurem a alegria da alma. Porque só na alma, realmente, estão as mais puras alegrias.
Ainda não estou preparada para servir. Na colônia, trabalho. Trabalho junto a enfermos, junto à manutenção, mas para trabalhos maiores ainda terei que ser preparada. Porque ainda não aprendi a verdadeira caridade. Aprendi a ajudar os meus, a servir aos meus. Agora, certamente, numa próxima encarnação, aprenderei a servir aos meus semelhantes para poder dar largos vôos em busca da renovação e sentir no coração a alegria tão sublime de ser Serva do Senhor!
As colônias representam no espaço, o que representam na Terra os Núcleos Espíritas, as congregações religiosas. Uma grande família de pessoas distantes, ainda sem perfeição, mas possuidoras de idéias semelhantes. Sirvam sem cansaço. E quando estiverem cansados, sirvam ainda mais.
Porque no plano espiritual lamentamos e choramos cada momento vazio, cada hora perdida. E como invejamos, de maneira positiva, aqueles que chegam sendo festejados e abraçados porque serviram muito, sem descanso, na Terra.. Sirvam com Jesus. O preço da renúncia é a Luz.
Bernarda

Mensagem extraída do livro ”Um amanhã de luz” da médium Shyrlene Soares Campos


¹ Pesetas – Moeda espanhola
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 23:44

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