Domingo, 26 de Abril de 2009

25 DE ABRIL: DIA A DIA

 

PORTUGAL: REVOLUÇÃO E TRANSIÇÃO PARA A DEMOCRACIA

 

 
  Foi assim que grupo de capitães (entre os quais se encontravam Salgueiro Maia, Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Lourenço, Melo Antunes) que desde há alguns meses conspirava contra o regime de ditadura vigente no país fez acontecer a Revolução dos Cravos em Abril de 1974. cravo


24/03 Última reunião clandestina da Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas (MFA), na qual foi decidido o derrube do regime e o golpe militar.  


23/04 Otelo Saraiva de Carvalho entrega, a capitães mensageiros, sobrescritos fechados contendo as instruções para as acções a desencadear na noite de 24 para 25 e um exemplar do jornal a Época, como senha de identificação, destinada às unidades militares participantes.  


24/04

O jornal República, em breve notícia, chama a atenção dos seus leitores para a emissão do programa Limite  dessa noite, na Rádio Renascença.

22h Otelo Saraiva de Carvalho e outros cinco oficiais ligados ao MFA, entre eles Sanches Osório e Victor Crespo, já estão no Regimento de Engenharia 1 na Pontinha (Lisboa) onde, desde a véspera, fora clandestinamente preparado o Posto de Comando do Movimento. Será ele a comandar as operações militares contra o regime.

22. 55h   A transmissão da canção ”E depois do Adeus”, interpretada por Paulo de Carvalho, aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa, marca o ínicio das operações militares contra o regime.
 

news
 
 
 
 

mfa


25/04

0. 20 h  A transmissão da canção ”Grândola Vila Morena“ de José Afonso, no programa Limite da Rádio Renancença, é a senha, escolhida pelo MFA, como sinal confirmativo de que as operações militares estão em marcha e são irreversíveis. 

 0.30. às 16 h Ocupação de pontos estratégicos considerados fundamentais (RTP, Emissora Nacional, Rádio Clube Português, Aeroporto de Lisboa, Quartel General, Estado Maior do Exército, Ministério do Exército, Banco de Portugal e Marconi).

Primeiro Comunicado do MFA difundido pelo Rádio Clube Português.

Forças da Escola Prática de Cavalaria de Santarém estacionam no Terreiro do Paço.

As forças paramilitares leais ao regime começam a render-se: a Legião Portuguesa é a primeira.

Início do cerco ao Quartel do Carmo, chefiado por Salgueiro Maia, entre milhares de pessoas que apoiavam os militares revoltosos. Dentro do Quartel estão refugiados o Primeiro Ministo Marcelo Caetano e mais dois ministros do seu Gabinete, César Moreira Baptista e Rui Patrício.

16.30h Expirado o prazo inicial para a rendição anunciado por megafone pelo Capitão Salgueiro Maia, e após algumas diligências feitas por mediadores civis, Marcelo Caetano faz saber que está disposto a render-se e pede a comparência no Quartel do Carmo de um oficial do MFA de patente não inferior a corone.

17.45h Spínola, mandatado pelo MFA  entra no Quartel do Carmo para negociar a rendição do Governo.
 O Quartel do Carmo hasteia a bandeira branca.

19. 30 h Rendição de Marcelo Caetano. A chaimite BULA entra no Quartel para retirar o ex-presidente do Conselho e os ministros que o acompanhavam, levando-os, à guarda do MFA para o Posto de Comando do Movimento no Quartel da Pontinha.

20 h  Disparos de elementos da PIDE/DGS sobre manifestantes que começavam a afluir à sede daquela polícia na Rua António Maria Cardoso, fazem quatro mortos e 45 feridos.
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Terreiro do Paço
 
 
 

Carmo


26/04

A PIDE/DGS rende-se após conversa telefónica entre o General Spínola e Silva Pais director daquela corporação.

Apresentação da Junta de Salvação Nacional ao país, perante as câmaras da RTP. 
Por ordem do MFA Marcelo Caetano, Américo Tomás, César Moreira Baptista e outros elementos afectos ao antigo regime, são enviados para a Madeira.

O General Spínola é designado Presidente da República.
São libertados os presos políticos de Caxias e Peniche.
 

 


27/4 Apresentação do Programa do Movimento das Forças Armadas.  


29 a 30/05 Regressam do exílio os líderes do Partido Socialista (Mário Soares) e do Partido Comunista Português (Álvaro Cunhal).  


01/05 Manifestação do 1º de Maio, em Lisboa, congrega cerca de 500.000 pessoas. Outras grandes manifestações decorreram nas principais cidades do país.  

 

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 06:14

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O 25 DE ABRIL PARA OS MAIS NOVOS

 

PORTUGAL: REVOLUÇÃO E TRANSIÇÃO PARA A DEMOCRACIA

 

Se recuássemos uns anos, até antes do 25 de Abril de 1974, não reconheceriamos Portugal.

 

Não havia liberdade. Existia censura, a actividade política, associativa e sindical era quase nula e controlada pela polícia política, havia presos políticos, a Constituição não garantia os direitos dos cidadãos, Portugal mantinha uma guerra colonial e encontrava-se praticamente isolado na comunidade internacional.

A informação e as formas de expressão cultural eram controladas, fazia-se uma censura prévia que abrangia a Imprensa, o Cinema, o Teatro, as Artes Plásticas, a Música e a Escrita. Não havia Liberdade.

A actividade política estava condicionada, não existiam eleições livres e a única organização política aceite era a União Nacional/Acção Nacional Popular. A oposição ao regime  autoritário de Salazar e depois de Marcelo Caetano, era perseguida pela polícia política (PIDE/DGS) e tinha de agir na clandestinidade ou refugiar-se no exílio.

Os oposicionistas, sob a acusação de pensarem e agirem contra a ideologia e prática do Estado Novo, eram presos em cadeias e centros especiais de detenção (Caxias, Aljube Tarrafal). Não havia Liberdade nem Democracia.

A Constituição não garantia o direito dos cidadãos à educação, à saúde, ao trabalho, à habitação. Não existia o direito de reunião e de livre associação e as manifestações eram proíbidas. Não havia Liberdade.

Portugal estava envolvido na guerra colonial em Angola, na Guiné e em Moçambique, o que gerou o protesto de milhares de jovens e se transformou num dos temas dominantes da oposição ao regime, com especial realce para os estudantes universitários.Não havia Liberdade nem Paz.

Hoje é difícil imaginar como era Portugal antes do 25 de Abril de 1974. Mas, se pensarmos que, por exemplo, as escolas tinham salas e recreios separados para rapazes e raparigas, que muitos discos e livros estavam proíbidos, que existiam nas Rádios listas de música que não se podia passar, que havia bens de consumo que não se podiam importar, que não se podia sair livremente do país, que sobre todos os rapazes de 18 anos pairava o espectro da guerra, será mais fácil compreender porque é que a Mudança  teve de acontecer e como é que Portugal se tornou diferente
 

 

 

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 06:10

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