Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

GRATIDÃO: UM NOVO OLHAR SOBRE A VIDA

Vida, Natureza, família, semelhante, trabalho, chefe, prova, expiação, dor, sofrimento, enfermidade, saúde, amigo, inimigo, alegria, tristeza, situação financeira são alguns exemplos dos motivos de gratidão ou reclamação de nossa parte.

 Qualquer coisa pode ser razão para agradecer ou reclamar, a depender do ponto de vista.

 Costumamos reclamar de tudo.

 Quando chove, reclamamos do mau tempo; quando faz sol, reclamamos porque está quente; quando é noite, gostaríamos que fosse dia; quando é dia, nos incomodamos pelo desejo de que a noite chegue logo; se o tempo passa depressa, reclamamos sugerindo a ampliação do dia para 36 horas; se o tempo é vagaroso, lamentamos pela lerdeza do deus Cronos. Tudo, sem exceção, parece ser motivo para reclamar. Poderíamos continuar escrevendo uma página ou um livro inteiro elencando motivos de reclamação ou exemplos práticos de sua ocorrência.

Vamos fazer o contrário? Agradeçamos por tudo. Até pela dor que nos atinge profundamente. “Bendita a dor, ela é a grande sinfonia que acorda os corações humanos para a Vida Eterna”, já dizia meu pai e continua dizendo até hoje nos seus 80 anos, como informação colhida de fonte oral. Segundo Emmanuel, Guia Espiritual do cândido Chico Xavier, “a dor é um constante convite da vida, a fim de que aceitemos uma entrevista com Deus”. (1)

Quando tudo está bem, tendemos a nos esquecer do agradecimento. Mas, a misericórdia divina, reconhecendo nossas necessidades, oferece-nos a dor-expiação, a dor-evolução, a dor-auxílio (2) para que, humildemente, nos coloquemos diante do Senhor da Vida e, em definitivo, consigamos nos libertar de nosso passado infeliz, acordando o homem renovado para o novo mundo de regeneração.

Joanna de Ângelis, a psicóloga espiritual e guia do médium Divaldo Pereira Franco, alerta que a “reclamação é perda de tempo”. (3) Realmente, quem reclama está perdendo a oportunidade de agradecer, de fazer algo útil na existência Aquele momento de reclamação não nos leva a resultado efetivo, então, poderia ser absolutamente dispensado sem que fizesse falta alguma. Não estamos aqui cogitando da avaliação serena e necessária para determinadas situações, ocorrências e circunstâncias que vivenciamos fruto da nossa iniciativa ou decorrente da ação de terceiros. É importante, sim, avaliarmos para melhorar o que for indispensável à caminhada evolutiva.

 A reclamação, pelo contrário, não tem propósito útil. Apenas o da lamentação, que deixa transparecer nosso azedume. Seria melhor que nos silenciássemos, pois o silêncio na maioria das vezes se traduz na melhor das respostas. É como aquela expressão do ditado popular que nos exorta, quando não fomos felizes em alguma afirmação: “Você perdeu uma boa oportunidade de ficar calado”.



Vamos exercitar o silêncio quando a vontade de reclamar visitar os escaninhos da mente, provocando-nos para ações menos recomendáveis. Reclamar é feio, denota falta de educação, e, dependendo de como a atitude é manifestada, ausência de respeito para com o semelhante e, sobretudo, ingratidão para com Deus.

Gostaria de fazer um trato e assinar tacitamente um contrato com o prezado leitor. No dia, temos três períodos claramente delimitados: manhã, tarde e noite. Vamos assumir o compromisso de agradecer pelo menos uma vez em cada período do dia. Agradeceremos: pela manhã ao acordar – cada dia é como se fosse uma nova encarnação; à tarde, quando almoçarmos ou olharmos o crepúsculo ou, ainda, estivermos no trânsito que nos oferece o ensejo de desenvolver várias virtudes, tais como a paciência, a tolerância e a indulgência; e agradeçamos ao final da noite por mais um dia, repleto de oportunidades e desafios para o aprendizado constante. Amanhã, depois de amanhã, e depois... A atitude deverá ser mantida ao longo de todo o mês. Quando este findar, na noite do derradeiro dia, o número de agradecimentos chegará a pelo menos 90 vezes!

Acredito que, após esse período, já teremos adquirido o hábito do agradecimento. A partir daí, o comportamento será espontâneo, assegurando que começamos a exercitar um novo olhar sobre a vida.

A reclamação reflete postura de orgulho, ao passo que a gratidão é resultado de atitude humilde.

 A reclamação nos fecha para a sintonia com o auxílio superior; a gratidão facilita a sinergia com aqueles que aspiram à harmonia e ao equilíbrio dela decorrente. A gratidão é um ato que transparece a divindade existente em cada um de nós. Já a reclamação é de nossa responsabilidade, sobre a qual deveremos prestar as devidas contas no momento em que a lei de causa e efeito nos requisitar para uma entrevista com Deus.

Se analisarmos detidamente, chegaremos à conclusão de que a vida nos oferece muito mais motivos para agradecer do que para reclamar. Agradecer faz bem à saúde integral do indivíduo, que se sente mais aberto à sintonia com o Plano Superior da Vida, em contato com os amigos espirituais que podem ter o trabalho de inspiração facilitado pelas vias da nossa intuição a ser colocada, gradativamente, à disposição do serviço no bem.

Agradecer-nos tornas felizes, pois aprendemos a enxergar novos horizontes. Os nossos olhos brilham mais, identificando-se com o belo, o bom, o útil. Agradeçamos pelo bem e pela oportunidade de melhoria, pela prova e pela expiação, pela bênção do trabalho e da libertação. Na vida, é recomendável aprendermos a agradecer mais e a reclamar menos.



 REFORMADOR Fev.2012



Referências:

 1XAVIER, Francisco C.Material de construção. Pelo Espírito Emmanuel. São Paulo: Ideal, 1982.

 2______. Ação e reação. Pelo Espírito André Luiz. 28. ed. 4. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 19, p. 329.

 3FRANCO, Divaldo P. Desperte e seja feliz. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 6. ed. Salvador: LEAL, 2000
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 20:21

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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

EM PAUTA – A TRISTE FESTA


Fevereiro é o mês do carnaval, que se constitui em uma série de folguedos populares, promovidos habitualmente nos três dias que antecedem o início da quaresma.

Em torno do mesmo centro de interesse - o disfarce, a dança, o canto e o gozo de certas liberdades de comunicação humana, inexistentes ou muito refreadas durante o resto do ano - a folia carnavalesca se apresenta com características distintas nos diferentes lugares em que se popularizou, vindo da Itália, especialmente de Roma, o modelo mais famoso.

De origem obscura, o mais provável é que se assente em raízes de festividades primitivas, de caráter religioso, em honra à volta da primavera. Mais concretamente, é possível se localizem suas origens em celebrações da Antigüidade, de caráter orgíaco, a exemplo das "bacanalia" da Grécia, festa em honra ao deus Dionísio.

Contudo, antes disso, os trácios se entregavam aos prazeres coletivos, como quase todos os povos antigos. E, em Roma, vamos encontrar estas festas como "saturnalia", quando se imolava uma vítima humana. Era uma festa de infeliz caráter pagão.

No Antigo Testamento, encontramos referências no Livro de Ester, especialmente no capítulo IX, que descreve como, graças à intervenção da rainha Ester junto ao rei Assuero os judeus acabam por massacrar os seus inimigos, atividade que durou dois dias inteiros, 13 e 14 do mês de Adar, cessando no dia quinze. Por essa razão, se estabeleceu que se solenizasse a data com banquetes e regozijos, conforme se lê no versículo 19: "Os Judeus, porém, que habitavam nas cidades sem muros e nas aldeias, destinaram o dia catorze do mês de Adar para banquetes e regozijos, de modo que neste dia fazem grandes divertimentos, e mandam uns aos outros alguma coisa dos seus banquetes e iguarias."

A data ficou assinalada como dias de Furim, isto é, das sortes, referindo-se ao Fur, a sorte que fora lançada e da qual eles, os Judeus, haviam saído vitoriosos.

Na Idade Média , já era aceito o Carnaval com naturalidade, configurando o enlouquecimento lícito uma vez por ano. As relações dos carnavalescos com a Igreja não foram cordiais, tendo se pronunciado doutores e Papas contra os tantos desregramentos da festividade. Contudo, o que prevaleceu foi uma atitude geral de tolerância, ficando inclusive por conta da Igreja a fixação da data do período momesco. O carnaval antecede a Quaresma, finalizando-se num dia de penitência, com a tristeza das cinzas.

A festa tem vestígios bárbaros e do primitivismo reinantes ainda na terra. No Brasil colonial e monárquico a forma mais generalizada de brincar o carnaval era o entrudo português.

Consistia em atirar contra as pessoas, não apenas água, mas provisões de pós ou cal. Mais tarde, água perfumada com limões, vinagre, groselha ou vinho. O objetivo sempre era sujar o passante desprevenido. Como se vê, uma brincadeira perigosa e grosseira.

A morte definitiva do entrudo se deu com o aparecimento do confete, a serpentina e o lança-perfume.

O que se observa nestes três dias de loucura, em que a carne nada vale, é o afloramento das paixões.

Observam-se foliões que se afadigam por longos meses na confecção das fantasias. Tudo para viver a psicosfera da ilusão. Perseguem vitórias vazias que esperam alcançar nestes dias. Diversos se mostram exaustos, física e emocionalmente. Alguns recorrem a fortes estimulantes para o instante definitivo do desfile. Consomem tempo e dinheiro, que poderiam ser aplicados na manutenção da vida e salvação de muitas vidas.

Mergulham em um fantástico mundo de sonhos. Anseiam por dar autenticidade a cada gesto, a toda atitude. Usando vestimentas de reis e rainhas, nobres e conquistadores, personagens de contos, artistas, fariam inveja a todos a quem copiam. Isso se as vestes e as coroas, os cetros, os mantos e as posturas não fossem todos falsos, exatamente como falsas são as expressões e vitórias que ostentam.

Diversos desses foliões nem se dão conta que poderão estar a representar a própria personalidade de vidas passadas.

Uma grande perda de tempo, pois de um modo geral conquistadores, reis, rainhas e generais que foram, se ainda permanecem na terra, é porque naquelas vidas faliram. E faliram feio.

Em toda essa festa de loucura, que deixa marcas profundas, pergunta-se se será mesmo manifestação de alegria, de descontração.

Que alegria é esta que exige fantasias, embriaguez e toda sorte de desregramentos para se manifestar?

Por isso, face às graves conseqüências do carnaval e suas origens de orgia e loucura, reflexionemos na exortação do espírito Thereza de Brito: "Numa sociedade em que a vida familiar tem sido tão difícil, tão escassa, por que não aproveitar os dias carnavalescos para conviverem bem mais juntos, seja no lar, num sítio arborizado, nas paisagens refazentes do mar ou da montanha, estreitando os vínculos do carinho, prestando atenção a tantos lances importantes da vida dos nossos queridos, antes inobservados?

Não se permitam poluir, pais terrestres, e lutem por preservar os seus filhos dessa ilusão passageira.

O imediatismo de Momo, os gozos das folias, as alegrias do carnaval tudo isso se desvanecerá, como todo fogo fátuo, e deixará os que neles se locupletaram nas valas da frustração e do arrependimento, mais cedo ou mais tarde.

Vocês, pai e mãe, atentos à nobre tarefa de educar seus rebentos, envolvam-nos com seu amor e sua assistência para que eles amadureçam assim, e a harmonia atinja mais rapidamente os arraiais do mundo, transformando as paixões inferiores em prazer renovador e são."



 Reformador


Fontes:
1.                Nas fronteiras da loucura - Divaldo P. Franco/Manoel P. de Miranda - cap. 6 e 15.
2.                Vereda familiar - J. Raul Teixeira/Thereza de Brito - cap. 14.
3.                Enciclopédia Mirador Internacional, volume 5 - verbete: Carnaval 
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 22:41

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Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

A INDULGÊNCIA


José – Espírito Protetor – fala-nos dessa nobre virtude (...) “sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso. A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los.” (1)

É claro que quando se visa a prestar um serviço à coletividade, os próprios Espíritos advertem que os maus atos de outrem devem ser apontados, mas mesmo neste caso, ter o cuidado de os atenuar tanto quanto possível, não se esquecendo de ser caridoso...

Conta-se que um rapaz procurou Sócrates – sábio da Grécia Antiga – e lhe disse que precisava contar algo sobre alguém. Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:

- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?

– Três peneiras? Indagou o jovem assustado.

Continuando disse Sócrates:

- Sim. A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve morrer por aí mesmo.

Suponhamos então, que seja verdade. Deve passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo? Se o que você quer me contar é verdade, é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta?

E arremata Sócrates:

- Se passar pelas três peneiras, conte. Tanto eu, quanto você e seu irmão iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo.

Será uma intriga a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz.

Ainda com relação aos comentários de José – Espírito Protetor – (op. cit.) diz o mesmo: “Sede, pois, severos para convosco, indulgentes para com os outros”.

Há ditos populares que nos advertem quanto aos reproches, como por exemplo: “Nunca digas dessa água não beberei”, “Fulano pagou com a língua”...

A verdade é que ninguém se encontra indene para bater no peito e dizer:

“Isso, eu nunca farei...”

Não conhecemos as nossas fraquezas mais íntimas, Jesus, referindo-se a essa questão, disse a Pedro: (...) “Mas vais aprender, ainda hoje, que o homem do mundo é mais frágil do que perverso.” (2) E tão logo se consumou a prisão de Jesus, Pedro ataca com a espada um dos soldados que veio prender o Mestre, cortando-lhe uma das orelhas... Parece, neste momento, ter esquecido as lições de amor do Mestre Jesus. E mais adiante, nega-o por três vezes, lembrando-se de imediato, após a terceira negação, das palavras sábias de Jesus a dizer-lhe o quanto o homem no mundo é frágil.

Jesus nos deu mostras em diversas passagens do Evangelho da indulgência para com as imperfeições alheias, como no caso da mulher adúltera, dos soldados que o crucificaram, do próprio Judas que o traiu. E nos advertiu da severidade do julgamento do Pai para conosco, na mesma proporção com que julgarmos os outros. (Mateus, 7:1-2).

Óbvio está que a falta de indulgência para com o próximo demonstra o nosso esquecimento dos ensinos de Jesus – prova inequívoca da nossa fraqueza espiritual.

Exorta o Espírito Dufêtre: (3)

“Caros amigos, sede severos convosco, indulgentes para as fraquezas dos outros. É esta uma prática da santa caridade, que bem poucas pessoas observam. Todos vós tendes maus pendores a vencer, defeitos a corrigir, hábitos a modificar; todos tendes um fardo mais ou mesmos pesado a alijar (...)

Por que, então, haveis de mostrar-vos tão clarividentes com relação ao próximo e tão cego com relação a vós mesmos?”

Tanto tempo temos estudado a Doutrina Espírita. É preciso, pois, que nós, os espíritas, adotemos os ensinos morais, como este, aplicando-os, sobretudo dentro das nossas Casas Espíritas. Entendendo a individualidade espiritual de cada um, deixando de tentar submeter consciência às “nossas verdades”. Sabendo implementar os conhecimentos doutrinários de acordo com a capacidade de aprendizado de cada um. Acabando com as rusgas, maledicências, comentários infelizes acerca do próximo, que demonstram a nossa falta de indulgência e de evangelho no coração.

Busquemos primeiro, acender a nossa luz interior, para depois começarmos a iluminar as trevas que nos cercam. .


Reformador set99


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: S

1. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 16. 111. ed. FEB.

2. XAVIER, F. C., Boa Nova. Pelo Espírito Humberto de Campos, cap. 26, pág. 173, 20 ed. FEB.

3. KARDEC, Allan, O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 18. 111. Ed. FEB.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 16:04

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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

A RAIVA DESTRUIDORA


O homem aprende à custa de muita dor e sofrimento a cuidar do corpo, após conhecer (ou ignorar) a variedade, podemos afirmar, infinita de vermes, bactérias, vírus e micróbios infelicitadores da sua vestimenta carnal.

Desconhece, no entanto, tudo quanto infelicita a alma, os “bacilos” pestilenciais, causadores de tantos males e distúrbios, cuja patogênese se acha nela própria.

Nesta oportunidade, iremos deter-nos, um pouco que seja, nesse “bacilo” que é tão nosso conhecido, encontrado com tanta freqüência nas camadas nervosas mais sutis do psiquismo humano. Está alojado lá, e resiste a todos os apelos do bom senso, da medicina terrena e espiritual, malgrado seja a causa de tantas experiências dolorosas que infelicitam a condição somática do ser. Queremos referir--nos à raiva.

Antes de prosseguirmos, notemos onde ela, raiva, se estriba para intoxicar todo o cosmo neurológico da criatura. A raiva somente assoma à periferia da criatura porque o orgulho, instalado no seu interior, foi atingido duramente. Fosse ela humilde, a raiva não teria como se plantar e espraiar-se por toda a sua estrutura.

A raiva tem a sua raiz na forma de julgar as situações e os fatos. Escolhemos, impomos e também fantasiamos determinado padrão de comportamento, modelando o de acordo com o nosso ponto de vista. Se a pessoa tem ou não conhecimento desse padrão, para nós pouco importa.

Não corresponder às expectativas das pessoas é motivo para terem raiva de nós, malgrado sejam as expectativas irreais e irrealizáveis.

A mãe de uma menina tinha-lhe raiva por ela não ser loura, e um pai exigia que a filha relatasse, com minúcias, grandes tragédias sem mexer as mãos e sem alterar o tom de voz. Não ser atendido em seu desejo o deixava raivoso. Estes dois casos foram relatados pelo Dr. Brian Weiss no seu livro A Divina Sabedoria dos Mestres, da GMT Editores Ltda. Dois relatos que mostram até onde chega a doença espiritual motivada pela raiva.

É bem verdade que os casos acima são mais raros, ou pelo menos somente nos consultórios de psicanalistas, psiquiatras, psicoterapeutas eles chegam ao conhecimento.

Os demais motivos de provocação da raiva vividos pelo ser humano são bem conhecidos de todos. A irritação é o estopim. Aceso, fica incontrolável.

Voltando ao “relacionamento pais e filhos”, importa que possa existir um reconhecimento recíproco de que alguém incorreu em erro após se agredirem verbalmente.

Consertar a atitude errada é próprio de almas enobrecidas pela humildade.

Os pais que são cultivadores de motivos para sentir raiva, costumam exigir demasiadamente dos filhos, provocando trauma nestes, mais cedo ou mais tarde. É costume os pais exigirem de seus filhos que sejam produtivos e inteligentes como eles são, ou, em outros casos, gostariam de ter sido. Nessas horas, os pais se realizam em cima dos filhos. É um grande erro porque sabemos, segundo a Doutrina Espírita e a reencarnação, que nossos filhos são herdeiros de si mesmos, trazem para o hoje o que foram ontem. Exigir dos filhos o que eles não possuem traumatiza-os, torna-os insatisfeitos e daí para o conflito no relacionamento é um passo.

Conhecemos certo pai que chegou ao absurdo de não ir ao casamento da filha, não ajudou nada nas despesas desse evento, e culminou o seu despreparo paternal quando, ao ser indagado por alguém da família se iria ao casamento, respondeu com outra pergunta: “Mas que casamento”? Outro pai obriga o filho de vinte anos a ser tão diligente e entendido de negócios como ele próprio, chegando ao absurdo de despedir

o filho como se ele fora um empregado qualquer, deixando-o desempregado e tendo que se sustentar. O salário que pagava ao filho era um minguado salário mínimo de R$ 130,00.

Espíritas que somos, é muito importante que olhemos os filhos como Espíritos que na verdade são, estejam em qualquer fase de crescimento.

Outro motivo de raiva é a preocupação com o que pensam de nós. Não nos importemos com isso, desde que estejamos fazendo o que nos parece certo, agindo sem prejudicar ninguém. Assim procedendo evitamos a instalação da raiva em nós.

Culpar-nos e ficar girando mentalmente em torno da raiva por havermos errado é uma forma trágica de ter raiva de nós mesmos. Nunca nos culpemos, doentiamente.

Uma coisa é reconhecer o erro, prometer não incidir nele; outra, bem diferente, é permitir encharcar-se do sentimento de culpa, da monoidéia culposa e cultivá-la. A criatura está sujeitando-se a todas as suas seqüelas; uma delas a obsessão, a participação perniciosa, infecciosa de mentes doentias na casa mental do raivoso.

O desapontamento leva à raiva de nós mesmos. Duas atitudes existem para o desapontamento: perseverar ou desistir. Cabe analisar a causa do desapontamento e de forma detalhada, consciente, sem paixão.

A raiva, como vamos percebendo, é perniciosa, inútil, destrutiva. Somente pode ser dissolvida pela compreensão e pelo amor.

O Dr. Brian Weiss narra outro caso de muita beleza, no livro supracitado, que lhe foi contado por uma avó. A neta de quatro anos era sistematicamente agredida pela outra mais velha. Reagia, no entanto, assim: “Não faz isso comigo, não. Eu sou sua irmãzinha e fico triste com seu modo de me tratar!” Afirmou a avó que, passado algum tempo, a mais velha de suas netas mudou o comportamento diante da reação amorosa da mais nova.

Quando sentirmos raiva, perguntemos se ela resolve a questão que nos aborrece. Veremos sempre que não. Pelo contrário, sempre prejudica. Por quê? Ora, a raiva é sintoma de estresse que provoca uma mudança do nosso ritmo cardíaco, da pressão sangüínea e dos níveis de açúcar no sangue, ocasionando desequilíbrio fisiológico.

É aconselhável que, ao sentirmos raiva, respiremos profundamente, tentemos descobrir os motivos que a desencadearam e busquemos como resolver a questão.

Com toda a certeza desaparecerá o apego à raiva. Isto tem a sua razão de ser porque existem criaturas que são verdadeiras fomentadoras da raiva, cultivam-na, só sabem viver sob a sua influência. Agem e falam sempre com raiva. Nestas criaturas a doença não demora a instalar-se.

Quem ama não sente raiva, porque o amor é o seu antídoto. A raiva somente se apropria de quem não ama. O ritmo vibratório de quem ama é eficaz eliminador de qualquer emoção nociva desequilibrante. Dissolve-a, antes dela instalar-se.

É difícil um sistema imunológico resistir por muito tempo a quem constantemente se irrita, se enraivece. A desarmonia vibratória logo explode nas paredes do estômago, nos vasos sangüíneos do coração e da cabeça e vai por aí afora destruindo toda reserva de resistência interior do organismo. O ser humano não sabe que é o seu emocional em desequilíbrio que lhe provoca tanta dor e sofrimento, tanta desarmonia para viver em paz.

É notório o papel desempenhado pela mídia: o de projetar para o homem modelos de pessoas vencedoras, verdadeiros heróis possuidores da “raiva justa”. São eles os Rambos, os Exterminadores do Futuro, os Ninjas, os Policiais imbatíveis, os Heróis de Ficção e toda uma gama de falsos modelos. São figuras que se vão tornando arquetípicas e forjam cada vez mais a raiva, o ódio, a frieza dos sentimentos diante da dor alheia.

São imagens em desserviço para a nossa sociedade, principalmente por impressionarem fortemente a formação das crianças, as quais, em boa maioria, não encontram em seus lares, com raras exceções, os bons exemplos de amor ao próximo.

No fundo, a raiva só possui uma função: destruir-nos pelo funcionamento destrambelhado da química do nosso sistema imunológico ou pela bala disparada por quem for alvo de nossa raiva.

Compreensão e amor, vamos repetir, destroem a raiva, trazem-nos saúde e bem-estar físico, emocional, psicológico e espiritual.

O amor é sempre um alívio para todo e qualquer tipo de dor. Ele vivido, sentido em plenitude imuniza, cria barreiras intransponíveis contra as causas e os efeitos da raiva.

Amemo-nos muito, mais um pouco, em nome e por amor a Jesus, Ele que fez do que poderia ser a sua dor, a sua raiva, um hino de Amor para a Humanidade.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Sábado, 21 de Janeiro de 2012

TERRORISMO DE NATUREZA MEDIÚNICA


Sutilmente vai-se popularizando uma forma lamentável de revelação mediúnica, valorizando as questões perturbadoras que devem receber tratamento especial, ao invés de divulgação popularesca de caráter apocalíptico.

Existe um atavismo no comportamento humano em torno do Deus temor que Jesus desmistificou, demonstrando que o Pai é todo Amor, e que o Espiritismo confirma através das suas excelentes propostas filosóficas e ético-morais, o qual deve ser examinado com imparcialidade.

Doutrina fundamentada em fatos, estudada pela razão e lógica, não admite em suas formulações esclarecedoras quaisquer tipos de superstições, que lhe tisnariam a limpidez dos conteúdos relevantes, muito menos ameaças que a imponham pelo temor, como é habitual em outros segmentos religiosos.

Durante alguns milênios o medo fez parte da divulgação do Bem, impondo vinganças celestes e desgraças a todos aqueles que discrepassem dos seus postulados, castrando a liberdade de pensamento e submetendo ao tacão da ignorância e do primitivismo cultural as mentes mais lúcidas e avançadas...

O Espiritismo é ciência que investiga e somente considera aquilo que pode ser confirmado em laboratório, que tenha caráter de revelação universal, portanto, sempre livre para a aceitação ou não por aqueles que buscam conhecer-lhe os ensinamentos. Igualmente é filosofia que esclarece e jamais apavora, explicando, através da Lei de Causa e Efeito, quem somos de onde viemos, para onde vamos, porque sofremos, quais são as razões das penas e das amarguras humanas... De igual maneira, a sua ética-moral é totalmente fundamentada nos ensinamentos de Jesus, conforme Ele os enunciou e os viveu, proporcionando a religiosidade que integra a criatura na ternura do seu Criador, sendo de simples e fácil formulação.

Jamais se utiliza das tradições míticas greco-romanas, quais as das Parcas, sempre tecendo tragédias para os seres humanos, ou de outras quaisquer remanescentes das religiões ortodoxas decadentes, algumas das quais hoje estão reformuladas na apresentação, mantendo, porém, os mesmos conteúdos ameaçadores.

De maneira sistemática e contínua, vêm-se tornando comuns algumas pseudorrevelações alarmantes, substituindo as figuras mitológicas de Satanás, do Diabo, do Inferno, do Purgatório, por Dragões, Organizações demoníacas, regiões punitivas atemorizantes, em detrimento do amor e da misericórdia de Deus que vigem em toda parte.

Certamente existem personificações do Mal além das fronteiras físicas, que se comprazem em afligir as criaturas descuidadas, assim como lugares de purificação depois das fronteiras de cinza do corpo somático, todos, no entanto, transitórios, como ensaios para a aprendizagem do Bem e sua fixação nos painéis da mente e do comportamento.

O Espiritismo ressuscita a esperança e amplia os horizontes do conhecimento exatamente para facultar ao ser humano o entendimento a respeito da vida e de como comportar-se dignamente ante as situações dolorosas.

As suas revelações objetivam esclarecer as mentes, retirando a névoa da ignorância que ainda permanece impedindo o discernimento de muitas pessoas em torno dos objetivos essenciais da existência carnal.

Da mesma forma como não se deve enganar os candidatos ao estudo espírita, a respeito das regiões celestes que os aguardam, desbordando em fantasias infantis, não é correto derrapar nas ameaças em torno de fetiches, magias e soluções miraculosas para os problemas humanos, recorrendo-se ao animismo africanista, de diversos povos e às suas superstições. No passado, em pleno período medieval, as crenças em torno dos fenômenos mediúnicos revestiam-se de místicas e de cerimônias cabalísticas, propondo a libertação dos incautos e perversos das situações perniciosas em que transitavam.

O Espiritismo, iluminando as trevas que permanecem dominando incontáveis mentes, desvela o futuro que a todos aguarda rico de bênçãos e de oportunidades de crescimento intelecto-moral, oferecendo os instrumentos hábeis para o êxito em todos os cometimentos.

A sua psicologia é fértil de lições libertadoras dos conflitos que remanescem das existências passadas, de terapêuticas especiais para o enfrentamento com os adversários espirituais que procedem do ontem perturbador, de recursos simples e de fácil aplicação.

A simples mudança mental para melhor proporciona ao indivíduo a conquista do equilíbrio perdido, facultando-lhe a adoção de comportamentos saudáveis que se encontram exarados em O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, verdadeiro tratado de eficiente psicoterapia ao alcance de todos que se interessem pela conquista da saúde integral e da alegria de viver.

Após a façanha de haver matado a morte, o conhecimento do Espiritismo faculta a perfeita integração da criatura com a sociedade, vivendo de maneira harmônica em todo momento, onde quer que se encontre, liberada de receios injustificáveis e sintonizada com as bênçãos que defluem da misericórdia divina.

A mediunidade, desse modo, a serviço de Jesus, é veículo de luz, de seriedade, dignificando o seu instrumento e enriquecendo de esperança e de felicidade todos aqueles que se lhe acercam.

Jamais a mediunidade séria estará a serviço dos Espíritos zombeteiros, levianos, críticos contumazes de tudo e de todos que não anuem com as suas informações vulgares, devendo tornar-se instrumento de conforto moral e de instrução grave, trabalhando a construção de mulheres e de homens sérios que se fascinem com o Espiritismo e tornem as suas existências úteis e enobrecidas.

Esses Espíritos burlões e pseudossábios devem ser esclarecidos e orientados à mudança de comportamento, depois de demonstrado que não lhes obedecemos, nem lhes aceitamos as sugestões doentias, mentirosas e apavorantes com as histórias infantis sobre as catástrofes que sempre existiram, com as informações sobre o fim do mundo, com as tramas intérminas a que se entregam para seduzir e conduzir os ingênuos que se lhes submetem facilmente...

O conhecimento real do Espiritismo é o antídoto para essa onda de revelações atemorizantes, que se espalha como um bafio pestilencial, tentando mesclar-se aos paradigmas espíritas que demonstraram desde o seu surgimento a legitimidade de que são portadores, confirmando o Consolador que Jesus prometeu aos seus discípulos e se materializou na incomparável Doutrina.

Ante informações mediúnicas desastrosas ou sublimes, um método eficaz existe para a avaliação correta em torno da sua legitimidade, que é a universalidade do ensino, conforme estabeleceu o preclaro Codificador.

Desse modo, utilizando-se da caridade como guia, da oração como instrumento de iluminação e do conhecimento como recurso de libertação, os adeptos sinceros do Espiritismo não se devem deixar influenciar pelo moderno terrorismo de natureza mediúnica, encarregado de amedrontar, quando o objetivo máximo da Doutrina é libertar os seus adeptos, a fim de torná-los felizes.



Vianna de Carvalho

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, no dia 7 de dezembro de 2009, durante o período de realização do XVII Congresso Espírita Nacional, em Calpe, Espanha.).

Reformador Março 2010
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

RADICALISMO RELIGIOSO


As religiões, entendidas como crenças na existência de seres superiores ou forças criadoras do Universo, e que devem ser adorados e obedecidos, criaram suas doutrinas, cada qual com seus preceitos ético-morais e reverências às coisas sagradas.

As religiões geram, em seus seguidores, sistemas de pensamentos que levam a posicionamentos filosóficos, éticos e metafísicos, influindo poderosamente na maneira individual e coletiva de agir.

Assim, quanto mais próximas estiverem as doutrinas religiosas da Verdade e da realidade, melhores serão suas influências sobre seus adeptos.

Hoje, à luz da Revelação Espírita, sabemos que todas as grandes religiões do mundo, desde as mais remotas eras, tiveram, em seus fundadores, os missionários encarregados de orientar e ajudar parcelas da Humanidade a progredir em conhecimentos e sentimentos.

Mas o auxílio do Alto nunca ultrapassou a capacidade de entendimento e absorção dos ensinos por parte daqueles aos quais era dirigido.

Esse fato explica a linguagem figurada, sujeita a interpretações e estudos mais aprofundados a respeito dos textos religiosos antigos.

Moisés, Maomé, Buda, Lao-Tsé e todos os demais enviados por Jesus, o Cristo – Governador da Terra – utilizaram linguagem inteligível à época em que cumpriram suas missões.

Entretanto, transformadas as condições do mundo em que atuaram e deixaram suas mensagens e ensinos, pelo progresso natural, pelas modificações dos usos, costumes e leis humanas, pelos descobrimentos científicos e pela evolução geral do Planeta e de seus habitantes, são necessário que se interpretem os textos antigos dos livros sagrados das religiões em suas significações legítimas.

As interpretações literais de textos escritos há milênios, sem os cuidados naturais para se buscar a significação real, levam a enganos e erros como decorrências normais.

Há que se considerar também a evolução natural das línguas em que foram expressos os textos, entre as quais algumas estão extintas.

Outra dificuldade ocorrente é a das traduções dos textos originais para as línguas atuais, muito mais ricas que as antigas, nas quais um vocábulo tem hoje significações diversas. Daí a diversidade das traduções.

Essas considerações visam focalizar verdadeiros paradoxos que se observam no seio de determinadas religiões, os quais se tornam incompreensíveis ou inexplicáveis perante a finalidade visada pelos princípios religiosos, que é o da elevação dos sentimentos e dos conhecimentos da criatura humana.

Referimo-nos ao fanatismo, ao radicalismo e ao fundamentalismo que se observam em determinados movimentos religiosos, gerando consequências negativas e diversificadas no seio de grande parte da Humanidade.

O fanatismo é o procedimento, a qualidade e o caráter intolerante e cego do religioso.

Entusiasmado e apaixonado pelas ideias que aceitou, é incapaz de examinar qualquer pensamento, princípio, ou ideal que não estejam estritamente contidos na sua doutrina.

Sua vida de relação se faz extremamente difícil, em face da sua presunção de superioridade com referência a tudo que o cerca.

Próximo do fanatismo encontra-se o radicalismo daqueles cuja opinião ou comportamento os tornam inflexíveis, mesmo diante de evidências e provas contrárias ao ponto de vista que aceitaram.

Fanatismo e radicalismo são males que se enraízam nos movimentos religiosos, com graves prejuízos para os invigilantes que os aceitam e para aqueles que com eles se relacionam.

Aos prejuízos das interpretações literais do Velho e do Novo Testamentos somaram-se os equívocos das igrejas denominadas cristãs, com suas estruturas e hierarquias tradicionais, criando as organizações religiosas que se desviaram do Cristianismo autêntico, resultante dos ensinos do Cristo de Deus.

Os dogmas impróprios criados pelos diversos Concílios, desde os primeiros séculos do Cristianismo, desfiguraram a mensagem do Cristo de tal forma que se torna difícil identificá-la, na sua pureza, com as práticas e cultos exteriores das igrejas.

Não se ajustam os ensinos do Mestre Incomparável, resumidos por Ele mesmo no “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, com as ideias e as práticas resultantes da interpretação literal dos Evangelhos e do Velho Testamento.

A interpretação que se deu às palavras céu, inferno, anjos, demônios, penitência, dia do juízo e tantas outras constantes dos Evangelhos, na sua letra, sem se considerar que Jesus se dirigia a pessoas de parco entendimento e que sua linguagem tinha, tantas vezes, sentido figurado para ser entendida, levou as doutrinas católica e protestante a erros e enganos evidentes.

Céu e inferno, por exemplo, não podem ser considerados lugares determinados ao gozo eterno ou ao sofrimento eterno das almas, como entendem as igrejas, mas sim estados de alma, resultantes de seus pensamentos e ações no bem ou no mal.

Penitência não deve ter o sentido de simples castigo pelo mal feito, mas sim o de arrependimento, sem prejuízo da retificação necessária.

Anjos são Espíritos que já se encontram em avançados estágios evolutivos, mas que iniciaram sua trajetória como seres simples e ignorantes e não como criaturas especiais do Criador.

Demônios são Espíritos que se desviaram, comprazem-se no mal, mas que terão oportunidade de se redimir, dentro da lei de Deus, que é justa e equitativa para com toda a Criação.

O juízo não é um julgamento especial em um tempo indefinido dentro da eternidade, mas sim as consequências dos atos e pensamentos de cada ser pelo automatismo das leis divinas, às quais todas as criaturas estão sujeitas.

Essas noções retificadoras das doutrinas baseadas na literalidade das escrituras antigas foram trazidas pelo Consolador, prometido por Jesus, que sabia da necessidade futura do correto entendimento de seus ensinos, que se ajustam perfeitamente ao Amor, ao Poder e à Justiça de Deus.

A interpretação radical dos fundamentos, assim considerada a letra das escrituras, corresponde ao imobilismo de ideias superadas pelo progresso normal do mundo que habitamos resultante de novos conhecimentos oriundos das ciências e novas revelações.

O fundamentalismo resultante da interpretação literal, quando se junta à força do poder temporário, conduz povos, raças e nações à violência e às guerras como ocorreram no passado e ainda acontece no presente.

Fundamentalismo tornou-se sinônimo de radicalismo. Suas consequências são incompatíveis com os objetivos das religiões, que visam o progresso moral e intelectual do homem, na busca da felicidade das criaturas de Deus.

O fundamentalismo não ficou adstrito a determinados movimentos religiosos denominados cristãos.

Fenômeno semelhante ocorre no movimento islâmico, com base na interpretação literal e radical de seu livro sagrado.

Como o Alcorão foi escrito no século VII da Era Cristã, quando o mundo era ainda muito mais atrasado que na atualidade, torna-se evidente a necessidade do ajustamento de suas normas e regras às novas condições de conhecimentos e de sentimentos alcançados pelo gênero humano, que conduzem ao Bem.

Também no islamismo ou em qualquer outro movimento religioso não se justificam os fundamentos interpretados literalmente.

Devem ser considerados os mandamentos, a letra, à luz da razão, da justiça e do entendimento superior, sem o que os resultados interpretativos levam a verdadeiros absurdos, como é exemplo a condição da mulher, colocada em posição de inferioridade injustificada, atendendo a costumes de um passado superado.

Apesar do progresso alcançado pela Humanidade, em pleno século XXI subsistem tendências relativistas, utilitaristas e subjetivistas difundidas nas sociedades atuais, com pretensões de legitimidade social, cultural e religiosa.

O Espiritismo, a Terceira Revelação nos tempos modernos, oriundo da Espiritualidade superior, vem mostrar, aos homens que despertam a realidade da vida e sua continuidade infinita, procurando retificar tendências e erros provenientes do passado milenar.

Não se justifica o relativismo diante da lei moral superior do Amor, que promana do Criador do Universo e foi ensinada pelo Cristo.

O fundamentalismo, o utilitarismo, o subjetivismo e o materialismo são desvios perigosos de vivência e de interpretações infelizes, com consequências sérias para quem os aceita, contra os quais estão sempre presentes a mensagem do Cristo e a Doutrina Consoladora por Ele prometida e enviada.

Não é fácil para os que se encontram reencarnados em um mundo material como a Terra, com inúmeras obrigações perante a vida física, lembrarem-se permanentemente de que são, antes de tudo, seres espirituais em trânsito por este mundo.

Essa é a condição de toda a população terrena: Espíritos eternos, ligados a corpos materiais perecíveis, em busca do aperfeiçoamento.

As religiões auxiliam esse entendimento lembrando-nos do que somos em essência.

Mas as religiões não dispõem de todo o conhecimento, estando sujeitas a desvios, como os fatos o comprovam.

Daí o auxílio do Alto, que se manifestou em todas as épocas, através de emissários e missionários do Cristo, com o objetivo de esclarecer parcelas da Humanidade e anular as influências inferiores.

A vida em mundos de expiações e provas, como o nosso, apresenta as dificuldades naturais do campo material, reclamando esforço de aprendizagem, trabalho e dedicação, na vasta lavoura terrena, além dos serviços necessários à aquisição dos valores espirituais que representam o verdadeiro progresso da alma.

São de Bittencourt Sampaio, o lúcido Espírito, que militou nas hostes da Federação Espírita Brasileira nos fins do século XIX, as observações seguintes:

Nos dias correntes, epílogo de um ciclo planetário vasculha--se os umbrais da Espiritualidade inferior, reformando-se os museus de sofrimentos purgatórias, forjados através de milênios inumeráveis.

E no nosso mundo, o que notamos?

Apesar do ingente esforço renovador dos arautos das letras do Evangelho, mais da metade da população terrestre ainda nem ouviu falar de Jesus, o Sublime Governador da Terra; esmagadora maioria ainda nem sequer pensou no intercâmbio entre os dois mundos; grande parte da Humanidade cultua doutrinas clara e confessadamente materialistas.

Por toda parte: delitos passionais, rebeliões, suicídios, terrorismo, fanatismos, obsessão, loucura, guerras.

Tal fato não deve, entretanto, desanimar, mas deve constituir chamamento para mais dedicação ao trabalho perseverante.

Notadamente à minoria espírita cristã, pequena minoria num mundo de desesperançados, cabe à tarefa de ir prevenindo os erros seculares, que desfiguram a existência, consomem o equilíbrio, vacinando tanto quanto se puder as consciências com a fé raciocinada, apoiada nos fatos, acendendo no semelhante à luz da certeza na imortalidade, à força da palavra e à custa do exemplo.

A tarefa é enorme, mas não impossível.

É necessário perseverança.

Nessa síntese, formulada com realismo e clareza por quem viveu as experiências espiritistas em um período difícil para a afirmação da Doutrina Consoladora no “Coração do Mundo”, vemos traçadas as linhas gerais de um mundo confuso, atrasado e desesperançado.

É nessa esfera de provas e expiações que os espíritas, pequena minoria da população global, são chamados a atuar numa tarefa ingente, difícil, mas não impossível.

É a luta por um ideal superior na difusão da Verdade para toda a Humanidade.

Se o progresso é lei divina para todas as criaturas, o conhecimento de nós mesmos impõe-nos deveres diversos, inclusive o de auxiliar nossos semelhantes.



Juvanir Borges de Souza

Reformador Mar. 2010
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 01:42

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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

CARNAVAL - UMA FALSA ALEGRIA


 Entre o Espiritismo e o carnaval não existem barreiras intransponíveis, mas, sim, a possibilidade abençoada de a criatura exercitar uma de suas prioridades existenciais, isto é, saber escolher o que mais lhe convém, o que realmente priorizar como verdadeira diversão.

Podemos, neste ensejo, buscar a palavra de Paulo de Tarso, quando ele afirmou de forma a não deixar dúvidas sobre a questão aqui enfocada: “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém” (I Cor.,10: 23).

As “alegrias” experimentadas nos dias de carnaval costumam deixar resíduos morais nocivos na alma, tornando-os traumáticos, permanentes, marcantes. A história desta festividade mostra as sobras da amargura, da tristeza, dos aborrecimentos, dos desajustes familiares, dos desequilíbrios financeiros, das violências de todos os tipos, dos casos e mais casos das gestações indesejáveis, entre outras cruéis e dolorosas situações deixadas como rastros dessa mascarada, mentirosa alegria. Os tempos de as famílias inocentemente sentarem-se nas calçadas para ver os blocos passarem ficou na saudade. Em substituição, surgiu não só a necessidade cada vez maior de uma comercialização insaciável, com lucros exorbitantes, como também o extravasamento sempre audacioso do instinto sexual, da sensualidade, tema este largamente trabalhado com fins comerciais, tanto interna quanto externamente.

Vale ressaltar, na oportunidade, que o homem é o mesmo, carregando dentro de si o desejo do prazer genesíaco como objetivo a ser alcançado na vida.

O carnaval de hoje destrói a saúde física e moral, desnatura a pureza dos sentimentos nobres e impede maior expansão e expressão da caridade.

Nenhum Espírito que já desfrute do verdadeiro equilíbrio de sentimentos e emoções e logicamente do bom senso, condições estas que presidem o destino das criaturas, pode escolher, como alegria, a loucura do carnaval que adormece o ser, em detrimento daquelas outras formas de alegria, as quais levam as pessoas ao deleite de um bem-estar espiritual, e que podem ser assim enumeradas: a leitura de uma página doutrinária espírita; a convivência e conversação com pessoas que aspiram a absorção dos valores espirituais, o passeio no campo ou na praia, enfim, tudo que tenha como cenário de fundo a Natureza, que expressa o canto celeste da Vida em sua real dimensão – a espiritual.

Dentro da atualidade tecnológica, quando novos conhecimentos felicitam a mentalidade humana, falta a compreensão precisa do que seja alegria, felicidade, bem-estar moral/espiritual. É exatamente o Espiritismo que procura descerrar as belezas da vida do espírito e os objetivos sagrados da reencarnação, direcionando o homem para sua realidade de Espírito reencarnado, aprendendo a não nos reincidir mesmos erros do passado.

Nos dias atuais, mais ainda nos dos festejos carnavalescos, o que se presencia é a licenciosidade campeando assustadoramente; são momentos danosos que afetam o moral, fazendo com que o ser humano esqueça as inapreciáveis oportunidades de progresso espiritual.

O que mais nos intranqüiliza e constrange é saber que há, nesses momentos de indisciplina sentimental – os dias de carnaval –, toda uma influenciação das forças das trevas espirituais nos corações das pessoas desassisadas, levando-as a ter que reparar, através de várias reencarnações, alguns instantes de prazer ilusório.

Enquanto tais pessoas se entregam a esses “prazeres” provocadores de desgastes físicos e morais, superlotando os salões ricamente decorados, os miseráveis da vida, de estômagos vazios e corações sedentos de amor, multiplicam-se nas ruas e estendem suas mãos súplices à caridade.

São cegos, enfermos, crianças abandonadas, mães aflitas e sofredoras que desfilam ao lado dos mascarados da pseudo-alegria.

Cada ano mais e mais contribuições abarrotam os cofres dos que lograram materializar essas festas.

Que nos preocupemos com os problemas nobres da vida, porque só assim poderemos transformar o supérfluo gasto nesses fugidios folguedos na migalha abençoada capaz de suprir as reais necessidades dos mais carentes.

Enquanto houver um mendigo abandonado junto aos exuberantes gastos com o carnaval, somente se poderá registrar que continuamos passando a nós mesmos um eloqüente atestado da nossa miséria moral.

Terminamos estas singelas considerações sobre a falsa alegria que o carnaval propicia, lembrando, Humberto de Campos em Novas Mensagens (Ed. FEB), quando afirmou:

“Os três dias de Momo são integralmente destinados ao levantamento das máscaras com que todo sujeito sai à rua nos demais dias do ano”.



Adésio Alves Machado

Reformador Fevereiro 2005.Pagina 30
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

EM PAUTA - A TRISTE FESTA


Fevereiro é o mês do carnaval, que se constitui em uma série de folguedos populares, promovidos habitualmente nos três dias que antecedem o início da quaresma.

Em torno do mesmo centro de interesse - o disfarce, a dança, o canto e o gozo de certas liberdades de comunicação humana, inexistentes ou muito refreadas durante o resto do ano - a folia carnavalesca se apresenta com características distintas nos diferentes lugares em que se popularizou, vindo da Itália, especialmente de Roma, o modelo mais famoso.

De origem obscura, o mais provável é que se assente em raízes de festividades primitivas, de caráter religioso, em honra à volta da primavera. Mais concretamente, é possível se localizem suas origens em celebrações da Antigüidade, de caráter orgíaco, a exemplo das "bacanalia" da Grécia, festa em honra ao deus Dionísio.

Contudo, antes disso, os trácios se entregavam aos prazeres coletivos, como quase todos os povos antigos. E, em Roma, vamos encontrar estas festas como "saturnalia", quando se imolava uma vítima humana. Era uma festa de infeliz caráter pagão.

No Antigo Testamento, encontramos referências no Livro de Ester, especialmente no capítulo IX, que descreve como, graças à intervenção da rainha Ester junto ao rei Assuero os judeus acabam por massacrar os seus inimigos, atividade que durou dois dias inteiros, 13 e 14 do mês de Adar, cessando no dia quinze. Por essa razão, se estabeleceu que se solenizasse a data com banquetes e regozijos, conforme se lê no versículo 19: "Os Judeus, porém, que habitavam nas cidades sem muros e nas aldeias, destinaram o dia catorze do mês de Adar para banquetes e regozijos, de modo que neste dia fazem grandes divertimentos, e mandam uns aos outros alguma coisa dos seus banquetes e iguarias."

A data ficou assinalada como dias de Furim, isto é, das sortes, referindo-se ao Fur, a sorte que fora lançada e da qual eles, os Judeus, haviam saído vitoriosos.

Na Idade Média , já era aceito o Carnaval com naturalidade, configurando o enlouquecimento lícito uma vez por ano. As relações dos carnavalescos com a Igreja não foram cordiais, tendo se pronunciado doutores e Papas contra os tantos desregramentos da festividade. Contudo, o que prevaleceu foi uma atitude geral de tolerância, ficando inclusive por conta da Igreja a fixação da data do período momesco. O carnaval antecede a Quaresma, finalizando-se num dia de penitência, com a tristeza das cinzas.

A festa tem vestígios bárbaros e do primitivismo reinantes ainda na terra. No Brasil colonial e monárquico a forma mais generalizada de brincar o carnaval era o entrudo português.

Consistia em atirar contra as pessoas, não apenas água, mas provisões de pós ou cal. Mais tarde, água perfumada com limões, vinagre, groselha ou vinho. O objetivo sempre era sujar o passante desprevenido. Como se vê, uma brincadeira perigosa e grosseira.

A morte definitiva do entrudo se deu com o aparecimento do confete, a serpentina e o lança-perfume.

O que se observa nestes três dias de loucura, em que a carne nada vale, é o afloramento das paixões.

Observam-se foliões que se afadigam por longos meses na confecção das fantasias. Tudo para viver a psicosfera da ilusão. Perseguem vitórias vazias que esperam alcançar nestes dias. Diversos se mostram exaustos, física e emocionalmente. Alguns recorrem a fortes estimulantes para o instante definitivo do desfile. Consomem tempo e dinheiro, que poderiam ser aplicados na manutenção da vida e salvação de muitas vidas.

Mergulham em um fantástico mundo de sonhos. Anseiam por dar autenticidade a cada gesto, a toda atitude. Usando vestimentas de reis e rainhas, nobres e conquistadores, personagens de contos, artistas, fariam inveja a todos a quem copiam. Isso se as vestes e as coroas, os cetros, os mantos e as posturas não fossem todos falsos, exatamente como falsas são as expressões e vitórias que ostentam.

Diversos desses foliões nem se dão conta que poderão estar a representar a própria personalidade de vidas passadas.

Uma grande perda de tempo, pois de um modo geral conquistadores, reis, rainhas e generais que foram, se ainda permanecem na terra, é porque naquelas vidas faliram. E faliram feio.

Em toda essa festa de loucura, que deixa marcas profundas, pergunta-se se será mesmo manifestação de alegria, de descontração.

Que alegria é esta que exige fantasias, embriaguez e toda sorte de desregramentos para se manifestar?

Por isso, face às graves conseqüências do carnaval e suas origens de orgia e loucura, reflexionemos na exortação do espírito Thereza de Brito: "Numa sociedade em que a vida familiar tem sido tão difícil, tão escassa, por que não aproveitar os dias carnavalescos para conviverem bem mais juntos, seja no lar, num sítio arborizado, nas paisagens refazentes do mar ou da montanha, estreitando os vínculos do carinho, prestando atenção a tantos lances importantes da vida dos nossos queridos, antes inobservados?

Não se permitam poluir, pais terrestres, e lutem por preservar os seus filhos dessa ilusão passageira.

O imediatismo de Momo, os gozos das folias, as alegrias do carnaval tudo isso se desvanecerá, como todo fogo fátuo, e deixará os que neles se locupletaram nas valas da frustração e do arrependimento, mais cedo ou mais tarde.

Vocês, pai e mãe, atentos à nobre tarefa de educar seus rebentos, envolvam-nos com seu amor e sua assistência para que eles amadureçam assim, e a harmonia atinja mais rapidamente os arraiais do mundo, transformando as paixões inferiores em prazer renovador e são."





Reformador


Fontes:
1.                Nas fronteiras da loucura - Divaldo P. Franco/Manoel P. de Miranda - cap. 6 e 15.
2.                Vereda familiar - J. Raul Teixeira/Thereza de Brito - cap. 14.
3.                Enciclopédia Mirador Internacional, volume 5 - verbete: Carnaval 
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:35

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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011

PERÍSPIRITO E VESTES BRANCAS


Estudar o períspirito e conhecer suas propriedades e funções é uma das mais gratificantes atividades a que pode se dedicar o estudante espírita.
Sob o título “O períspirito descrito em 1805”, Allan Kardec publicou na Revista Espírita de janeiro de 1865 um relato do doutor Woetzel, que causou grande sensação no princípio daquele século.
Durante uma doença de sua mulher, o doutor Woetzel lhe pedira que, em caso de morte, lhe aparecesse em Espírito. Algumas semanas após o decesso, um vento pareceu soprar no quarto, embora estivesse fechado, e, “a despeito da fraca claridade que reinava, Woetzel viu a forma de sua mulher, a dizer-lhe em voz doce:
‘Charles, sou imortal; um dia nos reveremos’.
A mulher mostrou-se de vestido branco, com o mesmo aspecto que tinha antes de morrer”.
Numa segunda obra, o autor desenvolve sua teoria, segundo a qual a alma, depois da morte, seria envolvida por um corpo etéreo, luminoso, por meio do qual poderia tornar-se visível, e mesmo usar outras vestimentas por cima desse envoltório.
Comentando a passagem acima, Kardec observa que o conhecimento do corpo espiritual remonta a mais alta Antiguidade, e que só o nome períspirito é moderno. São Paulo o descreveu em sua primeira epístola aos Coríntios, capítulo 15.
Em outra edição da Revista Espírita, o Espírito Lamennais opina que faltam às palavras cor e forma para exprimir o períspirito e sua verdadeira natureza. Quanto aos Espíritos inferiores, acrescenta que os fluidos terrestres são inerentes a eles, são matéria; daí os sofrimentos da fome, do frio, que podem atormentá-los, sofrimentos que não atingem os Espíritos superiores, considerando-se que, no caso destes, os fluidos terrestres são depurados em torno de seu pensamento ou alma.
O períspirito é assim o corpo espiritual que sobrevive à morte do vaso físico e serve ao Espírito, entre outras funções, para se relacionar com os demais Espíritos e se manifestar, quando permitido por Deus, aos encarnados, através de sua visibilidade. É composto de fluidos, os quais são luminosos nos Espíritos superiores e opacos ou materializados nos inferiores.
Em outras obras da Codificação se estabelece que tanto o períspirito quanto o corpo físico têm origem no mesmo elemento primitivo (o fluido universal); que “ambos são matéria, ainda que em dois estados diferentes”. E que é com o auxílio dos fluidos que o períspirito toma a aparência de vestuários semelhantes aos que o Espírito usava quando encarnado.
André Luiz irá alertar-nos para as enfermidades da alma que se refletem na plasticidade do corpo espiritual, gerando o adoecimento do homem físico quando da somatização dessas mazelas ainda não debeladas. Dirá que o remorso desarticula as energias do corpo espiritual, criando disposições mórbidas para as enfermidades, refletidas na cromática da aura – essa túnica de forças eletromagnéticas –, e agravadas, às vezes, pelo assédio dos seres a quem ferimos (obsessão).
E que, mesmo quando perdoamos ou somos “perdoados pelas vítimas de nossa insânia, detemos conosco os resíduos mentais da culpa, qual depósito de lodo no fundo de calma piscina, e que, um dia, virão à tona de nossa existência, para a necessária expunção, à medida que se nos acentue o devotamento à higiene moral”.
Em suma: nem o perdão puro e simples é solução ideal para a extinção de nossos débitos. São necessário que sejam cumpridas as três etapas da liberação total do ser onerado perante a Lei Divina e em face da própria consciência: o arrependimento, a expiação e a reparação do mal infligido a outrem, como se vê em O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, no Código penal da vida futura (16o).
Em Mateus, capítulo 22, Jesus narra que o reino de Deus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho. Entrando, porém, o rei na festa das bodas, notou haver ali um homem que não trazia veste nupcial. Ordenou, então, que fosse atado de pés e mãos e lançado nas trevas, onde há choro e ranger de dentes.
Veste nupcial: esta é a chave para permanecer no banquete!
Por veste nupcial devemos entender veste ou vestidura branca, expressões citadas em outras passagens do Evangelho, principalmente do Apocalipse.
“O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas”, diz o Cristo (Ap., 3:5), após haver revelado, no verso anterior, que há, “em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras, e andarão de branco junto comigo, pois são dignas”.
As vestiduras, pois, são passíveis de manchar-se, mas a condição para portá-las sem qualquer mácula, resplandecentes e puras, e desfrutar o direito de conviver com o Divino Mestre, é ser um Vencedor... De suas próprias imperfeições.
No capítulo 7, versículos 9 a 15, do citado livro, visualizamos uma imensa multidão vestida de branco, proveniente de todas as nações, cantando um cântico de glória diante do trono de Deus. Um dos anciãos ali presentes tomou a palavra, perguntando:
Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram? Responde-lhe João Evangelista:
– Meu Senhor, tu o sabes.
Ele, então, acrescenta: São estes os que vieram da grande tribulação, lavaram suas vestiduras, e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário.
Entendendo-se por sangue do Cordeiro a sua Doutrina de amor e luz, o contexto revela que a vivência diuturna dos ensinos do Cristo é o detergente divino que tem o condão de purificar o homem de todas as suas mazelas, presentes e passadas, tornando alvisplendente o seu planejamento espiritual, de acordo com aquele princípio: o bem que se faz anula o mal que se fez.
Esta verdade se encontra confirmada de forma irrespondível nesta passagem:
Foi dado à esposa do Cordeiro vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. (Ap., 19:7-8.)
Por esposa do Cordeiro simboliza-se a Cristandade no seu sentido mais universalista, indene de todos os divisionismos restricionistas humanos.
E santo é todo o que pratica esses atos de solidariedade, nascidos do coração, e em perfeita harmonia com as Leis de Deus, de que se encontram replenos os Evangelhos.
Dito isto, só resta aproximar os dois polos – períspirito e vestes brancas –, como o fez Emmanuel, e teremos aí um dos mais belos símbolos do Apocalipse perfeitamente esclarecido pela Nova Revelação:
O períspirito, quanto à forma somática, obedece a leis de gravidade, no plano a que se afina [escreve Emmanuel].
Nossos impulsos, emoções, paixões e virtudes nele se expressam fielmente. Por isso mesmo, durante séculos e séculos nos demoraremos nas esferas da luta carnal ou nas regiões que lhes são fronteiriças, purificando a nossa indumentária e embelezando-a, a fim de preparar, segundo o ensinamento de Jesus, a nossa veste nupcial para o banquete do serviço divino.
Quando o livro sagrado fala, portanto, em vestiduras brancas ou linho finíssimo, está se referindo ao corpo espiritual ou psicossoma completamente purificado, ou seja, transformado em veste nupcial, talar, apto a permitir a entrada, para sempre, na festa das bodas do Cordeiro a que se refere o Evangelho.
Reformador Janeiro 2009
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:03

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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

ANO BOM


Achamos admirável a disposição de ânimo das criaturas que se saúdam à entrada de cada Novo Ano, augurando votos de felicidades umas às outras.
É ainda uma das belas praxes cultivadas pelo espírito humano, abstração feita ao caráter meramente protocolar que, em alguns casos, possa oferecer.
Isto ameniza um pouco as asperezas da trajetória terrena e dá novo alento ao trato social, que se reveste assim de mais beleza e atrativo.
Quem realiza semelhante prodígio de cordialidade e delicadeza nas manifestações dos sentimentos? quem responde por esse clima de amenidade de que nos damos conta dentro e fora dos ambientes domésticos? quem contribui, assim de maneira tão decisiva, para que as coisas, de um final de ano ao começo de outro, se mostrem abrandadas, cativantes, impregnadas de um quê de radiosidade envolvente e penetrativa?
E a resposta é - o Tempo, única e exclusivamente o Tempo - esse patrimônio comum de todos e denominador comum de renovação de tudo, tal como o entendia Padre Germano, que situava nele alcandoradas esperanças de grandiosas realizações e grandes realidades.
Quando empregamos as expressões “Ano Novo” e ”Ano Bom” para qualificar outro ciclo do Calendário, temos -,talvez, muita vez, sem o perceber - a ideia de que o Tempo é uma das maiores e mais exuberantes bênçãos com que o Criador nos felicita na experiência planetária.
Todo Ano poderá ser Bom, ainda que nossas impressões sejam em contrário.
Ele será bom, tanto quanto o desejarmos, não pelo que recebemos, mas pelo que dermos; não pelo que os outros nos fizerem, mas pelo que fizermos aos outros; não pelo que eles forem para nós, mas pelo que formos para eles, isto é, todo Ano Novo será necessariamente Ano Bom, se bons nossos pensamentos e atos, se boas nossas palavras e atitudes.
Manifestações de coisas ótimas são também novidades ótimas.
Transmissão de notícias alentadoras.
Anúncio de acontecimentos promissores.
Divulgação de mensagens salutares.
Surpresas agradáveis.
Lembranças carinhosas.
Impressões estimulativas.
Impulsos de cordialidade.
Expansões de sadio bom 'humor
Delicadas demonstrações de sentimento gratulatório.
Expressões de gentilezas.
Apresentação de maneiras discretas, distintas, corretas e nobres.
Tudo que possa contribuir para edificar e expandir o Bem, de que dermos autênticos testemunhos, serão como que parcelas de nós mesmos que se entranharão na Alma do Tempo, refletindo, nela, Luz e Bondade de nossa própria alma.
Tudo que, por nosso intermédio, caracterizar e definir o Belo caracterizará e definirá gemas e preciosidades do nosso relicário intimo, já por si mesmo embelezado.
Assim, se, ao término de um “Ano”, acharmos que ele não foi “Bom”, como esperávamos que o fosse e sempre esperamos que o seja, é que não realizamos o ideal da Bondade em nós mesmos.       
Não nos fazendo bons nem melhores, coisa alguma de bom e melhor poderemos amealhar na caixa forte de nossas riquezas e aquisições.
Não sabendo demonstrar valor diante das situações, estas se nos afigurarão adversas e madrastas.
Não revelando tolerância, faltar-nos-ão elementos para suportar e compreender os outros.
Não manifestando espírito de disciplina, as coisas mostrar-se-nos-ão tumultuadas e incontroláveis.  
Não demonstrando boa vontade, tudo nós parecerá penoso, difícil, estranho, anormal, anômalo, incompreensível.
Não nos esforçando por progredir, as maravilhas da Evolução manter-se-ão distantes e ausentes, ocultas e inapreensíveis, sem que possamos vê-las, senti-las e alcançá-las.
Não trabalhando com afinco, as melhorias de condições de vida retrair-se-ão ao nosso contato.
Não estudando com real aplicação, o Conhecimento e a Cultura permanecerão alheios à nossa presença.
Não nos dedicando ao fiel cumprimento dos nossos deveres humanos e espirituais, as verdadeiras alegrias e venturas da existência não darão acordo de si à passagem de nossos corações.
Não nos conduzindo bem, as boas coisas não se apresentarão em nosso caminho, nem se farão sentir em nós e por nós, estrada afora.
Conclusão: um Ano é Bom quando bons nos fazemos em todo o seu decurso, evidenciando a presença de Deus em nossas vidas.


Alberto Nogueira Gama
“Reformador” Janeiro 1970
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 04:55

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