Segunda-feira, 12 de Março de 2007
INALDO LACERDA LIMA
“Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.”(O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo VI, item 5.)
Difícil é o momento que estamos atravessando, na escalada do Tempo. É como se as forças da treva de repente se arregimentassem em tumultuoso e triste escarcéu contra não sabem o quê...
Ninguém precisa sair de casa nem perscrutar a vida externa através das janelas de seu domicílio. Basta ligar o aparelho de TV, o rádio de seu veículo particular, ou dar uma espiada nos jornais do dia...
As informações se sucedem em tonalidades alarmantes, no âmbito de todas as sociedades humanas deste sofrido planeta. É um edifício que desaba, em face de uma construção julgada criminosa; é um laboratório respeitável que, surpreendentemente, é denunciado ou flagrado em uma produção fraudulenta; são medicamentos falsificados que a polícia retira das prateleiras de farmácias consideradas de boa fama; são toneladas de entorpecentes camuflados descobertos, aqui e ali, na rota do narcotráfico; são cartões de crédito inexplicavelmente clonados e utilizados por outrem à revelia de seus legítimos proprietários; são crimes os mais hediondos praticados contra a pessoa humana, sem que as autoridades encontrem meios de coibi-los; são denúncias de corrupção em lugares ou instituições das mais respeitáveis; a miséria dominando no mais rico país da Terra; e, ultimamente, invasão de Delegacias de Polícia por malfeitores para libertação de seus comparsas aprisionados, além de fugas espetaculares dos presídios considerados de segurança máxima.
Que é que está a ocorrer com a Humanidade? Que se passa na ordem natural das coisas? Há até quem recorde os versos de Castro Alves diante da sorte dos escravos:
“Deus! ó Deus, onde estás que não respondes!/ Em que mundo, em que estrela tu te escondes/ Embuçado nos céus?” Não é que o poeta julgasse Deus escondido: o que ele queria era chamar para o fato horroroso as atenções do mundo político e religioso de então.
Mas é preciso ser estudioso do Espiritismo para entender que nada ocorre por acaso, nem aqui, em nosso planeta, nem em qualquer dos mundos que povoam o espaço universal, onde quer que habite uma alma esquecida de seus valores morais perante o Criador e Pai!
A resposta justificável para todo esse espetáculo de angústia e dor é: o homem esquecido de Deus! Não obstante, multiplicam-se os templos religiosos; cresce o número de religiões; a cada dia surgem novas seitas com nomes cada vez mais pomposos ou estranhos... Enquanto tudo isso ocorre, o filósofo indaga: E onde está o espírito de religiosidade? Por que se prega tanto Moisés e se olvidam os ensinos de Jesus? Por que tão desatentos se mostram os religiosos ao espírito do Evangelho, pregando o temor a Deus sem atentarem para a única religião de Deus-Pai que é o Amor? Por que não se reflete que se Deus é o Criador e Pai de toda a Humanidade, todos os homens são irmãos, constituindo a fraternidade o dever primeiro e natural de todas as criaturas humanas, independentemente de raça, língua, partido, seita e compromisso político?!
Mas tudo isso até que tem um certo cunho de naturalidade em face do materialismo identificável em toda parte, nos atos e conduta do homem, em qualquer posição que ele ocupe no âmbito das respectivas pirâmides sociais de qualquer país, e em quaisquer aspectos sociologicamente analisados. Por tudo isso, é preocupante o comportamento daqueles que exercem os papéis de líderes religiosos – clérigos ou pastores, mestres ou instrutores da fé – e que atribuem mais valor a questiúnculas de pontos de vista do que ao verdadeiro sentido da mensagem de Deus trazida à Terra por Jesus Cristo, que é inquestionavelmente o Evangelho!
Vale a pena, pois, refletir bastante sobre todo o conteúdo dessa mensagem com que o Espírito de Verdade inicia o item 5 do capítulo VI de O Evangelho segundo o Espiritismo: “Venho, como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me.” (...) “Mas, ingratos, os homens afastaram-se do caminho reto e largo que conduz ao reino de meu Pai e enveredaram pelas ásperas sendas da impiedade.” Por quê? De que impiedade fala o Espírito? Qual o motivo desse afastamento? E continua: “Homens fracos, que compreendeis as trevas das vossas inteligências, não afasteis o facho que a clemência divina vos coloca nas mãos para vos clarear o caminho e reconduzir-vos, filhos perdidos, ao regaço de vosso Pai.” (…) “No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram.” E conclui a sua mensagem com esse veemente apelo: “Irmãos! nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade.”
Aliás, o apelo do Espírito de Verdade está presente nas sete mensagens que ilustram O Evangelho segundo o Espiritismo: uma no Prefácio da obra, cinco nesse capítulo VI aqui tratado, e a última no item 5 do capítulo XX.
É um apelo que pode estar inscrito em toda a extensão da obra marcada com o sinete Allan Kardec, incluída a Revue Spirite. A propósito: Já refletiu o nobre leitor na maneira como ele, Espírito Verdade, se dirigiu ao insigne Missionário, naquela sessão de 12 de junho de 1856, através da médium Srta. Aline (página 281 de Obras Póstumas – 13a edição FEB)? Pois bem, convém meditarmos todos nós, espíritas, na resposta do Prof. Rivail: – Espírito Verdade, agradeço os teus sábios conselhos. Aceito tudo, sem restrição e sem idéia preconcebida.