Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

LUGAR SECRETO

Nos Salmos do Antigo Testamento e nos Evangelhos há referências expressas ao “lugar secreto”, sede de nossa consciência, o nosso ser íntimo.
Nele originam-se os pensamentos, as resoluções interiores, mesmo quando derivadas de sugestões de outros seres. O Espírito nele reina soberano, no exercício de seu livre-arbítrio.
“A consciência é um pensamento íntimo, que pertence ao homem, como todos os outros pensamentos.”
“Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina.” (“O Livro dos Espíritos”, Questões 835 e 843.)
Nenhuma causa assenta-se de fora para dentro. O interior é que produz o exterior.
Acontece freqüentemente, no curso da vida, a sujeição de nossos pensamentos a hábitos adquiridos, estereotipando idéias que se tornam fixas, invariáveis, mas sempre com nossa concordância. Se os hábitos-pensamentos ajustam-se à Lei Divina, tanto melhor para o ser. Mas se violam a Lei, responderemos pelas conseqüências.
Isto justifica a necessidade de vigilância permanente, de esclarecimento constante do Espírito, para que a prática da vida, desdobrando-se nas ações mais variadas, resulte de pensamentos retos.
Se bem atentarmos nos ensinamentos de Jesus, que para muitos parecem extremamente complexos e fora da realidade da vida, se nos aplicarmos às verdades trazidas pelo Consolador aos tempos modernos, rememorando aqueles ensinos, depararemos com uma certeza muito clara e evidente: a mensagem do Cristo, revivida na Doutrina dos Espíritos, é de natureza transcendente, porque provém do Alto, mas é de índole prática por excelência, porque indica a cada indivíduo o “caminho e a verdade” para que seu procedimento o conduza à própria felicidade, à “salvação”, ao progresso contínuo, tal o seu destino.
Ë óbvio reconhecer, pois, a extrema importância da orientação que dada um imprime ao seu íntimo. Pensar retamente, de conformidade com a Lei, resultará em que, agora ou depois, tudo estará bem no mundo exterior.
O papel das religiões e filosofias pode ser resumido, em todos os tempos, em ajudar e esclarecer o homem, para que pense corretamente, aproximando-o das realidades e da verdade. Não sendo elas detentoras da verdade absoluta, representam parcelas de conhecimento que estão em consonância com o patamar evolutivo das raças e povos.
A vinda do Cristo, o Guia e Governador espiritual do nosso mundo, complementa e retifica as religiões e filosofias, suprindo suas carências e desvios, como torna patente a Terceira Revelação.
Entretanto, podemos observar que a Humanidade, na sua maior parcela, tem invertido os termos da realidade. Desde os tempos primitivos da vida do homem neste Planeta, prevalece a ilusão de que os atos exteriores, de fácil observação pelo fascínio que exercem sobre os sentidos físicos, podem ocupar o lugar do pensamento e do sentimento.
Por isso, na política e nas regras das sociedades humanas tem prevalecido a idéia de que as leis e instituições da Terra resolvem todos os problemas do homem, mesmo que permaneça ele mau, ignorante e despreparado.
Sucedem-se então as tentativas de criarem-se instituições perfeitas e leis justas para atenderem às mais diferentes necessidades humanas. Acontece que as desilusões também se sucedem, eis que não podem surgir instituições e leis justas e perfeitas criadas e sustentadas por mentes desajustadas da Lei maior, nem cumpridas boas normas por indivíduos despreparados.
Toda a gama de regimes políticos e sistemas sociais, desde os reinados e principados absolutos até os sistemas atuais de democracias representativas e socialistas, passando por todas as experiências escravocratas, feudais, ditatoriais e quantas que se conhecem, incidem no mesmo erro, o da ilusão de que as ações exteriores podem substituir o pensamento correto. Entretanto, o pensamento reto só pode ser gerado pelas mentes reeducadas no bem.
No domínio das religiões ocorre fato semelhante, com o predomínio do culto exterior nas massas dos seguidores, com prejuízo do culto interior, além dos desvios de princípios essenciais, pelas falsas interpretações e pela imposição de dogmas impróprios. É o que se observa nas grandes religiões tradicionais e nas seitas atuais que proliferam por toda parte.
As instituições humanas só se aproximarão da perfeição quando resultarem, na sua criação e no seu funcionamento, de consciências retas e de sentimentos puros. Por isso será necessário, antes, forjarem-se os caracteres morais. Todo um programa de reeducação integral está à espera do interesse dos homens.
Enquanto predominar nas massas o egoísmo coletivo, como somatório do egoísmo individual, enquanto for lugar comum a inveja, a ganância e a corrupção em detrimento do amor e da justiça concebidos interiormente, para que se manifestem na compreensão exterior, enquanto prevalecer a indiferença entre os indivíduos, sufocando a solidariedade, estaremos diante de sinais inequívocos de que os homens continuam iludidos pelas exterioridades, sem atentarem para a necessidade de estancar em seu nascedouro, no íntimo dos seres, as causas dos males evidentes.
Todas as mazelas humanas que se manifestam sob as múltiplas formas do egoísmo e do orgulho só serão detidas quando substituídos esses sentimentos negativos pelas formas positivas do amor e da justiça interiores. E uma questão de educação do Espírito para que atente no seu próprio destino: o progresso intelectual e moral.
No campo social, a felicidade coletiva é a soma do esforço individual no bem. O melhor para todos depende da reeducação dos pensamentos e dos sentimentos de cada um.
Nossa função não é a de criar o bem, já que ele existe de toda a eternidade. Nosso papel é o de aceitá-lo interiormente e de exercitá-lo em pensamentos e ações. A mensagem do Cristo e o ensino dos Espíritos Superiores preconizam exatamente nossa harmonização com o determinismo do bem.
Felizes os que aprendem as retas veredas da alma, assenhoreiam-se de seus pensamentos e os ajustam aos ensinamentos do Mestre Divino, no seu sentido espiritual transcendente.
A busca do bem e da verdade assemelha-se ao trabalho de garimpagem. Para encontrá-los em meio à ganga torna-se imprescindível não só o esforço inteligente, mas também a simplicidade de coração, para só assimilar o correto e o justo perante a Lei Divina.
A paz interior baseia-se na estabilidade do coração, quando há firmeza na busca do bem.
Ouvimos muitas vezes de companheiros espíritas que o conhecimento da Doutrina e o esforço na prática de seus princípios morais foi fator decisivo na modificação de suas vidas. Nada mais lógico e natural.
Quando conhecemos a verdade e aceitamos determinados princípios que conduzem à realidade de nosso ser, a experiência acrescida nos leva à criação de novas condições interiores, com reflexos em todo o ambiente que nos é próprio.
Pensamentos retos produzem modificações na maneira incorreta de agir. Se passamos a preocupar-nos com os postulados da consoladora Doutrina Espírita, esforçando-nos em ceder algo em favor dos outros, somos despertados pelo amor fraterno, sentindo a necessidade do próximo, a angústia do vizinho, o sofrimento das pessoas. Atraímos condições especiais em nosso meio, adotamos nova tábua de valores, entre os quais os bens materiais já não ocupam os primeiros lugares.
Esforçamo-nos, enfim, pelo nascimento interior de um reino que nos pertence e que podemos governar com a consciência permanentemente em busca da paz.
É natural que não somente nós percebamos as transformações íntimas, mas também os que nos rodeiam. Os familiares e amigos, parentes e companheiros de jornada percebem a mudança, embora quase sempre atribuindo-a às circunstâncias externas.
O homem permanecerá escravo do erro e da ignorância, sofrendo-lhes as conseqüências enquanto não se libertar pelo conhecimento de si mesmo e das leis da vida.
Para a libertação da Humanidade, Jesus, seu Guia e Salvador, afirmou: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”
Sua pregação revelou grande parte da Verdade, mostrando-nos Deus na figura de Pai e Criador e ensinando aos homens como viver e como morrer. Em nova etapa do conhecimento da Verdade, os Espíritos do Senhor desvendaram os segredos da morte, na vida que se desdobra infindável, sob outras formas e dimensões.
O “lugar secreto” é o reino interno da nossa mentalidade. Todos os nossos pensamentos são aí criados. Os pensamentos induzidos por outrem são perfilhados ou rejeitados. Somente o próprio Espírito tem o domínio de sua consciência. O livre-arbítrio é um dos dons com que o Criador dotou o Espírito imortal.
Criado ou adotado certo pensamento, produz ele conseqüências inevitáveis. Assim, se não desejamos determinados efeitos, o meio normal de evitá-los é abstermo-nos da geratriz, que se encontra dentro de nós.
Por aí podemos perceber a extensão e a importância da vigilância interior, coadjuvada pela oração, a forma de evitar e repelir os pensamentos indesejáveis.
Igualmente podemos entender melhor o sentido do pecado por pensamentos que muitos rejeitam por entenderem que não tem existência real. O erro está em considerar irreal o que é imaterial.
Não se podem separar emoções e sentimentos dos pensamentos correspondentes.
O amor, a bondade, a alegria sã, a doçura, a piedade e todos os sentimentos elevados induzem pensamentos positivos que com eles se confundem. Produzem o otimismo, a confiança, a certeza, a fé. Já quando alimentamos sentimentos de ódio, raiva, rancor, inveja, despeito, nossos pensamentos geram mal-estar em nós e nos outros, produzindo danos à saúde do corpo e do Espírito.
A força do pensamento, bem dirigida, permite ao Espírito a aproximação com o Criador.
É lei da vida que, pela forma como pensamos, falamos, agimos e escolhemos nossas companhias espirituais.
Qualquer que seja a conduta adotada, invariavelmente ela voltará para nós, cedo ou tarde.
O bem ou o mal que desejamos e que dedicamos aos outros, recebê-los-emos de volta, aqui ou alhures.
Juvanir Borges de Souza
Fonte: Reformador – junho, 1989
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 15:37

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LUGAR SECRETO

Nos Salmos do Antigo Testamento e nos Evangelhos há referências expressas ao “lugar secreto”, sede de nossa consciência, o nosso ser íntimo.
Nele originam-se os pensamentos, as resoluções interiores, mesmo quando derivadas de sugestões de outros seres. O Espírito nele reina soberano, no exercício de seu livre-arbítrio.
“A consciência é um pensamento íntimo, que pertence ao homem, como todos os outros pensamentos.”
“Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina.” (“O Livro dos Espíritos”, Questões 835 e 843.)
Nenhuma causa assenta-se de fora para dentro. O interior é que produz o exterior.
Acontece freqüentemente, no curso da vida, a sujeição de nossos pensamentos a hábitos adquiridos, estereotipando idéias que se tornam fixas, invariáveis, mas sempre com nossa concordância. Se os hábitos-pensamentos ajustam-se à Lei Divina, tanto melhor para o ser. Mas se violam a Lei, responderemos pelas conseqüências.
Isto justifica a necessidade de vigilância permanente, de esclarecimento constante do Espírito, para que a prática da vida, desdobrando-se nas ações mais variadas, resulte de pensamentos retos.
Se bem atentarmos nos ensinamentos de Jesus, que para muitos parecem extremamente complexos e fora da realidade da vida, se nos aplicarmos às verdades trazidas pelo Consolador aos tempos modernos, rememorando aqueles ensinos, depararemos com uma certeza muito clara e evidente: a mensagem do Cristo, revivida na Doutrina dos Espíritos, é de natureza transcendente, porque provém do Alto, mas é de índole prática por excelência, porque indica a cada indivíduo o “caminho e a verdade” para que seu procedimento o conduza à própria felicidade, à “salvação”, ao progresso contínuo, tal o seu destino.
Ë óbvio reconhecer, pois, a extrema importância da orientação que dada um imprime ao seu íntimo. Pensar retamente, de conformidade com a Lei, resultará em que, agora ou depois, tudo estará bem no mundo exterior.
O papel das religiões e filosofias pode ser resumido, em todos os tempos, em ajudar e esclarecer o homem, para que pense corretamente, aproximando-o das realidades e da verdade. Não sendo elas detentoras da verdade absoluta, representam parcelas de conhecimento que estão em consonância com o patamar evolutivo das raças e povos.
A vinda do Cristo, o Guia e Governador espiritual do nosso mundo, complementa e retifica as religiões e filosofias, suprindo suas carências e desvios, como torna patente a Terceira Revelação.
Entretanto, podemos observar que a Humanidade, na sua maior parcela, tem invertido os termos da realidade. Desde os tempos primitivos da vida do homem neste Planeta, prevalece a ilusão de que os atos exteriores, de fácil observação pelo fascínio que exercem sobre os sentidos físicos, podem ocupar o lugar do pensamento e do sentimento.
Por isso, na política e nas regras das sociedades humanas tem prevalecido a idéia de que as leis e instituições da Terra resolvem todos os problemas do homem, mesmo que permaneça ele mau, ignorante e despreparado.
Sucedem-se então as tentativas de criarem-se instituições perfeitas e leis justas para atenderem às mais diferentes necessidades humanas. Acontece que as desilusões também se sucedem, eis que não podem surgir instituições e leis justas e perfeitas criadas e sustentadas por mentes desajustadas da Lei maior, nem cumpridas boas normas por indivíduos despreparados.
Toda a gama de regimes políticos e sistemas sociais, desde os reinados e principados absolutos até os sistemas atuais de democracias representativas e socialistas, passando por todas as experiências escravocratas, feudais, ditatoriais e quantas que se conhecem, incidem no mesmo erro, o da ilusão de que as ações exteriores podem substituir o pensamento correto. Entretanto, o pensamento reto só pode ser gerado pelas mentes reeducadas no bem.
No domínio das religiões ocorre fato semelhante, com o predomínio do culto exterior nas massas dos seguidores, com prejuízo do culto interior, além dos desvios de princípios essenciais, pelas falsas interpretações e pela imposição de dogmas impróprios. É o que se observa nas grandes religiões tradicionais e nas seitas atuais que proliferam por toda parte.
As instituições humanas só se aproximarão da perfeição quando resultarem, na sua criação e no seu funcionamento, de consciências retas e de sentimentos puros. Por isso será necessário, antes, forjarem-se os caracteres morais. Todo um programa de reeducação integral está à espera do interesse dos homens.
Enquanto predominar nas massas o egoísmo coletivo, como somatório do egoísmo individual, enquanto for lugar comum a inveja, a ganância e a corrupção em detrimento do amor e da justiça concebidos interiormente, para que se manifestem na compreensão exterior, enquanto prevalecer a indiferença entre os indivíduos, sufocando a solidariedade, estaremos diante de sinais inequívocos de que os homens continuam iludidos pelas exterioridades, sem atentarem para a necessidade de estancar em seu nascedouro, no íntimo dos seres, as causas dos males evidentes.
Todas as mazelas humanas que se manifestam sob as múltiplas formas do egoísmo e do orgulho só serão detidas quando substituídos esses sentimentos negativos pelas formas positivas do amor e da justiça interiores. E uma questão de educação do Espírito para que atente no seu próprio destino: o progresso intelectual e moral.
No campo social, a felicidade coletiva é a soma do esforço individual no bem. O melhor para todos depende da reeducação dos pensamentos e dos sentimentos de cada um.
Nossa função não é a de criar o bem, já que ele existe de toda a eternidade. Nosso papel é o de aceitá-lo interiormente e de exercitá-lo em pensamentos e ações. A mensagem do Cristo e o ensino dos Espíritos Superiores preconizam exatamente nossa harmonização com o determinismo do bem.
Felizes os que aprendem as retas veredas da alma, assenhoreiam-se de seus pensamentos e os ajustam aos ensinamentos do Mestre Divino, no seu sentido espiritual transcendente.
A busca do bem e da verdade assemelha-se ao trabalho de garimpagem. Para encontrá-los em meio à ganga torna-se imprescindível não só o esforço inteligente, mas também a simplicidade de coração, para só assimilar o correto e o justo perante a Lei Divina.
A paz interior baseia-se na estabilidade do coração, quando há firmeza na busca do bem.
Ouvimos muitas vezes de companheiros espíritas que o conhecimento da Doutrina e o esforço na prática de seus princípios morais foi fator decisivo na modificação de suas vidas. Nada mais lógico e natural.
Quando conhecemos a verdade e aceitamos determinados princípios que conduzem à realidade de nosso ser, a experiência acrescida nos leva à criação de novas condições interiores, com reflexos em todo o ambiente que nos é próprio.
Pensamentos retos produzem modificações na maneira incorreta de agir. Se passamos a preocupar-nos com os postulados da consoladora Doutrina Espírita, esforçando-nos em ceder algo em favor dos outros, somos despertados pelo amor fraterno, sentindo a necessidade do próximo, a angústia do vizinho, o sofrimento das pessoas. Atraímos condições especiais em nosso meio, adotamos nova tábua de valores, entre os quais os bens materiais já não ocupam os primeiros lugares.
Esforçamo-nos, enfim, pelo nascimento interior de um reino que nos pertence e que podemos governar com a consciência permanentemente em busca da paz.
É natural que não somente nós percebamos as transformações íntimas, mas também os que nos rodeiam. Os familiares e amigos, parentes e companheiros de jornada percebem a mudança, embora quase sempre atribuindo-a às circunstâncias externas.
O homem permanecerá escravo do erro e da ignorância, sofrendo-lhes as conseqüências enquanto não se libertar pelo conhecimento de si mesmo e das leis da vida.
Para a libertação da Humanidade, Jesus, seu Guia e Salvador, afirmou: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”
Sua pregação revelou grande parte da Verdade, mostrando-nos Deus na figura de Pai e Criador e ensinando aos homens como viver e como morrer. Em nova etapa do conhecimento da Verdade, os Espíritos do Senhor desvendaram os segredos da morte, na vida que se desdobra infindável, sob outras formas e dimensões.
O “lugar secreto” é o reino interno da nossa mentalidade. Todos os nossos pensamentos são aí criados. Os pensamentos induzidos por outrem são perfilhados ou rejeitados. Somente o próprio Espírito tem o domínio de sua consciência. O livre-arbítrio é um dos dons com que o Criador dotou o Espírito imortal.
Criado ou adotado certo pensamento, produz ele conseqüências inevitáveis. Assim, se não desejamos determinados efeitos, o meio normal de evitá-los é abstermo-nos da geratriz, que se encontra dentro de nós.
Por aí podemos perceber a extensão e a importância da vigilância interior, coadjuvada pela oração, a forma de evitar e repelir os pensamentos indesejáveis.
Igualmente podemos entender melhor o sentido do pecado por pensamentos que muitos rejeitam por entenderem que não tem existência real. O erro está em considerar irreal o que é imaterial.
Não se podem separar emoções e sentimentos dos pensamentos correspondentes.
O amor, a bondade, a alegria sã, a doçura, a piedade e todos os sentimentos elevados induzem pensamentos positivos que com eles se confundem. Produzem o otimismo, a confiança, a certeza, a fé. Já quando alimentamos sentimentos de ódio, raiva, rancor, inveja, despeito, nossos pensamentos geram mal-estar em nós e nos outros, produzindo danos à saúde do corpo e do Espírito.
A força do pensamento, bem dirigida, permite ao Espírito a aproximação com o Criador.
É lei da vida que, pela forma como pensamos, falamos, agimos e escolhemos nossas companhias espirituais.
Qualquer que seja a conduta adotada, invariavelmente ela voltará para nós, cedo ou tarde.
O bem ou o mal que desejamos e que dedicamos aos outros, recebê-los-emos de volta, aqui ou alhures.
Juvanir Borges de Souza
Fonte: Reformador – junho, 1989
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 15:37

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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

EU TE AGRADEÇO SENHOR

Senhor, a maioria das pessoas que te procuram é para pedir e exigir, para impor e reclamar, menos eu.
Eu te quero louvar, quero dizer que te amo a vida, que para mim é bela e consentida.
Muito obrigado Senhor, pelo que me deste, pelo que me dás. Obrigado pelo ar, pelo pão, pela paz.
Muito obrigado pela Beleza que os meus olhos vêem no altar da natureza, olhos que fitam a terra, o céu e o mar, que acompanham a ave ligeira que corre fagueira pelo céu de anil e se detém na terra verde salpicada de flores em tonalidades mil. Muito obrigado Senhor porque posso ver meu amor, mas diante da minha visão eu te formulo uma oração pelos cegos que se debatem na escuridão que tropeçam na multidão por eles eu oro..., e a ti peço comiseração, porque eu sei que depois desta vida na outra lida eles também enxergarão.
Muito obrigado pelos ouvidos que me foram dados por Deus, ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telhado, a melodia do vento, do ramo do arvoredo, ouvidos que ouvem a música do povo que descem dos morros na praça a cantar a melodia dos imortais, que a gente ouve uma vez e não esquece nunca mais, a voz melodiosa que a nora melancólica do boiadeiro e a amargura do mundo inteiro, pela minha faculdade de ouvir, pelos surdos eu te quero pedir, porque eu sei que depois desta dor no teu reino de amor eles poderão ouvir.
Muito obrigado pela minha voz mas também pela sua voz, pela voz que ama que canta, que declama, que ensina, que alfabetiza, que ilumina, que calteia uma canção, pela voz que o teu nome profere com sentida emoção. Diante da minha melodia eu te quero rogar pelos que sofrem de afazia, os que não cantam de noite, os que não falam do dia, oro por eles, porque eu sei que depois desta prova na vida nova eles também cantarão.
Muito obrigado pelas minhas mãos, mas também pelas mãos que aram, que semeiam, que agasalham, mãos de amor, mãos de ternura, mãos de caridade, mãos de solidariedade, mãos dos adeuses, mãos que limpam feridas, que enxugam lágrimas, suores da vida, pelas mãos que apertam mãos, mãos de sinfonia, mãos de poesia, mãos de cirurgia, pelas mãos que atendem a velhice, a dor, o sofrimento, o desabor, pelas mãos que nos seios embalam o filho alheio sem receio.
Pelos pés que me levam a andar sem reclamar . Muito obrigado Senhor porque posso me movimentar. Diante do meu corpo perfeito quero louvar porque eu vejo na terra infelizes, aleijados, marcados, deformados, amputados, desesperados e eu posso andar. Oro por eles, por que eu sei que depois desta encarnação, superada esta expiação eles também bailarão.
Muito obrigado pelo meu lar, é tão maravilhoso ter um lar não é importante ser uma mansão, uma tapera, se está em uma favela, se é um ninho ou uma casa no caminho, seja lá o que for, mas é importante que dentro dele haja amor, amor de mãe ou de pai, a presença de esposa, de marido, de um filho ou de irmão, alguém que nos dê a mão, porque é muito doloroso viver na solidão, pelo menos que haja a presença de um cão.
Mas se ninguém tiver para me amar, nem um teto para me agasalhar, uma cama para repousar, nem aí me desesperarei porque eu tenho a ti e te quero dizer que te amo Senhor.
Muito obrigado Senhor porque nasci pelo teu amor.
Prece de Divaldo Pereira Franco
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 02:52

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EU TE AGRADEÇO SENHOR

Senhor, a maioria das pessoas que te procuram é para pedir e exigir, para impor e reclamar, menos eu.
Eu te quero louvar, quero dizer que te amo a vida, que para mim é bela e consentida.
Muito obrigado Senhor, pelo que me deste, pelo que me dás. Obrigado pelo ar, pelo pão, pela paz.
Muito obrigado pela Beleza que os meus olhos vêem no altar da natureza, olhos que fitam a terra, o céu e o mar, que acompanham a ave ligeira que corre fagueira pelo céu de anil e se detém na terra verde salpicada de flores em tonalidades mil. Muito obrigado Senhor porque posso ver meu amor, mas diante da minha visão eu te formulo uma oração pelos cegos que se debatem na escuridão que tropeçam na multidão por eles eu oro..., e a ti peço comiseração, porque eu sei que depois desta vida na outra lida eles também enxergarão.
Muito obrigado pelos ouvidos que me foram dados por Deus, ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telhado, a melodia do vento, do ramo do arvoredo, ouvidos que ouvem a música do povo que descem dos morros na praça a cantar a melodia dos imortais, que a gente ouve uma vez e não esquece nunca mais, a voz melodiosa que a nora melancólica do boiadeiro e a amargura do mundo inteiro, pela minha faculdade de ouvir, pelos surdos eu te quero pedir, porque eu sei que depois desta dor no teu reino de amor eles poderão ouvir.
Muito obrigado pela minha voz mas também pela sua voz, pela voz que ama que canta, que declama, que ensina, que alfabetiza, que ilumina, que calteia uma canção, pela voz que o teu nome profere com sentida emoção. Diante da minha melodia eu te quero rogar pelos que sofrem de afazia, os que não cantam de noite, os que não falam do dia, oro por eles, porque eu sei que depois desta prova na vida nova eles também cantarão.
Muito obrigado pelas minhas mãos, mas também pelas mãos que aram, que semeiam, que agasalham, mãos de amor, mãos de ternura, mãos de caridade, mãos de solidariedade, mãos dos adeuses, mãos que limpam feridas, que enxugam lágrimas, suores da vida, pelas mãos que apertam mãos, mãos de sinfonia, mãos de poesia, mãos de cirurgia, pelas mãos que atendem a velhice, a dor, o sofrimento, o desabor, pelas mãos que nos seios embalam o filho alheio sem receio.
Pelos pés que me levam a andar sem reclamar . Muito obrigado Senhor porque posso me movimentar. Diante do meu corpo perfeito quero louvar porque eu vejo na terra infelizes, aleijados, marcados, deformados, amputados, desesperados e eu posso andar. Oro por eles, por que eu sei que depois desta encarnação, superada esta expiação eles também bailarão.
Muito obrigado pelo meu lar, é tão maravilhoso ter um lar não é importante ser uma mansão, uma tapera, se está em uma favela, se é um ninho ou uma casa no caminho, seja lá o que for, mas é importante que dentro dele haja amor, amor de mãe ou de pai, a presença de esposa, de marido, de um filho ou de irmão, alguém que nos dê a mão, porque é muito doloroso viver na solidão, pelo menos que haja a presença de um cão.
Mas se ninguém tiver para me amar, nem um teto para me agasalhar, uma cama para repousar, nem aí me desesperarei porque eu tenho a ti e te quero dizer que te amo Senhor.
Muito obrigado Senhor porque nasci pelo teu amor.
Prece de Divaldo Pereira Franco
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 02:52

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Domingo, 25 de Janeiro de 2009

A CAPA DE SANTO


Certo discípulo, extremamente aplicado ao Infinito Bem, depois de largo tempo ao lado do Divino Mestre recebeu a incumbência de servi-lo entre os homens da Terra.
Desceu da Esfera Superior em que se demorava e nasceu entre as criaturas para ser carpinteiro.
Operário digno e leal, muita vez experimentou conflitos amargurosos, mas, fervoroso, apegava-se à proteção dos santos e terminou a primeira missão admiravelmente.
Tornou ao céu, jubiloso, e recebeu encargos de marinheiro.
Regressou à carne e trabalhou assíduo, em viagens inúmeras, espalhando benefícios em nome do Senhor.
Momentos houve em que a tempestade o defrontou ameaçador, mas o aprendiz, nas lides do mar, recorria aos Heróis Bem-Aventurados e entesourou forças para vencer.
Rematou o serviço de maneira louvável e voltou à Casa Celeste, de onde retornou ao mundo para ser copista.
Exercitaram-se, então, pacientemente, nos trabalhos de escrita, gravando luminosos ensinamentos dos sábios; e, quando a aflição ou o enigma lhe visitaram a alma, lembrava-se dos Benfeitores Consagrados e nunca permaneceu sem o alívio esperado.
Novamente restituído ao Domicílio do Alto, sempre louvado pela conduta irrepreensível, desceu aos círculos de luta comum para ser lavrador.
Serviu com inexprimível abnegação à gleba em que renascera e, se as dores lhe buscavam o coração ou o lar, suplicava os bons ofícios dos Advogados dos Pecadores e jamais ficou desamparado.
Depois de precioso descanso, ressurgiu no campo humano para exercitar-se no domínio das ciências e das artes.
Foi aluno de filosofia e encontrou numerosas tentações contra a fé espontânea que lhe sustentava a alma simples e estudiosa; todavia em todos os percalços do caminho, implorava a cooperação dos Grandes Instrutores da Perfeição, que haviam conquistado a láurea da santidade, nas mais diversas nações, e atravessaram ilesas, as provas difíceis.
Logo após, foi médico e surpreendeu padecimentos que nunca imaginara. Afligiram-se milhares de vezes ante as agruras de muitos destinos lamentáveis; refugiou-se na paciência, pediu socorro dos Protetores da Humanidade e, com o patrocínio deles, venceu, mais uma vez.
Tamanha devoção adquiriu que não sabia mais trabalhar sem recurso imediato ao concurso dos Espíritos Glorificados na própria sublimação.
Para ela, semelhantes benfeitores seriam campeões da graça, privilegiados do Pai Supremo ou súdito favorecidos do Trono Eterno. E, por isso, prossegui trabalhando, agarrando-se-lhes à colaboração.
Foi alfaiate, escultor, poeta, músico, escritor, professor, administrador, condutor, legislador e sempre se retirou da Terra com distinção.
Vitorioso em tantos encargos foi chamado pelo Mestre, que lhe falou, conciso:
- Tens vencido em todas as provas que te confiei e, agora, podes escolher a própria tarefa.
O discípulo, embriagado de ventura, considerou sem detença:
- Senhor, tantas graças tenho recebido dos Benfeitores Divinos, que, doravante, desejaria ser um deles, junto da Humanidade...
- Pretenderias, porventura, ser um santo?- indagou o Celeste Instrutor, sorrindo.
- Sim... - confirmou o aprendiz extasiado.
O senhor, em tom grave, considerou:
- O fruto que alimenta deve estar suficientemente amadurecido... Até hoje, na forma de operário, de artista, de administrador e orientador, tens estado a meu serviço, junto dos homens, junto de mim. Há muita diferença...
Mas, o interlocutor insistiu, humilde, e o mestre não lhe negou a concessão.
Renasceu, desse modo, muito esperançoso, e, aos vinte anos de corpo físico, recebeu do Alto o manto resplandecente da santidade.
Manifestaram-se nele dons sublimes.
Adivinhava, curava, esclarecia, consolava.
A inteligência, a intuição e a ternura nele eram diferentes e fascinantes.
E o povo, reconhecendo-lhe a condição, buscou-lhe, em massa, as bênçãos e diretrizes. Bons e maus, justos e injustos, ignorantes e instruídos, jovens e velhos, exigiram-lhe, sem consideração por suas necessidades naturais, a saúde, o tempo, a paz e a vida.
Na categoria de santo, não podia subtrair-se à luta, nem desesperar, e por mais que fosse rodeado de manjares e flores, por parte dos devotos e beneficiários reconhecidos, não podia comer, nem dormir, nem pensar, nem lavar-se. Devia dar, sem reclamação, as próprias forças, à maneira da vela, mantendo a chama por duas pontas.
Não valiam escusas, lágrimas, cansaço e serviço feito.
O povo exigia sempre.
Depois de dois anos de amargosa batalha espiritual, atormentado e desgostoso, dirigiu-se em preces ao Senhor e alegou que a capa de santo era por demais espinhosa e pesava excessivamente.
Reparando-lhe o pranto sincero, o Mestre ouviu-o, compadecido, e explicou:
- Olvidaste que, até agora, agiste no comando. Na posição de carpinteiro, modelavas a madeira; lavrador determinava o solo; médico, ordenavas aos enfermos; filósofo arregimentava idéias; músico. Tangias o instrumento; escultor cinzelava a pedra; escritor dispunha sobre as letras; professor instruía os menos sábios que tu mesmo; administrador e legislador interferiam nos destinos alheios. Sempre te emprestei autoridade e recurso para os trabalhos de determinação... Para envergares a capa de santo, porém, é necessário aprender a servir...
A fim de alcançares esse glorioso fim, serás, de ora em diante, modelado, brunido, aprimorado e educado pela vida.
E enquanto o Mestre sorria complacente e bondoso, o discípulo em pranto, mas reconfortado, esperava novas ordenações para ingressar no precioso curso de obediência.

"Livro:" Contos e Apólogos "- Psicografia Francisco C. Xavier- Espírito Irmão X".
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 02:53

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A CAPA DE SANTO


Certo discípulo, extremamente aplicado ao Infinito Bem, depois de largo tempo ao lado do Divino Mestre recebeu a incumbência de servi-lo entre os homens da Terra.
Desceu da Esfera Superior em que se demorava e nasceu entre as criaturas para ser carpinteiro.
Operário digno e leal, muita vez experimentou conflitos amargurosos, mas, fervoroso, apegava-se à proteção dos santos e terminou a primeira missão admiravelmente.
Tornou ao céu, jubiloso, e recebeu encargos de marinheiro.
Regressou à carne e trabalhou assíduo, em viagens inúmeras, espalhando benefícios em nome do Senhor.
Momentos houve em que a tempestade o defrontou ameaçador, mas o aprendiz, nas lides do mar, recorria aos Heróis Bem-Aventurados e entesourou forças para vencer.
Rematou o serviço de maneira louvável e voltou à Casa Celeste, de onde retornou ao mundo para ser copista.
Exercitaram-se, então, pacientemente, nos trabalhos de escrita, gravando luminosos ensinamentos dos sábios; e, quando a aflição ou o enigma lhe visitaram a alma, lembrava-se dos Benfeitores Consagrados e nunca permaneceu sem o alívio esperado.
Novamente restituído ao Domicílio do Alto, sempre louvado pela conduta irrepreensível, desceu aos círculos de luta comum para ser lavrador.
Serviu com inexprimível abnegação à gleba em que renascera e, se as dores lhe buscavam o coração ou o lar, suplicava os bons ofícios dos Advogados dos Pecadores e jamais ficou desamparado.
Depois de precioso descanso, ressurgiu no campo humano para exercitar-se no domínio das ciências e das artes.
Foi aluno de filosofia e encontrou numerosas tentações contra a fé espontânea que lhe sustentava a alma simples e estudiosa; todavia em todos os percalços do caminho, implorava a cooperação dos Grandes Instrutores da Perfeição, que haviam conquistado a láurea da santidade, nas mais diversas nações, e atravessaram ilesas, as provas difíceis.
Logo após, foi médico e surpreendeu padecimentos que nunca imaginara. Afligiram-se milhares de vezes ante as agruras de muitos destinos lamentáveis; refugiou-se na paciência, pediu socorro dos Protetores da Humanidade e, com o patrocínio deles, venceu, mais uma vez.
Tamanha devoção adquiriu que não sabia mais trabalhar sem recurso imediato ao concurso dos Espíritos Glorificados na própria sublimação.
Para ela, semelhantes benfeitores seriam campeões da graça, privilegiados do Pai Supremo ou súdito favorecidos do Trono Eterno. E, por isso, prossegui trabalhando, agarrando-se-lhes à colaboração.
Foi alfaiate, escultor, poeta, músico, escritor, professor, administrador, condutor, legislador e sempre se retirou da Terra com distinção.
Vitorioso em tantos encargos foi chamado pelo Mestre, que lhe falou, conciso:
- Tens vencido em todas as provas que te confiei e, agora, podes escolher a própria tarefa.
O discípulo, embriagado de ventura, considerou sem detença:
- Senhor, tantas graças tenho recebido dos Benfeitores Divinos, que, doravante, desejaria ser um deles, junto da Humanidade...
- Pretenderias, porventura, ser um santo?- indagou o Celeste Instrutor, sorrindo.
- Sim... - confirmou o aprendiz extasiado.
O senhor, em tom grave, considerou:
- O fruto que alimenta deve estar suficientemente amadurecido... Até hoje, na forma de operário, de artista, de administrador e orientador, tens estado a meu serviço, junto dos homens, junto de mim. Há muita diferença...
Mas, o interlocutor insistiu, humilde, e o mestre não lhe negou a concessão.
Renasceu, desse modo, muito esperançoso, e, aos vinte anos de corpo físico, recebeu do Alto o manto resplandecente da santidade.
Manifestaram-se nele dons sublimes.
Adivinhava, curava, esclarecia, consolava.
A inteligência, a intuição e a ternura nele eram diferentes e fascinantes.
E o povo, reconhecendo-lhe a condição, buscou-lhe, em massa, as bênçãos e diretrizes. Bons e maus, justos e injustos, ignorantes e instruídos, jovens e velhos, exigiram-lhe, sem consideração por suas necessidades naturais, a saúde, o tempo, a paz e a vida.
Na categoria de santo, não podia subtrair-se à luta, nem desesperar, e por mais que fosse rodeado de manjares e flores, por parte dos devotos e beneficiários reconhecidos, não podia comer, nem dormir, nem pensar, nem lavar-se. Devia dar, sem reclamação, as próprias forças, à maneira da vela, mantendo a chama por duas pontas.
Não valiam escusas, lágrimas, cansaço e serviço feito.
O povo exigia sempre.
Depois de dois anos de amargosa batalha espiritual, atormentado e desgostoso, dirigiu-se em preces ao Senhor e alegou que a capa de santo era por demais espinhosa e pesava excessivamente.
Reparando-lhe o pranto sincero, o Mestre ouviu-o, compadecido, e explicou:
- Olvidaste que, até agora, agiste no comando. Na posição de carpinteiro, modelavas a madeira; lavrador determinava o solo; médico, ordenavas aos enfermos; filósofo arregimentava idéias; músico. Tangias o instrumento; escultor cinzelava a pedra; escritor dispunha sobre as letras; professor instruía os menos sábios que tu mesmo; administrador e legislador interferiam nos destinos alheios. Sempre te emprestei autoridade e recurso para os trabalhos de determinação... Para envergares a capa de santo, porém, é necessário aprender a servir...
A fim de alcançares esse glorioso fim, serás, de ora em diante, modelado, brunido, aprimorado e educado pela vida.
E enquanto o Mestre sorria complacente e bondoso, o discípulo em pranto, mas reconfortado, esperava novas ordenações para ingressar no precioso curso de obediência.

"Livro:" Contos e Apólogos "- Psicografia Francisco C. Xavier- Espírito Irmão X".
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Sábado, 24 de Janeiro de 2009

ORAÇÃO DE INTERCESSÃO

A oração intercessória em favor dos que sofrem constitui sempre uma contribuição valiosa para aquele a quem é dirigida.
Não resolve o problema, nem retira a aflição, que constituem recurso de reeducação, todavia suaviza a aspereza da prova e inspira o calceta, auxiliando-o a atenuar os golpes do próprio infortúnio.
Ademais, acalma e dulcifica aquele que ora, por elevá-lo às Regiões Superiores, onde haure as emoções transcendentais que lhe alteram para melhor as disposições íntimas.
A oração é sempre um bálsamo para a alma, que se torna medicação para os equipamentos fisiológicos.
A emissão do pensamento em prece canaliza forças vivas em direção do objetivo almejado, terminando por alterar a constituição de que se reveste o ser.
Quem ora encontra-se, porque sintoniza com a idéia divina em faixas de sutis vibrações, inabituais nas esferas mais densas.
Dirigida aos enfermos, estimula-lhes os centros atingidos pela doença, restaurando o equilíbrio das células e recompondo o quadro, que o paciente deve preservar.
Projetada no rumo do atormentado, alcança-o e acalma-o, desde que este se encontre receptivo, como é fácil de compreender-se. E mesmo que ele não sintonize com a onda benéfica que o alcança, não deixará de receber-lhe o conteúdo vibratório.
Alguém que se recusa à luz solar, mesmo assim, é bafejado pela sua radiação e pelas ondas preservadoras da saúde e da vida.
A oração propicia equivalentes resultados salutares.
*
A oração pelos mortos constitui valioso contributo de amor por eles, demonstração de ternura e recurso de caridade inestimável.
Semelhante a telefonema coloquial, a rogativa lhes chega ungida de afeto que os sensibiliza, e o conteúdo emocional os desperta para as aspirações mais elevadas, que passam a plenificálos.
Além disso, pelo processo natural de sintonia com as Fontes geradoras da Vida, aumenta o potencial que se derrama, vigoroso, sobre os destinatários, ensejando-lhes abrir-se à ajuda que verte do Pai na sua direção.
Deve-se orar no lar, sem qualquer perigo de atrair-se para o recinto doméstico, o Espírito mentalizado, sendo que, pelo contrário, se este permanece, aturdido ou perturbado, junto à família, libera-se ou vai recambiado para hospitais e recintos próprios do Além, onde se restabelece e se equilibra.
*
Demonstra o teu amor pelos desencarnados, orando por eles, recordando-os com afeto e mantendo na mente as cenas felizes que com eles viveste.
Evita as evocações dolorosas, que os farão sofrer ao impacto da tua mente n’Eles fixada.
Reveste o teu impulso oracional com os reais desejos de felicidade para eles, que se reconfortarão, por sua vez, bendizendo-te o gesto e o sentimento.
*
Ninguém que esteja degredado para sempre. Portanto, todos aguardam intercessão, socorro, oportunidade liberativa.
Ora, pois, quanto possas, pelos que sofrem, pelos que partiram da Terra, igualmente por ti mesmo, repletando-te da paz que deflui do ato de comungar com Deus.
Divaldo Pereira Franco - Momentos de Meditação - Pelo Espírito Joanna de Ângelis
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 21:44

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ORAÇÃO DE INTERCESSÃO

A oração intercessória em favor dos que sofrem constitui sempre uma contribuição valiosa para aquele a quem é dirigida.
Não resolve o problema, nem retira a aflição, que constituem recurso de reeducação, todavia suaviza a aspereza da prova e inspira o calceta, auxiliando-o a atenuar os golpes do próprio infortúnio.
Ademais, acalma e dulcifica aquele que ora, por elevá-lo às Regiões Superiores, onde haure as emoções transcendentais que lhe alteram para melhor as disposições íntimas.
A oração é sempre um bálsamo para a alma, que se torna medicação para os equipamentos fisiológicos.
A emissão do pensamento em prece canaliza forças vivas em direção do objetivo almejado, terminando por alterar a constituição de que se reveste o ser.
Quem ora encontra-se, porque sintoniza com a idéia divina em faixas de sutis vibrações, inabituais nas esferas mais densas.
Dirigida aos enfermos, estimula-lhes os centros atingidos pela doença, restaurando o equilíbrio das células e recompondo o quadro, que o paciente deve preservar.
Projetada no rumo do atormentado, alcança-o e acalma-o, desde que este se encontre receptivo, como é fácil de compreender-se. E mesmo que ele não sintonize com a onda benéfica que o alcança, não deixará de receber-lhe o conteúdo vibratório.
Alguém que se recusa à luz solar, mesmo assim, é bafejado pela sua radiação e pelas ondas preservadoras da saúde e da vida.
A oração propicia equivalentes resultados salutares.
*
A oração pelos mortos constitui valioso contributo de amor por eles, demonstração de ternura e recurso de caridade inestimável.
Semelhante a telefonema coloquial, a rogativa lhes chega ungida de afeto que os sensibiliza, e o conteúdo emocional os desperta para as aspirações mais elevadas, que passam a plenificálos.
Além disso, pelo processo natural de sintonia com as Fontes geradoras da Vida, aumenta o potencial que se derrama, vigoroso, sobre os destinatários, ensejando-lhes abrir-se à ajuda que verte do Pai na sua direção.
Deve-se orar no lar, sem qualquer perigo de atrair-se para o recinto doméstico, o Espírito mentalizado, sendo que, pelo contrário, se este permanece, aturdido ou perturbado, junto à família, libera-se ou vai recambiado para hospitais e recintos próprios do Além, onde se restabelece e se equilibra.
*
Demonstra o teu amor pelos desencarnados, orando por eles, recordando-os com afeto e mantendo na mente as cenas felizes que com eles viveste.
Evita as evocações dolorosas, que os farão sofrer ao impacto da tua mente n’Eles fixada.
Reveste o teu impulso oracional com os reais desejos de felicidade para eles, que se reconfortarão, por sua vez, bendizendo-te o gesto e o sentimento.
*
Ninguém que esteja degredado para sempre. Portanto, todos aguardam intercessão, socorro, oportunidade liberativa.
Ora, pois, quanto possas, pelos que sofrem, pelos que partiram da Terra, igualmente por ti mesmo, repletando-te da paz que deflui do ato de comungar com Deus.
Divaldo Pereira Franco - Momentos de Meditação - Pelo Espírito Joanna de Ângelis
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 21:44

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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

A TRAIÇÃO DE JUDAS - UMA HISTÓRIA MAL CONTADA

Introdução
É interessante como alguns temas bíblicos não resistem a uma análise mais profunda.
Vários deles, que já tratamos em outros textos, nos levam a uma certeza que muitos trechos constantes da Bíblia trata-se de uma deliberada, mas sutil, montagem para se chegar a um objetivo previamente traçado. Daí, muitos textos foram amoldados a esse objetivo, passando por cima da verdade histórica que deveria conter tais escritos. Muitas pessoas se chocam com atitudes como essa, a de uma análise crítica. Entretanto, não abrimos mão de fazer uso da inteligência com a qual nos dotou o Criador. Nós seres humanos racionais, que efetivamente somos, temos que usar esse dom, pois, não usá-la é abdicar da única capacidade que nos difere dos animais, por isso, acreditamos que só ofendemos a Deus, quando não utilizamos a nossa inteligência plenamente. Reconhecemos, entretanto, ser muito difícil a inúmeras pessoas, principalmente as que não pesquisam, abandonar conhecimentos adquiridos, especialmente quando foram passados como verdades divinas sob coação ideológica. Ou seja, o simples questionamento da veracidade das mesmas já era, por si só, considerado como grave ofensa à divindade. Essa possibilidade de heresia acaba gerando um bloqueio mental em função do medo do conseqüente castigo por esse tipo de pecado. Assim, aceitamos sem o mínimo questionamento o que nos foi imposto como verdade absoluta. Com o tempo, passamos a defender idéias que nunca analisamos ou criticamos, como se nossas fossem. O assunto que iremos tratar, desta vez, está relacionado a uma suposta traição a Jesus, que teria sido realizada por Judas Iscariotes, um de seus discípulos. Inclusive, tudo que consta na Bíblia sobre ele está somente nas passagens que iremos ver a seguir.

Análise das narrativas
Em Lucas 22,3-6, está escrito que, após satanás ter entrado em Judas, ele foi procurar os sacerdotes para ver de que maneira entregaria Jesus. Os sacerdotes ficaram tão satisfeitos com isso que combinaram em dar-lhe dinheiro, uma vez que eles desejavam, de há muito, eliminar esse herético. Tal acontecimento se deu, na versão de Lucas, antes da festa dos Ázimos, evidentemente, antes da ceia de páscoa, cujo prato principal eram os cordeiros que matavam especificamente para essa finalidade, entretanto, segundo João, esse fato se deu após a ceia (Jo 13, 26-29), apesar de que, um pouco antes, ele ter dito: “Enquanto ceavam, tendo já o diabo posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, que o traísse” (Jo 13,2), sendo, por conseguinte, omisso sobre qualquer combinação anterior entre Judas e os sacerdotes. Portanto, podemos verificar que há conflito entre as narrativas. Quanto à questão dessa combinação com os sacerdotes, Mateus (26,15) diz que Judas pediu dinheiro para entregar-lhes Jesus, enquanto que Marcos (14,11) e Lucas (22, 5) afirmam que foram os sacerdotes é quem tomaram a iniciativa de retribuir ao discípulo, dando-lhe dinheiro como recompensa pelo seu ato ignominioso. Um bom observador irá perceber que, pelas suas narrativas, Mateus teve uma evidente preocupação, qual seja a de relacionar Jesus com as profecias, inclusive, muito mais que os outros Evangelistas. Daí ser ele o único que diz sobre o quanto Judas teria recebido, dando como certa a importância de trinta moedas de prata (Mt 26,15; 27,3). Essas passagens que falam disso são relacionadas a Zc 11,12-13, no pressuposto de que ela seja uma profecia, entretanto, os fatos ali narrados se referem ao próprio profeta Zacarias, não é, por conseguinte, uma revelação sobre algo que viesse a ocorrer no futuro. Ao narrar os acontecimentos durante a ceia, Mateus relata que Jesus, ao responder aos discípulos sobre quem o iria trair, teria dito: “Quem vai me trair, é aquele que comigo põe a mão no prato. O Filho do Homem vai morrer, conforme a Escritura fala a respeito dele..." (Mt 26,23-24). Passagem relacionada ao Sl 41,10, onde Davi reclama sobre um amigo que o trai. O que nos leva a concluir que tal passagem não é uma profecia, assim, não poderia estar relacionada a Jesus, como querem os que buscam, nas Escrituras, apoio para seus dogmas. Davi foi traído por um amigo, seu próprio conselheiro, de nome Aquitofel, conforme narrativa em 2Sm 15,12.31. O final trágico da vida desse “amigo da onça” foi enforcar-se (2Sm17,23), por isso, querem, igualmente, atribuir esse mesmo destino a Judas, como iremos ver mais à frente. Outra coisa que nos parece sem nenhum sentido, principalmente por tudo que Ele fez, é que Jesus tenha realmente se preocupado em delatar o seu traidor, conforme narra Jo 13,26, quando, para identificar quem o trairia, diz aos que o acompanhava, naquela ceia, que seria a quem desse um pão molhado, dito isso, imediatamente, entrega-o a Judas. Talvez a preocupação aqui seja buscar mais uma forma de relacionar tal episódio a uma suposta profecia sobre esse acontecimento. Mateus (26,48) e Marcos (14,44) dizem que Judas havia combinado com os sacerdotes um sinal – o beijo – para que pudessem identificar quem era Jesus. Lucas, apesar de não relatar absolutamente nada sobre esse sinal, diz que Judas aproximando-se de Jesus o saúda com um beijo (Lc 22,47). Enquanto que João não fala de ter havido uma combinação de sinal, nem que Jesus teria dito algo a respeito e nem mesmo coloca Judas beijando a Jesus, já que, para ele, foi o Mestre que se adiantou aos guardas acompanhados de Judas se identificando a eles como sendo Jesus, o Nazareno, a quem procuravam (Jo 18,3-5). Fatos novamente conflitantes. Nenhum outro evangelista, a não ser João, coloca Judas como sendo aquele que, entre os discípulos, cuidava da “bolsa” (Jo 13,29). Vai mais longe ainda, o acusa de ladrão (12,6). Como uma acusação grave dessa não foi feita por mais ninguém? Se Judas fosse realmente ladrão, por que motivo o deixaram tomando conta do dinheiro? Alguém colocaria um ladrão como seu administrador financeiro? Não seria, evidentemente, para colocar a honra desse discípulo em jogo, fórmula encontrada para se justificar que, por ser assim, ele não teria também nenhum escrúpulo em trair o seu próprio Mestre? Não bastassem os que já encontramos, aparecem-nos agora mais dois evidentes conflitos. O primeiro está relacionado à forma pela qual Judas deu cabo à sua vida, movido, segundo relata Mateus, por profundo remorso. Estranhamente ele é o único evangelista que fala disso, nenhum outro apresenta uma linha sequer sobre Judas ter se arrependido. Continuando seu relato Mateus diz que Judas enforcou-se (27, 5), entretanto em Atos (1,18) está se afirmando que ele “precipitando-se, caiu prostrado e arrebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram”, mudando-se, desta maneira, a versão anterior a respeito de sua morte. Encontramos a seguinte explicação para esse passo: “Possivelmente a narração da morte de Judas enforcando-se, está inspirada na história da morte de Aquitofel (cf. 2Sm 17,23)” (Bíblia Sagrada Santuário, p. 1463). Conforme citamos anteriormente Aquitofel enforcou-se, mas querer daí, apenas por inspiração, atribuir a Judas uma morte semelhante é lamentável, pois os fatos bíblicos deveriam relatar fielmente o ocorrido, não como o autor quer que tenha acontecido, o que nos coloca diante de uma mera suposição. O segundo diz respeito ao destino dado às moedas. Mateus menciona que Judas as teria devolvido, atirado-as dentro do santuário, que recolhidas pelos sacerdotes foram, por deliberação, destinadas à compra do campo do oleiro, para servir de cemitério aos estrangeiros (27,3-10). Citando que isso aconteceu para se cumprir o que dissera o profeta Jeremias. Mas essa história parece-nos mal contada, pois em Atos se diz que o próprio Judas teria comprado um campo (At 1,18), que até poderia ser esse do oleiro, mas de qualquer forma está em conflito com a versão anterior. Na maioria das Bíblias em que consultamos, dizem que as profecias relacionadas a Mt 27,9: “Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata,, preço do que foi avaliado, a quem certos filhos de Israel avaliaram e deram-nas pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor”, seriam: Zc 11,12-13 e Jr 32,5-16, ou Jr 18,1-4 e 19,1-3, havendo, portanto, sérias dúvidas quanto à identificação da profecia especifica relacionada ao episódio. Como já falamos sobre a citação de Zacarias, fica-nos, por conseguinte, apenas as de Jeremias para dizermos alguma coisa. Em notas explicativas sobre elas encontramos que: “A citação é uma combinação artificial de Jr 32,6-9 e Zc 11,12-12” (Bíblia do Peregrino, p. 2386), isso deixa-nos diante da realidade de que, por se admitir que seja “uma combinação artificial”, estamos, sem dúvida, diante de mais uma tentativa de se relacionar acontecimentos no Novo Testamento com ocorrências registradas no Antigo Testamento tidas como se fossem verdadeiras profecias. Quem tiver a curiosidade de consultar a passagem citada de Zacarias não encontrará nela nenhum aspecto de profecia, são apenas fatos relacionados àquele momento vivido por esse profeta. E quanto a Jeremias, não se encontra absolutamente nada que ele tenha comprado alguma coisa por trinta moedas. Sobre a compra de um terreno, sim, como podemos ver em 32,1-44, mas uma situação circunstancial, explicada da seguinte forma: “À primeira vista se trata de um incidente: a compra e venda de um terreno segundo as normas e o procedimento da legislação judaica. O narrador se compraz em registrar todos os detalhes, mostrando que a lei foi estritamente cumprida e que o ato é juridicamente válido. O surpreendente dessa compra-e-venda é que se realiza às vésperas da catástrofe inevitável. Que sentido tem nesse momento comprar um terreno para que fique em poder da família? Tudo já está perdido. Mas o absurdo do ato é a chave do seu sentido. Para efeitos legais imediatos, a compra nada servirá; para efeitos proféticos, é admirável ato de esperança no futuro. É um oráculo em ação, Jeremias profetiza ao vivo: não só palavras, nem ação simbólica, mas ato real jurídico. Esse ato significa o futuro que ele antecipa: a jarra de barro onde se guarda o contrato é um penhor que Deus concede. Apesar do que está para acontecer, a terra continua sendo propriedade dos judaítas: a terra prometida aos patriarcas e possuída durante séculos...” (Bíblia do Peregrino, p. 1928). Podemos ainda confirmar isso com a seguinte explicação: “A citação [Mt 27,9] é tirada na realidade de Zacarias (11,12-13). Mas, ele lembra também diversos versículos de Jeremias onde se faz menção do campo e do oleiro (32,6-6; 18,2-12)”. (Bíblia Ave Maria, p. 1319). Ressaltamos que a expressão “ela lembra”, é uma afirmativa que depõe contra o próprio texto que, positivamente, diz ser de Jeremias essa profecia.

Conclusão
Percebemos que as narrativas possuem diversos fatos conflitantes entre si, deixando-nos na convicção que tudo não passa de um ajuste dos textos para se chegar a um objetivo pré-determinado, conforme já falávamos, desde o início. Para se ter uma idéia mais exata sobre isso, colocaremos a passagem Mateus 27,1-26, que, para tornar a explicação mais fácil de ser entendida, iremos dividi-la em três partes: I) 1-2: De manhã cedo, todos os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo convocaram um conselho contra Jesus, para o condenarem à morte. Eles o amarraram e o levaram, e o entregaram a Pilatos, o governador. II) 3-10: Então Judas, o traidor, ao ver que Jesus fora condenado, sentiu remorso, e foi devolver as trinta moedas de prata aos chefes dos sacerdotes e anciãos, dizendo: "Pequei, entregando à morte sangue inocente". Eles responderam: "E o que temos nós com isso? O problema é seu". Judas jogou as moedas no santuário, saiu, e foi enforcar-se. Recolhendo as moedas, os chefes dos sacerdotes disseram: "É contra a Lei colocá-las no tesouro do Templo, porque é preço de sangue". Então discutiram em conselho, e as deram em troca pelo Campo do Oleiro, para aí fazer o cemitério dos estrangeiros. É por isso que esse campo até hoje é chamado de "Campo de Sangue". Assim se cumpriu o que tinha dito o profeta Jeremias: "Eles pegaram as trinta moedas de prata - preço com que os israelitas o avaliaram - e as deram em troca pelo Campo do Oleiro, conforme o Senhor me ordenou". III) 11-26: Jesus foi posto diante do governador, e este o interrogou: "Tu és o rei dos judeus?" Jesus declarou: "É você que está dizendo isso". E nada respondeu quando foi acusado pelos chefes dos sacerdotes e anciãos. Então Pilatos perguntou: "Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?" Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou vivamente impressionado. Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse...” Para o que queremos colocar não é necessário citar toda a narrativa, assim omitimos o restante da seqüência dessa última (vv. 16-26), pois até aqui, no versículo 15, já encontramos o suficiente para entendermos e percebermos que os versículos de 3-10 nada têm a ver com o contexto geral daquilo relatado na passagem. Inclusive, no versículo 3 está dito que Judas viu que Jesus havia sido condenado, quando, no desenrolar do texto, esse fato ainda não havia acontecido, que só veio acontecer mais à frente. A quebra brusca na seqüência dessa narrativa, não deixou de ser percebida pelo tradutor da Bíblia do Peregrino, conforme nos explica: “O episódio da morte de Judas interrompe estranhamente o curso do relato, como se a entrega de Jesus ao governador ultrapassasse suas previsões. Sabemos que a figura de Judas alimentou desde cedo fantasias legendárias. Lucas dá versão diferente (At 1,18-20). A morte violenta do perseguidor ou culpado é tema literário conhecido (p. ex. Absalão, 2Sm 18: Antíoco Epífanes, 2Mc9; em versão poética vários oráculos proféticos, p.ex. Is 14; Ez 28). Antes de morrer, Judas acrescenta seu testemunho sobre a inocência de Jesus. Confessa o pecado, mas desespera do perdão...” (pp. 2385-2386). Isso vem confirmar todas as nossas suspeitas de que tudo foi um calculado arranjo visando ajustar os textos às conveniências dos interessados para que eles tivessem referências às suas idiossincrasias. E em relação ao assunto tratado, temos fortes suspeitas que vários outros trechos foram intercalados às narrativas bíblicas, para se amoldá-los ao propósito determinado. Podemos citar, como exemplo, Mt 26,14-16, 21-25, Mc 10,10-11; 14, 18-21, Lc 22,3-6, 21-23, para que você, caro leitor, faça uma análise mais aprofundada. Ficamos a pensar como se sentiu e como ainda pode estar se sentido Judas sobre tudo quanto lhe imputaram como procedimento. O pobre coitado ainda é julgado e condenado, anos após anos, pelos ditos “cristãos”, que, com certeza, não cumprem: “Não julgueis os outros para não serdes julgados, porque com o julgamento com que julgardes, sereis julgados e com a medida que medirdes sereis medidos” (Mt 7,1-2). Não bastasse isso ainda é humilhado, malhado e, ao final, é espetacularmente “detonado”. Infelizmente esse nos parece ser o seu destino cruel, que se perpetua anualmente nas comemorações da Semana Santa realizadas por determinadas religiões cristãs tradicionais.
Paulo da Silva Neto sobrinho
Bibliografia
Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002. Bíblia do Peregrino. São Paulo: Paulus, 2002. Bíblia Sagrada - Edição Pastoral. São Paulo: Paulus, 2001. Bíblia Sagrada. Aparecida, SP: Santuário,1984. Bíblia Sagrada. Brasília, DF: SBB, 1969. Bíblia Sagrada. São Paulo: Ave Maria, 1989
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 02:32

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A TRAIÇÃO DE JUDAS - UMA HISTÓRIA MAL CONTADA

Introdução
É interessante como alguns temas bíblicos não resistem a uma análise mais profunda.
Vários deles, que já tratamos em outros textos, nos levam a uma certeza que muitos trechos constantes da Bíblia trata-se de uma deliberada, mas sutil, montagem para se chegar a um objetivo previamente traçado. Daí, muitos textos foram amoldados a esse objetivo, passando por cima da verdade histórica que deveria conter tais escritos. Muitas pessoas se chocam com atitudes como essa, a de uma análise crítica. Entretanto, não abrimos mão de fazer uso da inteligência com a qual nos dotou o Criador. Nós seres humanos racionais, que efetivamente somos, temos que usar esse dom, pois, não usá-la é abdicar da única capacidade que nos difere dos animais, por isso, acreditamos que só ofendemos a Deus, quando não utilizamos a nossa inteligência plenamente. Reconhecemos, entretanto, ser muito difícil a inúmeras pessoas, principalmente as que não pesquisam, abandonar conhecimentos adquiridos, especialmente quando foram passados como verdades divinas sob coação ideológica. Ou seja, o simples questionamento da veracidade das mesmas já era, por si só, considerado como grave ofensa à divindade. Essa possibilidade de heresia acaba gerando um bloqueio mental em função do medo do conseqüente castigo por esse tipo de pecado. Assim, aceitamos sem o mínimo questionamento o que nos foi imposto como verdade absoluta. Com o tempo, passamos a defender idéias que nunca analisamos ou criticamos, como se nossas fossem. O assunto que iremos tratar, desta vez, está relacionado a uma suposta traição a Jesus, que teria sido realizada por Judas Iscariotes, um de seus discípulos. Inclusive, tudo que consta na Bíblia sobre ele está somente nas passagens que iremos ver a seguir.

Análise das narrativas
Em Lucas 22,3-6, está escrito que, após satanás ter entrado em Judas, ele foi procurar os sacerdotes para ver de que maneira entregaria Jesus. Os sacerdotes ficaram tão satisfeitos com isso que combinaram em dar-lhe dinheiro, uma vez que eles desejavam, de há muito, eliminar esse herético. Tal acontecimento se deu, na versão de Lucas, antes da festa dos Ázimos, evidentemente, antes da ceia de páscoa, cujo prato principal eram os cordeiros que matavam especificamente para essa finalidade, entretanto, segundo João, esse fato se deu após a ceia (Jo 13, 26-29), apesar de que, um pouco antes, ele ter dito: “Enquanto ceavam, tendo já o diabo posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, que o traísse” (Jo 13,2), sendo, por conseguinte, omisso sobre qualquer combinação anterior entre Judas e os sacerdotes. Portanto, podemos verificar que há conflito entre as narrativas. Quanto à questão dessa combinação com os sacerdotes, Mateus (26,15) diz que Judas pediu dinheiro para entregar-lhes Jesus, enquanto que Marcos (14,11) e Lucas (22, 5) afirmam que foram os sacerdotes é quem tomaram a iniciativa de retribuir ao discípulo, dando-lhe dinheiro como recompensa pelo seu ato ignominioso. Um bom observador irá perceber que, pelas suas narrativas, Mateus teve uma evidente preocupação, qual seja a de relacionar Jesus com as profecias, inclusive, muito mais que os outros Evangelistas. Daí ser ele o único que diz sobre o quanto Judas teria recebido, dando como certa a importância de trinta moedas de prata (Mt 26,15; 27,3). Essas passagens que falam disso são relacionadas a Zc 11,12-13, no pressuposto de que ela seja uma profecia, entretanto, os fatos ali narrados se referem ao próprio profeta Zacarias, não é, por conseguinte, uma revelação sobre algo que viesse a ocorrer no futuro. Ao narrar os acontecimentos durante a ceia, Mateus relata que Jesus, ao responder aos discípulos sobre quem o iria trair, teria dito: “Quem vai me trair, é aquele que comigo põe a mão no prato. O Filho do Homem vai morrer, conforme a Escritura fala a respeito dele..." (Mt 26,23-24). Passagem relacionada ao Sl 41,10, onde Davi reclama sobre um amigo que o trai. O que nos leva a concluir que tal passagem não é uma profecia, assim, não poderia estar relacionada a Jesus, como querem os que buscam, nas Escrituras, apoio para seus dogmas. Davi foi traído por um amigo, seu próprio conselheiro, de nome Aquitofel, conforme narrativa em 2Sm 15,12.31. O final trágico da vida desse “amigo da onça” foi enforcar-se (2Sm17,23), por isso, querem, igualmente, atribuir esse mesmo destino a Judas, como iremos ver mais à frente. Outra coisa que nos parece sem nenhum sentido, principalmente por tudo que Ele fez, é que Jesus tenha realmente se preocupado em delatar o seu traidor, conforme narra Jo 13,26, quando, para identificar quem o trairia, diz aos que o acompanhava, naquela ceia, que seria a quem desse um pão molhado, dito isso, imediatamente, entrega-o a Judas. Talvez a preocupação aqui seja buscar mais uma forma de relacionar tal episódio a uma suposta profecia sobre esse acontecimento. Mateus (26,48) e Marcos (14,44) dizem que Judas havia combinado com os sacerdotes um sinal – o beijo – para que pudessem identificar quem era Jesus. Lucas, apesar de não relatar absolutamente nada sobre esse sinal, diz que Judas aproximando-se de Jesus o saúda com um beijo (Lc 22,47). Enquanto que João não fala de ter havido uma combinação de sinal, nem que Jesus teria dito algo a respeito e nem mesmo coloca Judas beijando a Jesus, já que, para ele, foi o Mestre que se adiantou aos guardas acompanhados de Judas se identificando a eles como sendo Jesus, o Nazareno, a quem procuravam (Jo 18,3-5). Fatos novamente conflitantes. Nenhum outro evangelista, a não ser João, coloca Judas como sendo aquele que, entre os discípulos, cuidava da “bolsa” (Jo 13,29). Vai mais longe ainda, o acusa de ladrão (12,6). Como uma acusação grave dessa não foi feita por mais ninguém? Se Judas fosse realmente ladrão, por que motivo o deixaram tomando conta do dinheiro? Alguém colocaria um ladrão como seu administrador financeiro? Não seria, evidentemente, para colocar a honra desse discípulo em jogo, fórmula encontrada para se justificar que, por ser assim, ele não teria também nenhum escrúpulo em trair o seu próprio Mestre? Não bastassem os que já encontramos, aparecem-nos agora mais dois evidentes conflitos. O primeiro está relacionado à forma pela qual Judas deu cabo à sua vida, movido, segundo relata Mateus, por profundo remorso. Estranhamente ele é o único evangelista que fala disso, nenhum outro apresenta uma linha sequer sobre Judas ter se arrependido. Continuando seu relato Mateus diz que Judas enforcou-se (27, 5), entretanto em Atos (1,18) está se afirmando que ele “precipitando-se, caiu prostrado e arrebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram”, mudando-se, desta maneira, a versão anterior a respeito de sua morte. Encontramos a seguinte explicação para esse passo: “Possivelmente a narração da morte de Judas enforcando-se, está inspirada na história da morte de Aquitofel (cf. 2Sm 17,23)” (Bíblia Sagrada Santuário, p. 1463). Conforme citamos anteriormente Aquitofel enforcou-se, mas querer daí, apenas por inspiração, atribuir a Judas uma morte semelhante é lamentável, pois os fatos bíblicos deveriam relatar fielmente o ocorrido, não como o autor quer que tenha acontecido, o que nos coloca diante de uma mera suposição. O segundo diz respeito ao destino dado às moedas. Mateus menciona que Judas as teria devolvido, atirado-as dentro do santuário, que recolhidas pelos sacerdotes foram, por deliberação, destinadas à compra do campo do oleiro, para servir de cemitério aos estrangeiros (27,3-10). Citando que isso aconteceu para se cumprir o que dissera o profeta Jeremias. Mas essa história parece-nos mal contada, pois em Atos se diz que o próprio Judas teria comprado um campo (At 1,18), que até poderia ser esse do oleiro, mas de qualquer forma está em conflito com a versão anterior. Na maioria das Bíblias em que consultamos, dizem que as profecias relacionadas a Mt 27,9: “Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata,, preço do que foi avaliado, a quem certos filhos de Israel avaliaram e deram-nas pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor”, seriam: Zc 11,12-13 e Jr 32,5-16, ou Jr 18,1-4 e 19,1-3, havendo, portanto, sérias dúvidas quanto à identificação da profecia especifica relacionada ao episódio. Como já falamos sobre a citação de Zacarias, fica-nos, por conseguinte, apenas as de Jeremias para dizermos alguma coisa. Em notas explicativas sobre elas encontramos que: “A citação é uma combinação artificial de Jr 32,6-9 e Zc 11,12-12” (Bíblia do Peregrino, p. 2386), isso deixa-nos diante da realidade de que, por se admitir que seja “uma combinação artificial”, estamos, sem dúvida, diante de mais uma tentativa de se relacionar acontecimentos no Novo Testamento com ocorrências registradas no Antigo Testamento tidas como se fossem verdadeiras profecias. Quem tiver a curiosidade de consultar a passagem citada de Zacarias não encontrará nela nenhum aspecto de profecia, são apenas fatos relacionados àquele momento vivido por esse profeta. E quanto a Jeremias, não se encontra absolutamente nada que ele tenha comprado alguma coisa por trinta moedas. Sobre a compra de um terreno, sim, como podemos ver em 32,1-44, mas uma situação circunstancial, explicada da seguinte forma: “À primeira vista se trata de um incidente: a compra e venda de um terreno segundo as normas e o procedimento da legislação judaica. O narrador se compraz em registrar todos os detalhes, mostrando que a lei foi estritamente cumprida e que o ato é juridicamente válido. O surpreendente dessa compra-e-venda é que se realiza às vésperas da catástrofe inevitável. Que sentido tem nesse momento comprar um terreno para que fique em poder da família? Tudo já está perdido. Mas o absurdo do ato é a chave do seu sentido. Para efeitos legais imediatos, a compra nada servirá; para efeitos proféticos, é admirável ato de esperança no futuro. É um oráculo em ação, Jeremias profetiza ao vivo: não só palavras, nem ação simbólica, mas ato real jurídico. Esse ato significa o futuro que ele antecipa: a jarra de barro onde se guarda o contrato é um penhor que Deus concede. Apesar do que está para acontecer, a terra continua sendo propriedade dos judaítas: a terra prometida aos patriarcas e possuída durante séculos...” (Bíblia do Peregrino, p. 1928). Podemos ainda confirmar isso com a seguinte explicação: “A citação [Mt 27,9] é tirada na realidade de Zacarias (11,12-13). Mas, ele lembra também diversos versículos de Jeremias onde se faz menção do campo e do oleiro (32,6-6; 18,2-12)”. (Bíblia Ave Maria, p. 1319). Ressaltamos que a expressão “ela lembra”, é uma afirmativa que depõe contra o próprio texto que, positivamente, diz ser de Jeremias essa profecia.

Conclusão
Percebemos que as narrativas possuem diversos fatos conflitantes entre si, deixando-nos na convicção que tudo não passa de um ajuste dos textos para se chegar a um objetivo pré-determinado, conforme já falávamos, desde o início. Para se ter uma idéia mais exata sobre isso, colocaremos a passagem Mateus 27,1-26, que, para tornar a explicação mais fácil de ser entendida, iremos dividi-la em três partes: I) 1-2: De manhã cedo, todos os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo convocaram um conselho contra Jesus, para o condenarem à morte. Eles o amarraram e o levaram, e o entregaram a Pilatos, o governador. II) 3-10: Então Judas, o traidor, ao ver que Jesus fora condenado, sentiu remorso, e foi devolver as trinta moedas de prata aos chefes dos sacerdotes e anciãos, dizendo: "Pequei, entregando à morte sangue inocente". Eles responderam: "E o que temos nós com isso? O problema é seu". Judas jogou as moedas no santuário, saiu, e foi enforcar-se. Recolhendo as moedas, os chefes dos sacerdotes disseram: "É contra a Lei colocá-las no tesouro do Templo, porque é preço de sangue". Então discutiram em conselho, e as deram em troca pelo Campo do Oleiro, para aí fazer o cemitério dos estrangeiros. É por isso que esse campo até hoje é chamado de "Campo de Sangue". Assim se cumpriu o que tinha dito o profeta Jeremias: "Eles pegaram as trinta moedas de prata - preço com que os israelitas o avaliaram - e as deram em troca pelo Campo do Oleiro, conforme o Senhor me ordenou". III) 11-26: Jesus foi posto diante do governador, e este o interrogou: "Tu és o rei dos judeus?" Jesus declarou: "É você que está dizendo isso". E nada respondeu quando foi acusado pelos chefes dos sacerdotes e anciãos. Então Pilatos perguntou: "Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?" Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou vivamente impressionado. Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse...” Para o que queremos colocar não é necessário citar toda a narrativa, assim omitimos o restante da seqüência dessa última (vv. 16-26), pois até aqui, no versículo 15, já encontramos o suficiente para entendermos e percebermos que os versículos de 3-10 nada têm a ver com o contexto geral daquilo relatado na passagem. Inclusive, no versículo 3 está dito que Judas viu que Jesus havia sido condenado, quando, no desenrolar do texto, esse fato ainda não havia acontecido, que só veio acontecer mais à frente. A quebra brusca na seqüência dessa narrativa, não deixou de ser percebida pelo tradutor da Bíblia do Peregrino, conforme nos explica: “O episódio da morte de Judas interrompe estranhamente o curso do relato, como se a entrega de Jesus ao governador ultrapassasse suas previsões. Sabemos que a figura de Judas alimentou desde cedo fantasias legendárias. Lucas dá versão diferente (At 1,18-20). A morte violenta do perseguidor ou culpado é tema literário conhecido (p. ex. Absalão, 2Sm 18: Antíoco Epífanes, 2Mc9; em versão poética vários oráculos proféticos, p.ex. Is 14; Ez 28). Antes de morrer, Judas acrescenta seu testemunho sobre a inocência de Jesus. Confessa o pecado, mas desespera do perdão...” (pp. 2385-2386). Isso vem confirmar todas as nossas suspeitas de que tudo foi um calculado arranjo visando ajustar os textos às conveniências dos interessados para que eles tivessem referências às suas idiossincrasias. E em relação ao assunto tratado, temos fortes suspeitas que vários outros trechos foram intercalados às narrativas bíblicas, para se amoldá-los ao propósito determinado. Podemos citar, como exemplo, Mt 26,14-16, 21-25, Mc 10,10-11; 14, 18-21, Lc 22,3-6, 21-23, para que você, caro leitor, faça uma análise mais aprofundada. Ficamos a pensar como se sentiu e como ainda pode estar se sentido Judas sobre tudo quanto lhe imputaram como procedimento. O pobre coitado ainda é julgado e condenado, anos após anos, pelos ditos “cristãos”, que, com certeza, não cumprem: “Não julgueis os outros para não serdes julgados, porque com o julgamento com que julgardes, sereis julgados e com a medida que medirdes sereis medidos” (Mt 7,1-2). Não bastasse isso ainda é humilhado, malhado e, ao final, é espetacularmente “detonado”. Infelizmente esse nos parece ser o seu destino cruel, que se perpetua anualmente nas comemorações da Semana Santa realizadas por determinadas religiões cristãs tradicionais.
Paulo da Silva Neto sobrinho
Bibliografia
Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002. Bíblia do Peregrino. São Paulo: Paulus, 2002. Bíblia Sagrada - Edição Pastoral. São Paulo: Paulus, 2001. Bíblia Sagrada. Aparecida, SP: Santuário,1984. Bíblia Sagrada. Brasília, DF: SBB, 1969. Bíblia Sagrada. São Paulo: Ave Maria, 1989
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 02:32

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