Sábado, 3 de Janeiro de 2009

IGREJAS

“...EDIFICAREI A MINHA Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”
-Jesus. Mateus, 16:18

Desde tempos imemoriais, quando o homem sentiu o grito da fé, acompanhou-o o zelo de dar, ao seu totem e mais tarde a seus deuses, os maiores tesouros, enfeitando-lhes o altar e guardando-os sob a sombra de tetos forrados de ouro em linhas grandiosas de caracteres deslumbrantes...
A História fala-nos dos templos faustosos de Silva e Rama e, ainda hoje, deslumbram os pesquisadores a riqueza arquitetônica e a grandeza das igrejas de Heliópolis e Karnac, Tebas e Babilônia, Júpiter e Diana, Salomão e Ceres...
Depois do advento do Cristianismo, não há quem não se fascine ante a imponência da Catedral de Latrão, de Santa Maria Maior, dos afrescos de Miguel Ângelo na Capela Sixtina, das Igrejas Ortodoxas e da Catedral de Westminster...
A Terra continua a ser, com o passar dos tempos, depositária de construções grandiosas de igrejas e altares, para guardar os deuses e os totens de todas as criaturas. Das Igrejas da antiguidade restam ruínas calcinadas pelo tempo, pedras acumuladas, cobertas algumas com mirrados vegetais, em cujos ramos misérrimos cantam os ventos da noite...
As igrejas modernas jazem frias no fátuo dos seus administradores e fiéis, ou embalsamadas pelo orgulho das suas riquezas, sob a frieza das suas pedras impassíveis...
...E Jesus, que construiu a sua Igreja sobre a Verdade, defendeu-a contras as portas do mal que, para ele, jamais estariam abertas.
Vivendo em comunhão com os humildes e sofredores, ergue uma igreja no coração de cada criatura, em cujo interior a Voz de Deus se faria ouvida, através da consciência reta.
Mostrando aos discípulos a Casa de Salomão, “de que não ficaria pedra sobre pedra que não fosse derrubada”, o Mestre ensina, por último, como deve o homem ser o Templo de Deus, forte e poderoso, contra o qual o tempo e a luta são inoperantes e fracos.
Em Sua memória, depois da ressurreição, orava-se ao ar balsâmico da Natureza, em contato com o céu infinito, misturando-se as preces com as vozes inarticuladas de todas as coisas.
Os primeiros tetos humildes e simples eram antes agasalho do que santuários para orações, sendo o trabalho socorrista a prece maior e mais santa, no serviço aos necessitados. Nos seus bancos singelos, sobre o piso humílimo, nas suas improvisadas tribunas, reclinavam-se doentes, aguardando o socorro da caridade, antes que as fórmulas e as disputas verbalistas as modificassem.
Sob a copa das árvores ou sobre o pó dos caminhos, erguiam-se, na assistência fraternal ao necessitado, o altar e o templo, onde, de braços abertos, Jesus era o Sublime Presente, em comunhão com todos.
De todas, a Igreja Eterna, que o mal não pode destruir, é sem dúvida a da Verdade, a que o Nazareno, generoso e bom, aludiu, manifestando-se com profunda sabedoria.
Igrejas grandiosas, com odor de vaidade, são sepulcros para o orgulho e a ostentação das almas vãs.
Igrejas de naves resplandecentes são cenários para espíritos triunfadores do mundo.
Igrejas auríferas e suntuosas são quartéis de ociosidade e contemplação.
Igrejas de pedra são símbolos da caridade fria como colunas.
Igrejas enormes e vazias...
A Igreja de Jesus é o Coração da Natureza, seu altar é o Homem.
“Deus que fez o mundo e tudo o que nele se encontra, sendo Senhor do Céu e da Terra, não habita em templos feitos por mãos de homens”, disse Paulo aos atenienses. (Atos 17:24)
O templo que o homem ergue, seja, antes de tudo, o teto de agasalho onde o cansado repouse, o aflito dormite e o infeliz encontre a paz. Seja simples e modesto, para que sua ostentação não fira a humildade de quantos o busquem.
Igrejas!... Igrejas!... Desertas e frias!
Igrejas sem crentes...
Crentes sem igrejas...
“Nem em Jerusalém, nem no monte. Dia virá em que o Pai será adorado em espírito e verdade” ¾ disse à samaritana o Rabi.
Meditemos!
De nossa vida e dos nossos atos façamos as colunas sobre as quais, um dia, a Bondade Divina colocará o teto do seu amor infinito e misericordioso, construindo, para os infelizes, a legítima Igreja do Amor sem limites.
Vianna de Carvalho
(Do livro “À Luz do Espiritismo” – Divaldo P. Franco ).
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 17:14

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IGREJAS

“...EDIFICAREI A MINHA Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”
-Jesus. Mateus, 16:18

Desde tempos imemoriais, quando o homem sentiu o grito da fé, acompanhou-o o zelo de dar, ao seu totem e mais tarde a seus deuses, os maiores tesouros, enfeitando-lhes o altar e guardando-os sob a sombra de tetos forrados de ouro em linhas grandiosas de caracteres deslumbrantes...
A História fala-nos dos templos faustosos de Silva e Rama e, ainda hoje, deslumbram os pesquisadores a riqueza arquitetônica e a grandeza das igrejas de Heliópolis e Karnac, Tebas e Babilônia, Júpiter e Diana, Salomão e Ceres...
Depois do advento do Cristianismo, não há quem não se fascine ante a imponência da Catedral de Latrão, de Santa Maria Maior, dos afrescos de Miguel Ângelo na Capela Sixtina, das Igrejas Ortodoxas e da Catedral de Westminster...
A Terra continua a ser, com o passar dos tempos, depositária de construções grandiosas de igrejas e altares, para guardar os deuses e os totens de todas as criaturas. Das Igrejas da antiguidade restam ruínas calcinadas pelo tempo, pedras acumuladas, cobertas algumas com mirrados vegetais, em cujos ramos misérrimos cantam os ventos da noite...
As igrejas modernas jazem frias no fátuo dos seus administradores e fiéis, ou embalsamadas pelo orgulho das suas riquezas, sob a frieza das suas pedras impassíveis...
...E Jesus, que construiu a sua Igreja sobre a Verdade, defendeu-a contras as portas do mal que, para ele, jamais estariam abertas.
Vivendo em comunhão com os humildes e sofredores, ergue uma igreja no coração de cada criatura, em cujo interior a Voz de Deus se faria ouvida, através da consciência reta.
Mostrando aos discípulos a Casa de Salomão, “de que não ficaria pedra sobre pedra que não fosse derrubada”, o Mestre ensina, por último, como deve o homem ser o Templo de Deus, forte e poderoso, contra o qual o tempo e a luta são inoperantes e fracos.
Em Sua memória, depois da ressurreição, orava-se ao ar balsâmico da Natureza, em contato com o céu infinito, misturando-se as preces com as vozes inarticuladas de todas as coisas.
Os primeiros tetos humildes e simples eram antes agasalho do que santuários para orações, sendo o trabalho socorrista a prece maior e mais santa, no serviço aos necessitados. Nos seus bancos singelos, sobre o piso humílimo, nas suas improvisadas tribunas, reclinavam-se doentes, aguardando o socorro da caridade, antes que as fórmulas e as disputas verbalistas as modificassem.
Sob a copa das árvores ou sobre o pó dos caminhos, erguiam-se, na assistência fraternal ao necessitado, o altar e o templo, onde, de braços abertos, Jesus era o Sublime Presente, em comunhão com todos.
De todas, a Igreja Eterna, que o mal não pode destruir, é sem dúvida a da Verdade, a que o Nazareno, generoso e bom, aludiu, manifestando-se com profunda sabedoria.
Igrejas grandiosas, com odor de vaidade, são sepulcros para o orgulho e a ostentação das almas vãs.
Igrejas de naves resplandecentes são cenários para espíritos triunfadores do mundo.
Igrejas auríferas e suntuosas são quartéis de ociosidade e contemplação.
Igrejas de pedra são símbolos da caridade fria como colunas.
Igrejas enormes e vazias...
A Igreja de Jesus é o Coração da Natureza, seu altar é o Homem.
“Deus que fez o mundo e tudo o que nele se encontra, sendo Senhor do Céu e da Terra, não habita em templos feitos por mãos de homens”, disse Paulo aos atenienses. (Atos 17:24)
O templo que o homem ergue, seja, antes de tudo, o teto de agasalho onde o cansado repouse, o aflito dormite e o infeliz encontre a paz. Seja simples e modesto, para que sua ostentação não fira a humildade de quantos o busquem.
Igrejas!... Igrejas!... Desertas e frias!
Igrejas sem crentes...
Crentes sem igrejas...
“Nem em Jerusalém, nem no monte. Dia virá em que o Pai será adorado em espírito e verdade” ¾ disse à samaritana o Rabi.
Meditemos!
De nossa vida e dos nossos atos façamos as colunas sobre as quais, um dia, a Bondade Divina colocará o teto do seu amor infinito e misericordioso, construindo, para os infelizes, a legítima Igreja do Amor sem limites.
Vianna de Carvalho
(Do livro “À Luz do Espiritismo” – Divaldo P. Franco ).
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Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

ACERCA DA PENA DA MORTE

Indaga você como apreciam os desencarnados a instituição da pena de morte, e acrescenta: – “não será justo subtrair o corpo ao espírito que se fez criminoso? será lícito permitir a comunhão de um tarado com as pessoas normais?”
E daqui poderíamos argumentar: – quem de nós terá usado o corpo como devia? quem terá atingido a estatura espiritual da verdadeira humanidade para considerar-se em plenitude de equilíbrio?
A execução de uma sentença de morte, na maioria dos casos, é a libertação prematura da alma que se arrojou ao despenhadeiro da sombra. E sabemos que só a pena de viver na carne é suscetível de realizar a recuperação daqueles que se fizeram réus confessos diante dos tribunais humanos.
Não vale afugentar moscas sem curar a ferida.
Eliminar a carne não é modificar o espírito.
Um assassinado, quando não possui energia suficiente para desculpar a ofensa e esquecê-la, habitualmente passa a gravitar em torno daquele que lhe arrancou a vida, criando os fenômenos comuns da obsessão; e as vitimas da forca ou do fuzilamento, do machado ou da cadeira elétrica, se não constituem padrões de heroísmo e renunciação, de imediato, além-túmulo, vampirizam o organismo social que lhes impôs o afastamento do veiculo físico, transformando-se em quistos vivos da fermentação da discórdia e da indisciplina,.
O tribunal terrestre jamais decidirá, com segurança, sobre a extinção do crime, sem o concurso ativo do hospital e da escola.
Sem o professor e sem o médico, o juiz de sã consciência viverá sempre atormentado pela obrigação de prender e condenar, descendo da dignidade da toga para ombrear com os que se dedicam à flagelação alheia.
A função da justiça penal, dentro da civilização considerada cristã, é, acima de tudo, reeducar.
Sem o entendimento fraterno na base de nossas relações uns com os outros, não nos distanciaremos do labirinto de talião, que pretende converter o mundo em eterno sorvedouro de males renascentes.
Jesus, o divino libertador, veio quebrar algemas que nos jungiam aos princípios do castigo igual à culpa..
A educação é a mola do processo de redimir a mente cristalizada nas trevas.
Organizar a penitenciária renovadora, onde o serviço e o livro encontrem aplicação adequada, é a solução para o escuro problema da criminalidade, entre os homens, mesmo porque o melhor desforço da sociedade, contra o delinqüente, é deixá-lo viver, na reparação das próprias faltas.
Cada espírito respira no céu ou no inferno que formou para. si mesmo...
Aqui, temos o “campo dos efeitos”, e aí, no mundo, o “campo das causas”. E enquanto a alma se demora no “campo das causas”, há sempre oportunidade de consertar e reajustar, melhorando as consequências.
Não é morrendo que encontraremos facilidade para a reconciliação, É aprendendo com as rudes lições do educandário de matéria densa que se nos apuram as qualidades morais para a ascesão do espírito.
Ninguém, pois, precisará inquietar-se, provocando essa ou aquela reivindicação pela violência.
A lei da harmonia universal funciona em todos os planos da vida, encarregando-se de tudo restaurar no momento oportuno.
Quanto ao ato de condenar, quem de nós se revelará em condições de exercer semelhante direito?
Quantos de nós não somos malfeitores indiscutíveis, simplesmente por não encontrar a presa, no instante preciso da tentação? quantos delitos teremos perpetrado em pensamento?
Só a educação, alicerçada no amor, redimir-nos-á a multimilenária noite da ignorância.
Se você demonstra interesse tão grande na regeneração dos costumes, defendendo com tamanho entusiasmo a suposta legalidade da pena de morte, vasculhe o próprio coração e a própria consciência e verifique se está isento de faltas. Se você já superou os óbices da animalidade, adquirindo a grande compreensão a preço de sacrifício, estimaria saber se terá realmente coragem para amaldiçoar os pecadores do mundo, atirando-lhes “a primeira pedra”.

Livro Cartas e Crônicas
Espírito Irmão X
Psicografia Francisco C. Xavier.

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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:32

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ACERCA DA PENA DA MORTE

Indaga você como apreciam os desencarnados a instituição da pena de morte, e acrescenta: – “não será justo subtrair o corpo ao espírito que se fez criminoso? será lícito permitir a comunhão de um tarado com as pessoas normais?”
E daqui poderíamos argumentar: – quem de nós terá usado o corpo como devia? quem terá atingido a estatura espiritual da verdadeira humanidade para considerar-se em plenitude de equilíbrio?
A execução de uma sentença de morte, na maioria dos casos, é a libertação prematura da alma que se arrojou ao despenhadeiro da sombra. E sabemos que só a pena de viver na carne é suscetível de realizar a recuperação daqueles que se fizeram réus confessos diante dos tribunais humanos.
Não vale afugentar moscas sem curar a ferida.
Eliminar a carne não é modificar o espírito.
Um assassinado, quando não possui energia suficiente para desculpar a ofensa e esquecê-la, habitualmente passa a gravitar em torno daquele que lhe arrancou a vida, criando os fenômenos comuns da obsessão; e as vitimas da forca ou do fuzilamento, do machado ou da cadeira elétrica, se não constituem padrões de heroísmo e renunciação, de imediato, além-túmulo, vampirizam o organismo social que lhes impôs o afastamento do veiculo físico, transformando-se em quistos vivos da fermentação da discórdia e da indisciplina,.
O tribunal terrestre jamais decidirá, com segurança, sobre a extinção do crime, sem o concurso ativo do hospital e da escola.
Sem o professor e sem o médico, o juiz de sã consciência viverá sempre atormentado pela obrigação de prender e condenar, descendo da dignidade da toga para ombrear com os que se dedicam à flagelação alheia.
A função da justiça penal, dentro da civilização considerada cristã, é, acima de tudo, reeducar.
Sem o entendimento fraterno na base de nossas relações uns com os outros, não nos distanciaremos do labirinto de talião, que pretende converter o mundo em eterno sorvedouro de males renascentes.
Jesus, o divino libertador, veio quebrar algemas que nos jungiam aos princípios do castigo igual à culpa..
A educação é a mola do processo de redimir a mente cristalizada nas trevas.
Organizar a penitenciária renovadora, onde o serviço e o livro encontrem aplicação adequada, é a solução para o escuro problema da criminalidade, entre os homens, mesmo porque o melhor desforço da sociedade, contra o delinqüente, é deixá-lo viver, na reparação das próprias faltas.
Cada espírito respira no céu ou no inferno que formou para. si mesmo...
Aqui, temos o “campo dos efeitos”, e aí, no mundo, o “campo das causas”. E enquanto a alma se demora no “campo das causas”, há sempre oportunidade de consertar e reajustar, melhorando as consequências.
Não é morrendo que encontraremos facilidade para a reconciliação, É aprendendo com as rudes lições do educandário de matéria densa que se nos apuram as qualidades morais para a ascesão do espírito.
Ninguém, pois, precisará inquietar-se, provocando essa ou aquela reivindicação pela violência.
A lei da harmonia universal funciona em todos os planos da vida, encarregando-se de tudo restaurar no momento oportuno.
Quanto ao ato de condenar, quem de nós se revelará em condições de exercer semelhante direito?
Quantos de nós não somos malfeitores indiscutíveis, simplesmente por não encontrar a presa, no instante preciso da tentação? quantos delitos teremos perpetrado em pensamento?
Só a educação, alicerçada no amor, redimir-nos-á a multimilenária noite da ignorância.
Se você demonstra interesse tão grande na regeneração dos costumes, defendendo com tamanho entusiasmo a suposta legalidade da pena de morte, vasculhe o próprio coração e a própria consciência e verifique se está isento de faltas. Se você já superou os óbices da animalidade, adquirindo a grande compreensão a preço de sacrifício, estimaria saber se terá realmente coragem para amaldiçoar os pecadores do mundo, atirando-lhes “a primeira pedra”.

Livro Cartas e Crônicas
Espírito Irmão X
Psicografia Francisco C. Xavier.

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Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

O TEMPO DO SENHOR

No lar dos apóstolos em Jerusalém, era Tiago, filho de Alfeu, o mais intransigente cultor dos princípios de Moisés, entre os seguidores da Boa Nova.
Passo a passo, referia-se à alegação do Cristo: "eu não vim destruir a Lei..." e encastelava-se em severa defesa do moisaísmo, embora sustentasse fervorosa lealdade à prática do Evangelho.
Não vacilava em estender braços generosos aos irmãos infelizes que lhe recorressem aos préstimos; contudo, reclamava estrita obediência à pureza dos alimentos, às posturas do hábito, às festas tradicionais e à circuncisão. Mas, de todos os preceitos, detinha-se particularmente na consagração do chamado "dia do Senhor". Para isso, compelia todos os companheiros ao estudo e à meditação, à prece e ao silêncio, cada vez que o sábado nascesse, conquanto fossem adiados importantes serviços de assistência e socorro aos necessitados e enfermos que lhes batiam à porta.
Dominado de zelo, o apóstolo notara a ausência de Zorobatan bem Assef das orações do culto, com manifesto pesar. Zorobatan, o vendedor de lentilhas, fora-lhe colega de infância na Galiléia,; no entanto, desde muito vivia nos arredores da grande cidade, viúvo e sem filhos, prestando desinteressado auxílio ao movimento apostólico. Amanhava pequeno campo e negociava os produtos colhidos, depondo a maior parte dos lucros na bolsa de Simão Pedro, para as garantias da casa; entretanto, se vinha à instituição; suarento e cansado nas horas de trabalho exaustivo; era ele, nos instantes da prece, o faltoso renitente.
Varias vezes Tiago mandara portadores adverti-lo, mas porque a situação se mostrasse inalterada por mais de seis meses, o deliberou próprio repreende-lo, em pessoa, no ambiente rural.
Sobraçando grande rolo com apontamentos do Pentateuco, junto de André, o fiel defensor da Lei, né ensolarada manhã de um sábado de estio, varava trilhas secas e poeirentas, em animada conversação.
A certo trecho, falou-lhe o companheiro, sensato:
-Consideras, então, que um crente sincero, qual Zorobatan, seja passível de reprimenda simplesmente porque não nos partilhe as assembléias?
-Não tanto por isso - volveu Tiago, dando ênfase aos conceitos - Ele não apenas nos esquece o refúgio, mas também foge de respeitar o terceiro mandamento. Empregados e vizinhos do seu campo avisam-lhe, cada semana, que ele passa os sábados inteiros em atividade intensiva, recebendo auxiliares adventícios, que lhe revolvem os celeiros e as terras.
E o diálogo continuou:
-Não se trata, porém, de abnegado amigo das boas obras?
-Sem dúvida. E creio igualmente que a fé sem obras é morta em si mesma; contudo, a Lei determina que seja santificado o tempo do Senhor.
-E o próprio Jesus? Não curou nos dias de sábado?
-Não podemos discutir os desígnios do Mestre, de vez que a nós cabe reverencia-los tão somente... Se ele mesmo lia os Sagrados Escritos nas sinagogas, nos dias de repouso, ensinando-nos a orar, não vejo como desmerecer as veneráveis prescrições.
André solicitou alguns instantes e voltou a observar:
-Se uma de nossas crianças caísse no poço, dia de sábado, não deveríamos salva-la?
-Sim - concordou Tiago - mas nos sábados subsequentes, ser-nos-ia obrigação prender todas as crianças em recinto adequado, para que a impropriedade não se repetisse.
-E se fosse um animal de trabalho, um burro prestimoso, por exemplo, que viesse a tombar em cisterna profunda? Seria lícito deixa-lo morrer à míngua de todo amparo, porque o desastre ocorresse num dia determinado para o descanso?
-Não exitaria em socorrer o burro - disse o interlocutor, sole - mas vende-lo-ia, de imediato, para que não voltasse a ocasionar transtorno semelhante.
Nesse ponto do entendimento, a pequena cada de Zorobatan surgiu à vista.
No átrio limpo e singelo, erguia-se mesa tosca e, junto à mesa, magras mulheres lavavam pratos de madeira. Velhos doentes arrastavam-se em torno, enquanto meninos esquálidos traziam frutos, do depósito de provisões.
Apesar da pobreza em derredor, todos os semblantes irradiavam alegria.
À curta distância, Tiago viu Zorobatan que vinha do interior, carregando enorme vasilha fumegante.
Surpreendido, escutou-lhe a palavra, chamando os presente para a sopa que oferecia, gratuita, ao mesmo tempo em que tornava à cozinha para buscar nova remessa.
Sentaram-se todos os circunstantes, nos quais o apóstolo anotou a presença de alijados e enfermos, viúvas e órfãos, que ele próprio já conhecia desde muito.
Aproximou-se, no entanto, da porta e esperava que o amigo regressasse ao pátio, de modo a exprimir-lhe a desaprovação que lhe rugia nalma, quando viu Zorobatan sair da intimidade doméstica, arfando de fadiga, ao peso de recipiente maior. Desta vez, porém, um homem de olhar brando vinha, junto dele, apoiando-lhe as mãos calosas, para que o precioso conteúdo não se perdesse.
O visitante, irritado, dispunha-se a levantar a voz, quando reconheceu no ajudante desconhecido o próprio Cristo que ele, só ele Tiago, conseguiu ver...
-Mestre!... - exclamou entre perplexo e constrangido.
-Sim, Tiago - respondeu Jesus sem se alterar -, agradeço as preces com que me honram, mas devo estar pessoalmente com todos aqueles que auxiliam os nossos irmãos por amor de meu nome...
Com grande assombro para André, o velho apóstolo, em pranto mudo, largou o rolo da Lei sobre um montão de calhaus superpostos, segurou também a panela e começou a servir.
Irmão X
Da Obra "SENDA PARA DEUS" - ESPÍRITOS DIVERSOS -
Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 21:49

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O TEMPO DO SENHOR

No lar dos apóstolos em Jerusalém, era Tiago, filho de Alfeu, o mais intransigente cultor dos princípios de Moisés, entre os seguidores da Boa Nova.
Passo a passo, referia-se à alegação do Cristo: "eu não vim destruir a Lei..." e encastelava-se em severa defesa do moisaísmo, embora sustentasse fervorosa lealdade à prática do Evangelho.
Não vacilava em estender braços generosos aos irmãos infelizes que lhe recorressem aos préstimos; contudo, reclamava estrita obediência à pureza dos alimentos, às posturas do hábito, às festas tradicionais e à circuncisão. Mas, de todos os preceitos, detinha-se particularmente na consagração do chamado "dia do Senhor". Para isso, compelia todos os companheiros ao estudo e à meditação, à prece e ao silêncio, cada vez que o sábado nascesse, conquanto fossem adiados importantes serviços de assistência e socorro aos necessitados e enfermos que lhes batiam à porta.
Dominado de zelo, o apóstolo notara a ausência de Zorobatan bem Assef das orações do culto, com manifesto pesar. Zorobatan, o vendedor de lentilhas, fora-lhe colega de infância na Galiléia,; no entanto, desde muito vivia nos arredores da grande cidade, viúvo e sem filhos, prestando desinteressado auxílio ao movimento apostólico. Amanhava pequeno campo e negociava os produtos colhidos, depondo a maior parte dos lucros na bolsa de Simão Pedro, para as garantias da casa; entretanto, se vinha à instituição; suarento e cansado nas horas de trabalho exaustivo; era ele, nos instantes da prece, o faltoso renitente.
Varias vezes Tiago mandara portadores adverti-lo, mas porque a situação se mostrasse inalterada por mais de seis meses, o deliberou próprio repreende-lo, em pessoa, no ambiente rural.
Sobraçando grande rolo com apontamentos do Pentateuco, junto de André, o fiel defensor da Lei, né ensolarada manhã de um sábado de estio, varava trilhas secas e poeirentas, em animada conversação.
A certo trecho, falou-lhe o companheiro, sensato:
-Consideras, então, que um crente sincero, qual Zorobatan, seja passível de reprimenda simplesmente porque não nos partilhe as assembléias?
-Não tanto por isso - volveu Tiago, dando ênfase aos conceitos - Ele não apenas nos esquece o refúgio, mas também foge de respeitar o terceiro mandamento. Empregados e vizinhos do seu campo avisam-lhe, cada semana, que ele passa os sábados inteiros em atividade intensiva, recebendo auxiliares adventícios, que lhe revolvem os celeiros e as terras.
E o diálogo continuou:
-Não se trata, porém, de abnegado amigo das boas obras?
-Sem dúvida. E creio igualmente que a fé sem obras é morta em si mesma; contudo, a Lei determina que seja santificado o tempo do Senhor.
-E o próprio Jesus? Não curou nos dias de sábado?
-Não podemos discutir os desígnios do Mestre, de vez que a nós cabe reverencia-los tão somente... Se ele mesmo lia os Sagrados Escritos nas sinagogas, nos dias de repouso, ensinando-nos a orar, não vejo como desmerecer as veneráveis prescrições.
André solicitou alguns instantes e voltou a observar:
-Se uma de nossas crianças caísse no poço, dia de sábado, não deveríamos salva-la?
-Sim - concordou Tiago - mas nos sábados subsequentes, ser-nos-ia obrigação prender todas as crianças em recinto adequado, para que a impropriedade não se repetisse.
-E se fosse um animal de trabalho, um burro prestimoso, por exemplo, que viesse a tombar em cisterna profunda? Seria lícito deixa-lo morrer à míngua de todo amparo, porque o desastre ocorresse num dia determinado para o descanso?
-Não exitaria em socorrer o burro - disse o interlocutor, sole - mas vende-lo-ia, de imediato, para que não voltasse a ocasionar transtorno semelhante.
Nesse ponto do entendimento, a pequena cada de Zorobatan surgiu à vista.
No átrio limpo e singelo, erguia-se mesa tosca e, junto à mesa, magras mulheres lavavam pratos de madeira. Velhos doentes arrastavam-se em torno, enquanto meninos esquálidos traziam frutos, do depósito de provisões.
Apesar da pobreza em derredor, todos os semblantes irradiavam alegria.
À curta distância, Tiago viu Zorobatan que vinha do interior, carregando enorme vasilha fumegante.
Surpreendido, escutou-lhe a palavra, chamando os presente para a sopa que oferecia, gratuita, ao mesmo tempo em que tornava à cozinha para buscar nova remessa.
Sentaram-se todos os circunstantes, nos quais o apóstolo anotou a presença de alijados e enfermos, viúvas e órfãos, que ele próprio já conhecia desde muito.
Aproximou-se, no entanto, da porta e esperava que o amigo regressasse ao pátio, de modo a exprimir-lhe a desaprovação que lhe rugia nalma, quando viu Zorobatan sair da intimidade doméstica, arfando de fadiga, ao peso de recipiente maior. Desta vez, porém, um homem de olhar brando vinha, junto dele, apoiando-lhe as mãos calosas, para que o precioso conteúdo não se perdesse.
O visitante, irritado, dispunha-se a levantar a voz, quando reconheceu no ajudante desconhecido o próprio Cristo que ele, só ele Tiago, conseguiu ver...
-Mestre!... - exclamou entre perplexo e constrangido.
-Sim, Tiago - respondeu Jesus sem se alterar -, agradeço as preces com que me honram, mas devo estar pessoalmente com todos aqueles que auxiliam os nossos irmãos por amor de meu nome...
Com grande assombro para André, o velho apóstolo, em pranto mudo, largou o rolo da Lei sobre um montão de calhaus superpostos, segurou também a panela e começou a servir.
Irmão X
Da Obra "SENDA PARA DEUS" - ESPÍRITOS DIVERSOS -
Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

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