Domingo, 15 de Novembro de 2009

VINTE QUESTÕES COM GABRIEL DELANNE

André Luiz

Presente Gabriel Delanne, um dos mais destacados continuadores de Allan Kardec, em nossa reunião desta noite, formulamos respeitosamente para ele as questões que passamos a enumerar:

1. Caro amigo, estimamos colocar-nos na posição de nossos, ainda encarnados, para endereçar-lhe algumas perguntas de suma importância para eles que militam no plano físico. Prossegue em sua ação espírita de outro tempo, não obstante residindo agora além da Terra?

- Sim, tanto quanto possível, dentro das minhas reduzidas possibilidades.

2. Que nos diz acerca do Espiritismo, na França?

- Não nos é lícito dizer haja alcançado o nível ideal...

3. Em se tratando do berço de Allan Kardec, ser-nos-á permitido indagar a razão disso?

- Não podemos esquecer que a França nos últimos vinte lustros sofreu a carga de três grandes guerras que lhe impuseram sofrimentos e provas terríveis.

4. Considera que isso tenha atrasado a macha do Espiritismo?

- De modo algum. Legiões de companheiros da obra de Allan Kardec reencarnaram, não só na França, mas igualmente em outros países, notadamente no Brasil, para a sustentação do edifício kardequiano.

5. Acredita que a Europa retomará a direção do movimento espírita?

- Antes de tudo, devemos considerar que a Europa assemelha-se, atualmente, a vasto campo de guerra ideológica, que está muito longe de terminar...

6. Admite que os princípios espíritas estão caminhando lentamente no mundo?

- Não penso assim... As atividades espíritas contam pouco mais de um século e um século é período demasiado curto em assuntos do espírito.

7. Muitos amigos na Terra são de parecer que os Mensageiros da Espiritualidade Superior deveriam patrocinar mais amplas manifestações da mediunidade de efeitos físicos para benefício dos homens, como sejam materializações e vozes diretas. Que pensa a respeito?

- Creio que a mediunidade de efeitos físicos serve à convicção mas não adianta ao serviço indispensável da renovação espiritual. Os Espíritos Superiores agem acertadamente em lhe podando os surtos e as motivações, para que os homens, nossos irmãos, despertem à luz da Doutrina Espírita, entregando a consciência ao esforço do aprimoramento moral.

8. Conquanto tenha essa opinião, julga que o Espiritismo precisa atender ao incremento e melhoria da mediunidade?

- Não teríamos o Evangelho sem Jesus-Cristo e não teríamos Jesus-Cristo sem o socorro aos sofredores pelos processos mediúnicos que lhe caracterizaram a presença na Terra.

9. A Ciência terrestre de hoje se mostra ávida de contacto com outros mundos e, por isso, não seria interessante que os Espíritos fizessem por vários médiuns descrições da vida em outros planetas.

- Isso é útil, desde que o problema seja apreciado nas dimensões justas. Espíritos comunicantes podem descrever para os homens cidades prodigiosas e avançados sistemas sociais em planos de matéria que não aquela no estado em que é conhecida, medida e pesada na estância terrena. O homem físico, ainda mesmo de posse da mais avançada instrumentação, apenas vê ínfima parte do Universo.

10. A que atribuímos semelhante restrição?

- À estrutura do olho humano, formado para suportar apenas determinada quota de observação da vida em si.

11. Para que região devemos, nós, a seu ver, conduzir a pesquisa científica na Terra, de vez que a conquista da paisagem material de outros planetas não adiantará muito ao progresso moral das criaturas?

- Devemos estimular os estudos em torno da matéria e da reencarnação, analisar o reino maravilhoso da mente e situar no exercício da mediunidade as obras da fraternidade, da orientação, do consolo e do alívio às múltiplas enfermidades das criaturas terrestres...

12. Que mais?

- Velar pelas atividades que possam, na realidade, melhorar a individualidade por dentro...

13. Onde os percalços maiores para a expansão da doutrina Espírita?

- Em nossa opinião, os maiores embaraços para o Espiritismo procedem da atuação daqueles que reencarnam, prometendo servi-lo, seja através da mediunidade direta ou da mediunidade indireta, no campo da inspiração e da inteligência, e se transviam nas seduções da esfera física, convertendo-se em médiuns autênticos das regiões inferiores, de vez que não negam as verdades do Espiritismo, mas estão prontos a ridiculariza-las, através de escritos sarcásticos ou da arte histriônica, junto dos quais encontramos as demonstrações fenomênicas improdutivas, as histórias fantásticas, o anedotário deprimente e os filmes de terror.

14. Como vê semelhantes deformações?

- Os milhões de Espíritos inferiores que cercam a Humanidade possuem seus médiuns. Impossível negar isso.

15. De que modo vencer no labirinto gigantesco em que opera a influência das sombras?

- Educando...

16. Como?

- Explicando-se, tanto nos sistemas religiosos do Ocidente, quanto nos do Oriente, que a pessoa humana em qualquer lugar e em qualquer tempo somente possui o que ela fez de si própria.

17. Exprimindo-se, desse modo, refere-se à necessidade da divulgação da Doutrina Espírita?

- Sim.

18. Mas, segundo o seu conceito, a divulgação terá de efetuar-se de pessoa a pessoa. Teremos entendido certo?

- Sim, de pessoa a pessoa, de consciência a consciência. A verdade a ninguém atinge através da compulsão. A verdade para a alma é semelhante à alfabetização para o cérebro. Um sábio por mais sábio não consegue aprender a ler por nós.

19. Não considerará, porém, que esse processo é moroso demais para a Humanidade?

- Uma obra-prima de arte exige, por vezes, existências para o artista que persegue a condição do gênio. Como acreditar que o esclarecimento ou o aprimoramento do espírito imortal se faça tão só por afirmações labiais de alguns dias?

20. Que advertência nos dá para a vitória de nosso esforço modesto na seara espírita?

- Compreender que esperança é sinônimo de paciência, estudando e servindo sempre, na certeza de que, se a eternidade é a nossa divina herança, cada dia é um tesouro de recursos infinitos que não podemos desprezar.

(Paris, França. 20, Agosto, 1965.)
Livro Entre irmãos de outra terra
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 11:17

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Sábado, 14 de Novembro de 2009

OFICIALIZAÇÃO DO DIA NACIONAL DO ESPIRITISMO

A Câmara aprovou, no dia 6 de novembro, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 291/07, da deputada Gorete Pereira (PR-CE), que institui 18 de abril como o Dia Nacional do Espiritismo. A proposta foi aprovada com parecer favorável relator do texto na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. A autora do projeto lembra que o Brasil é a maior nação espírita da atualidade e que os praticantes brasileiros têm realizado "obras extraordinárias no campo da assistência social", destaca a figura do médium Chico Xavier, segundo ela fundamental para a difusão do Espiritismo no Brasil. A data escolhida é uma homenagem ao dia em que Allan Kardec lançou, em 1857, na França, O Livro dos Espíritos, marco inicial da Doutrina Espírita. O Projeto de Lei tramita agora no Senado Federal.

FONTE: FEB
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 17:25

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Sábado, 7 de Novembro de 2009

MUNDOS SEM VIDA

“Como o Espiritismo explica a existência de um mundo sem vida alguma, como a Lua e provavelmente Marte?”

O senhor, agora, me lembrou de uma falha que cometi, na lição passada, ao expor o problema sobre a escala espírita dos mundos. Realmente, há nessa escala um outro tipo de mundo que eu não citei, porque está incluída na própria fase dos Mundos Primitivos. São os Mundos Transitórios, que, segundo os Espíritos disseram a Kardec, são completamente áridos, muitos deles sem mesmo terem atmosfera, como acontece com a Lua.
Alguns deles, porém, já possuem atmosfera. São aqueles em que a vegetação se desenvolveu, em que houve a possibilidade, em virtude da existência de água nas suas entranhas, do desenvolvimento da própria atmosfera. Esses mundos transitórios, assim considerados, não têm condições de habitabilidade e, justamente por isso, não têm habitantes permanentes. Ninguém pode, por exemplo, viver permanentemente na Lua, a não ser de maneira artificial, servindo-se dos recursos da Terra, porque a Lua não tem atmosfera. Entretanto, nos Mundos Transitórios, os Espíritos se acomodam, por assim dizer, nos seus trabalhos que realizam no Cosmos.
O senhor vai dizer que isto é, por certo, um caso de imaginação, tirado da mitologia ou coisa semelhante. Mas a verdade é que os Espíritos somos nós mesmos. É preciso lembrar dos Espíritos não como fantasmas, não como criaturas abstratas, imaginárias, mas como criaturas humanas, desprovidas do corpo material. Nós não somos animais. Temos um corpo animal como instrumento de nossa manifestação, na vida terrena. Somos provenientes do Reino Animal, na nossa evolução, mas por termos atingido um plano superior, em que se manifesta a consciência, nós superamos a animalidade, porque a nossa essência é espiritual e não material.
Temos, pois, de nos lembrar dos Espíritos como seres humanos, dotados de todas as capacidades que possuímos, aqui na Terra, sendo que as mesmas são criadas em virtude de eles estarem revestidos de um corpo mais leve do que o nosso corpo material, que é o perispírito. O senhor teria a possibilidade de dizer que tudo isso é imaginação. E se eu lembrar ao senhor que as pesquisas existentes neste caso demonstraram a existência real do perispírito, o corpo espiritual do homem? O senhor poderá objetar-me, como costumam fazer os céticos, que essas pesquisas nunca chegaram a comprovações decisivas. Na verdade, chegaram.
Chegaram, sim senhor.
Se o senhor ler os trabalhos científicos a respeito, verá que chegaram a resultados conclusivos, mas foram rejeitados pela maioria dos cientistas, que não se importaram em pesquisar nesse campo. Por que William Crookes se dedicou a estudar os fenômenos espíritas? Por que ele era espírita? Não, porque ele nem acreditava nisso. Depois da investigação da sociedade Dialética de Londres, que quis acabar com o Espiritismo e acabou, na verdade, se dividindo em duas partes, uma a favor e outra contrária, depois desse fracasso William Crookes foi chamado à liça. Era um homem de grande prestígio, de grande capacidade científica no campo da investigação, principalmente para fazer aquilo que a Sociedade Dialética não havia conseguido fazer.
É bem conhecido o episódio de Crookes. Ele trabalhou apenas três meses na investigação espírita, afastando-se, portanto, do campo das suas pesquisas habituais, do seu trabalho costumeiro.
Pois bem, Crookes ficou mais de três anos na pesquisa espírita e provou a existência de todos os fenômenos espíritas. Então, o que fizeram aqueles mesmos que haviam solicitado a sua presença nesse campo? Disseram que ele havia perdido a razão.
Como ter provado a existência dos Espíritos, pelo mesmo Crookes, que havia provado a existência da matéria radiante? As conquistas de Crookes antes do seu trabalho espírita eram válidas, mas as conquistas no campo da investigação espírita não deveriam ser válidas. Veja o senhor o preconceito, a falta de arejamento espiritual para enfrentar os problemas. Ainda recentemente, um grande cientista francês afirmou, através de um trabalho muito bem feito, sobre a tradição dos cientistas no mundo atual, em face dos problemas parapsicológicos, que existe na Ciência uma lei de conservação da estrutura científica, denominada Lei de Alergia ao Futuro, que funcionou na Ciência.
Quanto a Crookes, saiu do campo do presente imediato e investigou a realidade dos fenômenos espíritas, com o que se projetava no futuro. Então os seus próprios colegas se voltaram contra ele. Temos também o caso de Charles Richet, que projetou suas pesquisas em Argel, provocando as manifestações de um Espírito materializado, que ele examinou como fisiologista, em todas as minúcias de sua manifestação; comprovou e afirmou a realidade da materialização e foi acusado, pelos seus próprios colegas, de que tinha cometido um grave erro de ter sido ludibriado por afirmações do cocheiro do general Noel, em cuja casa foram feitas as experiências. Acontece que esse cocheiro havia sido despedido pelo general Noel; era ladrão e bêbado. Então Richet perguntou a seus colegas na França: vocês preferem ficar com as afirmações do cocheiro bêbado ou com as minhas?
Como o senhor vê, o problema é muito sério, muito grave e nós precisamos compreender que temos que deixar de lado os preconceitos e encarar a verdade. Vamos examinar as pesquisas científicas em si e verificar a constância com que essas pesquisas não mudam. Desde os tempos de Kardec até hoje, estão sempre terminando, concluindo, pela existência real do fenômeno. Então a realidade se impõe, através da pesquisa científica, e não pode ser absolutamente negada com essa simplicidade, essa facilidade com que tem sido feita.

J. Herculano Pires – No Limiar do Amanhã
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 14:34

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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

PAI NOSSO

EM HOMENAGEM AOS 99 ANOS DE NASCIMENTO DE CARLOS PASTORINO

PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU
e também na nossa mente
(mesmo nos que não acreditam),
em todo o ser existente
e nos que de ti necessitam...

SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME
pois ele é sagrado,
e nos tem muito amor.
No nosso coração está guardado,
com todo o fervor....

VENHA A NÓS O VOSSO REINO
que é cheio de bondade.
Dai-nos alegria de viver,
saúde e felicidade,
porque estás em todo o ser...

SEJA FEITA A VOSSA VONTADE
que se pratique sempre o bem,
que haja igualdade
e muito menos maldade...

ASSIM NA TERRA, COMO NO CÉU
que termine a miséria na terra
e no céu haja a salvação.
Que se acabe a guerra,
porque Deus é perfeição...

O PÃO NOSSO DE CADA DIA
que seja para toda a gente,
porque há crianças a chorar
com fome diariamente
e velhinhos a mendigar...

NOS DAI HOJE
hoje e todos os dias,
muita paz, amor
e ainda alegrias,
para esquecer tanta dor...

PERDOAI AS NOSSAS OFENSAS
que no dia a dia fazemos,
e dizemos sem intenção.
Nunca deveremos
magoar nenhum coração.

ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS
perdoar é sempre um bem,
mesmo a quem mal nos faz.
Para que também,
o nosso coração viva em paz...

A QUEM NOS TEM OFENDIDO
seja qual for a razão,
devemos de perdoar.
A amigo ou irmão,
até um abraço dar...

NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO
de um mau pensamento,
um mau olhar.
Em qualquer momento,
alguém pode se magoar...

MAS LIVRAI-NOS DO MAL
que nos espreita a todos o momento,
e pode acontecer em alguém.
Até no nosso pensamento,
livrai-nos senhor de todo o mal...

AMÉM !...



Transcrito do livro Minutos de Sabedoria, de Carlos Torres Pastorino (Ed. Vozes)

 

 

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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 15:25

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O NOVO MANDAMENTO

EM HOMENAGEM AOS 99 ANOS DO NASCIMENTO DE CARLOS PASTORINO


João, 13:33-35
33. "Filhinhos, ainda um pouco estou convosco; procurar-me-eis e assim como disse aos judeus: aonde eu vou, vós não podeis chegar, - também vos digo agora.
34. Novo mandamento vos dou: que ameis uns aos outros; assim como vos amei, que também vós ameis uns aos outros.
35. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros".

O termo teknía, "filhinhos", exprime toda a ternura possível, tendo-se tornado usual em João (cfr. l.ª João, 2:1, 12, 28; 3:7, 18; 4:4; 5:21). O aviso de ter que seguir "só" fora dado aos judeus (cfr. João, 7:34 e 8:21).
O novo mandamento é o amor mais amplo, irrestrito, incondicional, acima das indiferenças, das ingratidões, das ofensas, das calúnias e até do suplício, do abandono, da morte.
Os primeiros cristãos o viveram, segundo lemos nos Atos dos Apóstolos (4:32): "Na comunidade dos fiéis, havia um só coração e uma só alma, e ninguém dizia possuir algo, pois tudo entre eles era comum".
Idêntico testemunho dá Tertuliano (Apologética, 39, 9; Patrol. Lat. vol. 1, col. 534): Sed ejúsmodi vel máxime dilectionis operatio nobis inurit penes quosdam. Vide, inquiunt, ut ínvicem se díligant (ipsi enim ínvicem óderunt) et ut pro altérutro mor i sint parati (ipsi enim ad occidendum altérutrum paratiores erint, ou seja; "Mas a prática desse nosso amor em grau máximo queima a alguns. Vê, dizem, como se amam mutuamente (mas eles mutuamente se odeiam) e como estão prontos a morrer um pelo outro (mas eles estão mais preparados a matar uns aos outros)". E, mais adiante: ítaque quiánimo animáque miscemur, nihil de rei communicatione dubitamus: omnia indiscreta sunt apud nos, praeter uxores, isto é: "Por isso, nós que nos unimos pelo espírito e pela alma, não hesitamos em pôr tudo em comum; todas as coisas são, entre nós, de todos, exceto as esposas".
A interpretação profunda leva-nos ao extremo ilimitado, ao pélago abissal do AMOR TOTAL, sem a menor restrição, mesmo em relação àqueles que nos são ingratos, prejudiciais, perversos e caluniadores.
O amor é a "pedra-de-toque" que dará a conhecer ao mundo os verdadeiros discípulos do Cristo. São os que não agem, não falam, nem pensam com críticas a quem quer que seja. Não pode haver separatismo entre nações, religiões, partidos, centros, igrejas. Quem condena ou persegue criaturas, cristãs ou muçulmanas, católicas ou espíritas, protestantes ou materialistas, não é CRISTÃO: "nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros".
Mas o vício humano torceu tudo. Hoje, se duas criaturas se aborrecem, se uma fala mal de outra, se uma denigre a fama ou faz restrições a outros, todos acham normal e natural. No entanto, se um AMA outro, está armado o escândalo! Se um médium ataca outro, logo se formam os partidos: "eu sou de Paulo, eu sou de Apolo" (l.ª Cor. 1:12). Se um sacerdote ataca violentamente e calunia um espírita, todos os católicos o aplaudem. Mas se qualquer um desses começa a AMAR uma moça, imediatamente, dizem todos: "caiu do pedestal!" Todos compreendem e justificam o ódio, as competições, as críticas, as acusações, até as calúnias. Mas o AMOR, não! Ninguém compreende o AMOR. E no entanto, "nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros".
Trata-se do amor, como o entendeu Paulo. O amor que está acima e que é mais importante e mais valioso, que o dom das línguas humanas e angélicas; acima da mediunidade por mais humilde ou espetacular que seja; acima da gnose dos mistérios iniciáticos, acima ainda da ciência oculta, acima da própria fé mais atuante, que remove montanhas; acima da caridade mais generosa e sacrificial e do próprio marítimo que se deixa queimar em testemunho da fidelidade à crença ...


Figura “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS” - Desenho de Bida, gravura de Léopold Fleming

AMAR é ter a alma grande, é ser benigno, é não ser ciumento nem invejoso; quem ama não se gaba, não se vangloria, não se ensoberbece, não se envaidece, não se comporta com inconveniências, não busca seus próprios interesses, por mais legítimos que sejam; quem ama não se irrita nem se magoa, não suspeita mal de ninguém, não se alegra com a dor alheia, mas apenas com a Verdade; suporta tudo, crê em tudo, preferindo ser enganado a enganar, espera com paciência, sofre tudo calado, perdoando e amando ... Esse amor jamais terminará, jamais desaparecerá, pois é maior que a fé e que a esperança! (Cfr. 1.ª Cor. 13:1-8).
No AMOR TOTAL, quando é real, absoluto, inclusivo, em todos os planos, não há exigências, nem distinções, nem limites, nem preconceitos, nem interesses: dá, sem nada pedir; perdoa, sem nada lembrar; sofre sem queixar-se; é pisado sem magoar-se; empresta sem exigir volta; abre a bolsa, os braços e o coração a todos, incluindo todos num só amplexo carinhoso e generoso e alegre e suave e sorridente - pois esse é o sinal efetivo e real do discipulado do Cristo. E é "por seus frutos que os conheceremos" (Mat. 7:16).
 
Carlos Pastorino
Sabedoria do Evangelho 7
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 02:11

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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009

PLANEJAMENTO FAMILIAR SOB A ÓTICA ESPÍRITA

“Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo.” (João, 3:7.)

A análise do presente tema embasa-se no Evangelho e na Doutrina Espírita, abstendo-se, contudo, de destacar as teses das ciências materialistas, que buscam solucionar esses delicados e intrincados problemas sem o conhecimento das soberanas leis da vida, originadas no princípio divino da reencarnação.
Reencarnar é a oportunidade bendita que temos para retornar à vida corporal, cumprindo, por meio de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus nos confia; permite- nos demonstrar o uso que faremos de nosso livre-arbítrio, por meio de abençoado aprendizado, e estabelecer, para isso, diretrizes adequadas ao engrandecimento de nossos destinos imortais, através dos laços da verdadeira fraternidade.
Em decorrência, os compromissos fixados em nosso programa existencial não são meros acordos superficiais, mas ensejam a possibilidade de podermos realizar, em uma nova existência, o que não foi possível fazer ou concluir, nas provas de vidas anteriores. Daí procede a certeza de que não escaparemos das resoluções infelizes, sem os ajustes necessários para resgatarmos os débitos contraídos no pretérito e que tantas mutilações e conflitos geraram em nossas almas. A esse respeito, afirma Allan Kardec, em nota à questão 171, de O Livro dos Espíritos:
A doutrina da reencarnação [...] é a única que corresponde à idéia que formamos da justiça de Deus para com os homens que se acham em condição moral inferior; a única que pode explicar o futuro e firmar as nossas esperanças, pois que nos oferece os meios de resgatarmos os nossos erros por novas provações. A razão no-la indica e os Espíritos a ensinam.1
Sem dúvida, o Espírito reencarnado pode e deve preocupar-se em planejar a constituição e a organização de sua família terrena: o número de filhos, o período propício para maternidade etc., sem eximir-se, no entanto, dos imperiosos resgates a que está vinculado.No entender do nobre Espírito Joanna de Ângelis,“ os filhos, porém, não são realizações fortuitas [...] Procedem de compromissos aceitos antes da reencarnação pelos futuros progenitores, de modo a edificarem a família de que necessitam para a própria evolução”. 2 E conclui a bondosa Mentora:
A programação da família não pode ser resultado da opinião genérica dos demógrafos assustados, mas fruto do diálogo franco e ponderado dos próprios cônjuges, que assumem a responsabilidade pelas atitudes de que darão conta.
O uso dos anticonceptivos como a implantação no útero de dispositivos anticoncepcionais, mesmo quando considerado legal, higiênico, necessita possuir caráter moral, a fim de se evitarem danos de variada consequência ética.3
As decisões quanto à utilização de recursos anticonceptivos, por parte dos casais espíritas, devem nortear-se pelos padrões morais-cristãos adqui- ridos nos ensinos dos princípios fundamentais da Doutrina, confiantes nas palavras lúcidas e iluminadas dos benfeitores espirituais, que declaram:
Deus concedeu ao homem, sobre todos os seres vivos, um poder de que ele deve usar, sem abusar. Pode, pois, regular a reprodução, de acordo com as necessidades. Não deve opor-se-lhe sem necessidade. A ação inteligente do homem é um contrapeso que Deus dispôs para restabelecer o equilíbrio entre as forças da Natureza e é ainda isso o que o distingue dos animais, porque ele obra com conhecimento de causa. [...]4
Sem esquecer que “tudo o que embaraça a Natureza em sua marcha é contrário à lei geral”.5
As questões do sexo, entretanto, não se reduzem a meros fatores fisiológicos, mas se concentram na alma, em sua sublime edificação. Ao retornarmos ao mundo carnal, mesmo sem condições de viver integralmente em regime de purificação, pelas próprias imperfeições que ainda nos caracterizam, é necessário despender intensos esforços para conquistar qualidades mais elevadas, como a ternura, a humildade, a delicadeza e o amor fraterno, a fim de lograrmos êxito ao obter o necessário equilíbrio em nossas exteriorizações do sentimento.
O preclaro autor espiritual André Luiz, em um de seus livros, relata a experiência vivida, junto com seu Instrutor Calderaro, em centro de estudos “onde elevados mentores ministram conhecimentos a companheiros aplicados ao trabalho de assistência na Crosta”.6 Na ocasião, o mensageiro responsável pela explanação da noite fez os seguintes comentários, entre outros, sobre problemas atinentes ao sexo:
A construção da felicidade real não depende do instinto satisfeito. A permuta de células sexuais entre os seres encarnados, garantindo a continuidade das formas físicas em processo evolucionário, é apenas um aspecto das multiformes permutas de amor. [...] Desenvolvamos, pois, carinhosa assistência aos que se desesperam no mundo [...]. Ensinemo-los a libertar a mente das malhas do instinto, abrindo-lhes caminho aos ideais do amor santificante, recordando-lhes que fixar o pensamento no sexo torturado, com desprezo dos demais departamentos da realização espiritual [...] é estacionar, inutilmente, no trilho evolutivo [...].7
Como reter o fulgor revelador desses conceitos, no momento em que tantas pessoas, motivadas pela excessiva permissividade sexual, ultrajam valores morais de forma inimaginável? Lamentavelmente, em meio a tantos descalabros do sexo, a maternidade aviltada busca o aborto como solução para repelir os filhos indesejados, especialmente entre certos jovens, desnorteando os pais que não os prepararam devidamente para o enfrentamento das consequências de ligações sexuais precoces e irresponsáveis, sem nenhum cuidado com os compromissos morais assumidos de uns para com os outros. De que forma sanar problemas tão graves?
O Espiritismo revela-nos algo fundamental:
Louváveis esforços indubitavelmente se empregam para fazer que a Humanidade progrida [...]. Para isso, deve-se proceder como procedem os médicos: ir à origem do mal. [...] Conhecidas as causas, o remédio se apresentará por si mesmo. [...] Poderá ser longa a cura, porque numerosas são as causas, mas não é impossível. Contudo, ela só se obterá se o mal for atacado em sua raiz, isto é, pela educação, não por essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem. A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral. [...]8 (Grifo nosso.)
Essa educação deve fazer parte do programa familiar, a ser ministrada nos lares onde predominem o amor cristão e a fraternidade entre seus membros, unidos pelos laços da parentela: orientar os filhos sobre temas alusivos ao sexo, abordando-se questões de acordo com o nível de compreensão de cada faixa etária, da infância e da adolescência, tendo como referência principal a visão espírita, por considerar o retorno ao corpo de carne conjuntura sublime de aperfeiçoamento dos sentimentos e de aprimoramento das condições intelecto-morais; preparar os jovens para o uso responsável da sexualidade, a partir de comportamentos de equilíbrio emocional e de respeito ao próximo, de modo a evitar, no futuro, arrastamentos no terreno da aventura que interfiram na integridade e na formação do caráter deles; ensinar às novas gerações que o dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma, primeiro, e em seguida, para com os outros, conforme aconselha o Espírito Lázaro, em mensagem recebida, em 1863: “O dever principia, para cada um de vós, exatamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais ninguém transponha com relação a vós”.9
“Identifiquemos no lar a escola viva da alma”,10 sem esquecer que as gerações novas, conforme prenunciado por Allan Kardec, são Espíritos que reencarnarão com o objetivo de “fundar a era do progresso moral”11 e, mesmo sem ascenderem a classes mais elevadas na escala espírita, estarão em condições de contribuir para melhoria da Terra.
Acolhamos o ensinamento de Jesus sobre a necessidade de nascer de novo (João, 3:7): como pais, favorecendo a vinda desses Espíritos que necessitam povoar o orbe para sua transformação em mundo de regeneração; como espíritas, planificando a existência em prol do esforço a desenvolver pela nossa transformação moral e procurando, na prática constante da caridade, sobretudo no reduto familiar, as condições ideais de vida.

Clara Lila Gonzales de Araújo
Reformador Novembro2009

Referências:
1KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 2. ed. espec. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Comentário de Kardec à questão 171.
2FRANCO, Divaldo P. Após a tempestade. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: LEAL, 1974. Cap. 10, p. 58-62.
3 ______. ______. p. 60.
4KARDEC, Allan. Op. cit., q. 693a.
5______. ______. Q. 693.
6XAVIER, Francisco C. No mundo maior. Pelo Espírito André Luiz. Ed. espec. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 11, p. 159.
7______. ______. p. 167.
8KARDEC, Allan. Op. cit., comentário de Kardec à questão 917.
9______. O evangelho segundo o espiritismo. 4. ed. espec. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 17, item 7.
10 XAVIER, Francisco C. Vida e sexo. Pelo Espírito Emmanuel. 26. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 4, p. 26.
11KARDEC, Allan. A gênese. 2. ed. espec. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 18, item 28.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 21:02

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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

CARTA DE UM MORTO


Pede-me você notícias do cemitério nas comemorações de Finados. E como tenho em mãos a carta de um amigo, hoje na Espiritualidade, endereçada a outro amigo que ainda se encontra na Terra, acerca do assunto, dou-lhe a conhecer, com permissão dele, a missiva que transcrevo, sem qualquer referência a nomes, para deixar-lhe a beleza livre das notas pessoais.
Eis o texto em sua feição pura e simples :
Meu caro, você não pode imaginar o que seja entregar à terra a carcaça hirta. no dia dois de Novembro.
Verdadeira tragédia para o morto inexperiente.
Lembrar-se-á você de que o enterro de meu velho corpo, corroído pela doença, realizou-se ao crepúsculo, quando a necrópole enfeitada parecia uma casa em festa.
Achava-me tristemente instalado no coche fúnebre, montando guarda aos meus restos, refletindo na miserabilidade da vida humana...
Contemplando de longe minha mulher e meus filhos, que choravam discretamente num largo automóvel de aluguei, meditava naquele antigo aponta-mento de Salomão – «vaidade das vaidades, tudo é vaidade» –, quando, à entrada do cemitério, fui desalojado de improviso.
Na multidão irrequieta dos vivos na carne, vinha a massa enorme dos vivos de outra natureza. Eram desencarnados às centenas, que me apalpavam curiosos, entre o sarcasmo e a comiseração.
Alguns me dirigiam indagações indiscretas, enquanto outros me deploravam a sorte.
Com muita dificuldade, segui o ataúde que me transportava o esqueleto imóvel e, em vão, tentei conchegar-me à esposa em lágrimas.
Mal pude ouvir a prece que alguns amigos me consagravam, porque, de repente, a onda tumultuária me arrebatou ao circulo mais íntimo.
Debalde procurei regressar à quadra humilde em que me situaram a sombra do que eu fora no mundo... Os visitantes terrestres daquela mansão, pertencente aos supostos finados, traziam consigo imensa turba de almas sofredoras e revoltadas, perfeitamente jungidas a eles mesmos.
Muitos desses Espíritos, agrilhoados aos nossos companheiros humanos, gritavam ao pé das tumbas, contando os crimes ocultos que os haviam arremessado à vala escura da morte, outros traziam nas mãos documentos acusadores, clamando contra a insânia de parentes ou contra a venalidade de tribunais que lhes haviam alterado as disposições e desejos.
Pais bradavam contra os filhos. Filhos protestavam contra os pais.
Muitas almas, principalmente aquelas cujos despojos se localizam nos túmulos de alto preço, penetravam a intimidade do sepulcro e, de lá, desferiam gemidos e soluços aterradores, buscando inutilmente levantar os próprios ossos, no intuito de proclama aos entes queridos verdades que o tímpano humano detesta ouvir".
Muita gente desencarnada falava acerca de títulos e depósitos financeiros perdidos nos bancos, de terras desaproveitadas, de casas esquecidas, de objetos de valor e obras de arte que lhes haviam escapado às mãos, agora vazias e sequiosas de posse material.
Mulheres desgrenhadas clamavam vingança contra homens cruéis, e homens carrancudos e inquietos vociferavam contra mulheres insensatas e delinqüentes.
Talvez porque ainda trouxesse comigo o cheiro do corpo físico, muitos me tinham por vivo ainda na Terra, capaz de auxiliá-los na solução dos problemas que lhes escaldavam a mente, e despejavam sobre mim alegações e queixas, libelos e testemunhos.
Observei que os médicos, os padres e os juízes são as pessoas mais discutidas e criticadas aqui, em razão dos votos e promessas, socorros e testamentos, nos quais nem sempre corresponderam à expectativa dos trespassados.
Em muitas ocasiões, ouvi de amigos espíritas a afirmação de que há sempre muitos mortos obsidiando os vivos, mas, registrando biografias e narrações, escutando choro e praga, tanto quanto vendo o retrato real de muitos, creio hoje que há mais vivos flagelando os mortos, algemando-os aos desvarios e paixões da carne, pelo menosprezo com que lhes tratam a memória e pela hipocrisia com que lhes visitam as sepulturas.
Tamanhos foram meus obstáculos, que não mais consegui rever os familiares naquelas horas solenes para a minha incerteza de recém-vindo, e, sòmente quando os homens e as mulheres, quase todos protocolares e indiferentes, se retiraram, é que as almas terrivelmente atormentadas e infelizes esvaziaram o recinto, deixando na retaguarda tão sòmente nós outros, os libertos em dificuldade pacífica, e fazendo-me perceber que o tumulto no lar dos mortos era uma simples conseqüência da perturbação reinante no lar dos vivos.
Apaziguado o ambiente, o cemitério pareceu-me um ninho claro e acolhedor, em que me não faltaram braços amigos, respondendo-me às súplicas, e a cidade, em torno, figurou-se-me, então, vasta necrópole, povoada de mausoléus e de cruzes, nos quais os espíritos encarnados e desencarnados vivem o angustioso drama da morte moral, em pavorosos compromissos da sombra.
Como vê, enquanto a Humanidade não se habilitar para o respeito à vida eterna, é muito desagradável embarcar da Terra para o Além, no dia dedicado por ela ao culto dos mortos que lhe são simpáticos e antipáticos.
Peça a Jesus, desse modo, para que você não venha para cá, num dia dois de Novembro. Qualquer outra data pode ser útil e valiosa, desde que se desagarre daí, naturalmente, sem qualquer insulto à Lei. Rogue também ao Senhor que, se possível, possa você viajar ao nosso encontro, num dia nublado e chuvoso, porque, em se tratando de sua paz, quanto mais reduzido o séqüito no enterro será melhor.
E porque o documento não relaciona outros informes, por minha vez termino também aqui, sem qualquer comentário.

Irmão X
Livro Cartas e Crônicas - Espírito Irmão X - Psicografia Francisco C. Xavier.


PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:24

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SAUDADE E ESPERANÇA

Nunca demais referir-se ao imperativo da conformação e da serenidade que se deve manter na terra, em apoio daqueles que te precederam no fenômeno da morte.
Entendemos quanto dói o adeus entre aqueles que as dimensões vibratórias separam entre campos diferentes da vida. Entretanto, se te encontras entre os que lastimam a perda de seres queridos, compadece-te deles, auxiliando-lhes a sustentação com a tua própria fé.
O pensamento é mensagem com endereço. E a tua saudade, quando entretecida de angústia e pranto, é uma projeção de sombra e sofrimento que lhes arremessa em rosto, conturbando-lhes os corações ou obscurecendo-lhes os caminhos.
Sobretudo, não te revoltes contra a Divina Providência como se estivesses provocando a perpetuidade de tua dor. A desencarnação sem complexos de culpa é o melhor que pode acontecer a todos aqueles que partem no rumo de vivências novas na Vida Espiritual.
Esse companheiro deixou o corpo, depois de perigoso acidente circulatório para não ser algemado à paralisia por longos meses, aquele se desvencilhou do envoltório material, no curso de grave enfermidade, forrando-se à provação de contrair perturbações mentais irreversíveis; outro liberou-se da experiência humana, no instante áureo da juventude por haver encerrado o ciclo de resgates determinados, de modo a promover-se nas esferas de elevação; e outros ainda se desvinculam da veste física, ante o alvorecer da existência, na condição de crianças que, por força do próprio passado, nos princípios de causa e efeito, terminam processos de luta reparadora em que se achavam incursos, muitas vezes conduzidos, de um plano para outro, a fim de trocarem um corpo doente por outro mais habilitado à execução das tarefas evolutivas que lhes cabe sustentar.
Diante dos chamados mortos a quem tanto amas, não lhes agraves os problemas com as flechas vibratórias do sofrimento, marcado a fogo de inconformidade ou rebeldia.
Padecendo embora o vazio na própria alma, ilumina a saudade com as preces da esperança e envia-lhes reconforto e encorajamento, amparo e consolação.
Ora pela paz de quantos se te adiantaram na transferência para a Vida Maior e entraga-se a Deus, na certeza de que Deus, em nos criando para o amor uns pelos outros, jamais nos separaria os corações para sempre.

Emmanuel
Do livro Amanhece. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 18:44

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Domingo, 1 de Novembro de 2009

EURÍPEDES BARSANULFO



Dados pessoais:
Nome: Eurípedes Barsanulfo.
Nascimento: 1.º/05/1880, em Sacramento, Minas Gerais
Homem: professor, político e espírita.
Desencarne: 1.º/11/1918 (38 anos), na mesma cidade.

1. INTRODUÇÃO
O jornal O Bora, Semanário Independente de Sacramento, em 17 de novembro de 1918 edita uma nota longa sobre esta personalidade. Diz que "A vida de Eurípedes Barsanulfo é um fato um tanto raro na história da humanidade. Compenetrado dos elevados sentimentos de caridade e amor do próximo, só procurou fazer o bem pelo bem, auxiliando sempre os mais necessitados ... Esse vulto eminente, essa alma toda cheia de bondade, não teve ódio nem rancor de ninguém ... A humildade foi um dos traços predominantes de seu caráter reto, sempre averso aos gozos efêmeros da vida terrena".

2. LIDERANÇA JUVENIL
Era ainda bem moço, porém muito estudioso e com tendências para o ensino, por isso foi incumbido pelo seu mestre-escola de ensinar aos próprios companheiros de aula. Respeitável representante político de sua comunidade, tornou-se secretário da Irmandade de São Vicente de Paula, tendo participado ativamente da fundação do jornal "Gazeta de Sacramento" e do "Liceu Sacramentano". Logo viu-se guindado à posição natural de líder, por sua segura orientação quanto aos verdadeiros valores da vida.

3. CONVERSÃO AO ESPIRITISMO
Através de informações prestadas por um dos seus tios, tomou conhecimento da existência dos fenômenos espíritas e das obras da Codificação Kardequiana. Diante dos fatos voltou totalmente suas atividades para a nova Doutrina, pesquisando por todos os meios e maneiras, até desfazer totalmente suas dúvidas.
Despertado e convicto, converteu-se sem delongas e sem esmorecimentos, começando a sofrer, inclusive no seio familiar, as conseqüências de sua atitude incompreendida. Persistiu lecionando e entre as matérias incluiu o ensino do Espiritismo, provocando reação em muitas pessoas da cidade, sendo procurado pelos pais dos alunos, que chegaram a oferecer-lhe dinheiro para que voltasse atrás quanto à nova matéria e, ante sua recusa, os alunos foram retirados um a um.

4. PERSEGUIÇÕES E MEDIUNIDADE
Sob pressões de toda ordem e impiedosas perseguições, Eurípedes sofreu forte traumatismo, retirando-se para tratamento e recuperação em uma cidade vizinha, época em que nele desabrocharam várias faculdades mediúnicas, em especial a de cura, despertando-o para a vida missionária. Um dos primeiros casos de cura ocorreu justamente com sua própria mãe que, restabelecida, se tornou valiosa assessora em seus trabalhos.
A produção de vários fenômenos fez com que fossem atraídas para Sacramento centenas de pessoas de outras paragens, abrigando-se nos hotéis e pensões, e até mesmo em casas de famílias, pois a todos Barsanulfo atendia e ninguém saía sem algum proveito, no mínimo o lenitivo da fé e a esperança renovada e, quando merecido, o benefício da cura, através de bondosos Benfeitores Espirituais.

5. FUNDAÇÃO DO G. E. ESPERANÇA E CARIDADE
Auxiliava a todos, sem distinção de classe, credo ou cor e, onde se fizesse necessária a sua presença, lá estava ele, houvesse ou não condições materiais. Jamais esmorecia e, humildemente, seguia seu caminho cheio de percalços, porém animado do mais vivo idealismo. Logo sentiu a necessidade de divulgar o Espiritismo, aumentando o número dos seus seguidores. Para isso fundou o "Grupo Espírita Esperança e Caridade", no ano de 1905, tarefa na qual foi apoiado pelos seus irmãos e alguns amigos, passando a desenvolver trabalhos interessantes, tanto no campo doutrinário, como nas atividades de assistência social.
Certa ocasião caiu em transe em meio dos alunos, no decorrer de uma aula. Voltando a si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a I Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião quando foi assinado o célebre tratado.

6. FUNDAÇÃO DO COLÉGIO ALLAN KARDEC
Em 1.º de abril de 1907, fundou o Colégio Allan Kardec, que se tornou verdadeiro marco no campo do ensino. Esse instituto de ensino passou a ser conhecido em todo o Brasil, tendo funcionado ininterruptamente desde a sua inauguração, com a média de 100 a 200 alunos, até o dia 18 de outubro, quando foi obrigado a cerrar suas portas por algum tempo, devido à grande epidemia de gripe espanhola que assolou nosso país.
Seu trabalho ficou tão conhecido que, ao abrirem-se as inscrições para matrículas, as mesmas se encerravam no mesmo dia, tal a procura de alunos, obrigando um colégio da mesma região, dirigido por freiras da Ordem de S. Francisco, a encerrar suas atividades por falta de freqüentadores.

7. DEBATES RELIGIOSOS
Liderado a pulso forte, com diretriz segura, robustecia-se o movimento espírita na região e esse fato incomodava sobremaneira o clero católico, passando este, inicialmente de forma velada e logo após, declaradamente, a desenvolver uma campanha difamatória envolvendo o digno missionário e a doutrina de libertação, que foi galhardamente defendida por Eurípedes, através das colunas do jornal "Alavanca", discorrendo principalmente sobre o tema: "Deus não é Jesus e Jesus não é Deus", com argumentação abalizada e incontestável, determinando fragorosa derrota dos seus opositores que, diante de um gigante que não conhecia esmorecimento na luta, mandaram vir de Campinas, Estado de S. Paulo, o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas pregações e conhecimentos, convencidos de que com suas argumentações e convicções infringiriam o golpe derradeiro no Espiritismo.
Foi assim que o referido padre desafiou Eurípedes para uma polêmica em praça pública, aceita e combinada em termos que foi respeitada pelo conhecido apóstolo do bem.
No dia marcado o padre iniciou suas observações, insultando o Espiritismo e os espíritas, "doutrina do demônio e seus adeptos, loucos passíveis das penas eternas", numa demonstração de falso zelo religioso, dando assim testemunho público do ódio, mostrando sua alma repleta de intolerância e de sectarismo.
A multidão que se mantinha respeitosa e confiante na réplica do defensor do Espiritismo, antevia a derrota dos ofensores, pela própria fragilidade dos seus argumentos vazios e inconsistentes.
O missionário sublime, aguardou serenamente sua oportunidade, iniciando sua parte com uma prece sincera, humilde e bela, implorando paz e tranqüilidade para uns e luz para outros, tornando o ambiente propício para inspiração e assistência do plano maior e em seguida iniciou a defesa dos princípios nos quais se alicerçavam seus ensinamentos.
Com delicadeza, com lógica, dando vazão à sua inteligência, descortinou os desvirtuamentos doutrinários apregoados pelo Reverendo, reduzindo-o à insignificância dos seus parcos conhecimentos, corroborado pela manifestação alegre e ruidosa da multidão que desde o princípio confiou naquele que facilmente demonstrava a lógica dos ensinos apregoados pelo Espiritismo.
Ao terminar a famosa polêmica e reconhecendo o estado de alma do Reverendo, Eurípedes aproximou-se dele e abraçou-o fraterna e sinceramente, como sinceros eram seus pensamentos e suas atitudes.

8. DESENCARNE
Barsanulfo seguiu com dedicação as máximas de Jesus Cristo até o último instante de sua vida terrena, por ocasião da pavorosa epidemia de gripe que assolou o mundo em 1918, ceifando vidas, espalhando lágrimas e aflição, redobrando o trabalho do grande missionário, que a previra muito antes de invadir o continente americano, sempre falando na gravidade da situação que ela acarretaria.
Manifestada em nosso continente, veio encontrá-lo à cabeceira de seus enfermos, auxiliando centenas de famílias pobres.
Havia chegado ao término de sua missão terrena.
Esgotado pelo esforço despendido, desencarnou no dia 1.º de novembro de 1918, às 18 horas, rodeado de parentes, amigos e discípulos.
Sacramento em peso, em verdadeira romaria, acompanhou-lhe o corpo material até a sepultura, sentindo que ele ressurgia para uma vida mais elevada e mais

9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
NOVELINO, CORINA. Eurípedes, o Homem e a Missão. 3.ed., Araras/SP, IDE, 1979.
Grandes Vultos do Espiritismo
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 01:21

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