Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

EM HOMENAGEM AOS 150 ANOS DE NASCIMENTO DE LÁZARO LUIZ ZAMENHOF



O Doutor Que Tem Esperança
LÁZARO LUIZ ZAMENHOF nasceu em 15 de dezembro de 1859, na cidade de Bialystok, na Polônia, então anexada ao Império Russo. Era filho de Rosália e Marcos Zamenhof, criterioso professor de geografia e línguas modernas.
Bialystok era uma pequena cidade que se constituía num palco de dolorosas lutas raciais, agravadas pela incompreensão lingüística entre os seus habitantes. A Polônia pertencia ao Império Moscovita, onde se falava cerca de duzentas (200) línguas diferentes. Só na pequena Bialystok falavam-se quatro (04) línguas oficiais: o Russo, o Alemão, o Polonês e o Ídiche.
Eram quatro nacionalidades distintas que tinham objetivos antagônicos, com línguas diferentes e crenças hostis umas às outras.
O menino Lázaro, com apenas 06 anos de idade, já se constrangia e se indagava ao assistir a discussões e contendas que terminavam em lágrimas, sangue e até mesmo em mortes violentas. Essa impressão terrível não mais se apagaria de sua mente.
Desde menino era prudente, modesto, pensativo e estudioso e em sua mente de gênio já se apresentava a idéia de elaboração de uma única língua neutra internacional. Na escola mostrava talento e cultura invulgares para escrever e era admirado pelos professores e amigos. Possuía uma conduta tranqüila e maneiras gentis. Nunca se mostrava superior a quem quer que fosse, nem em casa nem na escola.
Na 5ª série primária começou a estudar o inglês e ainda muito jovem estudou o francês e o alemão. Iniciando o curso ginasial, passou a estudar fervorosamente as línguas latina e grega, examinando a possibilidade de uma delas se constituir em língua internacional. Todavia, até a língua latina era difícil e cheia de antigas e inúteis formas. Mais simples, mais conveniente para o uso atual deveria ser uma língua sonhada. Ela deveria ser de aprendizagem rápida e acessível também ao povo e não apenas aos letrados. O fundamento da língua sonhada deveria ser a simplicidade e a lógica.
Nesse ínterim, a família transferiu-se para Varsóvia. Quando cursava a última série ginasial, já havia concluído o seu projeto sobre a Língua Universal. No dia 05 de dezembro de 1878, ele e um grupo de 6 ou 7 colegas do ginásio festejaram, ao redor de um bolo preparado carinhosamente por sua mãe, o nascimento da Língua Internacional. Na verdade, o projeto naquele dia comemorado era apenas um forma embrionária do que mais tarde seria o ESPERANTO.
Terminado o ginásio, foi mandado para Moscou, onde iria estudar Medicina. Antes, porém, o jovem ZAMENHOF teve de prometer ao pai que abandonaria a idéia da língua universal, pelo menos provisoriamente, até terminar o curso de Medicina, e teve de entregar-lhe, naquele dia, os cadernos que continham os originais.
Seus pais não puderam mantê-lo em Moscou e fizeram-no regressar a Varsóvia. Contava então 22 anos de idade. Durante o seu afastamento, seu pai, "prudente e rigoroso", por amor ao seu filho, temendo por seu futuro, queimou todos os manuscritos sobre a Língua Internacional.
Tão logo voltou à casa paterna, procurou por seus manuscritos e, não os encontrando, perguntou à mãe por eles. A resposta materna foram apenas lágrimas e silêncio. Lázaro Luiz adivinhou tudo. Procurou o pai e pediu-lhe para desfazer a promessa, pois queria dar continuidade ao seu grandioso trabalho. Tinha guardado na memória tudo o que continham os originais queimados. Fervorosamente refez tudo.
Só depois de experimentos exaustivos e comprovações minuciosas com os estudos da gramática e vocabulário intensamente vividos e testados foi que considerou pronta a sua obra. Estava nessa época com 28 anos de idade.
Mas restava um último detalhe: como publicá-la, sendo sua situação financeira bastante precária? De onde viriam os recursos? Um auxílio surgiu de onde ele menos esperava. Seu futuro sogro, homem afeito à cultura, financiou totalmente a publicação da obra, e, a 26 de julho de 1887 saía da oficina gráfica o seu primeiro livro.
Era uma gramática com as instruções em russo e chamava-se "LINGVO INTERNACIA", de autoria de "DOKTORO ESPERANTO". Esse pseudônimo, que na nova língua significa "DOUTOR QUE TEM ESPERANÇA", com o decorrer do tempo, passou a ser usado por seus aprendizes, para denominar a própria língua: ESPERANTO. Pouco tempo depois eram lançadas as edições em polonês, francês, alemão , etc. Nesta ocasião Zamenhof teve que adotar outro pseudônimo, e optou pelo de "Unuel", o que revela a sua grande humildade. UNUEL é composto pelas palavras unu (um) e el (entre), pois Zamenhof considerava-se apenas um dentre os demais esperantistas, não aceitando que o chamassem de Mestre.
Sem deixar a profissão, já médico formado, ZAMENHOF trabalhou ardorosamente na divulgação da Língua Internacional. Tamanha importância deu à propagação de seu ideal que, só depois de concluída e editada sua obra, veio a casar-se com CLARA SILBERNIK, com quem teve 06 filhos.
As pessoas que aderiram à língua neutra ficaram encantados com a força unificadora do ESPERANTO, e renderam-se à autoridade irresistível do grande missionário ZAMENHOF, cujos talentos de pensador profundo, intelectual vigoroso, artista inspirado e condutor nato sustentaram a causa com tal genialidade que nenhuma força, interna ou externa, pôde jamais destruí-la.
Toda a vida do DOUTOR ESPERANTO foi tecida de sacrifícios, abnegação e devotamento. Espírito verdadeiramente superior, era extremamente humanitário e solidário, cultivava a tolerância e era afável com todos, nunca perdendo uma oportunidade de ser caridoso. No exercício de sua profissão agia sob o impulso do desprendimento, não obstante haver permanecido sempre pobre. Dos camponeses jamais exigia honorários, chegando mesmo a dar-lhes dinheiro e a pedir a fazendeiros ricos auxílio para o socorro de sua clientela sem recurso.
Certa ocasião, após atender a crianças gravemente feridas num incêndio, inteirou-se de que o fogo havia destruído a propriedade de seus pais, reduzindo-os a absoluta miséria. ZAMENHOF deu-lhes todo o dinheiro que possuía, sem se preocupar em reservar algum para o regresso ao lar em longa viagem. Recorre para esse fim a um rico cliente das redondezas, para que lhe empreste o necessário para o seu regresso.
Um outro dia, no caminho que habitualmente percorre, encontra um carroceiro em prantos pela morte do seu cavalo, esgotado pelos esforços numa estrada coberta de lama. ZAMENHOF oferece-lhe 50 rublos para que o pobre homem tenha com o que comprar outro animal e assim assegurar o seu sustento.
De certa feita, após assistir uma agonizante idosa, juntamente com 4 outros colegas, recusa-se a receber da família polpudos honorários, considerando que a doença culminou com a morte da paciente. ZAMENHOF sempre se dedicou a seus clientes pobres, proporcionando-lhes até o fim de sua carreira dois dias da semana para consultas gratuitas, pedindo ao seu filho ADAM, igualmente médico, que continuasse essa prática.
Nos mínimos gestos e atitudes revelava-se a nobreza de seu caráter. Em Boulogne-sur-mer, França, por ocasião do 1º Congresso Universal de Esperanto, comparece, embora judeu, a uma missa do culto romano. A uma fervorosa Esperantista que lhe pede um autógrafo no recinto da Igreja ZAMENHOF sussurra: "Com muito prazer, minha senhora, mas eu lhe peço que seja em outro lugar - aqui é um lugar sagrado".
Os pequeninos, os sofredores e particularmente aqueles que atravessaram a prova da cegueira, dedicavam entranhada veneração pelo bondoso oftalmologista de Varsóvia, ramo da Medicina em que se especializou, e quando ZAMENHOF visita Cambridge, para os festejos do 3º Congresso Universal de ESPERANTO, encontra-se com muitos cegos esperantistas provenientes de outros países, todos alojados numa mansão às expensas de outro grande pioneiro esperantista, THEÓFILE CART. Zamenhof cumprimentou cada um à parte, encorajou-os ao otimismo e de todos recebeu ardorosos agradecimentos pelo idioma que lhes proporcionava uma pequena claridade em seu mundo sem luz. Mas os cegos lhe pediram outro privilégio: queriam tocá-lo com as mãos, conhecer melhor aquele que nunca poderiam ver.
E suas mãos que, de forma tão extraordinária, traduzem pensamentos e emoções, tocavam respeitosamente o corpo pequeno e frágil, a barba, os óculos de lentes ovais, a larga calva do genial missionário polonês. Naquele momento, Zamenhof, profundamente emocionado, pensava nas crianças judias cujos olhos foram vazados durante um "progrom" na sua cidade natal de Bialystok.
Traído por um companheiro de ideal esperantista, em quem depositava absoluta confiança, ZAMENHOF deu profundo exemplo de tolerância e amor cristão, chegando a ser criticado por outros adeptos por ter feito longa viagem ao encontro do seu ex-amigo, o traidor, só para perdoá-lo.
Um dos grandes ideais de Zamenhof era dar aos religiosos de todas as correntes um fundamento neutro concreto para que se aproximassem em nome do Bem da Humanidade. Seu desejo era que todos os livros sagrados de todas as religiões fossem vertidos para o ESPERANTO. Ele próprio traduziu o Velho Testamento. Dizia que: "Se todos os fundadores de religiões pudessem encontrar-se pessoalmente, eles se apertariam as mãos reciprocamente, como amigos, porque todos tiveram um único objetivo: fazer com que os homens se tornassem bons e felizes".
O ideal Esperantista fê-lo pairar acima de sua própria identidade nacional e racial. Quando o convidaram para a festa de fundação da sociedade judaica internacional em Paris, respondeu:"Estou profundamente convencido de que todo nacionalismo representa tão- somente um grande prejuízo para a Humanidade, sendo de opinião de que o objetivo principal de todas as criaturas deveria ser a criação de uma Humanidade harmônica. É certo que o nacionalismo dos oprimidos - como reação natural de autodefesa - é muito mais desculpável do que o nacionalismo dos opressores. Mas,se o nacionalismo dos fortes é vil, o nacionalismo dos fracos é imprudentes, ambos se engendram e se sustentam reciprocamente, dando lugar a um círculo vicioso de infelicidades, do qual a Humanidade jamais sairá se cada um de nós, fazendo o sacrifício de seu amor-próprio grupal, não tentar o encontro num terreno absolutamente neutro. Eis porque, apesar dos pungentes sofrimentos de minha raça, não quero aderir a um nacionalismo judeu, preferindo trabalhar apenas para uma absoluta justiça entre os homens. Estou profundamente convencido de que assim proporciono a meus irmãos maior soma de bem do que se aderisse a um movimento nacionalista".
Mas, a mais expressiva homenagem, por nascer do coração de uma alma simples, foi a que lhe fez a velha criada da família Zamenhof. Ela era católica romana, mas durante toda a sua vida guardou em seu quarto, sob um crucifixo, uma fotografia de ZAMENHOF. Aos visitantes ela costumava mostrar esse retrato, dizendo: "Ele nunca pecou!"
O nobre espírito de LÁZARO LUIZ ZAMENHOF legou à família humana o instrumento ideal para a comunicação entre seus membros, engolfados numa consternadora multiplicidade de línguas e dialetos a entravar-lhes a marcha do progresso.
Em outubro de 1889 apareceu a primeira lista de endereços, com 1000 nomes de pessoas de diversos países, simpatizantes do ESPERANTO. Foram fundados clubes, mensários e revistas dando força a um movimento internacional que veio crescendo, pouco a pouco, sem interrupção.
Em 1905, já acontecia na França, na cidade de Bolonha do Mar, o 1º Congresso Mundial de ESPERANTO, onde se reuniram centenas de pessoas de vários países, comunicando-se em uma única língua.
Em 1910, foi realizado o VI CONGRESSO UNIVERSAL DE ESPERANTO, em Washington, Estados Unidos da América e o BRASIL nele se fez representar pelo Prof. JOÃO BATISTA DE MELO SOUZA, com apenas 21 anos de idade, que fez ver ao Dr. Zamenhof que não existia em sua gramática a palavra saudade. Zamenhof achou muito interessante a idéia e tratou de incluí-la na língua internacional, que a incorporou com os vocábulos sopiro, sopirado, resopiro e sãudado (poético).
Em 1914 seria realizado o 10º Congresso, em Paris, mas tal não aconteceu devido à deflagração da Primeira Guerra Mundial. Já estavam inscritas 3.700 pessoas para esse Congresso, frustrado pela incompreensão dos homens.
Em 14 de abril de 1917, sempre desejando a Paz, faleceu ZAMENHOF, na cidade de Varsóvia. Afastava-se esse grande homem, definitivamente, do convívio de seus familiares para retornar às suas atividades em favor da Humanidade, agora sem o fardo físico, que lhe serviu durante 57 anos.
O seu corpo repousa no cemitério israelita de Varsóvia, juntamente com o de CLARA, o amor de toda a sua vida e sua incansável colaboradora. Hoje lá podemos encontrar flores ofertadas por esperantistas de todo o mundo.
ZAMENHOF foi um homem iluminado, de moral superior, dotado de extraordinária força de vontade na divulgação de seu ideal humanístico. Foi um verdadeiro universalista, pacifista e pensador que lutou contra toda espécie de sectarismo.
Todos os anos, no dia 15 de dezembro, realizam-se eventos esperantistas no mundo inteiro, para comemorar o aniversário do criador da LÍNGUA ESPERANTO.


MAS AFINAL O QUE DIZEM OS ESPÍRITOS SOBRE O ESPERANTO?
É bom sabermos que a idéia de criação de uma Língua Neutra Internacional nasceu nas regiões esclarecidas do Espaço. Foi concebida por gênios diretores da evolução dos Espíritos sobre a Terra, e faz parte integrante do programa da Terceira Revelação.
Informa-nos o Espírito WALDOMIRO LORENZ, pela mediunidade de CHICO XAVIER, na página 144 do livro "O Esperanto como Revelação", o seguinte:
"Verificando as imensas dificuldades para o intercâmbio de tribos e povos desencarnados, Especialistas Espirituais de fonética, etimologia e onomatopéia (palavras cujo som imita a natureza), empreenderam a formação de um idioma internacional para entendimento rápido nas regiões espaciais vizinhas do Globo, multiplicando, em vão tentames e experiências, até que um dos grandes missionários da Luz, consagrado à concórdia, tomou a si o exame e a solução do problema."
Esse grande missionário era aquele que mais tarde, reencarnado, tornou-se o Dr. ZAMENHOF. Ainda no Mundo Espiritual este valoroso espírito pesquisou perseverantemente os mecanismos das associações vocabulares da fala humana, bem como a psicologia das raças que transparecia por detrás das palavras. Estudou as características de cada povo e as suas maneiras peculiares de expressão. Analisou as línguas-troncos dos árias e demorou-se no estudo do latim.
Inspirado por seus instrutores espirituais, escolheu genialmente as bases racionais latinas. E após demorados estudos estavam assentadas as estruturas da futura Língua Neutra Internacional.
É curioso notar a coincidência da Codificação Kardequiana com a reencarnação de Zamenhof, que se deram exatamente na época em que o Homem tornou-se capaz de melhor entender e acolher as mensagens de ordem superior.
Originado no Mundo Espiritual, o Esperanto tem recebido o apoio incondicional dos Espíritos responsáveis pelo progresso da Humanidade, constituindo-se isso uma garantia do seu futuro promissor.
EMMANUEL, um dos Espíritos divulgadores da Doutrina Espírita, escreveu, pela mão abençoada de Chico Xavier, uma mensagem a ISMAEL GOMES BRAGA, com o título "A Missão do Esperanto", na qual dizia:
"A língua auxiliar Esperanto é um dos mais fortes chamamentos à fraternidade já ouvidos sobre este planeta empobrecido de valores espirituais. Sua missão é a grande tarefa de unificação e confraternização, objetivando a união universal. Seu princípio é a concórdia e os seus apóstolos são igualmente companheiros de trabalho de todos os que se sacrificam em favor do divino ideal de solidariedade humana".
Os Espíritos BEZERRA DE MENEZES, CAMILO CASTELO BRANCO, LÉON DENIS, VICTOR HUGO e CHARLES nos dão lições esclarecedoras sobre a existência de Academias modelo de Esperanto no Mundo Espiritual, das quais os encarnados colhem a inspiração para os trabalhos em favor do Esperanto na Terra. O Esperanto é a mais concreta lição de fraternidade que envolve o Mundo.
O ESPIRITISMO e o ESPERANTO caminham de mãos dadas.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 23:48

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Sábado, 12 de Dezembro de 2009

O ENCONTRO DIVINO.



Quando o cavaleiro D´Arsonval, valoroso senhor em França, se ausentou do medievo domicílio, pela primeira vez, de armadura fulgindo ao Sol, dirigia-se à Itália para solver urgente questão política.
Eminente cristão trazia consigo um propósito central – servir ao Senhor, fielmente, para encontra-lo.
Não longe de suas portas, viu surgir, de inesperado, ulceroso mendigo a estender-lhe as mãos descarnadas e súplices.
Quem seria semelhante infeliz a vaguear sem rumo?
Preocupava-o serviço importante, em demasia, e, sem se dignar fixa-lo, atirou lhe a bolsa farta.
O nobre cavaleiro tornou ao lar e, mais tarde, menos afortunado nos negócios, deixou de novo a casa.
Demandava a Espanha, em missão de prelados amigos, aos quais se devotara.
No mesmo lugar, postava-se o infortunado pedinte, com os braços em rogativa.
O fidalgo, intrigado, revolveu grande saco de viagem e dele retirou pequeno brilhante, arremessando-o ao triste caminheiro que parecia devora-lo com o olhar.
Não se passou muito tempo e o castelão, menos feliz no círculo das finanças, necessitou viajar para a Inglaterra, onde pretendia solucionar vários problemas, alusivos à organização doméstica.
No mesmo trato de solo, é surpreendido pelo amargurado leproso, cuja velha petição se ergue no ar.
O cavaleiro arranca do chapéu estimada jóia de subido valor e projeta-a sobre o conhecido romeiro, orgulhosamente,
Decorridos alguns meses, o patrão feudal se movimenta na direção de porto distante, em busca de precioso empréstimo, destinado à própria economia, ameaçada de colapso fatal, e, no mesmo sítio, com rigorosa precisão, é interpelado pelo mendigo, cujas mãos, em chaga abertas, se voltam ansiosas para ele.
D´Arsonval, extremamente dedicado à caridade, não hesita. Despe fino manto e entrega-o, de longe, receando-lhe o contacto.
Depois de um ano, premido por questões de imediato interesse, vai a Paris invocar o socorro de autoridades e, sem qualquer alteração, é defrontado pelo mesmo lázaro, de feição dolorida, que lhe repete a antiga súplica.
O Castelão atira-lhe um gorro de alto preço, sem qualquer pausa no galope, em que seguia, presto.
Sucedem-se os dias e o nobre senhor, num ato de fé, abandona a respeitada residência, com séqüito festivo.
Representará os seus, junto à expedição de Godofredo de Bouillon, na cruzada com que se pretende libertar os Lugares Santos.
No mesmo ângulo da estrada, era aguardado pelo mendigo, que lhe reitera a solicitação em voz mais triste.
O ilustre viajor dá-lhe, então, rico farnel, sem oferecer-lhe a mínima atenção.
E, na Palestina D´Arsonval combateu valorosamente, caindo, ferido, em poder dos adversários.
Torturado, combalido e separado de seus compatriotas, por anos a fio, padeceu miséria e vexame, ataques e humilhações, até que um dia, homem convertido em fantasma, torna ao lar que não o reconhece.
Propalada a falsa notícia de sua morte, a esposa deu-se pressa em substituí-lo, à frente da casa, e seus filhos, revoltados, soltaram cães agressivos que o dilaceraram, cruelmente, sem comiseração para com o pranto que lhe escorria dos olhos semimortos.
Procurando velhas afeições, sofreu repugnância e sarcasmo.
Interpretado, agora, à conta de louco, o ex-fidalgo, em sombrio crepúsculo, ausentou-se, em definitivo, a passos vacilantes...
Seguir para onde? O mundo era pequeno demais para conter-lhe a dor.
Avançava, penosamente, quando encontro o mendigo.
Relembrou a passada grandeza e atentou para si mesmo, qual se buscasse alguma coisa para dar.
Contemplou o infeliz pela primeira vez e, cruzando com ele o olhar angustiado, sentiu que aquele homem, chegado e sozinho, devia ser seu irmão. Abriu os braços e caminhou para ele, tocado de simpatia, como se quisesse dar-lhe o calor do próprio sangue. Foi, então, que, recolhido no regaço do companheiro que considerava leproso, dele ouviu as sublimes palavras:
- D´Arsonval, vem a mim! Eu sou Jesus, teu amigo. Quem me procura no serviço ao próximo, mais cedo me encontra... Enquanto me buscavas à distância, eu te aguardava, aqui tão perto! Agradeço o ouro, as jóias, o manto, o agasalho e o pão que me deste, mas há muitos anos te estendia os meus braços, esperando o teu próprio coração!...
O antigo cavaleiro nada mais viu senão vasta senda de luz entre a Terra e o Céu...
Mas, no outro dia, quando os semeadores regressavam às lides do campo, sob a claridade da aurora, tropeçaram no orvalhado caminho com um cadáver.
D´Arsonval estava morto.

Espírito: IRMÃO X.
FONTE: LIVRO ANTOLOGIA MEDIÙNICA DO NATAL –
Psicografia: Francisco Cândido Xavier.

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 01:39

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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

SÓROR JOANA ANGÉLICA DE JESUS


EM HOMENAGEM A0S 248 ANOS DE NASCIMENTO DE JOANA ANGÉLICA, ÚLTIMA ENCARNAÇÃO DE JOANNA DE ÂNGELIS.


São bem escassas as informações sobre a situação atual de Joanna de Ângelis na espiritualidade. Sabemos que se trata de um Espírito de elevadíssimas aquisições espirituais e que possui profundas raízes literárias e poéticas, como podemos perceber em encarnações anteriores e através de seus livros.
Poucas pessoas sabem, mas Joanna de Ângelis integrou a equipe do Espírito de Verdade quando do trabalho de implantação da Doutrina Consoladora em nosso plano. No livro "Após a Tempestade", em sua última mensagem, Joanna faz uma referência a esta tarefa nos seguintes termos:
"Quando se preparavam os dias da Codificação Espírita, quando se convocavam trabalhadores dispostos à luta, quando se anunciavam as horas preditas, quando se arregimentavam seareiros para Terra, escutamos o convite celeste e nos apressamos a oferecer nossas parcas forças, quanto nós mesmos, a fim de servir, na ínfima condição de sulcadores do solo onde deveriam cair as sementes de luz do Evangelho do Reino."
Após a compilação e organização magistralmente elaborada por Allan Kardec, chegaram à edição final de O Evangelho Segundo o Espiritismo duas mensagens de Joanna de Ângelis, modestamente assinadas como "Um Espírito Amigo":
• No Cap. IX, item 7, intitulada "A Paciência", psicografada em Havre, 1862;
• No Cap. XVIII, itens 13 e 15, intitulada "Dar-se-á Àquele que Tem", na cidade de Bordéus, também em 1862.

Quanto às suas encarnações passadas, as informações que a espiritualidade e o próprio Espírito nos permitem tomar conhecimento ainda são um pouco vagas. Dentre todas as encarnações de Joanna de Ângelis, foi permitida a divulgação aqui em nosso plano de apenas quatro, todas marcadas pelo seu exemplo de pungente de humildade e heroísmo:
• Joana de Cusa, nos tempos de Cristo;
• nome ainda desconhecido, Itália nos tempos de Francisco de Assis;
• Sóror Juana Inés de La Cruz, México do século XVII ;
• Joana Angélica de Jesus, Brasil do século XIX;

JOANA DE CUSA
Joana era esposa de Cusa, procurador de Herodes Ântipas, o Tetrarca, governador da Galiléia nos tempos de Jesus. Seu esposo não compartilhava de sua fé naquele Homem especial, e, portanto, tornou-se fonte de infortúnios e sofrimentos para Joana.
Buscou no Mestre orientações de como proceder frente a seu embate doméstico, ao que ouviu que, ao invés de segui-lO, deveria servi-lO dentro do próprio lar, tornando-se um exemplo de vivência cristã, no atendimento àquele a quem a Providência Divina lhe concedeu a oportunidade de compartilhar a existência terrena: seu esposo.
Mais tarde, tornou-se mãe. Com o passar do tempo, as atribuições foram se avolumando. O esposo, após uma vida tumultuada e inditosa, faleceu, deixando Joana sem recursos e com o filho para criar. Corajosa, buscou trabalhar.
Esquecendo o conforto da nobreza material, dedicou-se aos filhos de outras mães, ocupou-se com os mais subalternos afazeres domésticos, para que seu filhinho tivesse pão. Trabalhou até a velhice. Já idosa, com os cabelos embranquecidos, foi levada ao circo dos martírios, juntamente com o filho moço, para testemunhar o amor por Jesus, o Mestre que havia iluminado a sua vida acenando-lhe com esperanças de um amanhã feliz.
Foi imolada em Roma, no Coliseu, a 27 de Agosto do ano de 68, por não renunciar à sua fé em Jesus, sendo então sacrificada numa fogueira junto a seu filho.
Temos conhecimento, até o presente momento, de três referências literárias existentes sobre Joana de Cusa: duas do evangelista Lucas, e uma do autor espiritual Humberto de Campos, em sua obra Boa Nova.
• Na primeira referência, cap 8:2, 3, Lucas relata que Joana foi uma das mulheres seguidoras de Jesus, e que fora curada por Ele, junto com Maria Madalena, Suzana e muitas outras. Na segunda, cap. 24:10, Joana é mencionada entre as mulheres que na manhã de Páscoa encontraram vazio o sepulcro de Jesus.
• O Espírito Humberto de Campos, através da mediunidade de Chico Xavier, nos oferece uma excelente fonte de informações sobre Joana de Cusa no capítulo 15 do livro Boa Nova. Veja aqui a transcrição completa do capítulo.

UMA DISCÍPULA DE FRANCISCO DE ASSIS
Francisco de Assis é um dos temas preferidos por Joanna de Ângelis, muitas vezes citado em suas obras, sendo inclusive tema frequente de palestras, seminários e workshops de Divaldo Franco. Podemos abstrair daí que existe, no mínimo, uma admiração muito grande de Joanna de Ângelis pela filosofia e obra deste espírito tão único e amoroso que é Francisco de Assis.
Existem informações de que Joanna teria vivido na época de Francisco (1182-1226), sendo possível que tenha sido uma das seguidoras de Clara de Assis (1193-1252), fundadora da Ordem das Clarissas. Contudo, todas as informações referentes a esta encarnação em específico são muito vagas, o que já denota certa intenção de não revelar muitos detalhes pela própria Joanna ou pela Espiritualidade.
A sensível admiração de Joanna pelo missionário de Assis nos demonstra que talvez haja uma ligação maior do que nos é permitido tomar conhecimento. Mas com relação a isso, tudo o que se disser a respeito será mera especulação, pois aquilo que servir para nosso crescimento e aproveitamento moral nos será revelado no momento certo, caso contrário, dificilmente tomaremos conhecimento.

SÓROR JUANA INÉS DE LA CRUZ
Joanna renasce em 1651 na pequenina San Miguel Nepantla, a uns oitenta quilômetros da cidade do México, com o nome de Juana de Asbaje Y Ramirez de Santillana, filha de pai basco e mãe indígena. Após 3 anos de idade, fascinada pelas letras, ao ver sua irmã aprender a ler e escrever, engana a professora e diz-lhe que sua mãe mandara pedir-lhe que a alfabetizasse. A mestra, acostumada com a precocidade da criança, que já respondia às perguntas que a irmã ignorava, passa a ensinar-lhe as primeiras letras.
Começou a fazer versos aos 5 anos. Aos 6 anos, Juana dominava perfeitamente o idioma pátrio, além de possuir habilidades para costura e outros afazeres comuns às mulheres da época. Soube que existia no México uma Universidade e empolgou-se com a idéia de no futuro, poder aprender mais e mais entre os doutores. Em conversa com o pai, confidenciou suas perspectivas para o futuro. Dom Manuel, como um bom espanhol, riu-se e disse gracejando: - "Só se você se vestir de homem, porque lá só os rapazes ricos podem estudar." Juana ficou surpresa com a novidade, e logo correu à sua mãe solicitando insistentemente que a vestisse de homem desde já, pois não queria, em hipótese alguma, ficar fora da Universidade.
Na Capital, aos 12 anos, Juana aprendeu latim em 20 aulas, e português, sozinha. Além disso, falava nahuatl, uma língua indígena. O Marquês de Mancera, querendo criar uma corte brilhante, na tradição europeia, convidou a menina-prodígio de 13 anos para dama de companhia de sua mulher. Na Corte encantou a todos com sua beleza, inteligência e graciosidade, tornando-se conhecida e admirada pelas suas poesias, seus ensaios e peças bem-humoradas. Um dia, o Vice-rei resolveu testar os conhecimentos da vivaz menina e reuniu 40 especialistas da Universidade do México para interrogá-la sobre os mais diversos assuntos. A plateia assistiu, pasmada, àquela jovem de 15 anos responder, durante horas, ao bombardeio das perguntas dos professores. E tanto a plateia como os próprios especialistas aplaudiram-na, ao final, ficando satisfeito o Vice-rei. Mas, a sua sede de saber era mais forte que a ilusão de prosseguir brilhando na Corte.
A fim de se dedicar mais aos seus estudos e penetrar com profundidade no seu mundo interior, numa busca incessante de união com o divino, ansiosa por compreender Deus através de sua criação, resolveu ingressar no Convento das Carmelitas Descalças, aos 16 anos de idade. Desacostumada com a rigidez ascética, adoeceu e retornou à Corte. Seguindo orientação de seu confessor, foi para a ordem de São Jerônimo da Conceição, que possuía menos obrigações religiosas, podendo ali dedicar-se às letras e à ciência.
Nasceu ali a Sóror Juana Inés de La Cruz, nome religioso adotado pela jovem prodigiosa. Em sua confortável cela, cercada por inúmeros livros, globos terrestres, instrumentos musicais e científicos, Juana estudava, escrevia seus poemas, ensaios, dramas, peças religiosas, cantos de Natal e música sacra. Era frequentemente visitada por intelectuais europeus e do Novo Mundo, intercambiando conhecimentos e experiências. A linda monja era conhecida e admirada por todos, sendo os seus escritos popularizados não só entre os religiosos, como também entre os estudantes e mestres das Universidades de vários lugares. Era conhecida como a "Monja da Biblioteca". Se imortalizou também por defender o direito da mulher de ser inteligente, capaz de lecionar e pregar livremente.
Em 1695 houve uma epidemia de peste na região. Juana socorreu durante o dia e a noite as suas irmãs religiosas que, juntamente com a maioria da população, estavam enfermas. Foram morrendo, aos poucos, uma a uma das suas assistidas e quando não restava mais religiosas, ela, abatida e doente, tombou vencida, aos 44 anos de idade.

SÓROR JOANA ANGÉLICA DE JESUS
Em 11 de Dezembro de 1761, passados então 66 anos do seu regresso à Pátria, na cidade de Salvador (Bahia), Joanna de Ângelis retorna agora como Joana Angélica, filha de uma abastada família.
Aos 21 anos de idade ingressa como franciscana no Convento da Lapa, com o nome de Sóror Joana Angélica de Jesus, fazendo profissão de Irmã das Religiosas Reformadas de Nossa Senhora da Conceição. Foi irmã, escrivã e vigária, sendo que em 1815, tornou-se Abadessa.
No dia 20 de fevereiro de 1822, defendendo corajosamente o Convento, assim como a honra das jovens que ali moravam, foi assassinada por soldados que lutavam contra a Independência do Brasil.

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:43

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Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

À LUZ DO ESPIRITISMO

EM HOMENAGEM AOS 135 ANOS DE NASCIMENTO DE VIANNA DE CARVALHO, UM DOS MAIORES TRIBUNOS ESPÍRITAS.



A história da Humanidade tem, no livro nobre, seu gloriosos repositório. Em todos os tempos o livro tem sido o condutor das mentes e o mensageiro da vida.
O Mahabharata, que remonta ao século XVI antes de Cristo, narrando as guerras dos Coravas e Pandavas, é o ponto de partida do pensamento lendário da India, apresentando Krishna, no excelente Bagavadgita, a expor a Ardjuna incomparável filosofia mística onde repontam as nobres revelações palingenésicas.
A Bíblia - antigo Testamento - historiando as jornadas de Israel, oferece a concepção sublime do deus Único, Soberano e Senhor de todas as coisas.
Platão, cuja filosofia tem por método a dialética, expondo os pensamentos de Sócrates, seu mestre, nos jardins de Academos, coroa sua obra com a harmoniosa teoria das idéias, afirmando, no memorável "Fédon!, "que viver é recordar" e expressando a cultura haurida no Egito, onde recebera informações sobre a doutrina dos renascimentos.
O Evangelho de Jesus Cristo, traduzido para todos os idiomas e quase todos os dialetos do globo, faz do amor o celeiro de bênçãos da Humanidade.
O Alcorão, redigido após a morte de Maomé e dividido em 114 suratas ou capítulos, constitui a base de toda a civilização muçulmana, fonte única da verdade, do direito, da justiça...
Sem desejarmos reportar-nos à literatura mundial, não podemos, entretanto, esquecer que Agostinho, através das suas Confissões, inaugurando um período novo para o pensamento, abriu as portas para o estudo da personalidade, numa severa autocrítica, e que Tertuliano, com a Apologética, iniciou uma era para o Cristianismo que se mescla, desde então, com dogmas e preceitos que lhe maculam a pureza, através de sutilezas teológicas.
Dante, o florentino, satirizando seus inimigos políticos, apresentou uma visão mediúnica da vida além-túmulo.
Monge anônimo sugeriu uma Imitação de Cristo como vereda de sublimação para a alma encarnada...
Nostradamus, astrólogo e médico, escreveu sibilinamente as Centúrias, gravando sua visão profética do futuro.
Camões, com pena de mestre, compôs Os Lusíadas e registra os feitos heróicos de Portugal, repetindo os lances de Flávio Josefo em relação aos judeus e dos historiadores greco-romanos de antes de Jesus Cristo.
Depois do Renascimento, como advento da imprensa, o campo das idéias sofreu impacto violento, graças à força exuberante do livro. Pôde, então, o mundo pensar com mais facilidade.
A Revolução Francesa é o fruto do livro enciclopédico, com ela nascendo as lutas de independência de todo o Novo Continente, inspiradas nas páginas épicas da liberdade.
Artur Schopenhauer, entretanto, sugeriu o suicídio, no seu terrível pessimismo, em Dores do Mundo, enquanto Friedrich Nietzsche, no famoso Assim Falava Zaratrusta, tentou solucionar o problema espiritual e moral do homem, através de uma filosofia da cultura da energia vital e da vontade de poder que o conduz ao "super-homem", oferecendo elementos aos teorizantes do racismo germânico, de cujas conseqüências ainda sofre a Humanidade.
Karl Marx, sedento de liberdade, expôs de maneira puramente materialista a solução dos problemas econômicos do mundo em O Capital e criou o socialismo científico, que abriu as portas ao moderno comunismo ateu.
Leão XIII compôs a Encíclica Rerum Novarum para solucionar as dificuldades nascidas nos desajustes de classes, oferecendo aos operários humildes, bem como aos patrões, os métodos do equilíbrio e da paz; todavia, a própria Igreja Romana continuou a manter-se longe da Justiça Social...
E o livro continua libertando, revolucionando, escravizando...
Clássico ou moderno, rebuscado ou simples, o livro campeia e movimenta mentes, alargando ou estreitando os horizontes do pensamento.
É, em razão disso, que um novo livro, recordando todos os livros, oferece ao homem moderno resposta nova às velhas indagações, propondo soluções abençoadas em torno do antiqüíssimo problema da felicidade humana.
O LIVRO ESPÍRITA, como farol em noite escura, é também esperança e consolação.
Esclarecendo quem é o homem, donde vem e para onde vai, sugere métodos mais condizentes com o Cristianismo - Cristianismo que é a Doutrina Espírita - num momento de desesperação de todas as criaturas.
Renovador, o Livro Espírita encoraja o espírito em qualquer situação; esclarece os enigmas da psique humana; filosófico, desvela os problemas do ser; religioso, conduz o homem a Deus, e abrange todos os demais setores das atividades humanas.
Desse modo, o Livro Espírita - no momento em que a literatura de desumaniza e vulgariza, tornando-se serva dos interesses subalternos de classe e governo, política e raça, fronteira e poder - disseminando o amor e propagando a bondade, oferece ao pensamento universal as excelentes oportunidades de glória e imortalidade.
Saudemo-lo, pois!

Franco, Divaldo P.. Da obra: O Livro Espírita.

Ditado pelo Espírito Vianna de Carvalho.







PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 17:31

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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

ORAÇÃO DO NATAL



Senhor Jesus. Há quase dois milênios, estabelecias o Natal com a tua doce humildade na manjedoura, onde te festejaram todas as harmonias da natureza. Reis e pastores vieram de longe, trazendo-te ao berço pobre o testemunho de sua alegria e de seu reconhecimento. As estrelas brilharam com luz mais intensa nos fulgores do céu e uma delas destacou-se no azul do firmamento, para clarificar o suave momento de tua glória. Desde então, Senhor, o mundo inteiro, pelos séculos afora, cultivou a lembrança de tua grande noite, extraordinária de luz e de belezas diversas.
Agora, porém, as recordações do Natal são muito diversas.
Não se ouvem mais os cânticos dos pastores, nem se percebem os aromas agrestes na Natureza.
Um presepio do século XX seria certamente arranjado com eletricidade, sobre uma base de bombas e de metralhadoras, onde aquela legenda suave do “Glória in excelsis Deo” seria substituída por um apelo revolucionário dos extremismos políticos da atualidade.
As comemorações já não são as mesmas.
Os locutores de rádio falarão da tua humildade, no cume dos arranha-céus, e, depois de programa armamentista, estranharão, para os seus ouvintes, que a tua voz pudesse abençoas os pacíficos, prometendo-lhes um lugar de bem-aventurados, embora haja isso ocorrido há dois mil anos.
Numerosos escritores falarão, em suas crônicas elegantes, sobre as crianças abandonadas, estampando nos diários um conto triste, onde se exalte a célebre virtude cristã da caridade; mas, daí a momentos, fecharão a porta dos seus palacetes ao primeiro pobrezinho.
Contudo, Senhor, entre os superficialismos desta época de profundas transições, almas existem que te esperam e te amam. Tua palavra sincera e branda, doce e enérgica, lhes magnetiza os corações, na caprichosa e interminável esteira do tempo. Elas andam ocultas nas planíces da indiferença e nas montanhas da iniqüidade deste mundo. Conservam, porém, consigo a mesma esperança na tua inesgotável misericórdia.
É com elas e por elas que, sob as tuas vistas amoráveis, trabalham os que já partiram para o mundo das suaves revelações da Morte. É com a fé admirável de seus corações que semeamos de novo, as tuas promessas imortais, entre os escombros de uma civilização que está agonizando, à mingua de amor.
É por essa razão que, sem nos esquecermos dos pequeninos que agrupavas em derredor da tua bondade, nos recordamos hoje, em nossa oração, das crianças grandes, que são os povos deste século de pomposas ruínas.
Tu, que é o príncipe de todas as nações e a base sagrada de todos os surtos evolutivos da vida planetária; que és a misericórdia infinita, rasgando todas as fronteiras edificadas no mondo pelas misérias humanas, reúne a tua família espiritual, sob as algemas da fraternidade e do bem que nos ensinaste!...
Em todos os recantos do orbe, há bocas que maldizem e mãos que exterminam os seus semelhantes. Os espíritos das trevas fazem chover o fogo de suas forças apocalípticas sobre as organizações terrestres, ateando o sinistro incêndio das ambições, na alma de multidões alucinadas e desvalidas. Por toda a parte, assomam os falsos ídolos da impenitência do mundo e místicas políticas, saturadas do vírus das mais nefastas paixões, entornam sobre os espíritos o vinho ignominioso da Morte.
Mas, nós sabemos Senhor como são falazes e enganadores as doutrinas que se fartam da seiva sagrada e eterna dos teus ensinos, porque dissipas misericordiosamente a confusão de todas as almas, ainda que os seus arrebatamentos se apóiem nas paixões mais generosas.
Tu, que andavas descalço pelos caminhos agrestes da Galiléia; faze florescer, de novo, sobre a Terra, o encanto suave da simplicidade no trabalho, trazendo ao mundo a luz cariciosa de tua oficina de Nazaré!...
Rua, que és a essência de nossos pensamentos de verdade e de luz, sabes que todas as dores são irmãs uma das outras, bem como as esperanças que desabrocham nos corações dos teus frágeis tutelados, que vibram nos mesmos ideais, aquém ou além das linhas arbitrárias que sos homens intitularam de fronteiras!
Todas as expressões da filosofia e da ciência dos séculos terrenos passaram sobre o mundo, enchendo as almas de amargosas desilusões. Numerosos sábios e numerosos políticos te ridicularizaram, desdenhando as tuas lições inesquecíveis, mas, nós sabemos que existe uma verdade que dissimulaste aos mais inteligentes para a revelerares às criancinhas, encontrada, aliás, por todos os homens, filhos de todas as raças, sem distinção de crenças ou de pátrias, de tradições ou de família, que pratiquem a caridade em teu nome...
Pastor do rebanho de ovelhas tresmalhadas, desde o primeiro dia em que o sopro divino da vontade do Nosso Pai fez brotar a erva tenra, no imenso campo da existência terrestre, pairas acima de todos os povos e de suas transmigrações incessantes, no curso do tempo, ensinando as criaturas humanas a consideras o nada de suas inquietações, em face do dia glorioso e infinito da Eternidade!...
Agora, Senhor, que as línguas da impiedade conclamam as nações para um novo extermínio, manifesta a tua bondade, ainda uma vez, aos homens infelizes, para que compreenda, a tempo, a extensão do seu ódio e de sua perversidade.
Afasta o dragão da guerra de sobre o coração dilacerado das mães e das crianças de todos os países, curando as chagas dos que sangram de dor selvagem à beira dos caminhos.
Revela aos homens que não há outra força além da tua e que nenhuma proteção pode existir além daquela que se constitui da segurança de tua guarda!
Ensina aos sacerdotes de todas as crenças do Globo, que falam em teu nome, o desprendimento e a renúncia dos bens efêmeros da vida material, a fim de que entendam as virtudes do teu reino, que ainda não reside nas suntuosas organizações dos Estados deste mundo!
Tu, que ressuscitaste Lázaro das sombras do sepulcro; revigora o homem moderno, no túmulo das suas vaidades apodrecidas!
Tu, que fizeste que os cegos vissem, que os mudos falassem, abre de novo os olhos rebeldes de tuas ovelhas ingratas e desenrola as línguas da verdade e do direito, que o medo paralisou, nesta hora torva de penosos testemunhos!
Senhor, desencarnados e encarnados, trabalhamos no esforço abençoado de nossa própria regeneração, para o teu serviço divino!
Nestas lembranças do Natal, recordamos a tua figura simples e suave, quando ias pelas aldeias que bordavam o espelho claro das águas do Tiberíades!... Queremos o teu amparo, Senhor, porque agora o lago de Genesaré é a corrente represada de nossas próprias lágrimas. Pensamos ainda, ver-te, quando vinhas de Cesareia de Filipe para abraças o sorriso doce das criancinhas... De teus olhos misericordiosos e compassivos, corria uma fonte perene de esperança divina para todos os corações; de tua túnica humilde e clara, vinha o símbolo da paz para todos os homens do porvir e, de tuas palavras sacrossantas, vinha a luz do céu, que confunde todas as mentiras da Terra!...
Senhor, estamos reunidos em teu Natal e suplicamos a tua bênção!... Somos as tuas crianças, dentro da nossa ignorância e da nossa indigência!... Apieada-te de nós e dize-nos ainda:
- “Meus filhinhos...”.

Espírito: HUMBERTO DE CAMPOS.
LIVRO ANTOLOGIA MEDIÚNICA DO NATAL - Psicografia: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 04:01

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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

O CHÁ DA MEIA-NOITE

Acontece algumas vezes comigo:
Aplico o passe magnético em moribundos. Pouco depois, exalam a último suspiro.
Pois é! Morrem!
Companheiros dizem que meu passe é “o chá da meia noite” – remete o degustador para o Além.
– Se eu estiver mal, não chamem o Richard! – advertem.
Brincadeiras à parte, há a velha questão, envolvendo o doente terminal, convocado às etéreas plagas, bilhete em mãos, pronto para o embarque.
É possível apressar a partida, usando recursos como o passe magnético?
O folclore do sertão nos diz que sim, apresentando-nos a figura do “ajudador”.
Trata-se de alguém especializado na “incelência”, o empenho de convencer o moribundo a soltar-se.
O “ajudador” emprega, em seu mister, cantos, ritos e rezas especiais.
O passe magnético, aplicado em clima de contrição, com evocação da proteção divina, é eficiente “incelência”, a favorecer a ação de benfeitores espirituais que assistem os desencarnantes.
Geralmente, o paciente terminal tende a agarrar-se ao corpo depauperado, prolongando a agonia. Devemos conversar com ele, ao aplicarmos o magnetismo, procurando faze-lo sentir que não está só, que há o amparo espiritual, que seus sofrimentos terão fim, que a vida continua...
Na medida em que consigamos dar-lhe alguma segurança, ele se soltará mais facilmente, e o desencarne acontecerá sem delongas, facilitando a ação dos benfeitores espirituais.
***
O problema maior dos que partem são os que ficam.
Os familiares, não raro em desespero, cercam o leito, em ardentes orações, implorando a complacência divina.
Não conseguem encarar a separação.
Em nenhuma outra situação se evidenciam, de forma tão dramática, nossas velhas tendências egocêntricas.
Todos pensam em si, na sua perda pessoal.
Esquecem o enfermo, em quem pesam os anos e as dores, para o qual a morte será abençoada libertação.
Produzem a chamada “teia de retenção”.
Sustentam, magneticamente, com sua inconformação, o moribundo.
Não evitam a morte.
Prolongam a agonia.
O paciente, que poderia libertar-se em alguns minutos, levará horas, ou dias, em sofrimentos desnecessários.
Há exemplos variados, envolvendo pessoas ilustres. Não obstante seu valor, experimentam agonia prolongada, em face da “teia de retenção”, sustentada por milhares de beneficiários de sua generosidade. Isso porque eles não conseguem encarar com serenidade o retorno do benfeitor à vida espiritual.
Nesses casos, os “ajudadores” do Além costumam usar interessante recurso:
Promovem, com passes magnéticos, uma recuperação artificial do paciente. Melhora, recobra a lucidez, revela promissora recuperação.
Os retentores suspiram, aliviados, relaxam, vão descansar…
Os mentores espirituais aproveitam a pausa na “teia de retenção”, e em breves momentos o moribundo exala o último suspiro.
Muitos se revoltam:
– Pensávamos que Deus ouvira nossas orações! Ele nos enganou…
Certa feita, conversei com um médico, pertencente à equipe dos “anjos do asfalto”, que atende acidentados, na Via Dutra, eixo Rio-São Paulo.
Comentou que são comuns ocorrências dessa natureza. O paciente com traumatismo craniano, “mais para lá do que para cá”, resiste enquanto há familiares e amigos por perto, em correntes de oração, a vibrarem em favor de sua recuperação.
Com o passar do tempo, o pessoal vai se afastando. Ficam apenas os mais chegados. De repente, o paciente parece melhorar. Os familiares respiram, aliviados, relaxando a vigília. Então ocorre a morte.
Essa situação repete-se com tanta freqüência que o povo costuma dizer:
– Foi a melhora da morte. Melhorou para morrer!
Isso mesmo!
Melhorou para afastar familiares que estavam retardando o passageiro do Além.
***
Com a Doutrina Espírita aprendemos ser “ajudadores”, jamais “retentores”. Exercitamos a “incelência” ideal, que nos habilita a enfrentar com serenidade os desafios da Terra e as dúvidas do Além:
A oração e a submissão à vontade de Deus.

Richard Simonetti
livro Para Rir e Refletir

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 21:18

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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

NOITE DE NATAL

 

 
Não olvides que o Natal é uma festa do céu, para a noite da Terra.
A Estrela de Belém brilhando, além das nuvens..
Vozes angelicais, rompendo as trevas...
E um berço, na manjedoura invalida de sombra, em que o Rei da Luz começou o apostolado Divino, entregando a Boa Nova de Eterna alegria aos pastores de vida singela. Que o afogavam com mãos calejadas e trêmulas...
É por isso que a tua noite de Natal esta povoada de júbilos santos.
Quase sempre, a doce comunhão com aqueles que mais amas...
A árvore simbólica, adornada por dádivas de carinho...
O doce calor do lar, defendendo-te contra a ventania, que reina lá fora...
O bolo festivo....
Os cânticos e as orações, que te recordam a chegada do Redentor...
Entretanto, lembra-te de Jesus e não te detenhas!!
Vives a tua hora de beleza, qual se respirasses num dia maravilhoso de regozijo e esperança, mas, não te esqueças de que milhões de almas choram, anônimas, no agoniado nevoeiro do sofrimento.
São criancinhas esfomeadas, mães desfalecentes, que a dor aprisiona em garras mortíferas, enfermos cansados de abandono e velhinhos torturados pela sede de afeto, a soluçarem de frio!!
Pela memória do Celeste Renovador, que dizes amar, desce do trono doméstico para o vale dos que vagueiam sem rumo, e estende-lhes mãos amigas.
Deixa que o anjo da caridade te guie os passos e oferece algo de tua mesa e de tua fé aos filhos da aflição e sentirás que o orvalho de tua alegria será precioso bálsamo, sobre as lagrimas que encharcam os corações perdidos no infortúnio...
Recorda que o Divino Soberano escolheu a noite para clima Revelador de sua grandeza...
Desce, pois, com a tua lâmpada, à sombra de quantos se debatem entre as chagas da ignorância e da miséria, e, ajudando os que padecem, estarás, junto dele, a exaltar-lhe a mensagem de Amor e Luz.
 
Meimei - Psicografia de Chico Xavier
Revista o Reformador de 1957
 
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 21:16

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JESUS




Editorial do Reformador Dez. 2009

Na questão 625 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta: Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem para lhe servir de guia e modelo? E recebe uma resposta simples e direta: “Jesus”.
Comentando o assunto, o Codificador observa: “Para o homem, Jesus representa o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra.
Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque, sendo Jesus o ser mais puro que já apareceu na Terra, o Espírito Divino o animava”.
Essa questão, inúmeras vezes lembrada, merece uma análise. Apesar das deturpações realizadas pelos homens por meio das instituições por eles criadas, uma observação feita, com total isenção, sobre a presença de Jesus na Terra, mostra que Ele deixou uma Doutrina que ampliou e aprofundou, no sentido da valorização do amor e do conhecimento, os mandamentos recebidos por Moisés.
Observa-se isso nos ensinos do Sermão da Montanha, nas parábolas, para a compreensão do Reino de Deus, e nas inúmeras oportunidades de conversação que teve, não só com os seus discípulos, mas também com as demais pessoas com quem conviveu.
Além disso, deixou os exemplos de profundo amor para com tudo que a Natureza apresenta, em especial para com os seres humanos: curou os enfermos, deu de comer aos famintos, acolheu e orientou os aflitos e perturbados de toda ordem, e deu testemunho de coragem, paciência, tolerância e perdão, especialmente no episódio da crucificação.
Dando prova, finalmente, da imortalidade, com a sua ressurreição, abriu para a Humanidade uma nova visão de vida que ultrapassa os limites da morte física. Com seus ensinos e exemplos espalhou a verdade, que agora se destaca ainda mais com o advento do Consolador Prometido.
Aqueles que estão convictos dessa realidade assumem, naturalmente, o dever, consigo mesmos, de trabalhar, nesta e nas próximas reencarnações, no propósito de substituir os seus velhos e viciados hábitos por novos, decorrentes da vivência do Evangelho e formados à luz da Doutrina de Jesus, que é a expressão das Leis de Deus.
“Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.” – JESUS.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 18:27

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Domingo, 6 de Dezembro de 2009

O ESPIRITISMO E AS GRANDES TRANSIÇÕES

A EXTINÇÃO DO CATIVEIRO
O século XIX caracteriza-se por suas numerosas conquistas. A par dos grandes fenômenos de evolução científica e industrial que o abalaram, observam-se igualmente acontecimentos políticos de suma importância, renovando as concepções sociais de todos os povos da raça branca.
Um desses grandes acontecimentos é a extinção do cativeiro. Cumprindo as determinações do Divino Mestre, seus mensageiros do plano invisível laboram junto aos gabinetes administrativos, de modo a facilitar a vitória da liberdade.
As decisões do Congresso de Viena, reprovando o tráfico de homens livres, encontrara funda repercussão em todos os países. Em 1834, o parlamento inglês resolve abolir a escravidão em todas as colônias da Grã-Bretanha. Em 1850, o Brasil suprime o tráfico africano. Na revolta de 1848, a França delibera a extinção do cativeiro em seus territórios. Em 1861, Alexandre II da Rússia declarava livres todos os camponeses que trabalhavam sob o regime da escravidão, e, de 1861 a 1865, uma guerra nefanda devasta o solo hospitaleiro dos Estados Americanos do Norte, na luta da secessão, que termina com a vitória da liberdade e das idéias progressistas da grande nação da América.

O SOCIALISMO
Grandes idéias florescem na mentalidade de então. Ressurgem, aí, as antigas doutrinas da igualdade absoluta. Aparece o socialismo propondo reformas viscerais e imediatas. Alguns idealistas tocam a Utopia de Thomas More, ou a República perfeita, idealizada por Platão. Fundam-se as alianças de anarquismo, as sociedades de caráter universal. Uma revolução sociológica de conseqüências imprevisíveis ameaça a estabilidade da própria civilização, condenando-a à destruição mais completa.
O fim do século que passou é o cenário vastíssimo dessas lutas inglórias. Todas as ciências sociais são chamadas aos grandes debates levados a efeito entre o capitalismo e o trabalho. Onde se encontram, porém, as forças morais capazes de realizar o grande milagre da elucidação de todos os espíritos? A Igreja Romana, que nutria a civilização ocidental desde o seu berço, era, por força das circunstâncias, a entidade indicada para resolver o grande problema.
Todavia, após as afirmativas do Sílabo e depois do famoso discurso do bispo Strossmayer, em 1870, no Vaticano, quando Pio IX decretava a infalibilidade pontifícia, semelhante equação era muito difícil por parte da Igreja. Entretanto, Leão XIII vem ao campo da luta com a encíclica "Rerum Novarum", tentando conciliar o braço e o capital, apontando a cada qual os seus mais sagrados deveres. Se o efeito desse documento teve considerável importância para as classes mais cultas do Velho e do Novo Mundo, tanto não se deu com as classes mais desfavorecidas, fartas de palavras.

RESTABELECENDO A VERDADE
O Espiritismo vinha, desse modo, na hora psicológica das grandes transformações, alentando o espírito humano para que se não perdesse o fruto sagrado de quantos trabalharam e sofreram no esforço penoso da civilização. Com as provas da sobrevivência, vinha reabilitar o Cristianismo que a Igreja deturpara, semeando, de novo, os eternos ensinamentos do Cristo no coração dos homens. Com as verdades da reencarnação, veio explicar o absurdo das teorias igualitárias absolutas, cooperando na restauração do verdadeiro caminho do progresso humano. Enquadrando o socialismo nos postulados cristãos, não se ilude com as reformas exteriores, para concluir que a única renovação apreciável é a do homem intimo, célula viva do organismo social de todos os tempos, pugnando pela intensificação dos movimentos educativos da criatura, à luz eterna do Evangelho do Cristo. Ensinando a lei das compensações no caminho da redenção e das provas do indivíduo e da coletividade, estabelece o regime da responsabilidade, em que cada espírito deve enriquecer a catalogação dos seus próprios valores. Não se engana com as utopias da igualdade absoluta, em vista dos conhecimentos da lei do esforço e do trabalho individual, e não se transforma em instrumento de opressão dos magnatas da economia e do poder, por consciente dos imperativos da solidariedade humana. Despreocupado de todas as revoluções, porque somente a evolução é o seu campo de atividade e de experiência, distante de todas as guerras pela compreensão dos laços fraternos que reúnem a comunidade universal, ensina a fraternidade legítima dos homens e das pátrias, das famílias e dos grupos, alargando as concepções da justiça econômica e corrigindo o espírito exaltado das ideologias extremistas.
Nestes tempos dolorosos em que as mais penosas transições se anunciam ao espírito do homem, só o Espiritismo pode representar o valor moral onde se encontre o apoio necessário à edificação do porvir. Enquanto os utopistas da reforma exterior se entregam à tutela de ditadores impiedosos, como os da Rússia e da Alemanha, em suas sinistras aventuras revolucionárias, prossegue ele, o Espiritismo, a sua obra educativa junto das classes intelectuais e das massas anônimas e sofredoras, preparando o mundo de amanhã com as luzes imorredouras da lição do Cristo.

DEFECÇÃO DA IGREJA CATÓLICA
Desde 1870, ano que assinalou para o homem a decadência da Igreja, em virtude da sua defecção espiritual no cumprimento dos grandes deveres que lhe foram confiados pelo Senhor, nos tempos apostólicos, um período de transições profundas marca todas as atividades humanas.
Em vão o mundo esperou as realizações cristãs, iniciadas no império de Constantino. Aliada do Estado e vivendo à mesa dos seus interesses econômicos, a Igreja não cuidou de outra coisa que não fosse o seu reino perecível. Esquecida de Deus, nunca procurou equiparar a evolução do homem físico à do homem espiritual, prendendo-se a interesses rasteiros e mesquinhos da política temporal. É por isso que agora lhe pairam sobre a fronte os mais sinistros vaticínios.

LUTAS RENOVADORAS
O século XX surgiu no horizonte do Globo, qual arena ampla de lutas renovadoras. As teorias sociais continuam seu caminho, tocando muitas vezes a curva tenebrosa do extremismo, mas as revelações do além-túmulo descem às almas, como orvalho imaterial, preludiando a paz e a luz de uma nova era.
Numerosas transformações são aguardadas e o Espiritismo esclarece os corações, renovando a personalidade espiritual das criaturas para o futuro que se aproxima.
As guerras russo-japonesa e a européia de 1914 - 1918 foram pródromos de uma luta maior, que não vem muito longe, e dentro da qual o planeta alijará todos os Espíritos rebeldes e galvanizados no crime, que não souberam aproveitar a dádiva de numerosos milênios, no patrimônio sagrado do tempo.
Então a Terra, como aquele mundo longínquo da Capela, ver-se-á livre das entidades endurecidas no mal, porque o homem da radiotelefonia e do transatlântico precisa de alma e sentimento, a fim de não perverter as sagradas conquistas do progresso. Ficarão no mundo os que puderem compreender a lição do amor e da fraternidade sob a égide de Jesus, cuja misericórdia é o verbo de vida e luz, desde o princípio.
Época de lutas amargas, desde os primeiros anos deste século a guerra se aninhou com caráter permanente em quase todas as regiões do planeta. A Liga das Nações, o Tratado de Versalhes, bem como todos os pactos de segurança da paz, não têm sido senão fenômenos da própria guerra, que somente terminarão com o apogeu dessas lutas fratricidas, no processo de seleção final das expressões espirituais da vida terrestre.

A AMÉRICA E O FUTURO
Embora compelida a participar das lutas próximas, pelo determinismo das circunstâncias de sua vida política, a América está destinada a receber o cetro da civilização e da cultura, na orientação dos povos porvindouros.
Em torno dos seus celeiros econômicos, reunir-se-ão as experiências européias, aproveitando o esforço penoso dos que tombaram na obra da civilização do Ocidente para a edificação do homem espiritual, que há de sobrepor-se ao homem físico do planeta, no pleno conhecimento dos grandes problemas do ser e do destino.
Para esse desiderato grandioso, apresta-se o plano espiritual, no afã de elucidação dos nobres deveres continentais. O esforço sincero de cooperação no trabalho e de construção da paz não é aí uma utopia, como na Europa saturada de preconceitos multisseculares.
Nos campos exuberantes do continente americano estão plantadas as sementes de luz da árvore maravilhosa da civilização do futuro.

JESUS
Há no mundo um movimento inédito de armamentos e munições. Teria começado neste momento? Não. A corrida armamentista do século XX começou antes da luta de Porto Artur, em 1904. As indústrias bélicas atingem culminâncias imprevistas. Os campos estão despovoados. Os homens se recolheram às zonas de concentração militar, esperando o inimigo, sem saber que o adversário está em seu próprio espírito. A Europa e o Oriente constituem um campo vasto de agressão e terrorismo, com exceção das Repúblicas Democráticas, que se vêem obrigadas a grandes programas de rearmamento, em face do Moleque do extremismo. Onde os valores morais da Humanidade? As igrejas estão amordaçadas pelas injunções de ordem econômica e política. Somente o Espiritismo, prescindindo de todas as garantias terrenas, executa o esforço tremendo de manter acesa a luz da crença, nesse barco frágil do homem ignorante do seu glorioso destino, barco que ameaça voltar às correntes da força e da violência, longe das plagas iluminadas da Razão, da Cultura e do Direito.
Convenhamos em que o esforço do Espiritismo é quase superior às suas próprias forças, mas o mundo não está à disposição dos ditadores terrestres. Jesus é o seu único diretor no plano das realidades imortais, e agora que o mundo se entrega a todas as expectativas angustiosas, os espaços mais próximos da Terra se movimentam a favor do restabelecimento da verdade e da paz, a caminho de uma nova era.
Espíritos abnegados e esclarecidos falam-nos de uma nova reunião da comunidade das potências angélicas do sistema solar, da qual é Jesus um dos membros divinos. Reunir-se-á, de novo, a sociedade celeste, pela terceira vez, na atmosfera terrestre, desde que o Cristo recebeu a sagrada missão de abraçar e redimir a nossa Humanidade, decidindo novamente sobre os destinos do nosso mundo.
Que resultará desse conclave dos Anjos do Infinito? Deus o sabe.
Nas grandes transições do século que passa, aguardemos o seu amor e a sua misericórdia.

Livro: A Caminho da Luz Médium: Francisco Cândido Xavier Espírito: Emmanuel
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 01:37

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Sábado, 5 de Dezembro de 2009

HUMBERTO DE CAMPOS VERAS ( IRMÃO X)

 




Humberto de Campos nasceu na pequena localidade de Piritiba, no Maranhão, em 1886.

Foi menino pobre. Estudou com esforço e sacrifício. Ficou órfão de pai aos 5 anos de idade. Sua infância foi marcada pela miséria. Em sua "Memórias", ele conta alguns episódios que lhe deixaram sulcos profundos na alma.

Tempo depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, então Capital da República, onde se tornou famoso. Brilhante jornalista e cronista perfeito, suas páginas foram "colunas" em todos os jornais importantes do País.

Dedicou-se inteiramente à arte de escrever, e por isso eram parcos os recursos financeiros. A certa altura da sua vida, quando minguadas se fizeram as economias, teve a idéia de mudar de estilo.

Adotando o pseudônimo de Conselheiro XX, escreveu uma crônica chistosa a respeito da figura eminente da época - Medeiros e Albuquerque-, que se tornou assim motivo de riso, da zombaria e da chacota dos cariocas por vários dias.

O Conselheiro, sibilino e mordaz, feriu fundo o orgulho e a vaidade de Medeiros, colocando na boca do povo os argumentos que todos desejavam assacar contra Albuquerque. O sucesso foi total.

Tendo feito, por experiência, aquela crônica, de um momento para outro se viu na contingência de manter o estilo e escrever mais, pois seus leitores multiplicaram, chovendo cartas às redações dos jornais, solicitando novas matérias do Conselheiro XX.

Além de manter o estilo, Humberto se foi aprofundando no mesmo, tornando-se para alguns, na época, quase imortal, saciando o paladar de toda uma mentalidade que desejava mais liberdade de expressão e mais explicitude na abordagem dos problemas humanos e sociais.

Quando adoeceu, modificou completamente o estilo. Sepultou o Conselheiro XX, e das cinzas, qual Fênix luminosa, nasceu outro Humberto, cheio de piedade, compreensão e entendimento para com as fraquezas e sofrimentos do seu semelhante.

A alma sofredora do País buscou avidamente Humberto de Campos e dele recebeu consolação e esperança. Eram cartas de dor e desespero que chegavam às suas mãos, pedindo socorro e auxílio. E ele, tocado nas fibras mais sensíveis do coração, a todas respondia, em crônicas, pelos jornais, atingindo milhares de leitores em circunstâncias idênticas de provações e lágrimas.

Fez-se amado por todo o Brasil, especialmente na Bahia e São Paulo. Seus padecimentos, contudo, aumentavam dia-a-dia. Parcialmente cego e submetendo-se a várias cirurgias, morando em pensão, sem o calor da família, sua vida era, em si mesma, um quadro de dor e sofrimento. Não desesperava, porém, e continuava escrevendo para consolo de muitos corações.

A 5 de dezembro de 1934, desencarnou. Partiu levando da Terra amargas decepções. Jamais o Maranhão, sua terra natal, o aceitou. Seus conterrâneos chegaram mesmo a hostilizá-lo.

Três meses apenas de desencarnado, retornou do Além, através do jovem médium Chico Xavier, este, com 24 anos de idade somente, e começou a escrever, sacudindo o País inteiro com suas crônicas de além-túmulo.

O fato abalou a opinião pública. Os jornais do Rio de Janeiro e outros estados estamparam suas mensagens, despertando a atenção de toda gente. Os jornaleiros gritavam. Extra, extra! Mensagens de Humberto de Campos, depois de morto! E o povo lia com sofreguidão...

Agripino Grieco e outros críticos literários famosos examinaram atenciosamente a produção de Humberto, agora no Além. E atestaram a autenticidade do estilo. "Só podia ser Humberto de Campos!" - afirmaram eles.

Começou então uma fase nova para o Espiritismo no Brasil. Chico Xavier e a Federação Espírita Brasileira ganharam notoriedade. Vários livros foram publicados.

Aconteceu o inesperado. Os familiares de Humberto moveram uma ação judicial contra a FEB, exigindo os direitos autorais do morto!

Tal foi a celeuma, que o histórico de tudo isto está hoje registrado num livro cujo título é "A Psicografia ante os Tribunais", escrito por Dr. Miguel Timponi.

A Federação ganhou a causa. Humberto, constrangido, ausentou-se por largo período e, quando retornou a escrever, usou o pseudônimo de Irmão X.

Nas duas fases do Além, grafou 12 obras pelo médium Chico Xavier.

"Crônicas de Além-Túmulo", "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", "Boa Nova", "Novas Mensagens", "Luz Acima", "Contos e Apólogos" e outros foram livros que escreveu para deleite de muitas almas.

Nas primeiras mensagens temos um Humberto bem humano, com características próprias do intelectual do mundo. Logo depois, ele se vai espiritualizando, sutilizando as idéias e expressões, tornando-se então o escritor espiritual predileto de milhares.

Os que lerem suas obras de antes, e de depois, de morto, poderão constatar a realidade do fenômeno espírita e a autenticidade da mediunidade de Chico Xavier.

O mesmo estilo, o mesmo estro!
 

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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 21:02

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