Sábado, 5 de Dezembro de 2009

HUMBERTO DE CAMPOS


EM LEMBRANÇA AOS 75 ANOS DE DESENCARNE DE HUMBERTO DE CAMPOS VERAS


Humberto de Campos Veras, nasceu em Miritiba, hoje Humberto de Campos, Maranhão, em 25 de Outubro de 1886. Foram seus pais Joaquim Gomes de Faria Veras, pequeno comerciante, e Ana de Campos Veras.
Perdendo o pai aos seis anos, Humberto de Campos deixou a cidade natal e foi levado para São Luís, dali, aos 17 anos, passou a residir no Pará, onde conseguiu um lugar de colaborador e redator na Folha do Norte e, pouco depois, na Província do Pará. Em 1910 publicou seu primeiro livro, a coletânea de versos intitulada Poeira.
Em 1912 transferiu-se para o Rio de Janeiro. Entrou para o Imparcial, na fase em que ali trabalhava um grupo de escritores ilustres, como redatores ou colaboradores. Ali também José Eduardo de Macedo Soares renovava a agitação da segunda campanha civilista. Humberto de Campos ingressou no movimento. Logo depois o jornalista militante deu lugar ao intelectual. Fez essa transição com o pseudônimo de Conselheiro XX com que assinava contos e crônicas, hoje reunidos em vários volumes.
Humberto de Campos, jornalista, político, crítico, cronista contista, poeta, biógrafo e memorialista, foi eleito em 30 de Outubro de 1919 para a Cadeira n º 20 da Academia Brasileira de Letras.
Em 1920, já acadêmico, foi eleito deputado federal pelo Maranhão. A revolução de 1930 dissolveu o Congresso e ele perdeu seu mandato. O Presidente Getúlio Vargas, que era grande admirador de Humberto de Campos, procurou minorar as dificuldades do autor de Poeira, dando-lhe os lugares de Inspetor de ensino e de Diretor da Casa de Rui Barbosa.
Em 1931, viajou ao Prata em missão cultural.
Em 1933 publicou o livro que se tornou o mais célebre de sua obra, Memórias, crônica do começo de sua vida. O seu diário secreto, de publicação póstuma, provocou grande escândalo pela irreverência e malícia em relação a contemporâneos.
Autodidata, grande ledor, acumulou vasta erudição, que usava nas crônicas. Poeta neoparnasiano, fez parte do grupo da fase de transição anterior a 1922. Poeira é um dos últimos livros da escola parnasiana no Brasil.
Fez também crítica literária de natureza impressionista.
Na crônica, seu recurso mais corrente era tornar conhecidas narrativas e dar-lhes uma forma nova, fazendo comentários e digressões sobre o assunto, citando anedotas e tecendo comparações com outras obras.
Humberto de Campos era um dos maiores escritores brasileiros. Nos últimos dias de sua vida, dominado por terrível enfermidade, escrevia com profunda piedade. Suas palavras e suas páginas já falavam de alguém que não era mais deste mundo. O público assistindo impotente à sua quase agonia devorava-lhe as crônicas e os livros como quem se despede de um grande amigo.
Doente, deformado, sob o peso da morte, Humberto recebia cartas de consolo e conforto, e, diz ele, dos espíritas que tentavam dar-lhe novas esperanças.
Humberto de Campos desencarnou no Rio de Janeiro, em 5 de Dezembro de 1934.
Tempos depois, Chico Xavier, começou a receber o grande escritor.
O estilo era o mesmo, as imagens e as expressões eram do melhor Humberto. Agripino Grieco veio de público atestar a autenticidade do estilo e da linguagem, cheia de referências à Grécia e aos homens.
As crônicas escritas pelo Chico saltaram para as páginas dos jornais e passaram a ser estudadas e criticadas, os livros foram vendidos às enxurradas. A venda dos livros despertou o interesse da família que ingressou em Juízo para cobrar indenização e impedir talvez a publicação das obras. O caso tornou-se rumoroso e foi fartamente divulgado pela Imprensa Brasileira, como é do conhecimento de todos. A Justiça lavou as mãos como Pilatos e declarou que ela nada tinha a ver com o caso que fugia ao seu domínio, pois, não poderia legislar no Reino do Espírito.
Dona Ana de Campos Veras, uma velhinha bondosa, que acalentara nos braços, um dia, o seu filho amado, escreveu a Chico Xavier e lhe enviou o retrato do escritor com carinho.
Humberto de Campos continuou a escrever por Chico Xavier adotando o pseudônimo de Irmão X.

Livro:Grandes Espíritas do Brasil
Autor: Zêus Wantuil
Editora: Federação Espírita Brasileira

Obras encarnado: Poeira, poesia, 2 séries (1910 e 1917); Da seara de Booz, crônicas (1918); Vale de Josaphat, contos (1918); Tonel de Diógenes, contos (1920); A serpente de bronze, contos (1921); Mealheiro de Agripa, vária (1921); Carvalhos e roseiras, crítica (1923); A bacia de Pilatos, contos (1924); Pombos de Maomé, contos (1925); Antologia dos humoristas galantes (1926); Grãos de mostarda, contos (1926); Alcova e salão, contos (1927); O Brasil anedótico, anedotas (1927); Antologia da Academia Brasileira de Letras (1928); O monstro e outros contos (1932); Memórias 1886-1900 (1933); Crítica, 4 séries (1933, 1935, 1936); Os países, vária (1933); Poesias completas (1933); À sombra das tamareiras, contos (1934); Sombras que sofrem, crônicas (1934); Um sonho de pobre, memórias (1935); Destinos, vária (1935); Lagartas e libélulas, vária (1935); Memórias inacabadas (1935); Notas de um diarista, 2 séries (1935 e 1936); Reminiscências, memórias (1935); Sepultando os meus mortos, memórias (1935); Últimas crônicas (1936); Perfis, 2 séries, biografias (1936); Contrastes, vária (1936); O arco de Esopo, contos (1943); A funda de Davi, contos (1943); Gansos do capitólio, contos (1943); Fatos e feitos, vária (1949); Diário secreto, 2 vols. (1954).

Obras desencarnado: Crônicas de Além-Túmulo; Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho; Boa Nova; Novas Mensagens; Luz Acima; Contos e Apólogos, Relatos da Vida, Estante da Vida, Cartas e Crônicas, Contos Desta e Doutra Vida, Pontos e Contos, Lázaro Redivivo, Reportagens de Além-Túmulo, entre outras.






PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:41

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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

LOUVORES RECUSADOS

 

 
Conta-se no plano espiritual que Vicente de Paulo oficiava num templo aristocrático da França, em cerimônia de grande gala, à frente de ricos senhores coloniais, capitães do mar, guerreiros condecorados, políticos ociosos e avarentos sórdidos, quando, a certa altura da solenidade, se verificou à frente do altar inesperado louvor público.
Velho corsário abeirou-se da sagrada mesa eucarística e bradou, contrito:
– Senhor, agradeço-te os navios preciosos que colocaste em meu roteiro. Meus negócios estão prósperos, graças a ti, que me designaste boa presa. Não permitas, ó Senhor, que teu servo fiel se perca de miséria. Dar-te-ei valiosos dízimos. Erguerei uma nova igreja em tua honra e tomo os presentes por testemunhas de meu voto espontâneo.
Outro devoto adiantou-se e falou em voz alta:
– Senhor, minhalma freme de júbilo pela herança que enviaste à minha casa pela morte de meu avô que, em outro tempo, te serviu gloriosamente no campo de batalha. Agora podemos, enfim, descansar sob a tua proteção, olvidando o trabalho e a fadiga.
Seja louvado o teu nome para sempre.
Um cavalheiro maduro, exibindo o rosto caprichosamente enrugado, agradeceu:
– Mestre Divino, trago-te a minha gratidão ardente pela vitória na demanda provincial.
Eu sabia que a tua bondade não me desprezaria. Graças ao teu poder, minhas terras foram dilatadas. Construirei por isso um santuário em tua memória bendita, para comemorar o triunfo que me conferiste por justiça.
Adornada senhora tomou posição e exclamou:
– Divino Salvador, meus campos da colônia distante, com o teu auxílio, estão agora produzindo satisfatoriamente. Agradeço os negros sadios e submissos que me mandaste e, em sinal de minha sincera contrição, cederei à tua igreja boa parte dos meus rendimentos.
Um homem antigo, de uniforme agaloado, acercou-se do altar e clamou estentórico:
– A ti, Mestre da Infinita Bondade, o meu regozijo pelas gratificações com que fui quinhoado. Os meus latifúndios procedem de tua bênção. É verdade que para preservá-los sustentei a luta e alguns miseráveis foram mortos, mas quem senão tu mesmo colocaria a força em minhas mãos para a defesa indispensável? Doravante, não precisarei cogitar do futuro... De minha poltrona calma, farei orações fervorosas, fugindo ao imundo intercâmbio com os pecadores. Para retribuir-te, ó Eterno Redentor, farei edificar, no burgo onde a minha fortuna domina, um templo digno de tua invocação, recordando-te os sacrifícios na cruz!
Os agradecimentos continuavam, quando Vicente de Paulo, assombrado, reparou que a imagem do Nazareno adquiria vida e movimento...
Extático, viu-se à frente do próprio Senhor, que desceu do altar florido, em pranto.
O abnegado sacerdote observou que Jesus se afastava a passo rápido; contudo, em se sentindo junto dele, perguntou-lhe, igualmente em lágrimas: – Senhor, por que te afastas de nós?
O Celeste Amigo ergueu para o clérigo a face melancólica e explicou:
– Vicente, sinto-me envergonhado de receber o louvor dos poderosos que desprezam os fracos dos homens válidos que não trabalham, dos felizes que abandonam os infortunados...
O interlocutor sensível nada mais ouviu. Cérebro em turbilhão desmaiou, ali mesmo, diante da assembleia intrigada, sendo imediatamente substituído, e, febril, delirou alguns dias, prisioneiro de visões que ninguém entendeu.
Quando se levantou da incompreendida enfermidade vestiu-se com a túnica da pobreza, trabalhando incessantemente na caridade, até ao fim de seus dias.
Os adoradores do templo, entretanto, continuaram agradecendo os troféus de sangue, ouro e mentira, diante do mesmo altar e afirmaram que Vicente de Paulo havia enlouquecido.
 
Irmão X
 
 
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 17:28

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SIMÃO PEDRO EM VISITA AO RIO DE JANEIRO



Conta-se que Simão Pedro, há tempos, conseguiu chegar ao Rio de Janeiro, perfeitamente materializado. Utilizando preciosos fluidos da natureza, nos bosques floridos que marginam Petrópolis, desceu dos subúrbios para o centro, com o objetivo de verificar as realizações cristãs, entre os novos discípulos do Evangelho.
Alpercatas de pobre, cabelos à nazarena, leve bastão a sustentar-lhe o corpo e singela túnica de estamenha, ia o apóstolo, de olhos vivos e doces, estranho aos automóveis e aos arranha-céus, na consoladora antevisão do encontro com os aprendizes do Senhor.
Achavam-se multiplicados, pensava. Trazia, mentalmente, o endereço de muitos, de conformidade com as rogativas que subiam da Terra para o Céu. Que lhe contariam, acerca dos ideais evangélicos no mundo? Não ignorava que o Planeta continuava sob o guante infernal da guerra, entretanto, sabia que os ensinamentos do Messias avançavam salvando almas.
Ante o frontispício de admirável organização católica-romana, deteve-se, emocionado.
Aproximou-se. Tocou a campainha.
Pretendia avistar-se com os superiores da casa, a fim de trocarem idéias.
Um padre bem humorado atendeu:
- Quem é o senhor?
- Simão Pedro, para servi-lo.
O clérigo sorriu e anotou-lhe os desejos.
Findos alguns minutos, um dos diretores apareceu, em companhia de vários religiosos. Ouviram o visitante humilde, com inequívocos sinais de incredulidade e sarcasmo.
Não chegaram nem mesmo a considerar-lhe as palavras.
- Volte segunda-feira, com o atestado policial – declarou o orientador da instituição – e providenciarei seu ingresso no asilo.
Simão tentou explicar-se.
O eclesiástico, no entanto, foi claro:
- Não insista. Tenho mais o que fazer. Venha segunda-feira. O psiquiatra organizará sua ficha.
Sequioso de entendimento, pediu Pedro:
- Tenho sede. Permita-me entrar, por obséquio.
- Quê? Entrar? Não precisa disto para beber água. Na esquina próxima encontrará um café, e será atendido.
Em vista da porta repentinamente cerrada, o apóstolo, algo triste, cruzou várias ruas e estacionou junto de simpática vivenda.
Perguntou ao jardineiro pelo ministro da igreja reformada que a ocupava.
O robusto rapaz deu-se pressa em satisfazê-lo. Em momentos breves, trouxe consigo não só o pastor, mas também dois jovens presbíteros.
À primeira interrogação, o visitante respondeu, esperançado:
- Sou Pedro, o antigo pescador de Cafarnaum.
- Entreolharam-se os presentes, espantadiços.
- Debalde buscou o velho Caphas esclarecer os propósitos que alimentava. O ministro evangélico, ai invés de prestar-lhe atenção, pôs-se a ouvir os rapazes tagarelas.
- Penso que é portador da mania ambulatória – asseverou um deles – traz alpercatas e os pés não parecem muito distintos.
- Tenho ido pregar no hospício – informou o outro e conheço alguns casos de loucura circular.
O pastor dirigiu-se a Pedro e declarou, sem rebuços:
- Pode retirar-se. Aqui, não posso recebê-lo. Procure o culto no domingo pela manhã.
- Irmão, não me expulse assim... Rogou Pedro, humilde.
- Nada posso prometer-lhe – revidou o ministro, seguro de si – a congregação está longe de construir o nosso hospital de alienados.
Vendo-se novamente sozinho, o ex-pescador Galileu varou largo trecho da via pública e parou à frente de nobre domicílio.
Bateu, acanhado.
Ao rapazelho que atendeu, lépido, indagou pelo diretor de importante organização espiritista que ali residia.
Decorridos alguns instantes, o dono da casa veio em pessoa, seguido de dois confrades.
À inquirição inicial, respondeu tímido:
- Sou Simão Pedro, o discípulo de Cafarnaum.
Os novos amigos permutaram expressivo olhar.
O missionário da Nova Revelação, que o apóstolo procurara, nominalmente, afirmou calmo:
- Obsessão evidente. Creio esteja ele atuado por argucioso perseguidor invisível.
- Um vidente faria aqui a necessária verificação, acentuou um dos companheiros.
O outro, contudo, mostrando extensa intimidade com Richet, acrescentou, com algum pedantismo:
- Tipo inabitual. Bem provável possa ser aproveitado aos estudos de criptestesia.
Adiantando-se, Pedro implorou:
- Irmãos, tenho sede de comunhão fraterna em torno do Cristo, Nosso Senhor. Que me dizem do trabalho evangélico, na atualidade do mundo?
O principal do grupo afagou-lhe a destra que se movia suplicante e replicou: - Procure-me na sessão de sexta-feira, depois das vinte horas.
Teremos doutrinação. A cousa vai melhorar, “meu velho”.
E, gentilmente, deu-lhe o endereço.
Fechou-se a porta e o trinco rodou, automático.
Quem contou a história, disse-nos ter visto o antigo discípulo da Galiléia enxugar as lágrimas a lhe deslizarem copiosas do rosto e perguntar a esmo, fixando o céu tranquilo do crepúsculo:
- Senhor, onde estará pulsando o coração de teus aprendizes?!...
Em seguida, silencioso e taciturno, o velho pescador pôs-se de novo, a caminho, na direção do mar...

Irmão X
Retirado de: WWW.caminhosdaluz.com.br
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 14:45

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Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

SILÊNCIO IMPOSSÍVEL



O progresso marcha, lenta ou aceleradamente, e ninguém o pode deter. É o processo natural da vida, que evolui sistematicamente sem nunca parar. O repouso, por isso mesmo, e a inércia não fazem parte dos seus quadros.
O mesmo ocorre com a verdade. Não pode ser impedida, porque o seu fluxo, o seu curso, é inestancável.
Quanto mais lúcida a civilização, mais claro se lhe desvela o conhecimento da verdade, ultrapassando o chavão comum, que fala a respeito daquela que é de cada um. Expande-se e, mesmo quando sombreada pelos cúmulos dos preconceitos e dos comportamentos arbitrários, rompe o aparente impedimento e brilha com todo o esplendor.
A verdade é única, embora sejam conhecidas apenas algumas das suas faces; particularmente aquelas que podem ser aceitas sem muitas discussões ou querelas.
As palavras, que pretendem apresentá-la ao mundo e às pessoas, não poucas vezes, alteram-na, confundem quem a busca, divide-a em ideologias e interpretações, causando dificuldades e problemas.
Dela se utilizam todos os indivíduos conforme a estrutura mental e o interesse moral de cada qual.
Matam em seu nome, embora ela proceda do Amor; personagem sob a sua bandeira, apesar de expressar-se como paz; confundem-na, mediante os seus textos, e a sua proposta é clara quão universal; preparam, seguindo as regras da interpretação que lhe concedem, mesmo originada do pensamento unívoco de Deus...
Todas as pessoas pretendem possuí-la, e quando pensam detê-la, ou querem retê-la, eis que escapa e expande-se.
Buscam asfixiá-la em um lugar e ressurge noutro.
Imbatível, termina por impregnar as mentes e acolher-se nos corações.
A verdade é transparente como a luz diáfana do amanhecer; é vida que nutre e pão que alimenta.
A verdade procede de Deus e a Ele conduz o pensamento, as realizações e os seres.
Por isso, é impossível o seu silêncio.
A inquietação é inimiga da serenidade, e esta resulta do conhecimento da verdade.
Na quietude da meditação e no recolhimento do trabalho, ei-la que se expressa, abrindo espaço para a iluminação.
Para perpetuá-la no seu conteúdo espiritual os místicos e santos de todos os tempos retiveram-na em indumentárias delicadas: contos, koans, lendas, e Jesus apresentou-a em encantadoras parábolas.
Os homens, em diferentes épocas, temiam-na, e, por isso, não a aceitavam desnuda. Mas a recebiam, para o entendimento, quando adornada de fantasias, de fábulas, de símbolos.
Naquela circunstância era necessário que todos a conhecessem na sua apresentação legítima: o fato consumado, inegável.
Todos quantos ali estavam viram-na e comoveram-se. Talvez não a entenderam.
Por isso, apelaram para os envoltórios, a que se acostumaram.
O coxo andara e prosseguia andando. Não se tratava de um impressionável adolescente, mas, sim, de um homem de quarenta anos, maduro, que sabia discernir, e dava o testemunho: - Eu era limitado; agora ando.
Este o fato: a verdade inconfundível!
Há pessoas que preferem ignorar a verdade, porque aceitá-la é ver-se na encruzilhada da decisão. Não mais pode ser como anteriormente, receando mudar e não possuir forças para prosseguir. Essa energia, no entanto, haure-se nela mesma, que impulsiona para a frente, que sustenta no desempenho a vivência dos seus postulados.
Adiá-la, significa prosseguir na ignorância, sofrer, quando se torna possível ser feliz.
Jesus afirmou que a verdade liberta, porque desalgema, dignifica, impondo responsabilidade e dever, que são as suas primeiras conseqüências.
Pedro e João conviveram com o Mestre, que a expressara nas palavras, na conduta e na autodoação.
Pedro fora vítima da própria defecção por fragilidade moral, porém, sustentado por ela reergueu-se e tornou-se seu embaixador.
Com o jovem amigo, que a tinha iluminando-o interiormente, pôs-se a apresentá-la de forma incorruptível. Agora era a hora de confirmá-la.
A notícia do feito alcançou os ouvidos das torpes e atormentadas autoridades da governança.
Receosos do efeito do acontecimento, tomaram providências, mandando seus esbirros aprisionarem os dois humildes galileus que provocavam tal reboliço.
Temiam que o fermento do bem levedasse a massa informe e ameaçasse a sua dominação inescrupulosa.
A alternativa para a sua mesquinhez era o poder da força.
E mandaram ao cárcere os inimigos em potencial conforme via sua óptica distorcida.
Sempre se repete a cena da covardia: intimidar a verdade, ameaçando ou vencendo aqueles que a apresentam. Porque não a podem vencer, buscam silenciá-la, inutilizando os seus porta-vozes.
Já era tarde quando os prisioneiros foram trazidos ao Tribunal, e por isso mesmo, foram arrojados ao cárcere até o dia seguinte, quando os submeteram a interrogatório diante do recuperado paciente, que prosseguia saudável.
Novamente mediunizado, Pedro enfrentou os algozes e não se deixou atemorizar ou confundir ante os hábeis sofistas enganadores do povo.
Haviam sido presos, porque fizeram o bem em nome de Jesus Cristo.
- Ele - afirmou o Apóstolo - é a pedra, desprezada por vós... Não há salvação em nenhum outro (*)... porque dentre os homens Ele é o maior.
Havia altivez no porte e exatidão no verbo.
Assombraram-se os pusilânimes e tomaram a atitude que lhes era habitual: conciliar-ameaçando, libertar-intimidando.
Assim, num conluio infame resolveram proibi-los de referir-se a Jesus, o Cristo.
Não detectaram nos discípulos do Rabi qualquer crime ou erro passível de punição, mas também por medo do povo, que glorificava a Deus, do que por outra razão.
Responderam-lhes, então, os interrogados:
- Se é justo diante de Deus ouvir-vos antes do que a Deus, julgai-o; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos.
O silêncio era-lhes impossível.
Podiam perder o corpo; mas com a verdade ganhavam a vida.
Não se pode deixar de mencionar a verdade que decorre do encontro com os seus conteúdos.
As perseguições chegariam, mas a verdade permaneceria também, sem jamais ser abafada...

(*) Atos - 4: 1 a 22. (Nota da Autora espiritual.)

Autor: Amélia Rodrigues
Psicografia de Divaldo Franco
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 17:54

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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

CRÔNICA DO NATAL

Desde a ascensão de Herodes, o Grande, que se fizera rei com o apoio dos romanos, não se falava na Palestina senão no Salvador que viria enfim...
Mais forte que Moisés, mais sábio que Salomão, mais suave que David, chegaria em suntuoso carro de triunfo para estender sobre a Terra as leis do Povo Escolhido.
Por isso, judeus prestigiosos, descendentes das doze tribos, preparavam-lhe oferendas em várias nações do mundo.
Velhas profecias eram lidas e comentadas, na Fenícia e na Síria, na Etiópia e no Egito.
Dos confins do Mar Morto às terras de Abilena, tumultuavam notícias da suspirada reforma...
E mãos hábeis preparavam com devotamento e carinho o advento do Redentor.
Castiçais de ouro e prata eram burilados em Cesareia, tapetes primorosos eram tecidos em Damasco, vasos finos eram importados de Roma, perfumes raros eram trazidos de remotos rincões da Pérsia... Negociantes habituados à cobiça cediam verdadeiras fortunas ao Templo de Jerusalém, após ouvirem as predições dos sacerdotes, e filhos tostados deserto vinham de longe trazer ao santuário da raça a contribuição espontânea com que desejavam formar nas homenagens ao Celeste Renovador.
Tudo era febre de expectação e ansiedade.
Palácios eram reconstruídos, pomares e vinhas surgiam cuidadosamente podados, touros e carneiros, cabras e pombos eram tratados com esmero para o regozijo esperado.
Entretanto, o Emissário Divino desce ao mundo na sombra espessa da noite.
Das torres e dos montes, hebreus inteligentes recolhem a grata notícia... Uma estrela estranha rutila no firmamento.
O Enviado, porém, elege pequena manjedoura para seu berço de luz.
Milícias angelicais rejubilam-se em pleno céu...
Mas nem príncipes, nem doutores, nem sábios e nem poderosos da Terra lhe assistem a consagração comovente e sublime.
São pastores humildes que se aproximam, estendendo-lhe os braços.
Camponeses amigos trazem-lhe peles surradas.
Mulheres pobres entregam-lhe gotas de leite alvo.
E porque as vozes do Céu se fazem ouvir, cristalinas e jubilosas, cantam eles também...
- “Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os Homens!...”.
Ali, na estrebaria singela, então Ele e o povo...
E o povo com Ele inicia uma nova era...
É por isso que o Natal é a festa da bondade vitoriosa.
Lembrando o Rei Divino que desceu da Glória à Manjedoura, reparte com teu irmão tua alegria e tua esperança, teu pão e tua veste.
Recorda que Ele, em sua divina magnificência, elegeu por primeiros amigos e benfeitores aqueles que do mundo nada possuíam para dar, além da pobreza ignorada e singela.
Não importa sejas, por enquanto, terno e generoso para com o próximo somente um dia...
Pouco a pouco, aprenderás que o espírito do Natal deve reinar conosco em todas as horas de nossa vida.
Então, serás o irmão abnegado e fiel de todos, porque, em cada manhã, ouvirás uma voz do Céu a sussurrar-te, sutil:
- Jesus nasceu “Jesus nasceu!...”.
E o Mestre do Amor terá realmente nascido em teu coração para viver contigo eternamente.

Espírito: IRMÃO X.
LIVRO ANTOLOGIA MEDIÚNICA DO NATAL - Psicografia: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 02:46

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DATAS ESPÍRITAS DE DEZEMBRO

 

DIA 02
1868 – Desencarna, em Paris, o livreiro e editor Didier, membro da Sociedade Espírita de Paris desde sua fundação; responsável pela primeira edição dos livros de Allan Kardec.
1886 – Nasce, no Estado da Bahia, José Florentino Seria, conhecido como José Petitinga. Comerciante, poeta, foi destacado espírita naquele Estado.
1886 – Nasce em Milevsko, Tchecoslováquia, Frederico Figner. Estabeleceu-se como industrial no Brasil e atuou em vários setores da FEB. Pela mediunidade de Chico Xavier ditou, do além, a obra "Voltei", usando o pseudônimo de Irmão Jacob.
DIA 04
1935 – Data do desencarne do criador da metapsíquica, Charles Richet.
DIA 05
1934 – Desencarna, no Rio, Humberto de Campos, escritor, deputado estadual, membro da Academia Brasileira de Letras (1920). Ditou diversas obras espíritas através do médium Chico Xavier, algumas com pseudônimo "Irmão X".
DIA 07
1953 – A polícia invade a sede da Federação Espírita Portuguesa, em Lisboa; confisca todos os bens e destrói a biblioteca, com 12.000 volumes.
DIA 10
1835 – Nasce, em Sevilha, na Espanha, Amália Domingo Soler. Fundou o jornal "La Luz del Porvenir". Escreveu "Reencarnação e Vida", "Perdoa-me" e "Memórias do Padre Germano".
1874 – Data do nascimento de um dos maiores tribunos espíritas: Manuel Vianna de Carvalho.
1911 – Inaugurada, no Rio de Janeiro, a sede própria da FEB, por Leopoldo Cirne.
1944 – É fundada a Cruzada dos Militares Espíritas, divulgadora da Doutrina dentro das corporações militares.
DIA 11
1761 – Data de nascimento de Joanna Angélica, em Salvador, Estado da Bahia. São bastante conhecidas suas obras trazidas através da mediunidade de Divaldo Pereira Franco, sob o nome de Joanna de Angelis.
1847 – A família Fox transfere-se para Hydesville, passando a morar na casa que seria palco dos memoráveis fenômenos de efeitos físicos.
1855 – Allan Kardec recebe a revelação mediúnica de que Zéfiro era seu espírito protetor.
DIA 15
1859 – Nasce Lázaro Luiz Zamenhof, o criador do Esperanto.
DIA 16
1945 – Fundada a Sociedade Espírita Santo Agostinho, por Jésus Gonçalves, no Hospital-Colônia para hansenianos de Pirapitingui.
DIA 18
1903 – Data do desencarne de Augusto Elias da Silva, fundador da revista Reformador e um dos fundadores da FEB.
DIA 19
1998 – Dia do Movimento Você e a Paz, em Salvador/Ba. idealizado pelo médium Divaldo Pereira Franco.
DIA 24
1872 – Data de nascimento do esperantista Francisco Waldomiro Lorenz.
1900 – Data do nascimento de Yvonne do Amaral Pereira em Rio das Flores - RJ.
DIA 25
0000 – O mundo rende graças pelo nascimento de Jesus Cristo.
1893 – Nasce na Província de Sagre, Itália, Francisco Spinelli. Veio para o Brasil com 18 anos, trabalhando como alfaiate, depois como advogado. Convertido ao Espiritismo, tornou-se um de seus líderes.
1915 – É fundada a Federação Espírita do Estado da Bahia.
DIA 27
1996 – Instituí-se 18/04 como o dia dos espíritas, lei 9471, projeto de lei do Deputado Alberto Calvo
 

 

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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:15

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