Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

FALSIFICAÇÕES

Tudo é falsificação no Catolicismo.

Todos os lugares do itinerário de Jesus, tidos como verdadeiros pelo Catolicismo e, como tal, consagrados no templo de Jerusalém, deste o do nascimento ao de sua morte, são falsos, como acaba de provar Gustave D’Alman [[1]], diretor do Instituto Arqueológico da Alemanha, em Jerusalém, e fervoroso cristão e alguns arqueólogos ingleses.

Todas as pseudo-relíquias conservadas no Vaticano e no próprio local em Jerusalém, tais como pedaços da cruz, pregos, lenço, sudário, etc., são revoltantes artifícios que chegam até a ter o dom de se multiplicarem para a satisfação de pobres fanáticos e, principalmente, do tesouro do Vaticano.

Se não, demos a palavra a Le Nain de Tillemont [[2]].

“Foi tal a epidemia mental que apoderou dos pagãos e dos cristãos, que a lista das relíquias chegou a ultrapassar os limites do bom senso e da razão, não só pelo número como pela evidente falsidade dos mesmos”.

Seria fastidioso enumerá-las; mas destacaremos algumas do próprio Catolicismo para edificar o leitor: assim, o maná caído do deserto e conservado no Vaticano e o círio de Arras, clamam Fraude.

Os falsários chegaram a apresentar ossos de animais, como tendo pertencido a santos, verbi gratia.

Um braço de Santo Antônio, em Genebra, feito de um membro de veado. Este Santo Antônio tem a propriedade de possuir cinco corpos, um em Istambul, outro em Viena, outro no Dauphiné, outro em Marselha e outro em Arles, todos autênticos, pois cada um produz milagres.

Santa Helena, também, tinha vários corpos, um em Constantinopla, na igreja dos 12 apóstolos, outro em Roma, na igreja de Araceli, outro em Veneza, na ilha de Santa Helena, outro em Hauteville e de quebra havia a quinta cabeça, avulsa em Colônia.

Na igreja de São João de Latrão existe a lanterna que Judas levava na noite em que foi denunciar Jesus! Em várias igrejas vêem-se as moedas que ele recebeu pela traição, embora as tivesse jogado no campo; há mesmo um pedaço da corda com que se enforcou!

Os ossos de Santa Rosália eram de cabras; um pedaço de pedra-pomes teve um culto como se fora o cérebro de São Pedro; três pedrinhas foram veneradas em Chalons como sendo o umbigo de Jesus Cristo; inúmeros sudários do Cristo surgiram como autênticos; o lenço com a Verônica do Cristo; as camisas da Virgem Maria; a cintura da mesma Virgem Maria; o leite da Virgem Maria feito de galactite; os vasos da boda de Cana; os cálices da ceia. Em Roma existe, ainda, uma coluna junto à qual Cristo teria orado no templo de Jerusalém. O pomo da espada de Durandel continha um dente de São Pedro, sangue de São Bazílio, cabelos de São Diniz e um fragmento do vestuário da Virgem Maria; no de Joyeuse, de Carlos Magno, havia um pedaço da lança com a qual furaram o flanco de Jesus. Em Roma, venera-se o berço de Jesus. A vara milagrosa de Moisés é ali conservada. Em Treves há o falo de São Bartolomeu. Na Catedral de Marselha mostravam-se duas ou três espinhas dos peixes que Jesus havia multiplicado no deserto. Lá estão as penas das asas que o anjo Gabriel deixou cair quando, entrando pela janela, anunciou à Virgem seu parto. Até o burrico sobre o qual Jesus entrara em Jerusalém veio aparecer em Verona, na Itália, por suas próprias patas – há quem garanta que não foi pelas patas de ninguém – tendo atravessado a nado o Mediterrâneo; aí foi ele venerado como Santo Asno de Verona, e isso até 1866.

A serpente de bronze de Moisés foi conservada por muito tempo em Santo Ambrósio de Milão. O escudo de São Miguel é venerado em São Julião de Tours; os cornos de Moisés se mostravam em Roma, na igreja de São Marcelo. O sopro de Jesus foi trazido de Belém para Gênova. A lágrima do Salvador se venerava no convento dos beneditinos, em Vendome. Heródoto conta que esses frades se vangloriavam, na volta de Jerusalém, de ter visto um dedo do Espírito Santo – o que já é ter dedo... para a mentira. O machado de São José está conservado em Conchiverny. A pedra angular – a que Jesus se referiu – era vista na igreja de Sion pelos peregrinos à Terra Santa. Na catedral de Santo Homero lia-se o seguinte inventário: Maná que caiu do céu, pedra sobra a qual Cristo derramou seu sangue; suor do Salvador; Pedra da Lei, de Moisés, escrita pelo próprio dedo de Deus no Sinai; pedra sobre a qual São Tiago atravessou os mares; a janela pela qual o anjo Gabriel foi saudar a Virgem; a carta de Jesus Cristo escrita do céu, incitando os cristãos a pagar o dízimo. (Essa carta é a mais importante de todas as preciosidades, tanto mais por nunca ter ele escrito quando vivo).

O que mais admira é a maneira por que essas relíquias se multiplicavam e se espalhavam por toda a parte, cada qual como sendo a legítima, para o que chegavam as igrejas e se desprestigiarem umas as outras, como embusteiras.

Assim é que São Mauro tinha nove corpos, Santo Erasmo 11, São Francisco de Paula 12, São Juliano 13, São Pedro 16, São Paulo 18, São Pancrácio e São Jorge 30, cada um; São Tiago tinha 11 queixos, São Leger 12, São João Batista 20; Santo Inácio de Antioquia teve seis cabeças, sendo que uma foi comida pelos leões, outra estava em Roma na igreja de Jesus, havia ainda a de Clarivau, a de Praga, na Boêmia, a de Colônia, a de Messina; São Juliano teve 30 ou 40.

Ludovico Lalann assinala: 17 braços de Santo André, 12 mãos de São Leger, 60 dedos de São Jerônimo. Nunca se viu uma criatura tão cheia de dedos!

E em 11 de outubro de 1932, em plenos século das luzes, Roma acaba de telegrafar ao mundo, falando da solene procissão realizada para transportar um dedo da mão direita de Santo Antônio de Póla, para Pádua, sua terra natal!

E... para o leitor não rir, o jesuíta Jean Ferrand diz, em sua obra: “nessas multiplicações milagrosas só vejo o dedo da Providência para entreter a dedicação dos fiéis”.

Entretanto, ele via mais com os olhos das restrições; ele via o salutar efeito da confusão dos termos: Cristianismo e Catolicismo; ele via a imbecilidade humana se multiplicando em proveito da igreja romana.

Como presentemente não é mais possível à Igreja Romana fazer descer do céu algum pedaço de uma porta velha ou a chave enferrujada de São Pedro, criou a rendosa indústria religiosa da fabricação de ídolos e uma imensidade de produtos, cuja catalogação seria difícil, mas que qualquer um pode examinar nas vitrines dos seus armazéns comerciais. São Cristos, Marias e santos de todo feitio e massas, caixinhas de metal para água benta e terços, rosários para todo preço, escapulários para todos os e feitos, livros de missas, imagens, velas, animais e o próprio menino Jesus para creches... É verdade que nada disso é vendido, mas simplesmente... trocado por... dinheiro. E se o freguês desejar maior eficácia, basta levar o artigo ao padre da freguesia para benzê-lo, deixando-lhe, bem entendido, uma... esmola.

Francamente! Em qual religião do mundo se verifica tão vergonhoso comércio com coisas santas?

Mas a Igreja responde que, para manter a Fé dos fiéis, é necessário abusar de sua boa-fé.

Fonte: LETERRE, A. Jesus e sua doutrina: a distinção entre cristianismo e catolicismo: um estudo que remonta há mais de 8.600 anos. São Paulo: Madras, 2004, pp. 459-462


[1] Lês itinéraires du Christ

[2] Mémoires pour servir á l’historie èclesiastique – 1701.

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:37

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OS PROBLEMAS DA EXISTÊNCIA

O que importa ao homem saber, acima de tudo, é: o que ele é, de onde vem, para onde vai, qual o seu destino. As idéias que fazemos do universo e de suas leis, da função que cada um deve exercer sobre este vasto teatro, são de uma importância capital. Por elas dirigimos nossos atos. Consultandoas, estabelecemos um objetivo em nossas vidas e para ele caminhamos. Nisso está a base, o que verdadeiramente motiva toda civilização.
Tão superficial é seu ideal, quanto superficial é o homem. Para as coletividades, como para o indivíduo, é a concepção do mundo e da vida que determina os deveres, fixa o caminho a seguir e as resoluções a adotar.
Mas, como dissemos, a dificuldade em resolver esses problemas, muito freqüentemente, nos faz rejeitá-los.
A opinião da grande maioria é vacilante e indecisa, seus atos e caracteres disso sofrem a conseqüência. É o mal da época, a causa da perturbação à qual se mantém presa. Tem-se o instinto do progresso, pode-se caminhar mas, para chegar aonde? É nisto que não se pensa o bastante. O homem, ignorante de seus destinos, é semelhante a um viajante que percorre maquinalmente um caminho sem conhecer o ponto de partida nem o de chegada, sem saber porque viaja e que, por conseguinte, está sempre disposto a parar ao menor obstáculo, perdendo tempo e descuidando-se do objetivo a atingir.
A insuficiência e obscuridade das doutrinas religiosas e os abusos que têm engendrado, lançam numerosos espíritos ao materialismo. Crê-se, voluntariamente, que tudo acaba com a morte, que o homem não tem outro destino senão o de se esvanecer no nada.
Demonstraremos a seguir como esta maneira de ver está em oposição flagrante à experiência e à razão. Digamos, desde já, que está destituída de toda noção de justiça e progresso.
Se a vida estivesse circunscrita ao período que vai do berço à tumba, se as perspectivas da imortalidade não viessem esclarecer sua existência, o homem não teria outra lei senão a de seus instintos, apetites e gozos. Pouco importaria que amasse o bem e a eqüidade. Se não faz senão aparecer e desaparecer nesse mundo, se traz consigo o esquecimento de suas esperanças e afeições, sofreria tanto mais quanto mais puras e mais elevadas fossem suas aspirações; amando a justiça, soldado do direito, acreditar-se-ia condenado a quase nunca ver sua realização; apaixonado pelo progresso, sensível aos males de seus semelhantes, imaginaria que
se extinguiria antes de ver triunfarem seus princípios.
Com a perspectiva do nada, quanto mais tivesse praticado o devotamento e a justiça, mais sua vida seria fértil em amarguras e decepções. O egoísmo, bem compreendido, seria a suprema sabedoria; a existência perderia toda sua grandeza e dignidade. As mais nobres faculdades e as mais generosas tendências do espírito humano terminariam por se dobrar e extinguir inteiramente.
A negação da vida futura suprime também toda sanção moral. Com ela, quer sejam bons ou maus, criminosos ou sublimes, todos os atos levariam aos mesmos resultados. Não haveria compensações às existências miseráveis, à obscuridade, à opressão, à dor; não haveria consolação nas provas, esperança para os aflitos. Nenhuma diferença se poderia esperar, no porvir, entre o egoísta, que viveu somente para si, e freqüentemente na dependência de seus semelhantes, e o mártir ou o apóstolo que sofreu, que sucumbiu em combate para a emancipação e o progresso da raça humana. A mesma treva lhes serviria de mortalha.
Se tudo terminasse com a morte o ser não teria nenhuma razão de se constranger, de conter seus instintos e seus gostos. Fora das leis terrestres, ninguém o poderia deter. O bem e o mal, o justo e o injusto se confundiriam igualmente e se misturariam no nada. E o suicídio seria sempre um meio de escapar aos rigores das leis humanas.
A crença no nada, ao mesmo tempo em que arruína toda sanção moral, deixa sem solução o problema da desigualdade das existências, naquilo que toca à diversidade das faculdades, das aptidões, das situações e dos méritos. Com efeito, por que a uns todos os dons de espírito e do coração e os favores da fortuna, enquanto que tantos outros não têm compartilhado senão a pobreza intelectual, os vícios e a miséria? Por que, na mesma família, parentes e irmãos, saídos da mesma carne e do mesmo sangue, diferem essencialmente sobre tantos pontos? Tantas questões insolúveis para os materialistas e que podem ser respondidas tão bem pelos crentes. Essas questões, nós iremos examinar brevemente à luz da razão.

Léon Denis
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 17:09

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