Terça-feira, 2 de Março de 2010

A VIAGEM DE PAULO A MILETO

 

 

Nós, porém, indo adiante a tomar a embarcação, navegamos para Assôs, com intuito de ali receber a Paulo; pois, assim tinha disposto, tencionando ele mesmo ir por terra. Quando nos alcançou em Assôs, recebêmo-lo a bordo e fomos a Mitilene; e navegando dali, chegamos no dia seguinte em frente a Quios, no outro tocamos em Samos, e um dia depois viemos a Mileto, porque Paulo havia determinado não tocar em Éfeso, para não se demorar na Ásia; pois, apressava-se para estar em Jerusalém no dia de Pentecostes, se possível lhe fosse. De Mileto mandou a Éfeso chamar os presbíteros da igreja. - Cap. XX, v. v. 13-17.

Tendo deliberado estar em Jerusalém no dia de Pentecostes, Paulo pôs-se a caminho passando por várias cidades, onde diria algo aos discípulos. Os seus discípulos foram também, mas em vez de empreenderem a viagem por terra, alguns seguiram por mar até Assôs, onde Paulo tomou a embarcação em que iam alguns deles, como Lucas e outros.

Ele não tinha tempo para pregar nas cidades em que passava, visto se aproximar a festa de Pentecostes e ter necessidade nesse dia de estar em Jerusalém. Mas em Mileto parou um pouco e reuniu os presbíteros, os discípulos encarregados de dirigir as associações cristãs.

Reunidos todos os de Mileto e de Éfeso, que contava grande número de cristãos, resolveu fazer-lhes uma exortação, que foi transcrita em ata especial para ser rememorada e que Lucas incluiu nos Atos.

É uma peça substanciosa e emocionante ao mesmo tempo.

Nesse escrito Paulo resume a sua vida evangélica, e previne-os contra as ciladas dos mistificadores e mercenários, que já naqueles tempos tentavam perverter os chamados do Senhor. Vamos transcrevê-la:

"Vós sabeis como me tenho portado convosco sempre, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, servindo ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e com provações que me sobrevieram pelas ciladas dos judeus; como não me esquivei de vos anunciar coisa alguma que era proveitosa e de vô-la ensinar publicamente, e de casa em casa, testificando tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus.

"Agora eis que, constrangido no meu espírito, vou a Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo me testifica de cidade em cidade, que me esperam cadeias e tribulações. Porém não tenho a minha vida como coisa preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para dar testemunho do Evangelho da graça de Deus. E agora eu sei que todos vós, por entre os quais passei proclamando o reino, não vereis mais a minha face. Portanto, vos protesto hoje que estou limpo do sangue de todos; pois não me esquivei de anunciar todo o conselho de Deus. Atendei por vós, e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, a qual ele adquiriu com seu próprio sangue.

"Eu sei que depois da minha partida virão a vós lobos vorazes- que não pouparão o rebanho, e que dentre vós mesmos surgirão homens falando coisas perversas para atrair os discípulos após si".

"Portanto, vigiai, lembrando-vos que por três anos não cessei dia e noite de admoestar a cada um de vós com lágrimas. E agora vos encomendo a Deus e à palavra da sua graça Àquele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados.

"De ninguém cobicei prata nem ouro, nem vestes; vós mesmos sabeis que estas mãos proveram as minhas necesssidades e as dos que estavam comigo. Em tudo vos dei o exemplo de que, assim trabalhando, é necessário socorrer os fracos e vos lembrar das palavras do Senhor Jesus, porquanto Ele mesmo disse: Coisa mais bem-aventurada é dar do que receber.

"Tendo dito estas coisas, ajoelhando-se orou com todos eles. E houve um grande pranto entre todos e, lançando-se ao pescoço de Paulo, beijavam-no, entristecendo-se, sobretudo, por haver ele dito que não veriam mais a sua face. E eles o acompanharam até o navio". - Cap. XX, vv. 18-38.

Todo o comentário que fizéssemos desta cena tocante não teria o colorido preciso para deixar ver a humildade, o desapego que ela encerra, e o espírito do dever que ressalta como uma luz cintilante neste magnífico quadro que retrata o puro Cristianismo do Nazareno.

É de notar que Paulo, apresentando-se como o exemplo vivo da Fé e do Amor cristãos, fazia muita questão de salientar a seus discípulos a sua vida, absolutamente livre das injunções do ouro.

Nessa bela exposição, que ele fez aos presbíteros de Éfeso e de Mileto, não esqueceu de dizer que o seu ministério esteve sempre isento das influências monetárias, que tanto prejudicam a Palavra de Deus: "Estas mãos proveram as minhas necessidades e as dos que estavam comigo. Em tudo vos dei o exemplo de que, trabalhando, é necessário socorrer os fracos e vos lembrar das palavras do Senhor Jesus, porquanto Ele mesmo disse - Coisa mais bem-aventurada é dar do que receber".

Em suas Epístolas não cessava de aconselhar a todos o desapego. Na II, Tessalonicenses, III, 7-12, diz:

"Pois vós mesmos sabeis como deveis imitar-nos, porque não andamos desordenadamente entre vós, nem comemos de graça o pão de homem algum, antes em trabalho e fadiga, trabalhando de noite e de dia, para não sermos pesados a nenhum de vós; não porque não tivéssemos o direito, mas para vos oferecer em nós um modelo que imitásseis.

Pois, ainda quando estávamos convosco, isto vos mandamos, que, se alguém não quer trabalhar não coma.

Porquanto temos ouvido que alguns andam desordenadamente, que nada fazem, antes se intrometem nos negócios alheios; a estes tais porém, ordenamos e rogamos no Senhor Jesus Cristo que, trabalhando sossegadamente, comam o seu pão",

Cairbar Schutel

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 02:20

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TALIDOMIDA

Na tela cinematográfica, junto da qual sentíamos a realidade sem distorção, o professor do Plano Espiritual exibiu dois pequenos documentários sobre o assunto que nos fora motivo a longo debate. 1939 - 1943— Surgiu à cena agitada metrópole européia. Em tudo, o clima de guerra. Desfiles militares de pomposa expressão. Na crista dos edifícios mais altos, bocas de fogo levantavam-se em desafio.
Nas ruas, destacavam-se milhares de jovens em formações de tropa, ao rufar de tambores, ostentando símbolos e bandeiras. O povo, triste e apreensivo nas filas de suprimento, parecia desvairar-se de júbilo, nas paradas políticas, ovacionando oradores nas praças públicas.
De vez em vez, sirenas sibilavam gritaria de alarme. Aviões sobrevoavam, incessantemente, o casario enorme, lembrando águias metálicas, de atalaia nos céus, para desfechar ataques defensivos contra inimigos que lhes quisessem pilhar o ninho. Através de informações precisas, registávamos os mínimos tópicos de cada conversação.
De súbito, vimo-nos mentalmente jungidos a dilatado recinto, onde centenas de policiais e civis cochichavam na sombra. Articulam-se avisos. Ramifica-se a trama. Camionetas deslizam dentro da noite. Outros agrupamentos se constituem.
Mais algum tempo e magotes de transeuntes se agregam num ponto só, formando vasta legião popular em operoso bairro de ascendência israelita. São paisanos decididos à rapinagem.
Homens e mulheres de raciocínio maduro combinam o assalto em mira. Madrugada adiante, quando a soldadesca selecionada desce dos veículos com a ordem de apressar famílias inermes, ei-los que invadem as residências judias, agravando o tumulto.
Para nós que assistíamos ao espetáculo, transidos de dor, era como se fitássemos corsários da terra, no burburinho do saque. Mãos que retivessem anéis, pulsos que ostentassem adornos, orelhas ornamentadas de brincos e bustos revestidos de jóias sofriam golpes rápidos, muitos deles tombando decepados em torrentes sanguíneas.
Alguém que aparecesse com bastante coragem de investir contra os malfeitores, cuja impunidade se garantia com a indiferença de quantos lhes compartilhavam a copiosa presa, caía para logo de pernas mutiladas, para que não avançasse em socorro das vítimas.
E os quadros vivos se repetiam, em outros lugares e em outras noites, com personagens diversas, nos mesmos delírios de violência.

1949 -1953 — A tela passa a mostrar escuro vale no Espaço. Examinamos, confrangidos, milhares de seres humanos em condições deploráveis. Arrastam-se em desgoverno. Há quem chore a ausência dos braços, quem lastime a perda dos pés.
Possível, no entanto, identificar muitos deles. São os mesmos infelizes de 1939 a 1943, participantes das empresas de furto e morte, à margem da guerra. Desencarnados, supliciam-se no remorso que se lhes incrusta nas consciências. Carregando a mente vincada pelas atrocidades de que foram autores, plasmaram em si, nos órgãos e membros profundamente sensíveis do corpo espiritual, as deformidades que infligiram aos irmãos israelitas indefesos.
Ainda assim, almas heróicas atravessam o nevoeiro e distribuem consolações. Para que se refaçam, é preciso que reencarnem de novo, em breves períodos de imersão nos fluidos anestesiantes do plano físico. Necessário retomem a organização carnal, à maneira de doentes complicados que exigem regime carcerário para tratamento preciso. Ensinamentos prosseguem ao redor do filme.
Sofrerão, sim, mais tarde, as provas regenerativas de que se revelam carecedores, mas, por enquanto, são albergados por braços afetuosos de amigos, que se prontificam a sustentá-los, piedosamente, ou entregues a casais necessitados de filhinhos-problemas, a fim de ressarcirem dívidas do pretérito.
A maioria dos implicados renasce no país em que se verificou o assombroso delito, e muitos deles, em vários pontos outros do mundo, ressurgem alentados por famílias hospitaleiras ou endividadas, que os aconchegam, para a benemerência do reajuste .
Certamente — comentou o instrutor, ao término da película —, certamente que nem todos os casos de malformação congênita podem ser debitados à influência da talidomida sobre a vida fetal. Em todos os tempos, consoante os princípios de causa e efeito, despontam crianças desfiguradas nos berços terrestres. O estudo, porém, que realizamos pela imagem esclarece com segurança o fenômeno das ocorrências de má-formação que repontaram em massa, entre os homens, nos últimos tempos.
Achávamo-nos suficientemente elucidados; no entanto, meu velho amigo Luís Vilas indagou:
— Isso quer dizer então, professor, que a talidomida foi aplicada de acordo com a lei da reencarnação ?
— Bem, bem — falou o mentor retratando a benevolência no semblante calmo —, a talidomida e a provação funcionaram em obediência à justiça, mas não será lícito esquecer que o lar e a ciência vigilante dos homens também funcionaram em obediência à Misericórdia Divina, que a tudo previu, a fim de que a administração daquele medicamento não ultrapassasse os limites justos. Compreenderam?
Sim, recebêramos a chave para entender o assunto que envolvia dolorosa disciplina expiatória, e, à face da emoção que nos impunha silêncio, a lição foi encerrada.

Irmão X
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Segunda-feira, 1 de Março de 2010

REENCARNAÇÃO: CONCEITO

REENCARNAÇÃO: CONCEITO, RESUMO HISTÓRICO, RELIGIÕES E POVOS QUE A ADOTAM.



"Antes de nascer, a criança já viveu; e a morte não é o fim.
A vida é um evento que passa como o dia solar que renasce."
(Muller, 1970)

CONCEITO
Reencarnar significa voltar à carne novamente, tornar a nascer.
Reencarnação equivale a renascimento, Usa-se outro termo também: palingenesia (ou palingênese) que etimologicamente provém do grego: palin = de novo, e gignomai = gerar, isto é: novo nascimento.
Uma palavra empregada impropriamente no mesmo sentido é metempsicose, a qual deriva do grego, metempsykhosis, e foi levada do Egito para a Grécia por Pitágoras. Seu significado, entretanto, é um tanto diferente, pois supõe ser possível a transmigração das almas, após a morte, de um corpo para outro, sem ser obrigatoriamente dentro da mesma espécie. Alguns filósofos gregos aceitavam esta crença.
Plotino (205-270 a.D.) e Orígenes (185-254 a.D.) contestaram a propriedade semântica do termo metempsicose. Plotino sugeriu que se o substituísse por metensomatose, uma vez que haveria, na realidade, mudança de corpo (soma), e não de alma (psykhé).
Entretanto, parece não haver nenhuma evidência observacional em apoio a essa suposição. O renascimento deve ocorrer exclusivamente dentro da mesma espécie, conforme o que se tem observado até agora.

NA ANTIGUIDADE - EGITO
Há indícios de que algumas tribos paleolíticas acreditavam na sobrevivência da alma após a morte do corpo físico.
O culto do fogo ligado ao das imagens antropomórficas e das pedras, bem como os cuidados com os cadáveres, são evidências a favor desta hipótese. (Wernert. 1948, 1 vol., pp. 73-88).
Alguns antropólogos e historiadores concordam com a tese de que os paleontropideos alimentavam a esperança de um renascimento após a morte. Por exemplo, Mircea Eliade (Universidade de Chicago) diz o seguinte:
"Por outro lado, nada impede que a posição curvada do morto, longe de denunciar o medo de 'cadáveres vivos' (medo atestado em alguns povos). signifique, ao contrário, a esperança de um 'renascimento'; conhecem-se, com efeito, vários casos de inumação intencional em posição fetal." (Eliade. 1978. Tomo 1. vol. 1, p. 27].
A crença na reencarnação é antiquíssima e bastante difundida. Ela sempre constituiu o dogma básico da maioria das religiões primevas. Louis Jacolliot assim se expressa:
"O mito da transmigração das almas é talvez o primeiro sistema filosófico que se há produzido no mundo, sobre o imortalidade da alma e a origem do homem: liga-se intimamente com aquele da encarnação da divindade, nas crenças hieráticas da Índia antiga." (Jacolliot, 1892, p. 457).
É possível que a fonte mais primitiva das crenças religiosas seja o Manarva Dharma-Sastra, mais conhecido como o "Código do Manu·'. Este Código já era citado no RigVeda, há cerca de 1300 anos a.c., como sendo, então, muito antigo. No Livro XII, Manu o Legislador refere-se, nestes termos, ao destino das almas daqueles que morrem:
Após a morte, as almas dos homens que cometeram más ações tomam um outro corpo, para a formação do qual concorrem os cinco elementos sutis, e que é destinado a ser submetido às torturas das zonas inferiores.
Quando as almas revestidas desse corpo sofreram as penas purificadoras, penetram nos elementos grosseiros, aos quais se unem para retomar novo corpo, voltar ao mundo e concluir sua evolução... (Jacolliot opus. cit p. 461-462).
O sacerdote sebenita Manethon afirmava que a reencarnação era também dogma fundamental da religião egípcia. O Papiro Anana [1320 a.c.) diz o seguinte:
"O homem retorna à vida várias vezes, mas não se recorda de suas prévias existências, exceto algumas vezes em um sonho, ou como um pensamento ligado a algum acontecimento de uma vida precedente. Ele não consegue precisar a data ou o lugar desse acontecimento, apenas nota serem-lhe algo familiares. No fim. todas essas vidas ser-lhe-ão reveladas .. ".
O livro de Fontane, sobre o Egito, menciona uma referência ainda mais antiga acerca da palingênese (3.000 a,C.): 'Antes de nascer, a criança já viveu: e a morte não é o fim, A vida é um evento que passa como o dia solar que renasce," (Müller. 1970, p, 21),
Parece que o antiquíssimo autor desta sentença colheu seus conhecimentos a respeito da reencarnação, observando as recordações de vidas passadas manifestadas por crianças. Este é o método básico usado pelo Prof. H. N. Banerjee, pelo Dr. Ian Stevenson e pelos investigadores do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas - IBPP.

A GRÉCIA
Ferecides de Siros (Pherekydes) e seu discípulo Pitágoras (Pythagoras) - contemporâneos de Buddha - foram os principais veículos das idéias reencarnatórias que fluíram do Egito para a Grécia.
De acordo com Cícero, Ferecides foi o primeiro filósofo grego a ensinar a imortalidade da alma. Pitágoras seu discípulo afirmava recordar-se de várias encarnações pregressas. Eis algumas, a título de ilustração e por ordem de antigüidade:
1ª - Prostituta na Fenícia:
2ª - Esposa de um comerciante lojista na Lídia:
3ª - Agricultor na Trácia:
4ª - Hermotimus - Profeta que foi queimado vivo pelos seus rivais:
5ª - Euphorbus - Guerreiro troiano que lutou durante a guerra de Tróia: Pitágoras ao ver a couraça que havia servido a esse guerreiro, reconheceu-a imediatamente:
6ª - Pitágoras de Samos (580-496 a,c.) filósofo e matemático grego. (Stuart, 1977, p, 134).
Sócrates (469-399 a.C.) segundo Platão (427-347 a.C) ensinava a imortalidade da alma e a reencarnação. No diálogo entre Sócrates e Cebes, há uma passagem assim:
"Efetivamente, Cebes, retoma Sócrates, nada é mais verdadeiro, segundo creio, e nós não nos enganamos em o reconhecer. É certo que há um retorno à vida, que os vivos nascem dos mortos, que as almas dos maltas existem (e que a sorte das almas boas é melhor, aquela das más é pior,)" (Platão. 3 tomo, Phedon, p, 134, XVII d).

O EPISÓDIO DE ER
No livro X da República. 614-620b, há uma das mais fascinantes passagens acerca da reencarnação, descrita juntamente com um caso de OBE (Experiência fora do corpo). Trata-se do episódio de Er, filho de Armênio, originário da Panfília.
Er foi tido por morto em uma batalha. Dez dias depois, quando eram colhidos os cadáveres já em putrefação, o seu foi encontrado intacto. Levaram-no para casa para ser cremado, mas no décimo segundo dia, quando já se achava estendido sobre a pira, retornou à vida. Após recobrar os sentidos, contou o que viu do lado de lá.
Er explicou detalhadamente a sua caminhada juntamente com outros que haviam também morrido, até o local em que as almas dos mortos são julgadas por juízes divinos e depois selecionadas, seguindo as boas em direção às regiões celestiais, e as más às regiões infernais. A ele os juízes recomendaram que se mantivesse ali, para observar tudo e relatar aos homens o que viesse presenciar a seguir.
Logo mais. Er assistiu à chegada àquele local, das almas que já houveram passado anteriormente pelo céu e pelo inferno, e que retornavam para, mais tarde, seguirem novo destino. Segundo ele soube, as recompensas e as penas duravam em média o equivalente a mil anos terrestres. Alguns sofriam mais tempo, devido à maior gravidade de suas faltas. De um modo geral, as penas eram aplicadas na razão de dez por um. Aqueles que, ao contrário, haviam feito o bem ao redor de si, que haviam sido justos e piedosos, obtinham a recompensa na mesma proporção.
Depois de estagiar na planície, por sete dias, cada grupo levantava o acampamento e viajava quatro dias, após o que chegava a um sítio de onde se avistava uma coluna de luz que atravessava todo o céu e a terra. Após mais um dia de marcha. chegava-se ao centro da referida luz, onde se acha o liame entre o Céu e a Terra. Ali estava suspenso o imenso fuso da Necessidade que faz girar todas as esferas [planetasl. O próprio fuso gira sobre os joelhos da Necessidade.
No topo de cada círculo encontra-se uma Sereia que gira com ele, emitindo um som único, de uma nota apenas; e essas oito notas compõem, em conjunto, uma só harmonia (a harmonia das esferas, de Platão). Três outras mulheres, sentadas a intervalos iguais e ao seu redor, cada uma sobre um trono, as filhas da Necessidade, Lachesis, Clotho e Atropos, cantam acompanhando a harmonia das Sereias. Elas representam: Lachesis o passado. Clotho o presente, Atropos o futuro.
Quando as almas chegam àquele lugar, devem apresentar-se a Lachesis. E, então, um hierofante coloca-as em ordem: depois, tomando de sobre os joelhos de Lachesis diversos modelos de vida, sobe em um estrado elevado e fala assim:
"Declaração da virgem Lachesis, filha da Necessidade: Alma efêmeras, vós ireis começar uma nova carreira e renascer na condição mortal. Não será jamais um gênio que vos determinará a sorte, sereis vós mesmas que escolhereis o vosso gênio. Que a primeira designada por sorteio escolha em primeiro lugar a vida à qual será ligada pela necessidade. A virtude absolutamente não tem mestre; cada uma de vós, conforme a honre ou a desdenhe, tê-la-á ou mais mais menos. A responsabilidade pertence àquele que escolhe. Deus não será em absoluto o responsável". (Platão, 4 tomo, República, 617e).
Em seguida, o hierofante deita a sorte para que cada qual obtenha o devido lugar na escolha do seu destino. Depois disso ele expõe diante das almas ali presentes os modelos de vida, em número muito superior ao dos candidatos.
Escolhidos os tipos de vida desejados, todas aquelas almas dirigiram-se a Lachesis, na ordem que se lhes fixara por sorte, Lochesis deu a cada uma o gênio que fora preferido, para sentir-lhe de guardião durante a existência e fazer cumprir seu destino.
Depois os respectivos gênios as conduziram a Clotho, o qual, sob o turbilhão do fuso, fixou o destino de cada uma. Em seguida, passaram pela trama de Atropos, para tornar irrevogável o que foi fixado por Clotho. Então, sem retornar, cada alma passou sob o trono da Necessidade; e quando todas se reuniram deo outro lado, seguiram para a planície do Lethes, onde faz um calor terrível que queima e sufoca, porque essa planície é nua e desprovida de vegetação.
Chegada a tarde, aquelas almas acamparam às margens do Rio Ameles, cuja água não pode ser colhida por nenhum vaso. Cada alma é compelida a beber certa quantidade daquela água. Devido à sede, muitas bebem mais do que se deve. Mas, bebendo-a perde-se a lembrança de tudo, sobrevém o esquecimento do passado. Er não bebeu daquela água: haviam-lhe proibido de fazê-lo, pois deveria conservar a memória de tudo o que testemunhara, para relatar aos seus companheiros, mais tarde.
Dessedentadas, as almas procuram dormir para descansar. Porém, em meio à noite, um súbito estrondo se fez ouvir, seguido de um terremoto. Cada alma foi repentinamente lançada em uma direção diferente nos espaços superiores, rumo ao lugar de seu renascimento, e tombaram sobre a Terra como estrelas cadentes.
Quanto a Er, sua alma retornou ao corpo que se achava sobre a pira prestes a ser cremado, despertou e logo relatou aos seus companheiros a sua excitante aventura.

ORIENTE E OUTROS POVOS
As religiões predominantes na Índia são o Hinduismo forma moderna do Brahmanismo, e o Jainismo. que segue as diretrizes de Mahavira (540 a.C.]. Ambas são reencarnacionistas.
Outra religião muito difundida no Oriente é o Buddhismo, fundada por Siddartha Gautama - o Buddha (560-480 a.c.] -que nasceu em Kapilavastu, Índia, nas faldas (sopé) do Himalaia, e pertencia à tribo dos Sákias.
A reencarnação e a lei do Karma constituem os postulados básicos do Buddhismo, O objetivo primacial da "Doutrina Buddhista" consiste na libertação do Samsara círculo vicioso das reencarnações sucessivas mediante a prática das virtudes prescritas na 4ª, Nobre Verdade Ariyo Atthangiko Maggo ou o nobre caminho das oito sendas.
O Buddhismo tem uma enorme difusão. Os principais países onde ele floresce há muitos anos são: Índia, Ceilão, China, Vietnã, Coréia, Japão, Birmânia, Tibet, Camboja, Indonésia, Mongólia e Tailândia.
Mencionaremos apenas de passagem mais outros povos e religiões que aceitam a crença na reencarnação. Pérsia - hoje Irã; Zoroastrismo, ou Mazdeísmo, fundado por Zoroastro (500 a.C.), cujo livro sagrado é o ZendAvest, ensinava a reencarnação.
Os Celtas, Druidas e Teutões eram reencarnacionistas quando Cesar os encontrou.
Na Inglaterra, a Feitiçaria ensinava a reencarnação, antes do advento do Cristianismo.
Na França, os Cátharos (Século XI e XII d.C.) aceitavam a crença na reencarnação.
Na Africa, os Bagongos e Bassongos, bem como outras tribos localizadas próximo do Rio Congo, não só crêem na reencarnação, como fazem referência às marcas-de-nascença reencarnatórias ("birthmarks").
No Alasca, os índios Tlingit e os Esquimós são reencarnacionistas, O mesmo se dá com os Peles-Vermelhas Winnibagos e os índios Chippeway. Outros países como a Turquia e o Líbano possuem grande número de Drusos, os quais aceitam a reencarnação como crença religiosa. (Stevenson, 1966).

JUDAÍSMO E CRISTIANISMO
Os antigos judeus admitiam o renascimento. A Cabala ensina a reencarnação.
Flavius ]osephus [37 a 95 a.D.). intelectual e historiador judeu, em sua famosa obra De Bello Judaico, faz a seguinte advertência aos soldados judeus que preferiam desertar, suicidando-se:
"Não vos recordais de que todos os espíritos puros que se encontram em conformidade com a Vontade divina vivem nos mais humildes dos lugares celestiais, e que no decorrer do tempo eles serão novamente enviados de volta paro habitar corpos inocentes? Mas que as almas daqueles que cometem suicidio serão atiradas às regiões trevosas do mundo inferior" (Josephus, 1910).
No velho e novo Testamentos há várias passagens em que se notam alusões à crença na reencarnação, cultivada pelos primitivos adeptos do Judaísmo e do Cristianismo, Ei-las: Velho Testamento: Job, 1:21: Jeremias, 1:5; Malachias; 1:2-3, Novo Testamento: Matheus, X1:7-15; XVI:13-14, XVII:10-13: Marcos. VIII:27-28, IX:11-13: Lucas, 1:17, VII:24-28, 1X:18-19: João:1-13, VII:56-58. IX:1-3: Efésios, 1:3-5,
Nem todas as descobertas empíricas ou teóricas foram imediatamente aceitas e incorporadas ao sistema dominante dos conhecimentos científicos. Pelo contrário, algumas chegaram a ser energicamente combatidas.
A reencarnação evidentemente é uma das crenças mais antigas da humanidade. Ela parece apoiada nos fatos observados empiricamente pelos nossos antepassados, em todos os tempos e lugares.
Entretanto, somente agora, ela começa a conquistar o título de verdade científica e a ganhar o seu reconhecimento como LEI NATURAL.
Cremos que a maioria das pessoas admitirá a suma importância desse fato, talvez o mais significante no que concerne à natureza do homem e à sua destinação dentro do contexto cósmico.

Hernani. G. Andrade
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:04

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