Terça-feira, 27 de Abril de 2010

REENCARNAÇÃO

O delegado João Alberto Fiorini vem fazendo um trabalho exemplar de pesquisa científica na área da reencarnação, coletando casos e evidências em todo o país, e submetendo-as a análise criteriosa.

O delegado João Alberto Fiorini – cujo trabalho foi apresentado na edição anterior de Espiritismo & Ciência – continua desenvolvendo seu trabalho de pesquisa científica na área da reencarnação, levantando uma série de casos que, na pior das hipóteses, representam enigmas interessantes e que merecem maior atenção.

Já apresentamos a linha principal dessa pesquisa, e agora vamos observar mais de perto alguns dos casos com os quais o pesquisador entrou em contato.

Fiorini se envolveu numa série de investigações, a princípio tentando identificar impressões digitais de seres encarnados com as impressões daqueles que já desencarnaram. Ele está convicto de que será impossível encontrar duas impressões exatamente iguais, mas as possíveis semelhanças encontradas podem indicar um caminho interessante para a pesquisa.

Da mesma forma, outros sinais corpóreos – como marcas de nascença e outros traços marcantes – podem ser uma indicação segura para a pesquisa de reencarnação.

Nesse sentido, o delegado levantou alguns casos interessantes, nos últimos meses. Um desses casos ocorreu em Alagoas – os nomes dos envolvidos não serão citados – e envolve o senhor J., desencarnado em 1997, e seu neto, nascido em 1999. O pai da criança resolveu entrar em contato com Fiorini devido a um sonho que teve. No sonho, apareceu-lhe um velho amigo de seu pai, e ele aproveitou para lhe perguntar sobre seu genitor. A resposta foi que o senhor J. “estava se preparando para voltar”, ou seja, reencarnar. Nessa época, sua esposa sequer estava grávida.

Alguns dias depois, sua irmã também teve um sonho no qual uma voz lhe avisava que “o próximo a nascer na família será o senhor J.”. A criança nasceu na data referida, e apresentou alguns sinais interessantes que podem, de fato, indicar um caso de reencarnação.

Quando o senhor J. tinha cerca de 18 anos, sofreu um acidente com uma espingarda de chumbo para caça, que disparou em sua mão direita. Apesar dos chumbos terem sido retirados, um permaneceu na junta do polegar direito, provocando uma deformação, que ele sequer se incomodou em tentar corrigir.

Mais tarde, já em idade avançada, tentou uma cirurgia – sem sucesso – de modo que seu polegar ficou permanentemente curvado para a palma da mão. O que chamou a atenção de todos foi que, alguns meses após o nascimento da criança, ficou comprovado que ela apresentava a mesma característica que o avô no polegar direito, ou seja, este era levemente curvado para a palma da mão.

Outro detalhe também chamou a atenção de Fiorini ao investigar o caso. Antes do senhor J. falecer, ele teve um aneurisma cerebral, do lado parietal esquerdo do cérebro, o que paralisou todo o lado direito do corpo. Seu neto apresenta sinais de ser canhoto, o que levanta a possibilidade de que o aneurisma tenha influenciado o perispírito. Claro que isso não comprova um caso de reencarnação, mas é mais uma evidência que vem se somar às demais levantadas.

DIGITAIS

Na linha das impressões digitais, João Alberto Fiorini também teve acesso a um caso no Ceará, envolvendo a senhora M.L., desencarnada em 1989, e sua possível reencarnação, o menino J.V., nascido em 1999. Nesse caso, as impressões digitais das duas pessoas foram colhidas e submetidas a exame datiloscópico.

A história chegou ao conhecimento de Fiorini por meio de um grupo espírita cearense, e teve início quando a jovem F.A., que vivia na companhia de uma família desde sua infância, ficou grávida. As pessoas da família ficaram surpresas, entendendo que aquele ser não estava para vir ao mundo por acaso, mas por determinação espiritual.

O passo seguinte, portanto, foi ter acesso aos irmãos instrutores espirituais e solicitar informações a respeito da situação. A resposta deles foi que se tratava, na verdade, da reencarnação da citada senhora M.L., também relacionada à família, e que havia desencarnado há poucos anos. Essa senhora teria uma necessidade de se reajustar com a Lei Divina e, dessa forma, renasceu em um corpo masculino, pois somente assim poderia cumprir adequadamente sua missão.

Uma primeira avaliação das impressões digitais foi realizada, constatando-se que elas são do mesmo padrão. O delegado Fiorini também apresentou as digitais para uma avaliação independente da primeira, e o resultado foi que elas “apresentam coincidências em seu tipo fundamental”, ou seja, têm o mesmo padrão datiloscópico. O perito também comprovou que tanto a desencarnada quanto o encarnado possuem o mesmo número de linhas − doze − nas digitais.

Mais uma vez, é preciso que se diga que não se trata de uma comprovação científica de reencarnação, mas sim, de mais uma evidência levantada nesse sentido. Fiorini destacou que é impossível existir duas impressões exatamente iguais, mas as semelhanças podem ser significativas, e esse trabalho de coletar casos semelhantes vem se somar ao de outros pesquisadores, como o dr. Hernani Guimarães Andrade, e o dr. Ian Stevenson, que há anos vem coletando relatos de crianças que falam sobre vidas passadas, em todo o mundo.

MARCAS NO CORPO

Fiorini foi convidado por uma família de Avaré, São Paulo, para investigar um caso que teve origem em 1971. Na época, um homem de 31 anos de idade foi vítima de um disparo acidental de arma de fogo, vindo a falecer. A família disse que, após vinte anos, ele teria renascido como seu neto, e que existiam fortes indícios nesse sentido.

“A partir daí”, diz João Alberto, “passei a efetuar várias perguntas de praxe, além de estudar minuciosamente o inquérito policial, bem como suas peças complementares como certidão de óbito, auto de levantamento de cadáver, laudo de exame de corpo de delito, auto de exame do instrumento do crime e, por fim, um exame cardiológico chamado de ecocardiografia, o qual muito me chamou a atenção”.

Pelo exame do auto de levantamento de cadáver, Fiorini percebeu que o calibre da arma em questão era 6.35mm. Coincidentemente, o exame cardiológico da criança apresentava uma fissura interventricular medindo 6mm no ventrículo esquerdo do coração. Ou seja, o calibre da arma era quase o mesmo da fissura no coração. Posteriormente, a criança, que hoje já tem 11 anos, faria uma cirurgia de correção para fechar o orifício interventricular.

Mais que isso, Fiorini também solicitou um exame datiloscópico das impressões do falecido e da criança, e o resultado foi que as impressões eram quase idênticas, de tal forma que foram necessários vários dias para se encontrar pequenas diferenças entre elas. “Não tive mais dúvidas”, diz Fiorini. “Estava diante de uma situação com fortíssimas evidências de reencarnação, embora o tempo de intermissão fosse de vinte anos”.

Inicialmente, o caso foi tido como de um suicídio, mas no relatório da autoridade policial, é dito que a esposa da vítima é de opinião que ocorreu um disparo acidental da arma, uma vez que, na oportunidade, o marido não apenas estava calmo como também fazia planos para o futuro, pensando em adquirir a casa onde residiam.

Esses casos podem somar-se a uma série de outros semelhantes, acumulando evidências fortes no sentido de comprovar a reencarnação, desde que sempre analisados com o critério científico rigoroso proposto pelo delegado João Alberto Fiorini.

COMPROVANDO A REENCARNAÇÃO

Ainda não foi possível comprovar a reencarnação através das impressões digitais, mais a excelente idéia já esta sendo aproveitada por João Alberto Fiorini e, em breve, é possível que tenhamos novidades nesse campo.

As técnicas para se investigar e comprovar possíveis casos de reencarnação já são conhecidas no meio espirita . Nos últimos anos, João Alberto Fiorini, delegado de Polícia atuando na Agência de Inteligência do Paraná, vem desenvolvendo um novo método, especialista em impressões digitais, ele entende que é possível confirmar um caso de reencarnação utilizando essa forma de pesquisa cientifica.

Esse caminho começou a ser seguido em 1999. Na época, João Alberto se recuperava de uma cirurgia realizada em São Paulo e teve a oportunidade de ler um artigo publicado num jornal, em 1935, escrito por Carlos Bernardo Loureiro. A matéria foi reproduzida no jornal da Federação Espirita do Estado de São Paulo e se referia a um menino que já havia falecido há dez ou quinze anos. O autor da matéria era um dos grandes estudiosos do assunto na época e gostava de comparar impressões digitais.

Fiorini sabia que não é possível existirem duas impressões digitais iguais, mas ainda assim, ele levou a sério e resolveu estudar mais : fazer uma pesquisa para saber se não haveria qualquer possibilidade de se encontrar duas impressões semelhantes.

" Eu já era Espírita " , explica João Alberto , " mais ainda não tinha feito qualquer pesquisa cientifica ".

"A partir daí, comecei a fazer um estudo profundo sobre impressões digitais pesquisando tudo o que poderia existir em livros brasileiros e norte-americanos na área da medicina ".

A pesquisa levou-o a conversar com membros do conselho de dermatologia do Paraná e a conhecer o trabalho do Dr. Agnaldo Gonçalves, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Assim ficou sabendo porque as pessoas tem impressões digitais, impressões palmares e as linhas nas mãos e nos pés.

Em seu livro " Anais Brasileiros de Dermatologia ", o Dr. Gonçalves diz que os desenhos formados nas mãos e pés estariam ligados a genética, variando de mão para mão, de raça e de sexo . " Se você verificar as impressões digitais das mulheres ", informa Fiorini " vai ver que ela tem uma tendência maior à presilha, que é um tipo de desenho " . Mas uma parte da formação dessas linhas – e não se sabe quanto ao certo – pode estar relacionada aos movimentos do feto no útero.

Mesmo no caso dos gêmeos univitelinos, as impressões digitais são diferentes".

PESQUISA

Segundo uma pesquisa realizada anteriormente em Cambridge, Inglaterra, Fiorini também observou as digitais de homossexuais. O estudo inglês havia mostrado que os homossexuais apresentavam características de impressões no polegar direito que se aproximavam das características femininas. Com uma pesquisa realizada principalmente com travestis, o pesquisador brasileiro comprovou que as digitais apresentavam a presilha de uma digital feminina, conhecimento que serviu para seus estudos posteriores.

O normal é que os homens não apresentem a presilha, mais sim o verticilo, outro tipo de desenho. Então ele se perguntou, por que os homossexuais não teriam o verticilo. A situação não fazia muito sentido, cientificamente falando. Ele também observou as digitais de mulheres criminosas que deveriam apresentar presilha.

Mas, ao estudar os sinais, percebeu que a incidência maior era o verticilo – a característica masculina . "Isso me surpreendeu muito " diz Fiorini " e comecei a ver nas impressões digitais algo a que as pessoas não deram muita importância, como se não tivesse interesse científico".

Vendo pelo lado espiritual, explica Fiorini, uma pessoa ao desencarnar, fica de 0 a 250 anos no plano espiritual. Em outras palavras, ela tanto pode reencarnar rapidamente, quanto pode demorar um tempo mais longo; mas, o mais comum é que essa reencarnação ocorra dentro de um período de 40 a 70 anos. Se imaginarmos que uma mulher morre e retorna rapidamente em mais ou menos dois anos, porém ocupando o corpo de um homem, ela virá então trazendo ainda as características femininas. Assim, segundo João Alberto, a questão envolvendo homossexualidade nada tem a ver com desvio de personalidade como muitas pessoas ainda insistem em dizer, mas esta relacionada com a vida anterior e com o fato da reencarnação ocorrer muito próxima . "Eu cheguei a essa conclusão " ele conta. "Eu sou o único que está levando a pesquisa para esse lado. O Dr. Hernani Guimarães Andrade também já pesquisou, mas ele fala apenas do tempo de intermissão. "Eu vou além, entendendo que essas impressões digitais não se alteram quando o espírito reencarna".

METODOLOGIA

A seqüência lógica dos estudos e pesquisas do Dr. João Alberto Fiorini foi entrar em contato com o Dr. Hernani Guimarães Andrade, Presidente do Instituto de Pesquisas Psicobiofísicas - em Bauru São Paulo - a quem Fiorini considera um dos maiores cientistas do mundo em assuntos de reencarnação. Ele também é um nome muito respeitado por parapsicólogos, não apenas do Brasil, mas de todo o mundo.

Outro ponto de apoio para suas investigações foi o exaustivo trabalho do Dr. Ian Stevenson, que já investigou mais de três mil possíveis casos de reencarnação.

Baseando-se em depoimentos de crianças, Stevenson (de reputação internacional) começou a coletar depoimentos de crianças de todas as partes do mundo, sempre que elas se referiam a sua existência numa encarnação anterior.

Stevenson e sua equipe coletavam esses depoimentos, arrumavam as informações que as crianças forneciam sobre suas possíveis vidas passadas e iam ao local em que elas teriam vivido para comprovar ou não essas informações.

Os resultados obtidos foram tão impressionantes que grande parte da comunidade cientifica ficou abalada em suas convicções e noções, até então restritas sobre o tema reencarnação.

A pergunta que o Fiorini fez ao Dr. Hernani foi se era possível um espírito retornar com a mesma digital. Ele respondeu que acreditava ser possível, se a pessoa volta com marcas, sinais, cicatrizes e até mesmo doenças, por que não com as mesmas impressões digitais ?

Conversando com ele, estabeleceu um método de pesquisa que consiste em procurar crianças, geralmente entre quatro anos de idade, que tenham o costume de afirmar que viveram em outro lugar, em outra época, que tiveram determinado tipo de ações ou conheceram certas pessoas. Isso ocorre pelo fato do perispírito dessas crianças não estar adaptado ao corpo somático, adaptação que só irá ocorrer aos sete anos. Se o tempo de intermissão for muito curto - geralmente no Brasil essa reencarnação se dá de dois até oito anos – essas crianças começam a falar sobre suas vidas passadas.

Fiorini recomenda aos pais de filhos pequenos – com até cerca de oito anos de idade – que fiquem atentos às informações que essas crianças fornecem sobre suas supostas vidas anteriores. Sempre que não se force a criança a falar sobre o assunto, mas que anote detalhadamente toda e qualquer informação que ela "deixe escapar".

Ocorre que as crianças, até essa idade, ainda estão muito ligadas ao mundo espiritual de onde vieram – explica o perito – Portanto, as lembranças de suas vidas anteriores ainda estão muito vivas em seu consciente. Com o passar do tempo essas lembranças vão se apagando do consciente e transferindo-se para o inconsciente.

Ele sugere, ainda, que nos casos em que se desconfie que uma criança seja reencarnação de determinada pessoa conhecida, que se busque reunir o maior número possível de evidencias: foto, fichas médica e dentária, e - principalmente - documentos em que constem as impressões digitais do falecido.

Gilberto Schoereder
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 14:40

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Sábado, 24 de Abril de 2010

QUE VOSSA MÃO ESQUERDA NÃO SAIBA O QUE DÁ A DIREITA

 

Mais uma vez torna o Evangelho ao seu tema central - a caridade - expressão ativa do amor ao próximo. Toda religião, toda moral encontram-se encerradas nos dois preceitos: "Amemo-nos uns aos outros e façamos aos outros o que quereríamos que nos fizessem". Se e quando esses preceitos viessem a ser seguidos, a Terra se transformaria num recanto de paz e felicidade, aspiração até agora inatingida justamente porque o egoísmo e a agressão mútua, nas suas mais variadas formas, comandam o comportamento dos homens.

 

A caridade se revela no seu nível mais profundo, como instrumento essencial da evolução, quando é vista como um ato que deve ser praticado sem ostentação, sem visibilidade, como é dito: quando deres uma esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita. Aqueles que trombeteiam a sua benemerência, para serem honrados pelos homens, já recebem sua recompensa através da glória terrena, não lhes restando créditos onde mais importa, que é no mundo espiritual que a todos aguarda. A esmola, pois, deve ficar escondida, pois o Pai que está no Alto vê o que se passa em segredo e dará a devida recompensa. Muito cuidado, porém, com a modéstia falsa, pois há pessoas que escondem a mão que dá, tendo o cuidado de deixar aparecer uma pontinha, reparando se alguém as vê escondê-la. Pior ainda é a situação moral daquele que faz pesar seus benefícios sobre o beneficiado, que lhe exige de qualquer maneira os testemunhos do reconhecimento.

 

Além da caridade material há a caridade moral que respeita a suscetibilidade do beneficiado, fazendo-o aceitar a ajuda sem ferir seu amor-próprio e preservando sua dignidade, porque é mais fácil aceitar um serviço do que uma esmola. A verdadeira caridade sabe encontrar palavras doces e afáveis, enquanto a caridade orgulhosa humilha o beneficiado. O sublime da verdadeira generosidaade está quando o benfeitor, invertendo os papéis, acha um meio de parecer ele mesmo agradecido àquele a quem presta o serviço.

 

Eis o âmago da questão. Essa atitude não é uma teatralidade para deixar bem o necessitado. Verdadeiramente, quem dá é mais beneficiado do que aquele que recebe. Dar ao próximo é o caminho específico de evoluir do egoísmo, da separação, para o nível mais alto da unidade com o Criador, que se manifesta nas suas criaturas. A senda da elevação conduz o ser humano do estágio do eu egoísta para a integração no amor ilimitado, no todo universal que é Deus.

 

Esta é uma concepção de extrema importância nos tempos atuais, quando a ajuda aos necessitados é uma função social, podendo ser atingida através de caminhos políticos que buscam alcançar uma estrutura social mais justa. A atitude individual da caridade clássica do século passado poderia parecer superada pele "welfare state", que é o Estado moderno provendo as necessidades dos cidadãos mais desfavorecidos. Estaria, assim, eliminada a razão de ser da esmola, da caridade, destinada a amparar os miseráveis, os deserdados, os doentes, os indigentes, as crianças desvalidas, já que a sociedade pode encarregar-se dessas funções, no passado exercidas pelos indivíduos de bom coração.

 

Se a verdadeira caridade, no seu sentido mais profundo, consistisse apenas nesse tipo de assistência social, estaria à vista a solução dos problemas humanos. Mas o mecanismo da evolução terrena dá à caridade uma configuração muito mais complexa, já que a simples melhora das condições materiais não tem levado ao progresso moral da Humanidade, como pode ser observado nas nações mais prósperas.

A caridade, através de todas as suas manifestações, só é instrumento de evolução quando é uma expressão de amor incondicional ao próximo. Daí a atualidade do Evangelho de Kardec, mesmo quando ele exemplificava a caridade com ações individuais de assistência social, que hoje poderiam ser substituídas pela atuação mais completa do Estado. É óbvio que, ainda assim, resta um grande espaço para a ajuda material aos necessitados, por iniciativa das pessoas e instituições movidas pelo espírito de fraternidade.

 

"A caridade moral consiste em se suportar uns aos outros e é isto o que menos fazeis neste mundo inferior onde estais encarnados no momento", dizia significativa mensagem espiritual. E ainda em outra mensagem: "Podeis prestar caridade pelos pensamentos, palavras e atos". O essencial da caridade é a mudança de atitude interior de cada um, que não se resume apenas no gesto exterior. O que esse gesto continuado de estender a mão ao próximo faz, é ir mudando os reflexos egoístas para uma nova postura íntima. Caridade é um exercício contínuo que vai condicionando a alma para elevar-se a planos mais altos, no caminho da aproximação com a Divindade. É esse verdadeiro "treinamento" do Espíriito, que torna a caridade mais importante para aquele que dá do que para aquele que recebe.

Na prática do bem, usa o homem o seu livre arbítrio, ou seja, pode deixar de praticá-la, mas receberá, por via da lei de causa e efeito, o retorno da inquietação, da infelicidade, pois Deus, na sua infinita solicitude, colocou no fundo dos corações uma sentinela vigilante a que chamamos de consciência.

 

As vozes dos Espíritos elevados exortam incessantemente os homens para a prática da caridade. Dizem: "Todos vós podeis dar. A qualquer classe que pertençais, tendes alguma coisa que podeis dividir. Seja o que for que Deus vos haja dado, deveis uma parte disso àquele a quem falta o necessário, porque, no lugar deles, estaríeis bem contentes se alguém viesse dividir convosco. Vossos tesouros da Terra ficarão um pouco menores, mas vossos tesouros no céu serão mais abundantes. Vós colhereis o cêntuplo do que houverdes semeado em benefício aí na Terra".

Baruch Ben Ari
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:36

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COMPORTAMENTOS ESDRÚXULOS

A criatura humana, pela sua procedência espiritual, está equipada de recursos que lhe facultam a crença natural na imortalidade da alma. Nela predomina o atavismo da fé espontânea, que lhe constitui recurso iluminativo, provendo-lhe de ânimo para a resistência a quaisquer adversidades e infortúnios, por sentir que a existência corporal é, sem dúvida, uma experiência educacional e não a realidade em toda a sua exuberância.No entanto, à medida que envereda pelos meandros do comportamento conflitivo, elabora mecanismos de resistências contra a sobrevivência, em inquietantes tentativas de aniquilar a vida, como, se dessa forma, se pudesse evadir por definitivo do sofrimento e das frustrações. Inconscientemente, rebela-se contra os impositivos da evolução, e, guindando-se ao prazer, gostaria que as sensações tivessem uma duração indefinida, longe de responsabilidades e esforços. Nesse momento, predominam-lhe as sensações e deixa-se iludir pelas falsas alegrias que desfruta. Toda a historiografia da vida é formada na evidência da imortalidade da alma, que sempre se tem feito presente em todos os fastos do pensamento, nos diferentes povos e épocas transatas. Apesar disso, o desejo do aniquilamento, para fugir dos defeitos dos atos, despertam-lhe um sentimento utópico de negação com o qual se debate nos variados sistemas que cria, para sustentar o conceito estranho do aniquilamento da vida.Compreende-se que indivíduos de formação acadêmica, trabalhados pelos fatos palpáveis dos seus laboratórios, invistam na consumpção do ser, quando cessam os fenômenos biológicos, procurando ignorar, por sistema e hábito, a premissa do espírito como ser causal, anterior ao corpo e a ele sobrevivente. Todavia, quando religiosos buscam apoio em doutrinas de investigação parapsicológica, chegando a conclusões excludentes da interferência dos seres espirituais na vida, essa conduta surpreendente é, pelo menos, esdrúxula, porque pregando a imortalidade com apoio na teologia da sua fé, recusam-se a aceitar os fatos que a comprovam, procurando explicações materialistas para todos os fenômenos paranormais, sem se concederem a possibilidade daqueles de natureza mediúnica.Esse comportamento disfarça os conflitos que pairam nas suas mentes e as profundas frustrações que lhes assinalam a existência que lhes parece inútil, já que direcionada para doutrinas que lhes não enriqueceram o coração, nem harmonizaram as aspirações da inteligência com as propostas dos sentimentos.

Assim também procedem as pessoas que se dizem vinculadas a doutrinas espiritualistas, assinaladas pela razão, que tiveram oportunidade de investigar os fenômenos paranormais e concluíram pela presença dos seres espirituais, no entanto, agem como se o corpo lhes fosse o único bem de que dispõem, permitindo-se extravagâncias e excentricidades, quando não se entregam ao uso desordenado dos recursos do prazer, que os consomem. Além disso, quando não se permitem os mecanismos de autodestruição, agem contrariamente aos postulados imortalistas, que trabalham o caráter do ser dulcificando-o, desenvolvendo-lhe os sentimentos superiores da tolerância, da compreensão das dificuldades e limites das outras pessoas. Têm, esses que assim se conduzem, atitudes arrogantes, prepotentes, exibicionistas, agindo, sempre que possível, de forma contrária aos cânones espirituais de elevação. Mesmo quando se dedicam ao trabalho de transformação moral para melhor, impõem sua forma de ser, estabelecendo normas que seguem, certamente, mas que desejam transformarem método de comportamento para os demais.É sempre estranhável o comportamento do indivíduo que se diz espiritualista em geral ou espírita em particular, quando extrapola os limites do respeito aos direitos alheios, ou se torna fiscal impiedoso do seu próximo.A visão da imortalidade trabalha o íntimo do indivíduo, ensejando-lhe a superação dos instintos primitivos que o agrilhoam à inferioridade, promovendo-o a degraus mais elevados na escala do progresso.A certeza da transitoriedade orgânica faculta uma preparação continua para a vida futura, auxiliando no desapego dos bens do mundo, mas também dos tesouros do orgulho e das vaidades de toda ordem, que cedem lugar à humildade de reconhecer-se como aprendiz da vida em constante aprimoramento.A descrença tem as suas vantagens que se caracterizam pela acomodação à indiferença pelo esforço de tornar-se melhor em conhecimento, em sentimento, deixando-se arrastar pela revolta contra os Códigos da Vida e encharcando-se de pessimismo, quando não de agressividade. A morte, porém, no seu périplo de visitar todos os seres, sempre chega e arrebata, convidando, então, às tardias reflexões entre revoltas e desesperos que se anestesiam nas futuras reencarnações silenciosas do sofrimento. São assim tratados todos aqueles que da vida, somente esperam recompensas e tripudiam sobre os elevados sistemas de preservação dos valores espirituais. Agindo insensatamente, embora as advertências que lhes chegam de todo lado, estabelecem os ditames do porvir, a eles submetendo-se para aprender a progredir, já que, incursos no programa da imortalidade, não se podem evadir de si mesmos nem do infinito curso da evolução.

Merece ainda anotação, o comportamento particular das pessoas que apelam para a negação, quando indagam: - Consideremos que haja um processo de evolução. E quando se atinge esse estado, que se passa a fazer; que acontece?Acostumadas a tudo definir, a tudo limitar, pretendem de um golpe alcançar a finalidade máxima da vida e entender o que seja perfeição nos parâmetros dos seus particulares conceitos de finalismo, de gozo, de realização interior.Adaptadas ao imediatismo da sensação, encontram-se distantes do significado da harmonia em considerando-se que os seus objetivos são tormentosos momentos de exaustão pelos sentidos, não possuindo sensibilidade para detectar as emoções superiores do êxtase, da elevação psíquica, das paisagens imateriais dos mundos transcendentes, onde não existem a dor a frustração, a morte, as ausências...Todos aqueles que se propõe sempre a negar a imortalidade da alma, procurando demonstrar que a vida material sintetiza a realidade do existir; enfrentarão, naturalmente, o próprio despertar além das sombras angustiantes dos processos de fixação perturbadora, a que se deixaram conduzir.Poderoso, inevitável, o tempo acompanha o de perecimento de tudo e de todos, as suas transformações, decadências, glórias e vicissitudes, até o momento da morte, quando abre os painéis da vida exuberante, inalienável, propondo novos cometimentos e realizações futuras, em nome da Harmonia, da Beleza que predominam no Universo.

Vianna de Carvalho (espírito)
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

COMO REENCARNAMOS

 

     Todas as almas que não puderam libertar-se das influências terrestres devem renascer neste mundo para trabalharem em seu melhoramento; é o caso da imensa maioria. Como as outras fases da vida dos seres, a reencarnação está sujeita a leis imutáveis. O grau de pureza do perispírito e a afinidade molecular que determina a classificação dos Espíritos no espaço fixam as condições da reencarnação. Os semelhantes atraem-se. É em virtude desse fato, dessa lei de atração e de harmonia que os Espíritos da mesma ordem, de caracteres e tendências análogas aproximam-se, seguem-se durante múltiplas existências, encarnando conjuntamente e constituindo famílias homogêneas.

     Quando chega a ocasião de reencarnar, o Espírito sente-se arrastado por uma força irresistível, por uma misteriosa afinidade, para o meio que lhe convém. É um momento terrível, de angústia, mais formidável(1) que o da morte, pois esta não passa de libertação dos laços carnais, de uma entrada em vida mais livre, mais intensa, enquanto a reencarnação, pelo contrário, é a perda dessa vida de liberdade, é um apoucamento(2) de si mesmo, a passagem dos claros espaços para a região obscura, a descida para um abismo de sangue, de lama, de miséria, onde o ser vai ficar sujeito a necessidades tirânicas e inumeráveis.  Por isso é mais penoso, mais doloroso renascer que morrer; e o desgosto, o terror, o abatimento profundo do Espírito, ao entrar neste mundo tenebroso, são fáceis de conceber-se.

     A reencarnação realiza-se por aproximação graduada, por assimilação das moléculas materiais ao perispírito, o qual se reduz, se condensa, tornando-se progressivamente mais pesado, até que, por adjunção(3)  suficiente de matéria, constitui um invólucro carnal, um corpo humano.

     O perispírito torna-se, portanto, um molde fluídico, elástico, que calca(4) sua forma sobre a matéria. Daí dimanam as condições fisiológicas do renascimento. As qualidades ou defeitos do molde reaparecem no corpo físico, que não é, na maioria dos casos, senão imperfeita a grosseira cópia do perispírito.

     Desde que começa a assimilação molecular que deve produzir o corpo, o Espírito fica perturbado; um torpor, uma espécie de abatimento invadem-no aos poucos. Suas faculdades vão-se velando uma após outra, a memória desaparece, a consciência fica adormecida, e o Espírito como que é sepultado em opressiva crisálida.

     Entrando na vida terrestre, a alma, durante um longo período, tem de preparar esse organismo novo, de adaptá-lo às funções necessárias. Somente depois de vinte ou trinta anos de esforços instintivos é que recupera o uso de suas faculdades, embora limitadas ainda pela ação da matéria; e, então, poderá prosseguir, com alguma segurança, a travessia perigosa da existência.

     O homem mundano chora e lamenta-se à beira dos túmulos, essa porta aberta sobre o infinito. Se estivesse familiarizado com as leis divinas, era sobre os berços que ele deveria gemer. O vagido do recém-nascido não será um lamento do Espírito, diante das tristes perspectivas da vida?

     As leis inflexíveis da Natureza, ou, antes, os efeitos resultantes do passado, decidem da reencarnação. O Espírito inferior, ignorante dessas leis, pouco cuidadoso de seu futuro, sofre maquinalmente a sua sorte e vem tomar o seu lugar na Terra sob o impulso de uma força que nem mesmo procura conhecer. O Espírito adiantado inspira-se nos exemplos que o cercam na vida fluídica, recolhe os avisos de seus guias espirituais, pesa as condições boas ou más de sua reaparição neste mundo, prevê os obstáculos, as dificuldades da jornada, traça o seu programa e toma fortes resoluções com o propósito de executá-las. Só volta à carne quando está seguro do apoio dos invisíveis, que o devem auxiliar em sua nova tarefa. Neste caso, o Espírito não mais sofre exclusivamente o peso da fatalidade. Sua escolha pode exercer-se em certos limites, de modo a acelerar sua marcha.

     Por isso, o Espírito esclarecido dá preferência a uma existência laboriosa, a uma vida de luta e abnegação. Sabe que, graças a ela, seu avançamento será rápido. A Terra é o verdadeiro purgatório. É precisam renascer e sofrer para despojar-se dos últimos vestígios da animalidade, para apagar as faltas e  os crimes do passado. Daí as enfermidades cruéis, as longas e dolorosas moléstias, o idiotismo, a perda da razão.

     O abuso das altas faculdades, o orgulho e o egoísmo expiam-se pelo renascimento em organismos incompletos, em corpos disformes e sofredores. O Espírito aceita essa imolação passageira, porque, a seus olhos, ela é o preço da reabilitação, o único meio de adquirir a modéstia, a humildade; concorda em privar-se momentaneamente dos talentos, dos conhecimentos que fizeram sua glória, e desce a um corpo impotente, dotado de órgãos defeituosos, para tornar-se um objeto de compaixão e de zombaria. Respeitemos os idiotas, os enfermos, os loucos. Que a dor seja sagrada para nós!

     Nesses sepulcros de carne um Espírito vela, sofre, e, em sua tessitura(5) íntima, tem consciência de sua miséria, de sua abjeção(6). Tememos, por nossos excessos, merecer-lhes a sorte. Mas, esses dons da inteligência, que ela abandona para humilhar-se, a alma os acharão depois da morte, porque são propriedade sua, e jamais perderá o que adquiriu por seus esforços. Reencontrá-los-á e, com eles, as qualidades, as virtudes novas colhidas no sacrifício, e que farão sua coroa de luz no seio dos espaços.

     Assim, tudo se apaga, tudo se resgata. Os pensamentos, os desejos criminosos têm sua repercussão na vida fluídica, mas as faltas consumadas na carne precisam ser expiadas na carne. Todas as nossas existências são correlatas; o bem e o mal se refletem através dos tempos. Se embusteiros e perversos parecem muitas vezes terminar suas vidas na abundância e na paz, fiquemos certos de que a hora da justiça soará e que recairão sobre eles os sofrimentos de que foram as causas. Resigna-te, pois, ó homem, e suporta com coragem as provas inevitáveis, porém fecundas, que suprimem nódoas e preparam-te um futuro melhor. Imita o lavrador, que sempre caminha para a frente, curvado sob um sol ardente ou crestado pela geada, e cujos suores regam o solo, o solo que, como o teu coração, é sulcado pela charrua destorroadora(7), mas do qual brotará o trigo dourado que fará a tua felicidade.

     Evita os desfalecimentos, porque te reconduzirão ao jugo da matéria, fazendo-te contrair novas dívidas que pesariam em tuas vidas futuras. Sê bom, sê virtuoso, a fim de não te deixares apanhar pela temível engrenagem que se chama conseqüência dos atos. Foge aos prazeres aviltantes, às discórdias e às vãs agitações da multidão. Não é nas discussões estéreis, nas rivalidades, na cobiça das honras e bens de fortuna que encontrarás a sabedoria, o contentamento de ti próprio; mas, sim, no trabalho, na prática da claridade, na meditação, no estudo concentrado em face da Natureza, esse livro admirável que tem a assinatura de Deus. (Léon Denis - Depois da Morte).

Notas do compilador: 1 - formidável = pavoroso; 2 - apoucamento = rebaixamento, humilhação; 3 - adjunção = ato ou efeito de juntar ou associar; justaposição de uma coisa a outra, formando ambas um todo; 4 - calca = comprime para tirar a cópia; 5 - tessitura = organização; 6 - abjeção = baixeza; 7 - destorroadora = arado que destrói os torrões de terra;

 

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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 03:15

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Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

AFABILIDADE, DOÇURA

 

"A benevolência para com os nossos semelhantes, fruto do amor ao próximo, origina a afabilidade e a doçura, que lhe são formas de manifestação. Entretanto, nem sempre é prudente confiar nas aparências: a educação e os costumes mundanos podem aparentar tais qualidades."

(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capitulo IX. Bem—aventurados os Brandos e Pacíficos. Item 6. A Afabilidade e a Doçura.)

Aí está a maneira prática de verificarmos, em nosso relacionamento social, se apenas nos servimos do verniz superficial, que o mínimo de educação nos ensina, ou se estamos verdadeiramente expressando, em nossas cortesias, a benevolência para com os semelhantes.

Precisamos desenvolver a afabilidade, não apenas no trato formal, mas em profundidade, interiormente.

Como vimos, a afabilidade e a doçura são manifestações naturais da benevolência para com as criaturas, resultantes do amor ao próximo. Amor ao próximo, portanto, é a questão a ser colocada sempre, em nossas relações com as pessoas.

Entendemos, assim, que é necessário valorizar, no nosso convívio social, cumprimentos, saudações, agradecimentos, votos e quaisquer expressões ditas formalmente em ocasiões que lhe são próprias, para aplicarmos o amor ao próximo, procurando, desse modo, sentir com o coração aquilo que pronunciamos em benefício de alguém.

Afável é aquele ser dedicado, cortês, agradável, benévolo, bondoso. Ter doçura, ou ser doce de coração, é aquele indivíduo que transmite brandura, suavidade, serenidade, meiguice, ternura.

Como cultivar a afabilidade e a doçura?

a) Examinando as emoções do nosso coração nas oportunidades sociais, esforçando-nos em transmitir amor através de nossos lábios;

b) Interessando-nos com discrição pelas pessoas recém-apresentadas, criando elos de simpatia, mesmo com aquelas mais fechadas ou rudes;

c) Ajudando sempre, com delicadeza, nos transportes ou na rua, as criaturas em dificuldade: cedendo lugar, facilitando passagem, carregando volumes;

d) Respeitando a aspereza do trato de alguém para conosco, com o silêncio tranquilo, com o olhar sereno, com o gesto bondoso;

e) Entendendo com ternura os aflitos que, ao nosso lado, se desesperam em situações difíceis, transmitindo-lhes encorajamento, proporcionando-lhes ajuda;

f) Perdoando com suavidade interior aqueles que nos ofendem, afastando, conseqüentemente, quaisquer lembranças desagradáveis ou resquícios de ódio;

g) Pautando nossa maneira de se dirigir aos auxiliares, em casa e no emprego, com benevolência e brandura, embora revestidas da necessária determinação;

h) Introduzindo no lar o hábito de falarmos baixo e com meiguice, mesmo quando transmitimos ordens a serem seguidas.

"Não basta que dos lábios emanem leite e mel, se o coração de modo algum lhes está associado, tratando-se tão-somente de hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura são fingidas, jamais se desmente. É o mesmo para o mundo ou na intimidade, e sabe que, se pode enganar os homens pelas aparências, não pode enganar a Deus."

Ney P. Peres
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 02:24

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Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

TIRADENTES - ÚLTIMOS MOMENTOS


Em bazófias próprias de mentes perversas, diziam os soldados na rua que o Tiradentes deveria ser morto de forma mais meritória, atado a um cavalo e marretassem-lhe peito, pernas e pés, para que tivesse uma agonia lenta e dolorosa. Se algum passante se atrevia a repostar1, ia logo curtir a cadeia. Os lusos atrevidos tinham ainda medo daquele homem acabado fisicamente, o alferes Xavier!

No oratório da cadeia, panos pretos e cruz pendente do altar, só estavam naquele dia 20 de abril de 1792 o Tiradentes, uns guardas, e dois frades, que o tentavam consolar. A um dado momento, pensando na sua vida de sacrifício e luta, embora contente por só ele ser o condenado à pena máxima, ainda repostou ao padre, com mágoa e ironia simples:

- A corda sempre rebenta pelo lado mais fraco!

Como se enganava o alferes. Nenhum de nós poderia ser mais forte do que ele naquele instante!

De madrugada, às quatro horas, após uma noite sem dormir, em pensamentos cheios de oração e dor, chegou-se ao alferes o barbeiro. Vinha cumprir o de praxe: raspou-lhe os cabelos e a barba. Em seguida, um meirinho tirou-lhe as roupas e fê-lo vestir a serapilheira2 branca, a alva dos condenados, cujas mangas eram cosidas nas extremidades, com cordas que se amarravam em nó. Foi ouvido, então, em confissão, por Frei Raimundo Penaforte, que lhe fez uma missa e ministrou-lhe a extrema-unção.

A Tiradentes nada daquilo parecia real. Talvez que Deus o condenasse, porque os homens haviam atingido tal fim, porque ele se houvera como voluntário para cortar a cabeça ao governador! - pensava cansado. No entanto, sabia que a morte não era o fim de tudo! Lembrava-se da lenda maçônica segundo a qual o herói vira estrela no céu! Sorria tristemente. Repostava ao frade por monossílabos!

Já raiava o dia 21 de abril de 1792, um sábado de sol esplêndido, sendo Portugal regido por D. Maria I, o vice-rei Dom Luís de Castro, conde de Resende. Logo mais seria executada a sentença. Assistiriam a execução os mesmos “marotos”, palavra ofensiva que os lusos detestavam, e que havia custado ao Victoriano Veloso os açoites ao redor da forca e a caminho da cadeia, o Silvério, o Parada e Souza, o Manitti, o Basílio Brito Malheiros. Dos traidores só o Pamplona não foi contemplado pelos “serviços” prestados à sua Real Soberana!
Vários corpos de Infantaria, um de Artilharia e um Esquadrão de Cavalaria da Guarda dos vice-reis, com duas companhias, se apressavam para guarnecer as ruas e a execução. A serviço da segurança do vice-rei e sua magistratura três batalhões de granadeiros...

Pela manhã, logo cedo estavam todos com seus fardamentos de gala, os cavalos com fitas cor-de-rosa nas crinas e mais nas espingardas e baionetas dos soldados. Os arreios de prata dos maiorais haviam sido polidos e brilhavam ao sol. As ruas do Piolho, da Cadeia, da Barreira de Santo Antônio e do largo de Lampadosa, onde fora erguida a forca descomunal, cujas traves se encontram no Museu da Inconfidência, foram visitadas por soldados. Deveriam guarnecer as janelas de colchas adamascadas, festões, rendas, para enfeitar aquela demonstração de força. Para espanto dos promotores da execução o povo acorreu às ruas. Ia a dar espórtulas aos padres que a pediam, segundo o costume, para as missas ao condenado. Era uma última homenagem, covarde embora, daqueles por quem o Tiradentes se propusera a lutar! O coronel José da Silva Santos, comandante do Regimento da Artilharia do Rio de janeiro, teria que guarnecer a forca, junto com os regimentos de Bragança e Moura, primeiro e segundo batalhão dos granadeiros, sob o comando do coronel José Vitorino Coimbra. Ironia cruel! Estes homens eram companheiros nossos, e inspirados pelo Plano Espiritual, sob o cego olhar das autoridades presentes guarneceram a forca, formando-se num gigantesco e humano triângulo, o mesmo símbolo da bandeira Inconfidente!

Às nove horas da manhã abriu-se o portão da cadeia, e com os padres da Irmandade da Misericórdia, que iam a rezar a prece de S. Atanásio, apareceu diante dos primeiros assistentes Tiradentes, vestindo a alva, com as mãos amarradas por grossas cordas. Dirigiu-se a ele o Galé3 Jerônimo Capitania, escolhido para a execução da sentença! Pediu ao Tiradentes que o perdoasse pelo que ia fazer, que a isto era obrigado.
Era costume fazê-lo, como a se aliviar do que tinha que cumprir.

Tiradentes ajoelhou-se diante do negro e beijou-lhe as mãos, repostando:

- Assim também o Meu Senhor morreu por meus pecados!

Jerônimo jamais esqueceria enquanto vivesse aquele condenado, que o haveria de ajudar, desde então. Curvada a cabeça do alferes, passou-lhe o baraço4 ao pescoço, seguindo à frente a puxá-lo. Nas mãos, os padres lhe puseram um crucifixo de dois palmos, o qual Tiradentes passou a olhar, para não mais pensar em ninguém e pedindo ao Cristo o ajudasse no derradeiro instante.

As cornetas soaram e a Companhia da Cavalaria abriu o séquito fúnebre, seguida de três meirinhos, que iam badalando sinos e repetindo a sentença para ciência dos assistentes. Várias Irmandades seguiam o cortejo: a do Rosário, dos Terceiros de São Francisco, do Santíssimo Sacramento, da Sé dos Beneditinos e Carmelitas, que havia recolhido minha Dalva, das Almas do Purgatório. Atrás Silva Xavier, o Tiradentes, seguido pelos irmãos de Santo Antônio e Santa Casa de Misericórdia. A alçada régia estava representada pelo escrivão, ouvidores, juízes-de-fora.

No prédio que me acolhera, bem como nos demais, ouvimos o toque das cornetas e sabíamos o que representava.

O trajeto era longo para ser feito a pé por um condenado. Tiradentes era provado por última vez. E seguiu, tendo por duas vezes olhado os céus. Alguns curiosos tiveram pena. Mulheres choravam e afastavam-se do lugar.

Assim que foram chegando os padres, os meirinhos e todos perto da Igreja de Lampadosa, ouviram de dentro um coral de vozes. Era o conta do amigo do Tejuco, o Mesquita Lobo, cantado por um coral de mulatos, o Domenica Palmarum. Tiradentes entendeu a mensagem muda. Logo mais viria o seu sacrifício, como o de Jesus, pelos seus irmãos, só que, por diferente havia ele sonhado com um reino neste Brasil, provera Deus lhe reservasse um lugar no outro Reino. Olhou para dentro, parando por uns instantes. No altar viu acesas velas. Formavam um perfeito triângulo. Sinal que, se ele morreria breve, as idéias de liberdade permaneceriam. Atrás de uma coluna julgou ver uma mulher e uma criança. Talvez Eugênia. O sol forte o impedia de ver direito na Igreja escura. Melhor não fosse ela, pobre mulher - pensou.
Seguiu adiante. Ao seu lado, acompanhando-o no derradeiro momento as entidades amigas5 ministravam-lhe conforto. Uma paz estranha o envolvia a poucos metros da forca que avistou adiante. Um entorpecimento, e uma alegria nova no coração. Era nisto a morte? A liberdade?

Diante da escada parou um instante. Frei Penaforte ajudou-o a galgar os vinte e quatro degraus. Diante de si viu a multidão e os guardas em seus uniformes. Não! Não se enganava! Era novamente o triângulo6 que tinha diante de si. Olhou para as autoridades. Seu pensamento se elevou aos céus, enquanto se ouvia um discurso encomendado ao padre, para lição à multidão presente.

- Seja breve, padre - pediu Tiradentes, baixando a voz.

O padre parou um instante. Tiradentes pensou que já não lhe poderiam negar falasse àquele povo porque iria morrer por aquele modo por ele. Com um coragem, abriu a boca para falar-lhes. A um sinal, o carrasco puxou a corda, atando-a à trave. Não lhe permitiriam aquele último recurso!

Frei José Maria do Desterro começou sua fala, condenando aqueles que fugiam à desobediência dos reis e seus ministros! Aproveitou para falar da sentença aos outros condenados, com o que pudesse fazer saber a todos os que ainda não soubessem, devido a amizade que tinha a alguns acusados. Por três vezes Tiradentes lhe pediu que terminasse a prédica. O Sol estava a pino. Pediu água e lhe deram, mas como que se lembrasse de pedido semelhante a um outro condenado à morte, a quem pedia coragem e perdão para os algozes, mal a pôde beber. Frei José começou a orar o Credo dos apóstolos, lentamente. Para que também se pusesse, por fim, pronto para aquele instante Tiradentes repetiu alto, para que as pessoas próximas ouvissem, palavra por palavra. Todos estavam magnetizados por aquele homem magro e abatido, cujo olhar espelhava uma força e resignação divinas. Amparado por forças invisíveis ao populacho e à tropa, seu espírito, meio liberto do corpo, pairava acima do solo, ligado por tênues fios ao corpo maltratado, impulsionando a fala. Tirou-lhe o carrasco o crucifixo das mãos. Quando a oração terminasse, teria que cumprir a sentença. Para que a multidão não visse a fisionomia do réu e este a de todos, amarrou-lhe aos olhos uma tira de bretanha preta.

Tiradentes, com os olhos mortais velado, começou a ver o triângulo da guarda radioso em luz, como se um Sol o centrasse!

- Delírios de condenado? - pensou e clamou em espírito: Jesus! Jesus! Jesus!

Descendo os últimos degraus Pe. José terminava a prece encomendada: “Na vida eterna!” Como se obedecendo a senha, Jerônimo puxou violentamente a corda, suspendendo o alferes no ar. Estertores convulsos sacudiam o corpo. Eram onze horas e vinte minutos do dia 21 de abril de 1792. Pulando sobre os ombros do condenado, balouçado pelo ar, Jerônimo Capitania apressava a morte do Tiradentes.

Vendo o triângulo de gentes alegres a saudá-lo, sentiu o alferes uma dor funda no pescoço e a sufocação. Seu corpo estava levantado, suspenso, como que desmaiava, e, no entanto, ouvia um coral cantando, cantando o Te Deum. O centro solar do triângulo tomava vida: Era o Cristo a lhe estender os braços. Queria falar, correr ao seu encontro, mas não tinha forças. Amparavam-no de cada lado Felipe7 e o romano Lício. Então a morte era assim? E de onde partiam aqueles longínquos ruídos?

Ouvia o Tiradentes, bem abafado, no outro Plano da Vida, o rufar dos tambores que finalizava sua execução e abafava qualquer voz de horror que o povo pudesse erguer.

Também nós o ouvimos e, sabendo-lhe a causa, choramos amargamente.

( Espírito Tomás Antônio Gonzaga - Médium: Marilusa Moreira Vasconcellos - Obra: Confidências de um Inconfidente). EDITORA RADHU


Notas do compilador:
1 - repostar = retrucar;
2 - serapilheira = pano de estopa grosseira, destinado à embalagem de fardos e à limpeza - tecido grosseiro com que os camponeses fazem seus trajes de serviço;
3 - Galé = pessoa escravizada a trabalho penoso e duro;
4 - baraço = corda fina, cordel - laço de forca - corda com que se enforcavam os condenados;
5 - Entidades amigas = Tomás refere-se aos Espíritos encarregados de acompanhar o desencarne de Tiradentes;
6 - Triângulo = Desenho triangular no qual está inscrita a expressão "Libertas Quae Sera Tamen" (liberdade ainda que tarde, ou tardia), divisa da Inconfidência Mineira, hoje lema do Estado de Minas Gerais. É parte de um verso latino do gênio da literatura latina e ocidental Virgílio (Publius Virgilius Maro, poeta latino (70-19 a.C);
7 - Felipe = Trata-se do Espírito de Felipe dos Santos Freire, que havia sido o chefe da revolta de 1720, em Vila Rica (Ouro Preto) contra a lei que instituiu no Brasil as casas de fundição e lançava novos impostos sobre a mineração de ouro. Foi preso e executado no mesmo ano, na mesma cidade de Vila Rica.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 22:44

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AS RELIGIÕES PRENDEM. A RELIGIOSIDADE LIBERTA

Mas é muito difícil libertar-se de condicionamentos milenares, por mais incoerentes que sejam.

Por isso estamos abordando estas questões com a coragem necessária, deixando cristalinamente claro que já é hora de se colocar cada coisa em seu devido lugar; despir a Bíblia dos véus de santidade e passar a vê-la em seus valores reais, aceitando o muito que tem de bom e ignorando o que esteja ultrapassado ou não sirva como alavanca para o nosso crescimento espiritual.

Nesse contexto e como resultado da mentalidade religiosa cristã em vigor, vamos encontrar o combate que muitos fazem ao Espiritismo, apegando-se a algumas passagens bíblicas, como é o caso de Deut. 18:10, em que se proíbe a consulta aos mortos.

Na verdade, os espíritas não consultam os mortos, mas realizam intercâmbio com espíritos, não para consultá-los mas para ajudar sofredores, tentar aplacar o ódio ou a sanha dos perseguidores e receber orientações e/ou mensagens dos espíritos superiores. Lembramos, a propósito, que o próprio Jesus conversou com os “mortos” Moisés e Elias, no episódio da transfiguração (Mateus 17:3).

Ainda, com relação à ordem de Moisés proibindo a consulta aos mortos, que diria se lhe apresentassem agora uma lei proibindo, sob pena de morte, pregar a independência do Brasil? Veria logo que ela teria sido promulgada no tempo em que o Brasil era colônia de Portugal. Seria ridículo alguém tentar cumpri-la, hoje. O mesmo ocorre com a maior parte das leis bíblicas.

Também é o caso de se perguntar: por que consideram apenas aquela proibição e não todas as demais? Dentre as centenas de determinações de Moisés, selecionaram apenas uma para servir de bandeira ao seu combate.

Os que pugnam pelo cumprimento dessa lei que proíbe consultar os “mortos”, teriam de cumprir também todas as demais, dentre as quais destacamos:

  1. Quem não for circuncidado, será morto (Gen. 17:14).
  2. Quem fizer qualquer trabalho no dia de sábado, será morto (Ex. 31:15).
  3. O filho desobediente morrerá apedrejado (Deut. 21:18,21).
  4. Quem se chegar a mulher casada, ambos morrerão (Deut. 22:22).
  5. Mulher que se casa sem ser virgem, morrerá apedrejada (Deut. 22:20/21).

?

O conhecimento espírita foi trazido por uma plêiade de espíritos superiores, sob orientação do Espírito da Verdade, aquele mesmo que foi prometido por Jesus, quando disse, em João 16:12: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora, mas quando vier o Espírito da Verdade, ele vos guiará a toda a verdade”, e em João 14:26, complementa: “... Ele vos ensinará todas as cousas e vos fará lembrar de tudo que vos tenho dito”.

Que coisas eram aquelas que Jesus deixara de ensinar, porque “não poderiam suportar”?

É claro que naquela época Ele não poderia dar explicações mais diretas e claras sobre reencarnação, lei de causa e efeito, vida após a morte etc., porque não O entenderiam, mas prometeu enviar o Espírito da Verdade, no devido tempo, para dizer toda a verdade e relembrar ao mundo os seus ensinamentos

Dizem algumas religiões cristãs que o Consolador, o Espírito da Verdade, teria vindo no Pentecostes. Mas no Pentecostes não se justificava alguém vir dizer toda a verdade, posto que Jesus já havia dito tudo o que a humanidade daqueles tempos poderia suportar, conforme Ele próprio afirmou. Além disso, naquele episódio não houve qualquer revelação. Também não havia motivos para alguém vir relembrar os ensinamentos do Mestre, porque estes estavam ainda muito vivos nas mentes e corações dos seus seguidores.

Mas no século XIX esses ensinamentos já estavam muito esquecidos pelos cristãos quando o Espírito da Verdade veio, através da mediunidade, relembrá-los, trazendo ainda todas aquelas informações e explicações que Jesus não pudera dar naquela época, quando não poderiam entendê-Lo. Agora, porém, em outros níveis de conhecimento e depois de tantos séculos de cristianismo a humanidade já estava madura para receber mais esclarecimentos sobre a vida, os mecanismos da evolução, o mundo espiritual, a mediunidade etc.

Também o título, Consolador, ajusta-se como luva ao Espiritismo. Há consolo maior que saber que os nossos entes queridos que morreram, não estão mortos mas vivos, continuando sua evolução numa outra dimensão de vida e que, eventualmente, poderão até mesmo comunicar-se conosco através da mediunidade? Há consolo maior do que saber que ninguém irá para o inferno sofrer pela eternidade afora; que os nossos entes mais caros, que “não aceitaram Jesus” nesta vida, não estão perdidos por causa disso? E aos que carregam terríveis pesos na consciência só pode haver consolo se informados de que poderão um dia consertar o mal que fizeram, nem que seja numa futura encarnação.

Quanto à reencarnação e à lei de causa e efeito (carma), elas explicam uma infinidade de porquês, principalmente as diferenças existentes entre as pessoas, não só em termos de sofrimentos e oportunidades, mas também de temperamento, natureza, grau de inteligência etc.

Ora, se acreditamos que Deus é sábio, todo-poderoso, justo e bom, não dá para entender porque faria uns nascerem com boa índole, sentimentos de religiosidade, conduta firmada na ética etc., sendo candidatos naturais ao Céu, e outros com má índole, desonestos, agressivos, perversos... perfeitos candidatos ao Inferno.

Impossível entender como alguém justo e bom, possa criar seres imperfeitos, com tendências negativas, inclinações para o mal, para depois atirá-los a sofrimentos eternos; arrancar dos braços das mães seus filhos pecadores para lançá-los no Inferno. Como essas mães iriam sentir-se no céu, sabendo que aqueles a quem mais amam estão nos mais tenebrosos sofrimentos, sem direito sequer a uma nova chance... e tudo isto pela eternidade a fora? Se um pai terreno jamais faria tão inconcebível atrocidade, como se pode imaginar que Deus o fizesse?

Também é inconcebível acreditar que um Deus justo e bom pudesse criar seres, fazendo-os nascerem, uns em condições míseras, limitados pela cegueira, surdez, paralisias, deformações as mais diversas e outras tantas causas de sofrimentos atrozes, enquanto outros nascem com saúde perfeita e em situações em tudo benéficas e favoráveis.

Na verdade, sem a chave da reencarnação, nenhum arranjo teológico será jamais capaz de explicar satisfatoriamente tantas diferenças no trato do Criador com suas criaturas.

Mas o conhecimento da reencarnação nos permite entender que somos hoje o resultado do que fizemos em vidas passadas; que Deus não nos castiga por nossos erros, mas os mecanismos das suas leis nos levam, através de situações adequadas, ao resgate das nossas culpas e aos aprendizados de que estamos precisando.

É bom lembrar também que nossa consciência tem as leis divinas impressas em seus registros, e é por isso que o ser humano traz em sua intimidade o conhecimento do bem e do mal. Sendo assim, nenhum tipo de perdão poderá acalmar uma consciência pesada. Só mesmo o resgate poderá aliviá-la.

Uma consciência culpada, mesmo que essa culpa esteja arquivada no inconsciente, quando o fato gerador ocorreu em alguma vida passada, atua como um núcleo de energismo específico que atrai situações de resgate. Então podemos entender porque tantas pessoas são portadoras dos mais diversos problemas e sofrimentos, em muitos casos, desde o nascimento. Podemos igualmente entender as questões afetivas, assim como, também, os casos de ojerizas e ódios gratuitos entre pessoas próximas, até mesmo entre pais e filhos. São espíritos endividados uns com os outros, em reencarnações de reajuste. E mesmo que não se lembrem desses porquês, eles estão presentes em seus inconscientes, muitas vezes como fatores meramente intuitivos.

E quanto às diferenças entre os seres, cada qual está vivenciando a realidade das suas necessidades de resgate, ou apenas de crescimento interior.

Assim, podemos amar Deus pela grandiosidade da sua sabedoria, a justiça com que rege a vida, e o amor cuja presença podemos sentir vibrando, desde a intimidade dos nossos corações, até a vida animal, e até mesmo a vegetal.

Mas a reencarnação e a lei de causa e efeito também estão na Bíblia. Jesus deixou isto muito claro, em várias ocasiões:

No episódio da transfiguração, depois que conversou com Moisés e Elias na presença de Pedro, Tiago e João, estes lhe perguntaram: “Por que dizem os escribas ser necessário que Elias venha primeiro?”. Ao que respondeu dizendo que Elias já viera, mas não o reconheceram. Então os discípulos entenderam que Ele falava de João Batista. Claro, Elias reencarnara como João Batista, cumprira sua missão e retornara ao mundo Espiritual, apresentando-se naquela ocasião em sua antiga forma, quando fora profeta do Antigo Testamento.

“Se puderdes compreender, ele mesmo (João Batista) é Elias que devia vir (Mat.11:14)”. Está claríssimo, João Batista era Elias reencarnado, o que ficou confirmado também em outros textos:

“Mas eu vos declaro que Elias já veio e fizeram-lhe tudo o que quiseram. Então compreenderam os discípulos que era de João Batista que lhes falava” (Mat. 17: 12 e 13).

“E Jesus perguntou aos seus discípulos: Quem dizem os homens que eu sou? E responderam: uns, João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou algum dos profetas” (Mat. 16:13 e 14).

Como poderia ser Jesus algum desses profetas do Antigo Testamento, a não ser pela reencarnação?

Já com Nicodemus, doutor da lei, o Mestre foi mais explícito:

“O que é nascido da carne, é carne; o que é nascido do espírito é espírito; não te admires de eu dizer: “Necessário vos é nascer de novo” (João 3:6).

Conforme Jaime Andrade, em seu livro O Espiritismo e as Igrejas Reformadas, também alguns “Pais da Igreja” acreditavam na reencarnação:

São Gerônimo afirmou que a “doutrina das transmigrações (reencarnações) era ensinada secretamente a um pequeno número, desde os tempos antigos, como uma verdade tradicional que não devia ser divulgada (Hyeron, Epístola ad Demeter).

Santo Agostinho escreveu: “Não teria eu vivido em outro corpo, ou em outra parte qualquer, antes de entrar para o ventre de minha mãe?” (Confissões, I, cap. VI).

Orígenes chegou a tecer judiciosas considerações sobre certos trechos da Escritura, que “atirariam o descrédito sobre a Justiça Divina, se não fossem justificadas pelos atos bons ou maus praticados em existências passadas”.

Também as pesquisas científicas sobre reencarnação têm avançado muito, deixando esses pesquisadores plenamente convencidos de que é ela, uma lei natural.

Poderíamos apresentar ainda centenas de argumentos dos mais fortes, para legitimar o conhecimento espírita, o que não caberia num trabalho como este. Mas podemos afirmar que essa Doutrina, mediante as informações sobre reencarnação e lei de causa e efeito, nos possibilita perder o temor a Deus, passando a amá-Lo conforme exortações de Jesus.

Assim, se pensarmos a questão religiosa com mais liberdade mental, sem preconceitos, podemos concluir que o futuro das religiões deverá estar na religiosidade e não nos formatos religiosos, mesmo porque está muito claro que não existe uma religião certa, verdadeira ou legítima, porque nas centenas de religiões existentes há sinceridade, há verdade, há Deus, mas com interpretações distintas. Não se pode então dizer que tal ou qual é a verdadeira. Todas representam parcelas da verdade e são de procedência divina, desde que sua meta seja a busca do divino e com ela, o crescimento interior do ser.

Essa diversidade de religiões é perfeitamente natural, porque atende a todos os gostos e a todos os tipos psicológicos.

A humanidade vai ganhar muito quando entender que a verdade está um pouco com todos e de forma plena, com ninguém, a não ser com o Criador.

Quanto ao Espiritismo, sem ser propriamente uma religião, tem as seguintes características:

  1. representa um leque de informações e esclarecimentos que convergem para a religiosidade, já que, pelo conhecimento das leis naturais, indica Deus como a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, e o que se possa entender como sendo a perfeição absoluta em todos os seus aspectos;
  2. tem como modelo, Jesus, e suas atividades são inteiramente gratuitas e direcionadas exclusivamente ao Bem;

  3. pugna pela ética e pelo amor posto em ação, ao entender que nesses valores estão os fundamentos da própria Vida e a ciência do bem-viver;
  4. ensina que não estamos precisando nos salvar, porque ninguém está perdido, mas sim, evoluir, conforme o Mestre exortou: “Sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai Celestial”, lembrando que essa perfeição será alcançada através das lutas, dores e alegrias, em incontáveis experiências ao longo das reencarnações;

  5. informa que a pátria espiritual, para a qual retornamos pelas portas da morte, representa um universo em outra dimensão de vida, tão vivo e tão dinâmico quanto o mundo físico; que ali há zonas inferiores, de muitos sofrimentos, habitadas pelos espíritos mais atrasados ou mais endividados com as leis cósmicas; outras intermediárias e ainda outras mais elevadas, verdadeiros paraísos de paz e felicidade; que a estadia dos espíritos em zonas inferiores tem conotação purgativa, podendo os mesmos serem de lá resgatados, em função de arrependimento sincero, ou para retornarem à matéria em nova encarnação, e que ali também habitam espíritos francamente votados ao mal, seres endurecidos e perversos, mas que esses também, um dia, arrependidos, poderão retomar sua caminhada evolutiva, em direção à Luz;

  6. é o Consolador prometido por Jesus, mostrando que nossos entes queridos não se extinguiram com a morte mas passaram para outra dimensão de vida e que podem, eventualmente, comunicar-se conosco através da mediunidade;
  7. estuda e conhece a mediunidade, aplicando-a na ajuda a espíritos sofredores, a pessoas necessitadas e para receber orientações e esclarecimentos dos espíritos benfeitores;
  8. não usa rituais, paramentos, nem materiais como velas, defumadores, imagens... por entender que o caminho para a Luz está em nossa vivência e não em atos exteriores;
  9. não adota práticas divinatórias como “baralho”, “jogo de búzios” e assemelhados, informando que os espíritos superiores não se prestam a solucionar problemas do cotidiano, posto que não são nossos empregados nem babás, mas sábios educadores trabalhando pela nossa evolução;

  10. também não realiza “trabalhos” como “desmanchas”, “abertura de caminhos” etc., mas ensina que a vivência no bem nos livra de inúmeros males;

  11. foi codificado por Allan Kardec na metade do século passado, através de perguntas respondidas por espíritos superiores, e essas informações continuam sendo pesquisadas por inúmeras universidades, estudiosos e cientistas, assim como profissionais da saúde em vários pontos do planeta, que as vêm confirmando uma a uma.

Jesus ensinou o código de conduta adequada a toda a humanidade, e a Doutrina Espírita esclarece quanto aos mecanismos da vida e da evolução. É a ciência espiritual que se entrelaça com a material, tanto que, até hoje esta última, apesar de pesquisá-la, testá-la e experimentá-la há mais de um século, jamais conseguiu desmentir uma só das suas teses.

Não há hierarquias no Espiritismo. Para que haver intermediários entre a criatura e o Criador, intermediários esses tão imperfeitos quanto os demais seres humanos? Nos seus ensinos Jesus sempre colocou cada qual como o único responsável por si mesmo, não por graças de qualquer natureza, mas tão-somente pelas atitudes, omissões e ações vivenciadas no cotidiano. Observe-se que Ele nem mesmo criou qualquer religião, mas ensinou uma ética de vida e colocou a fraternidade, o amor posto em ação, como caminho único que leva o ser de retorno ao seio do Pai.

O Espiritismo é a doutrina da lógica e do bom senso, e através dos seus enfoques podemos verdadeiramente amar Deus, jamais temê-lo.

- o -

Se você teme ou odeia o Espiritismo por causa das interpretações bíblicas que lhe foram inoculadas na mente, volte a ler a Bíblia sem preconceitos, sem medo de estar ofendendo Deus com suas dúvidas e questionamentos, pois Ele não se ofende com os nossos erros, muito menos com nossos esforços de crescimento.

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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 06:09

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Terça-feira, 20 de Abril de 2010

A PRÁTICA DO ABORTO NUMA APRECIAÇÃO ESPIRITA

 

O Brasil carrega um troféu nada confortável: é o campeão mundial do aborto, onde, lamentavelmente, a taxa de interrupção de gravidez supera a taxa de nascimento. Esta situação fez surgir no país grupos ferrenhos dispostos a legalizar o aborto, torná-lo fácil, acessível, higiênico, juridicamente correto. Seus arautos defendem, entre outras teses, o direito da mulher sobre o seu próprio corpo, as condições sócio-econômicas para educar um filho, a violência sexual contra a mulher, problemas de má formação fetal, gravidez indesejada, rejeição do filho pelo pai.

Evocam, por meio de sonoros agudos femininos, as péssimas condições em que são realizados os abortos clandestinos. Contudo, ninguém se engane que o aborto oficial vá substituir o aborto criminoso. Ao contrário, irá aumentar. “Ele continuará a ser feito por meio secreto e não controlado, pois a clandestinidade é cúmplice do anonimato e não exige explicações.”(1)          

É inadmissível que pequeníssima parcela da população brasileira, constituída por alguns intelectuais, políticos e profissionais dos meios de comunicação e embebida de princípios materialistas e relativistas, venha a exercer tamanha influência na legislação brasileira, em oposição à vontade e às concepções da maioria do povo e contrariando a própria Carta Magna de 1988.”(2) Outra questão é: legalizando-se o aborto, estariam todos os obstetras disponíveis à prática abortiva? Seria possível, no âmbito da ética médica, conciliar uma medicina que cura com uma medicina que assassina? “Pessoalmente, entendo que o homem não tem o direito de tirar a vida de ninguém, seja pela pena de morte, seja pelo aborto, seja pela eutanásia.”(3)

Chico Xavier admoesta: “se anos passados houvesse a legalização do aborto, e se aquela que foi a minha querida mãe entrasse na aceitação de semelhante legalidade, legalidade profundamente ilegal, eu não teria tido a minha atual existência, em que estou aprendendo a conhecer minha própria natureza e a combater meus defeitos, e a receber o amparo de tantos amigos, que qual você, como todos aqui, nos ouvem e me auxiliam tanto.”(4)

Importa reconhecer que o primeiro dos direitos naturais do homem é o direito de viver. O primeiro dever é defender e proteger o seu primeiro direito: a vida. Chico ainda adverte “admitimos seja suficiente breve meditação, em torno do aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos grandes fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões.”(5) À luz da reencarnação, realmente, o filho que não é aceito no lar, pela gravidez interrompida, penetrará um dia em nossa casa, na condição de alguém de conduta anti-social. Aquele que expulsamos do nosso abrigo reaparecerá porque ele não pode ser punido pela nossa irresponsabilidade, mas seremos justiçados na nossa irreflexão, através das leis soberanas da vida.

O médium Divaldo Franco assevera que " aquele filho que nós expulsamos, pela interrupção no corpo, voltará até nós, quiçá, em um corpo estranho, gerado em um ato de sexualidade irresponsável. Por uma concepção de natureza inditosa, volverá até nós, na condição de deserdado, não raro, como um delinqüente.”(6) O aborto praticado sob quaisquer justificativas, mesmo diante de regulamentos humanos, é um crime ante os estatutos de Deus. Por isso Chico Xavier ressalta“os pais que cooperam nos delitos do aborto, tanto quanto os ginecologistas que o favorecem, vêm a sofrer os resultados da crueldade que praticam”.(7) Registre-se que, se não há legislação humana que identifique de imediato o ignóbil infanticídio, nos redutos familiares ou na bruma da noite, e aos que mergulham na torpeza do aborto, “os olhos divinos de Nosso Pai contemplam do Céu, chamando, em silêncio, às provas do reajuste, a fim de que se expurgue da consciência a falta indesculpável que perpetram.”(8)

Outra discussão que também se levanta é a legitimidade, ou não, do aborto, quando a gravidez é conseqüente a um ato de violência física. No caso de estupro, quando a mulher não se sinta com estrutura psicológica para criar o filho, a Lei deveria facilitar e estimular a adoção da criança nascida, ao invés de promover a sua morte legal.  “O Espiritismo, considerando o lado transcendente das situações humanas, estimula a mãe a levar adiante a gravidez e até mesmo a criação daquele filho, superando o trauma do estupro, porque aquele Espírito reencarnante terá, possivelmente um compromisso passado com a genitora.”(9) Lembrando também que“O governo deveria ter departamentos especializados de amparo material e psicológico a todas as gestantes, em especial, às que carregam a pesada prova do estupro.”(10) Por isso é perfeitamente lógico que o aborto em decorrência de estupro não deva ser autorizado, porque o ser concebido não pode ser punido por fatos não queridos que determinaram sua vida.

            Outra questão defendida pelos abortistas é o aborto “terapêutico”. Se o aborto, em tempos idos, era usado a pretexto de terapia, devia-se à falta de conhecimentos médicos. Recordo que numa aula inaugural do Dr. João Batista de Oliveira e Costa Júnior aos alunos de Direito da USP em 1965 (intitulada “Por que ainda o aborto terapêutico?”) diz que o aborto “não é o único meio, ao contrário, é o pior meio, ou melhor, não é meio algum para se salvar a vida da gestante”, Divaldo Franco reflete sobre o assunto com o seguinte comentário: "o aborto, mesmo terapêutico, é imoral, segundo o conhecimento médico, (...) por que interromper o processo reparador que a vida impõe ao espírito que se reencarna com deficiência? Será justo impedi-lo de evoluir, por egoísmo da gestante?” (11)O médium baiano recorda, ainda, “é torturante para a mãe que carrega no ventre um ser que não viverá, mas trata-se de um sofrimento programado pelas Soberanas Leis da Vida".(12) E mais "segundo benfeitores espirituais, a Terra vem recebendo verdadeiras legiões de espíritos sofredores e primários, que se encontravam retidos em regiões especiais e agora estão tendo a oportunidade de optar pelo bem de si mesmos".(13)

            Se os tribunais do mundo condenam, em sua maioria, a prática do aborto, “as Leis Divinas, por seu turno, atuam inflexivelmente sobre os que alucinadamente o provocam. Fixam essas leis no tribunal das próprias consciências culpadas, tenebrosos processos de resgate que podem conduzir ao câncer e à loucura, agora ou mais tarde. (...)”.(14)

            Se a futura mãe corre riscos de vida, o aborto tem outra conotação conforme consta na questão 359 de O Livro dos Espíritos, onde os mentores que orientavam Kardec advertem que só é admissível o aborto induzido quando há grave risco de vida para a gestante.(15) Oportuno acrescentar, com a evolução da Medicina, dificilmente se configura, hoje, uma situação dessa natureza. “A literatura espírita é pródiga em exemplos sobre as conseqüências funestas do aborto delituoso, que provoca na mulher graves desajustes perispirituais, a refletirem-se no corpo físico, na existência atual ou futura, na forma de câncer, esterilidade, infecções renitentes, frigidez”(16).

            Óbvio que não lançamos os anátemas da condenação impiedosa àqueles que estão perdidos no corredor escuro do erro já cometido, até para que não caiam na vala profunda do desalento. Expressamos idéias cujo escopo é iluminá-los com o archote do esclarecimento para que enxerguem mais adiante, a opção do Trabalho e do Amor, sobretudo nas adoções de filhos rejeitados que atualmente amontoam nos orfanatos. “É preciso também saber que a lei de causa e efeito não é uma estrada de mão única. É uma lei que admite reparações; que oferece oportunidades ilimitadas para que todos possam expiar seus enganos.”(17) Errar é aprender, destarte, ao invés de se fixarem no remorso, precisam aproveitar a experiência como uma boa oportunidade para discernimento futuro.

 

 

 

 

FONTES DE REFERÊNCIA:

(1)           Aborto - breves reflexões sobre o direito de viver Genival Veloso de França

 (2)           Manifesto Espírita sobre o Aborto Federação Espírita Brasileira Manifesto aprovado na reunião do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, nos dias 7, 8 e 9 de novembro de 98

 (3)           Pena de Morte para o Nascituro Ives Gandra da Silva Martins Professor emérito das Universidades Mackenzie e Paulista e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Presidente da Academia Internacional de Direito e Economia e do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo Vice-presidente da PROVIDAFAMÍLIA, in O Estado de São Paulo 19 de setembro de 1997.

 (4)           Disponível em http://www.editoraideal.com.br/chico/perguntas-21.htm, acessado em 15 de março de 2006

 (5)           Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Religião dos Espíritos, ditado pelo Espírito Emmanuel. 14a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2001.

 (6)           Cf. Divaldo Franco em entrevista para Revista Espírita Allan Kardec,  disponível em <http://www.portaldaluz.org.br/defesa/aborto.asp> acessado em 10/03/2006

 (7)           Xavier, Francisco Cândido. Leis de Amor, ditado pelo Espírito Emmanuel, SP: Ed FEESP, 1963.

 (8)           Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Religião dos Espíritos, ditado pelo Espírito Emmanuel. 14a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2001.

 (9)           Cf. Manifesto Espírita sobre o Aborto Federação Espírita Brasileira Manifesto aprovado na reunião do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, nos dias 7, 8 e 9 de novembro de 98

 (10)         Respeito ao Embrião e ao Feto Laércio Furlan http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/aborto/respeito-ao-embriao.html

 (11)         O jornal Folha Espírita, edição de janeiro de 2005.

 (12)         Idem

 (13)         Idem

 (14)         Peralva, Martins.O Pensamento de Emmanuel.Cap. I  Rio de Janeiro: Editora FEB, 1978

 (15)         Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. RJ: Ed FEB, 2003, perg. 359.

 (16)         Simonetti, Richard.Quem tem medo da morte, SP:Editora CEAC, 1987

 (17)         De Lima, Cleunice Orlandi. A Quem Já Abortou – artigo - disponível em http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/aborto/a-quem-ja-abortou.html

 

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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 02:06

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COMO VENCER FRUSTRAÇÕES

Muitas vezes nos defrontamos com um problema que, mais por comodidade, julgamos insolúvel. É comum percebermos em nós vícios que sabemos altamente prejudiciais à nossa evolução, mas nos achamos incapazes de superá-los. Referimo-nos mais especificamente a vícios morais ou espirituais, quais sejam: o egoísmo, a inveja, o ciúme, a maledicência.

Há dias, conversando com uma senhora que, juntamente com o esposo, cuida de crianças abandonadas como se fossem seus próprios filhos, pudemos aprender alguns exemplos vivos de superação de problemas que nos afligem o coração. De início queremos deixar bem claro que não se trata de pessoas de grande posse material; o marido é funcionário público, com salário da ordem de 600 cruzeiros mensais. E cuidam, com o maior carinho, de algumas dezenas de crianças. Carinho que pode ser testemunhado por quem se propuser conhecê-los. Evidentemente, não vamos aqui destacar os nomes porque a humildade do casal, e principalmente da mulher, nos proíbe de fazê-lo, para relatar os fatos seguintes. A quem estiver interessado em conhecê-los de perto, forneceremos o endereço.

Dizia-nos a mulher: "Eu nunca tive jeito para cuidar de velhos, principalmente pessoas idosas e doentes. Achava mesmo que, se um dia tivesse de me dedicar a este trabalho, fracassaria". Pois, a oportunidade de aprender a cuidar de velhos doentes ocorreu dentro de sua própria casa. O velho pai, com mais de 80 anos, permaneceu vários meses imobilizado no leito, e ela, filha única, teve de lhe devotar os maiores carinhos. Na época da doença do pai já estava com mais de 20 crianças em casa, mas viu aí a oportunidade de superar a barreira que sentia com relação aos velhinhos. Dedicou-se de corpo e alma a cuidar do pai, aceitando com naturalidade todas as ranzinzices próprias das pessoas doentes e idosas. Aceitou e aproveitou a lição: passou a entender os velhos, "Hoje - disse-nos - estou habilitada a cuidar do Lar dos Velhinhos, que eu e meu marido pretendemos instalar, ao lado da nossa casa."

Um outro exemplo. Há muito tempo, quando ainda não havia iniciado o trabalho de assistência às crianças abandonadas, ela sentia uma certa dificuldade de se aproximar das pessoas de cor. "Achei que devia me esforçar ao máximo para superar essa dificuldade; afinal, somos todos irmãos e não há razão para não aceitarmos qualquer um de nossos semelhantes." A solução por ela encontrada foi a mais espetacular que conhecemos e a mais prática também.

Como precisava de uma empregada, soube que uma velha senhora de cor estava desempregada e com grande dificuldade de arranjar quem contratasse seus serviços. Na realidade era uma velha preta, já com uns sessenta anos, doente, que trabalhara para muitos patrões. Agora, quase imprestável, ninguém a queria como empregada. Quando a senhora de que estamos falando soube das dificuldades da velha preta, não hesitou: viu sua chance de superar a própria deficiência.

Contratou a mulher como empregada. "Na realidade - diz ela não era empregada coisa nenhuma. Ela estava muito doente, ranzinza; não podia mais trabalhar. Mas eu a animava, fazia programas para sairmos juntas e sempre que um motivo aparecia eu a abraçava e beijava". E, dessa forma, foi superando a dificuldade que sentia de se aproximar das pessoas de cor. Enfrentando diretamente o problema sem fuga nem escamoteações.

Hoje, em seu lar, há várias crianças de cor. De idades variadas. Todas recebem o carinho de filho. Ela reconhece o grande benefício que a velha preta, ranzinza e doente, lhe prestou: ensinou-lhe a prática da fraternidade.

Quantas manifestações demagógicas, da boca para fora, assistimos com respeito à fraternidade universal! Quantas palavras gastas, quanta tinta consumida, para pregação de um princípio natural: o da união dos povos e das raças! E quão pouca coisa foi feita até agora na prática !
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

CÓDIGO PENAL DA VIDA FUTURA

 
 
O Espiritismo não se apoia, pois, numa autoridade de natureza particular para formular um código fantasioso. Suas leis, no que toca ao futuro da alma são deduzidas de observações positivas sobre fatos e podem ser resumidas da seguinte maneira:

1o.  A alma ou Espírito sofre, na vida espiritual, as conseqüências de todas as imperfeições das quais não se despojou, durante a vida corporal.  Seu estado, feliz ou infeliz, é inerente ao grau de sua depuração ou de suas imperfeições.

2o.  A felicidade perfeita está ligada à perfeição, quer dizer, à depuração completa do Espírito.  Toda imperfeição é, ao mesmo tempo, uma causa de sofrimento e de privação de prazer, do mesmo modo que, toda qualidade adquirida, é uma causa de prazer e de atenuação dos sofrimentos.

3o. Não há uma única imperfeição da alma que não carregue consigo as suas conseqüências deploráveis, inevitáveis, e uma única boa qualidade que não seja a fonte de um prazer.  A soma das penas é assim proporcional à soma das imperfeições, do mesmo modo que a dos gozos está em razão da soma das qualidades.  A alma que tem dez imperfeições, por exemplo, sofre mais do que aquela que não as tem senão três ou quatro; quando, dessas dez imperfeições, não lhe restar senão a quarta parte ou a metade, sofrerá menos, e, quando não lhe restar nenhuma delas, não sofrerá mais de qualquer coisa e será perfeitamente feliz.  Tal, sobre a Terra, aquele que tem várias enfermidades sofre mais do que aquele que não tem senão uma, ou que não tem nenhuma.  Pela mesma razão, a alma que possui dez qualidades goza mais do que aquela que as tem menos.

4o. Em virtude da lei do progresso, tendo, toda alma a possibilidade de adquirir o bem que lhe falta, e de se desfazer do que ela tem de mau, segundo os seus esforços e a sua vontade, disso resulta que o futuro não está fechado para nenhuma criatura.  Deus não repudia nenhum dos seus filhos; recebe-os, em seu seio, à medida que atingem a perfeição, deixando, assim, a cada um, o mérito das suas obras.

5o. Estando o sofrimento ligado à imperfeição, do mesmo modo que o prazer está à perfeição, a alma carrega, consigo mesma, o seu próprio castigo, por toda parte onde se encontre; para isso, não tem necessidade de um lugar circunscrito.  O inferno, pois, está por toda parte onde haja almas sofredoras, do mesmo modo que o céu está por toda parte onde haja almas felizes.

6o. O bem e o mal que se faz são o produto das boas e das más qualidades que se possui.  Não fazer o bem que se poderia fazer é, pois, o resultado de uma imperfeição.  Se toda imperfeição é uma fonte de sofrimento, o Espírito deve sofrer não apenas por todo o mal que fez, mas por todo o bem que poderia fazer, e não fez, durante a sua vida terrestre.

7o. O Espírito sofre pelo próprio mal que ele fez, de maneira que, estando a sua atenção incessantemente centrada sobre as conseqüências desse mal, compreende melhor os seus inconvenientes e está estimulado a dele se corrigir.

8o. Sendo a justiça de Deus infinita, tem uma conta rigorosa do bem e do mal; se não há uma única ação má, um único mau pensamento que não tenha as suas conseqüências fatais, não há uma única boa ação, um único bom movimento da alma, o mais leve mérito, em uma palavra, que seja perdido, mesmo entre os mais perversos, pois é um começo de progresso.

9o. Toda falta cometida, todo mal realizado, é uma dívida contraída que deve ser paga; se não for numa existência, será na seguinte ou nas seguintes, porque todas as existências são solidárias, umas com as outras.  Aquilo que se paga na existência presente não deverá ser pago por segunda vez.

10o. O Espírito sofre a pena das suas imperfeições, seja no mundo espiritual, seja no mundo corporal.  Todas as misérias, todas as vicissitudes que suportamos na vida corporal, são conseqüências de nossas imperfeições, de expiações de faltas cometidas, seja na existência presente, seja nas precedentes.  Pela natureza dos sofrimentos e das vicissitudes que se experimentam na vida corporal, pode-se julgar da natureza das faltas cometidas, em uma precedente existência, e das imperfeições que lhes são causa.

11o. A expiação varia segundo a natureza e a gravidade das faltas;  a mesma falta pode, assim, dar lugar a expiações diferentes, segundo as circunstâncias, atenuantes ou agravantes, nas quais foram cometidas.

12o. Não há, sob o aspecto da natureza e da duração do castigo, nenhuma regra absoluta e uniforme; a única lei geral é que toda falta recebe a sua punição, e toda boa ação a sua recompensa, segundo o seu valor.

13o. A duração do castigo está subordinada à melhoria do Espírito culpado.  Nenhuma condenação, por tempo determinado, é pronunciada contra ele.  O que Deus exige para pôr termo aos seus sofrimentos, é uma melhora séria, efetiva, e um retorno sincero ao bem.  O Espírito é, assim, sempre, o árbitro da sua própria sorte; pode prolongar os seus sofrimentos pelo endurecimento no mal, abranda-los ou abrevia-los por seus esforços para fazer o bem.

Uma condenação, por um tempo determinado qualquer, teria o duplo inconveniente ou de continuar a ferir o Espírito que teria se melhorado, ou de cessar quando este ainda estaria no mal.  Deus, que é justo, pune o mal quando ele existe; e cessa de punir quando o mal não existe mais; ou, si se quer, sendo o mal moral, por si mesmo, uma causa de sofrimento, o sofrimento dura tão longo tempo quanto o mal subsista; a sua intensidade diminui à medida que o mal se enfraquece.

14o. Estando a duração do castigo subordinada ao melhoramento, disso resulta que o Espírito culpado que não se melhora nunca, sofrerá sempre, e que, para ele, a pena seria eterna.

15o. Uma condição inerente à inferioridade dos Espíritos é a de não ver o termo de sua situação, e de crer que sofrerão sempre.  É, para eles, um castigo que lhes parece que será eterno.

16o. O arrependimento é o primeiro passo para a melhoria; mas só ele não basta, é preciso, ainda, a expiação, a reparação.

Arrependimento, expiação e reparação são as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências.  O arrependimento abranda as dores da expiação, no que traz a esperança e prepara os caminhos da reabilitação; mas unicamente a reparação pode anular o efeito, em destruindo a causa; o perdão seria uma graça e não uma anulação.

17o. O arrependimento pode ocorrer em qualquer parte e em qualquer tempo; se é tardio, o culpado sofre por maior tempo.  A expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais, que são a conseqüência da falta cometida, seja desde a vida presente, seja, depois da morte, na vida espiritual, seja em nova existência corporal, até que os traços da falta tenham se apagado.

A reparação consiste em fazer o bem àquele a quem se fez o mal.  Aquele que não reparar os seus erros nesta vida, por impossibilidade ou má vontade, se reencontrará numa existência ulterior, em contato com as mesmas pessoas que tiveram do que se lastimar dele,  e em condições escolhidas por ele mesmo, de maneira a poder provar-lhes o seu devotamento, e fazer-lhes tanto bem quanto lhes haja feito de mal.

Nem todas as faltas acarretam um prejuízo direto e efetivo; nesse caso, a reparação se cumpre:  fazendo o que se devia fazer e não se fez, cumprindo os deveres que foram negligenciados ou desconhecidos, as missões em que se faliu; praticando o bem em sentido contrário àquilo que se fez de mal; quer dizer, sendo humilde onde se foi orgulhoso, brando onde se foi duro, caridoso onde se foi egoísta, benevolente se foi malévolo, trabalhador se foi preguiçoso, útil se foi inútil, moderado se foi dissoluto, de bom exemplo se deu maus exemplos, etc.  É assim que o Espírito progride, aproveitando o seu passado.

18o. Os Espíritos imperfeitos estão excluídos dos mundos felizes, onde perturbariam a harmonia; permanecem nos mundos inferiores onde expiam as suas faltas pelas tribulações da vida, e se purificam das suas imperfeições, até que mereçam se encarnar nos mundos mais avançados, moral e fisicamente.  Si se pode conceber um lugar de castigo circunscrito, é nesses mundos de expiação, porque é ao redor desses mundos que pululam os Espíritos imperfeitos desencarnados, à espera de uma nova existência que, lhes permitindo reparar o mal que fizeram, ajudará o seu adiantamento.

19o. Tendo o Espírito o seu livre arbítrio, seu progresso é, algumas vezes, lento, e sua obstinação no mal muito tenaz. Pode nisso persistir anos e séculos; mas, chega sempre um momento no qual a sua teimosia, em afrontar a justiça de Deus, se dobra diante do sofrimento, e no qual, malgrado a sua fanfarrice, reconhece a força superior que o domina.  Desde que se manifestam nele os primeiros clarões do arrependimento, Deus lhe faz entrever a esperança.

Nenhum Espírito está nas condições de não se melhorar nunca; de outro modo, estaria fatalmente destinado a uma eterna inferioridade, e escaparia da lei do progresso que rege, providencialmente, todas as criaturas.

20o. Quaisquer que sejam a inferioridade e a perversidade dos Espíritos, Deus jamais os abandona.  Todos têm o seu anjo guardião, que vela sobre eles, espreita os movimentos da sua alma, e se esforça em suscitar, neles, bons pensamentos, o desejo de progredir e de reparar, numa nova existência, o mal que fizeram.  Entretanto, o guia protetor age, o mais freqüentemente, de maneira oculta, sem exercer nenhuma pressão.  O Espírito deve se melhorar em razão da sua própria vontade, e não em conseqüência de um constrangimento qualquer.  Age bem ou mal em virtude do seu livre arbítrio, mas sem estar fatalmente impulsionado num sentido ou no outro.  Se fez mal, sofre-lhe as conseqüências por tão longo tempo quanto tenha permanecido no mau caminho; desde que dê um passo em direção do bem, sente-lhe imediatamente os efeitos.

21o. Ninguém é responsável senão pelas suas faltas pessoais; ninguém sofrerá as penas das faltas dos outros, a menos que lhes haja dado lugar, seja em provocando-as com o seu exemplo, seja em não as impedindo quando tinha esse poder.

Assim é que, por exemplo, o suicida  é sempre punido; mas aquele que, pela sua dureza, leva um indivíduo ao desespero, e daí a se destruir, sofre uma pena ainda maior.

22o. Embora a diversidade das penas seja infinita, há as que são inerentes à inferioridade dos Espíritos, e cujas conseqüências, salvo algumas nuanças, são quase idênticas.  A punição mais imediata, sobretudo entre aqueles que são apegados a vida material, negligenciando o progresso espiritual, consiste na lentidão da separação da alma e do corpo, nas angústias que acompanham a morte e o despertar na outra vida, na duração da perturbação, que pode persistir por meses e anos.  Entre aqueles, ao contrário, cuja consciência é pura, que, em sua vida, se identificaram com a vida espiritual e se desligaram das coisas materiais, a separação é rápida, sem abalos, o despertar pacífico e a perturbação quase nenhuma.

23o. Um fenômeno, muito freqüente entre os Espíritos de uma certa inferioridade moral, consiste em se crerem ainda vivos, e essa ilusão pode se prolongar durante anos, durante os quais sofrem todas as necessidades, todos os tormentos e todas as perplexidades da vida.

24o. Para o criminoso, a visão incessante das suas vítimas e das circunstâncias do crime é um cruel suplício.

25o. Certos Espíritos são mergulhados em espessas trevas; outros estão num isolamento absoluto, no meio do espaço, atormentados pela ignorância da sua posição e da sua sorte.  Os mais culpados sofrem torturas tanto mais pungentes quanto não lhes vêm o fim.  Muitos estão privados de verem os seres que lhes são caros.  Todos, geralmente, suportam, com relativa intensidade, os males, as dores e as necessidades que fizeram os outros experimentarem, até que o arrependimento e o desejo de reparação, vêm e trazem um abrandamento, fazendo-os entreverem a possibilidade de colocarem, por si mesmos, um fim a essa situação.

26o. É um suplício para o orgulhoso ver, acima dele, na glória, cercado de festas, aqueles que havia desprezado na Terra, ao passo que está relegado às últimas posições; para o hipócrita, se ver traspassado pela luz que põe a nu os seus mais secretos pensamentos, que todo o mundo pode ler: nenhum meio há, para ele, de se esconder e se dissimular; para o sensual, ter todas as tentações sem poder satisfaze-las; para o avaro, ver o seu ouro dilapidado e não poder retê-lo; para o egoísta, ser abandonado por todos e sofrer tudo o que os outros sofreram por ele: terá sede, e ninguém lhe dará de beber; terá fome, e ninguém lhe dará de comer; nenhuma só mão amiga vem apertar a sua, nenhuma voz complacente vem consola-lo; não pensou senão em si, durante a sua vida, e ninguém pensa nele e o lamenta depois da sua morte.

27o. O meio de evitar ou atenuar as conseqüências dos defeitos na vida futura é deles se desfazer, o mais possível, na vida presente; é reparar o mal para não ter que repara-lo, mais tarde, de maneira mais terrível.  Quanto mais se tarda, em se desfazer dos defeitos, mais as suas conseqüências são penosas, e mais rigorosa deve ser a reparação que se deve cumprir.

28o. A situação do Espírito, desde a sua entrada na vida espiritual, é aquela que ele se preparou, pela vida corporal.  Mais tarde, uma nova encarnação lhe é dada para a expiação e a reparação, por meio de novas provas; mas a aproveita mais ou menos, em virtude do seu livre arbítrio; se não a aproveita, é uma tarefa a recomeçar, cada vez em condições mais penosas; de sorte que aquele que sofre muito na Terra, pode-se dizer que tinha muito a expiar; os que gozam de uma felicidade aparente, malgrado os seus vícios e a sua inutilidade, estejam certos de pagá-la caro numa existência ulterior.  Foi nesse sentido que Jesus disse: “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”.

29o. A misericórdia de Deus, sem dúvida, é infinita, mas não é cega.  O culpado ao qual perdoa, não está exonerado, e, enquanto não tenha satisfeito à justiça, sofre as conseqüências das suas faltas.  Por misericórdia infinita, é preciso entender que Deus não é inexorável, e que deixa sempre aberta a porta de retorno ao bem.

30o. Sendo as penas temporárias, e subordinadas ao arrependimento e à reparação, que dependem da livre vontade do homem, são, ao mesmo tempo, os castigos e os remédios que devem curar as feridas do mal.  Os Espíritos em punição estão, pois, não como forçados condenados a determinado tempo, mas, iguais a doentes no hospital, que sofrem da doença que, freqüentemente, decorre das suas faltas, e os meios dolorosos de que necessita, mas, que têm a esperança de sarar, e que saram tanto mais depressa quanto sigam exatamente as prescrições do médico, que vela sobre eles com solicitude.  Se prolongam os seus sofrimentos, por suas faltas, o médico nada tem com isso.

31o. Às penas que o Espírito sofre na vida espiritual, vêm se juntar as da vida corporal, que são a conseqüência das imperfeições do homem, de suas paixões, do mau uso das suas faculdades, e a expiação das faltas presentes e passadas.  É na vida corporal que o Espírito repara o mal das suas existências anteriores, que põe em prática as resoluções tomadas na vida espiritual.  Assim se explicam essas misérias e essas vicissitudes que, à primeira vista, parecem não ter razão de ser, e são de toda justiça desde que são a quitação do passado e servem para o nosso adiantamento.

32o. Deus, diz-se, não provaria maior amor pelas suas criaturas, se as tivesse criado infalíveis e, conseqüentemente, isentas das vicissitudes relativas à imperfeição?  Seria necessário, para isso, que criasse seres perfeitos, nada tendo a adquirir, nem em conhecimentos e nem em moralidade.  Sem nenhuma dúvida, poderia faze-lo; se não o fez, foi porque na Sua sabedoria, quis que o progresso fosse a lei geral.
Os homens são imperfeitos, e, como tais, sujeitos às vicissitudes mais ou menos penosas; é um fato que é preciso aceitar, uma vez que existe.  Disso inferir que Deus não é bom e nem justo, seria uma revolta contra ele.  Haveria injustiça se tivesse criado seres privilegiados, uns mais favorecidos do que os outros, gozando, sem trabalho, a felicidade que os outros alcançam com dificuldade, ou não podem jamais alcança-la.  Mas onde a sua justiça brilha é na igualdade absoluta, que preside à criação de todos os Espíritos; todos têm um mesmo ponto de partida; nenhum que seja, na sua formação, é melhor dotado do que os outros;  nenhum cuja marcha ascensional seja facilitada por exceção; os que chegaram ao objetivo passaram, como quaisquer outros, pela fileira das provas e da inferioridade.

Isto admitido, o que de mais justo do que a liberdade de ação deixada a cada um?  O caminho da felicidade está aberto a todos; o objetivo é o mesmo para todos; as condições, para alcança-lo, são as mesmas para todos; a lei, gravada em todas as consciências, é ensinada a todos.  Deus fez da felicidade o prêmio do trabalho e não do favor, a fim de que cada um dela tivesse o mérito; ninguém está livre de trabalhar ou de nada fazer para o seu adiantamento; aquele que trabalha muito, e depressa, disso é mais cedo recompensado; aquele que se extravia do caminho ou perde o seu tempo, retarda a sua chegada, e isso não pode atribuir senão a si mesmo.  O bem e o mal são voluntários e facultativos; sendo o homem livre, não é impelido nem para um e nem para o outro.

33o. Malgrado a diversidade dos gêneros e dos graus de sofrimento dos Espíritos imperfeitos, o código penal da vida futura pode se resumir nestes três princípios:

O sofrimento está ligado à imperfeição.

Toda imperfeição e toda falta que lhe é conseqüente carrega consigo o seu próprio castigo, por suas conseqüências naturais e inevitáveis, como a doença é a conseqüência dos excessos, o tédio e da ociosidade, sem que haja uma condenação especial para cada falta e cada indivíduo.

Todo homem, podendo se desfazer das suas imperfeições, por efeito da sua vontade, pode se poupar dos males que são as suas conseqüências, e assegurar a sua felicidade futura.

Tal é a lei da justiça divina; a cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra.
 
 
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 04:39

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