Quinta-feira, 1 de Abril de 2010

O SIGNIFICADO DA PÁSCOA


"Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça.
Porque vos digo que não a comerei mais até que se cumpra no Reino de Deus."
(Lucas, 22:15-16)


A tradição fez com que a Páscoa mantivesse dois símbolos historicamente conhecidos: o ovo e o coelho. O primeiro, significando a vida, e o segundo, a fecundidade.

Entre os Judeus a Páscoa, cujo significado é "passar por cima", rememora a libertação dos Judeus do jugo a que estavam submetidos no Egito, atravessando o Mar Vermelho. No hebraico - "Pesech".

"Passar por cima" tem o significado de ter o anjo passado por cima das casas dos hebreus, poupando os seus primogênitos, o que não aconteceu com os egípcios, cujos primogênitos, desde o filho do mais humilde servo até o filho do Faraó, foram todos feridos, conforme o relato bíblico.

Ainda, segundo a Bíblia, a morte dos primogênitos do Egito foi uma e a última das pragas que assolaram aquela nação, a qual tinha por escopo sensibilizar o coração do Faraó, a fim de pôr termo ao longo cativeiro a que estava submetido o povo israelita.

Como a chamada ressurreição de Jesus aconteceu quando se comemorava a Páscoa dos Judeus, esse acontecimento foi consagrado pelos cristãos, passando também a ser uma Páscoa, porém de sentido diferente.

Deste modo, ela tem duplo significado:
-Para os Judeus, a libertação do povo hebreu do longo cativeiro no Egito.
- Para os cristãos, a chamada ressurreição de Jesus Cristo, quando deixou o túmulo vazio, comprovando a imortalidade da alma.

A celebração da Páscoa não era igual em toda parte. Na maior parte das Igrejas ela era celebrada aos domingos, fixando-se que seria o 14 de março (plenilúnio da Primavera ou primeiro plenilúnio depois do equinócio da Primavera), levando-se em consideração que a chamada ressurreição de Jesus aconteceu no domingo. Mas as Igrejas da Ásia celebravam-na como os judeus, sem atenderem o dia da semana, em 14 de março, ou seja, o dia da morte de Jesus, que aconteceu no dia 14 de março.

No ano 325 a . c, decidiu-se padronizar a data certa da Páscoa, pois, enquanto em Roma as festividades eram realizadas em 25 de março, em Alexandria, por motivos astronômicos, eram realizadas em 21 de março.

O Concílio de Nicéia, no mesmo ano, decidiu não celebrar, Páscoa, no mesmo dia em que era comemorada pelos Judeus mas, sim, no domingo imediato a 14 de Nisã (no calendário judeu Nisã corresponde ao primeiro mês e começa na primeira lua nova do equinócio que, em nosso calendário, é o período que vai: 21 de março a 18 de abril).

Ficou, então, estipulado que a Páscoa deveria ser celebrada no domingo, entre 22 de março e 25 de abril, enquante calendário lunis-solar israelita ela é comemorada sempre no plenilúnio, ou seja, na lua cheia.

Como os homens costumam deturpar todos os grandes acontecimentos, a celebração da Páscoa não poderia ser exceção.

O ensinamento singelo de Jesus, quando repartiu o pão e o vinho entre os seus apóstolos, significando a sua carne e sangue, que, por outro lado, simbolizam o corpo de sua Doutrina (carne) vivificada pelo Espírito (sangue), com o objetivo de evitar que ela viesse a constituir em letra morta, foi se degenerando no decorrer dos séculos, transformando-se numa festividade de cunho nitidamente materialista, com intensa matança de animais e vasta ingestão de bebidas alcoólicas, de todos os matizes.

Os Judeus comemoravam duas festas tradicionais: a Páscoa, rememorativa da libertação do povo hebreu do jugo dos egípcios, e Pentecostes, cinqüenta dias depois, relembrando o evento, quando as Tábuas da Lei, ou Decálogo, foram entregues a Moisés, no cimo do Monte Sinai.

Ambas as festas passaram para o calendário cristão, com significados diferentes; a Páscoa, para rememorar a chamada ressurreição de Jesus Cristo, e o Pentecostes, para relembrar o desenvolvimento coletivo da mediunidade dos apóstolos, ocorrida cinqüenta dias, após a Páscoa dos Judeus, no cenáculo, em Jerusalém. Entretanto, algumas religiões cristãs asseveram que no Pentecostes se cumpriu a promessa de Jesus, contida em (João, 14:16-17). sobre o advento do Espírito de Verdade, do Consolador, do Paráclito.

É óbvio que esse evento não poderia ter acontecido naquele dia, pois, se o Cristo disse que o Consolador viria, quando todos estivessem mais bem preparados, para receberem novas verdades e para o restabelecimento real de todas as verdades por Ele ensinadas, isso, de modo algum, poderia ter acontecido apenas decorrido cinqüenta dias após a sua crucificação. Essa preparação da Humanidade demoraria perto de vinte séculos, e o advento do Consolador se consumou com a revelação da Doutrina Espírita.

Na reunião pascal, Jesus Cristo congregou os doze apóstolos (inclusive aquele que o haveria de trair) dizendo ser essa comemoração a de sua última Páscoa; acrescentou, ainda, ser sua aspiração que essa Páscoa se cumprisse, um dia, no Reino de Deus.

Obviamente, esse novo congraçamento não seria mais de apenas doze homens, mas sim de todos os homens de boa vontade, quando estes estivessem aptos para a formação "de um só rebanho, sob a égide de um só pastor".

Quando chegar esse tempo, todos os que assimilaram e viveram os ensinamentos exarados nos Evangelhos estarão com as primícias do Reino de Deus implantadas em seus corações; então, o Cristo terá realizado a grande Páscoa, reunindo a todos no grandioso banquete espiritual.

Os judeus alimentavam verdadeiro respeito pelas festividades da Páscoa. Uma demonstração disso é a narrativa evangélica de que, tendo Jesus e os dois ladrões sido crucificados pouco antes da Páscoa, eles foram pedir a Pilatos que permitisse que as pernas dos três crucificados fossem quebradas a fim de apressar a morte e serem retirados da cruz antes da Páscoa.

Diante da permissão do pró-cônsul romano, os soldados foram ao Calvário para cumprir aquela ordem, porém, apenas quebraram as pernas dos dois ladrões, uma vez que Jesus já estava morto. Isso para que se cumprissem as escrituras de que nenhum só de seus ossos seria quebrado (João, 19:30), dando assim a entender que sua doutrina jamais poderia sofrer mutilações, o que infelizmente aconteceu no decurso dos século quando ela foi mutilada e adulterada pelos homens.

Existe um outro pormenor sobre a Páscoa, esse foi criado pelos homens: como entre os pagãos o ovo era símbolo de Vida o coelho o símbolo da Fecundidade, os cristãos tomaram o ovo como símbolo para comemoração da Páscoa, comendo ovos de pata. Entretanto, como a Igreja proibiu a ingestão de carnes e derivados durante a Quaresma, os anglo-saxões resolveram fazer ovos de chocolate, o que, mais tarde, também abrangeu os coelhos. Esse costume foi implantado no Brasil pelos alemães nos primeiros anos do presente século, surgindo então os ovos e os coelhinhos de chocolate, para a comemoração da Páscoa.

Paulo A. Godoy
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:03

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