Domingo, 5 de Setembro de 2010

CURSO SUPERIOR PARA PASTOR EVANGELICO

Ficar sem fazer nada é muito tedioso… Ficar sem fazer nada na internet é mais tedioso ainda… Mas muitas vezes, nessas andanças googleanas pela web, podemos encontrar muitas coisas interessantes. E foi através de um anúncio publicitário de um site que encontrei o link www.escoladepastor.com.br.

 

Ao acessar o link, uma surpresa: Sim, agora existem cursos de formação específica para pastor envagélico! O site é incrível: bem feito, com um bom design, ótimas fotos e ilustrações, e grandes chamadas, como “Seja um líder de sucesso!”. O mais interessante, nisso tudo, é o diversificado número de títulos que o curso oferece, como “PhD em Teologia com ênfase em Judaísmo Messiânico, “Médio em Teologia Eclesiástica“, “Pós-Graduação em Aconselhamento Cristão“, “Doutorado em Música Gospel“, “Bacharelado em Ensino Religioso” e “Ensino Religioso Cristão” (ué, quer dizer então que no primeiro curso ensinam qualquer religião, tipo umbanda, e no segundo só a cristã?), “Mestrado em Teatro Evangélico“…

 

 

PASTOR-CURSO

 

Realmente, é de cair o queixo! Que a religião cristã já virou marketing e importante fonte de renda há muito tempo, disso já sabemos. Agora, usar tais títulos em seus cursos é de deixar qualquer pós-graduado com os cabelos em pé! Contudo, com outras palavras, o próprio site explica o porquê do uso de tal artimanha:

 

 

 

O Decreto-Lei N.º 1051/69 autoriza a validação dos estudos “aos portadores de diploma de cursos realizados em Seminários Maiores, Faculdades Teológicas ou instituições equivalentes de qualquer confissão religiosa”(Art. 1º). “Como o ensino militar o ensino religioso foge as limitações dos sistemas vigentes” (Par. 286/81 ). Tais cursos são ditos “livres”, não necessitando de prévia autorização para funcionamento nem de posterior reconhecimento do Conselho de Educação Competente.

 

 

Ou seja, eles podem criar os cursos que quiserem, diplomar da forma que quiserem, cobrar os preços que quiserem, ensinar os conteúdos que quiserem, e tudo ficará legalmente constituído. Imagine você, acordando de manhã, com um crente tocando a sua campainha, e ao mandá-lo plantar batatas, ele responde que é phD em Economia Eclesiástica? Ou que está concluindo seu Mestrado em Moda e Design Gospel para depois tentar fazer uma Doutorado na mesma área??? E já pensou, está você no portão com o dito cujo, quando seu namorado(a) aparece e ele te indica um Curso de Capacitação para Namorados? Imaginaram a primeira aula? Eu imaginei: “Não deixais colocar as mãos nos peitos, e afastais quaisquer protuberâncias de vossas intimidades”.

 

Até Bacharel em Dança Gospel você pode cursar! Bacharel!!! Isso mesmo! Se em uma Universidade decente, como a USP, você leva em médias 5 anos para ter um curso deste nível, nos Cursos de Formação para Pastor você adquiri o título de Bacharel em 120 dias! E não são apenas cursos “cristãos” que tal entidade oferece (em detrimento do que podemos chamar de  “mundanos”, como muitos evangélicos adoram definir o universo que fica da calçada da igreja pra cá). É possível você receber um diploma de Doutorado em Rádio e TV! Pra que perder tempo em outras faculdades?

 

Será que o Pastor Pilão cursou o Bacharelado em Dança Gospel? Hehehe…

 

 

Ah! Aos interessados, os cursos são por correspondência, e o Histórico Escolar sai por R$ 150,00. Só não vale poupar o dízimo pra comprar o histórico, viu?

 

E se você achou isso um absurdo, passe para frente!

 

 

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 06:16

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Sábado, 4 de Setembro de 2010

DIREITO DE RESPOSTA A UMA ALIENADA ESPIRITUAL

REPRODUZO AQUI MEU EMAIL ENVIADO A MESMA:

 

ISTO NÃO É SIMPLESMENTE ATITUDES HUMANAS E SIM ATITUDES COVARDES, DE PESSOAS NÃO ILIBADAS E DE BAIXO NIVEL MORAL E PESSOAS QUE EM VEZ DE ENGRANDECER A SUA RELIGIÃO, PREFERE ATACAR AS DOS OUTROS, CONFORME A MARIA HELENA, SUA AMIGA, O FAZ, VEJA SIMPLESMENTE O BLOG DELA 70% DELE É CRITICANDO O ESPIRITISMO.

QUANTO AO AJUSTAR CONTAS PERANTE DEUS, DEVEMOS PRESTAR CONTAS A JUSTIÇA DIVINA E TAMBÉM DEVERIAM ANTES PRESTAR CONTAS A CONSCIENCIA MORAL E CRISTÃ, COMO O CRISTO QUE NUNCA ESCREVEU NADA, PORÉM DISSE: AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS, E AO PRÓXIMO COMO A TI MESMO, ESTA MÁXIMAS DEVERIAM TODOS SEGUIR A RISCA.

AS ATITUDES NEFASTAS DE UM SEGUIDOR OU MEMBRO DE UMA SEITA, DECORRE PRINCIPALMENTE DE QUEM O ESTA CONDUZINDO, PORQUE SÃO PESSOAS QUE NÃO TEM MORAL PARA QUESTIONAR, A ATITUDE MENOS ÉTICA DE UM PASTOR, REFLETE COM CERTEZA EM SEUS MEMBROS.


Por que tantos ataques ao Espiritismo??

 

Todos sabem e não é novidade que a Doutrina Espírita sempre foi muito atacada e agredida pelos mais diversos segmentos religiosos da sociedade. Desde criança sempre escutei estórias de velhos trabalhadores da Doutrina que foram rechaçados, humilhados e até ameaçados por pessoas com senso de fraternidade e respeito deturpados pelo fanatismo e cegueira religiosa.

 

Mas recentemente, para ser mais exato de uns 4 anos para cá, alguns irmãos de outros credos, principalmente esta Dona helena, estão mudando de tática, ao se verem totalmente impotentes diante do crescimento e consolidação da Doutrina dos Espíritos no Brasil e principalmente no mundo, estão agora mais organizados e dispostos a investidas cada vez mais poderosas no seu intento insano de tapar o sol com a peneira, seja por interesses econômicos, religiosos, políticos, fanatismo, ou mesmo por simples orgulho e vaidade. Os livros da codificação, antes tidos como malditos, imundos, escritos pelo demônio, etc, etc, agora estão sendo lidos e vasculhados, estudados mesmo, não por interesse filosófico ou doutrinário, mas para conhecer a Doutrina e tentar conseguir argumentos para "hostilizá-la".

 

A cada dia a mídia dá mais destaque ao Espiritismo, seja na TV, no Cinema, no Rádio, ou mesmo através de livros, revistas e edições variadas, nem todas espíritas, muitas mesmo científicas e todas de alta credibilidade. O Espiritismo encontra cada vez mais apoio da ciência e dos pesquisadores verdadeiros, desprovidos de preconceito, abertos às novas verdades, humildes na consciência que nada sabem e que a vida espiritual é uma verdade. Assim temos pesquisas no campo da EQM (Experiência de Quase Morte) realizadas pelo mundo todo que levou inclusive um pesquisador inglês a atestar a sobrevivência da consciência humana à morte, ou seja, a existência do ESPÍRITO. Pesquisas desenvolvidas pela regressão mental realizada por diversos psicólogos e psiquiatras não espíritas pelo mundo todo, comprovando a reencarnação e a memória acumulada de experiências anteriores. As pesquisas realizadas acerca da mediunidade e da comunicação com os espíritos. Só para citar três segmentos, sem falar na Transcomunicação Instrumental, entre outras.

 

Nas livrarias as edições de livros com temática espírita crescem cada vez mais, livros são traduzidos para o inglês, espanhol, esperanto, francês, russo etc, levando as idéias e a luz da Doutrina para todo o mundo. É uma verdadeira chuva de informações, depoimentos, conselhos, revelações, consolações e mensagens dos espíritos, para todo o mundo, para toda a humanidade. O Espiritismo se fortalece, pois encontra suporte na verdade, religiões como o Budismo, Hinduismo e outras, aceitam e sabem das verdades da reencarnação e da vida após a morte e assim o Espiritismo confirma e solidifica suas idéias.

 

Cada vez mais a medicina se rende a verdade da existência do mundo espiritual e as Associações de Médicos Espíritas se espalham pelo Brasil e pelo mundo, realizando congresso, discussões, pesquisas, e se unindo pela humanização e espiritualização da medicina, entendendo o ser humano não apenas como uma máquina material e biológica, mas como um conjunto formado pelos diversos componentes da matéria e do espírito.

 

Na internet, dia-a-dia aparecem novos sites sobre o Espiritismo, divulgando com força total a Doutrina, com pesados índices de acesso, numa demonstração do interesse que a Doutrina desperta em todos. Muitos, receosos e temerosos da reação de parentes e da sociedade, estudam, leem, participam, e se beneficiam das luzes da Doutrina, de dentro de seus quartos, à portas fechadas, através da rede mundial de computadores. Todos acessam e entram em contato com as verdades Espíritas cada vez com mais frequência e os pedidos de orientação e de conselhos, os desabafos e os agradecimentos, não cansam de chegar via e-mail, demonstrando que verdadeiramente o Espiritismo é a Doutrina Consoladora prometida pelo Cristo.

 

Diante deste quadro parece que o desespero levou esses irmãos a terem uma atitude de análise da Doutrina Espírita e de tudo que possa fazer parte da mesma, para atuar violentamente na campanha de difamação e destruição em que estão empenhados. Foi assim que verificamos absurdos como a própria alteração de textos bíblicos incluído neles as palavras MÉDIUM, ESPÍRITA E ESPIRITISMO, para dizer que o Espiritismo é condenado pelas escrituras sagradas, quando sabemos que essas palavras foram criadas por Kardec, portanto, vocábulos inexistentes ao tempo em que foi escrita a Bíblia. Estes argumentos, e muitos outros, cada um mais ridículo que o outro, foram todos combatidos e desmascarados por estudiosos e defensores da verdade que puseram por terra todos os argumentos "bíblicos".

 

Com a impossibilidade de manter os argumentos falsamente retirados da Bíblia passaram a investir contra a Doutrina afirmando que a mesma estava dividida e fraca, chegaram a comparar Espiritismo com Maçonaria, Ordem Rosa-cruz, Umbanda, Candomblé e outras filosofias ou doutrinas, numa demonstração de ignorância profunda e de total cegueira ou mesmo má-fé, tentando generalizar, colocar tudo "numa única panela". Infelizes que foram, tiveram seus argumentos totalmente desarmados mais uma vez e puderam assistir a Doutrina Espírita cada vez mais fortalecida.

 

Agora alguns líderes cristãos vasculham a Codificação, observam cada detalhe, estudam em grupo, procurando "pontos" e "vírgulas", na tentativa de colocar Kardec em xeque, de verificarem uma contradição que nunca encontram, fantasiando erros e apontando minúcias, comparados somente ao distraído que observa uma grande construção, como uma grandiosa torre, dia após dia, procurando um motivo para desmerecê-la, e que grita aos quatro ventos: "vejam, aquele tijolo no 25º andar está rachado, esta torre é uma mentira porque aquele tijolo é imperfeito", desatentos e incapazes que são para admitir que seu orgulho e vaidade são maiores que a própria torre ! 

 

Recentemente pude ler absurdos cada vez maiores, como a acusação falsa e insustentável de que Kardec foi racista, comparando o Espiritismo ao Nazismo, comparando a Codificação como Doutrina apoiada por Hitler, seria cômico se não fosse tão absurdo. Que deturpamos os ensinamentos do Cristo. Esta também foi uma argumentação perfeitamente destruída e lançada por terra de forma brilhante. Cada vez mais a Doutrina Espírita se fortalece porque em tudo temos que observar os benefícios dela decorrentes. Existem males que vem para o bem e acredito que toda essa gama de ataques são de alguma forma benéficas para todos nós, cada vez que um argumento é lançado por terra temos aí mais dúvidas esclarecidas, mais divulgação, mais fortalecimento da Doutrina. Exatamente como predito pelos Espíritos Superiores de que os detratores seriam os maiores divulgadores da Doutrina. Cada vez mais pessoas observam a lógica e a fortaleza da Doutrina e também vão notando o desespero e a impossibilidade dos seus detratores em depreciá-la.

 

Estamos vigilantes, atentos, cada vez mais atuantes na defesa do Espiritismo pois sabemos que os ataques não vão parar por aí, é só o começo, estamos preparados e sabemos que a Doutrina estará firme e seguirá em frente, crescendo cada vez mais, levando verdade e consolo a cada vez mais pessoas, iluminando cada vez mais. Os irmãos que hoje lutam de forma ferina, cerrando os punhos e esbravejando contra o Espiritismo ao falarem da Doutrina, desencarnarão um dia e entrarão em contato com a verdade. Reencarnarão cada vez mais dóceis, até que atingirão a maturidade de aceitar e lutar pela sua libertação e crescimento espiritual e não pela vitória exclusiva de sua crença religiosa.

 

Assim é que observamos esses anátemas que cada vez mais se apresenta contra o Espiritismo, e com serenidade e fraternidade vamos seguindo, abrindo picada na mata da ignorância, derrubando essas barreiras, afastando estas idéias absurdas e mostrando o verdadeiro valor das idéias luminosas da Doutrina dos Espíritos.

 

Não nos esqueçamos da frase do nosso grande Emmanuel quando nos disse: "A maior caridade que se pode fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação" e eu acrescentaria. . . e a sua defesa !. Divulgar o Espiritismo é semear o amor!

 

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 03:10

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Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010

O PERISPÍRITO

 

 "Há corpo animal e há corpo espiritual" diz São Paulo (1 Cor. 15:44). Com efeito, esse corpo espiritual de São Paulo é o perispírito dos espíritas de hoje. O perispírito, aliás, não é coisa nova.

No Antigo Egito os sacerdotes ensinavam que além do ka", o Espírito, emanação divina, havia uma forma imaterial "sahu", o fantasma propriamente, que reproduzia exatamente os traços do corpo físico e que se manifestava aos encarnados.

Na Grécia antiga, a doutrina inspirada pelos hinos órficos ensinava: "Amai a luz, e não as trevas. Lembrai-vos da finalidade da vossa viagem. Quando as almas voltam ao mundo espiritual trazem marcadas sobre os seus corpos etéreos, em manchas horrendas, todas as faltas da sua vida e, para as apagar, é necessário voltar à Terra. Mas os puros e os fortes se vão para o sol de Dionísio".

Na Índia se fala também desse corpo espiritual, porque ele próprio se impõe como uma realidade incontestável.

Mas não desejamos deter-nos em detalhes nem em considerações dos antigos filósofos. Preferimos abordar rapidamente as importantes funções do perispírito no plano material, assim como as suas conseqüências no plano espiritual.

O corpo espiritual, isto é, o perispírito está em cada. um de nós intimamente ligado ao corpo físico e é tanto mais sutil quanto mais elevado se acha o ser na escala da perfectibilidade. Vaporoso para nós encarnados é, no entanto, bem grosseiro ainda para os desencarnados; contudo, os Espíritos purificados podem elevar-se com ele na atmosfera e transportar-se aonde queiram.

As suas funções no corpo físico são múltiplas e preside a todos os fenômenos fisiológicos da respiração, da alimentação e assimilação dos alimentos, extraindo toda a matéria aproveitável, afeiçoando-a a cada órgão e eliminando do corpo todos os elementos que lhe sejam inúteis ou nocivos. Com efeito, o nosso organismo é uma complicada máquina que funciona à nossa revelia, sem que, nem de leve, suspeitemos da sua complexidade.

Um elevado Espírito, respondendo numa sessão a um jornalista inglês que lhe perguntara sobre o perispírito, disse: "Tenho um corpo que é uma reprodução do que tive na Terra: as mesmas mãos, pernas e pés, que se movem como o fazem os vossos. Na Terra eu tinha o corpo físico interpenetrado do corpo etéreo que ora tenho. O etéreo é o corpo real e é cópia perfeita do corpo terreno. Por ocasião da morte, emergimos de nossa cobertura de carne e continuamos a nossa vida no mundo etéreo, funcionando aqui por meio do corpo etéreo, exatamente como funcionávamos na Terra, metidos no corpo físico. O corpo etéreo é aqui tão substancial para nós como o era o corpo físico quando vivíamos na Terra. Temos as mesmas sensações. Sentimos e vemos como na Terra. Embora não sejam materiais, conforme entendeis esta palavra, os nossos corpos têm forma, aspecto e expressão".

É ainda no perispírito que ficam registradas as nossas ações e os nossos atos, bons ou maus. De fato, todos os acontecimentos da nossa vida são maravilhosamente registrados em nosso perispírito, nos seus mínimos detalhes; nada se perde.

Segundo recente declaração do Dr. Wilder Penfield, diretor do Instituto de Neurologia de1 Montreal, Canadá, o nosso perispírito grava, como num filme, todos os acontecimentos da nossa vida. A recordação é de tal modo viva que é como se o indivíduo voltasse a reviver as mesmas cenas, os mesmos fatos.

Pelos fatos registrados nas obras espíritas já sabíamos que em momentos críticos, como nos acidentes graves, nas quedas perigosas, na asfixia por afogamento, etc., o indivíduo pode rever, com incrível nitidez, a sua vida até aquele momento, como se assistisse a um filme no qual ele próprio tomasse parte.

Naturalmente os seus atos bons são motivos de satisfação para o seu Espírito, enquanto os atos maus são motivo de tristeza e arrependimento. Por aí se pode avaliar a situação dolorosa de certos Espíritos libertos da carne, tendo diante de si, permanentemente, os acontecimentos deploráveis que desejariam esquecer.

Eis um fato significativo que comprova as afirmações do Dr. Penfield. O almirante Beaufort, quando ainda jovem, caiu de um navio à água do porto de Portsmouth. Antes que fosse possível ir em seu socorro, desapareceu; ia morrer afogado.

Depois de algumas considerações sobre a angústia do primeiro momento, diz ele:

"Com o enfraquecimento dos sentidos coincidiu uma superexcitação extraordinária da atividade intelectual; as idéias sucediam-se com rapidez prodigiosa. O acidente que acabara de dar-se, o descuido que o motivara, o tumulto que se lhe deveria ter seguido, a dor que iria alcançar meu pai e outras circunstâncias intimamente ligadas ao lar doméstico, foram o objeto das minhas primeiras reflexões. Depois, veio-me à memória o último cruzeiro, viagem acidentada por um naufrágio; a seguir, a escola, os progressos que nela fizera e também o tempo perdido, finalmente, as minhas ocupações e aventuras de criança. Em suma, a subida de todo o rio da vida, e quão pormenorizada e precisa"! E acrescenta: "Cada incidente da minha vida atravessava-me sucessivamente a memória, não como simples esboço, mas com as particularidades e acessórios de um quadro completo! Por outras palavras, toda a minha existência desfilava diante de mim numa espécie de vista panorâmica, cada fato com a sua apreciação moral ou reflexões sobre suas causas e efeitos. Pequenos acontecimentos sem conseqüências, há muito tempo esquecidos, se acumulavam em minha imaginação como se tivessem passado na véspera. E tudo isso sucedeu em dois minutos"

(Léon Denis, "O Problema do Ser", pág. 173)

Com efeito, todos os atos da nossa vida e são maravilhosamente registrados em nosso perispírito. Os menores detalhes são cuidadosamente guardados para, no momento preciso, na aflorarem nítidos, inconfundíveis - Eis porque Jesus, estabelecendo a nossa responsabilidade diante da vida, diz: "Até os cabelos da vossa da cabeça estão contados."

Fonte: Reformador - julho/1970 - pg. 161

 

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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:17

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CONSIDERANDO A OBSESSÃO


Com etiologia muito complexa, a alienação por obsessão continua sendo um dos mais terríveis flagícios para a Humanidade.

Não significando a morte o fim da vida, antes o inicio de nova expressão de comportamento, em que o ser eterno retorna ao Mundo Espiritual donde veio, a desencarnação liberta a consciência que jazia agrilhoada aos liames carnais, ora desarticulando, ora ampliando as percepções que melhor se fixaram nos painéis da mente, fazendo que o ser, agora livre do corpo físico, se revincule ou não aos sítios, pessoas ou aspirações que sustentou durante a vilegiatura carnal.
O amor, por constituir alta aspiração do Espírito, mantém-no em comunhão com os objetivos superiores que lhe representam sustento e estímulo, na marcha do progresso. Assim, também, o ódio e todo o seu séqüito de paixões decorrentes do egoísmo e do orgulho, reatam os que romperam os grilhões da carne àqueles que foram motivo das suas aflições e angústias, especialmente se se permitiram guardar as idéias e reações negativas equivalentes.
Sutilmente a princípio, em delicado processo de hipnose, a idéia obsidente penetra a mente do futuro hóspede que, desguardado das reservas morais necessárias à manutenção de superior padrão vibratório, começa a dar guarida ao pensamento infeliz, incorporando-o às próprias concepções e traumas que vêm do passado, através de cujo comportamento cede lugar à manifestação ingrata e dominadora da alienação obsessiva.
Vezes outras, através do processo da agressividade violenta, com que a indução obsessiva desorganiza os registros mentais da alma encarnada, produz-se o doloroso e lamentável domínio que se transforma em subjugação de longo curso.
Noutras oportunidades, inspirando sentimentos nefastos, latentes ou não no paciente desavisado, os desencarnados em desdita nele instalam o seu baixo teor vibratório, logrando produzir variadas distonias psíquicas e emocionais, que o atormentam e desgovernam, graças à inditosa dependência em que passa a exaurir-se, a expensas da vontade escravizante do hóspede que o encarcera e aflige...
Pululam por toda parte os vinculados gravemente às Entidades perturbadoras do Mundo Espiritual inferior.
Obsidiados, desse modo, sim, somos quase todos nós, em demorado trânsito pelas faixas das fixações tormentosas do passado, donde vimos para as sintonias superiores que buscamos.
Muito maior, portanto, do que se supõe, é o número dos que padecem de obsessões, na Terra.
Lamentavelmente, esse grande flagelo espiritual que se abate sobre os homens, e não apenas sobre eles, já que existem problemas obsessivos de várias expressões, como os de um encarnado sobre outro, de um desencarnado sobre outro, de um encarnado sobre um desencarnado e, genericamente, deste sobre aquele, não tem merecido dos cientistas nem dos religiosos o cuidado, o estudo, o tratamento que exige.
Antes, vinculados a preconceitos injustificáveis, os cientistas e religiosos se entregavam à indiferença, quando não à perseguição sistemática aos portadores de obsessões, acreditando que, ao destruírem as vítimas de tão grave enfermidade, aniquilavam a ignorada causa do problema...
Aliás, ainda hoje, a situação. é idêntica, variando, apenas, na forma de encarar a questão.
Mesmo as modernas Ciências, que se preocupam em conhecer profundamente a psique humana, colocam, a priori, os problemas obsessivos à margem, situando-os em posições muito simplistas, já que os seus pesquisadores se encontram atados a raciocínios e conclusões de fisiologistas e psicólogos do século passado, que se diziam livres de qualquer vinculação com a alma...
Repontam, é verdade, aqui e ali, esforços individuais, tentando formular respostas claras e objetivas às tormentosas interrogações da afligente quão severa problemática, logrando admitir a possibilidade da interferência da mente desencarnada sobre o deambulante do escafandro orgânico.
Terapêutica salutar, porém, para a magna questão, é a Doutrina Espírita. Não apenas como profilaxia, mas, ainda, como terapêutica eficiente, por assentar as suas lições e postulados nos sublimes ensinamentos de Jesus-Cristo, com toda a justiça cognominado “O Senhor dos Espíritos”, graças à sua ascendência, várias vezes demonstrada, ante as Entidades ignorantes, perturbadoras e obsessoras.
A Allan Kardec, o ínclito Codificador do Espiritismo, coube a tarefa de aprofundar sondas e bisturis no organismo e na etiologia das alienações por obsessão, projetando luz, meridiana sobre a intricada enfermidade da alma. Kardec não somente estudou a problemática obsessiva, como também ofereceu medidas profiláticas e terapêutica salutar, firmado na informação dos Espíritos Superiores, na vivência com os obsidiados, como pela observação profunda e meticulosa com que elaborou verdadeiros tratados de Higiene Mental, que são as obras do Pentateuco Espírita, esse incomparável monólito de luz, que inaugurou era nova para a Ciência, para a Filosofia, tornando-se o Espiritismo a Religião do homem integral, da criatura ansiosa por religação com o seu Criador.
Diante de qualquer expressão em que se apresentem as alienações por obsessão ou em que se manifestem suas seqüelas, mergulhemos a mente e o coração no organismo da Doutrina Espírita, e, procurando auxiliar o paciente encarnado a desfazer-se do jugo constrangedor, não olvidemos o paciente desencarnado, igualmente infeliz, momentaneamente transformado em perseguidor ignorante, embora se dizendo consciente, mas sofrendo, de alguma forma, pungentes dores morais.
Concitemos o encarnado à reformulação de idéias e hábitos, à oração e ao serviço, porquanto, através do exercício da caridade, conseguirá, sensibilizar o temporário algoz, que o libertará, ou granjeará títulos de enobrecimento, armando-se de amor e equilíbrio para prosseguir em paz, jornada a fora.
... E em qualquer circunstância procuremos em Jesus, Mestre e Guia de todos nós, o amparo e a proteção, entregando-nos a Ele através da prece e da ação edificante, porque somente por meio do amor o homem será salvo, já que o amor é a alma da caridade.
Obsessões e obsidiados são as grandes chagas morais dos tumultuados dias da atualidade. Todavia, a Doutrina Espírita, trazendo de volta a mensagem do Senhor, em espírito e verdade, é o portal de luz por onde todos transitaremos no rumo da felicidade real que nos aguarda, quando desejemos alcançá-la.

Manoel Philomeno de Miranda
(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, na sessão pública da noite do 13-11-76, no Centro, Espírita “Caminho da Redenção”, em Salvador, Bahia).
Fonte: Reformador – maio, 1977
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010

GAVETA DE PAPÉIS

Acho que as idéias, como os seres, os bichos e as plantas, também envelhecem e também morrem quando se aferram à sua condição transitória, esquecidas do apoio eterno da verdade. Isso é natural e explicável, pois que, se assim não fosse, a lei evolutiva, que evidentemente governa o Universo inteiro, seria impossível. De vez em quando temos de fazer uma revisão em nossas idéias, a fim de abandonar as que não servem mais e examinar com cuidado as que se incorporaram aos nossos arquivos psíquicos. E’ assim que evoluímos espiritualmente, pois, afinal de contas, o Espírito tem uma vocação irresistível para o aperfeiçoamento moral e o esclarecimento intelectual.

 

Mais ainda: é preciso desenvolver harmoniosamente os dois termos da equação humana: moral e intelecto. Nem tudo pode fazer uma criatura moralizada, quando reduzidos lhe são os recursos intelectuais, não lhe permitindo uma atividade esclarecedora em benefício próprio e alheio. Em todo o caso, é infinitamente melhor sermos bem evolvidos moralmente e acanhados do ponto de vista intelectual, do que sermos grandes sábios, pejados de conhecimentos, sem uma estrutura moral suficientemente desenvolvida. Deficiências morais e intelectuais são transitórias; essas faculdades tendem a se ajustarem, de vez que o Espírito às vezes se detém na sua caminhada, mas nunca recua, como ensina Allan Kardec. Acabará o Espírito por encontrar em si mesmo o justo equilíbrio, tornando-se moral e intelectualmente evoluído, o que, de resto, constitui seu objetivo e seu passaporte para o mundo maior. Em suma: é muito melhor ser bom e inculto do que sábio e imoral, mas o ideal só começamos a alcançar quando nos tornamos bons e sábios.

 

Enquanto não nos bafejamos com a brisa da bondade e da sabedoria, em doses equilibra­das e justas, precisamos, não obstante, viver, aqui e no mundo espiritual, à medida que vamos e voltamos, em sucessivas encarnações. Ora, vi­ver é escolher. A vida é uma série infinita de escolhas, de decisões e resoluções. Temos de as tomar, no livre exercício do nosso arbítrio. Ninguém pode, em sã consciência, pegar-nos pela mão e nos conduzir ao nosso destino; temos de ir com as nossas próprias forças e recursos. Quanto mais alta a hierarquia espiritual daqueles que se incumbem da espinhosa missão de nos guiar, mais cuidadosos se mostram em não to­mar por nós decisão que nos compete. O que fazem esses orientadores é nos mostrar as alternativas. Se resolvermos pelo caminho do bem, dizem-nos, teremos o mérito das nossas vitórias; se nos decidirmos pelo mal, ficaremos com a responsabilidade e os ônus dos nossos erros. O Espírito, portanto, é deixado livre na sua escolha e iniciativa. Nessas contínuas e repetidas decisões é que vamos renovando nossas idéias e treinando a nossa vontade. O que ontem nos parecia certo, hoje pode parecer duvidoso e amanhã inteiramente inaceitável. De outro lado, muito do que considerávamos há pouco completamente errôneo, pode, de repente, assumir aspectos menos hostis, até que acabamos por incorporar as novas idéias à nossa bagagem intelectual.

 

Há, porém, a considerar, aqui, um ponto da mais alta importância: é que tanto podemos caminhar na direção da luz como permanecer nas trevas, tateando, ou nelas afundando cada vez mais, conforme esteja ou não alertada aquela condição básica a que o Mestre chamou vigilância. Se nos faltar esta que, ainda segundo o Cristo, se fortalece com a oração (orai e vigiai), vamos aceitando idéias indignas e dissolventes que antes nos repugnavam, mas que passamos a achar muito naturais. Se estamos atentos, se guardamos em nós a singeleza de coração que nos leva a receber, com humildade, não apenas as alegrias, mas principalmente as tristezas, então as idéias que começamos a considerar são as que constroem e educam, que aperfeiçoam e moralizam cada vez mais. E’ aí, pois, que entra em ação a nossa capacidade de escolha e decisão. E surge a pergunta: a idéia que se nos oferece é digna de ser incorporada à estrutura do nosso espírito ou é uma dessas que só vão contribuir para nos dificultar a marcha? Será que não es­taremos trocando uma idéia nova, que à primei­ra vista nos seduz a imaginação, por uma outra que, embora velha, está escorada na Verdade? Ou, examinando a medalha do outro lado: será que não estamos desprezando uma idéia magnífica, apenas porque não desejamos, por comodismo ou temor, abandonar a ilusória segurança das nossas velhas e desgastadas noções?

 

Essas coisas todas me ocorrem quando me lembro da dificuldade que temos para nos livrar­mos de idéias que somente nos prejudicam. Algumas delas têm sido mesmo responsáveis por muitas das nossas aflições e, em acentuada pro­porção, pelo próprio retardamento da marcha evolutiva da Humanidade. Estão neste caso alguns dos dogmas mais caros e mais irredutíveis da teologia ortodoxa. E aqui não se distingue a teologia católica da teologia protestante. Esta última, a despeito de todo o seu ímpeto reformista, conservou certos princípios que ainda prevalecem, como a questão da salvação.

 

Espero que o leitor fique bem certo de que não pretendo atacar o Catolicismo nem o Protestantismo. Reencarnacionistas convictos, como somos os espíritas kardequianos, podemos estar razoavelmente certos de já havermos trilhado os caminhos da ortodoxia religiosa. E’ bem provável que muitos de nós tenhamos até trabalhado ativamente para propagar essas idéias dogmáticas que agora não mais podemos aceitar. No entanto, temos de pensar sem que nisso vá nenhuma pitada de superioridade — que aqueles caminhos ainda servem a muitos e muitos ir­mãos nossos.

 

Mas, voltando ao fio da conversa, em que consiste a salvação? Salvamos a nossa alma, diz o teólogo, das penas do inferno e vamos para o Céu, se agirmos de acordo com os preceitos da lei moral e se praticarmos fielmente os sacra­mentos, observando os ritos, conforme a prescrição canônica. Para a teologia ortodoxa não basta que o homem seja altamente moralizado, bom e puro; é preciso também que pratique os sacramentos e se conforme com a estrita orientação espiritual da sua Igreja. O desvio, por menor que seja, é logo tido por heresia e o seu iniciador é proscrito do meio, depois de esgotados os re­cursos habituais de persuasão, com o objetivo de reconduzir ao seio da comunidade a ovelha desgarrada.

 

Convém examinar bem essa idéia da salvação, pois esta é uma das que têm trazido bastante dano à evolução do espírito humano. No fundo, é um conceito egoístico: o Espírito se salva pela fé e pelas obras, diz o católico. Não, diz o protestante, basta a fé, porque o homem é intrinsecamente pecador e sem a graça vai para o inferno irremediavelmente. E, assim, muitos se encerraram em claustros, passaram a viver isolados do mundo para que nele não contaminas­sem suas almas destinadas ao Senhor, logo após a libertação da morte. Outros, empenhados não apenas em salvar as suas próprias almas, como a dos outros, saíram pregando aquilo que lhes parecia ser a doutrina final, a última palavra em matéria teológica. Ainda outros, mais zelo­sos e exaltados, achavam que não bastava sal­var suas próprias almas e convocar as de seus irmãos a fim de lhes mostrar o caminho; era necessário obrigá-los a se salvarem, porque nem todos estariam em condições de decidir acerca dessas coisas tão importantes. E, por isso, aqueles que estudavam Teologia e se diziam em íntimo contacto com Deus e agiam em nome do Senhor, se sentiam não apenas no dever, mas na obrigação de salvar a massa ignara que nada entendia disso. “Creia porque eu creio e eu mais do que você” — parecia pensarem estes mais agressivos salvadores de almas. Quando o irmão recalcitrava, era preciso corrigi-lo, aplicando pe­nas que iam desde a advertência amiga e verdadeiramente cristã, até o extremo da tortura e, finalmente, do inacreditável assassínio frio e calculado, em masmorras infectas ou nas fogueiras purificadoras. Disso não se eximiu nem mesmo o nascente Protestantismo, cuja intolerância religiosa conduziu a crimes lamentáveis. Era melhor queimar um corpo físico — pensavam todos — do que permitir que aquela alma “rebelde” contaminasse outros seres incautos, com as suas doutrinas, e acabasse pelos arrastar às fornalhas do inferno.

 

  Vemos, então, que a idéia da salvação se prende solidamente a duas outras: a do céu e a do inferno. A questão é que também estas precisam de um reexame muito sério.

 

  Aqueles de nós que têm tido oportunidade de entrar em contacto com Espíritos desencarnados, ficam abismados com a quantidade imensa de pobres seres desarvorados que não conseguem entender o estado em que se encontram e a vida no Além, ficando numa confusão dolo­rosa por um lapso de tempo imprevisível. O Espírito que levou uma ou mais existências ouvindo a pregação dogmática, sem cuidar de examiná-la, praticando as mais nobres virtudes, frequentando religiosamente todos os sacramentos e assistindo a todas as cerimônias do ritual, sente-se, com certa razão, com direitos inalienáveis ao prêmio que lhe foi prometido, isto é, subir para Deus imediatamente após a morte do corpo físico. No entanto, não é isso que acontece. Quem somos nós, Senhor, já não digo para sermos acolhidos no seio de Deus, mas para suportar com nossos pobres olhos o brilho de um Espírito mais elevado? Que mérito temos nós, ainda tão imperfeitos, para exigir o chamado céu, após uma vida (uma só, como crêem os ortodoxos) em que tanto erramos, por melhores que tenham sido nos­sas intenções? Como poderemos ambicionar chegar a Deus se nem ainda tivemos tolerância suficiente para admitir a coexistência de outras crenças?

 

  Daí o desapontamento daquele que morreu em pleno seio da sua Igreja amada, protegido por todos os sacramentos, recomendado por tantas missas e serviços religiosos, mas que, a despeito de tudo isto, ainda não viu a Deus.

 

  Conhecemos também a angústia daqueles que, conscientes dos seus erros e crimes, ou mesmo ainda indiferentes a eles, mergulham num clima de angústia que lhes parece irremediável e sem fim, tal como lhes diziam que era o inferno. Hipnotizados à idéia do sofrimento eterno, nem sequer sabem que estão “mortos” na carne nem suspeitam que podem recuperar-se pela oração e pelo arrependimento. Figuras sinistras passeiam à sua volta e deles escarnecem e os fazem sofrer. São os demônios, pensa a criatura aterrada e desalentada. No entanto, são seres como ele próprio, também desarvorados e infelizes, todos inconscientes das forças libertadoras que trazem em si próprios e que podem ser despertadas pelo poder da lágrima e da prece.

 

  Tanto num caso como noutro, não há como negar, estamos diante de vítimas do dogmatismo cego que proíbe o livre exame das questões. Enquanto na carne, aceitavam aquelas idéias ou seriam forçados a abandonar as igrejas a que pertenciam, se não excomungados, pelo menos proscritos do meio. E se de um lado estão os que não se dispuseram a deixar as idéias erradas por indiferença ou comodismo, de outro vemos os que não as deixaram por receio de não se sal­varem, pois que uma das doutrinas prediletas das organizações dogmáticas é a de que fora delas não há salvação. Assim, vai a criatura inteiramente despreparada para enfrentar o mo­mento supremo da sua vida terrena, isto é, aquele em que, mais uma vez, se encontra diante do trágico balanço da sua existência.

 

Por isso o Espiritismo mudou o conceito da salvação. Não dizemos que fora do Espiritismo não há salvação, e sim que fora da caridade não há salvação. Mas completamos esse nobre conceito explicando que céu e inferno são figuras de ficção que já perderam sua razão de ser e, ainda, que nunca essas idéias se conciliaram com a de um Deus justo e bom, puro e perfeito. Esse Deus, imenso de caridade e amor, não iria criar filhos seus para as chamas do inferno irremediável e eterno, como também não ficaria como um potentado, rodeado de multidões a Lhe cantarem loas eternas. O que Deus quer de nós é o trabalho fraterno e a conquista da nossa própria paz interior, palmo a palmo, com o nosso próprio esforço, se bem que muito ajudados pelo infinito amor que Ele derrama tão generosamente por todo esse grandioso Universo, fervilhante de vida.

 

Salvar-se, para o Espiritismo, não é escapar às penas de um inferno mitológico, para subir às glórias de um céu de contemplação extática. Salvamo-nos caminhando sempre para a luz divina, aos pouquinhos, vencendo nossas fraquezas, caindo aqui, levantando ali, ajudando e sendo ajudados, distribuindo as alegrias que nos sobram e recebendo um pouco da mágoa que aos outros aflige, pois que já disse alguém que a felicidade aumenta com o dar-se e o sofrimento alivia quando partilhado.

 

Salvar-se, para a Doutrina Espírita, não é escapar ao inferno que não existe, é aperfeiçoar-se espiritualmente, a fim de não cairmos em estados de angústia e depressão após o transe da morte, em suma, libertar-se dos erros, das paixões insanas e da ignorância. Salvamo-nos do mal e nos liberamos para o bem, eis tudo.

 

Examine o leitor as suas idéias, como quem remexe uma gaveta de papéis. Aqui e acolá vai encontrando alguns que não servem mais e precisam ser postos fora, como também encontrará alguns conceitos novos que, sem se saber ao certo, juntaram-se à nossa bagagem. Estes também precisam de ser examinados com atenção. Talvez nos sejam úteis, mas tenha cuidado com eles. Uma idéia pode ser nova e boa e pode ser apenas nova. Pode ser velha e excelente e pode ser não mais que uma velharia que já teve seu tempo e desgastou-se. A pedra de toque de todas as idéias é a Verdade e esta somente nos ajuda a selecionar o nosso mobiliário mental e espiritual quando vamos adquirindo serenidade e humildade no aprendizado constante que é a vida, aqui e no Espaço.

 

Fonte: Reformador – agosto, 1964

 

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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 05:07

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AVERSÃO



“O Livro dos Espíritos” – questões nºs 386 a 391 – fala dos simpatias e antipatias existentes entre os encarnados, tudo com raízes profundas na universal lei de sintonia.
Com relação à aversão, tem ela duas causas principais: o relacionamento desarmônico entre as criaturas ou o desnível evolutivo. Em ambos os casos, estamos sendo advertidos seriamente no sentido de não darmos guarida a esse sentimento em nossos corações. Assim como somos chamados a perdoar igualmente compreender o irmão menos vivido, porque é da Lei que o mais esclarecido oriente os passos do menos esclarecido. Se o erro ou a prática de iniquidades fossem imperdoáveis, Jesus não teria vindo até nós...
A aversão pode ser ativa ou passiva, conforme seja ela alimentada por nós ou contra nós. No primeiro caso, ainda que a tarefa não seja fácil, o esforço por libertarmo-nos desse impulso inferior depende exclusivamente da nossa vontade, guiada para esse intento e recorrendo aos recursos sempre eficazes da vigilância dos pensamentos e da meditação.
Na maioria das vezes, a aversão nasce de pequenas faltas ou de simples desatenções involuntárias. Se tivéssemos a capacidade de “aguardar” o tempo, quantas surpresas não teríamos? Quantas pessoas cometem pequenas desconsiderações para conosco e mais tarde nos dão cabal demonstração de apreço e amizade? Entretanto, os vícios da egolatria – o ciúme, a inveja, o orgulho, a vaidade – impedem o pronto esquecimento da falta, exagerando-lhe a extensão. Com o tempo, a simples mágoa inicial transforma-se em aversão duradoura.
Há certas antipatias cujas causas são aparentemente inamovíveis, tal como nos casos de diferenças de sensibilidade entre duas criaturas. Não obstante, devemos considerar que ninguém é completamente baldo de qualidades positivas e, se estivermos realmente empenhados em transformar o sentimento de antagonismo, um meio eficaz seria procurar descobrir virtudes em nosso opositor, fazendo nascer me nós impulsos de boa-vontade. Esta é a técnica do bem-viver, a ser sistematicamente aplicada, muito especialmente com relação àquelas pessoas obrigadas a um convívio mais permanente conosco, como o colega de trabalho ou parente próximo.
As leis da vida concedem aos adversários de ontem muitas oportunidades e tempo mais prolongado, visando a reconciliação definitiva. Esse o objetivo a ser alcançado a todo custo, porquanto o ódio e a desavença destroem sempre, enquanto o amor é a base indispensável a qualquer realização nobre e permanente. Só assim compreendemos por que os abnegados obreiros de plano espiritual, verdadeiros instrumentos do Senhor, despendem tanto trabalho, tanta renúncia para alcançar esses objetivos. Quanto atividade concentrada, para restaurar a harmonia da vida, alternada pela nossa ignorância ou invigilância!...
Na segunda hipótese antes mencionada, isto é, a da aversão “contra nós”, o remédio e bem difícil de ser aplicado, porque o resultado não depende somente de nosso esforço, mas de modificarmos o quadro mental de nosso desafeto. Como podemos conseguir isso?
Jesus nos recomenda “amar aos nossos inimigos”. Tal ensinamento tem sido até motivo de chacota por aqueles que jamais procuram extrair o espírito da letra. Com o tempo, porém, o aprendiz do Evangelho vê nele a ciência de bem-viver. Em primeiro lugar, procura escoimar do ensinamento os exageros de interpretação, para aplicá-lo na vida prática, com probabilidade de êxito. É evidente que a recomendação evangélica não impõe convidemos o inimigo para jantar conosco. A afinidade de sentimentos é lei natural que prevalece em todas as situações. Isso não obsta, entretanto, que possamos modificar a maneira de sentir de nosso desafeto, praticando a máxima de Jesus no seu significado simples de “retribuir o mal com o bem” sempre que se apresente a oportunidade.
Da mesma forma, “orar pelos que nos perseguem e caluniam” é um recurso que beneficia, antes de mais nada, a quem dele se vale, pois o maior efeito da oração pelo nosso adversário é o de não deixar se instale, dentro de nós, o sentimento mesquinho da aversão. A prece, nesses casos, nos provê de humildade, possibilitando ver no ofensor um irmão carente de valores espirituais, tanto quanto nós mesmos o somos...
Em suma, não devemos, em hipótese alguma, cultivar aversão contra quem quer que seja. Um sentimento dessa ordem entrava o progresso espiritual, impede muitas realizações positivas, com agravo de nossas responsabilidades perante a vida.
André Luiz, a esse respeito, nos diz:
“Toda antipatia conservada é perda de tempo, em muitas ocasiões acrescida de lamentáveis compromissos. O espinheiro da aversão exige longos trabalhos de reajuste. Em várias circunstâncias, para curar as chagas de um desafeto, gastamos muitos anos, perdendo o contacto com admiráveis companheiros de nossa jornada espiritual para a Grande Luz.” (“Entre a Terra e o Céu”, pág. 170).
Guardemos bem essas palavras do estimado amigo da Espiritualidade Maior.

Revista Reformador – Fevereiro 1978
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:54

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