Terça-feira, 12 de Outubro de 2010

CONVERSÃO AO ESPIRITISMO

Apesar das dificuldades que enfrenta contra o preconceito e a ignorância, o Espiritismo triunfará.
Como os Espíritos Superiores disseram a Allan Kardec, o Espiritismo está em a natureza e nada se lhe poderá opor.
Entretanto, ao contrário do que muitos pensam, o Espiritismo não logrará a adesão das massas aos seus postulados, qual se, de um instante para o outro, todos se lhe rendessem à lógica insofismável.
A conversão à Doutrina Espírita, semelhante ao que aconteceu com o Cristianismo, acontecerá de maneira individual, subordinando-se ao amadurecimento de cada alma.
É o que temos visto acontecer em toda parte...
Chegado o momento, mesmo sem terem sequer conhecimento da existência da filosofia espírita, os homens, intuitivamente, abraçam os seus princípios e tornam-se partidários da Reencarnação, da Lei de Causa e Efeito, da Mediunidade, da Pluralidade dos Mundos Habitados...
Acontece com os homens de hoje, em relação à conversão espírita, o que aconteceu com os cristãos dos primeiros tempos, quando, deixando tudo o que estavam fazendo, decidiam-se a seguir o Senhor, atraídos pela sinceridade de suas palavras.
Neste sentido, ainda queremos ressaltar que, embora o fenômeno mediúnico seja um caminho para a conversão dos homens às realidade do Mundo Invisível, a conversão genuína que se opera em profundidade é aquela que é fruto da razão. Os que se convencem porque viram poderão duvidar mais tarde, crendo-se vítimas da ilusão, mas os que se convertem porque entenderam jamais desfalecerão na fé, sejam quais forem os motivos à decepção que venham sofrer.
Assim, prossigamos na tarefa da divulgação espírita, sem outra ansiedade que não seja a de vivenciarmos os postulados da Terceira Revelação.
Preocupando-nos com a construção da Reino de Deus em nós, estaremos dando a nossa mais efetiva colaboração para a sua edificação sobre a Terra.
Abracemos o Espiritismo com tranqüilidade, sem a preocupação de impormos a nossa fé aos outros, porque a violência não consta das Leis que regem a Vida.
Enquanto não teve a sua "entrevista pessoal" com o Cristo, na solidão do deserto escaldante, Paulo não converteu-se ao Evangelho do qual tornou-se fiel defensor até o fim de seus dias...
Muitos dos que tiveram a abençoada oportunidade de ouvir o Senhor não aceitaram a Verdade que ele anunciava senão depois de serem chamados a reflexões mais profundas através da dor.
Semeemos a boa semente e deixemos, com Deus, o seu crescimento.
A nossa tarefa é a de, incansavelmente, semear, na certeza de que as sementes que caírem em terreno fértil haverão de germinar a seu tempo.
Meditemos que, passados dois mil anos, o Senhor pacientemente ainda espera que os homens descerrem o coração à Boa Nova, na expectativa do despertar de cada consciência.

Deolindo Amorim
(Do livro "Irmãos do Caminho", - Carlos A. Baccelli - Espíritos Diversos"
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010

DESUNIÃO E DIVERGÊNCIA

Nem sempre divergência significa desunião. Se é verdade que as divergências ou discordâncias algumas vezes já comprometeram a união entre pessoas e grupos, não se deve dar a este fato a extensão de uma regra geral, pois é apenas um episódio discrepante. Onde há duas pessoas frente a frente sempre há o que ou em que discordar. Seria impossível a existência de um grupo humano, por menor que fosse, sem um pensamento discordante, sem uma opinião contrária a qualquer coisa. Entre dois amigos, como entre dois irmãos muito afins pode haver divergência frontal ou inconciliável em matéria política, religiosa, social etc., sem que haja qualquer “arranhão” na amizade. Discutem, discordam, assumem posições opostas, mas continuam unidos.
Justamente por isso e pelo que observo na vida cotidiana, não creio que seja necessário abafar as divergências ou evitar qualquer discussão, ainda que em termos altos, simplesmente para preservar a união de um grupo ou de uma coletividade inteira. Seria o caso, em última hipótese, de acabar de vez com o diálogo e adotar logo um tipo de vida conventual. O diálogo é uma necessidade, pois é dialogando que trocamos idéias e permutamos opiniões e experiências. Uma comunidade que não admite o diálogo está condenada, por si mesma, a ficar parada no tempo. Cada qual naturalmente deve preparar-se ou educar-se espiritualmente para discutir ou divergir sem prevenções ou ressenti­mentos. O fato de não concordarmos com a opinião de um companheiro neste ou naquele sentido ou de não adotarmos a linha de pensamento de uma instituição deve ser encarado com naturalidade, mas não deve servir de motivo (jamais!) para que mudemos a maneira de tratar ou viremos as costas a alguém. Seria o caso de perguntar: e onde está o Evangelho, que se prega a todo momento?... Como falar em Evangelho, que é humildade e amor, e fugir a um abraço sincero ou negar um aperto de mão por causa de uma divergência ou de um ponto de vista?
Então, não é a divergência aqui ou ali que porventura “cava o abismo da desunião”, é a incompreensão, o personalismo, o radicalismo do elemento humano em qualquer campo do pensa­mento. Já ouvi dizer mais de uma vez que os espíritas são desunidos por causa das divergências internas. Sinceramente, não acompanho este ponto de vista. Acho que não há propriamente desunião, mas apenas desencontro de idéias, fora dos pontos cardeais da Doutrina. Somos uma comunidade composta de gente emancipada e, por isso mesmo, o campo está sempre aberto ao estudo e à crítica. Certos observadores gostariam, por exemplo, que o Movimento Espírita fosse um “bloco maciço sem nenhuma nota fora do conjunto. É uma pretensão utópica, pois não há um movimento religioso, político ou lá o que seja sem alguma voz discordante, aqui ou ali.
Tomava-se como referência, até bem pouco tempo, a “unidade monolítica” da Igreja Católica. Unidade relativa, diga-se de passagem. E o que se vê hoje? O fracionamento cada vez mais acentuado. Os grupos conservadores, porque se batem pela manutenção da Igreja tradicional, estão enfrentado os grupos renovadores, partidários de modificações estruturais; grupos que querem a Igreja fora da política estão em conflito com os grupos que querem justamente uma Igreja participante no campo político. Há, portanto, demanda de alto a baixo, com pro­gramas de reforma na teologia, como na administração e na disciplina eclesiástica. Logo, a Igreja não oferece hoje a unidade doutrinária que nos apontam às vezes, como modelo. E o Protestantismo, que é outro grande movimento religioso, não se divide em denominações e seitas, com características diferentes entre si? Batistas, presbiterianos, adventistas, congregacionistas etc. Não desejo criticar procedi­mentos religiosos, pois todos os cultos são respeitáveis, mas estou anotando fatos.
Voltemo-nos para mais longe, fora da faixa ocidental, e lá está o Budismo, também um movi­mento expressivo. Não cabe, aqui, discutir se o Budismo é ou não religião. Seja como for, ocupa um espaço considerável, mas também se ramificou. Existe, hoje, pelo menos mais de uma escola budista. O Positivismo, que viera da França, teve muita força no Brasil, mas não se manteve íntegro, pois o grande bloco se desmembrou entre científicos e religiosos no século passado. Sobrevive, hoje, uma religião sem Deus, sem cogitação acerca da vida futura, mas um culto ritualizado, com sacerdócio.
Muitos discípulos de Augusto Comte não queriam, de forma alguma, que o Positivismo se transformasse em religião e, por isso, eram chamados de científicos, ao passo que muitos outros absorveram logo o Positivismo como Religião da Humanidade. E realmente implantaram um culto religioso no Apostolado Positivista. Logo, também o Positivismo não conseguiu sustentar um padrão uniforme.
O fenômeno que se observa no meio espírita é muito diferente.
Sempre houve divergências, mas não se quebrou a unidade doutrinária, que é fundamental. O Espiritismo continua a ser um só, inconfundível, não se dividiu em diversos espiritismos. Há, entre nós, opiniões discordantes em determinados aspectos, porém, os princípios são os mesmos, não se alteraram. Não formamos sei­tas nem correntes à parte, apesar das divergências. Então, não há motivo para que estejamos vendo desunião onde há simples­mente desacordo de idéias.

Deolindo Amorim
Fonte: Reformador – junho, 1989
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:24

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Sábado, 9 de Outubro de 2010

DO CULTO A DEUS

DO CULTO A DEUS

Ritualismo religioso

Da Encyclopædia: ritualismo – nome dado à doutrina de Edward Bouverie Pusey (puseísmo) que surgiu por volta de 1850 em Oxford, movimento que se acentuou tendendo a restabelecer na prática da Igreja anglicana a observação dos principais ritos em uso na Igreja romana. Rito é sinônimo de culto, seita, ligado às religiões; é também normas de ritual.

Ritual (do latim: ritualis) é o livro que contém as cerimônias que se devam observar na administração dos sacramentos e durante a celebração do serviço divino. O termo se generalizou, por extensão, para definir o cerimonial a ser realizado em uma reunião social, distinguindo-as, de acordo com seus fins.

Cícero ainda nos fala do culto e das cerimônias consagradas aos deuses como religião.

 

Análise teonômica

Neste capítulo, sem dúvida, reside a diferença crucial entre as demais seitas e religiões que adotem um princípio teológico e a parte religiosa espírita, motivo pelo qual, muitos teóricos insistem em não aceitar a parte religiosa da codificação. Os principais tópicos serão analisados a seguir.

O Espiritismo:

– Não tem cultos religiosos.

– Não adora imagens nem consagra personalidades.

– Não admite qualquer tipo de infalibilidade, inclusive a mediúnica.

– Não pratica qualquer tipo de rituais.

– Não possui dogmas de fé nem admite mistérios.

– Não cultiva casta sacerdotal que exerçam a pregação doutrinária remunerada como meio de vida, nem possui missionários ou orientadores doutrinários específicos em sua pregação.

– Não adota o proselitismo nem a catequese.

– Respeita qualquer posição religiosa e não interfere em seus cultos.

– Não admite que as Entidades espirituais manifestas mediunicamente sejam aquinhoadas com qualquer forma de bens e ou utilidades materiais, muito menos bebidas, alimentos e imolações consagradas a elas.

– Não compactua com a fraude fenomênica.

– Não admite interesses pecuniários no exercício de qualquer atividade doutrinária, recomendando que seus adeptos, todos, tenham seus próprios meios de vida exercendo uma atividade profissional.

– Não possui templos religiosos.

– Coloca o estudo e a razão como condições doutrinárias precípuas.

– Não idolatra Deus nem venera Espíritos ou Entidades mentoras, ama-as, respeita-as e as admira sem cultuá-las como infalíveis ou santificadas. Nem admite infalibilidades.

Só os que não conhecem as obras de Allan Kardec é que são capazes de afirmar o contrário, pois o codificador da doutrina espírita não aceita qualquer envolvimento ritualístico, apesar de saber que o rito é íntimo nas criaturas, mas considera que seja um entrave ao seu progresso.

Muitos hão de se chocar com algumas ou até todas as negações; são os que ainda não se libertaram dos vínculos eclesiásticos e não se livraram do ranço de sua doutrinação. Não são capazes de resistir às verdades espíritas perante a coação religiosa imposta à nossa sociedade predominantemente católica durante tantos séculos.

 

Considerações

Façamos uma análise de cada caso.

O culto a Deus está dentro de cada um e depende da forma pela qual Ele seja compreendido, já que, em verdade, os conhecimentos humanos estão infinitamente aquém da possibilidade de se imaginar como seja o Criador.

Nunca nos esqueçamos de que culto, aqui, refere-se à liturgia ou ofício divino, o ato e não o sentimento. O Espiritismo não possui missas de nenhuma natureza, logo, não possui culto. E ainda é bom se ter em mente que os próprios alfarrábios garantem que o culto a Deus é a ordem de cerimônias e preces determinadas pelas autoridades eclesiásticas competentes. Este será o caso do culto no lar (ou fora dele): cumprir determinações eclesiásticas. Convenhamos, um igrejismo inconfesso. Ressalve-se, pois, que muitos (no meio espírita) chamam erroneamente de culto no lar o que deveria ser “reunião no lar”.

E ainda cabe lembrar que Deus, por não ser humano, jamais está preocupado como que o homem possa pensar Dele; o importante é que suas sábias leis sejam cumpridas.

Como observação final, não se deve confundir o ato de cultuar memórias, lembranças amigas e recordações, etc., no sentido figurado do termo, com o aludido culto religioso.

A liturgia – o termo advém do grego ( leitos – público; ergon – obra) e define como todos os dicionários indicam o serviço público de Deus, sua adoração e os ritos em seu louvor. Vai mais além quando afirma que os ritos públicos e serviços das Igrejas cristãs, principalmente os encontrados em missas ou cerimônias, englobam a eucaristia.

As liturgias diferem nas formas externas ou na invocação a Deus. No seu estudo, diferenciam-se os estilos distinguindo-se as que são praticadas pelos povos do oriente, quase todas muito parecidas com as que as Igrejas que adotaram a formação grega usam m. De permeio, encontra-se, ainda, a ritualística do Oriente Médio, que não sofre influências de nenhuma das duas clássicas liturgias.

Considerando que a Doutrina dos Espíritos não adota clérigos, que respeita o formalismo de cada um, que admite que a forma de compreender e sentir Deus é individualista, por certo não acolherá posições correlatas com o que se possa ter como cultos adotados de qualquer natureza e, portanto, liturgias.

Adoração de imagens – quanto à ideia de figuras tidas como sagradas, como totens e personalidades religiosas sacerdotais de qualquer natureza, não são admitidos numa doutrina em que o individualismo seja resguardado.

Não se justificam tais adorações pelo próprio posicionamento encarnacionista já que se sabe que nenhuma e qualquer imagem substitui a personalidade de quem represente, nem ali estarão suas radiações, já que se trata, apenas, de mero objeto figurativo.

Além disso, a adoração é injustificável.

Relativamente a sacerdotes, como o conceito é de que os mesmos sejam os representantes de Deus na Terra e como não possuam a respectiva credencial, sequer a capacidade de conhecer o Criador, não se justifica que se tenha neles a figura representativa de quem pudesse possuir tais privilégios, regalias ou poderes.

Entenda-se, porém, que isto não significa que tenhamos retratos de pessoas queridas em nossos salões, já que, apenas, o mesmo representa simples e singela lembrança do fotografado.

A infalibilidade – é outro ponto importante: só os fanáticos a admitem e esse tipo de paixão é cega e obsessiva, não tem acolhimento entre os que estudam e conhecem os ensinos espiríticos. O pior, é que se estende a qualquer coisa ou pessoa, incluindo médiuns e mensagens, patuás e superstições. Tudo, porém, deveria passar pelo crivo da análise; o simples fato de se ter recebido determinada comunicação de um desencarnado, no caso mediúnico mais afeito a nós, não significa que a mesma represente a verdade plena, primeiro, porque os Espíritos fora de um corpo continuam sendo os mesmos, com as mesmas características e idêntico saber ou conhecimento. Depois, porque não se pode garantir que o fenômeno tenha sido puro, sem influências mistificatórias indistintas. O que prevalece ainda é a razão.

Independentemente de fraudes, essas mensagens mediúnicas estão, ainda, sujeitas a inúmeras interferências e nem sempre acabam representado rigorosamente o que a Entidade manifestante pretendia transmitir. Tudo isso mostra que não existem infalibilidades. Só a Criação é perfeita.

Os rituais são mero formalismo; foram criados para impressionar o leigo e dar aos assistentes à ideia do transcendental. Provêm dos velhos cultos e do ritual primitivo.

As cerimônias religiosas como o batismo, casamento sacro, unção, missa, todos revestidos de ritualística, são perfeitamente dispensáveis e substituíveis por solenidades simples que visem à realização comemorativa dos eventos em causa sem a característica aparatosa, contemplativa e idólatra do culto sacerdotal.

Além disso, ninguém está credenciado para celebrar tais solenidades em nome de Deus, como seu representante. O que o Espiritismo combate é a crendice religiosa, o que nada tem que ver com as festividades simples, comemorativas desses eventos.

Dogma – outro ponto inaceitável, que é o estabelecimento pela fé e pela crença de princípios improváveis, o que será a negativa da razão. O dogma é sempre imposto e indiscutível, mostrando que não espelha a verdade porque esta, onde estiver, resistirá incólume a qualquer análise, sem temor de que possa ser desmascarada.

O mistério, principalmente divino, se mistério, ou seja, de causa desconhecida, tornando-se um enigma, pela própria definição, não pode ter aceitação porquanto ninguém será capaz de explicá-lo.

Nesse ponto, o Espiritismo segue a linha da Ciência: os pontos desconhecidos não são passíveis senão de estudos para averiguação e só podem se constituir em fato aceito quando forem devidamente esclarecidos ou provados.

A casta sacerdotal – é uma hierarquia terrena, estabelecida segundo os critérios de poder e escolha que nem sempre coincidem com o grau de adiantamento espiritual de seus componentes e só a evolução é que poderia definir as categorias, as patentes ou qualquer outra classificação de dependência, comando e subordinação no campo moral.

O simples fato de não se admitir o sacerdote, ou seja, o que se diga representante de Deus na Terra (ou detentor de seus poderes), por si, já eliminaria o critério de casta.

No lugar do sacerdote o Espiritismo adota o expositor, aquele que, com seus estudos e conhecimentos, esteja apto a transmitir para os demais companheiros de doutrina os ensinamentos que tenha adquirido.

Proselitismo – quanto a isto, cada qual deve seguir a linha de conduta que melhor lhe aprouver, levando em conta suas tendências, o que é válido para tudo, inclusive na linha doutrinária. Não adianta tornar-se adepto do Espiritismo, como uma grande parte faz, e continuar seguindo as linhas de sua antiga posição religiosa, ainda, querendo que os demais corroborem com isto. Não é o Espiritismo que deve se adaptar a seu seguidor.

Por esse motivo é que, no Espiritismo, há uma enorme diversidade de posicionamentos anômalos, alguns, até, condenados por Kardec. A tendência de cada um não pode ser contrariada. Esse é o mesmo motivo pelo qual não se recomenda a catequese, pois, cada qual só deve se tornar espírita depois de se inteirar dos seus critérios, aceitá-los pelo raciocínio e adotá-los conscientemente. Ainda aqui a razão.

O respeito – o Espiritismo não visa à competição nem pretende ser a única verdade a ser admitida, muito menos o único dos caminhos que levem a Deus e sua compreensão. Assim, é que respeita qualquer culto e os julga essenciais para atender aos afins. Cada qual é livre para praticá-los. O que não se aceita é tê-los como espíritas.

As oferendas – por outro lado, há inúmeras seitas que praticam o mediunismo e que, nessa prática, adotam ritualismo, oferendas e que mais. Elas não podem ser confundidas com a linha pregada por Kardec, mesmo que se arvorem em denominar-se como tal. Mediunismo não é Espiritismo, é apenas o lado fenomênico por ele estudado.

As Entidades espirituais que exigem oferendas, inclusive alimentos e bebidas, só o fazem para adquirir lastro a fim de que possam gravitar dentro da esfera terrena; são atrasados espiritualmente e necessitam desse recurso para que possam materializar seus instintos, só que essa prática lhes é prejudicial, motivo pelo qual não se deve atendê-las; quem o fizer, estará acarretando para si os mesmos problemas que irá causar a esses Espíritos.

Os desencarnados não necessitam disso nem deveriam usar as energias materiais para nada. Usam-na, todavia, para a prática de atos contrários à ética espírita.

Fraudes – muitos são os que, não só pelo resguardo doutrinário, como numa falsa ideia de caridade, acobertam os fraudadores. Kardec, em O Livro dos Médiuns (LM), foi categórico na condenação a tais pessoas que se dizem médiuns, mas que, por vaidade ou por vantagens pessoais, usam o processo da fraude para mistificar, enganando seus seguidores.

A falta de caridade está em permitir que tais falsos médiuns continuem praticando quais atitudes, dentro do erro que lhes irá trazer um lastro assaz pesado para encarnações vindouras. Basta lembrar que todos os enganados pelo mistificador terão que ser espiritualmente ressarcidos e isto representa sofrimento para aquele que fraudou, ou seja, o preço do resgate.

Sem dizer que a doutrina perde muito mais no acobertamento de tais fatos que, quando desmascara o enganador. E todo aquele que, sabendo da fraude, se deixar envolver por ela, por comodismo, por compactuação ou meramente por descaso, também responderá por cumplicidade perante o tribunal da sua consciência e será condenado por seu turno. É a lei.

Interesses pecuniários – o espírita não pode fazer da doutrina um meio de vida, afinal, ela representa o ensinamento dos Espíritos (que nada cobram por isso) e que não legaram a ninguém seu sacerdócio nem deram aos encarnados o direito de usarem seus recursos como forma de sustento. Cada qual, como encarnado, terá que possuir sua profissão, sujeitar-se ao trabalho terreno como os demais, lutar pela sobrevivência e não fazer, sob quaisquer aspectos, de seus conhecimentos e seus predicados, principalmente se mediúnicos, uma forma de facilitar sua vida pecuniária.

O esforço e a luta pela manutenção são parte do processo encarnatório. Contudo, não significa dizer que o espírita seja obrigado a gastar seus recursos, quando forem parcos, em detrimento do seu sustento, na pregação doutrinária. Auferir lucros é uma coisa; aceitar ajuda, sem que esta se trans forme em vantagem pessoal, para que possa levar sua mensagem a quem a solicite, é outra. Nem sempre um expositor tem condições financeiras de se deslocar para onde seja solicitado, o que permitirá que aceite o meio de transporte oferecido pelos companheiros.

Cobrar é que representa uma grave falha de caráter.

Templos – Os templos religiosos, embora, em sua imponência, sejam um veículo ideal para a pregação doutrinária, não fazem parte do Espiritismo. Qualquer lugar é local para uma reunião doutrinária, salvaguardados os casos de trabalhos mediúnicos.

No lugar de Igrejas e recintos arquitetônicos específicos, adota-se a Casa Espírita ou o Centro de reuniões, à semelhança de sociedades culturais que, evidentemente, têm que ser mantidas por seus participantes, sob forma agremiativa, comportando sócios mantenedores e uma diretoria por eles escolhida para administrá-las. Condena-se a perpetuidade do cargo, o que evita que novas ideias possam ser trazidas para a Sociedade, além de representar um vício social.

O vitalício é um vaidoso. A administração seguirá a ordem natural e legal de uma sociedade estabelecida, de modo que não desrespeite as leis do país.

É importante a existência do Centro espírita porque ele representa a reunião em comunidade e a Sociologia registra que o homem é, por excelência, um componente social. Entretanto, os estudos doutrinários – e não cultos religiosos – podem ser feitos em qualquer lugar, até mesmo em domicílio, no seio da família ou em reunião com amigos e companheiros.

A manutenção de costumes religiosos estranhos é um ranço que não pode existir no meio espírita sem profaná-lo; a liberdade de cada um e o respeito a ela é um direito de todos, porém, isso não permite que se chame de culto espírita àquilo que seja reminiscência de outras correntes filosóficas, até mesmo de práticas religiosas. Kardec condena esse culto de exteriorizações, por isso, não temos templos para ofícios religiosos.

A posição de Kardec – O estudo espírita, bem como o conhecimento da doutrina, são de vital importância aos seus praticantes. Sem isso, sem a razão e sem a independência para seguir a doutrina não se pode ser espírita. É um direito seu o de não se subjugar a outras correntes, mesmo predominantes e prepotentes.

Esta é a grande causa da confusão que existe no meio espírita, uns achando que a doutrina codificada por Kardec é uma religião, outros, tendo-a como um estudo filosófico científico de conclusões morais, enfim, uma diversificação total de opiniões. O pior de tudo é o uso de textos isolados que alguns empregam para justificar sua tese, principalmente os inimigos da trilogia, onde a terceira parte doutrinária seja a religiosa e que, chegam a ponto de cometerem a barbaridade de substituí-la pela moral que é um capítulo da sua parte filosófica.

Baseiam-se estes na definição que Kardec dera no seu livro “Qu’est-ce que le Spiritisme”, ao fim do preâmbulo, assim se expressando: – Le spiritisme est une science qui traite de la nature, de l’origine ET de la destinée des Esprits, et de leurs rapports avec le mond e corporel. (O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos e de seu intercâmbio com o mundo corpóreo) só que, se esquece de que, nesse mesmo livro (pág. 89 da 4ª ed.), o mesmo Kardec, respondendo a um padre, afirma:

– Si le spiritisme niait l’existence de Dieu, de l’âme, de son individualité et de son immortalité, dês peines et des récompenses futures du livre arbitre de l’homme. S’il enseignait que chacun n’est ici –bas que pour soi et ne doit penser qu’à soi, il s erait non seulement contraire à la religion catholique, mais à toutes les religions du monde; ... Loin de là; les Esprits proclament um Dieu unique souverainemente juste et bom; ils disent que l”homme est libre et responsable de ses ates, rémunéré ET puni selon le bien ou le mal qu’il a fait; ils placent au -dessus de toutes les vertus la charité évangélique, et cette règle sublime enseignée para le Christ: Agir envers les autres comme nous voudrions qu’on agît envers nous. Ne sont -ce pas lá les fondements de la religion?

Traduzindo: – Se o Espiritismo negasse a existência de Deus, da alma, de sua individualidade e de sua imortalidade, dos resgates e das recompensas futuras, do livre arbítrio do homem. Se ensinasse que cada um cuide si sem pensar nos demais, ele seria não apenas contrário ao catolicismo, mas a todas as religiões do mundo;... Ao contrário disso, os Espíritos proclamam um Deus único soberanamente justo e bom; dizem ainda que o homem é livre e responsável por seus atos, recompensado ou punido conforme o bem ou o mal que pratique; colocam acima de todas as virtudes a caridade evangélica e a regra sublime ensinada por Cristo: fazermos com os outros como queiramos que façam conosco. Não seriam esses os fundamentos da religião?

Mais explícito do isso, só se mandasse gravar um título em destaque garantindo que o Espiritismo contém uma parte religiosa. Só que os que desejam abolir esta faceta doutrinária, simplesmente ignoram tais declarações que emanam do próprio codificador. E depois de se ler esse texto, quem continuar negando a parte religiosa do Espiritismo está querendo ser mais realista do que o próprio rei.

A idolatria – é outro ponto polêmico que o Espiritismo combate; ela não representa nem o respeito, nem a admiração, muito menos a aceitação da existência de Deus como o grande Criador do Universo, nem dos idolatrados como dignos do respeito, senão do medo, até temor que têm dos mesmos. Coloca Deus na condição de simples humano, como predicados – que, para um Criador Supremo tornam-se defeitos – de poderes tais, competitivos com os nossos, que seja capaz de fazer o que bem entenda até mesmo o de contrariar suas próprias leis, identificando-se com a imperfeição.

Venerar vem do latim – venerari –, verbo que, segundo Plauto, significa adorar com submissão, reverenciar e, até mesmo, pedir com submissão. Cícero também empregou esse verbo com este sentido, lembrando que se trata de dedicação do homem aos deuses, no caso, romanos.

O espírita não pode, pelo simples fato de estar diante de uma Entidade, endeusá-la, venerando-a; pior, se for à própria Entidade a incentivadora, demonstrando com isso, que não se trata de nenhum luminar, senão um de enganador que se faça passar por orientador espiritual, geralmente, divertindo-se com isso.

Desses, devemos fugir, quando muito, evitar.

Nosso respeito, nossa admiração e até mesmo gratidão pela assistência que nossos mentores desencarnados nos dão, tudo isso deverá ter rigorosamente o mesmo tratamento como se estivéssemos ante um semelhante encarnado que nos preste ajuda e mereça o mais profundo afeto. Sempre lembrando, porém, que os sentimentos que dedicamos a terceiros, independente de situação, é uma questão de afinidade, afinidade essa que existe, até, numa substância química.

Apreciação final

O capítulo todo é muito delicado porque irá ferir susceptibilidades e contrariar aqueles que querem continuar praticando seus antigos cultos e fazer com que o Espiritismo os aceite.

Do mesmo modo que cada indivíduo deve ser respeitado em suas práticas e no seu direito de fazê-las, também ele deve respeito ao Espiritismo e suas normas evitando mesclar o purismo doutrinário com seus pontos de vista individuais.

Ninguém precisa mudar, contudo, ninguém deve alterar a doutrina para se auto realizar.

Carlos Imbassahy – obra E... Deus Existe?

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 13:48

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Domingo, 3 de Outubro de 2010

LEMBRANDO ALLAN KARDEC


EM HOMENAGEM AOS 206 ANOS DE NASCIMENTO.

Depois de se dirigir aos numerosos missionários da Ciência e da Filosofia, destinados à renovação do pensamento do mundo no século XIX; o Mestre aproximou-se do abnegado João Huss e falou, generosamente:
-Não serás portador de invenções novas, não te deterás no problema de comodidade material à civilização, nem receberás a mordomia do dinheiro ou da autoridade temporal, mas deponho-te nas mãos a tarefa sublime de levantar corações e consciências.
A assembléia de orientadores das atividades terrestres estava comovida. E ao passo que o antigo campeão da verdade e do bem se sentia alarmado de santas comoções, Jesus continuava.
-Preparam-se os círculos da vida planetária a grandes transformações nos domínios do pensamento. Imenso número de trabalhadores no mundo, desprezando o sentido evolucionário da vida, crê na revolução e nos seus princípios destruidores, organizando-lhe movimentos homicidas. Em breve, não obstante nossa assistência desvelada, que neutralizará os desastres maiores, a miséria e o morticínio se levantarão no seio de coletividades invigilantes. A tirania campeará na Terra, em nome da liberdade, cabeças rolarão nas praças públicas em nome da paz, como se o direito e a independência fossem frutos da opressão e da morte. Alguns condutores do pensamento, desvairados de personalismo destruidor, convertem a época de transição do orbe em turbilhão revolucionário, envenenando o espírito dos povos. O sacerdócio organizado em bases econômicas não pode impedir catástrofe. A Filosofia e a Ciência intoxicaram as próprias fontes de ação e conhecimento!...
É indispensável estabelecer providências que amparem a fé, preservando os tesouros religiosos da criatura. Confiante a sublime tarefa de reacender as lâmpadas da esperança no coração da humanidade.
O Evangelho do Amor permanece eclipsado no jogo de ambições desmedidas dos homens viciosos!... Vai, meu amigo. Abrirás novos caminhos à sagrada aspiração das almas, descerrando a pesada cortina de sombras que vem absorvendo a mente humana. Na restauração da verdade, no entanto, não esperes os louros do mundo, nem a compreensão de teus contemporâneos.
Meus enviados não nascem na Terra para serem servidos, mas por atenderem às necessidades das criaturas. Não recebem palmas e homenagens, facilidades e vantagens terrestres, contudo, minha paz os fortalece e levanta-os, cada dia... Muitas vezes, não conhecem senão a dificuldade, o obstáculo, o infortúnio, e não encontram outro refúgio além do deserto. É preciso, porém, erigir o santuário da fé e caminhar sem repouso, apesar de perseguições, perdidas, cruzes e lágrimas!...
Ante a emoção dos trabalhadores do progresso cultural do orbe terrestre, o abnegado João Huss recebeu, a elevada missão que lhe era conferida, revelando a nobreza do servo fiel, entre júbilos de reconhecimento.
Daí a algum tempo, no albor do século XIX, nascia Allan Kardec em Lyon, por trazer a divina mensagem.
Espírito devotado, jamais olvidou o compromisso sublime. Não encontrou escolas de preparação espiritual, mas nunca menosprezou o manancial de recursos que trazia em si mesmo. E, como se quisera demonstrar que as fontes do profetismo devem manar de todas as regiões da vida para sustentáculo e iluminação do espírito eterno, embora no quadro dos grandes homens do pensamento, estimou desferir os primeiros vôos de sua missão divina na zona comum onde permanece a generalidade das criaturas. Consoante a previsão do Cristo, a Revolução Francesa preparara com sangue o império das guerras napoleônicas.
Enquanto os operários da cultura moderna lançavam novas bases ao edifício do progresso mundial, o grande missionário, sem qualquer preocupação de recompensa ou exibicionismo, dá cumprimento à tarefa sublime. E foi assim que o século XIX, que recebeu a navegação a vapor, a locomotiva, a eletrotipia, o telégrafo, o telefone, a fotografia, o cabo submarino, a anestesia, a turbina a vapor, o fonógrafo, a máquina de escrever, a luz elétrica, o sismógrafo, a linotipo, o radium, o cinematógrafo e o automóvel, tornou-se receptor da Divina Luz da revivescência do Evangelho.
O discípulo dedicado rasgou os horizontes estreitos do ceticismo e o plano invisível encontrou novo canal a fim de projetar-se no mundo, atenuando-lhe as sombras densas e renovando as bases da fé.
Alguns dos companheiros de luta espiritual, embora em seguida às hostilidades do meio, recebiam aplausos do mundo e proteção de governos prestigiosos, mas emissário de Jesus, no deserto das grandes cidades, trabalhava em silÊncio, suportando calúnias e zombarias, vencendo dificuldades e incompreensões.
Ao fim da laboriosa tarefa, o trabalhador fiel triunfara.
Em breve, a doutrina consoladora dos Espíritos iluminava corações e consciências, nos mais diversos pontos do globo.
É que Allan Kardec, se viera dos círculos mais elevados dos processos educativos do mundo, não esquecera a necessidade de sabedoria espiritual. Discípulo eminente de professores consagrados, como Pestalozzi, não esqueceu a ascendência do Cristo. Trabalhador no serviço da redenção, compreendeu que não viera à Terra por atender a caprichos individuais e sim aos poderes superiores da vida.
Sua exemplificação é um programa e um símbolo. Conquistando a auréola dos missionários vitoriosos, não se incorporou à galeria dos grandes do mundo, por que apenas indicasse o caminho salvador à humanidade terrestre.
Allan Kardec não somente pregou a doutrina consoladora; viveu-ª Não foi um simples codificador de princípios, mas um fiel servidor de Jesus e dos homens.

Irmão X
(Mensagem recebida em 22.9.42. Lida aos 3.10.1942, durante a 3a. Concentração Espírita de São Paulo, no Ginásio do Pacaembu).
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010

CANDEIAS NA NOITE ESCURA

 

VENHO DUM TEMPO EM QUE doces babás culturalmente despreparadas mas espiritualmente graduadas nas divinas universidades do amor fraterno, nos contavam histórias - ainda eram histórias e não estórias - singelas, nas quais o bem recebia sempre o seu prêmio e o mal o seu castigo. Em muitas dessas histórias, os heróis anônimos se perdiam pelos caminhos e a noite chegava cheia

de terrores, mas tudo acabava bem quando, a distância, o viajante perdido descobria na escuridão um tímido ponto de luz em torno do qual viviam aqueles que o socorreriam.

Buscamos todos a luz. Mais que uma realidade energética no campo da física, a luz é o símbolo multimilenar do desenvolvimento espiritual. Dela dependemos para ver o mundo que nos cerca e o caminho que pisamos. Em espírito, buscamos as vibrações superiores do amor esse grande gerador de luzes fascinantes. E, a medida em que a luz se realiza em nós, desaparecem as sombras que nos envolvem e se iluminam não apenas as nossas veredas, mas também os caminhos dos que seguem ao nosso lado. Ainda que o desejássemos, não poderíamos guarda-la somente para nós, egoisticamente : ela se irradia por onde andamos e alcança os outros. Tudo no universo é solidário, porque vivemos e nos movemos em Deus, como dizia Paulo.

"Ninguém acende a luz e a coloca debaixo do alqueire", ensinava o Mestre. Quanta sabedoria profunda e intemporal nos seus mais singelos pronunciamentos! Que maravilhoso poder de comunicação na sua capacidade de traduzir em imagens tão nítidas o pensamento mais transcendental...

Vejo ainda, com os olhos da saudade, a lamparina humilde da fazenda, colocada no lugar mais alto para que todos 9,. vissem e nunca debaixo do alqueire.- Pelas paredes - dançavam sombras grotescas, mas nenhuma das sombras chegava perto da luz.

Lembro disso agora, ao verificar' que, mesmo a nossa luzinha humílima de principiantes, quanta gente atrai! São os que vêm buscar consolo, principalmente. Os que "perderam" entes queridos, os que sofrem provações incompreensíveis, os que se consomem no remorso. Mas vêm também os que, sem grandes dores, desejam compreender melhor a vida; que não têm remorsos, mas estão vazios de esperança. Quase todos, senão todos, atrasaram-se pelos caminhos e a noite chegou e se fechou sobre eles. De repente, encontram aqueles que, sem muito brilho, dispõem, no entanto, de uma candeia modesta. São estes os que se iniciaram nas primeiras tarefas do amor, são os que, tendo ainda tão pouco, possuem já o suficiente para dar, têm em si bastante amor para distribuir em nome do Cristo.

É certo que neste crepúsculo dos tempos muitos continuarão extraviados por largo espaço e, infelizmente, não está em nosso poder sacudi-los de sua inconsciência, mas estamos igualmente certos de que não ficarão abandonados à própria sorte, porque Deus vela por todos nós indistintamente. Também a chuva e o sol caem sobre o justo e o pecador, sobre a boa semente e a outra. Que orem por eles os que aprenderam a conversar com Deus, mas aqueles que disponham de uma pequena chama espiritual, ainda que humilde, que cuidem de colocar a candeia sobre o alqueire e não debaixo dele. Não para exibir conhecimentos e alardear virtudes que ainda não temos, mas quem sabe se lá ao longe, na escuridão da noite que nos envolve, algum irmão extraviado não vai enxergar a luzinha e chegar-se exausto e faminto, pedindo pousada, ajuda e carinho. Isso mesmo, daremos na medida das nossas forças e limitações, porque é bom repartir o pouco que temos, "para que a felicidade se multiplique entre nós", como,, diz Agar na sua linda prece. A felicidade aumenta , quando repartida, ao passo que a dor partilhada diminui. Vamos, pois, distribuir a nossa alegria consciente de viver em Deus. Nós sabemos o que somos - espíritos imortais, temporariamente encarcerados num corpo físico. Sabemos de onde viemos - de um longo rosário de vidas que aprofundam suas raízes na escuridão de remotas idades. Sabemos para onde vamos - para os mundos cada vez mais perfeitos que luzem adiante de nós, nas muitas moradas do nosso Pai.

A mensagem que temos a transmitir é, pois, extremamente simples e fácil de entender. Para muitos é ainda difícil aceitá-la, porque se habituaram demais à opressiva aridez da descrença; lembremo-nos, entretanto, daqueles mais desgraçados para os quais não é apenas difícil aceitar a realidade do espírito, mas ainda é impossível.

Que brilhe, então, a nossa luz humilde, alimentada pelo combustível do conhecimento e da caridade que começa a arder em nós. A hora é de dores, muitas e grandes; de desorientação e desespero; de ódios e crueldades. Hora de ajustes aflitivos e desenganos dolorosos. Mas é também uma hora de revelações maravilhosas, de descobertas memoráveis, de conquistas deslumbrantes, de oportunidades raras se, com muito amor e humildade, procurarmos em nosso próprio território íntimo o rastro luminoso que o Mestre de todos nós deixou em nós. Há séculos que ouvimos a sua palavra, repetida insistentemente. Há séculos que muitos de nós a pregamos à nossa maneira, obscurecida pelas paixões e incompreensões que nos toldam a visão. É chegado o tempo de fazê-la florescer e frutificar. É, assim, muito bela a tarefa que temos diante de nós, os que começamos a soletrar o beabá do conhecimento espiritual: incumbe-nos a responsabilidade e a alegria de transmiti-lo, proclamando aos quatro cantos da Terra que somos espíritos sobreviventes a caminho de Deus. E que, por estranho que pareça, Deus está também em nós. "Vós sois deuses!", dizia Jesus. Que brilhe a nossa candeiazinha humilde que não ilumina mais que uns poucos palmos à volta. Há irmãos tão desesperados que anseiam até mesmo por essas migalhas de luz.

Um dia seremos um clarão de amor fraterno, tal como nos quer o Príncipe da Paz.

Revista Reformador – Agosto de 1971

 

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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DO ESPÍRITA

Da análise sintética dos princípios e fundamentos do Espiritismo, com base em O Livro dos Espíritos, e suas correlações com a Filosofia, Sociologia e Política e a visão de que o homem no mundo ”é um ser social e consequentemente, uns ser político”, concluímos:

COMO O ESPÍRITA NÃO DEVE ATUAR NA POLÍTICA:

1.1. Levar a política partidária para dentro do Centro, das Entidades ou do Movimento Espírita;

1.2. Utilizar-se de médiuns e dirigentes espíritas para apoiar políticos partidários candidatos a cargos eletivos aos Poderes Executivo e Legislativo;

1.3. Catar votos para políticos que, às vezes, dão alguma ”verbinha” para asilos, creche? E hospitais, mas cuja conduta política não se afina com os princípios éticos ou morais do Espiritismo;

1.4. Apoiar políticos que se dizem espíritas ou cristãos, mas aprovam as injustiças, as barganhas, a ”politicagem” (usar a política partidária para interesses egoísticos pessoais ou de grupos a que se ligam);

1.5. Participar da política partidária apenas por interesse pessoal, para melhorar a sua vida e de sua família, divorciado em sua militância político-partidária dos princípios e normas da Filosofia Espírita;

2. COMO O ESPÍRITA DEVE ATUAR NA POLÍTICA:

2.1. O espírita pode e deve estudar e reflexionar sobre os princípios político-filosófico-espíritas no Centro Espírita, pois eles estão contidos em O Livro dos Espíritos, Parte Terceira, das Leis Morais;

2.2. Através da análise, do estudo e da reflexão das normas e princípios acima referidos, o espírita deve identificar o egoísmo, o orgulho e a injustiça nas instituições humanas, denunciando-as e agindo para que elas desapareçam da sociedade humana;

2.3. Confrontar os fundamentos morais objetivos do Espiritismo com os fundamentos morais e objetivos dos partidos políticos, verificando de forma coerente qual ou quais deve apoiar e até mesmo participar como membro atuante, se tiver vocação para tal;

2.4. Participar de organizações e movimentos que propugnem pela Justiça, pelo Amor, pelo progresso intelectual, moral e físico das pessoas. Exemplo: clubes de serviços, sindicato, associações de classe, diretório acadêmico, movimentos de respeito e defesa dos direitos humanos, etc.;

2.5. Fazer do voto um elevado testemunho de amor ao próximo; Considerando que a sociedade humana é dirigida por políticos que saem das agremiações partidárias e suas influências podem ajudar ou atrasar a evolução intelecto moral da humanidade, o voto, realmente, é uma forma de exprimir o amor ao próximo e à coletividade.

Deve, pois, analisar se a conduta do candidato político-partidário tem maior ou menor relação com os princípios morais e políticos (aspecto filosófico) do Espiritismo;

2.6. Participar da agremiação partidária, se tiver vocação para tal, sabendo, no entanto, da responsabilidade que assume nesse campo, já que sua militância deve sempre estar voltada para o interesse do ser humano, em seus aspectos social e espiritual. Para isso, sua ação política deverá estar em harmonia com os valores éticos (morais) do Espiritismo que, em última análise, são fundamentalmente os mesmos do Cristianismo;

2 7. Participar conscientemente da ação política na sociedade, sem relegar o estudo e a reflexão do Espiritismo a plano secundário. Pelo contrário, o estudo e a reflexão dos temas espíritas deverão levá-lo a permanente participação, objetivando a aplicação concreta do Amor e da Justiça ao ser humano, seja individual ou coletivamente.

Do livro: O Espiritismo e a Política de Aylton Guido Coimbra Paiva
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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