Sábado, 13 de Novembro de 2010

O CASTIGO

Os Espíritos maus, egoístas e duros, logo após a morte, são entregues a uma dúvida cruel sobre o seu destino presente e futuro; olham em torno de si e, a princípio, não vêem nenhum assunto sobre o qual possam exercer a sua influência má e o desespero se apodera deles, porque o isolamento e a inação são intoleráveis para os maus Espíritos; não levantam o olhar para os lugares habitados pelos puros Espíritos; consideram o que os cerca, e em breve, tocados pelo abatimento dos Espíritos fracos e punidos, lançam-se a eles como a uma presa, armando-se com a lembrança de suas faltas passadas, freqüentemente reveladas por seus gestos irrisórios. Não lhes bastando esta zombaria, caem sobre a Terra como abutres esfaimados; procuram entre os homens a alma que dará mais fácil acesso às suas tentações: delas se apoderam, exaltam-lhe a cobiça, procuram extinguir a fé em Deus e quando, enfim, donos de sua consciência vêem a presa dominada, estendem sobre tudo o que se aproxima de sua vítima o contágio fatal.
O Espírito mau que dá vazão à sua raiva é quase feliz; apenas sofre nos momentos em que não age ou quando o bem triunfa sobre o mal.
Entretanto, passam os séculos; o mau Espírito sente-se de súbito invadido pelas trevas. Aperta-se o seu círculo de ação, sua consciência, até então muda lhe faz sentir as pontas aceradas do arrependimento. Inativo, arrastado no turbilhão, vaga, sentindo, como diz a Escritura, o pêlo de sua carne se eriçar de pavor; em breve um grande vazio se faz nele e ao seu redor; chegado o momento, deve expiar; lá está, ameaçadora, a reencarnação; ele vê, como numa miragem, as provas terríveis que o esperam; quereria recuar, mas avança e, precipitado no abismo escancarado da vida, rola apavorado até que o véu do desconhecimento lhe cai sobre os olhos. Vive, age, ainda culpado; sente em si não sei que lembrança inquieta, que pressentimentos que o fazem tremer, mas não fazem recuar no caminho do mal. Esgotado de forças e de crimes, vai morrer. Estendido sobre o catre ou sobre o leito, que importa! o homem culpado sente, sob aparente imobilidade, mover-se e viver um mundo de sensações esquecidas! Sob as pálpebras fechadas, vê surgir um clarão, ouvir sons estranhos; sua alma, que vai deixar o corpo, agita-se impaciente, enquanto as mãos crispadas procuram agarrar-se aos lençóis; quereria falar, gritar aos que o cercam: Segurem-me! vejo o castigo! Não pode: a morte se fixa sobre os lábios descorados, e os assistentes dizem: Ei-lo em paz!
Entretanto, ouve tudo; flutua ao redor do corpo que não quer abandonar; uma força secreta o atrai; vê, reconhece o que já viu. Transtornado, lança-se no espaço, onde quer esconder-se. Não há mais retiro! Não há mais repouso! Outros Espíritos lhe devolvem o mal que ele fez e, castigado, ridicularizado, confuso por sua vez, ele erra e errará até que o divino clarão deslize sobre seu endurecimento e o esclareça, para lhe mostrar o Deus vingador, o Deus triunfante de todo o mal, que ele só poderá apaziguar à força de gemidos e expiações.

(Espírito Georges - R. E. 1860).

Obs.: Nunca foi esboçado um quadro mais eloqüente, mais terrível e mais verdadeiro da sorte do mau. É então necessário recorrer à fantasmagoria das chamas e das torturas físicas? ( A. K. ).
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 16:54

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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010

A CARIDADE MATERIAL E A CARIDADE MORAL

“Amemo-nos uns aos outros e façamos a outrem o que quereríamos que nos fosse feito.” Toda a religião, toda a moral estão encerradas nesses dois preceitos. Se fossem seguidos aqui, seríamos todos perfeitos: não mais ódios, nem ressentimentos; direi mais ainda: não mais pobreza, porque do supérfluo da mesa de cada rico muitos pobres seriam alimentados e não veríeis, nos bairros sombrios, onde morei em minha última encarnação, pobres mulheres arrastando miseráveis crianças a quem tudo faltava.
Ricos! pensai um pouco nisto; ajudai aos infelizes o melhor que puderdes; dai, para que um dia Deus vos devolva o bem que tiverdes feito; para que um dia encontreis, ao sairdes do vosso envoltório terrestre, um cortejo de Espíritos reconhecidos, que vos receberão no sólio de um mundo mais feliz.
Se pudésseis saber da alegria que experimentei ao encontrar no Alto aqueles a quem tinha podido obsequiar em minha última vida! Dai e amai ao vosso próximo; amai-o como a vós mesmos, porque o sabeis, vós também, agora que Deus permitiu começássemos a vos instruir na ciência espírita, que esse infeliz repelido talvez seja um irmão, um pai, um filho, um amigo que afastais de vós; e, então, qual não será o vosso desespero, um dia, ao reconhecê-lo no mundo espírita!
Desejo compreendais bem o que pode ser a caridade moral, que cada um pode praticar, que nada custa de material e, contudo, é a mais difícil de pôr em prática!
A caridade moral consiste em nos suportar uns aos outros, e é o que menos fazeis, neste mundo inferior onde estais encarnados no momento. Sede, pois, caridosos, porque avançareis mais no bom caminho; sede humanos e suportai-vos uns aos outros. Há um grande mérito em saber calar para deixar falar o mais tolo: é uma forma de caridade. Saber ficar surdo quando uma zombaria escapa de uma boca afeita à troça; não ver o sorriso desdenhoso que acolhe a vossa entrada em casa de pessoas que, quase sempre por erro, se julgam acima de vós, enquanto que, na vida espírita, a única real, por vezes estão muito distanciados; eis um mérito, não de humildade, mas de caridade, porque não notar os erros alheios é caridade moral. Passando junto a um pobre enfermo, olhá-lo com compaixão tem muito mais mérito do que atirar-lhe um óbolo com desprezo.
Contudo, não se deve tomar a imagem ao pé da letra, porque essa caridade não deve impedir a outra. Pensai sobretudo em não desprezar o vosso semelhante; recordai o que já vos disse: é preciso lembrar sempre que no pobre repelido talvez estejais repelindo um Espírito que vos foi caro e que se acha momentaneamente em posição inferior à vossa. Revi um pobre de vossa Terra que, por felicidade, eu tinha favorecido algumas vezes, e agora acontece que, por minha vez, eu a ele imploro.
Sede, pois, caridosos; não sejais desdenhosos; sabei deixar passar uma palavra que vos fere e não julgueis que ser caridosos é apenas fazer dádiva material, mas também praticar a caridade moral. Eu vo-lo repito: praticai uma e outra. Lembrai-vos de que Jesus disse que somos irmãos e pensai sempre nisto, antes de repelir o leproso ou o mendigo. Virei ainda dar-vos uma comunicação mais longa, pois, agora sou chamada. Adeus, pensai nos que sofrem e orai.
(Espírito de Irmã Rosália - R. E. 1860).
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010

O VERDADEIRO

Disse um poeta: “Só é belo o verdadeiro; só o verdadeiro é agradável.”

Reconhecei neste verso uma das mais belas inspirações jamais dadas ao homem. O verdadeiro é a linha reta; é a luz, cujo esplendor não precisa ser velado pelos homens justos, cujo espírito é maravilhosamente disposto para compreender seus imensos benefícios. Por que, na nossa sociedade atual, a luz tanto custa ser percebida pela maioria? Por que o ensino da verdade é cercado de tantos obstáculos? É que até agora a humanidade não fez progressos bastante marcados, desde a origem do cristianismo. Desde o Cristo, seus ensinamentos tiveram que ser velados sob a forma de alegorias e de parábolas e os que tentaram propagar a verdade não foram mais escutados que seu divino Mestre; é que a humanidade devia progredir com sábia lentidão, para que a marcha fosse segura; é que ela necessitava de um longo noviciado para tornar-se apta a se conduzir por si mesma.
Animai-vos! O sol da regeneração, há muito na sua aurora, não tardará a espargir sobre vós sua ofuscante claridade; a verdadeira luz vos aparecerá e sua influência benfeitora estender-se-á a todas as classes sociais. Quantos, então, admirar-se-ão por não terem acolhido mais cedo esta verdade, que data da mais alta antiguidade, e que um sentimento de orgulho lhes fez sempre contorná-la sem a ver!
Ao menos desta vez não tereis que sofrer nenhum desses horríveis cataclismos que parecem outras tantas balizas destinadas a marcar, através do séculos, a marcha da verdadeira luz. Melhor instruídos, os homens compreenderão que os desmoronamentos que deixa após si uma esteira de fogo e sangue não se enquadrariam hoje nos nossos costumes, abrandados pela prática da caridade. Compreenderão, enfim, o alcance das palavras sublimes, outrora proferidas pelo Cristo: “Paz aos homens de boa vontade!”
Não haverá outra guerra senão a que for feita às paixões más. Todos reunirão suas forças para expelir o espírito do mal, cujo reino desastroso apenas deteve longamente o avanço da civilização. Todos se deterão ao pensamento que a verdadeira luz é a única conquista legítima, a única a que legitimamente devem ambicionar, a única que os poderá conduzir à felicidade.
À obra, pois, vós que tendes a bandeira do progresso! Não temais arvorá-la alta e firme, para que de todos os recantos do globo os homens possam acorrer e pôr-se sob sua égide. Pedi ao nosso Pai celeste a força e a energia que vos são indispensáveis para esta grande obra; e se aqui não puderdes gozar da felicidade de vê-la realizada, que ao menos, ao morrer, leveis a convicção de que vossa existência foi útil a todos, e que a mais doce recompensa vos espera entre nós: a alegria de ter cumprido vossa missão para a maior glória de Deus.
(Espírito Familiar - R. E. 1863).
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:26

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Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010

IMORTALIDADE

No justo momento em que a técnica atinge as culminâncias, e o homem sofre aflições sem termo, somos convidados a recordar Jesus-Cristo exclamando: “Eu vendi o mundo!”
A ciência vaticinou, para o século corrente, a morte das doutrinas espiritualistas, tendo em vista a marcha natural do progresso intelectivo.
E em verdade, até à metade do século passado, a filosofia espiritualista não passava de um amontoado de informação místicas e de arranjos dogmáticos incapazes de competir com os sistemas filosóficos vigentes, resistindo aos descobrimentos da ciência investigadora.
Coube a Allan Kardec a inapreciável tarefa de demonstrar, pela pesquisa experimental, a realidade do fenômeno da imortalidade da alma. E, graças a isso, o Codificador da Doutrina Espírita se destaca entre os vates do pensamento universal, pelo gigantesco empreendimento de positivar, consoante os dados oficiais da indagação, a continuação da vida além da morte.
A tarefa era, a princípio, sob todos os aspectos intratável, considerando-se a posição da ciência ante os rudimentos da nascente Psicologia.
De um lado, o cientificismo pontificava arbitrário, e o empirismo, no outro extremo, ditava leis falseadas sobre a verdade.
Kardec, porém, embrenhou-se no matagal das informações.
Não foi somente um coligidor dos informes dos Espíritos. Foi, antes de tudo, um admirável garimpeiro da verdade, separando da ganga o ouro rebrilhante, na mensagem eterna.
De 1854 a 1869, pesquisou, selecionou, reparou, fez acréscimos, sopesou e apresentou uma doutrina que pudesse enfrentar o materialismo, justamente no momento em que Engels e Marx iriam desdobrar os conceitos hegelianos, favorecendo os aspectos dialético e histórico, já que o materialismo mecanicista não podia resolver o problema fundamental da imortalidade por lhe faltarem os elementos basilares para destruir a realidade da alma.
Com Hegel, o pensamento passou a ser uma função do cérebro, cuja atividade era pensar, controlando as manifestações nervosas da vida.
Allan Kardec se distinguiu pela tarefa de demonstrar que o pensamento não é apenas uma função do cérebro, sendo este a conseqüência de um pensamento anterior que nele atua através de um outro cérebro mais sutil, comando geral e força dinâmica mantenedora do equilíbrio: o psicossoma.
E acolitado por figuras da enfibratura de Crookes, Zölner, do caráter de Lombroso e de Lodge que vieram a público, posteriormente, apresentar o resultado das suas pesquisas, Kardec demonstrou, à saciedade, o sentido incontroverso da imortalidade da alma, em experiências que se tornaram notáveis, realizadas mais tarde, com o curso de médiuns do quilate de Florence Cook, Eusápia, Daniel Home...
A tarefa se avultava por estarem em jogo os sistemas do monismo e do dualismo.
Allan Kardec demonstrou também que o homem não é constituído apenas de duas peças: o corpo e alma. Mas é formado por uma tríade de elementos: o espírito, perispírito e matéria, sendo o perispírito encarregado de funções específicas na engrenagem harmoniosa da vida hominal.
E quando o materialismo ateu, no seu aspecto dialético, veio a campo combater a Doutrina Espírita, o Espiritismo, como escola filosófica, na sua feição dialética, apresentava “O Livro dos Espíritos” como protesto nobre ao abuso e à arbitrariedade das informações hegelianas, às doutrinas nele inspiradas, bem como às velhas fisolofias espiritualistas sem fundamentação científica.
E a previsão da ciência, que aguardava para o século presente a morte das doutrinas espiritualistas, faliu, porque o século XX, com os seus valiosos descobrimentos e tirocínios, não pode retificar um único conceito da doutrina postulada pelo gigante lionês que, na atualidade, se faz o maior antídoto aos grandes males que afligem a Humanidade.
Como o materialismo é um veneno letal, o Espiritismo é o seu anticorpo, preparado para diminuir ou dirimir os efeitos terríveis dos ódios organizados secularmente e agora disseminados pelo ateísmo existencialista.
Enquanto o homem avança pelas trilhas do prazer, outros homensaparecem como exegetas do trabalho e apóstolos da caridade, formando a mentalidade para o Terceiro Milênio que colocará bem alto o estandarte da luz cristã refletida na mensagem nobre da Doutrina Espírita.
E embora se previsse o soçobro das religiões no século XX, Allan Kardec, semelhante a Copérnico, que veio por cobro às fantasias a respeito do sistema solar, por também termos às superstições a respeito da imortalidade da alma, arracando-a do sobrenatural e do dogma, retificando a sua feição mística, graças à documentação experimental de que a bibliografia espírita é farta, enriquecendo a ciência espiritualista para competir e esclarecer a ciência atual, ajudando-a na busca da verdade.
Ante as dores que se acumulam inevitáveis para os próximos tempos, sem nos desejarmos transformar em Parcas a tecerem a túnica mortuária da Civilização, o Espiritismo é a grande esperança, porque afirma não ser a morte mais do que uma grande transição para o despertamento na verdadeira vida: a Vida Imortal.
Pontifiquemos, desse modo, com Nosso Senhor Jesus-Cristo, o herói da sepultura vazia, atendendo o programa da solidariedade universal, transferindo o sangue novo da fé para os corações esfacelados pelo medo e acendendo em toda a parte a lâmpada da convicção imortalista. Sigamos a trilha da verdade, cumprindo o nosso dever para, vitoriosos, atingirmos o porto da nossa gloriosa Imortalidade.

(Página recebida pelo médium Divaldo P. Franco, na sessão da noite de 15-1-1962, em Salvador, Bahia).

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 10:02

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