Domingo, 7 de Agosto de 2011

MARCHA BRASIL SEM ABORTO



A 4 a. Marcha do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto será realizada na Es­planada dos Ministérios (DF), no dia 31 de agosto. O Movimento Brasil sem Aborto está acompanhando, desde o início, a tramitação do Estatuto do Nascitu­ro, ou seja, da criança não nascida, na Câmara dos Deputados. Há outra iniciativa em andamento, que é uma coleta de assinaturas pela sua aprovação. Para isso, foi organizada uma petição on line. Alternati­vamente, como nem todos tem acesso à internet, ou se animam a entrar no site para assinar, a coleta pode ser feita na sua comunidade em folhas a se­rem remetidas ao Brasil sem Aborto, imprimindo o texto da petição. A primeira entrega das assinaturas até então obtidas ocorrerá na 4a marcha do Mo­vimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto.



Assine! Colabore na divulgação!

Vamos proteger as nossas crianças desde a concepção! Informações:


PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 02:50

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Sábado, 6 de Agosto de 2011

O ESPIRITISMO COMO REMÉDIO EFICAZ, PARA A BOA SAÚDE DE NOSSA SOCIEDADE!



 Os constantes acontecimentos que diariamente explodem como uma bomba destruidora na imprensa falada, escrita e televisada, mantêm a população do nosso país, particularmente de nosso estado do Rio de Janeiro, em estado permanente de preocupação e medo. Essa situação anormal que ora vivenciamos, muito tem nos levado a refletir o quanto precisa ser feito por cada um de nós cidadãos brasileiros e em particular nós fluminenses para reverter este triste quadro de selvageria.
O espiritismo vem nos esclarecer sobre esse difícil momento de turbulência que envergonha a nossa sociedade tida por civilizada, conclamando-nos ao exercício da vivência e divulgação dos postulados contidos na codificação de nossa doutrina, difundindo a prática da caridade e do amor ao próximo, como sendo os únicos meios eficazes para uma mudança de postura visando tornar o cidadão consciente das suas responsabilidades e dos seus deveres para o próximo, e para com Deus.
Para tanto, é imprescindível o esclarecimento através da divulgação do evangelho de Jesus, em nossas casas espíritas propiciando situações reais de contribuição para a virada de postura de nossa sociedade, preparando equipes destinadas a essa nobre atividade, iniciando imediatamente um movimento sério e profundo de evangelização dos pais, ou responsáveis, crianças e jovens do nosso conhecimento, convocando as famílias a levarem seus filhos e de seus conhecidos à casa espírita.
Enquanto o homem continuar sendo levado pela antiga visão arcaica e equivocada a crer que a sua vida é única e curta, e, que deve viver como se nada mais existisse após o momento da sua morte, permanecerá ele, com os mesmos procedimentos de desrespeito, promovendo desordem e pouco se incomodando com o bem-estar de seu semelhante e da sociedade que faz parte, dando toda importância somente às coisas materiais, sem a menor preocupação com o seu lado espiritual esquecido e desprezado.
O Espiritismo precisa ser muito mais divulgado do que até hoje tem sido, pois, sua mensagem de confiança e certeza na vida futura, que não se finda com a simples morte do corpo físico, muito pode contribuir para a modificação do pensamento equivocado de muitos desses causadores de tragédias e desgraças, pois, saberão que terão de prestar contas de todos os seus atos de desrespeito e selvageria, cometido contra seu irmão em humanidade na continuidade da vida que não se extingue.
São os Imortais da Vida Maior que nos afirmam em O Livro dos Espíritos que o bem é muito pouco propagado e conseqüentemente, o mal impera por absoluta falta de empenho e ousadia dos poucos que o praticam em sua divulgação conforme segue.



932. Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?
  “Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.”


933. Assim como, quase sempre, é o homem o causador de seus sofrimentos materiais, também o será de seus sofrimentos morais?
“Mais ainda, porque os sofrimentos materiais algumas vezes independem da vontade; mas, o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, numa palavra, são torturas da alma”.

“A inveja e o ciúme! Felizes os que desconhecem estes dois vermes roedores! Para aquele que a inveja e o ciúme atacam, não há calma, nem repouso possíveis. À sua frente, como fantasmas que lhe não dão tréguas e o perseguem até durante o sono, se levantam os objetos de sua cobiça, do seu ódio, do seu despeito. O invejoso e o ciumento vivem ardendo em contínua febre. Será essa uma situação desejável e não compreendeis que, com as suas paixões, o homem cria para si mesmo suplícios voluntários, tornando-se-lhe a Terra verdadeiro inferno?”
Muitas expressões pintam energicamente o efeito de certas paixões. Diz-se: ímpar de orgulho, morrer de inveja, secar de ciúme ou de despeito, não comer nem beber de ciúmes, etc. Este quadro é sumamente real. Acontece até não ter o ciúme objeto determinado. Há pessoas ciumentas, por natureza, de tudo o que se eleva, de tudo o que sai da craveira vulgar, embora nenhum interesse direto tenham, mas unicamente porque não podem conseguir outro tanto. Ofusca-as tudo o que lhes parece estar acima do horizonte e, se constituíssem maioria na sociedade, trabalhariam para reduzir tudo ao nível em que se acham. É o ciúme aliado à mediocridade.
De ordinário, o homem só é infeliz pela importância que liga às coisas deste mundo.
Fazem-lhe a infelicidade a vaidade, a ambição e a cobiça desiludidas. Se se colocar fora do círculo acanhado da vida material, se elevar seus pensamentos para o infinito, que é seu destino, mesquinhas e pueris lhe parecerão as vicissitudes da Humanidade, como o são as tristezas da criança que se aflige pela perda de um brinquedo, que resumia a sua felicidade suprema.
Aquele que só vê felicidade na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz, desde que não os pode satisfazer, ao passo que aquele que nada pede ao supérfluo é feliz com os que outros consideram calamidades.
Referimo-nos ao homem civilizado, porquanto, o selvagem, sendo mais limitadas as suas necessidades, não tem os mesmos motivos de cobiça e de angústias. Diversa é a sua maneira de ver as coisas. Como civilizado, o homem raciocina sobre a sua infelicidade e a analisa. Por isso é que esta o fere. Mas, também, lhe é facultado raciocinar sobre os meios de obter consolação e de analisá-los. Essa consolação ele a encontra no sentimento cristão, que lhe dá a esperança de melhor futuro, e no Espiritismo que lhe dá a certeza desse futuro.¹
“Ah! meus amigos se conhecêsseis todos os laços que prendem a vossa vida atual às vossas existências anteriores; se pudésseis apanhar num golpe de vista a imensidade das relações que ligam uns aos outros os seres, para o efeito de um progresso mútuo, admiraríeis muito mais a sabedoria e a bondade do Criador, que vos concede reviver para chegardes a ele. - Guia protetor.” (Sens, 1862.) ²
Não mais podemos esperar que as coisas aconteçam como por encanto, está mais que na hora de deixarmos nossa conhecida postura de acomodação, e sairmos em campo, enfrentando com disposição e confiança as dificuldades e empeços que nos surgirão, patrocinados pelos que não querem o desenvolvimento da mensagem espírita por ignorância de seu conteúdo, ou por interesses escusos, divulgando por todos os meios que nos forem possíveis, de forma fiel ao contido nas obras da codificação, começando de imediato a efetuar a tarefa que está reservada ao espiritismo de transformação da humanidade través da implantação do evangelho no coração do homem, que espera por nossa boa vontade e determinação.

Que o Mestre de Nazaré nos inspire e fortaleça nesse desafio e nos sustente com sua paz, hoje e sempre.

 Francisco Rebouças

1) O Livro dos Espíritos – FEB, 76ª edição
2) Evangelho Segundo o Espiritismo - FEB, 36ª - Cap.XIII, item 19
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Sexta-feira, 5 de Agosto de 2011

PLURARIDADE DAS EXISTENCIAS

Compreendam e não esqueçam nunca que, pela pluraridade das existências e corformemente ao grau de culpabilidade, as provações e as expiações, tendo por fim a purificação e o progresso são apropriadas às faltas cometidas nas encarnações precedentes. Assim, por exemplo, o senhor de ontem, duro e arrogante, que faliu nas suas provas como senhor, fossem quais fossem, dentro da ordem social, sua posição ou seu poder na terra, é o escravo, o servo, ou criado de amanhã. O sábio que ontem, materialista e orgulhoso, abusou de sua inteligência, da sua ciência, para desencaminhar os homens, para perverter as massas populares, é o cego, o idiota ou o louco de amanhã. O orador de ontem, que abusou gravemente da palavra para arrastar os homens ou os povos a erros profundos, é o surdo mudo do dia seguinte. O que ontem dispôs da saúde, da força, ou da beleza física e gravemente abusou de tudo isso, é o sofredor, o doente, o raquítico, o desertado da natureza, o enfermo de amanhã. Se é certo que os corpos procedem dos corpos, não menos certo é que são apropriados às provações e às expiações por que o Espírito haja de passar e que a encarnação se dá no meio e nas condições  adequados ao cumprimento de tais provações e expiações. É o que explica como e porque, na mesma família, dois filhos, dois homens nascidos do mesmo pai e da mesma mãe, se encontram em condições físicas tão adversas, tão opostas. De igual modo a diferença nas provações, a disparidade do avanço realizado nas existências precedentes explicam porque e como, do ponto de vista moral ou intelectual, esses dois irmãos se acham em condições tão adversas, tão opostas.

Compreenda o homem e não se esqueça nunca que o mais próximo e mais querido parente de ontem, que o mais amigo da véspera podem vir a ser e são muitas das vezes o estranho, o desconhecido do dia seguinte, que ele a todo instante poderá encontrar, acolher ou repelir.

Que, pois, os homens, cientes e compenetrados de que a vida humana e as condições sociais são provações e ao mesmo tempo meio e modo de amparo e de concurso recíproco nas vias da reparação e do progresso, pratiquem a lei de amor, partilhando mutuamente o que possam de natureza material ou intelectual, dando aquele que tem ao que não tem, dando de coração o auxílio do coração, dos braços, da bolsa, da inteligência, da palavra e, sobretudo do exemplo. Então, quando tal se verificar, estarão cumpridas em toda verdade, sob os auspícios e a pratica da fraternidade recíproca e solidária, estas palavras de Jesus: “Basta ao discípulo ser como o mestre e ao servo como o senhor”.

Trecho retirado do livro “OS QUATRO EVANGELHOS” de J.B.Roustaing.

Recebido mediunicamente pelos apóstolos Mateus, Marcos e Lucas.

Páginas 192 e 193. 

 

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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 09:18

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IGREJAS


 “...EDIFICAREI A MINHA IGREJA AS AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA ELA.”
-Jesus. Mateus, 16:18

Desde tempos imemoriais, quando o homem sentiu o grito da fé, acompanhou-o o zelo de dar, ao seu totem e mais tarde a seus deuses, os maiores tesouros, enfeitando-lhes o altar e guardando-os sob a sombra de tetos forrados de ouro em linhas grandiosas de caracteres deslumbrantes...
A História fala-nos dos templos faustosos de Silva e Rama e, ainda hoje, deslumbram os pesquisadores a riqueza arquitetônica e a grandeza das igrejas de Heliópolis e Karnac, Tebas e Babilônia, Júpiter e Diana, Salomão e Ceres...
Depois do advento do Cristianismo, não há quem não se fascine ante a imponência da Catedral de Latrão, de Santa Maria Maior, dos afrescos de Miguel Ângelo na Capela Sixtina, das Igrejas Ortodoxas e da Catedral de Westminster...
A Terra continua a ser, com o passar dos tempos, depositária de construções grandiosas de igrejas e altares, para guardar os deuses e os totens de todas as criaturas. Das Igrejas da antiguidade restam ruínas calcinadas pelo tempo, pedras acumuladas, cobertas algumas com mirrados vegetais, em cujos ramos misérrimos cantam os ventos da noite...
As igrejas modernas jazem frias no fátuo dos seus administradores e fiéis, ou embalsamadas pelo orgulho das suas riquezas, sob a frieza das suas pedras impassíveis...
...E Jesus, que construiu a sua Igreja sobre a Verdade, defendeu-a contras as portas do mal que, para ele, jamais estariam abertas.
Vivendo em comunhão com os humildes e sofredores, ergue uma igreja no coração de cada criatura, em cujo interior a Voz de Deus se faria ouvida, através da consciência reta.
Mostrando aos discípulos a Casa de Salomão, “de que não ficaria pedra sobre pedra que não fosse derrubada”, o Mestre ensina, por último, como deve o homem ser o Templo de Deus, forte e poderoso, contra o qual o tempo e a luta são inoperantes e fracos.
Em Sua memória, depois da ressurreição, orava-se ao ar balsâmico da Natureza, em contato com o céu infinito, misturando-se as preces com as vozes inarticuladas de todas as coisas.
Os primeiros tetos humildes e simples eram antes agasalho do que santuários para orações, sendo o trabalho socorrista a prece maior e mais santa, no serviço aos necessitados. Nos seus bancos singelos, sobre o piso humílimo, nas suas improvisadas tribunas, reclinavam-se doentes, aguardando o socorro da caridade, antes que as fórmulas e as disputas verbalistas as modificassem.
Sob a copa das árvores ou sobre o pó dos caminhos, erguiam-se, na assistência fraternal ao necessitado, o altar e o templo, onde, de braços abertos, Jesus era o Sublime Presente, em comunhão com todos.
De todas, a Igreja Eterna, que o mal não pode destruir, é sem dúvida a da Verdade, a que o Nazareno, generoso e bom, aludiu, manifestando-se com profunda sabedoria.
Igrejas grandiosas, com odor de vaidade, são sepulcros para o orgulho e a ostentação das almas vãs.
Igrejas de naves resplandecentes são cenários para espíritos triunfadores do mundo.
Igrejas auríferas e suntuosas são quartéis de ociosidade e contemplação.
Igrejas de pedra são símbolos da caridade fria como colunas.
Igrejas enormes e vazias...
A Igreja de Jesus é o Coração da Natureza, seu altar é o Homem.
“Deus que fez o mundo e tudo o que nele se encontra, sendo Senhor do Céu e da Terra, não habita em templos feitos por mãos de homens”, disse Paulo aos atenienses. (Atos 17:24)
O templo que o homem ergue, seja, antes de tudo, o teto de agasalho onde o cansado repouse, o aflito dormite e o infeliz encontre a paz. Seja simples e modesto, para que sua ostentação não fira a humildade de quantos o busquem.
Igrejas!... Igrejas!... Desertas e frias!
Igrejas sem crentes...
Crentes sem igrejas...
“Nem em Jerusalém, nem no monte. Dia virá em que o Pai será adorado em espírito e verdade” disse à samaritana o Rabi.
Meditemos!
De nossa vida e dos nossos atos façamos as colunas sobre as quais, um dia, a Bondade Divina colocará o teto do seu amor infinito e misericordioso, construindo, para os infelizes, a legítima Igreja do Amor sem limites.
Do livro “À Luz do Espiritismo” – Divaldo P. Franco – Vianna de Carvalho
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 04:21

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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011

A MORAL ESPÍRITA


Diz Allan Kardec, na Conclusão de "O Livro dos Espíritos", que "fora presumir demais da natureza humana supor que ela possa transformar-se de súbito, por efeito das idéias espíritas".
Acrescenta o Codificador que a ação exercida por essas idéias não são nem idênticas, nem do mesmo grau em todos aqueles que aceitam o Espiritismo e o professam.
É admirável a argúcia do Codificador na observação do fenômeno do entendimento e da aceitação da novel doutrina, máxime considerando-se que sua observação fora formulada logo no início dos trabalhos da Codificação, ao ser lançada sua obra básica, e não ao concluir sua missão, quando muitas experiências haviam enriquecido sua bagagem de professor, de experimentador, de escritor, de missionário e de extraordinário observador da natureza humana.
Os espíritas, os que estudam e cultivam o Espiritismo, percebem que a Doutrina contém aspectos filosóficos, científicos, religiosos, morais, éticos, educacionais, já que é extremamente abrangente e não se ocupa somente com a vida do homem na Terra, mas cuida também da vida do Espírito imortal para além das fronteiras da matéria densa.
Apenas para efeitos didáticos e visando a simplificar a abrangência da Doutrina, convencionou-se que o Espiritismo tem caráter de Ciência, de Filosofia e de Religião, por se entender que nessas três palavras estão resumidos todos os conhecimentos e sentimentos humanos.
Entretanto, como previra Kardec, no seio do Movimento Espírita estabeleceu-se divergência, simplesmente para substituir-se a palavra religião pela palavra moral. Então, como pretende certa corrente de espiritistas, o Espiritismo é Ciência, é Filosofia e é Moral, mas não Religião.
Simples questão de semântica, como nos disse certa vez um companheiro, com o que concordamos.
Mas os homens, apesar da clareza das idéias espíritas, não as percebem do mesmo modo, nem no mesmo grau.
Preferem estabelecer um pequeno ou grande cisma a cederem no que concerne à idéia que acolhem e que se cristaliza, tornando-se inamovível.
A discussão em torno dos termos moral e religião levou a conseqüências prejudiciais à unidade do entendimento da Doutrina.
As pessoas apaixonam-se de tal modo pelo entendimento pessoal sobre determinada questão, que desprezam qualquer outro juízo que o contrarie, tornando-se fanáticas e contraditórias com as próprias bases que as sustentam.
Há tempos, e ainda hoje repete-se o fato, alguns espíritas desavisados puseram-se em campo para sustentar que o Espiritismo é uma ciência e, quando muito, tem conseqüências filosóficas, mas não é religião. Baseavam-se esses companheiros nas palavras de Kardec, em “O que é o Espiritismo” (Preâmbulo) ao definir o Espiritismo como sendo “uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal”.
Estaria errada essa definição do Codificador? Claro que não. Mas o adepto precisa estar atento no entendimento da Doutrina como um todo, um amplo contexto, um código de princípios, postulados, regras, que não pode ser desmembrado. O entendimento das partes componentes há que estar harmonizado com o do conjunto.
Dentro do contexto do discurso, ao tratar do assunto específico, Kardec está certo ao dizer que o Espiritismo é uma ciência, mas isso não autoriza a conclusão de que a Doutrina Espírita é somente uma ciência, uma vez que ela é também filosofia, é religião (não em sentido restrito, mas lato), contém regras morais que coincidem com o Evangelho de Jesus, estabelece princípios éticos que decorrem de sua natureza e de seu caráter, e, conseqüentemente, é também doutrina de educação e de instrução porque se preocupa com o progresso moral e intelectual de todos os que aceitam seus princípios.
Também na interpretação da Doutrina Espírita ocorre o erro de caracterizar-se o todo pela parte.
Intérpretes de todas as filosofias e religiões incidiram nesse antiquíssimo engano.
Isso ocorreu no judaísmo, que o Cristo procurou retificar com sua mensagem de vida eterna e abundante, mesmo acrescentando que não vinha destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento.
Tem ocorrido através de séculos nas religiões oriundas do Cristianismo, inclusive nos dias atuais, quando se fundam novas seitas baseadas na interpretação de uma passagem isolada do Velho e do Novo Testamento, daí resultando verdadeiros paradoxos pela sua incoerência com o sentido geral da Bíblia.
Quando a esse velho engano se acresce a interpretação literal dos textos e se juntam os dogmas criados pelo homem, o resultado está à vista de todos: religiões dogmatizadas, exclusivistas, desmembramentos de antigos troncos pela inconformação de determinadas personalidades com a idéia antes assente.
Infelizmente, também no Movimento Espírita, em todo o mundo, o fenômeno do cisma e da interpretação individual não ficou afastado, apesar da preocupação do Codificador em imprimir toda clareza à sua obra.
Entretanto, os adeptos do Espiritismo têm maior parcela de responsabilidade no divisionismo doutrinário que os adeptos de outras correntes espiritualistas, já que nossa Doutrina é conseqüente de Revelação Superior e não resultante de um sistema criado pelo homem.
Além disso, naquilo que é de capital importância, correspondendo a realidades transcendentes que estavam acima das possibilidades de entendimento dos homens, os Espíritos supriram nossas deficiências, não só revelando coisas novas para a Humanidade mas também dando entendimento autêntico e espiritual ao que já era conhecido, como ocorre com a interpretação da mensagem do Cristo.
É conhecido o fato de alguns adeptos pugnarem pela desvinculação da Doutrina Espírita do Evangelho de Jesus. Acham eles que o Espiritismo tem sua moral própria e que por isso prescinde-se do que eles denominam igrejismo, religiosismo, etc.
Interessante observar que esses adeptos se baseiam em escritos de Allan Kardec e se arvoram em intérpretes autênticos do mestre, incidindo no velho engano de tomar o todo pela parte.
Alguns preferem substituir a sabedoria e beleza dos Evangelhos, interpretados em espírito, que é a base firme da Doutrina Espírita, na sua contextura moral, por teorias psicológicas e parapsicológicas com forte influência materialista.
Ora, o espírita atento e estudioso sabe que toda a Codificação reafirma a Doutrina do Cristo constante dos Evangelhos e não a ensinada e desvirtuada pelas Igrejas.
Allan Kardec, em diversas passagens, confirmou essa verdade. Daí porque fica difícil entender como pessoas inteligentes e conhecedoras da Doutrina Espírita enveredem pelo divisionismo das interpretações pessoais, invocando justamente excertos e fragmentos que não devem ser entendidos isoladamente.
Vejamos o que diz o Codificador em algumas passagens de sua Conclusão, em “O Livro dos Espíritos”:
“VIII — Ensinam os Espíritos qualquer moral nova, qualquer coisa superior ao que disse o Cristo? Se a moral deles não é senão a do Evangelho, de que serve o Espiritismo? Este raciocínio se assemelha notavelmente ao do califa Omar, com relação à biblioteca de Alexandria: 'Se ela não contém, dizia ele, mais do que está no Alcorão, é inútil. Logo deve ser queimada. Se contém coisa diversa, é nociva. Logo, também deve ser queimada”.
Não, o Espiritismo não traz moral diferente da de Jesus. Mas, perguntamos, por nossa vez: Antes que viesse o Cristo, não tinham os homens a lei dada por Deus a Moisés? A doutrina do Cristo não se acha contida no Decálogo? Dir-se-á, por isso, que a moral de Jesus era inútil? Perguntaremos, ainda, aos que negam utilidade à moral espírita: Por que tão pouco praticada é a do Cristo? E por que, exatamente os que com justiça lhe proclamam a sublimidade, são os primeiros a violar-lhe o preceito capital: o da caridade universal? Os Espíritos vêm não só confirmá-la, mas também mostrar-nos a sua utilidade prática. Tornam inteligíveis e patentes verdades que haviam sido ensinadas sob a forma alegórica. E, justamente com a moral, trazem-nos a definição dos mais abstratos problemas da psicologia.
Jesus veio mostrar aos homens o caminho do verdadeiro bem. Por que, tendo-o enviado para fazer lembrada sua lei que estava esquecida, não havia Deus de enviar hoje os Espíritos, a fim de a lembrarem novamente aos homens, e com maior precisão, quando eles a olvidam, para tudo sacrificar ao orgulho e à cobiça?” (Os grifos são nossos, para acentuar a clareza do pensamento de Kardec.)
Vamos transcrever ainda da Conclusão de Kardec, o que ele adverte a respeito do entendimento de partes controvertidas, visando a evitar rivalidades no seio do Movimento:
“IX... - Antagonismo só poderia existir entre os que querem o bem e os que quisessem ou praticassem o mal. Ora, não há espírita sincero e compenetrado das grandes máximas morais ensinadas pelos Espíritos que possa querer o mal, nem desejar mal ao seu próximo, sem distinção de opiniões. Se errônea for alguma destas, cedo ou tarde a luz para ela brilhará, se a buscar de boa-fé e sem prevenções.”
..............................................
“O argumento supremo deve ser a razão. A moderação garantirá a melhor vitória da verdade do que as diatribes envenenadas pela inveja e pelo ciúme.”
Em “O Evangelho segundo o Espiritismo” eis o comentário a respeito da Coragem da fé — cap. XXIV`pág. 352, item 16 da 112ª ed. FEB:
“Assim será com os adeptos do Espiritismo. Pois que a doutrina que professam mais não é do que o desenvolvimento e a aplicação da do Evangelho, também a eles se dirigem as palavras do Cristo. Eles semeiam na Terra o que colherão na vida espiritual. Colherão lá os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza.”
Maior clareza dos Espíritos e do Codificador sobre a estreita vinculação do Evangelho com a Doutrina Espírita seria exigência descabida.
Resta ao trabalhador sincero das hostes espiritistas traçar sua própria trajetória no sentido do bem, sem se preocupar em demasia com as dificuldades do caminho, com as provocações que antes são convites ao desvio de rota.
Para isso a própria Doutrina nos esclarece da necessidade da vigilância constante, uma vez que, sem ela, sempre há o perigo da tentação da discussão desnecessária, do revide, da polêmica oca tão ao sabor dos vaidosos, dos descomprometidos com a Doutrina e com o Evangelho do Mestre.

Reformador Agosto 1997
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 17:58

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