Sábado, 5 de Novembro de 2011

CIÚME: TRAMA ESCURA DO SENTIMENTO


“Escutai e compreendei bem isto: não é o que entra na boca que macula o homem; o que sai da boca do homem é que o macula. O que sai da boca procede do coração e é o que torna impuro o homem.” (Mateus, 15:17-18.)





O Mestre, ao enunciar esse significativo ensinamento, de inapreciável valor, também registrado no Evangelho de Marcos (7: 18 a 21), espera de nós uma mudança íntima e radical mediante a purificação do nosso coração, não de reforma externa. A passagem evangélica impele-nos a pensar sobre o tema do presente artigo, identificando, nas doenças da alma, o momento em que o ciúme converte a palavra em açoite desesperador.

O assunto sugere vasta abordagem, mas gostaríamos de nos deter em alguns aspectos desse sentimento que tem danificado moralmente muitas almas irmãs que se deixam levar pelo receio e pela incerteza nos relacionamentos afetivos entre casais.

Como aniquilar o ciúme do coração para fugir de aflitivas tentações que nos assaltam o pensamento?

Se o sentimento precede, em nós, toda e qualquer elaboração de ordem mental, por que não conseguimos mantê-los equilibrados, pacificando-os, tanto quanto possível, em benefício das experiências amorosas que usufruímos?

Ao interpretar o ciúme, o Mentor espiritual Emmanuel, esclarece:

– O ciúme, propriamente considerado nas suas expressões de escândalo e violência, é um indício de atraso moral ou de estacionamento no egoísmo, dolorosa situação que o homem somente vencerá a golpes de muito esforço, na oração e na vigilância, de modo a enriquecer o seu íntimo com a luz do amor universal, começando pela piedade para com todos os que sofrem e erram, guardando também a disposição sadia para cooperar na elevação de cada um.1

Nossas ideias se exteriorizam todos os dias e somos identificados pelas vibrações que irradiamos. É imprescindível, portanto, observar as condições emocionais que se originam de nossas reflexões e raciocínios – nem sempre vigilantes – e que nos conduzem à derrota no campo de lutas cotidianas.

Ao examinar os relacionamentos perturbadores, o Espírito Joanna de Ângelis mostra-nos que “o amor é uma conquista do espírito maduro, psicologicamente equilibrado; usina de forças para manter os equipamentos emocionais em funcionamento harmônico”2 e refere-se às características daqueles que agem em desacordo com esse amor:

Os indivíduos de temperamento neurótico, tornam-se incapazes de manter um relacionamento estável. Pela própria constituição psicológica, são portadores de afetividade obsessiva e, porque inseguros, são desconfiados, ciumentos, por consequência, depressivos ou capazes de inesperadas irrupções de agressividade.

[...] Creem não merecer o amor de outrem, e, se tal acontece, assumem o estranho comportamento de acreditar que os outros não lhes merecem a afeição, podendo traí-los ou abandoná-los na primeira oportunidade. Quando se vinculam, fazem-se absorventes, castradores, exigindo que os seus afetos vivam em caráter de exclusividade para eles [...].3

Afirma o preclaro Espírito, que o amor-compreensão “não se escora em suspeitas, nem exigências infantis; elimina o ciúme e a ambição de posse, proporcionando inefável bem-estar ao ser amado que, descomprometido com o dever de retribuição, também ama”.3 De fato, esse amor, contrário ao amor-paixão, vence obstáculos para manifestar a sua afeição com maior intensidade a cada dia. Assim, no entender de Vinícius: “A paixão pode conduzir o homem à loucura e ao crime. O amor equilibra as faculdades, consolida o caráter, apura os sentimentos e torna o homem capaz dos mais belos sacrifícios”.4

O monstro do ciúme, contudo, devora-nos o equilíbrio; torna-nos frágeis emocionalmente frente às dúvidas e às desconfianças que nos atormentam o coração.

Nossas suspeitas, fruto do egoísmo que nos assinala a personalidade, convertem-se em profundas aflições fazendo-nos sofrer desnecessariamente, causando-nos inúmeros transtornos físicos e morais; padecimentos buscados na vida presente, “consequência natural do caráter e do proceder dos que os suportam”.5 Sobre o problema, Allan Kardec explica-nos, objetivamente:

Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida; remontem passo a passo à origem dos males que os torturam e verifiquem se, as mais das vezes, não poderão dizer: Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição.

A quem, então, há de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si mesmo? O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios [...].6

Em nota à questão 917 de O Livro dos Espíritos, tendo como resposta a mensagem transmitida pelo Espírito Fénelon, analisa Kardec, asseverando:

[...] Quando compreender bem que no egoísmo reside uma dessas causas, a que gera o orgulho, a ambição, a cupidez, a inveja, o ódio, o ciúme, que a cada momento o magoam, a que perturba todas as relações sociais, provoca as dissensões, aniquila a confiança, a que o obriga a se manter constantemente na defensiva contra o seu vizinho, enfim a que do amigo faz inimigo, ele compreenderá também que esse vício é incompatível com a sua felicidade e, podemos mesmo acrescentar, com a sua própria segurança. [...]7

É imprescindível vigiar a palavra para que não venhamos a cometer desatinos em nome do sentimento que afirmamos ter pela pessoa amada; vigiar a boca, ao transmitir pensamentos destrutivos, exteriorizando elementos perturbadores, de acordo com as nossas intenções mais secretas e personalistas.

Dia virá em que colheremos os frutos amargos das atitudes infelizes que perpetramos.

O exemplo oferecido pelo Espírito André Luiz, retratado em uma de suas obras, alerta-nos para o fato de que, mesmo espíritas, não fugiremos dessas situações se não soubermos preservar a harmonia necessária ao lado daqueles com quem convivemos no recesso do lar: é o caso da médium Isaura Silva. O autor, em conversa com Sidônio, diretor dos trabalhos, a descreve como

[...] valorosa cooperadora, revela qualidades apreciáveis e dignas, porém, não perdeu ainda a noção de exclusivismo sobre a vida do companheiro e, através dessa brecha que a induz a violentas vibrações de cólera, perde excelentes oportunidades de servir e elevar-se. [...]8 André Luiz, orientado pelo Guardião espiritual, relata que, apesar de a cooperadora possuir vastas probabilidades de serviço ao próximo, suas condições espirituais menos nobres, influenciadas pelos sentimentos enegrecidos que cultiva, lhe encaminham, durante o sono, fora do corpo de carne, ao encontro de entidades desencarnadas, caracterizadas por aspirações de ordem inferior e de mentes pervertidas. Confabulando com esses Espíritos, a seareira encontra guarida para desabafar sobre os dramas imaginários que acalenta dentro de si. Em razão disso, os Espíritos superiores que a assistem, concluem:

– Antes de tudo, os agentes da desarmonia perturbam-lhe os sentimentos de mulher, para, em seguida, lhe aniquilarem as possibilidades de missionária.

O ciúme e o egoísmo constituem portas fáceis de acesso à obsessão arrasadora do bem. Pelo exclusivismo afetivo, a médium, nesta conversação, já se ligou mentalmente aos ardilosos adversários de seus compromissos sublimes. 9

Vivamos, pois, tranquilamente junto aos que nos cercam, mantendo uma conduta de segurança no plano afetivo; saibamos cultivar a ligação imperecível entre as almas que amamos e que nos amam, lutando contra os perigos do ciúme devastador que aniquila a estabilidade de nossos melhores sentimentos, sem esquecer que a palavra procede do coração envolvendo-nos para o bem ou para o mal.



Reformador Maio 2010


Referências:
1XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Questão 183.
2FRANCO, Divaldo P. O homem integral. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, BA: LEAL, 1990. Cap. 7, Relacionamentos perturbadores, p. 114-117.
3______.______. p. 114.
4VINÍCIUS (Pseudônimo de Pedro de Camargo). Nas pegadas do mestre. 12. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. Amor e paixão, p. 126.
5KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. 129. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 5, item 4, p. 107.
6______.______. p. 108.
7______. O livro dos espíritos. 91. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Comentário de Kardec à questão 917.
8XAVIER, Francisco C. Libertação. Pelo Espírito André Luiz. 2. ed. esp. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Cap. 16, p. 216.
9______.______. p. 220.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 14:50

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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011

O LIVRE ARBÍTRIO

 

Que é o livre-arbítrio?

Abrindo “O Livro dos Espíritos”, vamos encontrar no Capítulo X - Da Lei de Liberdade -, 3ª Parte da obra, oito questões relacionadas com o assunto livre-arbítrio (Questões 843 a 850), nas quais os Espíritos superiores instruem-nos a respeito.

Logo na Questão 843, indaga o Codificador se o homem tem o livre-arbítrio de seus atos. E os Espíritos respondem que se tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar, porquanto, sem o livre-arbítrio ele seria máquina.

Em resposta à Questão 845, os Espíritos afirmam que conforme se trate de Espírito mais ou menos adiantado, as predisposições instintivas podem arrastá-lo a atos repreensíveis, porém não existe arrastamento irresistível.

Basta que o Espírito (encarnado ou desencarnado), sendo consciente do mal a que esteja ou se sinta arrastado, utilize a vontade no sentido de a ele resistir.

Verificamos, no contexto geral das Questões acima referidas, que não há desculpa óbvia para o mal que o homem venha a praticar, uma vez que ele, por mais imperfeito que seja, tem a consciência do ato que pratica - se é bom ou se é mau.

O livre-arbítrio é uma faculdade indispensável ao ser humano, não nos resta qualquer dúvida, pois, sem ele, já foi dito, o ser espiritual seria simples máquina ou robô, sem qualquer responsabilidade dos atos que viesse a praticar.

É justamente a faculdade do livre-arbítrio que empresta ao homem certa semelhança com o Pai soberano do Universo. E constitui desiderato pleno desse Pai magnânimo que os Espíritos, seus filhos, cresçam para a glória eterna, iluminando-se na prática da sabedoria e do bem.

A prática do mal pelo Espírito, encarnado ou desencarnado, não tem qualquer justificativa porque ele sabe quando obra indevidamente. Caim, no exemplo bíblico, ao matar Abel, tinha plena consciência do que fazia tanto que o fez às escondidas. O que faltou a Caim foi a compreensão de que nada há oculto aos olhos de Deus!

Pode-se, verdadeiramente, lesar os homens, pode-se até mesmo lesar-se a si próprio, mas nunca lesará alguém a magnânima justiça de Deus.

Esclarece-nos a Revelação da Revelação, ou “Os Quatro Evangelhos”, que o Espírito antes de encarnar toma resoluções quanto ao gênero das provações, quanto à extensão e ao termo delas, até mesmo quanto à duração da existência bem como quanto aos atos que praticará durante a mesma, no entanto, o emprego, o uso ou o abuso que ele faz da vida terrena muitas vezes o impedem de atingir o limite e o bom cumprimento daquela resolução (l.º Volume, pág. 139, 7ª edição FEB).

No caso enfocado, o Espírito teve o livre-arbítrio de programar o que seria a sua encarnação, no entanto, em função do próprio livre-arbítrio, por usá-lo mal ou dele abusar, estragou um bom programa de vida. Há, porém, aqueles que procuram justificar-se com fundamento no esquecimento produzido pelo véu da carne.

Os Espíritos, todavia, em resposta à Questão 392 de “O Livro dos Espíritos”, explicam que “não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro.” E concluem: “Esquecido de seu passado ele é mais senhor de si.”

Vejamos, por exemplo, uma situação em que determinado indivíduo houvesse sido homicida em sua última encarnação e tivesse programado para a atual existência a quitação desse delito. Não obstante a desnecessidade de desencarnar assassinado, ele não teria paz até o dia de seu retorno à vida espírita. Estaria sempre sobressaltado e na expectativa da presença de alguém que lhe viesse subtrair a vida física, se recordasse sua transgressão anterior.

O esquecimento do passado é necessário, misericordioso, e justifica perfeitamente a prova ou provas a que todos estamos naturalmente submetidos, pois essa é uma das funções da vida corporal.

Sentimos a importância do livre-arbítrio quando somos levados a tomar decisões que incomodam a consciência... Isto significa quanto o Pai celestial é bom, nos ama e se preocupa com o nosso progresso. Concede-nos o livre-arbítrio, mas concede-nos igualmente a consciência, espécie de censor natural, que nos alerta quando dele pretendemos abusar.

A propósito queremos fazer um paralelo entre duas informações ou elucidações em torno do livre-arbítrio e as conseqüências de sua errônea utilização. Uma se encontra em “Os Quatro Evangelhos” ou Revelação da Revelação (l.º Vol. pág. 299, 7ª edição FEB), nos seguintes termos:

“Esses Espíritos presunçosos e revoltados, cuja queda os leva às condições mais materiais da Humanidade, são então humanizados, isto é, para serem domados e progredirem sob a opressão da carne, encarnam em mundos primitivos, ainda virgens do aparecimento do homem, mas preparados e prontos para essas encarnações” (grifos da obra).

A outra se encontra em “O Evangelho segundo o Espiritismo” (Capítulo III, Item 16, edição FEB), nos termos seguintes:

“Já se vos há falado de mundos onde a alma recém-nascida é colocada, quando ainda ignorante do bem e do mal, mas com a possibilidade de caminhar para Deus, senhora de si mesma, na posse do livre-arbítrio. Já também se vos revelou de que amplas faculdades é dotada a alma para praticar o bem. Mas, Ah! Há as que sucumbem, e Deus, que não as quer aniquiladas, lhes permite irem para esses mundos onde, de encarnação em encarnação, elas se depuram, regeneram e voltam dignas da glória que lhes fora destinada.”

Em ambas as elucidações, vê-se que o livre-arbítrio é um dom de que o Espírito pode abusar, mas terá sempre de enfrentar as conseqüências desse abuso, sofrendo encarnações destinadas a purificá-lo, transformá-lo, regenerá-lo, o que não deixa de ser pena de efeito verdadeiramente misericordioso.

Os itens 16 e 17 desse capítulo de “O Evangelho segundo o Espiritismo” são constituídos de uma mensagem de Santo Agostinho, que deve ser lida atenciosamente pelo espírita estudioso. Pois a questão livre-arbítrio confunde bastante aqueles que a conhecem apenas superficialmente, literariamente, sem analisar-lhe a profundidade científico-filosófica.

Há, ainda, aqueles que confundem livre-arbítrio com direito, quando são duas coisas diferentes. No livre-arbítrio temos uma ação voluntariosa de escolha entre alternativas diferentes em que o ator é responsável pelas conseqüências do seu ato. Na ciência do direito a responsabilidade do ato praticado decorre da lei humana.

A Doutrina Espírita exerce, portanto, considerável papel em sua função de Consolador prometido pelo Cristo de Deus: o de alertar as almas que atingiram determinado degrau da escala evolutiva, em que a alegação de ignorância já não atenua determinados erros cometidos em função do livre-arbítrio. No que diz respeito aos habitantes de um mundo em vias de mudança para estágio de regeneração, vale acentuar ainda, conforme vimos acima, a função da consciência como faculdade de alertamento no processo optativo das alternativas para a ação.

A Doutrina está no mundo para todos. Ela não pertence aos espiritistas. Enviou-a Jesus à Humanidade. Os espiritistas somos apenas seus instrumentos de exemplificação e divulgação sem qualquer outro “privilégio” além da consciência do livre-arbítrio.

 

Fonte: Reformador nº1984 – Julho/1994


 

 

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 20:18

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É PERMITIDO REPREENDER OS OUTROS ...?


 Com este título, Kardec propõe três questões que são respondidas pelo Espírito S. Luís, em Paris, no ano de 1860.(1)

Na primeira delas é que vamos nos deter por agora, quando Kardec pergunta: –“Ninguém sendo perfeito, seguir-se-á que ninguém tem o direito de repreender o seu próximo?” Resposta – “Certamente que não é essa a conclusão a tirar-se, porquanto cada um de vós deve trabalhar pelo progresso de todos e, sobretudo, daqueles cuja tutela vos foi confiada. Mas, por isso mesmo, deveis fazê-lo com moderação, para um fim útil, e não, como as mais das vezes, pelo prazer de denegrir. Neste último caso, a repreensão é uma maldade; no primeiro, é um dever que a caridade manda seja cumprido com todo o cuidado possível. Ao demais, a censura que alguém faça a outrem deve ao mesmo tempo dirigi-la a si próprio, procurando saber se não a terá merecido.”

É bom lembrar que Jesus, tipo mais perfeito para servir de guia e modelo à Humanidade, enviado por Deus (2), como na primeira parte da resposta acima, jamais deixou de mostrar o erro nos quais os curados por Ele estavam inseridos, quando dizia: – “(...) de futuro não tornes a pecar”. Mas, também, nunca repreendeu alguém com o intuito de desacreditá-lo junto à sociedade; ao contrário, como no caso da mulher surpreendida em adultério (3), disse: – “Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.”

Fez, como está no final da resposta de S. Luís, que antes de julgarmos os outros, devemos verificar se esse julgamento não nos cabe também.

Sem dúvida alguma, a crítica irresponsável, o notar as imperfeições alheias, a maledicência fazem parte do cotidiano da grande massa da população terrena, fruto, ainda, das nossas imperfeições que nos acompanham há milênios. É uma anormalidade que com frequência praticamos como se fosse normal, já que automatizamos tais pensamentos, palavras e ações infelizes sem nos conscientizarmos do mal que proporcionamos aos nossos semelhantes.

Vemos, com muita tristeza, como os meios de comunicação, nas suas mais variadas formas, se utilizam dessas prerrogativas infelizes, sabedoras de que coisas dessa natureza é que vendem e dão altos índices de audiência.

O que mostra como ainda estamos atrasados moralmente.

Lemos outro dia, numa coluna de jornal, pequeno artigo que contava uma história mais ou menos assim: “Cada pessoa caminha na vida carregando duas sacolas, uma no peito e outra nas costas. Na do peito estão contidas as virtudes, e na das costas, os vícios. Cada um de nós só vê as costas dos que vão à frente, portanto, só os defeitos dos outros, esquecendo-nos de que os que vêm atrás de nós vêem os nossos defeitos também.”

Atitudes dignas para com os semelhantes deveriam ser rotineiras e não fatos isolados que chegam a ser destacados como coisas extraordinárias.

Costumamos dizer em nossas palestras que cada pessoa deveria ter um disjuntor moral na língua, que desarmasse automaticamente, quando fôssemos falar mal de alguém e, assim, ficaríamos mudos, só retornando a voz quando fôssemos falar coisas boas daquela pessoa. Mas o disjuntor deveria ficar mesmo era no nosso cérebro, para que toda vez que um pensamento infeliz com relação a uma pessoa surgisse, ele se desligasse e nós não indignificaríamos a ninguém. Esse disjuntor chama-se autocontrole sobre o que pensamos, para que não falemos ou ajamos em desfavor dos nossos semelhantes.

O Espiritismo nos mostra a necessidade da renovação pessoal na busca do ser integral, principalmente agora, nesta era da humanidade, norteada pelo amor que deve unir a todas as criaturas.

Lutemos por corrigir os nossos defeitos e, como diz a parábola do Argueiro e da Trave no olho (4), retiremos primeiro as nossas imperfeições, para só depois vermos como poderemos “auxiliar” os outros a removerem as suas.


Reformador Dez.2001
Referências Bibliográficas:
1 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, 111. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995, p. 180.
2 ____. O Livro dos Espíritos, 75. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1995, questão 625, p. 308.
3 ____. O Evangelho segundo o Espiritismo, 111. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1995, p. 173.
4 ____.Idem, p. 172.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 18:02

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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

A FESTA DOS MORTOS NÃO É NOS CEMITÉRIOS

Hoje é dia de festa nos asilos consagrados ao repouso dos mortos. A multidão se apressa, os trajes brilham; percorrem-se os campos fúnebres a passos lentos, e parece que esta afluência deveria encher de alegria as almas dos que não pertencem mais ao número dos encarnados! Entretanto, quão pouco numerosos são os Espíritos que do espaço vêm reunir-se aos seus antigos amigos da Terra! Os humanos são inumeráveis, quase alegres ou no mínimo indiferentes; um zumbido imenso se eleva acima da multidão. Mas, de que se ocupa toda essa gente? Que sentimento as reúne? Pensam nos mortos? Sim, pois que vieram! Mas o pensamento salutar bem depressa se eclipsou; e se alguns nomes inscritos sobre as lápides tumulares provocam as exclamações do transeunte indiferente, ele lança no éter com a fumaça de seu charuto algumas reflexões banais, alguma gargalhada sem eco!...
Nessa balbúrdia nascem todos os pensamentos, todos os sentimentos, todas as aspirações, exceto o recolhimento, o sentimento religioso, a aspiração à comunhão íntima com os que partiram. Muitos curiosos, mas bem poucos possuem a religião da lembrança!... Por isso, os mortos que não se sentem chamados estão por toda parte, menos nos cemitérios, e a maioria dos que planam no espaço ou circulam nas estreitas aléias, estão fatalmente chumbados pelas paixões terrestres aos despojos mortais que outrora tanto amaram.
Risos, discursos inúteis entre os vivos; gritos de dor e de raiva na maior parte dos mortos; um espetáculo sem interesse para todos, uma visita formal para alguns, hábito para a maioria, eis o quadro que apresentam os cemitérios parisienses no dia dos mortos!...
E, contudo, há festa na Terra e no espaço; festa para os Espíritos que, havendo cumprido a missão que aceitaram, expiado o mal de outra existência, voltaram ao mundo da vida real e normal com alguns florões a mais. É festa para os santos que a Humanidade inteira consagrou, não por uma abnegação sem utilidade e um isolamento egoísta, mas pelo devotamento a todos, por seus trabalhos fecundos, por seus ensinos perseverantes, por sua luta incessante contra o mal, pelo triunfo do bem. Para estes há festa no espaço, como há festa na Terra para todos os que, esclarecidos pelas grandes leis que regem os universos, clamam em seu foro íntimo pela visita dos que tanto amaram e que não estão perdidos para eles. Há festas para os espíritas que crêem e praticam. Há festa para os Espíritos que instruem e que continuam no espaço a obra de regeneração começada neste mundo!...
Ó, meus amigos, no campo dos mortos, nestes dias consagrados pelo uso, tudo é do domínio da morte em seu sentido mais restrito!...
A vestimenta abandonada pelo Espírito não existe mais e não há crença alguma no coração dos visitantes; são mortos que só têm da vida as aparências terrestres, pois a vida real, a grande vida da alma ainda é desconhecida para o maior número.
Nós vivemos, nós que pensamos, que progredimos, que trabalhamos juntamente para estabelecer a base dos progressos futuros; e eles morrem, ou, melhor, vão morrer no passado para nascer no futuro, graças ao Espiritismo, que traz em seu seio a fonte fecunda de toda perfeição.
A morte não existe; a desagregação que leva este nome restitui à terra os elementos que o corpo material aí hauriu; mas a alma em que reside a vida, a alma que é o ser integral, edifício incessantemente aperfeiçoado pela provação humana, emerge no limiar da morte para a vida real e sem fim da erraticidade!...
Moki
Fonte: Revue Spirite (Revista Espírita) – dezembro de 1869, p. 513-515.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Terça-feira, 1 de Novembro de 2011

ANTE OS QUE PARTIRAM

 

Não só a movimentação nos cemitérios é notícia nos jornais do mundo cristão no feriado de 2 de novembro. A emoção estampada nos rostos acaba sendo quase sempre a imagem mais marcante, pois fala daquela saudade que raros ainda não experimentaram na vida. São mães, pais, filhos, irmãos, amigos que se dirigem, segundo suas crenças, aos cemitérios ou templos religiosos para homenagear a memória dos entes queridos, deles temporariamente afastados do convívio físico por causa da morte.
É nesse dia, tão especial, que pessoas de diferentes religiões, inclusive os cristãos espíritas, vão ao encontro dos que sofrem, levando uma palavra ou uma mensagem amiga, de consolo e esclarecimento, como esta de Emmanuel, intitulada “Ante os que partiram”, do livro “Religião dos Espíritos”, psicografado por Chico Xavier:
“Nenhum sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio”.
Ver a névoa da morte estampar-se, inexorável, na fisionomia dos que mais amamos, e cerrar-lhes os olhos no adeus indescritível, é como despedaçar a própria alma e prosseguir vivendo.
Digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho transfigurado em anjo da agonia; um esposo que se despede, procurando debalde mover os lábios mudos; uma companheira cujas mãos consagradas à ternura pendem extintas; um amigo que tomba desfalecente para não mais se erguer, ou um semblante materno acostumado a abençoar, e que nada mais consegue exprimir senão a dor da extrema separação, através da última lágrima.
Falem aqueles que, um dia, se inclinaram, esmagados de solidão, à frente de um túmulo; os que se rojaram em prece nas cinzas que recobrem a derradeira recordação dos entes inesquecíveis; os que caíram, varados de saudade, carregando no seio o esquife dos próprios sonhos; os que tatearam, gemendo, a lousa imóvel, e os que soluçaram de angústia, no ádito dos próprios pensamentos, perguntando, em vão, pela presença dos que partiram.
Todavia, quando semelhante provação te bata à porta, reprime o desespero e dilui a corrente da mágoa na fonte viva da oração, porque os chamados mortos são apenas ausentes e as gotas de teu pranto lhes fustigam a alma como chuva de fel.
Também eles pensam e lutam, sentem e choram.
Atravessam a faixa do sepulcro como quem se desvencilha da noite, mas, na madrugada do novo dia, inquietam-se pelos que ficaram... Ouvem-lhes os gritos e as súplicas, na onda mental que rompe a barreira da grande sombra e tremem cada vez que os laços afetivos da retaguarda se rendem a inconformação ou se voltam para o suicídio.
Lamentam-se quanto aos erros praticados e trabalham, com afinco, na regeneração que lhes diz respeito.
Estimulam-te à prática do bem, partilhando-te as dores e as alegrias.
Rejubilam-se com as tuas vitórias no mundo interior e consolam-te nas horas amargas para que te não percas no frio do desencanto.
Tranqüiliza, desse modo, os companheiros que demandam o Além, suportando corajosamente a despedida temporária, e honra-lhes a memória, abraçando com nobreza os deveres que te legaram.
Recorda que, em futuro mais próximo que imaginas, respirarás entre eles, comungando-lhes as necessidades e os problemas,porquanto terminarás também a própria viagem no mar das provas rede.
E, vencendo para sempre o terror da morte, não nos será lícito esquecer que Jesus, o nosso Divino Mestre e Herói do Túmulo Vazio, nasceu em noite escura, viveu entre os infortúnios da Terra e expirou na cruz, em tarde pardacenta, sobre o monte empedrado, mas ressuscitou aos cânticos da manhã, no fulgor de um jardim.”“.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:56

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A BIBLIA É INSPIRADA?

 

Análise

A luz clareia aqueles que abrem seus olhos, mas as trevas se espessam para aqueles que querem fechá-los (SIMEON).

O presente artigo não tem como espoco a depreciação da fé alheia. Segundo a Constituição Federal, todos os homens são livres para pensar e crer naquilo que mais lhe apraz, sem distinção de credo ou filosofia. Por este motivo temos o livre direito de nos expressar, pois somos livres pensadores para expormos nossas idéias. Não somos contra as pessoas, apenas não concordamos com as ideias retrógradas que obstruem o desenvolvimento do intelecto. Não nos importamos com o que os opositores falem, mas antes de fazê-lo, faz-se mister ler e refletir, ainda que posteriormente discorde do nosso ponto de vista, este é um direito inalienável do ser humano que exerce seu pleno direito de pensar.

 

Somente por volta século III afirmou-se ou creu-se que os livros constituintes do Novo Testamento eram inspirados; mas isso não nos parece verdade, pelo menos dentro de um conceito cientifico e racional. Os protestantes aceitaram essa ideia apenas em 1657, na Assembléia de Westminster. Mas, com uma leitura atenciosa, notaremos que a própria Bíblia desmente essa inspiração. No livro II de Timóteo lemos: "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça;" (II Timóteo 3,16). Ora, se esta citação consta no Novo Testamento, o autor só poderia estar se referindo ao Antigo Testamento, pois o Novo ainda não existia.

Se a Bíblia fosse inspirada por Deus, deveria:

a) ser um livro que nenhum outro homem pudesse escrever, além de conter a perfeição da filosofia;

b) estar totalmente de acordo com cada fato da natureza, sem os erros em astronomia, geologia ou em quaisquer outros assuntos ou ciências;

c) seus ensinamentos tinham que ser totalmente sublimes e puros;

d) suas leis e suas regras, para controle de conduta, deveriam ser justas, sábias, perfeitas e adequadas aos fins visados;

e) não conter quaisquer coisas que tornassem o homem cruel, vingativo ou infame;

f) estar repleta de inteligência, de justiça, de pureza, de honestidade, de clemência e de espírito de liberdade;

g) teria que se opor à contenda, à guerra, à escravidão, à cobiça, à ignorância, à credulidade e à superstição;

h) incentivaria a todos desenvolver o intelecto e civilizar o coração;

i) satisfaria o coração e a mente dos melhores e dos mais sábios;

j) ser inquestionavelmente verdadeira.

 

Será que o Velho Testamento satisfaz esses quesitos?

Como pode Deus criar o mundo e ainda conferir para ver se estava bom (Gn 1:10), bem como afirmar que a Terra tem quatro cantos (Apol.7:1), cujo escritor demonstra não ter a menor noção da esfericidade do planeta. Depois de criar os animais, Deus inspira o homem a dizer que o morcego é uma ave (Lv 11:13), que as lebres ruminam (Lv 11:6) e que os insetos possuem pés (Lv 11:23), e que as cobras comem pó (Gn 3:14). Cobras nunca comem pó! Agora observe essa citação; “E o que comeres será como bolos de cevada, e cozê-los-ás sobre o esterco que sai do homem, diante dos olhos deles. E disse o SENHOR: Assim comerão os filhos de Israel o seu pão imundo, entre os gentios para onde os lançarei (Ezq. 412,13). Tem certeza que tudo isso foi inspiração divina?

No livro do Gênesis o “próprio” Deus afirma que a Lua tem luz própria (Gn 1:16). No livro dos Salmos se diz que os ventos são guardados em reservatórios (Salmos 135:7). Reservatórios?!!!

Como pode um livro divinamente inspirado e infalível conter fatos científicos falsos como estes?

Se houve inspiração por que Deus não aboliu a escravidão considerando-a como imoral? Mas não o fez! Por que não inspirou os autores desse livro com a finalidade de instruir o mundo sobre astronomia, geologia ou qualquer ciência? Os fundamentalistas odeiam a ciência; é só falar de Charles Darwin, por exemplo. O Deus bíblico se preocupou em instruir seu “povo eleito” em detalhes sobre a maneira de manter escravos e de sacrificar diversos animais; e como pôde dizer que os pecados das pessoas podem ser transferidos a um bode? Um Deus civilizado sujaria seu altar com o sangue de bois, ovelhas e pombas? Transformaria todos sacerdotes em verdadeiros açougueiros? Deliciar-se-ia com o odor de gordura queimada (Lv 2,9)? E o que devemos pensar do fato de que, ao encerrar seu tratado, Deus não conseguiu pensar em nenhuma atividade humana mais premente e duradoura do que cobiçar escravos e animais domésticos? E o que dizer de um Deus que faz da maternidade uma ofensa que precisa ser compensada com uma oferenda? Dá pra acreditar numa coisa dessas em pleno século XXI ?

Alguns questionamentos que o senso comum jamais formula:

Por que devemos aceitar os erros pela fé se pelo raciocínio continua sendo erro?

Por que devemos aceitar tudo cegamente só porque um homem disse que os textos são inspirados?

E os homens que criaram o Cânone eram tão bem qualificados quanto os especialistas de hoje?

E por que a opinião deles vale mais do que a nossa?

Não podemos pensar por nós mesmos? Como um homem pode estabelecer a inspiração de outro?

Como um homem inspirado pode provar que está inspirado?

Como ele próprio sabe que está inspirado?

O que é inspiração?

Deus usa homens como instrumentos?

Será que fez com que escrevessem seus pensamentos?

Tomou posse de suas mentes e suprimiu suas vontades de modo a sobressair a Sua?

Esses escritores estavam apenas parcialmente controlados; daí seus equívocos, sua ignorância e seus preconceitos estarem misturados com a sabedoria de Deus...

Como podemos distinguir os erros do homem daquilo que é realmente pensamento de Deus?

Podemos fazê-lo sem estarmos inspirados? Se os autores estavam inspirados, então os tradutores também deveriam estar, assim como os intérpretes da Bíblia para que a integridade dos textos fosse preservada. Como é possível a um ser humano ter consciência de que está inspirado por um ser infinito? Quais os critérios adotados para identificar uma inspiração? Mas, de uma coisa podemos ter certeza: um livro inspirado certamente deve ser superior a quaisquer outros livros produzidos por homens não inspirado e, acima de tudo, ser verdadeiro, repleto de sabedoria, prosperidade e beleza, além de ser perfeito.

Será que o Criador das galáxias, nebulosas, cometas e todo o universo infinito, escolheu a Terra justamente numa época que era habitada por seres semi-selvagens e selecionar meia dúzia de homens atrasados que viviam sujos e esfarrapados para lhes inspirar alguma coisa? Se uma árvore me inspirar a escrever um poema sobre ela, aquele poema são palavras minhas ou palavras da árvore? Ademais, inspiração não é o inspirador.

“Quem quer que afirme a verdade de forma absoluta, sem a suspensão da dúvida, está destinado ao dogmatismo e à intolerância. Onde quer que a verdade seja afirmada como posse, proíbe-se o exercício livre da razão, no chamado “livre exame”.

Todo aquele que possui a verdade, está condenado a ser um inquisidor”

Se Deus inspirou homens pouco inteligentes ensinando-os como escravizar pessoas, a matar crianças por que ele hoje não inspira os cientistas para que descubram novas vacinas? Por que não inspira os que se dedicam uma vida inteira de trabalho num laboratório para encontrar a cura da aids, do mal de Parkinson ou do Alzheimer? Por que não inspira os árabes para terminar com a guerra santa? Não é estranho o deus bíblico se preocupar com coisas tão mesquinhas e deixar as mais importantes de lado?

Até hoje nenhuma instituição religiosa apresentou um tratado, um registro, um critério lógico para justificar essa inspiração; apenas dizem que é inspirada e pronto!

Nem os dez mandamentos é coisa original; seus princípios tinham sido divulgados em 1.700 a.C, pelo rei Hamurábi da Mesopotâmia, conhecido como "código de Hamurábi"; Não é muita ingenuidade acreditar de forma literal que Deus levou 40 dias e 40 noites para cunhar as duas tabuinhas da lei, coisa que qualquer escultor faria com uma hora de serviço, ou pouco mais... Então que revelação foi esta se tudo já existia muito antes da Bíblia ser escrita? Veja o segundo mandamento; Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu. Que ensinamento moral pode ter este mandamento? Agora veja o terceiro; “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão”. Que mal Deus poderá fazer com seu filho se por alguma imperfeição humana for usado o nome dele? O quarto mandamento é sem pé nem cabeça; “guardará o dia de sábado”. Quem guarda o sábado senão judeus e adventistas? Ora, quem não sabe que isso é resultado da cultura judaica? Ninguém guarda esse dia e nem dia nenhum. Se esse livro fosse inspirado, Deus teria dispensado vários mandamentos sem sentido, e em seu lugar diria: "Não escravizarás o teu próximo".

Uma coisa é certa, uma mentira dita insistentemente um dia acaba se tornando uma falsa verdade, em virtude da eliminação das gerações presentes à ocorrência dos fatos posteriormente “transformados” em verdade. Nos Dez Mandamentos todas as ideias boas são antigas; todas as novas são tolas.

Teria deixado de lado a condenação sobre criar imagens esculpidas, e diria: "Não provocarás guerras de extermínio e não desembainharás tua espada senão em legítima defesa". No passado, todos que discordassem da maioria eram apedrejados até a morte. Investigar, era um crime. Maridos eram obrigados a denunciar e ajudar no assassinato de suas esposas descrentes. Como pode um livro que dizem ser inspirado ser inimigo da arte? "Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra": esta foi a morte da arte (Êxodo 20:4). A Palestina jamais produziu um pintor, senão o contemporâneo Ismaïl Shammut. Mas não se conhece nenhum escultor palestino.

Se a Bíblia é um livro inspirado, por que as casas publicadoras vivem fazendo revisões e mais revisões, correções e mais correções, atualizações e mais atualizações?

Estariam consertando os erros de Deus? Deus deveria ter escrito de forma clara e objetiva para não gerar tantas interpretações diferentes. Se Ele quis revelar suas leis na Bíblia, por que deixou surgir o Alcorão, o Zend-Avesta, o Upanishads, como livros sagrados muito antes dela? E por que restringiu essas leis somente aos judeus?

Não nos restam dúvidas de que as citações do AT nunca foram pronunciadas pela maior fonte de sabedoria do universo, mas por homens imperfeitos e supersticiosos que não tinham a mínima noção de ciências naturais, além de terem uma visão de mundo muito estreita.

Uma coisa é certa: a Bíblia é um livro que qualquer um pode usar qualquer versículo para defender qualquer ideia, seja ela boa ou ruim, certa ou errada. É por causa dessa pedagogia de teólogos ignaros, que os fiéis se acham mesmo superiores aos outros pelo que acreditam, intitulando-se "filhos de Deus", sempre deixando claro que o resto da humanidade, que não crê como eles, não passa de "criaturas de Deus", mas não filhos como eles o são; e essa distinção é feita por causa da crença religiosa irracional, causadora do fanatismo e do sectarismo.

Mas, por tudo isso é fácil entender o motivo de sustentarem esses absurdos. Se um líder reconhecer apenas um erro na Bíblia ela estará toda minada; então a religião ficará desacreditada; uma vez caindo no descrédito, as igrejas fecharão suas portas e seus líderes não terão do que viver. É por isso que se sustenta essa ideia de inspiração que não resiste à menor análise.

A afirmativa de que a Bíblia é inspirada ou a “palavra de Deus”, foi uma forma usada para dominar um povo simples e ignorante, fazendo-o acreditar na existência dum deus punitivo como Jeová dos exércitos; com isso, as pessoas passavam a ser subservientes ao poder teocrático. Hoje temos como exemplos dois regimes desse tipo: o do Vaticano, regido pela Igreja Católica e tendo como chefe-de-Estado o Papa; e o Irã, que é controlado pelos Aiatolás, líderes religiosos islâmicos, desde a Revolução Islâmica em 1979.

Como os líderes podem argumentar que os fatos científicos falsos da Bíblia citados acima são inspirados por Deus? Além disso, os fiéis ou fingem que acreditam ou não aprenderam a pensar e não conseguem concordar ou discordar dessas discrepâncias.

E por que eles não conseguem enxergar que suas estimadas doutrinas estão repletas de erros e contradições? Medo? Contudo, esta analise demonstra que a Bíblia não foi inspirada por Deus, o que abala a sua autoridade inquestionável absoluta que os pregadores esperam favorecer.

Lembremos que o iluminismo foi uma corrente filosófica puramente racionalista, grandes nomes da história fizeram parte desse movimento cultural que tinha por objetivo aumentar para todas as camadas sociais o saber e melhoramento e progresso para todos, mas o saber era privilégio de uma elite eclesiástica, de uma sociedade fechada, que deveria ser instrumento para todos. Mas a igreja preferiu manter o povo sob domínio e na ignorância.

As manifestações ocorridas no iluminismo em busca de um progresso era um ponto importante, o iluminista defendia que a razão é a base para chegar a um conhecimento seguro. Descartes afirmava que a dúvida metódica, racional, pode-se chegar a compreensão até mesmo de Deus. Rousseau também afirmava que a razão pode chegar a uma concepção de Deus mais pura e verdadeira do que aquela apresentada pelas religiões, que criou o Deus antropomorfo.

Aqui, encerramos nossa crítica em respeito a inteligência do leitor, mas poderíamos mostrar muito mais coisas ridículas e absurdas; agora, cabe a cada um fazer o livre exame. Acreditamos que os questionamentos podem quebrar paradigmas instituídos ao longo dos séculos que não exprimem a verdade. Toda a ideia seja religiosa, filosófica ou cientifica, precisa passar pelo crivo da razão para testar sua veracidade; mas isso o senso comum não faz; porém nós o fazemos, para todas as coisas de nossa vida.

O leitor inteligente percebeu que a Bíblia esta totalmente em Xeque, sendo reprovada sumariamente nos quistos ciências naturais, astronomia, geografia, princípios de higiene e inspiração divina. Por este motivo não devemos deixar os outros dizer no que temos de acreditar, pois muitos desejam que fiquemos na ignorância na qual eles se encontram. O artigo serve para todas as pessoas de qualquer credo, filosofia ou pensamento, que possuem consciência do certo e do errado, pois o princípio da crítica vale para todos os momentos e situações de nossa vida.

Luciano Ribeiro

Maio 2010

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:34

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