Da vida nada se leva!
Efetivamente, a desencarnação representa um abandono compulsório de todos os bens transitórios que acumulamos ou de que nos servimos.
A tormenta das almas, transpostos os umbrais da carne, porém, quase sempre se constitui não no que se levou para o Além, mas sim no que ficou no aquém.
É a fortuna disputada vorazmente.
A família que se destroça, sem razão.
A absoluta ausência de fortaleza moral, que deixamos no rasto de nossa passagem pela Terra, a infelicitar os que mais amamos.
A posição pela qual sacrificamos amigos.
Não!
Se nada levamos, muito deixamos.
Selecionemos, em decorrência, todas as nossas obras, no curto espaço de uma existência, a fim de que as algemas que forjamos com a indiferença ou com o mal não nos aprisionem indefinidamente a questões que, depois, não poderemos solucionar.
Roque Jacintho (Do livro Intimidade)
Texto extraído do Jornal: A Caridade - Ano X - n.º 106 - Junho de 1990