Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

O REPOUSO ETERNO

                                                                        

     Quando deixei o invólucro terreno, fizeram vários discursos em meu túmulo e todos eram marcados pela mesma idéia. Sonnez, meu amigo, dizia um, ides gozar do repouso eterno. Alma, dizia o padre, repousa na contemplação divina. Amigo, repetia o terceiro, dorme em paz após uma vida bem vivida. Enfim, era o repouso eterno contínuo, que ressaltava do fundo de todos adeuses tocantes.
     O repouso eterno! que entendiam por esta expressão e pelas mesmas palavras continuamente repetidas, cada vez que um homem desaparecia da Terra e ia para o desconhecido?
     Ah! meus amigos, dizeis que repousamos. Que erro estranho! compreendeis o repouso à vossa maneira. Olhai em torno de vós; existe repouso? Neste momento as árvores vão se despojar de seus envoltórios encantadores; tudo geme nesta estação; a natureza para preparar a morte e, contudo, se se procurar, achar-se-á a vida em preparação sob essa morte aparente; tudo se depura nesse grande laboratório terrestre: a seiva e a flor, o inseto e o fruto, tudo o que deve adornar e fecundar.
     Esta montanha, que parece ter uma imobilidade eterna, não repousa. As infinitas moléculas que a compõem realizam um trabalho enorme; elas tendem, umas a se agregar, outras a se separar; e essa lenta transformação causa espanto a princípio e depois admiração ao pesquisador que acha em tudo instintos diversos e mistérios a explorar. E se a Terra assim se agita em suas entranhas, é que esse grande cadinho elabora e prepara o ar que respirais, os gazes que devem sustentar a natureza inteira. É que ela imita os milhões de planetas, que percebeis no espaço, e cujos movimentos diários, o trabalho contínuo obedecem à vontade soberana. Sua evolução é matemática e se eles encerram outros elementos além dos que vos fazem agir, ide! crede-o, esses elementos trabalham a sua depuração, a sua perfeição.

     Sim, a sua perfeição. Porque é a palavra eterna. A perfeição é o objetivo e para atingi-lo, átomos, moléculas, seiva, minerais, árvores, animais, homens, planetas e Espíritos se empenham nesse movimento geral, que é admirável por sua diversidade, pois é harmonia. Todas as tendências são ao mesmo fim e esse fim é Deus, centro de toda atração.

     Depois de minha partida da Terra, minha missão não está realizada. Busco e trabalho todos os dias; meu pensamento aumentado abarca melhor o poder dirigente; sinto-me melhor fazendo o bem e, como eu, legiões inumeráveis de Espíritos preparam o futuro. Não acrediteis no repouso eterno! Os que pronunciam estas palavras não compreendem o seu vazio. Vós todos que me ouvis, podeis matar o pensamento, forçá-lo ao repouso? Oh! não. A vagabunda procura e procura sempre e não desagrada aos amáveis e úteis charlatães, que negam o Espírito e o seu poder. O Espírito existe: nós o provamos e o provaremos melhor quando chegar a hora. Nós lhes ensinaremos, a esses apóstolos da incredulidade, que o homem não é o nada, um agregado de átomos reunidos por acaso e pelo mesmo destruídos. Nós lhes mostraremos o homem radiante por sua vontade e seu livre-arbítrio, senhor de seus destinos e elaborando na geena* terrestre o poder da ação necessária a outras vidas, a outras provas. (Espírito de Sonnez - R. E. 1865).
Nota do compilador: geena = O inferno, lugar de suplício.
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 01:01

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