Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

SERÁ QUE TUDO QUE A BÍBLIA DIZ PODE SER ACEITO OU PRATICADO NO MUNDO MODERNO?...CLARO QUE NÃO. SOMENTE UMA ALMA INFANTIL

Você mandaria matar um filho, por ter-lhe faltado com o devido respeito? (Êxodo 21:17)

Alguma vez teve relações sexuais com outra pessoa que não o seu cônjuge? (Levítico 20:10)

Já fez sexo com mulher menstruada, ou estando menstruada? (Levítico 20:18)

Guarda o dia de sábado, não realizando nesse dia qualquer atividade? (Êxodo 20:8 a 11 e Levítico 23:3).

Pois, o Antigo Testamento determina pena de morte para todos estes itens e muitos outros, considerados como graves infrações contra a lei de Deus.

Vamos então analisar um pouco, pensar... apelar para o raciocínio.

Para que a verdade plena estivesse na Bíblia, esta teria de ser absolutamente coerente, sem contradições e de acordo com o bom senso, porque as contradições no corpo de uma doutrina tiram-lhe a credibilidade, a não ser que sejam vistas como contendo enfoques pessoais daqueles que a escreveram, assim como, também, refletirem a mentalidade e os conhecimentos peculiares à época em que foram registrados, ou seja, não poderia ser entendida “ao pé da letra”, mas dentro do contexto de época, condições, mentalidade, simbolismos etc.

Aí, você poderá dizer: “A Bíblia é a palavra de Deus e precisa ser obedecida e não compreendida”.

Mas foi Deus quem nos deu o raciocínio e um pouco de sabedoria, para que possamos discernir em nossa busca pela verdade. E lembramos que Jesus afirmou: “Conhecereis a Verdade e ela vos libertará”, deixando claro que Ele veio ensinar uma ética de vida, como realmente o fez, mas a Verdade viria mais tarde, quando o ser humano já estivesse suficientemente amadurecido para entendê-la e poder, assim, libertar-se dos condicionamentos milenares a que se vê manietado.

Além disso, quem nos garante que a Bíblia seja a palavra direta de Deus, e não um livro escrito por homens, embora sob inspiração superior?

Gostaria de analisar esta questão, sem preconceitos?

De princípio, queremos enfatizar nosso respeito pela Bíblia, pelo que ela representa. Mas nem por isso podemos ignorar as inúmeras contradições, incoerências e até mesmo “barbaridades“ que encontramos em seu corpo.

Vejamos em primeiro lugar algumas de suas contradições:

  1. A primeira se encontra logo no primeiro capítulo de Gênesis, com a criação das noites e dias, a separação das águas, a produção de relva e árvores frutíferas que davam frutos e sementes, para só depois, no quarto dia, serem criados o sol, a lua e as estrelas. Como poderia haver noites e dias, plantas frutificando, sem o sol?
  2. A humanidade inteira, durante milênios e até hoje, estaria pagando pelos pecados de Adão e Eva, embora Deus tenha afirmado em Ezeq. 18:20, Deut. 24:16, Jer. 31:29/30, que os filhos não pagam pelos pecados dos pais, nem o justo pelo pecador. E se o justo não paga pelo pecador, por que Jesus teria morrido na cruz para pagar pelos pecados da humanidade?
  3. Em Êxodo 9:1 a 7 vemos Deus mandando uma praga que matou todos os animais dos egípcios, inclusive os seus cavalos, mas dias mais tarde a cavalaria egípcia é afogada no Mar Vermelho. Que cavalaria, se todos os cavalos tinham sido mortos com a praga?
  4. Como conciliar (Ecles. 9:15): “Os vivos sabem que hão de morrer mas os mortos não sabem de cousa alguma”, com a parábola sobre o rico e Lázaro (Lucas 16:23); ou com a cena em que Moisés e Elias (mortos há séculos), conversaram com Jesus no monte, na presença de três apóstolos (Lucas 9:30), ou ainda, com a entrevista que teve Saul com o espírito de Samuel, já que este estava morto ( 1o Samuel 28:11/20)?
  5. Em Oséas 6:6 Deus diz: “Misericórdia quero e não sacrifícios e o conhecimento de Deus mais do que holocaustos”. No entanto, Ele próprio ordena oferendas, holocaustos e sacrifícios pelos mais insignificantes delitos.

Mas no Novo Testamento também há inúmeras incoerências e contradições:

1 - João afirma: “Se dissermos que não temos pecado, não existe verdade em nós” (1o João, 1:8), mas no cap. 5:18 afirma que “quem é nascido de Deus não peca”.

2 - Não há como conciliar: “Jesus é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos mas ainda pelos pecados do mundo inteiro” (1o João 2:2), com: “Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no maligno” (1o João 5:19).

3 - Também os apóstolos nunca se entenderam quanto ao instrumento da salvação, se seria a graça, as obras ou a fé. E lembramos Jesus quando disse: “Não acabareis de percorrer as cidades de Israel, sem que venha o Filho do Homem (Mateus 10:23), “alguns dos que aqui estão não verão a morte sem que vejam o Filho do Homem no seu reino” (Mateus 16:28), e, falando sobre o que é interpretado como sua segunda vinda, afirmou que não passaria aquela geração sem que tudo se cumprisse.

É bom lembrar que os Evangelhos foram escritos muitos anos depois da morte de Jesus, sofreram inúmeras traduções, interpretações e até mesmo modificações e enxertos em seus textos, visando acomodá-los às idéias da Igreja Católica que precisava ser aceita pelo paganismo de Roma. Como exemplo podemos citar a guarda do sábado, que foi transferida para o domingo.

4 - Outra contradição bíblica, e das mais gritantes, podemos encontrar entre o Velho Testamento, os Evangelhos e as Epístolas. O conteúdo da mensagem de Jesus está integralmente calcado na mais perfeita justiça, na mansuetude, no perdão e no amor: “A cada um será dado de acordo com suas obras”, “Tudo que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o também vós”, “Olhai as aves do céu...”, “Vinde a mim, vós que estais cansados e sobrecarregados, que eu vos aliviarei”, “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”, “Perdoa 70 vezes 7”...

Já o discurso de alguns dos fundadores do cristianismo difere essencialmente dos ensinamentos de Jesus. Por exemplo: o Mestre coloca o amor e a prática do bem, como condições únicas para se alcançar o reino de Deus: “Ama a Deus sobre todas as coisas... Ama o próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mat.22:37/40). Ainda em Mateus, cap. 25, fala sobre o grande julgamento, no qual apenas as atitudes e ações irão pesar na decisão final, e, em inúmeras outras ocasiões, como em Mat. 16:27, afirmou e reafirmou que a cada um Deus retribuirá segundo as suas obras.

Enquanto isso, Paulo afirma que a salvação vem apenas pela fé: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rom. 3: 28), ao passo que outros dos apóstolos ensinam que é pela graça e outros, pelas obras; não há consenso em seus ensinamentos.

Todos os ensinos de Jesus mostram Deus como o Pai justo e misericordioso, enquanto, em franca oposição, o discurso de Paulo é todo calcado na mentalidade judaica, cujo Deus é vingativo, parcial e injusto: “Logo, tem ele misericórdia de quem quer, e também endurece a quem lhe apraz” (Rom. 9:18), “Que diremos, pois, se Deus querendo mostrar sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer os vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus mas também dentre os gentios?”

Essas palavras de Paulo enfocam Deus como um grande ditador que rejeita e faz sofrer a uns e beneficia a outros (dentre os seres criados por ele próprio), ao sabor de seus caprichos. Onde a justiça? Onde a misericórdia e o amor sempre presentes nas palavras de Jesus, quando se referia a Deus, chamando-o de Pai?

Por esta pequena amostra já se pode observar que a elaboração da doutrina cristã sofreu profunda influência da mentalidade judaica, desfigurando drasticamente a mensagem do Cristo.

Quanto ao Antigo Testamento, vibra, em inúmeros momentos, com a força do açoite, da espada e da vingança, mostrando um Deus contraditório, quase sempre irado, às vezes furioso, muitas vezes injusto, rancoroso, cruel, e sem saber exatamente o que faz.

Em Deut. 10:18 se diz que Deus “faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes”, concluindo: “Amai pois o estrangeiro, porque fostes estrangeiro na terra do Egito”. Entretanto, ainda em Deut. 20:16, orientando a forma como seu povo deveria invadir e exterminar seis nações para apossar-se de suas terras, Jeová manda matar tudo que tenha fôlego.

Em 1o Samuel 28:17/19, o espírito de Samuel, por intermédio da médium de Em-Dor, diz a Saul que Jeová o castigaria, a ele e a seus filhos, com a morte, e entregaria o povo de Israel nas mãos dos filisteus (o que aconteceu de fato), por ter ele desobedecido a ordem que o Senhor, no furor da sua ira, lhe dera contra Amaleque: Saul teria de matar tudo que tivesse fôlego, inclusive os bebês e até mesmo os animais. A desobediência estava no fato dele ter deixado de matar alguns animais que pretendia oferecer em holocausto a Jeová.

Como poderia ser analisada tal atitude da parte de Jeová?

Num momento de furor manda matar tudo e, porque Saul deixa com vida alguns animais para oferecer-lhe como holocausto, castiga-o com a morte, e não só a ele, mas a toda a sua família, entregando ainda o povo de Israel nas mãos dos filisteus.

E em Num. 31:17/18, Moisés, que comandava o povo sob orientação direta de Jeová, enfureceu-se com os oficiais do Exército porque, ao invadirem as terras dos midianitas, mataram apenas os homens, deixando vivas as mulheres e as crianças. Ordenou-lhes então que matassem todos os meninos e as mulheres, poupando apenas as virgens, para que servissem de diversão aos soldados.

Além das contradições encontradas nesses textos, podemos também observar, estarrecidos, até onde chegaram a injustiça, o machismo e a crueldade patentes nas orientações dadas por Jeová a Moisés.

E esses casos estão ao longo de vários livros do Antigo Testamento, como, por exemplo, em Jos.11:20, quando Israel invadia outros países, para tomar-lhes as terras: “Porque do Senhor vinha que seus corações se endurecessem para saírem à guerra contra Israel, a fim de que fossem totalmente destruídos e não lograssem piedade alguma, antes fossem de todo destruídos, como o Senhor tinha ordenado a Moisés”. E é bom lembrar que aqueles povos invadidos por Israel iam à guerra apenas para defenderem suas famílias, suas vidas, seus bens, seus países.

5 – Outra contradição entre o Velho e o Novo Testamento: “Deus nunca foi visto por ninguém” (João 1:18) e “Ninguém jamais viu a Deus” (1a João 4:12); o que foi confirmado por Paulo: “aquele a quem nenhum dos homens viu nem pode ver” (1a Timóteo 6:16), e pelo próprio Jesus: “não que algum homem tenha visto o Pai” (João 6:46).

Mas lemos no Velho Testamento: “Eu apareci a Abraão, Isaac e Jacó” (Ex. 6:3). Lemos também que Moisés, Arão, Nadib e Abiu e mais 70 anciãos viram Deus (Ex. 24:9-11). Além disso “Deus falava a Moisés face a face, como qualquer homem fala a seu amigo” (Ex. 33:11), e em Num. 12:18, afirma: “Eu falo com Moisés boca a boca e ele vê a forma do Senhor”, e ainda, em 1a Reis 11:9, “Deus, por duas vezes apareceu a Salomão”.

6 – Como entender que Moisés, ao descer do monte com as tábuas da Lei, de cujos mandamentos, um dizia: “Não matarás”, tivesse ordenado à tribo de Levi: “Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: cada um cinja a espada sobre o lado; passai e tornai a passar pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, cada um a seu amigo, e cada um a seu vizinho”.

Naquele dia (Êxodo 32:28) foram executadas, por seus irmãos da tribo de Levi, mais de três mil pessoas do povo de Israel. E o mais terrível é que em seguida Deus abençoou os assassinos por haverem obedecido àquela ordem tão monstruosa, quanto atroz.

7 – Em Deut. 24:16 Deus afirmou: “Os pais não morrerão pelos filhos e nem os filhos pelos pais, mas cada qual morrerá pelo seu pecado”. Mas, em 2o Samuel cap. 21:1/14, vamos encontrá-lo tão enfurecido contra o ex-rei Saul, a ponto de assolar seu povo com uma fome de três anos, só se aplacando sua ira quando Davi mandou executar, em oferta ao Senhor, sete netos de Saul.

Neste caso, além da contradição, há ainda uma demonstração de furor da parte de Jeová e o sacrifício de seres humanos, em sua intenção, o que lhe aplacou a ira.

Certamente não é essa a imagem que se deve fazer do Criador do universo e da vida, que, se não fosse justo e perfeito em tudo, sua obra seria o caos.

Mas também alguns líderes da nação israelita (considerada pelo Senhor como o povo santo) praticavam feitos desonrosos, pecaminosos e injustos (endossados e apoiados por Jeová) que o Antigo Testamento narra com a maior simplicidade.

Em Gen. 12:10/20, vamos encontrar Abraão, no Egito, enganando o Faraó, dizendo que Sara era sua irmã e não sua mulher. Com isso o Faraó tomou-a para si, recompensando Abraão com muitos bens. E por causa desta perfídia de Abraão, Jeová castigou o inocente Faraó e toda a sua casa com terríveis pragas.

Além disso, o patriarca da nação israelita era incestuoso, porque em Gen. 20:12 confessa que Sara, sua mulher, era também sua irmã por parte de pai, e ainda aceitou presentes riquíssimos que lhe foram dados pelo rei Abimeleque que se havia encantado pela beleza de Sara.

Na verdade, não há o que argumentar, ante o exposto, que, aliás, é uma mínima parcela das contradições que encontramos no corpo da Bíblia e, se há contradições, o bom senso nos diz que não se pode erguê-la como bandeira ou roteiro, muito menos como palavra de Deus. Isto sem falar nas inúmeras barbaridades cometidas por ordem de Jeová, como vimos em vários dos itens apresentados.

Mais adiante expomos algumas hipóteses que explicariam tantas divergências e enfoques contraditórios ao longo do corpo da Bíblia.

Mas há mais, muito mais...

Aquele Deus revelado por Jesus, e que a razão nos diz extrapolar toda a nossa capacidade de entendimento em sabedoria, justiça, amor e poder, não poderia jamais estar sujeito às paixões humanas. No entanto, o escritor e estudioso da Bíblia, Jaime Andrade, contou mais de 60 acessos de cólera atribuídos a Jeová, entre os livros Êxodo e 2o Reis.

A Bíblia, em vários momentos, nos ensina que Deus é justo e a razão assegura que Ele só pode ser perfeito em tudo o que faz, senão, tudo seria o caos. Mas, apesar disso, ao longo dos textos bíblicos a injustiça que lhe é atribuída fere até mesmo as almas mais rudes, como naquele episódio no Egito, em que Jeová endureceu o coração do Faraó para que não libertasse os israelitas e pudesse assim ter um pretexto para massacrar aquele povo inocente com 10 terríveis pragas, inclusive com a morte de todos os primogênitos (até mesmo dos animais) quando “nenhuma casa houve que não tivesse um morto” (Ex. 12:30).

Talvez aquele tipo de procedimento fosse até adequado àqueles povos rudes e primitivos... Mas acha que Deus seria capaz de ordenar tais atrocidades?

Fica, assim, suficientemente claro que o Jeová do Antigo Testamento tinha profundas afinidades e semelhanças com o povo israelita, apresentando, inclusive, os mesmos defeitos, paixões, ambições e idiossincrasias. Tanto isto é verdadeiro que, dentre todos os povos da Terra só cuidou, protegeu e comandou aquela raça, não com a sabedoria, justiça e amor do Criador de todas as coisas, mas com as características que poderia ter o chefe de uma nação, no comando do seu povo. Aliás, um dos títulos que lhe foram conferidos no Antigo Testamento é “Senhor dos Exércitos”.

Lemos em Gênesis 1:31 que Deus, depois da criação, foi examinar se tudo estava perfeito (o Criador do universo e da vida, inteligência suprema, jamais faria algo imperfeito);

Em Gen. 6:6, vamos encontrá-lo arrependido por ter criado o homem .

Será que Deus, a infinita perfeição, poderia arrepender-se de ter feito algo, como se não soubesse bem o que fazer e acabasse errando em seus atos?

Aliás, os arrependimentos de Jeová, estão ao longo da história bíblica, como, por exemplo, em Ex. 32:14, por haver ameaçado o povo de Israel; em 1o Sam. 15:11 e 35, por haver feito rei a Saul; em 2o Sam., por ter dizimado 70 mil pessoas do seu povo; em Jonas 3:10, arrependeu-se do mal que prometera fazer a Nínive, etc.

Entretanto, em 1o Samuel 15:29, este diz, referindo-se a Deus: “Também a Glória de Israel não mente nem se arrepende; porquanto não é homem para que se arrependa”.

Na verdade,tais feitos e tal mentalidade, conforme a que foi mostrada até aqui, são até compreensíveis e compatíveis com uma época como aquela, em que a barbárie predominava, mas jamais poderiam originar-se de Deus, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, perfeito em todos os seus atributos.

- o -

Nossa humanidade pode ser comparada a uma criança. Quando pequena, os pais lhe ensinam várias regras de conduta: não pode bater no irmãozinho, não deve tirar nada dos outros, não deve quebrar as coisas, nem botar o dedo na tomada; não deve dizer nomes feios etc. Se não obedece, os pais a castigam, a fim de corrigi-la.

Ao crescer mais um pouco já começa a seguir aquelas regras para fugir aos castigos, ou para agradar aos pais; por amor a eles.

Ao se aproximar da idade adulta, porém, já passa a guiar-se pelas leis comuns, não mais por temer castigos ou para agradar aos pais, mas por compreender que esse é o seu dever; que as leis existem para resguardar seus próprios direitos e preservar os alheios.

Também na infância da humanidade vários líderes espirituais, sob inspiração divina, criaram religiões com suas leis e preceitos, cada qual adequada à sua época e ao tipo psicológico da raça.

O mesmo ocorreu com o povo israelita, cujo grande líder, Moisés, recebeu no monte Sinai os Dez Mandamentos e criou uma série de leis complementares, muito severas, próprias para educar aquele povo orgulhoso e indisciplinado.

Assim, com medo dos castigos divinos, os israelitas cuidavam de obedecer às leis e, dessa forma, iam acostumando-se à idéia de que não deviam matar nem roubar; que deviam respeitar as coisas sagradas, adorando apenas a um Deus; que precisavam respeitar e honrar a seus pais, não deviam mentir, nem prejudicar o próximo, e assim por diante.

Quando aquele povo já havia assimilado as idéias de justiça e disciplina veio Jesus, trazendo a lei do AMOR. E para que sua mensagem pudesse abrir caminho em meio à mentalidade vigente, iniciando uma nova era para a humanidade, sua passagem pela Terra foi marcada por fatos incomuns, culminando em seu sacrifício na cruz.

Esse sacrifício não teve o significado que lhe deram, o de resgatar com o seu sangue os pecados do mundo. Isto não faz sentido, mesmo porque, sendo Deus onipotente, o máximo poder do universo, autor das leis universais, poderia Ele simplesmente perdoar os pecados do ser humano, sem necessidade de sacrificar alguém, muito menos um inocente. Aliás, essa idéia de sacrificar alguém em nosso lugar é muito cômoda e injusta, partida do egoísmo e hipocrisia humanos.

Mas hoje, com a humanidade entrando numa fase que poderia ser comparada à sua adolescência espiritual, já começam a surgir novos conceitos em termos de religiosidade. Conceitos esses que vigoram como normas de conduta, praticadas livremente pela criatura, mediante sua conscientização como ser cósmico que é, necessitado de conduzir-se dentro de uma ética de vida superior.

São muitos os que já começam a entender que se pode buscar a verdade por vários caminhos; que não há uma religião verdadeira, mas inúmeras facetas da verdade representadas por religiões, e que elas devem caminhar de mãos dadas, trabalhando intensamente para que o homem melhore sua conduta, seus sentimentos, tornando assim o mundo melhor.

Mas, voltando à Bíblia, podemos observar que muitas das suas passagens espelham realmente orientações superiores, reflexos das leis de Deus, como por exemplo, nos dez mandamentos e em outros textos, tipo: “Misericórdia quero, e não sacrifícios”. Há também profunda beleza e elevados sentimentos de religiosidade ao longo de incontáveis dos seus textos, assim como também conselhos e provérbios da mais elevada sabedoria.

Já em outros momentos fica patente a influência de espíritos identificados com o povo israelita, ou seja, seus Guias ou Mentores.

Os 5 primeiros livros da Bíblia (Pentateuco), além de narrarem a gênese da Terra e da vida que nela há, conforme entendimento de seu autor, historiam a saga do povo israelita até chegar às portas de Canaã, a terra prometida, e contém as leis ditadas por Moisés, além dos 10 mandamentos que recebeu no Monte Sinai.

Os outros livros como Josué, Juízes, Samuel, Reis, Crônicas etc., são também históricos, narrando detalhadamente a história da raça ao longo das gerações, contendo também orientações dadas por Jeová, através dos profetas. O livro de Jô conta seu drama, suas lamentações e ilações filosóficas, podendo-se observar que ele acreditava na reencarnação, através de afirmações e indagações que fazia:

“Pergunta às gerações passadas e examina as memórias de nossos pais; pois somos de ontem e o ignoramos” (Jó 8:8 e 9).

“Morrendo um homem tornará a viver?” (Jó 14:14)

“Quantas vezes se apagará a luzerna dos ímpios e lhes sobrevirá a destruição?” (Jô 21:17). Essa luzerna refere-se à vida. As idéias sobre reencarnação, que são muito antigas, diziam que os maus teriam de reencarnar tantas vezes quantas fossem necessárias para tornarem-se bons ou puros.

O livro dos Salmos traz os cânticos de Davi, retratando a glória de Deus, sua justiça e a beleza da sua obra, além de lamentos e petições.

O livro dos Provérbios é do rei Salomão, assim como os Cantares que refletem o amor entre marido e mulher.

Depois vêm os profetas com suas exortações, visões, narrativas e sentenças.

Para os judeus, certamente o Antigo Testamento deve ser um livro sagrado, por conter toda a sua história e as bases de sua vida religiosa.

Mas para nós que somos de outras raças e além do mais, nesta época, como poderíamos entendê-lo?

Pelas citações feitas até agora, que representam uma ínfima parcela das incongruências e absurdos encontrados no Antigo Testamento, podemos levantar algumas hipóteses:

  1. certamente Moisés, visando infundir respeito naquele povo rude e orgulhoso, atribuía à divindade todos aqueles rompantes de ira, ameaças e ordens cruéis de que o Antigo Testamento está repleto, assim como, também, de tantas outras leis e orientações, como as dos holocaustos, oferendas etc.;
  2. é bem provável que os seres espirituais responsáveis pela evolução do povo israelita se fizessem representar por Jeová, uma deidade tribal, talvez até mais de uma, como se pode inferir pela leitura de Gen. 3:22: “Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal”;
  3. o Protetor da nação israelita seria uma entidade mais ou menos identificada com a índole guerreira da raça, pois cada homem e cada povo tem um Guia espiritual compatível com seu próprio grau evolutivo; talvez fosse algum dos seus antepassados, dotado da autoridade necessária para impor-se e dominar.

Esta hipótese é confirmada em 2o Samuel 7:6, quando Jeová disse que habitava no tabernáculo, ou “de tenda em tenda” (1o Crôn. 17:5); em Números os capítulos 28 e 29 são dedicados às ofertas contínuas e às das festas solenes, ofertas essas constituídas de sacrifícios de bodes, cordeiros, novilhos, carneiros, além de manjares e bebidas alcoólicas. Em onze dessas orientações, quando se trata dos sacrifícios dos animais, há a referência ao aroma agradável ao Senhor, como no cap. 28, vers. 27: “Então oferecereis ao Senhor por holocausto, em aroma agradável, dois novilhos, um carneiro e sete cordeiros de um ano”.

Também havia bebidas alcoólicas, conforme se lê no cap. 28, vers. 7: “A sua libação será a quarta parte de um him para um cordeiro; no santuário oferecerás a libação de bebida forte ao Senhor”. No Dicionário Aurélio se lê: “Libação: 1. Ato de libar. 2. Entre os pagãos, ritual religioso que consistia em derramar um líquido de origem orgânica (vinho, leite, óleo etc.) como oferenda a qualquer divindade. 3. Ato de libar ou beber, mais por prazer que por necessidade.”

Pense um pouco no absurdo dessa idéia: o Criador e mantenedor do universo e da vida, habitando nas tendas dos judeus e recebendo prazerosamente oferendas de álcool e sangue?

Esse tipo de procedimento pode ser encontrado, hoje, embora em mínimas proporções, nos terreiros que praticam rituais com bebidas alcoólicas e sacrifício de animais. Esses rituais geralmente são destinados a fazer o mal a alguém, ou a desmanchar um mal que já fora feito em formato semelhante.

E muitos perguntam: como pode um espírito beneficiar-se com esse tipo de coisas?

Muitos espíritos menos evoluídos, cujos corpos espirituais são mais adensados, por sua maior proximidade com a matéria física, procuram nutrir-se com energias animalizadas, a fim de poderem dar continuidade às sensações materiais, como se ainda tivessem o corpo carnal. E eles sugam as energias do sangue que é derramado em sua intenção, assim como de outros elementos que lhes são oferecidos, encontrando nisso grande prazer.

Vemos assim, claramente, que a Bíblia realmente não pode ser a palavra de Deus, sagrada, intocável, inquestionável.

Esse enfoque de sacralidade, no entanto, tem sido usado ao longo dos séculos como recurso para alienar consciências, manietando-as aos ditames das religiões.

Por quê?

1 - Muitos acreditam honestamente nessa sacralidade;

2 - Há interesses em jogo;

  1. Toda uma árvore hierárquica de membros atuantes tem nas religiões o seu meio de vida;
  2. Há a busca do poder religioso, o mais extraordinário instrumento de domínio porque se apodera das consciências, do psiquismo das pessoas, invadindo-as pelos seus pontos mais fracos: o medo e as promessas de felicidade e até mesmo de bens materiais;
  3. Há ainda a ganância, com a possibilidade de enriquecimento para muitos dos seus líderes.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 22:18

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