Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

MATEUS, Cap. XVIII, vv. 12-14. — LUCAS, Cap. XV, vv. 1-10

 

 

 

Ovelha desgarrada. — Dracma perdida

MATEUS: V. 12. Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas e uma delas se desgarra, ele não deixa as outras noventa e nove nos montes para ir procurar a que se desgarrou? — 13. E se acontece que a encontre, em verdade vos digo que essa ovelha lhe dará mais alegria que as outras noventa e nove que não se extraviaram. — 14. Assim, não é da vontade de meu pai que está nos céus que pereça um só que seja destes pequeninos.

 

LUCAS: V. 1. Os publicanos e os pecadores se aproximaram de Jesus para ouvi-lo. — 2. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este homem recebe os pecadores e come com eles. — 3. Jesus então lhes propôs esta parábola: — 4. Qual dentre vós aquele que, tendo cem ovelhas e perdendo uma, não deixará as outras noventa e nove no deserto, para ir procurar a que se perdeu até achá-la? — 5. E que, encontrando-a, não a carregará nos ombros cheio de alegria? — 6. Esse tal, voltando a casa reúne seus amigos e vizinhos e lhes diz: Congratulai-vos comigo, pois achei a minha ovelha que se perdera. — 7. Eu vos digo que, igualmente, mais alegria haverá no céu por ter um pecador feito penitência do que por causa de noventa e nove justos que não precisam fazer penitência. — 8. Ou, qual a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma, não acende a sua candeia, não varre a casa e não procura com cuidado a moeda até a encontrar? — 9. Uma vez que a encontre, ela reúne suas amigas e vizinhas e lhes diz: Regozijai-vos comigo, pois encontrei a dracma que havia perdido. — 10. Do mesmo modo, haverá, eu vos digo, grande júbilo entre os anjos de Deus por um pecador que faça penitência.

 

 

O pensamento que ditou a parábola da ovelha desgarrada é o mesmo do da dracma perdida. Visam o mesmo fim os ensinamentos que resultam de ambas. Somente a da dracma perdida objetivava especialmente os pobres a quem Jesus falava.

 

Ele viera em socorro dos que fraquejavam, ou que, apavorados com os obstáculos do caminho, retrogradavam. O pai de família cuida com ternura do filho doente e o coração se lhe alvorota de ventura quando o vê restabelecido.

 

Foi o que fez o filho bem-amado do pai, durante a sua missão terrena. Era o que fazia antes que descesse a desempenhar essa missão, desde que o homem surgiu no vosso planeta, a cuja formação ele presidiu e do qual é o protetor, o governador, o senhor. É o que continuou a fazer depois do desempenho daquela missão e faz ainda agora, por intermédio dos Espíritos do Senhor, dos enviados do pai, dos missionários, encarnados e errantes, que, sob a sua direção, sempre trabalharam e trabalham pelo progresso da humanidade terrena.

 

Todos os seus cuidados, todo o seu amor se hão concentrado e concentram nas suas "ovelhas". Mas, sobre as que sofrem, sobre as que um mau "pastor" deixou se perdessem, é que mais ativamente se exerce a sua vigilância. Ele as procura, fala para que lhe elas escutem a voz e grande é a sua alegria quando a sua voz amorosa consegue ecoar no coração daquele que se "perdera". Oh! então, o bom pastor corre para a ovelha que respondeu ao seu chamamento e, tomando-a nos braços, a reconduz ao aprisco, para que não mais se aparte do "rebanho".

 

Compreendei bem o sentido e o alcance destas palavras de Jesus:

"Eu vos digo que igualmente mais alegria haverá no céu por ter um pecador feito penitência, do que por causa de noventa e nove justos que não precisam fazer penitência. — Do mesmo modo haverá, eu vos digo, grande alegria entre os anjos de Deus, por um pecador que faça penitência." Jesus, aludindo à alegria de encontrar a ovelha desgarrada, não procura desviar do bom caminho os "justos". Entendei por "justos", não os que jamais fraquearam, porquanto não há, encarnadas no vosso planeta, criaturas que nunca tenham cometido faltas, mas os que deixaram de fraquear, ou, melhor, os que fazem esforços sérios, constantes e porfiados por não mais fraquejarem.

Muitos há que, não compreendendo o sentido e o alcance dessas palavras do Mestre, lhes imputam o defeito de concorrerem para destruir o amor do bem naqueles que se esforçam por manter-se na senda do bem, com o lhes apresentarem o culpado que se arrepende como mais precioso do que o justo.

 

Não, elas exprimem  tão-somente o carinho de Deus para com todas as criaturas, carinho que lhe faz experimentar frêmitos de alegria sempre que volta ao redil uma ovelha desgarrada.

 

Estas últimas palavras "carinho que lhe faz experimentar frêmitos de alegria, etc." — são simbólicas. O Senhor, pela sua infalível previdência, sabe sempre que todos vós voltareis ao seu seio, assim como sabe quando voltareis. Conseguintemente, aquela alegria, aqueles frêmitos de alegria devem antes ser atribuídos aos Espíritos encarregados de vos reunir. Vós, que tendes tido algum de vossos filhos gravemente enfermo, não experimentastes, quando o vistes curado, transportes de ventura e de reconhecimento a Deus, transportes a que jamais os outros filhos deram lugar? E todavia não consagrais àquele mais amor do que a seus irmãos.

 

Dado que ele venha a crescer denotando tendências más, enquanto que os irmãos se conservam no bom caminho, não concentrareis todos os vossos esforços, toda a vossa solicitude nesse filho que poderia transviar-se, perder-se, segundo a maneira de ver do mundo? E, se os vossos esforços forem coroados de êxito, dizei-nos : não experimentareis grande alegria? Contudo, não lhe consagrais mais amor do que aos outros. É que as dificuldades vencidas, as vitórias alcançadas aumentam o valor da obra realizada.

 

Os que dizem que aquelas palavras de Jesus concorrem para destruir o amor do bem nos que se esforçam por manter-se na senda do bem, com o lhes apresentarem o culpado que se arrepende como mais precioso do que o justo, esses não compreendem nem o sentido, nem o alcance de tais palavras.

 

Não, cada um obtém sempre de conformidade com as suas obras. Mas, a nós, Espíritos encarregados de vos reunir, Espíritos aos quais Jesus dava a designação de "anjos de Deus", a nós que velamos sobre vós, como sobre as ovelhas vela o pastor, que fazemos os maiores esforços por vos arrebanhar sob as vistas do Mestre, a nós nos é permitido o júbilo quando encontramos uma ovelha que se perdera e que conduzimos ao aprisco.

 

Jesus disse e nós o repetimos: Não é da vontade de meu pai que está nos céus que qualquer destes pequeninos pereça. Nenhuma criatura do Senhor permanecerá afastada dele. Todas, mais cedo ou mais tarde, virão reunir-se a seus pés. Diante de vós se desdobra a eternidade. Trabalhai por conquistar o lugar que vos está reservado na vida eterna. Quanto mais depressa o obtiverdes, tanto mais rapidamente entrareis nessa existência de felicidade, onde tudo é atividade, caridade, amor, ciência e progresso.

 

Se os "príncipes da Igreja" houvessem querido compreender as palavras de Jesus, não teriam insistido na "eternidade das penas" nem na "queda dos anjos", queda que lhes serviu de base para o dogma da condenação eterna. É um duplo erro, nascido da letra que mata e condenado pelo espírito que vivifica. É um duplo erro que o progresso das inteligências e a consciência moderna já condenaram como uma monstruosidade, uma falsidade, em face da onipotência, da justiça, da bondade e da misericórdia infinita de Deus; de Deus, o supremo ser, o criador do universo, o soberano Senhor, pai de todos e de tudo o que existe; de Deus, cujo amor universal, infinito, abrange todas as suas criaturas ; de Deus, que olha com paternal afeto tanto para o Cão, como para o rei da terra. É um duplo erro que a nova revelação vem condenar, em nome de Jesus, por intermédio dos Espíritos do Senhor, órgãos do Espírito da Verdade.

 

N. 206. Dizem alguns: Na parábola da ovelha perdida e encontrada, na alegria do pastor que acha de novo a ovelha que ele tomara sob sua guarda e à qual ama, alguma coisa há de comovente; ao passo que a alegria da mulher, que encontra novamente a dracma que havia perdido, é um sentimento todo material, que pouco interesse inspira. Com o primeiro assunto se comporia um quadro encantador, o que não se conseguiria com o segundo.

 

Os que assim se expressam não compreendem o pensamento de Jesus, nem o fim que ele colimava. Deveriam refletir e procurar compreender, antes de criticar a palavra do Mestre.

 

Jesus, como já dissemos, falava aos pobres, não o esqueçais. O pensamento principal, dominante, na parábola da dracma perdida, corresponde ao sentimento que domina a classe pobre, para a qual a mais insignificante quantia tem uma grande importância, pelas dificuldades que aos dessa classe se deparam para obtê-la, sendo-lhes preciso ganhá-la penosamente. O sentimento material que, naquela parábola, é apenas o seu instrumento, tem grande interesse, porquanto ele visa tornar compreensível à classe pobre que tudo que estiver perdido, do ponto de vista espiritual, deve ser procurado com ardor igual ao que a anima a procurar uma moeda de pequeno valor e deve causar, quando encontrado, alegria igual à que produz o achar-se a moeda que se perdera.

 

Assim, o arrependimento por haver desprezado as virtudes e, conseqüentemente, por haver cultivado os vícios, que as substituíram, constitui para o homem o meio e o caminho pelos quais "tornará a encontrar" o que perdeu. Esse arrependimento fará ainda com que ele se sirva do que havia perdido e que de novo encontrou para alimentar sua alma, a fim de que progrida moral e intelectualmente.

 

Oh! então, para nós, Espíritos do Senhor, "anjos de Deus", na frase do Mestre, grande será a alegria! Quanto temos procurado a dracma perdida! quanto somos felizes por a termos encontrado e podermos dizer aos homens: Filhos, que tanto amamos, ainda temos nas mãos a fonte do alimento que sustenta, não o corpo perecível, mas a alma imortal, temos com que vos alimentar, fortificar, engrandecer, até que estejais bastante fortes para chegardes a Deus.

 

Falam de quadros e não podem admitir a alegria da mulher que torna a encontrar a parte, que havia perdido, de seus haveres! Olhai a pobre mãe cercada de míseros filhinhos e cujo marido vai regressar do trabalho exausto de fadiga. Como lhe há de ela dizer que uma das dez dracmas, tão penosamente ganhas, esperança e meio de sustento da família, se perdeu? Impossível. A mãe valorosa não se deixa abater pelo desânimo. Procura, procura por fim acha a dracma perdida, instrumento do bem-estar de seu marido e de seus filhinhos. Que alegria poderá ser maior do que a sua? Pois não tem ela de novo com que dar ao marido e aos filhos, durante todos aqueles dias para os quais a moeda ganha assegurará a alimentação, o pão que os sustentará e fortificará?

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:50

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