Sábado, 25 de Setembro de 2010

A MULHER CANANEANA - PARA HELENA APRENDER

MATEUS: capítulo 15º, versículo 21. Partindo daí, Jesus se retirou para os lados de Tiro e de Sidônia. — 22. E uma mulher cananeana, vindo dessa região, lhe bradou: Senhor, filho de David, tem piedade de mim; minha filha está sendo cruelmente atormentada pelo demônio. — 23. Jesus não lhe respondeu uma só palavra e seus discípulos, aproximando-se, lhe rogaram: Faze o que ela pede, a fim de que se vá embora, pois vem gritando no nosso encalço. — 24. Ele respondeu: Não fui mandado senão para as ovelhas perdidas da casa de Israel. — 25. A mulher afinal se aproximou dele e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me. — 26. Ele lhe respondeu: Não convém pegar do pão dos filhos e dê-lo aos cães. — 27. Replicou-lhe ela: Sim, Senhor; mas os cãezinhos comem ao menos as migalhas que caem das mesas de seus amos. — 28. Disse então Jesus: Mulher, grande é a tua fé: seja-te feito como desejas. E no mesmo instante lhe ficou a filha curada.

 

MARCOS: capítulo 7º, versículo 24. Dali partindo foi Jesus para os confins de Tiro e de Sidônia; entrou numa casa desejando que ninguém o soubesse, mas não pôde ocultar-se; — 25, por isso que uma mulher, cuja filha se achava possessa de um Espírito impuro, tanto que ouviu dizer achar-se ele ali, entrou e se lhe prostrou aos pés. — 26. Ela era gentia e de origem siro-fenícia. Suplicou-lhe que expulsasse da filha o demônio. — 27. Jesus lhe disse: Deixa que primeiro se saciem os filhos; pois não se deve tomar do pão dos filhos para dá-lo aos cães. — 28. Ela, porém, respondeu:

É verdade, Senhor, mas os cãezinhos, debaixo da mesa, comem ao menos as migalhas das crianças. — 29. Ele então disse: Vai, que, por efeito do que acabas de dizer, já o demônio saiu de tua filha. — 30. Ao regressar a casa, verificou ela que o demônio sairá de sua filha, achando-se esta deitada no leito. (101)

 

Nesta passagem dos Evangelhos, uma apreciação se nos oferece da marcha do Cristianismo e da do Espiritismo, que lhe vem concluir a obra.

 

Como daí se vê, Jesus, que era e é todo amor e caridade, não repeliu verdadeiramente aquela mulher, nem lhe falou daquele modo por não pertencer ela à nação judia. Fê-lo para dar uma lição aos homens, mostrando-lhes que, por muito afastada a criatura das crenças cristãs, a fé em Deus pode operar o “milagre” que lhe ela peça. Que fora o que impelira a mulher cananeana a apelar para o Mestre, senão a confiança que depositava na sua missão divina? Quem lhe inspirou a resposta que deu ao Senhor, senão a fé viva de que se achava possuída, a confiança sem limites que Ele lhe inspirava?

 

O que daí podemos e devemos concluir logicamente é que obteremos tudo o que pedirmos com fé e perseverança, embora nem sempre o seja em condições que os nossos sentidos grosseiros logrem apreciar no momento. Muitas vezes, as graças que imploramos de um ponto de vista humano só na eternidade produzirão seus frutos.

 

O episódio de que tratamos constituiu uma lição de que necessitavam os homens daquela época e, em particular, os Judeus, e também os de agora, especialmente os católicos romanos, protestantes que se julgam com o privilégio de formar, eles sós, a família divina, de ser os únicos verdadeiros filhos do Pai celestial.

 

Essa não é a doutrina ensinada e exemplificada por Jesus, que considerava e considera “filhos” todos os que, sejam quais forem suas nacionalidades e seus credos, procuram sinceramente a verdade e se esforçam por trilhar as sendas da justiça, da caridade, do amor, da fraternidade.

 

Aos olhos do Senhor, os homens não são nem cristãos, nem católicos, nem judeus, nem muçulmanos, nem pagãos, nem heréticos, nem protestantes, nem espíritas e nem ortodoxos. Eles se dividem apenas em submissos à lei divina e em rebelados contra ela. Todo aquele que, em verdade, se esforce por caminhar nas veredas do Senhor, é filho do “pai de família”.

 

Nós outros, os espíritas, tampouco podemos considerar-nos, pelo só fato de o sermos, os únicos filhos verdadeiros. Mas, por já compreendermos melhor quais os que assim podem ser chamados, devemos desejar com ardor merecer esse título e esforçar-nos por usar dignamente dele, para o que precisamos ter fé forte e vivaz; ter a coragem das nossas opiniões e dos nossos atos, não transigindo jamais com a nossa consciência.

 

O pão que recebemos, destinado aos “filhos”, devemos distribuí-lo abundantemente com os “cãezinhos” que, famintos, pedirem lhes seja permitido partilhar do alimento sagrado: o “pão de vida e de verdade”.

 

Mas, para isso, cumpre tenhamos, além de fé viva, ativa e produtiva, que nada teme, amor fecundo, abnegação completa, absoluto esquecimento das ofensas, caridade sem limites, certos de que o perdão e o benefício ocultos valem cem vezes mais do que os que se ostentam ou reclamem agradecimentos. Precisamos, enfim, ter cheios os nossos corações das virtudes que conduzem à perfeição.

 

Procedendo desse modo, mais tarde ou mais cedo veremos dar-se, com os incrédulos, os materialistas, ou sábios orgulhosos, os escribas, os fariseus e os príncipes dos sacerdotes, que nos tempos hodiernos repelem a revelação nova, como já repeliram a palavra do Cristo e a de seus apóstolos, o mesmo que se deu outrora e se tem dado em todas as épocas: serem queimados no fogo do remorso e passarem pelas torturas e sofrimentos morais, pelas expiações, reparações e provas correspondentes à sua obstinação no erro, e se convencerem, finalmente, das verdades reveladas e exemplificadas pelo Divino Cordeiro Imaculado.

 

A nós espíritas, agraciados com as revelações de que são portadores ao mundo os Espíritos do Senhor, que nos importa o ridículo a que procuram lançar-nos os insensatos que, em última análise, só dão atenção e apreço ao que podem explorar a bem de seus interesses materiais; que se furtam ao estudo e à experiência e se constituem juizes em causa própria, para sempre e somente condenar o que desconhecem e ignoram, por se não terem dignado de ler os autos?

 

 (101) Atos, 3º, 25, 26; 13º, 46. — Romanos, 15º, 8.

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 22:26

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