Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

COMPORTAMENTO PRECONCEITUOSO

O processo antropossociopsicológico do indivíduo é realizado com imensa dificuldade, em razão do impositivo de vencer os hábitos enfermos que o retêm nas etapas vencidas, e que lhe constituem vigorosas travas à aceitação e adaptação aos novos comportamentos. Como decorrência, o desenvolvimento intelectivo, tecnológico, científico dá-se com mais facilidade e repercussão do que aquele de natureza moral, por proceder da libertação dos atavismos viciosos que produzem as sensações de prazer e de gozo, em detrimento da harmonia que deve viger no ser que se ilumina.

O brilho intelectual produz a jactância que proporciona a soberba e a presunção, desenvolvendo no ser imaturo uma falsa superioridade, que observa as demais pessoas como sendo pigmeus culturais que não merecem consideração ou oportunidade, em razão do seu nível de conhecimentos não acadêmicos, como se a sociedade se erguesse sobre os alicerces da ilusão cultural e do predomínio do poder temporal que todos perseguem como maneira de ocultar os próprios conflitos, descarregando-os no desdém dirigido àqueles que são considerados fracos e submissos.

Quando se trata de valores morais e espirituais, normalmente a visão dos refugiados nos gabinetes da pseudossabedoria presunçosa, sempre distante das massas que despreza, é a de que esses valores são tidos como equipamentos próprios para vestir a ignorância e mascarar os limites intelectuais em que se demoram.

Em todas as épocas o intelectualismo zombou da pequenez daqueles que não tiveram oportunidade de proporcionar brilho à mente, embora trabalhando em favor do progresso sociológico e moral da Humanidade, sendo desconsiderados nas suas realizações enobrecedoras.

Nada obstante, seres brilhantes e ricos de sabedoria como Racine ou Voltaire, Rousseau ou Clemenceau, Montaigne ou Auguste Comte, Descartes ou Rossini, Flaubert ou Chateaubriand, Debussy ou Renoir, ou Sartre, apenas para recordar alguns gênios, devotaram-se à compreensão das necessidades humanas, observando e apoiando as idéias revolucionárias pelo seu conteúdo libertador, embora não sendo deles, desse modo construindo a sociedade progressista e dignificada pelas virtudes e pela eloquência dos seus valores morais e espirituais...

Têm sido esses eminentes pensadores e outros tantos cientistas e investigadores dos fenômenos da vida, artistas e sábios, santos e apóstolos, como Pascal, Pasteur ou Broca, Charcot ou Pierre Curie, Rouget de Lisle ou Massenet, Jeanne d’Arc ou Vincent de Paul, Degas ou Gide, que compreenderam os fenômenos humanos e entregaram-se com dedicação total ao ministério de construir a sociedade da esperança, da beleza, do conhecimento e do amor, a fim de que todos os homens e mulheres do mundo tivessem os mesmos direitos ao sonho e à realidade, à saúde e à alegria, à vivência do bem na Terra livre do terror, do sofrimento e da miséria...

Dentre os grandes missionários franceses representantes da inteligência superior da evolução, Allan Kardec destacou-se como cientista e apóstolo, educador e missionário de Jesus Cristo, apresentando o Espiritismo, no clímax do enflorescimento cultural na França e no mundo, como sendo a filosofia ética e moral mais bem urdida durante o século XIX para servir de paradigma cultural e social ao pensamento que mergulhava no materialismo dialético e mecanicista, histórico e agressivo, fomentador de guerras e de desgraças, em nome da soberania ideológica dos seus líderes apaixonados e de algumas nações enlouquecidas...

Concomitantemente, ocorrendo a separação natural que eclodiu nas academias, colocando as religiões totalitárias nos seus devidos lugares, sem que se imiscuíssem nos negócios do Estado e no comportamento das investigações a respeito do ser humano, da vida e do Cosmo, surgiu, com Allan Kardec, a doutrina libertadora de consciências, capaz de proporcionar a fé raciocinada apoiada na experiência dos fatos, avançando com as conquistas da Ciência nos seus diversos campos de investigação, propondo novos e felizes conceitos perfeitamente de acordo com os avanços culturais e filosóficos de então.

Desdenhado pela presunção de alguns magister dixit, o Espiritismo serviu de campo de experimentação para Charles Richet, Gabriel Dellanne, Osty, Geley, Mme. Bisson, na França, e no mundo para Crookes, Lombroso, Aksakof e toda uma elite de homens e mulheres comprometidos com a verdade e não com os interesses mesquinhos da prepotência humana um tanto irracional.

Jean Jaurés, por exemplo, tornou-se mártir por defender a França do compromisso de entrar na guerra de 1914, sendo assassinado covardemente pelos defensores da hecatombe, e, à semelhança de outros mártires dos direitos humanos e da liberdade, ofereceu-se para a preservação da vida, enquanto a sua foi sacrificada...

Resultado de profundas observações no campo da mediunidade, na França das liberdades democráticas e das conquistas da beleza e da sabedoria, essa nobre Doutrina lentamente foi transformada em campo para inqualificáveis comportamentos, quais os de exploração da ignorância por falsos médiuns e fantoches da indignidade, travestidos de espíritas... Os farsantes, aproveitando-se da respeitabilidade do Espiritismo, sendo alguns portadores de mediunidade atormentada ou dirigida por Espíritos vulgares, zombeteiros e mistificadores, passaram explorando a ingenuidade da clientela aturdida, contribuindo para a desmoralização, no país, da obra gloriosa e libertadora da Codificação...

Por outro lado, pessoas aflitas, que se lhe vincularam aos postulados renovadores, não tiveram a coragem de despir-se das indumentárias nefastas do orgulho, da presunção, e apropriaram-se do nome respeitável do Espiritismo para o adaptar a conceitos e doutrinas outras, que lhes pareciam simpáticas, numa mixórdia compatível com as suas necessidades de sucesso, ora discordando da parte religiosa, momentos outros da científica e até mesmo da filosófica, para criarem grupos de investigadores, alguns inescrupulosos, gerando contínuas e lamentáveis discórdias na grei.

Por outro lado, a partir da Guerra Franco-prussiana de 1870-1871 e as que a sucederam, o país ficou assinalado pelo sofrimento, e o mau exemplo de alguns religiosos, que fugiram dos deveres de amparar as ovelhas dos seus rebanhos, geraram a animosidade a todo e qualquer movimento portador de propostas ético-morais e de religiosidade doutrinária, ampliando a área do materialismo e do existencialismo, de modo que o imediato passou a dominar as mentes e a emocionar os sentimentos.

– Viver por viver é gozar – passou a ser normativa existencial de milhões de pessoas, não apenas na França, mas em todo o mundo.

À medida que as comunicações e o intercâmbio de idéias tornaram- se mais fáceis e presentes em todos os momentos, a ânsia do ser humano pelas informações e a busca desordenada pelos acontecimentos trágicos, em mecanismos de fuga da realidade e de transferência dos conflitos, estimularam o surgimento e a manutenção de comportamentos alienados uns, frios outros, inquietos ainda outros mais...

Nesse comenos diminuiu a divulgação dos postulados espíritas, na veneranda e moderna Gália, apesar da presença digna e ativa de trabalhadores dedicados à seara da luz, ficando, porém, o campo antigo trabalhado pelos pioneiros à mercê das pragas da indiferença e da desconfiança dos presunçosos intelectuais que passaram a considerar o Espiritismo pelas informações errôneas, ao invés de mergulharem nos conteúdos extraordinários da filosofia profunda, sustentada pelos fatos extraordinários defluentes das seguras comprovações da imortalidade, da justiça divina, da reencarnação...

O Espiritismo é uma doutrina que não pode ser penetrada por meio de leituras superficiais, aliás, como sucede com toda ciência experimental, exigindo reflexões cuidadosas em torno dos seus conteúdos iluminativos, da sua moral assentada nos ensinamentos de Jesus Cristo, conforme Ele os enunciou, e não conforme foram adaptados às paixões de grupos e de teólogos amargurados e déspotas, formando greis fanáticas e perversas.

Libertando o Evangelho da letra que mata e facultando o conhecimento do espírito que vivifica, a sua é a missão de esclarecer e de proporcionar condutas saudáveis, mediante a mais elevada ética de que se tem notícia, aplicando a justiça social, favorecendo todos os indivíduos com as mesmas oportunidades de dignificação mediante o trabalho, a educação, o repouso, a construção da solidariedade e o respeito aos direitos de pensamento e ação igualitariamente para todos.

Não havendo sido fruto da elaboração de um homem, antes, porém, resultado de uma proposta firmada pelos expoentes da filosofia universal, que atravessaram os penetrais da morte e retornaram vivos, confirmando a sua e a nossa imortalidade, fixa-se no mecanismo da mediunidade, que lhe constitui o instrumento de comprovações, favorecendo aqueles que buscam entendê-lo com textos de insuperável beleza sobre os mais diversos conhecimentos históricos e lógicos dos tempos passados e dos atuais e com as belas perspectivas em torno do futuro.

Desdenhado, porém, pelos multiplicadores de opinião e pelos intelectuais de gabinete, que jamais se permitiram sair das suas celas douradas para a convivência com a massa de sofredores de que o mundo está referto, ou mesmo com os portadores das chagas morais virulentas das enfermidades mal disfarçadas, que são os tormentos interiores, não encontra ressonância, exceto esporadicamente quando algo abala a opinião pública pela sua grandeza ou miséria, nas páginas dos veículos da mídia escrita ou comentários edificantes na comunicação radiofônica, televisiva, na virtual, no abençoado e formoso campo cultural da veneranda França...

Os fatos são imperiosos, escreveu Cromwell Varley, ao tornar-se espírita, e não existe nada mais brutal do que um fato, proclamou Broussai, defendendo as pesquisas científicas do seu tempo.

A formação cultural francesa é cartesiana, enfrentando sempre a razão e contestando tudo quanto suporte a demonstração científica e o debate cultural.

O Espiritismo foi trabalhado pelos seres imortais dentro desses parâmetros vigorosos e, por essa razão, suplantou a intolerância com que o atacaram acadêmicos e religiosos partidaristas, populares ignorantes, enfrentando a revolução das doutrinas psicológicas que passaram a confirmar-lhe indiretamente os conteúdos psicoterapêuticos, os avanços da Física e da Astronomia, da Medicina e da Antropologia, demonstrando a robustez dos seus ensinamentos sem alterar um paradigma sequer, mantendo-se tão atual neste momento, quanto o esteve ao ser publicado, há mais de um século e meio...

A indiferença francesa ao Espiritismo, ainda confundido por alguns jactanciosos como sendo uma seita, apesar do seu caráter científico, portador de moral elevada e profundamente cristã, sua ética socraticoplatônica e todo o acervo de sabedoria, não deixa de ser chocante.

A atitude científica é sempre a de pesquisar, tendo o direito de discrepar, combater ou confirmar as metas a que se propõe, nunca, porém ignorar o que se encontra à disposição e ao alcance de quem se permita a experimentação.

Esse comportamento, porém, é transitório e passará, queiram ou não os ditadores da cultura e os sábios de ocasião, porque ninguém pode deter a força do progresso nem a marcha do conhecimento que atingirá o Infinito, decifrando todas as incógnitas que ainda aturdem a mente e afligem os sentimentos.

O Espiritismo se propõe a construir a nova sociedade humana em a qual o sofrimento deixará de afligir e as manifestações da barbárie, tais como as injustiças sociais, a violência, as arbitrariedades, os crimes hediondos e o desrespeito pela vida cederão lugar ao equilíbrio e à beleza, ao conhecimento enobrecido e ao amor, à saúde e à arte, à dignificação da criatura e à consideração afetuosa pela mãe Terra, que nos tem servido de lar desde os primórdios da nossa evolução.

Auguramos, sinceramente emocionado e confiante, que esses formosos e bem-aventurados tempos logo chegarão, porquanto já se encontram em acercamento, proporcionando, por antecipação, alegria e bem-estar, ventura e plenitude.

                                                                                                                               Victor Hugo

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, no dia 11 de maio de 2010, na residência de João e Milena Rabelo Júnior, em Paris, França.)

Reformador Setembro 2010

 

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:55

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