Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

18 DE ABRIL - 150 ANOS LIVRO DO ESPIRITOS

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: 150 ANOS
18 de abril de 1857

Cesar Soares dos Reis
Certa feita perguntaram a Jesus qual o maior dos mandamentos. Encontramos a resposta em Mateus (22:37), em Marcos (12:3) e em Lucas (10:26). O amor sintetiza a base real do Cristianismo.
A aquisição dessa capacidade de amar, do amor que estabelece um elo entre Deus e as criaturas, do amor que tornará possível a coexistência de seres humanos tão distintos uns dos outros, deve ser uma conquista individual. Onde houver amor haverá trabalho incessante, solidariedade regeneradora, tolerância fraternal. São as bases do dinamismo cristão, a essência do processo evolutivo. Todos temos que atuar duramente no esforço constante da vida, fazendo surgir desse esforço o bem comum, transformando sentimento em comportamento amoroso.
Por certo Jesus sabia que eram ensinamentos muito avançados para aquele tempo. Prometeu então enviar o Consolador (João, 14:16) com a dupla finalidade de rememorar seus ensinamentos e ampliá-los com novos aspectos. Jesus semeou para o tempo da eternidade.
O Espiritismo é o herdeiro da dinâmica cristã porque não se cansa de apregoar a importância da responsabilidade pessoal e de proclamar que cabe ao homem a solução do seu magno problema de felicidade. O Espiritismo desperta no homem a noção da grande seriedade no estudo e na exemplificação, no conhecimento e na prática dos valores cristãos para que possa, com seu trabalho próprio, transformar a Terra de provas e expiações num paraíso de redenção.
Para os espíritas chegou à hora de colocar a mão no arado.
A Terceira Revelação tem uma grande novidade: agrega o aspecto científico aos aspectos morais e religiosos. Na verdade apresenta ao homem, pela primeira vez, um conjunto em que ciência, filosofia e religião são ramos de uma mesma árvore que tem suas raízes assentadas no coração de Deus, nosso Pai.
O Espiritismo tem várias novidades extraordinárias. A idéia de Deus causa primária de todas as coisas. Um Deus-presença integral em cada ponto e em cada não-ponto do Universo. Sábio, justo, perfeito, um Deus sem humores variáveis, sem barba, sem cetro, porque não é uma pessoa física.
Um Deus, ao mesmo tempo lei inexorável e misericórdia permanente e construtiva. A evolução também é apresentada pela primeira vez ao ser humano como uma conseqüência da própria criação. Não haveria criação sem evolução e não haveria evolução sem criação contínua e permanente, partindo do hausto da divindade, nele se alimentando e crescendo continuadamente até onde nossa inteligência não percebe nosso entendimento não alcança. A evolução não é apenas a prevalência do mais forte.
Ela é da natureza de tudo que é criado. Essa percepção é uma novidade do Consolador.
Nesse contexto, a reencarnação se coloca naturalmente dentro do processo evolutivo.
Do elemento mais primitivo ao arcanjo, há todo um contínuo. Do reino mineral, através dos vírus cristalinos, a vida desabrocha e evolui. Desde os elementos de uma só célula às multicomplexas estruturas vegetais, a evolução permite o surgimento da respiração, da alimentação, da excreção, da reprodução. Do reino vegetal passamos ao reino animal onde percebemos o grande predomínio das funções instintivas, o nascimento da inteligência, dos processos de agrupamentos, com o surgimento de lideranças e de diversos aspectos psicológicos e sociológicos. Chegamos ao ser humano onde além de todas as funções encontradas nos reinos mineral, vegetal e animal, surge à sensibilidade, que lhe permite a poesia, a música, a criatividade, de maneira geral, e a fé, a esperança e a caridade.
Ao lado da sensibilidade, o livre-arbítrio cresce proporcionalmente à sua evolução.
Pela primeira vez na História da humanidade, a reencarnação é apresentada como instrumento de evolução e na aplicação direta da lei de causa e efeito. E mais, o limite superior da reencarnação está ligado ao limite da própria evolução humana, chegando a um novo reino, apresentado anteriormente por Jesus: o reino dos Céus.
Também não foi o Espiritismo que inventou a mediunidade. Pela primeira vez, porém, ela aparece como atributo humano, indissociável da sua condição de ser divino em processo de aproximação em relação a Deus. A mediunidade está ligada à nossa condição de seres divinos. Hoje, assume, muitas vezes, aspectos primitivos. No futuro, será pura intuição e poderemos também dizer: já não sou mais eu quem vive, é o Pai que vive em mim (Paulo: Gálatas, 2:20).
A mediunidade colocada sob o aspecto da comunicação transcendente é uma novidade espírita.
Fecha-se, assim, o circuito do conhecimento humano. Por isso o Espiritismo possui – e isso é outra novidade – tríplice aspecto que, na verdade, é uno: ciência, filosofia e religião. Não é uma revelação bíblica, mosaica ou judaica, não é uma revelação evangélica associada a uma leitura piedosa, mística, de culto ou ritual. É uma síntese que abarca todas as questões humanas, morais, intelectuais, científicas, técnicas, organizacionais, sociais, de conduta, de ética. Pela primeira vez temos respostas claras sobre nossa origem, nossa destinação e a explicação dos dilemas, problemas, alegrias, angústias, paz, felicidade.
Outra questão interessante e nova do Espiritismo é que, pela primeira vez, aparece uma revelação que não se diz definitiva, pronta e acabada. É o Codificador Allan Kardec que adverte: “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificará nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará” (“A Gênese”, capítulo 1, item 55).
É ainda Allan Kardec que ensina: “Por meio do Espiritismo, a humanidade tem que entrar numa nova fase, a do progresso moral que lhe é conseqüência inevitável” (“O Livro dos Espíritos”, Conclusão, capítulo 5).
“O Livro dos Espíritos” foi lançado numa época muito especial. Surgiu na França, cérebro do mundo, na oportunidade.
Apareceu num tempo onde o materialismo dilacerava as religiões dominantes, com perguntas inquietantes e sem respostas. Darwin lançou, em 1858, seu trabalho sobre a evolução com base na seleção natural. Final do século XIX, início do século XX, nascem uma nova Física, uma nova Química, uma Biologia nova, além do nascimento da Psicologia, da Sociologia, da Psicanálise. Tempo em que a produção, a economia, a indústria se reformularam inteiramente. Logo viriam os automóveis, os aviões e, também, as guerras mundiais. O século XX gerou um incrível progresso científico e tecnológico.
Resolvemos de maneira brilhante os problemas da inteligência. Já os problemas da convivência, aí estão ameaçando o século XXI.
Neste cenário tão diferente, a humanidade clama por novos conceitos de fé, conceitos que sustentem o progresso científico.
Agora é a hora da fé por sintonia vibratória, da fé pela razão. Não mais o tempo do crê ou morre. Entender para crer, crer para sintonizar, sintonizar para vibrar no mesmo diapasão de estímulos superiores que geram o bem, a luz e a paz.
Há um plano do Alto para a Humanidade. Aproxima-se a era da regeneração. “O Livro dos Espíritos” é a primeira clarinada da nova era. Lançado em 1857, re-arruma as idéias sobre Deus, as causas primárias, o Universo, a Criação, o princípio vital, bases da sua filosofia, em 75 questões. Seguem-se 538 questões com as revelações do mundo espiritual. Encontramos o Espírito, sua origem e natureza, suas atividades, os mundos habitados, a reencarnação, o perispírito. Na terceira parte, com 306 questões, há o monumento de sabedoria constituído pelas leis morais, que não diferem, em sua essência, das demais leis universais e que caracterizam a mensagem para uma nova conduta moral do homem e da sociedade humana. Seguem-se mais 99 questões sobre as esperanças e consolações, que nos levam ao entendimento da conquista da felicidade. O livro tem ainda uma introdução que sintetiza a obra e prolegômenos, onde Allan Kardec anuncia os espíritos como força da natureza, declara que o livro foi escrito por ordem e sob o ditado de Espíritos Superiores, para o estabelecimento de uma filosofia racional, isenta de preconceitos do espírito de sistema. Finalmente, na Conclusão, aparece claramente a idéia de que o progresso da Humanidade tem seu princípio baseado na lei de justiça, amor e caridade. Diz ainda que essa lei seja fundada na certeza do futuro.
Quando comemoramos os 150 anos de “O Livro dos Espíritos”, lembramos que ele é a clarinada da nova era. Que possamos despertar, nessa alvorada anunciada, para construir o tempo novo, um futuro melhor.
Que nossa homenagem ao lançamento desse livro de luz seja a iluminação de nós mesmos pelo esforço de renovação íntima e pelo trabalho diuturno no Bem, para que o Amor seja a razão profunda da nossa vida.
Foi para isso que “O Livro dos Espíritos” veio.
Retira do SEI nº. 2037
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 23:34

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