Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

AOS SOFREDORES ANGUSTIADOS

Mantida a ortografia original

Se bem fosse dada em caráter individual, respondendo ao apelo de um irmão aflito, de uma alma constringida fortemente na retorta da purificação, a mensagem que aqui inserimos, transmitida por Emmanuel, através do médium Francisco Xavier, em Pedro Leopoldo, fere com tanta precisão os pontos capitães da Doutrina Espírita, fazendo desta tão bela síntese, que comporta generalizada aplicarão, isto é, que se torna de proveito real para a generalidade dos que, sofrendo, na existência atual, as conseqüências de seus delitos em vidas anteriores, procuram angustiosamente um meio, um auxilio exterior, que lhes abram de vez e para sempre as tenazes da prova buscada, porque necessária a impulsionar a evolução descurada e, assim, retardada.
A sua publicação, pois, se recomendava e, como nenhum titulo lhe fora atribuído, por isso mesmo que ela apenas respondia, conforme dissemos, a um apelo individual, tomamos á nós pôr-lhe o que ao alto destas linhas está, por ser, ao nosso ver, o que melhor indica quais os que, principalmente, a devem ler, quais os que em mais larga escala podem beneficiar do que nela se contém.

Meu prezado irmão.
Que me ouça o Altíssimo, a cujo coração augusto e resplandecente, em o qual se contêm todas as excelsitudes do Cosmos, envio por ti a minha suplica fraternal.
Para cá das fronteiras da terra, os Espíritos, despojados das impressões canais como que se despersonalizam, identificados nas essências sublimes do amor fraterno, laço sacrossanto que une todos os mundos e todas as almas. E’ por esse motivo que nos qualificamos de irmãos. De fato, todos o somos, sob as vistas amoráveis do Magnânimo Pai Celestial, já que nos ligam as mesmas aspirações ao Perfeito, palpitando em nossos corações a mesma partícula divina, que nos faz vibrar as almas do mais forte de todos os anseios: o de união ao Criador.
Até a mim chegou o apelo do teu coração dolorido e, se eu pudesse, arrancaria de ti as penosas impressões físicas, como se extirpa uma chaga.
Todavia, Jesus é o medico de todas as almas e sabe qual o tratamento que lhes convém; mas, em razão do nosso livre alvedrio, somos senhores do nosso próprio destino.
Depois de Deus, Ente Supremo, Absoluta Majestade do Universo, nada ha, para os Espíritos, tão sagrado como o livre arbítrio. Dai a necessidade da iniciativa de cada individualidade, a bem da sua própria evolução. Afastar as possibilidades da auto-educação seria eliminar o progresso, seria despojar o ser de um dos seus divinos atributos, que é a liberdade. Da realidade desse asserto ressalta a ineficácia dos recursos da taumaturga, para a cura integral de uma alma enferma e abatida.
E’ á própria alma que compete, em meio das lutas ásperas e dos cruciantes amargores, nos quais está o preço de sua redenção, quando denodadamente suportadas, concatenar as suas energias latentes e as suas forças desaproveitadas para estabelecer o controle da sua existência temporária, corrigindo defeitos, dominando inclinações nocivas, envidando esforços para que a sua vontade se fortaleça, seu sentimento se eleve, sua mente se clarifique, integrando-se ela assim na harmonia dos seres e das coisas. Uma doutrina religiosa ou um bom alvitre são elementos de cura, mas não são a própria cura. A primeira a auxilia, porque ensina, esclarece, ilumina, conforta, representando para o coração angustiado um manancial de energias, onde as criaturas encontram forças para sustar os fracassos quase irremediáveis, as desgraças seletivas e para evitar a propagação de males e ruínas, paralisando o surto de resoluções inconfessáveis.
Isoladamente, porém, o Espírito, em qualquer plano da vida, tem de coordenar as suas possibilidades para o bem, para a luz, para o amor, em seu beneficio, fazendo das aspirações nobres e do trabalho proveitoso o santuário onde a sua mentalidade penetre diariamente para se purificar. Só assim conseguirá armazenar em si os grandes cabedais de energia, de fé e beleza moral, que lhe farão viver em correspondência com os planos superiores do universo, de onde lhe virão os primores intelectivos e sentimentais, como recompensa natural aos seus esforços.
Uma das mais proveitosas formas dos Espíritos se entregarem a uma atividade fecunda a prol do seu aprimoramento está na reencarnarão e eles a escolhem como o caminho mais fácil para a evolução necessária e a almejada ventura. Na plenitude da consciência, calculam as suas possibilidades e traçam um plano a que obedecerão rigorosamente e que conceitue quase sempre um como mapa de trabalhos e sofrimentos.
Tomam a carne. Lutam e padecem. Suas provações parecem obedecer a um implacável determinismo e, com efeito, obedecem, porquanto foi o próprio Espírito quem traçou a senda que lhe compete percorrer, para vencer, dizemo-lo sem paradoxo, o seu próprio destino, transformando os acúleos da estrada em flores de evolução espiritual. Os bons desejos, a moral elevada, a confiança nos poderes superiores do Bem, as preces sinceras, se mantidas com perseverante vontade, lhe evitam os distúrbios psicológicos e as quedas, por pior que seja o caminho.
E’ por estas razões, estribadas na mais pura lógica, que não nos é possível modificar de vez o teu estado psíquico. Extendemos-te as nossas mãos fraternas, amparamos-te com os nossos braços intangíveis, mas poderosos, e te indicamos a senda por onde chegarás á felicidade ou redenção: a misericórdia divina responderá aos teus apelos veemente.
Luta com abnegação e com heroísmo. Todos os homens nascem para triunfar da prova a que se submetem; toda carne está eivada de taras perniciosas; mas, será licito ao Espírito entregar-se-lhe á influencia, olvidando as noções da sua liberdade ativa? Não.
O atavismo é um dos grandes escolhos que devem ser vencidos pelas almas, no trabalho da sua purificação. O Espírito, em qualquer circunstancia, é obrigado a preponderar sobre a matéria. Operando dessa maneira, o homem espiritualizará todas as suas células orgânicas, porque, se o objetiva da matéria é dar corpo e expressão ás vibrações do Espírito, a função da alma é apurá-la, santificá-la. Quando o homem compreender o alcance dessa realidade, as taras desaparecerão do planeta; por enquanto, porém, os desígnios divinos se utilizam delas como de elementos úteis nas batalhas morais que a humanidade sustenta em favor do seu aperfeiçoamento. A causa de todas as moléstias reside na alma; mas, infelizmente, as criaturas humanas, vivendo apenas entre efeitos, que são coisas transitórias e efêmeras da existência planetária, não vão ás fontes de origem escrutar a causa das dores que as afligem.
Para a enfermidade da alma, somente os remédios espirituais são apelidáveis; por isso é que te ofereço as minhas pobres palavras.
Muito perde o homem com a sua impaciência. Em face da imoralidade, deveria ele encarar cada vida como um dia de trabalho. Que tu saibas aproveitar o teu dia, purificando-te nos ideais e nos atos generosos, santificando-te em sabedoria e amor. Aprende a viver em contacto com todos quantos te rodeiam. A sociabilidade atenua os rigores da provação; a doçura e a afabilidade nos proporcionam novos elementos vitais. Insular-nos, em meio das fontes de vida que os cercam, constitui grande mal. Deus nos criou para que nos amassemos intimamente uns aos outros.
E’s incompreendido, torturado, ridiculizado ás vezes? Sirva isso ao teu progresso moral. Adapta-te ás formas de expressão dos que te não compreendem ainda e faze-lhes o bem que puderes.
Toda alma deve ser um foco atraente de virtudes. O maior mérito de um Espírito reside nas boas ações que levou a efeito a prol dos outros. No sacrifício está o segredo da ventura espiritual e, nos instantes amargos de ríspidas provas, refugia-te no templo augusto das preces fervorosas e veemente. Do Alto dimanarão radiosidades indefiníveis para o teu Espírito, que se sentirá reconfortado na jornada terrena. Considera o objetivo do “CONHECE-TE A TI MESMO” e a tua mente, longe de ser atingida por vibrações de amargura, constituirá um refugio luminoso de sagradas energias espirituais, onde outras almas buscarão conforto, coragem, luz e amor.

Fonte: Reformador – setembro, 1936
EMMANUEL

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 16:00

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