Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

A CEIA DE NATAL


O sol começou a dar sinais do amor de Deus ao romper a noite e você já se levantou. Finalmente chegou o dia, a véspera de Natal. Desceu, sentindo o cheiro de café na cozinha. Sua mãe já estava cantarolando as músicas simples de fim de ano, como sempre.
 Sorriu para você e comentou:
--- Levantei mais cedo hoje, temos muito a fazer. Logo seus tios e tias estarão batendo a porta, porque a gente pensa que não, mas não demora muito já é noite. Em breve, estaremos reunidos para a ceia de Natal.
 Você beija-lhe a face e senta-se a mesa, respondendo:
--- Nossa, tem tanta gente que só vejo no Natal. Tantas coisas que aconteceram ao longo destes anos. Antigamente era eu a criança a solicitar os brinquedos, hoje presenteio meus filhos, hoje conto as histórias que já foram minhas histórias preferidas, hoje ensino a eles a tradição do Natal.
 Sua mãe, também se sentando a mesa com um pão quentinho nas mãos responde:
--- Esta é a melhor parte. Adoro a tradição do Natal. Família toda reunida, ceia de Natal, oração a meia-noite, abraços, amigo secreto, as histórias, o ano que vai terminando. Ah, finalmente é Natal... Você sabe que só encontro sua tia Cecília no Natal, e vem todo mundo para cá. Espero que esta tradição se mantenha na família, tem coisas que o mundo de hoje perdeu, e o Natal não pode ser uma delas.
 Após mais de uma hora de conversa, você resolveu dar início as preparações do dia. As músicas de Natal ecoavam pela casa e a árvore estava montada. Um a um, você foi colocando os presentes embaixo da árvore. Logo a campainha começou a tocar e os convidados foram chegando devagarzinho, um a um ou famílias inteiras. Abraços, sorrisos, crianças, a tarde foi chegando, conversas por toda a casa, travessas com diversos pratos, cada convidado trouxe um, era o espírito familiar.
 A noite chegou, a mesa foi sendo montada, risadas e contos sem fim, sorrisos, uma criança que chora às vezes, um pai que levanta mais a voz, uma mãe que assume a dificuldade, alguém que esqueceu o presente do amigo secreto, outro alguém que chega com as flores, alguém providencia os pratos, uma tia que traz os talheres, e as melhores roupas, e crianças no colo, e pais abraçam filhos, netos que declaram amor aos avós - é Natal!
 Como era tradição em sua casa, ceia mesmo somente a meia-noite, mas um bolo com chá antes e um lanche para as crianças sempre ia bem, assim, ninguém estaria morrendo de fome ao sentar a mesa.
 O relógio batia 23:55 horas quando sua mãe reuniu a todos na mesa. Era a hora da prece. Meia-noite em ponto todos silenciaram e foi a voz da matrona que ecoou pela sala:
--- Senhor, Mestre Jesus, aqui estamos reunidos nesta noite para comemorar Teu aniversário. Que suas bênçãos nos envolvam e sua presença nos traga misericórdia e paz. Obrigado Jesus por este ano, obrigado pelo Evangelho. Obrigado pela mesa farta, pela família reunida, por teu nascimento. Ah Mestre, quantos infelizes não têm a mesma sorte que nós, que tuas bênçãos não lhes falte também. Assim seja.
 Você então se levantou e com o coração cheio de alegria desejou a todos:
--- FELIZ NATAL!
 Todos se levantaram já se abraçando e saldaram:
--- FELIZ NATAL!
 Então a campainha tocou. Você estranhou, mas pensou que pudesse ser algum vizinho. Dirigindo-se a porta, a abriu. Um homem de olhos profundos, cabelos na altura do ombro, trajes a nazarena, estendeu as mãos e pegou as suas, dizendo:
--- Vim porque me chamastes. Solicitastes a pouco minhas bênçãos e minha misericórdia e paz.
 Seu coração disparou. Não podia ser, meu Deus... Sem conter a emoção, você balbuciou com insegurança, ajoelhando-se:
--- Jesus!...
 Sua mãe, ao lhe ouvir, dirigiu-se até a porta e ao te ver, olhou para o homem. Seu olhar encontrou o de Jesus e ela caiu de joelhos. Era o Mestre, era Jesus em sua casa...
 Com imenso amor, o Mestre caminhou solícito, ajudando todos que se ajoelharam a levantarem-se. Uma luz e um perfume indescritível invadiram o ambiente. Após a emoção inicial você convidou:
--- Mestre, sente-se a mesa conosco.
 Jesus então se aproximou da mesa, tocou de leve a toalha, seus olhos encheram-se de lágrimas e uma indescritível tristeza substituiu a vibração do ambiente.
 Você, em choque ao ver Jesus chorar, disse:
--- Mestre, por que está chorando? Viu alguma coisa triste, sentiu a aflição de alguém que não está aqui?
 Jesus, com uma tristeza profunda no olhar respondeu:
--- Não posso sentar a mesa convosco.
 Você, sem saber o que fazer, perguntou:
--- Por quê?
 Jesus, olhando em seus olhos, respondeu:
--- Porque em sua mesa estão as minhas criancinhas do coração. Jaz em sua toalha de Natal os corpos daqueles que escolhi para que me vissem primeiro em minha chegada a Terra. Na mesa em que reuniu sua família para comemorar meu aniversário cintila a dor, o sofrimento, o sangue, a infelicidade, a aflição daqueles que, esperando do homem o mais sublime amor, receberam, como Eu recebi, a ingratidão, a condenação, a miséria. Em sua mesa está a falta de amor ao próximo, a falta de compaixão e piedade, a falta de Evangelho. Enviei-te os animais para que os ensinasse o amparo do homem, e o que fizestes dos pequenos que te enviei? Confiei a você as almas tenras que transitam rumo à humanidade, e como foi que tratastes os animais? Acreditas mesmo que estás de acordo com as lições que te exemplifiquei? Achas que Deus, nosso Pai, criou os animais para vos servir? Se assim o fosse, meu filho, porque viria Eu para servir a vós? Até quando acreditarás que estás acima do mundo? Quando acordarás para teu papel de irmão mais velho? Por quanto tempo vos chorarei?
 Com imensa vergonha e dor, você, como todos, não teve coragem mais de olhar nos olhos de Jesus. O Mestre continuou:
--- O reino dos céus que prometi aproxima-se, mas para tanto, é preciso que aprendas a mais importante lição que deixei: amai-vos uns aos outros como eu vos amei.
 Em silêncio, Jesus deixou a casa, suas lágrimas derramadas sobre mesa transformaram-se em sangue. Você olhou a mesa e ecoou dentro de seu coração a voz profunda, mansa, mas triste de Jesus:
“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei... te enviei os animais para que os ensinasse o amparo do homem, e o que fizestes dos pequenos que te enviei? Por quanto tempo vos chorarei?”
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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