Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010

ASPECTOS DA PSICOMETRIA

Em dezembro de 1946, em Wierden na Holanda, uma jovem foi atacada e gravemente ferida a golpes de martelo por um homem que conseguiu fugir sem que ninguém, nem sua vítima, pudesse vê-lo. Ao fugir, porém, o criminoso deixou no local o mar teto que usara como arma.
Todos os esforços ela policia para localizar o agressor foram em vão. Nenhuma pista existia. Ninguém vira coisa alguma. Não havia impressões digitais, neta pegadas, nada. Foi então que o prefeito de Wierden lembrou-se de pedir o concurso do famoso médium Croiset, solicitando elite ele cooperasse com a policia para solucionar aquele caso misterioso. Croiset requereu o martelo que o agressor usara e após segurá-lo por alguns instantes começou a declarar, bem ao estilo de Sherlock Holmes, embora sem usar de nenhuma capacidade dedutiva nem da observação de indícios mínimos, percebidos através de lentes de aumento:
- O criminoso é um homem de quase trinta anos. É alto, escuro tem uma orelha meio deformada. Usa um anel com uma pedra azul. Mas o verdadeiro dono do martelo é um homem de 55 anos, que vive em uma das três casas que são vizinhas uma das outras. São chalés com telheiros baixo.
Com estas indicações a polícia não tardou a prender o criminoso, chie em tudo correspondia á descrição verta.
Psicometria é a faculdade pela qual é possível conhecer fatos relativos, a história de um objeto ou das pessoas que estiveram em relação com ele, pelo simples contato com esse mesmo objeto. O termo psicometria foi criado por Buchanan em 1849 e embora seja uma designação inadequada, o uso já a consagrou. O excelente dicionário de Espiritismo, Metapsíquica e Parapsicologia, de João Teixeira de Paula, fornece outra; denominações para o fenômeno, quais sejam: afia, criptestesia pragmática, lucidez indireta, metagonia táctil, pragmancia, psicognição e telegnomia. Todos estes termos, porém, são tão ou mais impróprios que o tradicional. Conto o que nos prende, entretanto, é o fenômeno em ,i, vejamos algumas formas pelas quais ele se apresenta. O caso abaixo é citado por Bozzano em "Enigmas da Psicometria"
O general Joseph Peters, de Munique, pretendendo fazer unta experiência com o psicômetra Alfred von Peters, entregou-lhe sem maiores informe, uma medalha que pertencera a sua irmã (do general), já falecida. Acreditava o militar que o sensitivo fosse falar da moça que morrera, mas para seu espanto von Peters passou a descrever com absoluta exatidão de detalhes não a irmã, mas a mãe do general. Só depois, meditando e questionando sobre aquela ocorrência que tanto o intrigara, foi que o general descobriu que aquela medalha fora feita de uns brincos que pertenceram a sua mãe e que depois que sua irmã os mandara fundir para fazer a medalha, nunca chegou a usar esta jóia. Era natural, pois, que o metal estivesse muito mais "impregnado" pela personalidade da anciã que da moça.
O caso seguinte, também extraído da obra citada, vai aqui drasticamente reduzido.
A Srta. Hawthorne, dona de grande sensibilidade psicométrica, ganhara de um conhecido muito idoso uma velha escrivaninha. Ao remexer em suas gavetas encontrou entre algumas bugigangas um velhíssimo pedaço de linho, que resolveu psicometrizar em vez de deitá-lo fora, tão antigo lhe parecera o tecido. E ao segurá-lo sentiu-se como que transportada para a Abadia de Westminster, em uma sala sombria e quase sem ar, onde notou várias figuras de cera, entre as quais estava a rainha Isabel usando uma saia de veludo ricamente ornamentada. E por baixo dessa saia a sensitiva percebia uma outra, de linho, da qual teria sido extraído o fragmento que agora detinha em suas mãos.
A Srta. Hawthorne nada sabia sobre a Abadia de Westminster, mas ao fazer averiguações posteriores foi informada que, de fato, as figuras de cera ali existiam, estando agora recolhidas a uma sala sem acesso para o público. Escrevendo então uma carta para o ancião que lhe enviara a escrivaninha de presente, quis a sensitiva saber de mais detalhes sobre o pedaço de linho que encontrara. O velho, porém, não soube dizer muita coisa. Lembrava-se que o linho pertencera a sua irmã e que tinha algum valor histórico que desconhecia qual fosse. Sua irmã, já falecida, tinha grande apreço pelo tecido por havê-lo ganho de uma pessoa relacionada com a Abadia de Westminster!
Mas a psicometria também pode colocar o sensitivo em relação com um animal. Vejamos este caso que o Bozzano extraiu do "Light" de 1904. A psicômetra é a mesma Srta. Hawthorne, que já conhecemos, e a narrativa, tão rica de detalhes, vai aqui também muitíssimo reduzida.
Entregaram àquela moça uma pena da asa de um pombo-correio que acabara de retornar ao pombal após uma longa viagem. Diz então a sensitiva:
- Esta pena esteve encerrada em um ambiente muito apertado. Um cesto! O corpo de seu dono é igual um feixe de nervos (...)
Era exato. O pombo fora remetido de Gornal Wood para Fernhill Heath dentro de um cesto. Prossegue a psicômetra:
- Livre, ei-lo agora que voa alto (...) E sobe, sobe tanto que parece encaminhar-se para o sol.
Também exato. Aquela espécie de pombo se distingue das demais pela altura de seu vôo.
- Vai ele subindo sempre, até entrar em contato com uma força sutil, ou corrente magnética, que o põe em contato com o seu pombal (...) Agora atravessa nuvens espessas e acelera o vôo, porque a friagem do ar rarefeito lhe dificulta a respiração.
Certo. Durante a viagem de regresso o tempo em algumas regiões não era bom e havia muitas nuvens baixas que a ave teve por força que atravessar.
- Ao aproximar-se do pouso o pombo torna-se como que indeciso(...) Haverá nas proximidades do pombal dois gatos, um de pelo rajado e outro de focinho preto com malhas brancas:' É que ambos infundem grande ansiedade ao pobre pombo.
Exaltíssimo. Junto ao pombal rondavam sempre dois gatos, um rajado e outro branco e preto, que viviam a perseguir as aves.
O notável deste caso é que a sensitiva foi capaz de entrar em contato tão íntimo com a ave, a ponto de experimentar as sensações e os estados emocionais daquela almazinha. Até mesmo a imagem dos gatos memorizada pela ave em sua ansiedade foi possível perceber, pelo simples contato com uma de suas penas.
Mas um psicômetra pode experienciar igualmente as sensações sofridas por um vegetal. Socorramo-nos ainda de Bozzano.
A sensitiva agora é a Srta. Edith. A 25 de março de 1904 ela recebeu um pequeno galho de árvore e foi psicometrá-lo dia 27, às 11 horas. Diz ela:
- Que significa toda esta agitação? Por que o solo vibra sem cessar? Também as raízes desta árvore estão tremendo e vibrando(...)
Realmente, distante cerca de 400 jardas daquela árvore estava sendo cavado um túnel. Quatro horas após a psicometria houve inclusive um desmoronamento do terreno!
- Não é muito alta nem muito copada esta árvore. Tenho a intuição de frutos. Estou num pomar.
Também estas observações eram absolutamente exatas.
- A árvore afigura-se-me envolvida em atmosfera glacial, assomada por uma sensação de frio; as próprias raízes estão transidas, geladas. O terreno não ë bastante quente nem restaurador (...) Solo frio e úmido.
Correto. O terreno era árido, frio, úmido. As raízes da árvore se estendiam até perto de um poço cuja água durante o inverno ficava congelada, o que por certo comprometia todo o subsolo próximo às raízes.
Também com respeito aos fatos atinentes a um mineral podem os psicômetras entrar em contato. A narrativa seguinte Bozzano colheu-a em "Psychometric Researches". do professor William Denton. A sensitiva era a Sra. Elisabeth Denton. Os fatos narrados pela psicômetra foram, posteriormente, constatados como exatos, visto que no momento da experiência nem mesmo o professor os conhecia. O caso é este:
O professor Denton estava em Jaynesville e ali apanhou uma pedra, ao acaso. Tirou dela uma lasca e apresentou-a a sensitiva, que passou a dizer:
Meu Deus! quantas convulsões da matéria aqui se ocultam (...) Tenho a impressão de ser vomitada por um vulcão (...) Eisme agora depositada no flanco da montanha (...) Al fico longo tempo; depois mergulho em profunda cavidade. Envolvem-me a água e a umidade (...) As águas se espalham agora com grande violência e fazem-me rodar vertiginosamente (...) Depois estou depositada no leito de um lago (...) Esse lago está situado em região frigidíssima (...) O gelo move-se e eu com ele me movo (...)Agora aumenta o calor coma que provindo de baixo. E funde-se o gelo, esgota-se, forma riachos. Estou enfim segregada desse movimento e já não me desloco senão ocasionalmente.
O professor conseguiu comprovar que aquele fragmento de rocha era, de fato, de origem vulcânica e que fora colhido em uma região repleta de "blocos erráticos" depositados no local por antigas geleiras provindas do Norte. Merece destaque a sensação de calor que vinha de baixo para cima: a pedra havia sido encontrada (e dito o professor não sabia) numa região de chumbo, que ali havia surgido elevando-se através de camadas porosas e pedregosas para depois se fixar nos leitos de calcário magnesiano. Os dados fornecidos pela psicômetra eram, pois, exatos: a pedra fora cuspida por um vulcão e depois conduzida por uma geleira que se deslocou até que o gelo se fundiu por ação do chumbo que se elevava.' Ao se fundir o gelo nessa região geologicamente quente, ali ficaram depositados os blocos rochosos de origem vulcânica. São bastante interessantes as considerações que faz Bozzano em "Os Enigmas da Psicometria" sobre a maneira pela qual pode uma rocha guardar a "memória" das sensações (?) que teve há milênios, desde a expulsão sofrida, até o gelo que a conduziu a uma região aonde o calor vinha de baixo para cima. É mesmo intrigante que uma pedra possa ter senso de direção. Mas as cogitações de Bozzano, por extensas, não as podemos reproduzir aqui. Recorra o leitor interessado ao livro em causa.
No entanto a psicometria pode também ensejar o contato mediúnico entre "vivos" e "mortos". E há ainda a chamada psicometria de ambiente, cuja menção foi omitida no excelente dicionário do Sr. João Teixeira. Voltaremos ao assunto para darmos urna olhada em ambas.

Revista Internacional de Espiritismo – Outubro de 1984
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 14:03

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