Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

REVELAÇÕES AOS PEQUENINOS

"GRAÇAS TE DOU, Ó PAI, SENHOR DO CÉU E DA TERRA, QUE OCULTASTE ESTAS COISAS AOS SÁBIOS E ENTENDIDOS E AS REVELASTES AOS PEQUENINOS". (MATEUS, 11:25)

Registram os Evangelhos de Mateus e de Lucas que, diante da euforia dos setenta discípulos, que haviam saído de dois em dois, a fim de difundirem as palavras da Boa Nova, Jesus Cristo rendeu graças a Deus por ter revelado tanta grandiosidade aos pequeninos da Terra, ocultando-as aos orgulhosos, aos sábios e aos potentados.
O objetivo do Mestre foi pôr em evidência que a revelação das grandes verdades, provindas de Deus, não guarda relação com as posições de maior ou menor destaque exercidas pelos homens. Os cargos mundanos representam tremendas responsabilidades e chegam mesmo a ser perigosos instrumentos nas mãos de muitos. Pôncio Pilatos, por exemplo, não desempenhou a sua missão com equilíbrio, pois, embora reconhecendo a inocência de Jesus, consentiu na sua crucificação apenas porque alguém no seio do povo insinuou que ele não poderia ser considerado amigo do Imperador César, se porventura libertasse aquele homem.
Dada a circunstância de ter descido à Terra a fim de legar à Humanidade uma mensagem de vida eterna, e essa mensagem ter sido dirigida particularmente ao simples de coração, isso fez com que o Mestre escolhesse para formar o seu corpo de assessores — os apóstolos, um pugilo de homens simples que mourejava pelo pão de cada dia, uma vez que quase todos eles eram humildes pescadores do Mar da Galiléia. Ninguém dentre os orgulhosos fariseus ou dos homens que exerciam cargos de mando foi incluído naquele ministério.
Quando alguns homens de notória influência na cidade ou personagens de destaque procuraram o Mestre para que fizesse produzir um sinal dos Céus, julgando que o Senhor teria imenso interesse em suas conversões, receberam dele as célebres palavras: Nenhum sinal será dado a esta geração adúltera e infiel.
Afirmam os Evangelhos que, quando Jesus Cristo, ainda menino, foi levado ao Templo para que com ele se procedesse de acordo com a lei, ali compareceu Simeão. Vendo o menino, o velho médium, erguendo-o em seus braços, dentre outras coisas disse: Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em Israel.
Na realidade o Senhor exaltou os pequeninos, garantindo-lhes que deles era o Reino dos Céus, mas não hesitou em condenar a atitude de muitos homens poderosos, prevendo-lhes a derrocada espiritual por não saberem se conduzir como condutores de povos, esquecidos que o poder na Terra é um legado transitório, que Deus dá, mas também pode tirar. Por isso a presença de Jesus Cristo na Terra representou o soerguimento de muitos homens, mas também foi a causa da queda de muitos deles.
A missão desempenhada por ele teve por objetivo legar aos homens de todas as categorias sociais a dádiva suprema do conhecimento de uma nova Doutrina, entretanto, dada a circunstância de existirem na Terra criaturas dos mais variados níveis morais e intelectuais, a Revelação foi dividida em duas partes distintas, mas complementares entre si.
A primeira parte, desempenhada com a participação direta de João Batista, de Jesus Cristo e dos Apóstolos, representou uma viva demonstração do valor da fé e das obras. Foi uma mensagem de amor e de paz dirigida aos corações aflitos. Foi uma semeadura de ensinamentos misericordiosos que falavam diretamente aos corações. Foi uma promessa viva dirigida aos pequeninos, aos humildes e aos desprotegidos.
A segunda parte foi executada por Paulo de Tarso, O Vaso Escolhido. Sob a inspiração do Espírito generoso de Jesus, e com base nos ensinamentos por ele legados, o Converso de Damasco dirigiu suas Epístolas, nas quais procurou consolidar os ensinamentos do Mestre, aos intelectuais de Roma, aos filósofos de Atenas e aos eruditos de todos os centros culturais da época.
Paulo de Tarso não teve necessidade de falar por meio da linguagem singela das parábolas; falou de modo mais direto e mais incisivo. O apelo dirigido aos corações foi parcialmente substituído pelo verbo dirigido ao cérebro. Os cegos que não queriam ver e os surdos que não queriam ouvir, segundo o judicioso dizer de Jesus Cristo, puderam sentir nas Epístolas de Paulo, o falso pedestal em que estavam colocados, vendo que a sabedoria dos homens é loucura perante Deus, contribuindo assim para a derrota do império do obscurantismo e da mentira.
As Parábolas de Jesus e os seus singelos ensinamentos impressionaram os pequeninos e tiveram o mérito de tocar nas convicções de homens que estavam amadurecidos para o conhecimento da verdade, como foram os casos de Nicodemos e de Gamaliel; falaram aos corações de Madalena, de Maria de Betânia, de Zaqueu e de muitos outros. As Epístolas de Paulo, no entanto, solaparam a fé de muitos que julgavam poder existir um mundo sem Deus, ou que julgavam ser os Céus a habitação de deuses eivados de profundos vícios materiais, vícios esses muito semelhantes àqueles imperantes no seio da Humanidade.
Tudo isso levou o Mestre a proclamar: Graças te dou, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, que ocultastes estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelastes aos pequeninos. Desta forma, as duas etapas se complementaram grande mensagem aí está viva e atuante como sempre, a convidar os homens à conquista do Reino dos Céus, que não é outra coisa senão a conquista da reforma interior, da reforma íntima.

Paulo A. Godoy
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:05

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