Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

EMIGRAÇÕES E IMIGRAÇÕES DOS ESPÍRITOS


No intervalo de suas existências corpóreas, os Espíritos estão no estado de erraticidade, e compõem a população espiritual ambiente do Globo.
Através das mortes e dos nascimentos estas duas populações contribuem incessantemente uma para a outra. Há, pois, diariamente emigrações do mundo corpóreo para o mundo espiritual, e imigrações do mundo espiritual para o mundo corpóreo: é este o estado normal.
Em certas épocas, reguladas pela sabedoria divina, essas emigrações e imigrações se operam em massas mais ou menos consideráveis, em conseqüência das grandes revoluções que fazem partir ao mesmo tempo quantidades inumeráveis, as quais são logo substituídas por quantidades equivalentes de encarnações. É preciso, portanto considerar os flagelos destruidores e os cataclismos como ocasiões de chegada e de partidas coletivas, meios providenciais de renovar a população corporal do Globo, de retemperá-la mediante a introdução de novos elementos espirituais mais purificados. Se nessas catástrofes há destruição de um grande número de corpos, não há senão vestes despedaçadas, mas nenhum Espírito perece: não fazem senão mudar de ambiente. Em vez de partirem isoladamente, partem em grande número. Eis toda a diferença. Pois, quanto a partir por uma causa ou por outra, não iriam deixar de fatalmente partir ou mais cedo ou mais tarde.
É notável como todas as grandes calamidades que dizimam as populações são sempre seguidas de uma era de progresso na ordem física, intelectual e moral, e, conseqüentemente, no estado social das nações em que ocorreram. É que elas têm por finalidade operar um remanejamento na população normal e atuante do Globo.
Essa transfusão que se opera entre a população encarnada e a população desencarnada de um mesmo globo opera-se igualmente entre os mundos, quer individualmente nas condições normais, quer em massa, em circunstâncias especiais. Há, portanto emigrações coletivas de um mundo a outro. Delas resulta a introdução, na população de um globo, de elementos inteiramente novos; novas raças de Espíritos, vindo misturar-se às raças já existentes, constituem novas raças humanas. Ora, como os Espíritos jamais perdem aquilo que adquiriram, eles trazem consigo a inteligência e a intuição dos conhecimentos que possuem. Imprimem, por conseguinte, o caráter deles à raça corporal a que vêm dar vida. Para isto não têm necessidade de que novos corpos sejam criados especialmente para o seu uso; visto que a espécie corporal existe, acham-nos já prontos para recebê-los.
São, pois simplesmente novos habitantes. Ao chegarem ao planeta, a princípio fazem parte de sua população espiritual, depois se encarnam como os demais.

RAÇA "ADÂMICA"
Foi uma dessas grandes imigrações, ou, se quiserem uma dessas colônias de Espíritos, vindos de outra esfera, que deu origem à raça simbolizada na pessoa de Adão e, por esta razão, denominada raça adâmica.
Quando surgiu, a Terra já era povoada desde tempos imemoriais, como a América quando aí chegaram os Europeus.
A raça adâmica, mais adiantada do que as que a haviam precedido na Terra, é, com efeito, a mais inteligente. É ela que impele todas as outras ao progresso. A Gênese no-la mostra, desde a sua origem, industriosa, apta para as artes e as ciências, sem haver passado pela infância intelectual, o que não é próprio das raças primitivas, mas que concorda com a opinião de que se compunha de Espíritos que já haviam progredido. Tudo prova que ela não é antiga na Terra e nada se opõe a que ela esteja aqui apenas há alguns
milhares de anos, o que não estaria em contradição nem com os fatos geológicos nem com as observações antropológicas, tendendo, pelo contrário, a confirmá-las.
A doutrina que faz todo o gênero humano ter-se originado de uma única individualidade, há seis mil anos atrás, não é admissível no estado atual dos conhecimentos. As principais considerações que a contradizem, tiradas da ordem física e da ordem moral, se resumem nos pontos seguintes:
No ponto de vista fisiológico, certas raças apresentam tipos peculiares característicos que não permitem que se lhes atribua uma origem comum. Há diferenças que não são evidentemente efeito do clima, visto que os brancos que se reproduzem na terra dos negros não ficam negros, e reciprocamente. O ardor do sol queima e escurece a epiderme, mas jamais transformou um branco em um negro, achatou o nariz, mudou os traços da fisionomia e tornou encarapinhados e duros os cabelos longos e sedosos.
Sabe-se hoje que a cor do negro provém de um tecido especial subcutâneo próprio da raça.
Deve-se, pois considerar as raças negra, mongólica ou caucásica como possuindo uma origem própria e como tendo surgido simultaneamente ou sucessivamente em diferentes partes do Globo. Seu cruzamento produziu as raças mestiças, secundárias. Os caracteres fisiológicos das raças primitivas são índice evidente de que elas provêm de tipos especiais. As mesmas considerações existem, portanto para o Homem como para os animais, quanto à pluralidade dos troncos genealógicos.
Adão e seus descendentes são representados na Gênese como homens essencialmente inteligentes, visto que desde a segunda geração construíram cidades, cultivaram a terra, trabalharam os metais. Os seus progressos nas artes e nas ciências foram rápidos e mantiveram-se sempre. Não se poderia conceber, pois, que esse tronco tivesse por descendentes povos numerosos tão atrasados, de inteligência tão rudimentar que até hoje se igualam aos animais; que houvessem perdido todos os vestígios até a menor recordação tradicional do que faziam os seus pais. Uma diferença tão radical nas aptidões intelectuais e no adiantamento moral atesta, com não menos evidência, uma diferença de origem.
Independentemente dos fatos geológicos, a prova da existência do homem na superfície da Terra anteriormente à época fixada pela Gênese foi tirada da população do Globo.
Sem falar na cronologia chinesa que remonta - dizem - há trinta mil anos, documentos mais autênticos atestam que o Egito, a Índia e outras regiões eram povoadas e florescentes pelo menos três mil anos antes da era cristã, mil anos, por conseguinte, depois da criação do primeiro homem, segundo a cronologia bíblica. Documentos e observações recentes hoje não deixam dúvida alguma quanto às relações que existiram entre a América e os antigos egípcios. Donde é forçoso concluir que aquela região já era povoada naquela época. Seria preciso, pois, admitir que em mil anos a posteridade de um único homem pôde abranger a maior parte da Terra. Ora, tal fecundidade seria contrária a todas as leis antropológicas.

DOUTRINA DOS ANJOS DECAÍDOS E DO PARAÍSO PERDIDO
Os mundos progridem fisicamente pela elaboração da matéria, e moralmente pela purificação dos Espíritos que nele habitam. A felicidade neles existe em razão da predominância do bem sobre o mal, e a predominância do bem é resultado do adiantamento moral dos Espíritos. O progresso intelectual não é suficiente, já que com a inteligência eles podem praticar o mal.
Quando, portanto um mundo atinge um de seus períodos de transformação que deve fazê-lo ascender na hierarquia, operam-se mutações na população encarnada e na desencarnada. É então que têm lugar as grandes emigrações e imigrações. Aqueles que, malgrado sua inteligência e seu saber, preseveraram-se no mal, em sua revolta contra Deus e contra suas leis, seriam dali por diante um entrave para o progresso moral ulterior, uma causa permanente de perturbação da felicidade dos bons. É por isso que dele são excluídos e enviados para mundos menos adiantados. Ali aplicarão a sua inteligência e a intuição dos conhecimentos adquiridos no progresso daqueles entre os quais foram chamados a viver, ao mesmo tempo em que expiarão, numa série de existências penosas e através de trabalho árduo, as faltas passadas e o seu endurecimento voluntário.
O que serão no seio dessas tribos, novas para eles, ainda na infância da barbárie, senão anjos ou Espíritos decaídos enviados em expiação? A terra do qual foram expulsos não é para eles um paraíso perdido? Não fora para eles um lugar de delícias em comparação com o ambiente ingrato onde vão achar-se relegados durante milhares de séculos, até ao dia em que tiverem merecido o seu resgate? A vaga lembrança intuitiva que dela conservam é para eles como miragem longínqua que os faz recordar aquilo que perderam por culpa própria.
Mas ao mesmo tempo em que os maus partem do mundo em que habitavam, são substituídos por Espíritos melhores, vindos quer da erraticidade desse mesmo mundo, quer de um mundo menos adiantado do qual merecem sair, e para os quais a sua nova morada é uma recompensa. Sendo a população espiritual assim renovada e expurgada de seus piores elementos, no fim de algum tempo o estado moral do mundo se acha melhorado.
Estas mutações são por vezes parciais, isto é, limitadas a um povo, a uma raça, e doutras vezes são gerais, quando chega para o globo o período de renovação.
A raça adâmica tem todas as características de uma raça proscrita. Os Espíritos que dela fazem parte foram exilados na Terra, que já era povoada, mas de homens primitivos, mergulhados na ignorância, aos quais tiveram por missão fazer progredir trazendo consigo as luzes de uma inteligência desenvolvida. Não é este, com efeito, o papel que essa raça tem desempenhado até hoje? A sua superioridade intelectual prova que o mundo de onde vieram era mais adiantado do que a Terra. Mas, devendo esse mundo entrar numa nova fase de progresso e não tendo esses Espíritos, devido à sua obstinação, sabido colocar-se à altura dele, ali teriam ficado deslocados, constituindo-se um entrave ao curso providencial das coisas. É por isso que foram excluídos enquanto outros mereceram substituí-los.
Relegando essa raça para esta terra de trabalho e de sofrimentos, Deus teve razão em dizer: "Ganharás o teu sustento com o suor de teu rosto". Em sua mansidão prometeu que lhes enviaria o Salvador, isto é, aquele que deveria esclarecê-los no caminho a seguir para sair desse lugar de misérias, desse inferno, e alcançar a felicidade dos eleitos. Este Salvador Ele o enviou na pessoa do Cristo, que ensinou a lei do amor e da caridade desconhecida para eles e que deveria ser a verdadeira tábua de salvação.
É igualmente com a finalidade de fazer avançar a Humanidade num determinado sentido que Espíritos superiores, sem possuírem as qualidades do Cristo, se encarnam de tempos a tempos na Terra para aqui cumprirem missões especiais que são ao mesmo tempo proveitosas para o seu adiantamento pessoal, caso as desempenhem de acordo com os objetivos do Criador.
Sem a reencarnação, a missão do Cristo seria um contra-senso, assim como a promessa feita por Deus. Suponhamos, com efeito, que a alma de cada pessoa seja criada por ocasião do nascimento de seu corpo e que ela nada faça a não ser aparecer e desaparecer na Terra. Não haverá nenhuma relação entre aquelas que vieram desde Adão até Jesus Cristo nem entre aquelas que vieram depois. São todas estranhas umas às outras. A promessa de um Salvador feita por Deus não poderia aplicar-se aos descendentes de Adão se as suas almas ainda não estivessem criadas. Para que a missão do Cristo pudesse prender-se às palavras de Deus, seria necessário que elas pudessem ser aplicadas às mesmas almas. Se estas almas forem novas não poderão estar maculadas pela falta do primeiro pai, que não é senão o pai carnal e não o pai espiritual. Do contrário, Deus teria criado almas maculadas por uma falta que não poderia ser apagada nelas, visto que essas almas não existiam. A doutrina vulgar do pecado original implica, pois, na necessidade de uma relação entre as almas do tempo do Cristo com as do tempo de Adão, e, por conseguinte, na reencarnação.
Suponha-se que todas essas almas fizessem parte da colônia de Espíritos exilados na Terra no tempo de Adão, e que elas estivessem maculadas por vícios que fizeram com que fossem excluídos de um mundo melhor, e tereis a única interpretação racional do pecado original, pecado próprio de cada indivíduo e não o resultado da responsabilidade da falta de um outro que ele jamais conheceu. Suponha-se que estas almas ou Espíritos renascem diversas vezes na Terra para a vida corpórea, para progredir e purificar-se; que o Cristo veio esclarecer estas mesmas almas não somente quanto a suas vidas passadas, mas quanto às suas vidas ulteriores, e só então dareis à sua missão um objetivo real e sério, aceitável pela razão.
À primeira vista, a idéia de queda parece em contradição com o princípio pelo quais os Espíritos não podem retrogradar. Mas é preciso considerar que não se trata absolutamente de um retorno ao estado primitivo. O Espírito, embora numa posição inferior, nada perde daquilo que já adquiriu. Seu desenvolvimento moral e intelectual é o mesmo qualquer que seja o meio em que se ache colocado. Está na posição do homem do mundo, condenado à prisão por seus crimes. Certamente ele se acha degradado, decaído no ponto de vista social, mas não se torna nem mais estúpido nem mais ignorante.

(Extraído da obra "A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo" - Allan Kardec
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:05

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