Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

JESUS – SÍMBOLO DE CORAGEM



O Espiritismo é, indiscutivelmente, a Religião da Luz. Sua Doutrina é caminho de paz, estrada de esperança, roteiro de amor e de fé em demanda do porvir espiritual.

Mantemos, em nosso culto mental, não o Cristo crucificado, o corpo coberto de chagas sangrentas, mas o Cristo-Espírito, de aura resplendente, o Cristo Redivivo, que se ergue, belo e sublime, nas páginas rutilantes de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, para a mais confortadora e eficiente mensagem de educação moral já enviada à Humanidade.

Em vez do Cristo morto, irradiando tristeza e dor, atemorizando os homens com a maldade do mundo, temos o Cristo Vivo, irradiando tranquilidade, esperança e estímulo, apresentando sempre o sorriso de bondade que interpreta a infinita grandeza de Deus, a Inteligência Suprema!

Jesus não foi escravo da amargura nem pregoeiro do pessimismo. Não nos afirmou que o destino do homem é a dor e o sacrifício, mas que o sacrifício e a dor preparam o homem para uma vida espiritual mais extensa. Ensinou-nos que sofremos, não porque somos responsáveis pelo “pecado original”, mas porque o sofrimento é consequência da ignorância em que ainda nos debatemos. À medida que formos compreendendo a Vida, nós nos iremos libertando das cadeias da involução, através do aperfeiçoamento das nossas condições morais São elas que determinam o apuramento do Espírito. A dor nos vem, não como castigo, mas como imperativo de compulsória melhoria moral.

Não nos disse Jesus devamos todos aceitar passivamente o jogo do desalento e da miséria. Mandou-nos o Espiritismo, que é o Paracleto, para nos esclarecer melhor a razão da dor, das desigualdades, das contradições da vida terrena, explicáveis pela lei de Causa e Efeito, de que se serve a Reencarnação para nos levar ao cadinho cármico do aperfeiçoamento progressivo.

Veja, irmão, as claridades do Evangelho, onde Jesus não nos aparece complexado e som­brio, mas alegre, esperançoso, cheio de fé e coragem. Sua alegria não foi, na Terra, a alegria bulhenta, que perturba e irrita, porém, a alegria sã, que embeleza a alma e a extasia de gozo espiritual.

Sua seriedade não foi convencional nem amortalhada na fisionomia lúgubre dos sucumbidos. Ele tinha sempre fé! Foi sério sem ser macabro, alegre sem ser ruidoso. Sua alegria era interior, e, quando a exteriorizava, enchia de bênçãos o mundo!

Em Mateus, cap. 9, vers. 2, lê-se que suas primeiras palavras foram de exortação ao para­lítico que lhe apresentaram, buscando nele incutir esperança e fé: “Tem ânimo, filho; perdoa­dos são os teus pecados.”

Em João, cap. 16, vers. 33: “Eu vos tenho falado estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo tereis tribulações, mas tende bom ânimo, eu tenho vencido o mundo.”

Procuremos interpreta-lo com simplicidade: ter ânimo é ter fé, é ter coragem. E’ nutrir-se de esperança entusiástica, de fé estimulante, de coragem construtiva.

Quando nos adverte que teremos tribulações, fá-lo para que não nos surpreendamos com os contratempos e saibamos preparar a alma para a luta que nos aguarda. E logo acrescenta: mas tende bom ânimo. Sempre e sempre esta expressão de incentivo para que não desanimemos, para que sejamos otimistas e ativos nas horas cruciais da existência. Ser corajoso nos momentos felizes nada significa; o importante é ser corajoso quando o medo domina os fracos, lançando-os nos braços da. resignação estéril.

Jesus desempenha o papel do higienista mental, do mestre de relações humanas, pois imediatamente nos aponta, como prova o seu exemplo de pertinácia e bravura moral: “No mundo te­reis tribulações, mas tende bom ânimo, eu tenho vencido o mundo. Ou seja: “Quando tiverdes contratempos, não desanimeis: tende bom ânimo, porque é assim que eu tenho vencido o mundo. Com bom ânimo, esperança, persistência, fé e coragem, podeis todos vencer também as dili-a culdades que o mundo apresenta.”

Quando se diz “vencer na vida”, pensa-se logo que essa vitória significa sempre a conquista de bens materiais, de fortuna, de folgada situação econômica e financeira. Nem sempre. Às vezes, o verdadeiro vitorioso na vida é aquele que conseguiu vencer a si mesmo, adquirindo uma posição moral e espiritual extraordinária, muito mais valiosa que a melhor situação econômico-financeira.

Que fazemos nós, entretanto, quando certas dificuldades nos dominam? Vacilamos, trememos, recuamos acovardados e inibidos. Nossa pusilanimidade se expande em lamentações improdutivas, por não termos coragem para substituí-la pelo bom ânimo que floresce no Evangelho e na Doutrina Espírita.

E’ oportuno relembrarmos esta passagem de o “Atos dos Apóstolos”, cap. 23, vers. 11: “Ele apareceu a Paulo e disse: Tem bom ânimo, pois assim como deste testemunho de mim em Jerusalém, assim importa também que o dês em Roma.” Que fazemos quando chegam os momentos em que devemos dar nosso testemunho? Falhamos...

Jesus considera seus amigos todos quantos seguem as suas pegadas: “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, SE FIZERDES O QUE EU VOS MANDO. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor: mas tenho-vos chamado amigos, porque vos revelei tudo quanto ouvi de meu Pai.”

Se não seguirmos seus ensinos, sua ordem, não podemos ser seu amigo, pois o nosso comportamento para com ele não será o de um sincero amigo para com outro.

Precisamos reagir contra as deficiências que nos subjugam e transformá-las em elementos de força construtiva e, reconstrutiva. A Doutrina Espírita nos coloca no verdadeiro caminho da exemplificação cristã. Procedendo de acordo com ela, estaremos trabalhando para nós, mesmos. Jesus precisa menos de nós do que nós precisa­mos dele. Não nos esqueçamos disto.

Importa tenhamos bom ânimo, que é sinônimo de coragem; coragem que se alimenta de esperança; esperança que reveste a fé renovadora capaz de operar a redenção dos espíritos mais combalidos.

BOANERGES DA ROCHA
Fonte: Reformador – abril, 1965
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 21:14

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