Terça-feira, 14 de Julho de 2009

SOBRE A PRECE



Na fria atmosfera de vossa Terra, glacial e refratária à vida espiritual, não sabeis quanto é mantida pela prece freqüente a relação magnética entre o vosso espírito e os guias, que esperam a petição para transmiti-la. Oraríeis mais ainda se soubésseis que rica bênção espiritual a prece traz. O laço se aperta por um freqüente uso, a intimidade pela associação mútua. Os vossos sábios eruditos discutiram muito sobre o valor da prece. A ignorância deles os fez tatear em um labirinto de opiniões confusas. Nada souberam; como poderiam sabê-lo? Anjos mensageiros sempre prontos a ajudar o espírito que grita pelo seu Deus, eles experimentaram medir os efeitos da prece, comparar os resultados, mas essas coisas escapam a ciência humana, por serem espirituais e variarem conforme os casos.
Muitas vezes a petição inarticulada, que não parece ter sido ouvida, traz à alma, que ora, abundantes bênçãos. O apelo íntimo do ser oprimido, que se atira no espaço, e o grito arrancado por uma dor amarga produzem um alívio desconhecido até então. A alma é aliviada; não sabeis por quê. Seria preciso ver, como nós, os guias trabalhando para derramarem na alma aflita o bálsamo de consolação, e saberíeis então donde vem essa estranha paz, que faz penetrar no espírito a certeza de que existe um Deus misericordioso.
A prece executou a sua obra, atraiu um amigo invisível, e o coração intumescido, macerado, é reconfortado por uma Angélica simpatia.
A simpatia magnética, da qual podemos rodear aqueles que estão em íntima comunhão conosco, é um dos efeitos benditos da ardente invocação que uma alma humana dirige ao seu Deus.
A plenitude das relações espirituais não pode ser realizada em outras condições. Só o ente espiritualizado pode penetrar as misteriosas mansões dos anjos. E da alma que vive em freqüente comunhão conosco, que melhor podemos aproximar-nos; é isso uma outra face da imutável lei que governa as nossas relações com o vosso mundo. Para a alma espiritualizada, os dons espirituais. O homem, em sua ignorância, espera às vezes uma outra resposta ao seu pedido, mas o deferimento seria muitas vezes cruel; o pedido formulado em sua prece é abandonado, mas a prece pôs a sua alma em comunicação com uma inteligência pronta a aproveitar-se dessa ocasião oportuna para aproximar-se dele a fim de fortificá-lo e consolá-lo.
Os homens deveriam tomar a resolução de orar com mais freqüência, de ter uma vida de prece. Não essa vida de devoção mórbida, que consiste em abandonar o dever e em consumir as horas preciosas de tirocínio, para atrofiar-se indolentemente a fim de se submergir em investigações prejudiciais, para se perder em imaginária contemplação ou em súplicas impostas. A vida de prece é inteiramente outra. A prece real é o grito espontâneo do coração à procura dos amigos invisíveis. A invenção de uma prece cochichada aos ouvidos de um Deus sempre presente, e disposto a responder a um pedido caprichoso, modificando leis inalteráveis, tem desacreditado a idéia de prece. Não penseis desse modo. A prece, impulso da alma para seu Deus, não se ostenta exteriormente, não tem nenhuma necessidade de preparação formal. Petição inarticulada, levam-na os agentes desvelados de altura em altura até a um poder que possa responder a ela.
A verdadeira prece é a voz sempre pronta da alma comunicando com a alma; o apelo aos invisíveis amigos com quais ela tem costume de conversar; a centelha ao longo da linha magnética, que transmite uma súplica e, rápida como o pensamento, traz uma resposta. É unir uma alma sofredora a um Espírito que pode tranqüilizar e curar.
Essa prece não requer nem palavras, nem atitude, nem forma; é mais verdadeira sem formalidades nem aparatos, e só tem necessidade de sentir-se próxima de um guia, de ser levada à comunhão. Para atingir essa meta, ela deve ser habitual; de outro modo, como o membro muito tempo privado do uso, ela ficaria paralisada. Assim, Aqueles dentre vós que vivem mais em espírito penetram nos mistérios ocultos; podemo-nos aproximar deles.
Fazemos vibrar as cordas secretas da sua natureza, as quais se ressoam somente sob o nosso influxo, insensíveis às influências desse mundo. São eles que se elevam mais alto durante a vida terrestre, pois sabem já comungar em espírito e nutrir-se do pão espiritual; os mistérios, ocultos aos seres materiais, abrem-se diante deles, e a sua perpétua prece lhes permite pelo menos que, sem ser isentos sofrimentos e de penas, vivam entretanto acima deles, pois sabem-nos necessários ao seu desenvolvimento.
Ah! Falamos do que é pouco conhecido. Se essa grande verdade fosse mais bem compreendida, o homem, por suas atitude espiritual, afastaria de si as perniciosas influências que muitas vezes assaltam os que, sem a isso autorizados, querem aprofundar mistérios muito acima sua inteligência. As melhores almas nem sempre estão ao abrigo de penosos assaltos; mas se essa grande verdade não pode livrar do perigo, assegura a proteção para afrontá-lo, fortifica, purifica os motivos, santifica os atos é a força auxiliar da comunhão espiritual.
Orai então, mas sem formalidade, sem desatenção, sem súplica vã. Comungai conosco na comunhão do espírito; observai os efeitos dessa comunhão sobre o vosso próprio ser; o resto virá oportunamente. Deixai as questões abstratas e inquietadoras de controvérsia teológica humana, e aproximai-vos das verdades centrais que afetam tão intimamente o bem-estar do vosso espírito.
As fúteis perplexidades, de que o homem rodeou a simpleza da verdade, são múltiplas. Não vos compete separar nem decidir o que é ou não essencial. Sabereis mais tarde que o que considerais hoje como verdade essencial é apenas uma forma transitória de ensinamento, empregada quando necessária. A fraqueza humana impele-vos a precipitar-vos para a finalidade. Demais, deveis demorar-vos, amigo, demorar-vos muito antes de atingir a meta.
Tendes muitas noções falsas a retificar antes de poder estudar todos os mistérios. Poderíamos dizer muito mais sobre esse assunto; mas é bastante, presentemente. Possa o Supremo guiar-nos, assim como a vós, e permitir-nos conduzir-vos de tal modo que enfim a verdade venha a brilhar em vossa alma obscura e a paz possa nela manifestar-se.

Texto retirado do livro Ensinos Espiritualistas de W. Stanton Moses
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 15:13

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