Sábado, 3 de Janeiro de 2009

IGREJAS

“...EDIFICAREI A MINHA Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”
-Jesus. Mateus, 16:18

Desde tempos imemoriais, quando o homem sentiu o grito da fé, acompanhou-o o zelo de dar, ao seu totem e mais tarde a seus deuses, os maiores tesouros, enfeitando-lhes o altar e guardando-os sob a sombra de tetos forrados de ouro em linhas grandiosas de caracteres deslumbrantes...
A História fala-nos dos templos faustosos de Silva e Rama e, ainda hoje, deslumbram os pesquisadores a riqueza arquitetônica e a grandeza das igrejas de Heliópolis e Karnac, Tebas e Babilônia, Júpiter e Diana, Salomão e Ceres...
Depois do advento do Cristianismo, não há quem não se fascine ante a imponência da Catedral de Latrão, de Santa Maria Maior, dos afrescos de Miguel Ângelo na Capela Sixtina, das Igrejas Ortodoxas e da Catedral de Westminster...
A Terra continua a ser, com o passar dos tempos, depositária de construções grandiosas de igrejas e altares, para guardar os deuses e os totens de todas as criaturas. Das Igrejas da antiguidade restam ruínas calcinadas pelo tempo, pedras acumuladas, cobertas algumas com mirrados vegetais, em cujos ramos misérrimos cantam os ventos da noite...
As igrejas modernas jazem frias no fátuo dos seus administradores e fiéis, ou embalsamadas pelo orgulho das suas riquezas, sob a frieza das suas pedras impassíveis...
...E Jesus, que construiu a sua Igreja sobre a Verdade, defendeu-a contras as portas do mal que, para ele, jamais estariam abertas.
Vivendo em comunhão com os humildes e sofredores, ergue uma igreja no coração de cada criatura, em cujo interior a Voz de Deus se faria ouvida, através da consciência reta.
Mostrando aos discípulos a Casa de Salomão, “de que não ficaria pedra sobre pedra que não fosse derrubada”, o Mestre ensina, por último, como deve o homem ser o Templo de Deus, forte e poderoso, contra o qual o tempo e a luta são inoperantes e fracos.
Em Sua memória, depois da ressurreição, orava-se ao ar balsâmico da Natureza, em contato com o céu infinito, misturando-se as preces com as vozes inarticuladas de todas as coisas.
Os primeiros tetos humildes e simples eram antes agasalho do que santuários para orações, sendo o trabalho socorrista a prece maior e mais santa, no serviço aos necessitados. Nos seus bancos singelos, sobre o piso humílimo, nas suas improvisadas tribunas, reclinavam-se doentes, aguardando o socorro da caridade, antes que as fórmulas e as disputas verbalistas as modificassem.
Sob a copa das árvores ou sobre o pó dos caminhos, erguiam-se, na assistência fraternal ao necessitado, o altar e o templo, onde, de braços abertos, Jesus era o Sublime Presente, em comunhão com todos.
De todas, a Igreja Eterna, que o mal não pode destruir, é sem dúvida a da Verdade, a que o Nazareno, generoso e bom, aludiu, manifestando-se com profunda sabedoria.
Igrejas grandiosas, com odor de vaidade, são sepulcros para o orgulho e a ostentação das almas vãs.
Igrejas de naves resplandecentes são cenários para espíritos triunfadores do mundo.
Igrejas auríferas e suntuosas são quartéis de ociosidade e contemplação.
Igrejas de pedra são símbolos da caridade fria como colunas.
Igrejas enormes e vazias...
A Igreja de Jesus é o Coração da Natureza, seu altar é o Homem.
“Deus que fez o mundo e tudo o que nele se encontra, sendo Senhor do Céu e da Terra, não habita em templos feitos por mãos de homens”, disse Paulo aos atenienses. (Atos 17:24)
O templo que o homem ergue, seja, antes de tudo, o teto de agasalho onde o cansado repouse, o aflito dormite e o infeliz encontre a paz. Seja simples e modesto, para que sua ostentação não fira a humildade de quantos o busquem.
Igrejas!... Igrejas!... Desertas e frias!
Igrejas sem crentes...
Crentes sem igrejas...
“Nem em Jerusalém, nem no monte. Dia virá em que o Pai será adorado em espírito e verdade” ¾ disse à samaritana o Rabi.
Meditemos!
De nossa vida e dos nossos atos façamos as colunas sobre as quais, um dia, a Bondade Divina colocará o teto do seu amor infinito e misericordioso, construindo, para os infelizes, a legítima Igreja do Amor sem limites.
Vianna de Carvalho
(Do livro “À Luz do Espiritismo” – Divaldo P. Franco ).
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 17:14

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