Sábado, 3 de Março de 2007

ARMAS

Escreve: Delmo Martins Ramos

A violência em nosso país tem alcançado índices alarmantes. Não se passa um dia sequer em que o noticiário não divulgue chacinas, latrocínios, tiroteios e ações da mais extremada violência, sempre com vítimas fatais. As autoridades policiais não conseguem enfrentar devidamente esta situação e a população está à beira do pânico, vivendo confinada às suas casas e alvoroçadas ao menor ruído. Esta situação que já há muito acontece nas grandes cidades, tem alcançado também as cidades menores.

Muito se tem falado sobre o crescimento da violência em nossa sociedade, diga-se de passagem um fenômeno que acontece em todo o planeta, incluindo os países de primeiro mundo, mas muito pouco se tem feito efetivamente para combatê-la e vemos as nossas autoridades apenas assistirem o agravamento da situação.
Medidas urgentes precisam ser tomadas para que a situação possa ser controlada, a maioria estruturais, que darão resultado a médio e longo prazo. Mas uma medida que tem sido discutida no momento e que certamente contribuirá muito com a diminuição do nível de violência atual é a proibição pura e simples da venda de armas no varejo. Somente poderão adquiri-las os policiais civis e militares, as forças armadas e as empresas de segurança devidamente autorizadas, prevê um projeto de lei tramitando no Congresso.

Embora possa parecer óbvio e tenha cerca de 75% de aprovação da população, estranhamente esta proposta tem sido combatida por alguns segmentos da sociedade. O lobby tem sido tão grande que o projeto corre o risco de ser tão desfigurado que poderá ser mais uma lei inócua em meio à tantas já existentes em nossa legislação.
O maior argumento dos que são contrários à proibição da venda de armas é que a população tem o direito de se defender, uma vez que o estado não oferece as garantias necessárias de segurança. No entanto, levantamentos feitos pela própria polícia dão conta que cerca de 90% das vítimas de assaltos ou de ações de violência que portavam armas tiveram ferimentos fatais.

Já está mais do que comprovado que a violência só gera violência e que armas na mão de pessoas despreparadas e destreinadas só servem para armar ainda mais os marginais. Isso sem contar os riscos de acidentes envolvendo crianças dentro da própria casa. O descontrole emocional em que se encontram as pessoas, atualmente, em função dos problemas financeiros, do trânsito, conjugais e outros tantos, é um forte componente que poderá levar o indivíduo a desequilibrar-se e cometer atos insanos se de posse de uma arma, como comumente vemos nas manchetes dos jornais.

É evidente que só a proibição da venda de armas não acabará com os males da violência. Outras medidas terão que ser implementadas para que a sociedade possa viver mais tranqüila, como o combate ao contrabando de armas e ao tráfico de drogas. O devido aparelhamento dos órgãos de segurança, o treinamento dos policiais e o pagamento a estes de salários justos, também são medidas que ajudarão a diminuir a violência, haja visto o crescente envolvimento em crimes comuns daqueles que devem ser os defensores da lei.

O aperfeiçoamento dos aparelhos judiciais e das leis que proporcionem uma justiça mais ágil e que puna com rigor os infratores, além da reforma do nosso sistema penitenciário que há muito não atende ao objetivo básico de reeducar o cidadão para o convívio na sociedade, são outras das tantas medidas necessárias e urgentes no combate à violência.

Mas a educação ainda é, sem dúvida, o principal investimento que qualquer governo pode e deve fazer para beneficiar a longo prazo a população, bem como o combate ao desemprego, salários dignos, uma melhor distribuição de renda, oportunidades iguais a todos os cidadãos, transporte, moradia, saúde, enfim todas aquelas medidas mínimas necessárias para que o cidadão tenha uma vida digna, o que lamentavelmente estamos ainda longe de alcançar.

Em meio a todas estas medidas e providências que a sociedade e os governos devem tomar visando o bem estar da população, a principal depende de cada um individualmente. É a espiritualização do ser. É preciso que o ser humano tenha consciência que é um Espírito habitando temporariamente um corpo material e que esta vida na matéria é apenas um degrau na sua caminhada evolutiva para a perfeição para a qual foi criado.
Enquanto a humanidade não mudar o foco de sua visão para a verdadeira vida, nosso mundo estará sujeito a todo tipo de violência e misérias características de um mundo ainda inferiorizado, como temos visto neste final de milênio.

Esta educação espiritual é fundamental para a transformação de nossa sociedade e, em tese, deveria estar a cargo das religiões, mas o que temos visto é que o aumento da violência e dos desequilíbrios morais da humanidade têm coincidido com o aumento da freqüência dos fiéis nas igrejas e templos, com o surgimento dos fenômenos carismáticos de oratória ou de outras formas de comunicação que mobilizam multidões.

Na verdade estes verdadeiros ídolos pops, quer sejam cantores ou inflamados oradores, trazem apenas mensagens vazias e superficiais que não levam as pessoas a refletirem, muito menos a mudarem suas perspectivas de vida, ao contrário, estimulam a busca da felicidade baseada nas coisas materiais em fragrante contradição com a mensagem de Jesus que nos diz que seu reino não é deste mundo.
É preciso desarmar o mundo dos instrumentos de violência e armar o Espírito com os conhecimentos das leis divinas para que possa sair das tribulações por que passa no momento e que possa vir com maior rapidez os tempos melhores que hão de vir.

Texto publicado no site em 18/06/99
NovaVoz – Grupo Espírita Bezerra de Menezes
São José do Rio Preto – SP
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:08

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