Terça-feira, 30 de Junho de 2009

TRIBUTO A CHICO XAVIER


EM LEMBRANÇA AO SÉTIMO ANO DA DESENCARNAÇÃO DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER.



As alegres apresentações de cantores e duplas sertanejas são, de vez em quando, entremeadas por frases-mensagens psicografadas por Chico Xavier.
Representam uma pausa na vertigem da vida imediata para a reflexão existencial.
São também um tributo de gratidão ao homem por cujas mãos abnegadas já passaram milhares de páginas de esperança e de consolo.
A mediunidade de Francisco Candido Xavier manifestou-se muito cedo, quando, ainda menino de cinco anos, conversava com a mãe, que a morte afastara de seu convívio.
Mas foi com o "Parnaso de Além-Túmulo" que o médium de Pedro Leopoldo (cidadezinha do interior de Minas Gerais), tornou-se conhecido em todo o Brasil.
Esta obra psicografada por Chico Xavier causou impacto nos meios literários e na imprensa do País.
Continha 56 Poemas assinados por nomes consagrados na Poesia Luso-Brasileira, como Antero de Quental, Antonio Nobre e Guerra Junqueiro, Castro Alves, Cruz e Souza e Augusto dos Anjos, a enviarem para a Terra as harmonias de sua lira eternal; enfim, quatorze poetas rompiam o silêncio da morte com o cântico da imortalidade.
Parnaso de Além-Túmulo, prefaciado por Manuel Quintão, Vice-Presidente da Federação Espírita Brasileira, trazia também uma apresentação do próprio médium, com o titulo de Palavras Minhas.
Este texto já evidenciava a honestidade, a humildade e o desinteresse pelas glórias mundanas que iriam assinalar a sua trajetória mediúnica.
De Palavras Minhas, transcrevemos um fragmento para corroborar nossa afirmação: "Filho de pais pobres, órfão aos cinco anos, tenho experimentado toda a sorte de aborrecimentos e não venho ao campo da publicidade para fazer um nome, porque a dor há muito tempo já me convenceu da inutilidade das bagatelas tão estimadas no mundo."
O escritor Humberto de Campos, malgrado o ceticismo que abraçava, na crônica intitulada Poetas do Outro Mundo, reconheceu o estilo de seus colegas do Além, com a seguinte afirmação: "Eu faltaria ao dever que me é imposto pela consciência, se não confessasse que, fazendo versos pela pena do Sr. Francisco Cândido Xavier, os poetas de quem ele é intérprete, apresentam as mesmas características de inspiração e expressão que os identificavam neste planeta."
Falecido em 1934, não tardou muito para que o próprio autor de "Os Párias" viesse escrever pelas mãos de Chico Xavier.
O fato virou manchete em todos os jornais do Brasil e deu origem ao famoso processo movido pela família do escritor contra o médium e a Federação Espírita Brasileira.
Com a defesa brilhante do Dr. Miguel Timponi, o processo foi arquivado pelo juiz, que reconheceu a incompetência de a justiça humana julgar questões do outro mundo.
Desde então Humberto de Campos recolheu-se ao anonimato e sob o pseudônimo de Irmão X continuou a escrever, "lutando contra o terror da morte e glorificando a alegria da vida".
Chico prosseguiu no seu apostolado de renúncia, tornando-se uma figura de comunicação, conforme analisa Artur da Távola (O Globo, Rio de Janeiro, 26-6-1980), "(...) sem qualquer formulação política, sem qualquer mensagem diretamente relacionada com a exploração do homem, sem qualquer revolta institucionalizada contra a miséria e a injustiça, Chico Xavier emerge com a força do perdão, da tolerância e da fraternidade, da fraqueza-forte, da fé, da humildade e do despojamento, erigidos como regra de vida, como tributo efetivo da caridade pura da não-pompa, da não-hierarquia, da não-violência..."
Já se passaram sessenta e cinco anos desde que o jovem operário de Pedro Leopoldo traduziu a mensagem poética dos imortais do Parnaso.
O século XX envelheceu com ele e chega a última década marcado pela glória das conquistas tecnológicas e pelos dramas da violência e do extermínio.
E Francisco Cândido Xavier, com mais de trezentos títulos de obras psicografadas, é ainda o mesmo homem humilde e simples e tão pobre, como quando aos vinte e um anos, abraçou a tarefa da mediunidade.
O sentido de caridade, que emana das páginas que escreve, ele vivencia e testemunha com a sua própria existência.
Combalido pela idade e pelas doenças, o Missionário da Paz cumpre a última etapa de sua tarefa: a de consolar os que choram, diante do inexorável, a ausência de familiares queridos.


REFORMADOR, FEVEREIRO, 1997
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:45

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