Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

LICENÇAS PERNICIOSAS

O homem do mundo que é possuidor de sensatez, na convivência mundana usa mas não abusa, concorda mas não convive, ensina mas não impõe, discorda mas não se inimiza, diverge mas não dissente, mantendo em todos os momentos uma diretriz de equilíbrio que o torna verdadeiro cidadão. Compreende que a sua saúde interior resulta do comportamento que se aplica na convivência com os seus pares.
O homem cristão, cultor sincero do Evangelho de Jesus cristo, compreende em maior profundidade os compromissos que lhe assinalam a rota e por isto mesmo sabe que é livre, mas não tem licença de se comprometer com as vinculações negativas da vida, que lhe cumpre superar. Diante das licenciosidades que lhe abrem portas convidativas ao acesso, mantém uma atitude digna, discreta, sem envolver-se nas fantasias que levam à indigência espiritual e compelem ao aniquilamento dos ideais superiores da vida. Sente-se escravo da verdade, por isso não mente. Compreende que a saúde é fator primacial da vida, portanto, luta contra a doença. No báratro das violações que se multiplicam, galvanizantes ou douradas, percebe o lado negativo das concessões agradáveis que levam à sensualidade - bafio pestilencial de morte que entorpece o sentimento e perturba a razão. - Abstém-se de enrodilhar-se nas malhas constritoras do mal que urde toda uma série de aflições e vexames e terminam por destruir o que há de mais elevado no ser. Coloca-se em salvaguarda contra as facilidades morais que anestesiam os centros do discernimento, por mais favoráveis se lhe apresentem, ou mesmo que se trate de um cabedal glorioso de transitória posição de relevo no mundo. Resguarda-se contra os vícios sociais, os pequenos crimes que são as matrizes dos grandes fracassos espirituais. Afirma os seus valores legítimos, não pelo envilecimento da personalidade, porém através da manutenção dos requisitos que o tornam verdadeiramente digno de ser respeitado e imitado. Não aquiesce diante da mentira, da inveja, da embriaguez, da concupiscência, da calúnia, dos tóxicos, estabelecendo uma normativa de comportamento que lhe constitui a couraça de segurança, ao mesmo tempo abrindo as portas da liberdade por onde avança resoluto, na marcha que o conduz para a paz.
Enquanto medram as licenciosidades, que vão, a pouco e pouco, dominando o homem e a sociedade hodiernos, o cristão verdadeiro sabe que a sua segurança é Deus, seu melhor amigo é Cristo, seu roteiro de saúde é o Evangelho, sua definição é o Bem, sua metodologia é a Caridade, sua salvação é o Amor.
Sem qualquer pieguismo ou manifestação de covardia moral, estabelece um estado de paz interior que os conflitos e as convulsões de fora não conseguem invalidar.
Caracteriza-se a degenerescência de um povo, a queda de uma comunidade pela incursão aberrativa das permissividades morais que neles se instalam. Quando combalem os valores éticos, desmoronam-se os alicerces da vida humana.
Verdade é que muitas vezes se tornam legais as excrescências do caráter humano. Apesar disso jamais se tornam morais.
Aqueles que compactuam com as licenciosidades douradas são também criminosos que se unem para os homicídios recíprocos da vida interior. Enquanto vibram, estonteantes, em sensações enganosas, as expressões do prazer, na atualidade do sexo que tresvaria, vão fazendo do homem um feixe de instintos animalizantes e da mulher um objeto de uso indiscriminado. Sem desejar referir-nos aos grandes comprometidos da História, não podemos sopitar referências a alguns deles, como Cláudio e Messalina que, não obstante a posição relevante à testa do Império Romano, entregavam-se à exaustão dos sentidos, culminando pela alucinação do desejo infrene e da degeneração mental; Justiniano e Teodora - esta última uma atriz arrancada do bordel para o primeiro ponto de destaque da comunidade - exerceram lamentável influência, inclusive na Religião... Mais recentemente Paulina Bonaparte que, tendo o irmão à frente do Império Francês, entregou-se à volúpia insana do prazer até o total aniquilamento das forças... E quantos outros?!...
Seria difícil eleger os grandes prevaricadores e as coquetes da contemporaneidade. É verdade que a mulher envilecida em seus sentimentos, pelo rebaixamento na sexualidade, ascende em posição social, despertando inveja, provocando ciúmes, mas, no íntimo, é uma infeliz, vitimada em si mesma. Espírito sofrido, que foi ludibriado nos seus anseios mais profundos, jornadeia nas luzes enganosas da glória, que logo se apagam, sem contar com um braço amigo que lhe conceda dignidade e apoio quando as carnes trôpegas perderem o momentâneo viço, e o fulgor dos olhos apagar a sua luminosidade. Poderá estar ajaezada e adereçada de gemas de alto custo, todavia sempre experimenta o travo profundo da soledade e o ácido tormentoso do sacrifício sem amor. Se lhe veio das carnes um filho, órfão de pai vivo, terá que segurá-lo em transe de dor, num misto de mágoa, amor e agonia tão profunda quão devastadora. Se derrapa na miséria econômica, que muitas vezes precede ou sucede à moral, passa combatida, combalida, com a ferida aberta do sentimento ultrajado, onde o veneno da insensatez humana aumenta cada vez mais a pústula, tornando-a mais dolorosa. Ninguém dela se apieda. Desculpam o cômpar que contribuiu para a sua queda, mas não a ela que tombou. Em verdade, poucos lembram de que a sua queda se consumou porque u´a mão anônima e acovardada empurrou-a pela escada abaixo da indignidade, constrangendo-a a recolher-se na própria vergonha.
Os vícios, que são frutos dos distúrbios da emotividade, da insegurança e das ambições desnorteadoras deste século de misérias e de glórias, de despudor e de renúncias, objetivam o saciar do egoísmo na sua multiface de paixões.
Não vos deixeis enredar nas malhas bem entretecidas das ações destrutivas dos vícios, por mais simples que vos pareçam!
A barragem poderosa que sustém as águas, arrebenta-se, quando uma pequena infiltração lhe mina as resistências. As pirâmides colossais levantaram-se pedra sobre pedra. A escada da degradação dos costumes começa no primeiro passo para baixo e não encontra fundo, porque, quem cai moralmente e se deixa derruir, tomba sempre um degrau a mais.
Detende vosso passo e erguei vosso sentimento!
O melhor conselheiro do ser é a consciência tranqüila.
Inutilmente procurar-se-ão psicoterapeutas, analistas, medicações, se não se erradicarem do sentimento profundo as marcas dos crimes perpetrados contra a consciência pessoal ou coletiva.
Analisai o Evangelho, comprometendo-vos com ele e, livres como sois, não useis da vossa licença para destruir a oportunidade da atual reencarnação.
O Apóstolo Paulo gritava com emoção que era escravo do Cristo; João da Cruz, o místico espanhol, entregando-se totalmente ao Mestre Galileu, tornou-se o protótipo do senhor de si mesmo, e Teresa d'Ávila, que com ele compartia as excelências espirituais, escreveu emocionada: "Me muero, por que non muero", a sofrer, porque não morrer para ela constituía verdadeiramente uma forma de morte.
O homem que encontra Jesus e que O segue rompe a grilheta que o ata aos vícios dissolventes, sempre nocivos ao coração.
Avançar com o espírito estóico no rumo da felicidade íntima, através da retidão do caráter e da preservação dos costumes, é a diretriz que vos chega, com o objetivo de edificardes, no mundo, uma humanidade melhor, onde todos encontraremos a verdadeira paz hoje ou amanhã.

FRANCISCO DO MONTE ALVERNE
(Mensagem psicotônica recebida pelo médium Divaldo P. Franco, na reunião da noite de 22-11-1978, no Centro Espírita "Caminho da Redenção", em Salvador-BA.)
Revista Reformador – Fevereiro 1978
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 02:14

LINK DO POST | favorito
Comentar:
De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

.MAIS SOBRE MIM

.PESQUISAR NESTE BLOG

 

.Abril 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27

.POSTS RECENTES

. FÉ RACIOCINADA

. COISAS TERRÍVEIS E INGÊNU...

. CAIM FUNDOU UMA CIDADE SE...

. OS HERÓIS DA ERA NOVA

. CONFLITOS E PERFEIÇOAMENT...

. GRATIDÃO: UM NOVO OLHAR S...

. PERDÃO DE DEUS

. A FÉ: MÃE DA ESPERANÇA E ...

. NO CRISTIANISMO RENASCENT...

. EM PAUTA – A TRISTE FESTA

.arquivos

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Outubro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds