Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

O ANO NOVO

Encontramos no capítulo sexto de A Gênese, de Allan Kardec, esta curiosa definição: "O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias". Devemos então desprezar o tempo, não nos importamos com as convenções do calendário? O fim do ano, por exemplo, nada mais seria que um limite convencional, sem maior significação para a vida humana? " Nem o tempo nem o espaço existem, para o homem que conhece o eterno", afirmou o pensador indiano Krishnamurti. Os espíritas, e os espiritualistas em geral, que conhecem a eternidade da alma, não deveriam levar em consideração as medidas relativas de espaço e de tempo?
O capítulo trata dos problemas fundamentais de espaço, tempo, matéria, espírito, criação e vida. E, se nos mostra a relatividade dos nossos conceitos, também nos demonstra a importância do relativo, no processo de nosso desenvolvimento espiritual. Trata-se do famoso capítulo sobre uranografia geral, recebido do espírito de Galileu, pelo astrônomo e médium Camile Flamarion, na Sociedade Espírita de Paris, Kardec o incluiu n'A Gênese sob orientação do Espírito de Verdade, como um dos pontos essenciais do livro.
Conhecemos a concepção do Universo como estrutura tríplice, que nos é dada no capítulo segundo de "O Livro dos Espíritos". O Universo se constitui de dois elemento fundamentais, o espírito e matéria, subordinados ao poder supremo de Deus. Assim a trindade universal, como assim fala Kardec, é esta, Deus, Espírito e Matéria. Em A Gênese vamos encontrar a apreciação dos conceitos de espaço e tempo, em função do Universo. Ambos nos são apresentados como formas conceptuais e, portanto, finitas, condicionadas à relatividade dos sentidos humanos, daquilo que poderíamos chamar o "imenso-infinito"da realidade superior que nos escapa.
Esquematizando o problema, para torná-lo mais compreensível, podemos expô-lo assim:

1º) O Universo, na sua constituição tríplice, é infinito em todos os sentidos: espacial, temporal e conceptual.
2º) O espaço é apenas a medida relativa da extensão, qualidade perceptível da imensidade. Quer dizer, existe a imensidade, da qual percebemos a extensão, que nos permite formular o conceito de espaço.
3º) O tempo é apenas a medida relativa da sucessão das coisas na duração - a qualidade perceptível da eternidade. Quer dizer: existe a eternidade da qual percebemos a duração, que nos permite formular o conceito de tempo.
4º) Imensidade e Eternidade, aspectos do Absoluto, que mal podemos imaginar, pertencem à Realidade Superior, ao pano supremo da Criação, onde conseguimos intuir a presença de Deus.

A medida do tempo, nos levando a marcar dias, meses e anos, embora convencional, tem, portando, uma realidade que a fundamenta. Contando os anos, estamos contando a nossa percepção do fluir da duração na eternidade, da mesma maneira porque, contando os quilômetros, estamos contando o fluir da extensão na imensidade. O tempo e o espaço, são reais para nós, em nossa condição de seres que vivem no mundo do relativo. Não podemos viver sem contá-los, sem levar em consideração a existência real do espaço e do tempo.
Mas o que importa, do ponto de vista espírita, é compreendermos a relatividade das coisas, para nos servirmos delas como necessidades imediatas, sem transformá-las em realidade absolutas. O espaço e o tempo devem ser, para mós, que conhecemos o Eterno, instrumentos de compreensão da Realidade Superior, e não formas de apego à Realidade Superior, e não formas de apego à realidade transitória. Foi o que Jesus nos ensinou, ao declarar que aquele que se apegasse à vida, pendê-la-ia, mas aquele que a perdesse, a encontraria. Porque apegar-se à vida é ligar-se inteiramente aos conceitos relativos de espaço e tempo, considerando a passageira encarnação terrena como a única forma de vida, depois da qual só existe a morte. Desapegar-se da vida é compreender a sua relatividade, sua natureza transitória, e por isso aprender, com os ensinos de Jesus, a utilizá-la como simples meio de progresso espiritual, para nossa ascensão a uma vida maior.
Cada ano que finda, em nossa existência temporária na terra, é uma fração do tempo que usamos, é uma fração de tempo que usamos, bem ou mal, em nosso processo evolutivo. O fim do ano é assim uma oportunidade para avaliarmos no nosso bom ou mau uso do tempo, realizando o balanço de nossa vida, da mesma maneira porque as empresas comerciais procedem ao seu balanço anual de atividades, lucros e perdas. É tão errado pensarmos que o fim do ano nada significa, quanto lhe atribuirmos excessiva importância. O ano chega ao fim: pensemos o que fizemos durante o seu transcurso, e vejamos o que podemos fazer de melhor, no novo ano. Mas se verificarmos que perdemos o ano que finda, não nos desesperemos. Há pela frente um novo ano, ainda intacto, um presente do Eterno, para o nosso desenvolvimento na duração.,
José Herculano, Professor, é Filósofo, faleceu em 1979.
Esta Coluna, é publicada à guisa de homenagem.
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 00:50

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