Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

MENSAGEM BREVE


Realmente você tem razão quando afirma que o mundo parece modificado e que precisamos imenso desassombro para viver dentro dele.
Os últimos cinqüenta anos operaram gigantesca reviravolta nos costumes da Terra. A casa patriarcal que havíamos herdado do século XIX transformou-se no apartamento a dependurar-se nos arranha-céus; a locomotiva enfumaçada é quase uma jóia rara de museu à frente do avião que elimina distancia; a gazeta provinciana foi substituída pelos jornais da grande imprensa; e os saraus caseiros desapareceram, ante a invasão do rádio, cuja programação domina o mundo.
O automóvel, o transatlântico, o cinema e a televisão constituem outros tantos fatores de informe rápido, alterando a mente do povo em todos os climas.
E a garantia dos cidadãos? Em quase todos os países há leis de segurança para empregados e patrões, homens, mulheres, jovens e crianças.
Há direito de greve, licença, litígio e descanso remunerado.
Existem capitães da indústria e comércio, acumulando riquezas mágicas de um dia para outro, desde que não soneguem o imposto relativo aos monopólios que dirigem contra a harmonia econômica.
Temos operários desfrutando inexplicável impunidade, na destruição das casas em que trabalham, com a indisciplina protegida em fundamentos legais.
Há jovens amparados na difusão da leviandade e da mentira, sem qualquer constrangimento por parte das forças que administram a vida pública.
Não estamos fazendo pessimismo.
Sabemos que o mundo permanece sob o governo místico das rédeas divinas e não ignoramos que qualquer perturbação é fenômeno passageiro, em função desajusta da própria região onde surge o desequilíbrio.
Com as nossas observações, tão somente nos propomos reconhecer que a criatura humana de nossa época está mais livre e, por isso, mais destacada em si mesma.
Nos grandes períodos de transição, qual o que estamos atravessando, somos como que chamados pela Sabedoria Divina a provar nossa, madureza interior, nossa capacidade de auto direção.
Dai resulta a desordem aparente, em que somos compelidos à revelação da própria individualidade.
Na organização coletiva, no grupo social, na equipe de trabalho ou no reduto domestico, vê-se o homem de hoje obrigado a mostrar-se tal qual é, classificando-se, de imediato, pela própria conduta.
As dissensões, os conflitos, as lutas e os embates de todas as procedências oferecem s impressão de caos, provocando a gritaria dos profetas da decadência, e, por isso mesmo, as almas que não se armaram de fé e que não se sustentaram fiéis às raízes simples da vida sofrem pavorosos desastres psíquicos, que as situam nos escuros domínios da alienação mental.
Cresce a loucura em todas as direções.
O hospício é a última fronteira dos enfermos do espírito, de vez que se agitam eles em todos os setores de nosso tempo, à maneira de consciências que, impelidas ao auto-exame, tentam fugir de si mesmas, humilhadas e estarrecidas.
Em razão disso, creia que o melhor caminho para não cair nas mãos dos psiquiatras é o ajustamento real de nossa personalidade aos princípios cristãos que abraçamos, porque o problema é da alma e não da carne.
Não precisaremos discutir.
A hora atual da Terra é inegavelmente dolorosa, mas a tempestade de hoje passará, como as de ontem.
Refugiemo-nos em Cristo.
O Senhor é a nossa fortaleza.
Se tivermos bastante coragem de viver o Cristianismo em sua feição pura, na condição de solitários carregadores de nossa cruz, poderemos encarar valorosamente a crise e dizer-lhe num sorriso confiante: - «vamos ver quem pode mais».

Livro Cartas e Crônicas - Espírito Irmão X - Psicografia Francisco C. Xavier.
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 11:45

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MENSAGEM BREVE


Realmente você tem razão quando afirma que o mundo parece modificado e que precisamos imenso desassombro para viver dentro dele.
Os últimos cinqüenta anos operaram gigantesca reviravolta nos costumes da Terra. A casa patriarcal que havíamos herdado do século XIX transformou-se no apartamento a dependurar-se nos arranha-céus; a locomotiva enfumaçada é quase uma jóia rara de museu à frente do avião que elimina distancia; a gazeta provinciana foi substituída pelos jornais da grande imprensa; e os saraus caseiros desapareceram, ante a invasão do rádio, cuja programação domina o mundo.
O automóvel, o transatlântico, o cinema e a televisão constituem outros tantos fatores de informe rápido, alterando a mente do povo em todos os climas.
E a garantia dos cidadãos? Em quase todos os países há leis de segurança para empregados e patrões, homens, mulheres, jovens e crianças.
Há direito de greve, licença, litígio e descanso remunerado.
Existem capitães da indústria e comércio, acumulando riquezas mágicas de um dia para outro, desde que não soneguem o imposto relativo aos monopólios que dirigem contra a harmonia econômica.
Temos operários desfrutando inexplicável impunidade, na destruição das casas em que trabalham, com a indisciplina protegida em fundamentos legais.
Há jovens amparados na difusão da leviandade e da mentira, sem qualquer constrangimento por parte das forças que administram a vida pública.
Não estamos fazendo pessimismo.
Sabemos que o mundo permanece sob o governo místico das rédeas divinas e não ignoramos que qualquer perturbação é fenômeno passageiro, em função desajusta da própria região onde surge o desequilíbrio.
Com as nossas observações, tão somente nos propomos reconhecer que a criatura humana de nossa época está mais livre e, por isso, mais destacada em si mesma.
Nos grandes períodos de transição, qual o que estamos atravessando, somos como que chamados pela Sabedoria Divina a provar nossa, madureza interior, nossa capacidade de auto direção.
Dai resulta a desordem aparente, em que somos compelidos à revelação da própria individualidade.
Na organização coletiva, no grupo social, na equipe de trabalho ou no reduto domestico, vê-se o homem de hoje obrigado a mostrar-se tal qual é, classificando-se, de imediato, pela própria conduta.
As dissensões, os conflitos, as lutas e os embates de todas as procedências oferecem s impressão de caos, provocando a gritaria dos profetas da decadência, e, por isso mesmo, as almas que não se armaram de fé e que não se sustentaram fiéis às raízes simples da vida sofrem pavorosos desastres psíquicos, que as situam nos escuros domínios da alienação mental.
Cresce a loucura em todas as direções.
O hospício é a última fronteira dos enfermos do espírito, de vez que se agitam eles em todos os setores de nosso tempo, à maneira de consciências que, impelidas ao auto-exame, tentam fugir de si mesmas, humilhadas e estarrecidas.
Em razão disso, creia que o melhor caminho para não cair nas mãos dos psiquiatras é o ajustamento real de nossa personalidade aos princípios cristãos que abraçamos, porque o problema é da alma e não da carne.
Não precisaremos discutir.
A hora atual da Terra é inegavelmente dolorosa, mas a tempestade de hoje passará, como as de ontem.
Refugiemo-nos em Cristo.
O Senhor é a nossa fortaleza.
Se tivermos bastante coragem de viver o Cristianismo em sua feição pura, na condição de solitários carregadores de nossa cruz, poderemos encarar valorosamente a crise e dizer-lhe num sorriso confiante: - «vamos ver quem pode mais».

Livro Cartas e Crônicas - Espírito Irmão X - Psicografia Francisco C. Xavier.
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 11:45

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Terça-feira, 14 de Abril de 2009

VERDUGO E VÍTIMA

O rio transbordava.
Aqui e ali, na crista espumosa da corrente pesada, boiavam animais mortos os deslizavam toras e ramarias.
Vazantes em torno davam expansão ao crescente lençol de massa barrenta.
Famílias inteiras abandonavam casebres, sob a chuva, carregando aves espantadiças, quando não estivessem puxando algum cavalo magro.
Quirino, o jovem barqueiro, que vinte e seis anos de sol no sertão haviam enrijado de todo, ruminava plano sinistro.
Não longe, em casinhola fortificada, vivia Licurgo, conhecido usurário das redondezas.
Todos o sabiam proprietário de pequena fortuna a que montava guarda, vigilante.
Ninguém, no entanto, poderia avaliar-lhe a extensão, porque, sozinho, envelhecera e, sozinho, atendia às próprias necessidades.
- “O velho – dizia Quirino de si para consigo – será atingido na certa. É a primeira vez que surge uma cheia como esta. Agarrado aos próprios haveres, será levado de roldão... E se as águas devem acabar com tudo, por que não me beneficiar? O homem já passou dos setenta... Morrerá a qualquer hora. Se não for hoje, será amanhã, depois de amanhã... E o dinheiro guardado? Não poderia servir para mim, que estou moço e com pleno direito ao futuro?...”
O aguaceiro caia sempre, na tarde fria.
O rapaz, hesitante, bateu à porta da choupana molhada.
- “Seu” Licurgo! “Seu” Licurgo!
E, ante o rosto assombrado do velhinho que assomara à janela, informou:
- Se o senhor não quer morrer, não demore. Mais um pouco de tempo e as águas chegarão. Todos os vizinhos já se foram...
- Não, não... – resmungou o proprietário -, moro aqui há muitos anos. Tenho confiança em Deus e no rio... Não sairei.
- Venho fazer-lhe um favor...
- Agradeço, mas não sairei.
Tomado de criminoso impulso, o barqueiro empurrou a porta mal fechada e avançou sobre o velho, que procurou em vão reagir.
- Não me mate, assassino!
A voz rouquenha, contudo, silenciou nos dedos robustos do jovem.
Quirino largou para um lado o corpo amolecido, como traste inútil, arrebatou pequeno molho de chaves do grande cinto e, em seguida, varejou todos os escaninhos...
Gavetas abertas mostravam cédulas mofadas, moedas antigas e diamantes, sobretudo diamantes.
Enceguecido de ambição, o moço recolhe quanto acha.
A noite chuvosa descera completa...
Quirino toma os despojos da vítima num cobertor e, em minutos breves, o cadáver mergulha no rio.
Logo após, volta à casa despovoada, recompõe o ambiente e afasta-se, enfim, carregando a fortuna.
Passado algum tempo, o homicida não vê que uma sombra se lhe esgueira à retaguarda.
É o Espírito de Licurgo, que acompanha o tesouro.
Pressionado pelo remorso, o barqueiro abandona a região e instala-se em grande cidade, com pequena casa comercial, e casa-se, procurando esquecer o próprio arrependimento, mas recebe o velho Licurgo, reencarnado, por seu primeiro filho...

Ave que torna, em chaga, ao brando ninho,
Ouço divina música na sala,
É a sua voz celeste que me embala,
Motes do lar que tornam de mansinho.

Ergo-me agora... O corpo é o pelourinho
De que me desvencilho por beijá-la...
“Mãe! Minha Mãe!,,,” – suspiro, erguendo a fala,
A soluçar de júbilo e carinho

Tomo-lhe os braços em que me acrisolo
E durmo novamente no seu colo
Para acordar no berço de outra vida.
Irmão X
Do livro Luz no Lar. Psicografia de Francisco Cândido Xavier
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 04:09

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VERDUGO E VÍTIMA

O rio transbordava.
Aqui e ali, na crista espumosa da corrente pesada, boiavam animais mortos os deslizavam toras e ramarias.
Vazantes em torno davam expansão ao crescente lençol de massa barrenta.
Famílias inteiras abandonavam casebres, sob a chuva, carregando aves espantadiças, quando não estivessem puxando algum cavalo magro.
Quirino, o jovem barqueiro, que vinte e seis anos de sol no sertão haviam enrijado de todo, ruminava plano sinistro.
Não longe, em casinhola fortificada, vivia Licurgo, conhecido usurário das redondezas.
Todos o sabiam proprietário de pequena fortuna a que montava guarda, vigilante.
Ninguém, no entanto, poderia avaliar-lhe a extensão, porque, sozinho, envelhecera e, sozinho, atendia às próprias necessidades.
- “O velho – dizia Quirino de si para consigo – será atingido na certa. É a primeira vez que surge uma cheia como esta. Agarrado aos próprios haveres, será levado de roldão... E se as águas devem acabar com tudo, por que não me beneficiar? O homem já passou dos setenta... Morrerá a qualquer hora. Se não for hoje, será amanhã, depois de amanhã... E o dinheiro guardado? Não poderia servir para mim, que estou moço e com pleno direito ao futuro?...”
O aguaceiro caia sempre, na tarde fria.
O rapaz, hesitante, bateu à porta da choupana molhada.
- “Seu” Licurgo! “Seu” Licurgo!
E, ante o rosto assombrado do velhinho que assomara à janela, informou:
- Se o senhor não quer morrer, não demore. Mais um pouco de tempo e as águas chegarão. Todos os vizinhos já se foram...
- Não, não... – resmungou o proprietário -, moro aqui há muitos anos. Tenho confiança em Deus e no rio... Não sairei.
- Venho fazer-lhe um favor...
- Agradeço, mas não sairei.
Tomado de criminoso impulso, o barqueiro empurrou a porta mal fechada e avançou sobre o velho, que procurou em vão reagir.
- Não me mate, assassino!
A voz rouquenha, contudo, silenciou nos dedos robustos do jovem.
Quirino largou para um lado o corpo amolecido, como traste inútil, arrebatou pequeno molho de chaves do grande cinto e, em seguida, varejou todos os escaninhos...
Gavetas abertas mostravam cédulas mofadas, moedas antigas e diamantes, sobretudo diamantes.
Enceguecido de ambição, o moço recolhe quanto acha.
A noite chuvosa descera completa...
Quirino toma os despojos da vítima num cobertor e, em minutos breves, o cadáver mergulha no rio.
Logo após, volta à casa despovoada, recompõe o ambiente e afasta-se, enfim, carregando a fortuna.
Passado algum tempo, o homicida não vê que uma sombra se lhe esgueira à retaguarda.
É o Espírito de Licurgo, que acompanha o tesouro.
Pressionado pelo remorso, o barqueiro abandona a região e instala-se em grande cidade, com pequena casa comercial, e casa-se, procurando esquecer o próprio arrependimento, mas recebe o velho Licurgo, reencarnado, por seu primeiro filho...

Ave que torna, em chaga, ao brando ninho,
Ouço divina música na sala,
É a sua voz celeste que me embala,
Motes do lar que tornam de mansinho.

Ergo-me agora... O corpo é o pelourinho
De que me desvencilho por beijá-la...
“Mãe! Minha Mãe!,,,” – suspiro, erguendo a fala,
A soluçar de júbilo e carinho

Tomo-lhe os braços em que me acrisolo
E durmo novamente no seu colo
Para acordar no berço de outra vida.
Irmão X
Do livro Luz no Lar. Psicografia de Francisco Cândido Xavier
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 04:09

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Quarta-feira, 25 de Março de 2009

COMPLEMENTO


À vista de minha opinião despretensiosa, com referência aos médiuns, declara você que estamos insinuando a criação de uma casa sacerdotal, dentro do Espiritismo livre.
Admitindo a necessidade de educação dos intermediários entre este mundo e o outro, estaríamos preconizando o seminário e a academia para a formação de teólogos e doutores em ciências mediúnicas.
Acredite, porém, meu amigo, que não foi este o nosso propósito.
Não sabemos se vocês guardam a intenção de instalar escolas de médiuns e nem arriscaríamos qualquer palpite que inclinasse trabalhadores do bem a disputas infrutíferas, quando não ruinosas e detestáveis.
Achamo-nos todos, vocês e nós, num vasto serviço de experimentação para consolidar o sistema de intercâmbio, entre duas esferas, mas, em verdade, a organização de quaisquer serviços terrestres, embora controlados e inspirados pelas Determinações Superiores, é sempre do homem.
O que fizemos do Cristianismo Redentor de Jesus já sabemos – capelinhas de separação e crítica por toda parte, nos setores religiosos, atrasando a vitória da fraternidade legítima, entre as criaturas. Entretanto ignoramos totalmente o que vocês esperam fazer da mediunidade.
Desejávamos apenas dizer, em escrevendo as páginas que lhe mereceram tão graves apreensões, que as faculdades psíquicas exigem esforço reiterado, trabalho digno, perseverança no bem, crescimento na sabedoria e aprimoramento na virtude, dentro do individualismo sadio e edificante.
Não acreditamos em possibilidades de acabamento do Reino Divino em massa. Isto seria derrogar o esforço próprio, base da sublimação de toda vida. Cremos em discípulos devotados ao serviço e aprovados pelo Mestre.
As universidades do mundo soltam milhares de médicos, anualmente; contudo, aparecem raros missionários da medicina.
Na tarefa do Evangelho santificador, a glória não prevalece num título provisório que honra a personalidade de fora para dentro e, sim, nos testemunhos com que o servo se faz amado e respeitado, de dentro para fora.
Que dizer de médiuns, detentores do ministério de curar, que odiassem doentes? Como interpretar os medianeiros, convidados aos comentários dos Livros Divinos, que fugissem ao alfabeto?
Sem espírito educado não há missão educativa.
A mediunidade é um “talento” magnífico de que o Supremo Doador pedirá contas em momento oportuno.
Enriquecer-se de qualidades intrínsecas para melhor servir aos administradores das bênçãos celestiais não será para todo médio comezinho dever?
Não nos reportamos aqui às faculdades dos companheiros entusiastas que relacionam dois sonhos sensacionais e duas visões proféticas, durante a vida inteira, para alicerçarem suas convicções de imortalidade da alma, em confortáveis poltronas depois do jantar. Referimo-nos aos cooperadores que descobriram a necessidade de trabalhar, constantemente, pela ascenção da própria alma e pelo progresso da coletividade em que respiram como quem sabe que o pão é alimento de todo o dia.
Jamais se deteve na palavra do Mestre quando nos diz que o Reino de Deus não viria com aparência existeriores e, sim, que deveria ser edificado dentro de nós?
Reconhecemos o valor da cooperação e não seria lícito subestimar a importância do serviço em grupo, na regeneração e aperfeiçoamento da Terra, mas não precisamos longa teoria para comprovar a necessidade do individualismo sublimado na obra redentora do Espiritismo.
Isto é curial em todos os ângulos da vida comum.
A imprensa, no avanço fundamental, não nos veio pela massa de copistas que nos vendiam manuscritos, desde muitos séculos, e sim por intermédio de Gutenberg que empenhou coração e cérebro no assunto. A navegação a vapor, na expressão máxima, não aparece pelo esforço conjunto dos marinheiros e maquinistas de todos os matizes e, sim, por Fúlton, que sonha a realização e a ela se aplica. A cura da hidrofobia não procede da comunidade dos médicos e sim dos estudos e sofrimentos de Pasteur. O milagre da luz elétrica não surge através da multidão de servidores das companhias de gás e sim pelo suor e pelas vigílias de Edison.
Suas observações fazem-me lembrar a antiga história do General que ordenou e do comando que não atendeu.
Se me não falha a memória, o subalterno anunciou-lhe motins e arruaças populares e o velho comandante, atacado de tosse renitente, lamuriou em francês: - “Ma sacré toux!”
O soldado distraído, porém, supôs que o chefe havia dito “Massacrez tout!” e saiu correndo, transmitindo aos companheiros a estranha ordem de matar-se a torto e a direito.
Se não encontrarmos médiuns, dispostos a se educarem e melhorarem, amando a tarefa que o Senhor lhes confiou, estejamos convictos de que os nossos trabalhos, em matéria de intercâmbio espiritual, acabarão realmente massacrados.

Livro Relatos da Vida - Psicografia Francisco C. Xavier - Espírito Irmão X
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:58

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COMPLEMENTO


À vista de minha opinião despretensiosa, com referência aos médiuns, declara você que estamos insinuando a criação de uma casa sacerdotal, dentro do Espiritismo livre.
Admitindo a necessidade de educação dos intermediários entre este mundo e o outro, estaríamos preconizando o seminário e a academia para a formação de teólogos e doutores em ciências mediúnicas.
Acredite, porém, meu amigo, que não foi este o nosso propósito.
Não sabemos se vocês guardam a intenção de instalar escolas de médiuns e nem arriscaríamos qualquer palpite que inclinasse trabalhadores do bem a disputas infrutíferas, quando não ruinosas e detestáveis.
Achamo-nos todos, vocês e nós, num vasto serviço de experimentação para consolidar o sistema de intercâmbio, entre duas esferas, mas, em verdade, a organização de quaisquer serviços terrestres, embora controlados e inspirados pelas Determinações Superiores, é sempre do homem.
O que fizemos do Cristianismo Redentor de Jesus já sabemos – capelinhas de separação e crítica por toda parte, nos setores religiosos, atrasando a vitória da fraternidade legítima, entre as criaturas. Entretanto ignoramos totalmente o que vocês esperam fazer da mediunidade.
Desejávamos apenas dizer, em escrevendo as páginas que lhe mereceram tão graves apreensões, que as faculdades psíquicas exigem esforço reiterado, trabalho digno, perseverança no bem, crescimento na sabedoria e aprimoramento na virtude, dentro do individualismo sadio e edificante.
Não acreditamos em possibilidades de acabamento do Reino Divino em massa. Isto seria derrogar o esforço próprio, base da sublimação de toda vida. Cremos em discípulos devotados ao serviço e aprovados pelo Mestre.
As universidades do mundo soltam milhares de médicos, anualmente; contudo, aparecem raros missionários da medicina.
Na tarefa do Evangelho santificador, a glória não prevalece num título provisório que honra a personalidade de fora para dentro e, sim, nos testemunhos com que o servo se faz amado e respeitado, de dentro para fora.
Que dizer de médiuns, detentores do ministério de curar, que odiassem doentes? Como interpretar os medianeiros, convidados aos comentários dos Livros Divinos, que fugissem ao alfabeto?
Sem espírito educado não há missão educativa.
A mediunidade é um “talento” magnífico de que o Supremo Doador pedirá contas em momento oportuno.
Enriquecer-se de qualidades intrínsecas para melhor servir aos administradores das bênçãos celestiais não será para todo médio comezinho dever?
Não nos reportamos aqui às faculdades dos companheiros entusiastas que relacionam dois sonhos sensacionais e duas visões proféticas, durante a vida inteira, para alicerçarem suas convicções de imortalidade da alma, em confortáveis poltronas depois do jantar. Referimo-nos aos cooperadores que descobriram a necessidade de trabalhar, constantemente, pela ascenção da própria alma e pelo progresso da coletividade em que respiram como quem sabe que o pão é alimento de todo o dia.
Jamais se deteve na palavra do Mestre quando nos diz que o Reino de Deus não viria com aparência existeriores e, sim, que deveria ser edificado dentro de nós?
Reconhecemos o valor da cooperação e não seria lícito subestimar a importância do serviço em grupo, na regeneração e aperfeiçoamento da Terra, mas não precisamos longa teoria para comprovar a necessidade do individualismo sublimado na obra redentora do Espiritismo.
Isto é curial em todos os ângulos da vida comum.
A imprensa, no avanço fundamental, não nos veio pela massa de copistas que nos vendiam manuscritos, desde muitos séculos, e sim por intermédio de Gutenberg que empenhou coração e cérebro no assunto. A navegação a vapor, na expressão máxima, não aparece pelo esforço conjunto dos marinheiros e maquinistas de todos os matizes e, sim, por Fúlton, que sonha a realização e a ela se aplica. A cura da hidrofobia não procede da comunidade dos médicos e sim dos estudos e sofrimentos de Pasteur. O milagre da luz elétrica não surge através da multidão de servidores das companhias de gás e sim pelo suor e pelas vigílias de Edison.
Suas observações fazem-me lembrar a antiga história do General que ordenou e do comando que não atendeu.
Se me não falha a memória, o subalterno anunciou-lhe motins e arruaças populares e o velho comandante, atacado de tosse renitente, lamuriou em francês: - “Ma sacré toux!”
O soldado distraído, porém, supôs que o chefe havia dito “Massacrez tout!” e saiu correndo, transmitindo aos companheiros a estranha ordem de matar-se a torto e a direito.
Se não encontrarmos médiuns, dispostos a se educarem e melhorarem, amando a tarefa que o Senhor lhes confiou, estejamos convictos de que os nossos trabalhos, em matéria de intercâmbio espiritual, acabarão realmente massacrados.

Livro Relatos da Vida - Psicografia Francisco C. Xavier - Espírito Irmão X
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:58

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Terça-feira, 10 de Março de 2009

A MORTE DE PIO XI


Cercado de todas as honras pontificais, Pio XI agoniza...
De seus lábios exaustos, nada mais se ouve, além de algumas palavras ininteligíveis.
Seu coração está mergulhado na rede dolorosa das perturbações orgânicas, mas seu espírito está lúcido, como o de uma sentinela, a quem não se permite dormir.
Alvorece o dia...
Preparam-se os sinos de Roma para anunciar as matinas à antiga cidade dos Césares e o velho pontífice tenta, ainda uma vez, articular uma palavra que expresse a sua vontade derradeira.
Todavia, não obstante todas as dignidades sacerdotais e apesar de todos os títulos nobiliárquicos de um soberano terrestre, Sua Santidade se despede da vida material, sob os mesmos imperativos dos regulamentos humanos da Natureza.
A morte não lhe reconhece a soberania e a asma cardíaca lhe devora as últimas possibilidades de prosseguir na tarefa terrena, chamando-o a novos testemunhos.
Pio XI desejaria fazer algumas recomendações in extremis, mas sente-se invadido por uma corrente de frio inexplicável, que lhe paralisa todos os centros de força.
Os religiosos que o assistem compreendem que é chegado o fim de sua resistência e o Cardeal Lauri aproxima-se do moribundo, ministrando-lhe a extrema-unção, segundo as tradições e hábitos da igreja.
O papa agonizante experimenta, então, todas as angústias do homem, no instante derradeiro...
Aos olhos de sua imaginação, desenham-se os quadros nevados e deliciosos da Lombardia, na sua infância descuidada e risonha, os velhos pais, amorosos e compassivos, o pároco humilde que o animou para os estudos primeiros e, depois, as proveitosas experiências nas ondas largas e bravias do oceano do mundo, junto aos esplendores de Milão e de sua catedral majestosa...
Ele que orara, fervorosamente, tantas vezes, sentia agora uma dificuldade infinita para elevar o pensamento ao Deus de misericórdia e de sabedoria, que ele supunha no ambiente faustoso de seus templos frios e suntuosos...
Uma lágrima pesada lhe rolou dos olhos, cansados das penosas preocupações do mundo, enquanto o raciocínio se lhe perdia em amargas conjeturas.
Não era ele o Vigário Geral do Filho de Deus sobre a Terra? Sua personalidade não ostentava o título de Príncipe do Clero? Num derradeiro olhar, fixou, ainda nas próprias mãos, o reluzente anel, chamado do Pescador...
Desejou falar, ainda uma vez, aos companheiros, mergulhados em preces fervorosas, das meditações angustiadas da morte, mas percebeu que as suas cordas vocais estavam hirtas...
Foi quando, então, Pio XI começou a divisar, em derredor do seu leito de agonia, um compacto exército de sombras.
Algumas lhe sorriam com solicitude, enquanto outras o contemplavam com indefinível melancolia.
Ao seu lado, percebeu duas figuras veneráveis que o auscultavam, como se fossem médicos desconhecidos, vindos em socorro dos senhores Rochi e Bonanome, seus assistentes naquele dia.
Esses médicos do Invisível como que o submetiam a uma operação difícil e delicada...
Aos poucos, o velho pontífice romano sentiu que os olhos materiais se lhe apagavam amortecidos, mas, dentro de sua visão espiritual, continuava a perceber a presença de pessoas estranhas e que o rodeavam, dentre as quais se destacara um vulto simpático, que lhe estendia os braços, solícito e compassivo.
Pio XI não teve dificuldades em identificar a figura respeitável que o acolhia com benevolência e carinho.
--“Leão XIII!...“ --murmurou ele, no silêncio íntimo de seu coração, recordando os instantes gloriosos de seu passado eclesiástico.
Mas, a nobre entidade que se aproximava, abraçando-o, exclamou compassivamente: --"Aquiles, cessam agora todos os preconceitos religiosos que formavam a indumentária precisa ao cumprimento de tua grande missão no seio da igreja!...
Chama-me Joaquim Pecci, porque, como hoje te recordas de Désio e da infância longínqua, desejoso de recomeçar a vida terrestre, que terminas neste instante, também eu me lembrei, no momento supremo, de minha risonha meninice em Carpineto, ansioso de regressar ao passado para encetar uma nova vida, porque a verdade é que todos nós, em assumindo os sublimes compromissos com a lição do Senhor, prometemos realizar uma tarefa para a qual nos sentimos frágeis e desalentados, em nossas imperfeições individuais..." E como Aquiles Rátti revelasse estupefação, diante do fenômeno, continuou a entidade amiga: --"Levanta-te! Para o bom trabalhador há poucas possibilidades de repouso!..." Nesse instante, como se fosse tocado por um poder maravilhoso, Pio XI notou que o seu corpo estava rígido, ao seu lado.
Numerosos companheiros se aproximavam comovidos de seus despojos, inclusive o Cardeal camerlengo, que se tomava de profunda emotividade em frente da nova tarefa.
Procedia-se aos primeiros rituais, a que se obedece, em tais circunstâncias, no Vaticano, quando a voz de Leão XIII se fez ouvir de novo: -- "Meu irmão -- disse ele, austeramente -- todos nós somos obrigados a comparecer ante o tribunal que nos julga por todos os atos levados a efeito na direção da igreja a que chamamos, impropriamente, barca de S. Pedro...
Antes, porém, que sejas conduzido, pela legião dos seres espirituais que te esperam, ao tribunal dessas sentenças supremas, visitemos a nossa Jerusalém de pompa e de pecado, para nos certificarmos de suas ruínas próximas, ante a vitória do Evangelho redentor!...”
Nesse momento, o Cardeal Pacélli retirava do cadáver o anel simbólico, enquanto as duas entidades, abraçadas uma à outra, se dirigiam à Capela Sistina e daí à famosa basílica de São Pedro, para as tradicionais e antigas orações.
Penetrando ambos sob as colunas grandiosas que suportam a larga varanda, dizia o autor da encíclica Rerum Novarum para o seu vacilante companheiro:
--"Outrora, neste local, erguiam-se o Templo de Apolo, o Templo da Boa Deusa, o Palácio de Nero e outras expressões de loucura e de crueldade que condenamos, até hoje, nas doutrinas do paganismo.
Os tesouros de Constantino e de Helena modificaram a fisionomia do santuário aqui erguido, quando o sangue e as lágrimas dos mártires semeavam as flores de Jesus-Cristo sobre a face escura da Terra!...
Em lugar da humildade cristã, levantaram-se no Vaticano as magnificências de ouro e de pedrarias...
” Atravessados os frontispícios suntuosos, as duas entidades ingressaram num ambiente parecido com os da história das "mil e uma noites", recamado de luxo fulgurante e indescritível.
Por ali, há o sinal dos artistas de todos os séculos.
Monumentos da pintura e da escultura de todos os tempos assombram os forasteiros espirituais que acompanham a cena grandiosa e melancólica.
As imagens, os altares, as colunatas, os anjos de pedra, os nichos suntuosos se multiplicam em deslumbramento maravilhoso.
Chegadas ao pé da magnífica estátua de São Pedro, talhada no antigo bronze da imagem de Júpiter Capitolino, que toda Roma venerava em épocas remotas, estátua essa idealizada sob as ordens de Leão Magno, quando das vitórias romanas sobre o gênio estratégico e belicoso de Átila, as duas entidades se detiveram, pensativas.
Obedecendo aos seus antigos hábitos, Pio XI ajoelhou-se e, ocultando o rosto entre as mãos, orava fervorosamente, quando uma voz sublimada e profunda lhe atinge em cheio a consciência, como se proviesse das ilimitadas profundezas do céu, chegando aos seus ouvidos por processo misterioso:
--"Meu filho --exclamava a voz espiritual, na sua grandeza terrível e melancólica --como pudeste perseverar no mesmo caminho dos teus orgulhosos antecessores?...
Diante dessa estátua soberba, talhada no bronze de Júpiter Capitolino, toda a igreja romana supõe homenagear a minha memória, quando nada mais fui que simples pescador, seduzido pela grandeza celeste das sublimes lições do Senhor, no cenácu- Os Cristãos aproveitaram muitos dos templos, com as alfaias pagãs, para transformá-los em igrejas suntuosas.
Constantino foi o César Romano que adotou, oficializando-a a religião cristã.
Sua mãe, Helena, mais tarde canonizada pela Igreja, dispondo de grandes riquezas, muito ajudou a expansão e progresso do Cristianismo.
Visitando Jerusalém (em 325), fez construir a chamada igreja do Santo Sepulcro.
A ela, Helena, se atribui o encontro da verdadeira cruz na qual foi Jesus crucificado.
Onde se ergue hoje a grande basílica de S.
Pedro, em Roma, construída por aquiescência de Constantino, e enriquecida com muitos dos ricos despojos tomados dos infiéis, existia então um humílimo oratório subterrâneo.
Segundo a tradição, ali estava depositado o corpo de S. Pedro, que, em sítio próximo, sofrera o martírio pela fé.
Todo o local, atualmente Vaticano, era pouco habitado, por insalubre, atribuindo-se febres ao ar úmido lá respirado.
Por isso, embora vizinho do Circo e dos jardins de Nero, era quase deserto, permitindo que os cristãos ali se reunissem e ali guardassem os restos dos seus irmãos sacrificados nas perseguições ordenadas pelos sanguinários imperadores romanos.
Capitólio ou Monte Capitolino, que tinha então dois cumes, era uma das sete colinas de Roma, onde se viam vários templos, o Ateneu dos poetas, o Tabulário (onde se guardavam as leis) e obras de arte, inclusive o Arco de Cipião, o africano, e estátua equestre de Marco Aurélio, em um; no outro cume, a famosa cidadela, que Tácito declarava inexpugnável.
Quase tudo desapareceu.
Aí se erguia, em honra de Júpiter --o maior dos deuses --o considerado primeiro templo Romano.
Em seu lugar, foi mais tarde construída a Igreja chamada -- Ara Coeli, sob a invocação da Virgem Maria.
O que resta do Capitólio, em nossos dias, não dá idéia sequer do que foi, bastando salientar que o mesmo se acha constituído pela praça central, então denominada -- Entre-os-Montes, à qual se chega por uma escada magnífica, cujo desenho se deve a Miguel Ângelo, e onde figuram algumas das velhas e primorosas estátuas e colunas salvas das ruínas.
Elo de luz do Tiberíades!...
Convocado pelo Mestre Divino a edificar a minha fé, em favor do seu grande rebanho de ovelhas tresmalhadas do aprisco, não tive a força necessária para seguir-lhe o divino heroísmo, no instante supremo, chegando a negá-lo em minha indigência espiritual!...
Ainda assim, não obstante a minha fraqueza, foi a mim que a igreja escolheu para a homenagem dessas basílicas luxuosas, que, como esta imagem fulgurante, representam a continuidade das velhas crenças errôneas do império da impiedade, eliminadas pela suave luz das verdades consoladoras do Cristianismo!...
Somente agora, verificas a ilusão do teu anel do Pescador e da tua tiara de São Pedro!...
Eu não conheci outras jóias, nem outras riquezas, além daquelas que se constituíam de minhas mãos calejadas no esforço de cada dia!...
"Filho meu, amargurado está ainda o coração do nosso Salvador, em virtude do caminho escabroso adotado pela quase generalidade dos sacerdotes nas igrejas degeneradas, que militam na oficina terrestre!...
Todos os que se sentaram, como tu, nesses tronos de impiedade, prometeram ao céu a reforma integral dos velhos institutos romanos, em favor da essência do Evangelho, no pensamento universal; mas, como tu, os teus predecessores esbarraram, igualmente, no rochedo do orgulho, da vaidade e da impenitência, comprometendo o grande barco da fé em Jesus-Cristo, entre as marés bravias das iniqüidades humanas!...
"Falaste da paz: mas, realizaste pouco, ante o dragão político que te espreitava na sombra, naufragando nos conceitos novos que vestem as crueldades das guerras de conquista!...
"Reformaste o Vaticano, estabelecendo alianças políticas ou adotando as facilidades do progresso científico que enriquece a civilização desesperada do século XX; mas, esqueceste de levar aos teus míseros tutelados as fórmulas reais da verdade e do bem, da paz e da esperança, no amor e na humildade, que perfumam os ensinamentos do Redentor!...
"Grande sacerdote do mundo pelas tuas qualidades de cultura e pela generosidade de tuas intenções, serás agora julgado pelo tribunal que aprecia quantos se arvoram, na Terra, em discípulos do Senhor!...
Do mundo das convenções já recebeste todo o julgamento, com as homenagens políticas dos povos; agora, entrarás na luz do Reino de Deus, para aprenderes de novo a grande lição dos "muitos chamados e poucos escolhidos!...”
Pio XI sentiu que o seu coração se despedaçava, em soluços atrozes.
Olhou em derredor de si e não lobrigou mais ninguém, a seu lado.
Todos os sorrisos compassivos dos companheiros da morte haviam desaparecido, sob o influxo de uma força misteriosa.
Quis contemplar a cúpula magnífica de seu templo soberbo, mas sentiu-se cercado de pesadas sombras, em cujo seio um firo cortante lhe enregelava o coração.
Foi assim que, penetrando a grande noite do túmulo, o grande sacerdote terrestre perdeu a noção de si mesmo, para despertar, em seguida, em frente ao tribunal da justiça divina, onde pontificam os mais íntegros de todos os juízes, dentro das leis misericordiosas do amor, da piedade e da redenção.
(Recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em 13 de fevereiro de 1939).
Do livro "Novas Mensagens", de Humberto de Campos, psicografado por Francisco Cândido Xavier,
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 18:26

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A MORTE DE PIO XI


Cercado de todas as honras pontificais, Pio XI agoniza...
De seus lábios exaustos, nada mais se ouve, além de algumas palavras ininteligíveis.
Seu coração está mergulhado na rede dolorosa das perturbações orgânicas, mas seu espírito está lúcido, como o de uma sentinela, a quem não se permite dormir.
Alvorece o dia...
Preparam-se os sinos de Roma para anunciar as matinas à antiga cidade dos Césares e o velho pontífice tenta, ainda uma vez, articular uma palavra que expresse a sua vontade derradeira.
Todavia, não obstante todas as dignidades sacerdotais e apesar de todos os títulos nobiliárquicos de um soberano terrestre, Sua Santidade se despede da vida material, sob os mesmos imperativos dos regulamentos humanos da Natureza.
A morte não lhe reconhece a soberania e a asma cardíaca lhe devora as últimas possibilidades de prosseguir na tarefa terrena, chamando-o a novos testemunhos.
Pio XI desejaria fazer algumas recomendações in extremis, mas sente-se invadido por uma corrente de frio inexplicável, que lhe paralisa todos os centros de força.
Os religiosos que o assistem compreendem que é chegado o fim de sua resistência e o Cardeal Lauri aproxima-se do moribundo, ministrando-lhe a extrema-unção, segundo as tradições e hábitos da igreja.
O papa agonizante experimenta, então, todas as angústias do homem, no instante derradeiro...
Aos olhos de sua imaginação, desenham-se os quadros nevados e deliciosos da Lombardia, na sua infância descuidada e risonha, os velhos pais, amorosos e compassivos, o pároco humilde que o animou para os estudos primeiros e, depois, as proveitosas experiências nas ondas largas e bravias do oceano do mundo, junto aos esplendores de Milão e de sua catedral majestosa...
Ele que orara, fervorosamente, tantas vezes, sentia agora uma dificuldade infinita para elevar o pensamento ao Deus de misericórdia e de sabedoria, que ele supunha no ambiente faustoso de seus templos frios e suntuosos...
Uma lágrima pesada lhe rolou dos olhos, cansados das penosas preocupações do mundo, enquanto o raciocínio se lhe perdia em amargas conjeturas.
Não era ele o Vigário Geral do Filho de Deus sobre a Terra? Sua personalidade não ostentava o título de Príncipe do Clero? Num derradeiro olhar, fixou, ainda nas próprias mãos, o reluzente anel, chamado do Pescador...
Desejou falar, ainda uma vez, aos companheiros, mergulhados em preces fervorosas, das meditações angustiadas da morte, mas percebeu que as suas cordas vocais estavam hirtas...
Foi quando, então, Pio XI começou a divisar, em derredor do seu leito de agonia, um compacto exército de sombras.
Algumas lhe sorriam com solicitude, enquanto outras o contemplavam com indefinível melancolia.
Ao seu lado, percebeu duas figuras veneráveis que o auscultavam, como se fossem médicos desconhecidos, vindos em socorro dos senhores Rochi e Bonanome, seus assistentes naquele dia.
Esses médicos do Invisível como que o submetiam a uma operação difícil e delicada...
Aos poucos, o velho pontífice romano sentiu que os olhos materiais se lhe apagavam amortecidos, mas, dentro de sua visão espiritual, continuava a perceber a presença de pessoas estranhas e que o rodeavam, dentre as quais se destacara um vulto simpático, que lhe estendia os braços, solícito e compassivo.
Pio XI não teve dificuldades em identificar a figura respeitável que o acolhia com benevolência e carinho.
--“Leão XIII!...“ --murmurou ele, no silêncio íntimo de seu coração, recordando os instantes gloriosos de seu passado eclesiástico.
Mas, a nobre entidade que se aproximava, abraçando-o, exclamou compassivamente: --"Aquiles, cessam agora todos os preconceitos religiosos que formavam a indumentária precisa ao cumprimento de tua grande missão no seio da igreja!...
Chama-me Joaquim Pecci, porque, como hoje te recordas de Désio e da infância longínqua, desejoso de recomeçar a vida terrestre, que terminas neste instante, também eu me lembrei, no momento supremo, de minha risonha meninice em Carpineto, ansioso de regressar ao passado para encetar uma nova vida, porque a verdade é que todos nós, em assumindo os sublimes compromissos com a lição do Senhor, prometemos realizar uma tarefa para a qual nos sentimos frágeis e desalentados, em nossas imperfeições individuais..." E como Aquiles Rátti revelasse estupefação, diante do fenômeno, continuou a entidade amiga: --"Levanta-te! Para o bom trabalhador há poucas possibilidades de repouso!..." Nesse instante, como se fosse tocado por um poder maravilhoso, Pio XI notou que o seu corpo estava rígido, ao seu lado.
Numerosos companheiros se aproximavam comovidos de seus despojos, inclusive o Cardeal camerlengo, que se tomava de profunda emotividade em frente da nova tarefa.
Procedia-se aos primeiros rituais, a que se obedece, em tais circunstâncias, no Vaticano, quando a voz de Leão XIII se fez ouvir de novo: -- "Meu irmão -- disse ele, austeramente -- todos nós somos obrigados a comparecer ante o tribunal que nos julga por todos os atos levados a efeito na direção da igreja a que chamamos, impropriamente, barca de S. Pedro...
Antes, porém, que sejas conduzido, pela legião dos seres espirituais que te esperam, ao tribunal dessas sentenças supremas, visitemos a nossa Jerusalém de pompa e de pecado, para nos certificarmos de suas ruínas próximas, ante a vitória do Evangelho redentor!...”
Nesse momento, o Cardeal Pacélli retirava do cadáver o anel simbólico, enquanto as duas entidades, abraçadas uma à outra, se dirigiam à Capela Sistina e daí à famosa basílica de São Pedro, para as tradicionais e antigas orações.
Penetrando ambos sob as colunas grandiosas que suportam a larga varanda, dizia o autor da encíclica Rerum Novarum para o seu vacilante companheiro:
--"Outrora, neste local, erguiam-se o Templo de Apolo, o Templo da Boa Deusa, o Palácio de Nero e outras expressões de loucura e de crueldade que condenamos, até hoje, nas doutrinas do paganismo.
Os tesouros de Constantino e de Helena modificaram a fisionomia do santuário aqui erguido, quando o sangue e as lágrimas dos mártires semeavam as flores de Jesus-Cristo sobre a face escura da Terra!...
Em lugar da humildade cristã, levantaram-se no Vaticano as magnificências de ouro e de pedrarias...
” Atravessados os frontispícios suntuosos, as duas entidades ingressaram num ambiente parecido com os da história das "mil e uma noites", recamado de luxo fulgurante e indescritível.
Por ali, há o sinal dos artistas de todos os séculos.
Monumentos da pintura e da escultura de todos os tempos assombram os forasteiros espirituais que acompanham a cena grandiosa e melancólica.
As imagens, os altares, as colunatas, os anjos de pedra, os nichos suntuosos se multiplicam em deslumbramento maravilhoso.
Chegadas ao pé da magnífica estátua de São Pedro, talhada no antigo bronze da imagem de Júpiter Capitolino, que toda Roma venerava em épocas remotas, estátua essa idealizada sob as ordens de Leão Magno, quando das vitórias romanas sobre o gênio estratégico e belicoso de Átila, as duas entidades se detiveram, pensativas.
Obedecendo aos seus antigos hábitos, Pio XI ajoelhou-se e, ocultando o rosto entre as mãos, orava fervorosamente, quando uma voz sublimada e profunda lhe atinge em cheio a consciência, como se proviesse das ilimitadas profundezas do céu, chegando aos seus ouvidos por processo misterioso:
--"Meu filho --exclamava a voz espiritual, na sua grandeza terrível e melancólica --como pudeste perseverar no mesmo caminho dos teus orgulhosos antecessores?...
Diante dessa estátua soberba, talhada no bronze de Júpiter Capitolino, toda a igreja romana supõe homenagear a minha memória, quando nada mais fui que simples pescador, seduzido pela grandeza celeste das sublimes lições do Senhor, no cenácu- Os Cristãos aproveitaram muitos dos templos, com as alfaias pagãs, para transformá-los em igrejas suntuosas.
Constantino foi o César Romano que adotou, oficializando-a a religião cristã.
Sua mãe, Helena, mais tarde canonizada pela Igreja, dispondo de grandes riquezas, muito ajudou a expansão e progresso do Cristianismo.
Visitando Jerusalém (em 325), fez construir a chamada igreja do Santo Sepulcro.
A ela, Helena, se atribui o encontro da verdadeira cruz na qual foi Jesus crucificado.
Onde se ergue hoje a grande basílica de S.
Pedro, em Roma, construída por aquiescência de Constantino, e enriquecida com muitos dos ricos despojos tomados dos infiéis, existia então um humílimo oratório subterrâneo.
Segundo a tradição, ali estava depositado o corpo de S. Pedro, que, em sítio próximo, sofrera o martírio pela fé.
Todo o local, atualmente Vaticano, era pouco habitado, por insalubre, atribuindo-se febres ao ar úmido lá respirado.
Por isso, embora vizinho do Circo e dos jardins de Nero, era quase deserto, permitindo que os cristãos ali se reunissem e ali guardassem os restos dos seus irmãos sacrificados nas perseguições ordenadas pelos sanguinários imperadores romanos.
Capitólio ou Monte Capitolino, que tinha então dois cumes, era uma das sete colinas de Roma, onde se viam vários templos, o Ateneu dos poetas, o Tabulário (onde se guardavam as leis) e obras de arte, inclusive o Arco de Cipião, o africano, e estátua equestre de Marco Aurélio, em um; no outro cume, a famosa cidadela, que Tácito declarava inexpugnável.
Quase tudo desapareceu.
Aí se erguia, em honra de Júpiter --o maior dos deuses --o considerado primeiro templo Romano.
Em seu lugar, foi mais tarde construída a Igreja chamada -- Ara Coeli, sob a invocação da Virgem Maria.
O que resta do Capitólio, em nossos dias, não dá idéia sequer do que foi, bastando salientar que o mesmo se acha constituído pela praça central, então denominada -- Entre-os-Montes, à qual se chega por uma escada magnífica, cujo desenho se deve a Miguel Ângelo, e onde figuram algumas das velhas e primorosas estátuas e colunas salvas das ruínas.
Elo de luz do Tiberíades!...
Convocado pelo Mestre Divino a edificar a minha fé, em favor do seu grande rebanho de ovelhas tresmalhadas do aprisco, não tive a força necessária para seguir-lhe o divino heroísmo, no instante supremo, chegando a negá-lo em minha indigência espiritual!...
Ainda assim, não obstante a minha fraqueza, foi a mim que a igreja escolheu para a homenagem dessas basílicas luxuosas, que, como esta imagem fulgurante, representam a continuidade das velhas crenças errôneas do império da impiedade, eliminadas pela suave luz das verdades consoladoras do Cristianismo!...
Somente agora, verificas a ilusão do teu anel do Pescador e da tua tiara de São Pedro!...
Eu não conheci outras jóias, nem outras riquezas, além daquelas que se constituíam de minhas mãos calejadas no esforço de cada dia!...
"Filho meu, amargurado está ainda o coração do nosso Salvador, em virtude do caminho escabroso adotado pela quase generalidade dos sacerdotes nas igrejas degeneradas, que militam na oficina terrestre!...
Todos os que se sentaram, como tu, nesses tronos de impiedade, prometeram ao céu a reforma integral dos velhos institutos romanos, em favor da essência do Evangelho, no pensamento universal; mas, como tu, os teus predecessores esbarraram, igualmente, no rochedo do orgulho, da vaidade e da impenitência, comprometendo o grande barco da fé em Jesus-Cristo, entre as marés bravias das iniqüidades humanas!...
"Falaste da paz: mas, realizaste pouco, ante o dragão político que te espreitava na sombra, naufragando nos conceitos novos que vestem as crueldades das guerras de conquista!...
"Reformaste o Vaticano, estabelecendo alianças políticas ou adotando as facilidades do progresso científico que enriquece a civilização desesperada do século XX; mas, esqueceste de levar aos teus míseros tutelados as fórmulas reais da verdade e do bem, da paz e da esperança, no amor e na humildade, que perfumam os ensinamentos do Redentor!...
"Grande sacerdote do mundo pelas tuas qualidades de cultura e pela generosidade de tuas intenções, serás agora julgado pelo tribunal que aprecia quantos se arvoram, na Terra, em discípulos do Senhor!...
Do mundo das convenções já recebeste todo o julgamento, com as homenagens políticas dos povos; agora, entrarás na luz do Reino de Deus, para aprenderes de novo a grande lição dos "muitos chamados e poucos escolhidos!...”
Pio XI sentiu que o seu coração se despedaçava, em soluços atrozes.
Olhou em derredor de si e não lobrigou mais ninguém, a seu lado.
Todos os sorrisos compassivos dos companheiros da morte haviam desaparecido, sob o influxo de uma força misteriosa.
Quis contemplar a cúpula magnífica de seu templo soberbo, mas sentiu-se cercado de pesadas sombras, em cujo seio um firo cortante lhe enregelava o coração.
Foi assim que, penetrando a grande noite do túmulo, o grande sacerdote terrestre perdeu a noção de si mesmo, para despertar, em seguida, em frente ao tribunal da justiça divina, onde pontificam os mais íntegros de todos os juízes, dentro das leis misericordiosas do amor, da piedade e da redenção.
(Recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em 13 de fevereiro de 1939).
Do livro "Novas Mensagens", de Humberto de Campos, psicografado por Francisco Cândido Xavier,
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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

JUSTIÇA DE CIMA


Quatro operários solteiros quase todos da mesma idade compareceram ao tribunal de Justiça de Cima, depois de haverem perdido o corpo físico, num acidente espetacular.
Na Terra, foram analisados por idêntico padrão.
Excelentes rapazes, aniquilados pela morte, com as mesmas homenagens sociais e domésticas.
Na vida espiritual, contudo, mostravam-se diferentes entre si, reclamando variados estudos e diversa apreciação.
Ostentando, cada qual, um halo de irradiações específicas, foi conduzido ao juiz que lhes examinara o processo, durante alguns dias, atenciosamente.
O magistrado convidou um a um a lhe escutarem as determinações, em nome do Direito Universal, perante numerosa assembléia de interessados nas sentenças.
Ao primeiro deles, cercados de pontos escuros, como se estivesse envolvido numa atmosfera pardacenta, o compassivo julgador disse, bondoso:
-De tuas notas, transparecem os pesados compromissos que assumiste, utilizando os teus recursos de trabalho para fins inconfessáveis. Há viúvas e órfãos, chorando no mundo, guardando amargas recordações de tua influência.
E porque o interpelado inquirisse quanto ao futuro que o aguardava, o árbitro amigo observou, sem afetação:
-Volta à paisagem onde viveste e recomeça a luta de redenção, reajustando o equilíbrio daqueles que prejudicaste. És naturalmente obrigado a restituir-lhes a paz e a segurança.
Aproximou-se o segundo, que se movimentava sob irradiações cinzentas, e ouviu as seguintes considerações:
-Revelam os apontamentos a teu respeito que lesaste a fábrica em que trabalhavas. Detiveste vencimento e vantagens que não correspondem ao esforço que despendeste.
E, percebendo-lhe as interrogações mentais, acrescentou:
-Torna ao teu antigo núcleo de serviço e auxilia os teus companheiros e as máquinas que exploraste em mau sentido. É indispensável resgates os débitos de alguns milhares de horas, junto deles, em atividade assistencial.
Ao terceiro que se aproximou, a destoar dos precedentes pelo aspecto em que se apresentava, disse o juiz, generoso:
-As informações de tua romagem no Planeta Terrestre explicam que demonstraste louvável correção no proceder. Não te valeste das tuas possibilidades de serviço para prejudicar os semelhantes, não traíste as próprias obrigações e somente recebeu do mundo aquilo que te era realmente devido. A tua consciência está quite com a Lei. Podes escolher o teu novo tipo de experiência, mas ainda na Terra, onde precisas continuar no curso da própria sublimação.
Em seguida, surgiu o último. Vinha nimbado de belo esplendor. Raios de safira claridade envolviam-no todo, parecendo emitir felicidade e luz em todas as direções.
O juiz inclinou-se, diante dele, e informou:
-Meu amigo, a colheita de tua sementeira confere-te a elevação. Serviços mais nobres esperam-te mais alto.
O trabalhador humilde, como que desejoso de ocultar a luz que o coroava, afastou-se em lágrimas de júbilo e gratidão, nos braços de velhos amigos que o cercavam, contentes, e, em razão das perguntas a explodirem nos colegas despeitados, que asseveravam nele conhecer um simples homem de trabalho, o julgador esclareceu persuasivo e bondoso:
-O irmão promovido é um herói anônimo da renúncia. Nunca impôs qualquer prejuízo a alguém, sempre respeitou a oficina em que se honrava com a sua colaboração e não se limitou a ser correto para com os deveres, através dos quais conquistava o que lhe era necessário à vida. Sacrificava-se pelo bem de todos. Soube ser delicado nas situações mais difíceis. Suportava o fígado enfermo dos colegas, com bondade e entendimento. Inspirava confiança. Distribuía estímulo e entusiasmo. Sorria e auxiliava sempre. Centenas de corações seguiram-no, além da morte, oferecendo-lhe preces, alegrias e bênçãos.
A Lei Divina jamais se equivoca.
E porque o julgamento fora satisfatoriamente liquidado, o tribunal da Justiça de Cima, encerrou a sessão.

"Livro:" Contos e Apólogos "- Irmão X
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PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 22:44

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JUSTIÇA DE CIMA


Quatro operários solteiros quase todos da mesma idade compareceram ao tribunal de Justiça de Cima, depois de haverem perdido o corpo físico, num acidente espetacular.
Na Terra, foram analisados por idêntico padrão.
Excelentes rapazes, aniquilados pela morte, com as mesmas homenagens sociais e domésticas.
Na vida espiritual, contudo, mostravam-se diferentes entre si, reclamando variados estudos e diversa apreciação.
Ostentando, cada qual, um halo de irradiações específicas, foi conduzido ao juiz que lhes examinara o processo, durante alguns dias, atenciosamente.
O magistrado convidou um a um a lhe escutarem as determinações, em nome do Direito Universal, perante numerosa assembléia de interessados nas sentenças.
Ao primeiro deles, cercados de pontos escuros, como se estivesse envolvido numa atmosfera pardacenta, o compassivo julgador disse, bondoso:
-De tuas notas, transparecem os pesados compromissos que assumiste, utilizando os teus recursos de trabalho para fins inconfessáveis. Há viúvas e órfãos, chorando no mundo, guardando amargas recordações de tua influência.
E porque o interpelado inquirisse quanto ao futuro que o aguardava, o árbitro amigo observou, sem afetação:
-Volta à paisagem onde viveste e recomeça a luta de redenção, reajustando o equilíbrio daqueles que prejudicaste. És naturalmente obrigado a restituir-lhes a paz e a segurança.
Aproximou-se o segundo, que se movimentava sob irradiações cinzentas, e ouviu as seguintes considerações:
-Revelam os apontamentos a teu respeito que lesaste a fábrica em que trabalhavas. Detiveste vencimento e vantagens que não correspondem ao esforço que despendeste.
E, percebendo-lhe as interrogações mentais, acrescentou:
-Torna ao teu antigo núcleo de serviço e auxilia os teus companheiros e as máquinas que exploraste em mau sentido. É indispensável resgates os débitos de alguns milhares de horas, junto deles, em atividade assistencial.
Ao terceiro que se aproximou, a destoar dos precedentes pelo aspecto em que se apresentava, disse o juiz, generoso:
-As informações de tua romagem no Planeta Terrestre explicam que demonstraste louvável correção no proceder. Não te valeste das tuas possibilidades de serviço para prejudicar os semelhantes, não traíste as próprias obrigações e somente recebeu do mundo aquilo que te era realmente devido. A tua consciência está quite com a Lei. Podes escolher o teu novo tipo de experiência, mas ainda na Terra, onde precisas continuar no curso da própria sublimação.
Em seguida, surgiu o último. Vinha nimbado de belo esplendor. Raios de safira claridade envolviam-no todo, parecendo emitir felicidade e luz em todas as direções.
O juiz inclinou-se, diante dele, e informou:
-Meu amigo, a colheita de tua sementeira confere-te a elevação. Serviços mais nobres esperam-te mais alto.
O trabalhador humilde, como que desejoso de ocultar a luz que o coroava, afastou-se em lágrimas de júbilo e gratidão, nos braços de velhos amigos que o cercavam, contentes, e, em razão das perguntas a explodirem nos colegas despeitados, que asseveravam nele conhecer um simples homem de trabalho, o julgador esclareceu persuasivo e bondoso:
-O irmão promovido é um herói anônimo da renúncia. Nunca impôs qualquer prejuízo a alguém, sempre respeitou a oficina em que se honrava com a sua colaboração e não se limitou a ser correto para com os deveres, através dos quais conquistava o que lhe era necessário à vida. Sacrificava-se pelo bem de todos. Soube ser delicado nas situações mais difíceis. Suportava o fígado enfermo dos colegas, com bondade e entendimento. Inspirava confiança. Distribuía estímulo e entusiasmo. Sorria e auxiliava sempre. Centenas de corações seguiram-no, além da morte, oferecendo-lhe preces, alegrias e bênçãos.
A Lei Divina jamais se equivoca.
E porque o julgamento fora satisfatoriamente liquidado, o tribunal da Justiça de Cima, encerrou a sessão.

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