Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011

A MORAL ESPÍRITA


Diz Allan Kardec, na Conclusão de "O Livro dos Espíritos", que "fora presumir demais da natureza humana supor que ela possa transformar-se de súbito, por efeito das idéias espíritas".
Acrescenta o Codificador que a ação exercida por essas idéias não são nem idênticas, nem do mesmo grau em todos aqueles que aceitam o Espiritismo e o professam.
É admirável a argúcia do Codificador na observação do fenômeno do entendimento e da aceitação da novel doutrina, máxime considerando-se que sua observação fora formulada logo no início dos trabalhos da Codificação, ao ser lançada sua obra básica, e não ao concluir sua missão, quando muitas experiências haviam enriquecido sua bagagem de professor, de experimentador, de escritor, de missionário e de extraordinário observador da natureza humana.
Os espíritas, os que estudam e cultivam o Espiritismo, percebem que a Doutrina contém aspectos filosóficos, científicos, religiosos, morais, éticos, educacionais, já que é extremamente abrangente e não se ocupa somente com a vida do homem na Terra, mas cuida também da vida do Espírito imortal para além das fronteiras da matéria densa.
Apenas para efeitos didáticos e visando a simplificar a abrangência da Doutrina, convencionou-se que o Espiritismo tem caráter de Ciência, de Filosofia e de Religião, por se entender que nessas três palavras estão resumidos todos os conhecimentos e sentimentos humanos.
Entretanto, como previra Kardec, no seio do Movimento Espírita estabeleceu-se divergência, simplesmente para substituir-se a palavra religião pela palavra moral. Então, como pretende certa corrente de espiritistas, o Espiritismo é Ciência, é Filosofia e é Moral, mas não Religião.
Simples questão de semântica, como nos disse certa vez um companheiro, com o que concordamos.
Mas os homens, apesar da clareza das idéias espíritas, não as percebem do mesmo modo, nem no mesmo grau.
Preferem estabelecer um pequeno ou grande cisma a cederem no que concerne à idéia que acolhem e que se cristaliza, tornando-se inamovível.
A discussão em torno dos termos moral e religião levou a conseqüências prejudiciais à unidade do entendimento da Doutrina.
As pessoas apaixonam-se de tal modo pelo entendimento pessoal sobre determinada questão, que desprezam qualquer outro juízo que o contrarie, tornando-se fanáticas e contraditórias com as próprias bases que as sustentam.
Há tempos, e ainda hoje repete-se o fato, alguns espíritas desavisados puseram-se em campo para sustentar que o Espiritismo é uma ciência e, quando muito, tem conseqüências filosóficas, mas não é religião. Baseavam-se esses companheiros nas palavras de Kardec, em “O que é o Espiritismo” (Preâmbulo) ao definir o Espiritismo como sendo “uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal”.
Estaria errada essa definição do Codificador? Claro que não. Mas o adepto precisa estar atento no entendimento da Doutrina como um todo, um amplo contexto, um código de princípios, postulados, regras, que não pode ser desmembrado. O entendimento das partes componentes há que estar harmonizado com o do conjunto.
Dentro do contexto do discurso, ao tratar do assunto específico, Kardec está certo ao dizer que o Espiritismo é uma ciência, mas isso não autoriza a conclusão de que a Doutrina Espírita é somente uma ciência, uma vez que ela é também filosofia, é religião (não em sentido restrito, mas lato), contém regras morais que coincidem com o Evangelho de Jesus, estabelece princípios éticos que decorrem de sua natureza e de seu caráter, e, conseqüentemente, é também doutrina de educação e de instrução porque se preocupa com o progresso moral e intelectual de todos os que aceitam seus princípios.
Também na interpretação da Doutrina Espírita ocorre o erro de caracterizar-se o todo pela parte.
Intérpretes de todas as filosofias e religiões incidiram nesse antiquíssimo engano.
Isso ocorreu no judaísmo, que o Cristo procurou retificar com sua mensagem de vida eterna e abundante, mesmo acrescentando que não vinha destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento.
Tem ocorrido através de séculos nas religiões oriundas do Cristianismo, inclusive nos dias atuais, quando se fundam novas seitas baseadas na interpretação de uma passagem isolada do Velho e do Novo Testamento, daí resultando verdadeiros paradoxos pela sua incoerência com o sentido geral da Bíblia.
Quando a esse velho engano se acresce a interpretação literal dos textos e se juntam os dogmas criados pelo homem, o resultado está à vista de todos: religiões dogmatizadas, exclusivistas, desmembramentos de antigos troncos pela inconformação de determinadas personalidades com a idéia antes assente.
Infelizmente, também no Movimento Espírita, em todo o mundo, o fenômeno do cisma e da interpretação individual não ficou afastado, apesar da preocupação do Codificador em imprimir toda clareza à sua obra.
Entretanto, os adeptos do Espiritismo têm maior parcela de responsabilidade no divisionismo doutrinário que os adeptos de outras correntes espiritualistas, já que nossa Doutrina é conseqüente de Revelação Superior e não resultante de um sistema criado pelo homem.
Além disso, naquilo que é de capital importância, correspondendo a realidades transcendentes que estavam acima das possibilidades de entendimento dos homens, os Espíritos supriram nossas deficiências, não só revelando coisas novas para a Humanidade mas também dando entendimento autêntico e espiritual ao que já era conhecido, como ocorre com a interpretação da mensagem do Cristo.
É conhecido o fato de alguns adeptos pugnarem pela desvinculação da Doutrina Espírita do Evangelho de Jesus. Acham eles que o Espiritismo tem sua moral própria e que por isso prescinde-se do que eles denominam igrejismo, religiosismo, etc.
Interessante observar que esses adeptos se baseiam em escritos de Allan Kardec e se arvoram em intérpretes autênticos do mestre, incidindo no velho engano de tomar o todo pela parte.
Alguns preferem substituir a sabedoria e beleza dos Evangelhos, interpretados em espírito, que é a base firme da Doutrina Espírita, na sua contextura moral, por teorias psicológicas e parapsicológicas com forte influência materialista.
Ora, o espírita atento e estudioso sabe que toda a Codificação reafirma a Doutrina do Cristo constante dos Evangelhos e não a ensinada e desvirtuada pelas Igrejas.
Allan Kardec, em diversas passagens, confirmou essa verdade. Daí porque fica difícil entender como pessoas inteligentes e conhecedoras da Doutrina Espírita enveredem pelo divisionismo das interpretações pessoais, invocando justamente excertos e fragmentos que não devem ser entendidos isoladamente.
Vejamos o que diz o Codificador em algumas passagens de sua Conclusão, em “O Livro dos Espíritos”:
“VIII — Ensinam os Espíritos qualquer moral nova, qualquer coisa superior ao que disse o Cristo? Se a moral deles não é senão a do Evangelho, de que serve o Espiritismo? Este raciocínio se assemelha notavelmente ao do califa Omar, com relação à biblioteca de Alexandria: 'Se ela não contém, dizia ele, mais do que está no Alcorão, é inútil. Logo deve ser queimada. Se contém coisa diversa, é nociva. Logo, também deve ser queimada”.
Não, o Espiritismo não traz moral diferente da de Jesus. Mas, perguntamos, por nossa vez: Antes que viesse o Cristo, não tinham os homens a lei dada por Deus a Moisés? A doutrina do Cristo não se acha contida no Decálogo? Dir-se-á, por isso, que a moral de Jesus era inútil? Perguntaremos, ainda, aos que negam utilidade à moral espírita: Por que tão pouco praticada é a do Cristo? E por que, exatamente os que com justiça lhe proclamam a sublimidade, são os primeiros a violar-lhe o preceito capital: o da caridade universal? Os Espíritos vêm não só confirmá-la, mas também mostrar-nos a sua utilidade prática. Tornam inteligíveis e patentes verdades que haviam sido ensinadas sob a forma alegórica. E, justamente com a moral, trazem-nos a definição dos mais abstratos problemas da psicologia.
Jesus veio mostrar aos homens o caminho do verdadeiro bem. Por que, tendo-o enviado para fazer lembrada sua lei que estava esquecida, não havia Deus de enviar hoje os Espíritos, a fim de a lembrarem novamente aos homens, e com maior precisão, quando eles a olvidam, para tudo sacrificar ao orgulho e à cobiça?” (Os grifos são nossos, para acentuar a clareza do pensamento de Kardec.)
Vamos transcrever ainda da Conclusão de Kardec, o que ele adverte a respeito do entendimento de partes controvertidas, visando a evitar rivalidades no seio do Movimento:
“IX... - Antagonismo só poderia existir entre os que querem o bem e os que quisessem ou praticassem o mal. Ora, não há espírita sincero e compenetrado das grandes máximas morais ensinadas pelos Espíritos que possa querer o mal, nem desejar mal ao seu próximo, sem distinção de opiniões. Se errônea for alguma destas, cedo ou tarde a luz para ela brilhará, se a buscar de boa-fé e sem prevenções.”
..............................................
“O argumento supremo deve ser a razão. A moderação garantirá a melhor vitória da verdade do que as diatribes envenenadas pela inveja e pelo ciúme.”
Em “O Evangelho segundo o Espiritismo” eis o comentário a respeito da Coragem da fé — cap. XXIV`pág. 352, item 16 da 112ª ed. FEB:
“Assim será com os adeptos do Espiritismo. Pois que a doutrina que professam mais não é do que o desenvolvimento e a aplicação da do Evangelho, também a eles se dirigem as palavras do Cristo. Eles semeiam na Terra o que colherão na vida espiritual. Colherão lá os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza.”
Maior clareza dos Espíritos e do Codificador sobre a estreita vinculação do Evangelho com a Doutrina Espírita seria exigência descabida.
Resta ao trabalhador sincero das hostes espiritistas traçar sua própria trajetória no sentido do bem, sem se preocupar em demasia com as dificuldades do caminho, com as provocações que antes são convites ao desvio de rota.
Para isso a própria Doutrina nos esclarece da necessidade da vigilância constante, uma vez que, sem ela, sempre há o perigo da tentação da discussão desnecessária, do revide, da polêmica oca tão ao sabor dos vaidosos, dos descomprometidos com a Doutrina e com o Evangelho do Mestre.

Reformador Agosto 1997
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 17:58

LINK DO POST | COMENTAR | favorito
Terça-feira, 26 de Julho de 2011

RECONHECE-SE O BEM PELAS SUAS OBRAS

No capítulo XVII, item 4, de O Evangelho segundo o Espiritismo, edição FEB, encontramos uma frase de Kardec muito citada nas palestras espíritas:
“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más”.
Nesse mesmo capítulo, item 1, Kardec cita os versículos 44, 46 a 48, do capítulo 5, do Evangelho de Mateus, com a recomendação de Jesus para amarmos os nossos inimigos, fazermos o bem aos que nos odeiam e orarmos pelos que nos perseguem e caluniam.
Pois se amarmos apenas os que nos amam e se saudarmos somente os nossos irmãos estaremos fazendo o mesmo que os publicanos e pagãos já faziam. E termina Jesus:
“– Sede, pois, vós outros, perfeitos como perfeito é o vosso Pai celestial” (entenda-se aqui a perfeição relativa, ou da caridade ampla, que abrange todas as virtudes).
Exemplo: ao tomar café-da--manhã com a família, sua filha derrama café em sua camisa branca de trabalho. Você não tem controle sobre isso, mas sua ação, em seguida, pode provocar uma reação em cadeia.
Primeira hipótese: Você briga com sua filha e ela chora, critica sua esposa por ter colocado a xícara muito na beirada da mesa e começa uma discussão. Você fica estressado e troca a camisa. Sua filha continua chorando e perde o ônibus escolar. Sua esposa vai para o trabalho chateada. Você tem que levar sua filha de carro para a escola. Como está atrasado, dirige em alta velocidade e é multado.
Discute com o guarda e perde mais 15 minutos. Quando chega à escola, sua filha entra e não se despede de você. Ao chegar atrasado ao escritório, percebe que esqueceu sua pasta. Ansioso para o dia acabar, quando chega a casa, sua esposa e filha estão aborrecidas com você. Tudo isso por causa de sua reação ao café derramado na camisa.
Segunda hipótese: o café cai na sua camisa e você diz, gentilmente, à filha: – Não fique triste, acidentes acontecem. Troca de camisa, dá um beijo em sua esposa e na filha e, antes de sair de carro para o escritório, vê a filha, ao longe, pegando o ônibus e lhe acenando adeus com uma das mãos.
A situação foi a mesma, mas sua reação pode determinar se seu dia será bom ou ruim.
Segundo Kardec, o homem de bem:
• cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade em sua maior pureza, consulta sua consciência para saber se violou essa lei, se fez todo o bem que podia;
• tem fé na bondade, na justiça e na sabedoria de Deus e se submete à sua Vontade;
• tem fé no futuro, colocando os bens espirituais acima dos temporais;
• aceita as dificuldades da vida como provas ou expiações;
• faz o bem pelo bem, retribui o mal com o bem e sacrifica seus interesses à justiça;
• pensa primeiro nos outros antes de pensar em si mesmo e faz o bem com satisfação; o egoísta, ao contrário, calcula as vantagens e os prejuízos de sua ação;
• vê todas as pessoas como irmãs;
• respeita as crenças alheias;
• não alimenta ódio nem desejo de vingança;
• perdoa e esquece as ofensas;
• é tolerante com as fraquezas alheias, pois sabe que precisa de tolerância para com as suas;
• não comenta os defeitos alheios, mas se obrigado a isso, procura ver o lado bom das pessoas;
• estuda as próprias imperfeições e trabalha incessantemente para corrigi-las;
• é modesto com as próprias qualidades e procura destacar as dos outros;
• usa os bens que possui sem vaidade e com consciência;
• trata com respeito seus superiores, e com bondade e simplicidade seus subordinados;
• respeita todos os direitos naturais do próximo como deseja que sejam respeitados os seus. (Op. cit., item 3.)
Conclui Kardec que não ficam assim enumeradas todas as qualidades do homem de bem, mas, quem se esforçar em praticá-las encontra-se no caminho que conduz a todas as demais qualidades.
Em seguida, tratando sobre os bons espíritas, ele informa que, bem compreendido e bem sentido, o Espiritismo leva-nos à condição de homem de bem.“[...] O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.” (Op. cit., item 4.)
Infelizmente, muitas pessoas acham que a moral espírita ou cristã se aplica às outras pessoas e não a si próprias. A Doutrina Espírita é muito clara, não necessita de uma inteligência fora do comum para praticá-la. Prova disso é que muitas pessoas sem instrução compreendem perfeitamente o Espiritismo, enquanto que outras, mesmo possuindo muito estudo, não o aceitam. O mesmo ocorreu com os apóstolos de Jesus e os cristãos... Quanto mais espiritualizada, mais facilmente a pessoa compreende as mensagens da vida espiritual... É preciso, pois, domínio sobre a matéria... Daí a conclusão de Allan Kardec, citada na introdução: “Reconhece-se o verdadeiro espírita [...]”.
Quando percebermos e pusermos em prática os amoráveis conselhos do Mestre Divino, certamente reconheceremos as vantagens de vivermos em harmonia com o nosso próximo. Em O Livro dos Espíritos, temos algumas informações fundamentais para uma vida melhor. Uma delas é a de que a fonte de nossos sofrimentos se baseia em dois sentimentos: egoísmo e orgulho. A outra é a de que uma só coisa é necessária para vivermos bem: devotamento ao próximo, ou seja, vivenciar o amor na sua mais alta expressão.
Assim, pelo devotamento e abnegação, dizem os bons Espíritos, estaremos pondo em prática a mais excelsa das virtudes: a Caridade.
Quando entendermos isso, estaremos no caminho que nos tornará homens e mulheres bons.

Reformador Junho 2010
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 20:38

LINK DO POST | COMENTAR | favorito
Sexta-feira, 10 de Junho de 2011

A EFICÁCIA DA PRECE EM FAVOR DO SUICIDA

A oração é um recurso mental de poder extraordinário.
Podemos orar pelos encarnados e pelos desencarnados, por nós mesmos e pelos outros.
Através da oração não podemos mudar o curso dos resgates necessários, em nós ou nos outros, mas podemos confortar e ser confortados. Quando bem utilizada, ela amplia a nossa receptividade, favorecendo aos bons Espíritos, nos inspirarem.
Quantos problemas poderiam ter morrido no nascedouro, se o recurso da oração sincera tivesse sido utilizado!
A oração feita com amor gera ondas mentais, que se propagam no espaço em direção ao alvo para o qual é endereçada. No caso específico de Espíritos sofredores, ela proporciona alívio e conforto espiritual.
No entanto, muitas pessoas, mesmo aquelas que são conhecedoras do poder da oração, externam certa dúvida, quando se trata de orar pelos que se suicidaram.
Certamente supõem que o suicida, sofredor de dores inimagináveis, como descrevem algumas obras espíritas, permanecendo longo período em total perturbação, dispensariam o recurso da oração.
É como se imaginassem um determinismo, que a oração não poderia mudar.
Comete grande equívoco quem defende esta tese. É no mínimo uma prova de desconhecimento a respeito do assunto.
Os efeitos da prece acontecem através de mecanismos não totalmente conhecidos por nós, humanos.
Os relatos feitos por desencarnados, que foram vítimas de suicídio, comprovam a eficácia da prece e revelam ser uma importante caridade, realizada em benefício destes sofredores.
Ela é um recurso algumas vezes esquecido, porém, poderoso em qualquer circunstância.
Claro que não podemos interpretá-la como um recurso mágico para isentar o devedor do débito.
Mas com certeza lhe dará conforto e forças para reagir, impedindo, em alguns Espíritos, o prolongamento desnecessário do seu sofrimento.
Para melhor esclarecimento a respeito do assunto, consideraremos duas situações, colhidas do livro Memórias de um Suicida, ed. FEB, recebido mediunicamente por Yvonne do Amaral Pereira:
a) Espíritos resgatados das zonas de sofrimento, em recuperação nas colônias espirituais – comentário de Camilo Cândido Botelho:
Da Terra, todavia, não eram raras as vezes que discípulos de Allan Kardec [...] emitiam pensamentos caridosos em nosso favor, visitando-nos frequentemente através de correntes mentais vigorosas que a Prece santificava, tornando-as ungidas de ternura e compaixão, as quais caíam no recesso de nossas almas cruciadas e esquecidas, quais fulgores de consoladora esperança! (Op. cit., cap. Jerônimo de Araújo Silveira e família, p. 105-106.)
b) Espíritos ainda não resgatados – comentário de Yvonne Pereira:
Certa vez, há cerca de vinte anos, um dos meus dedicados educadores espirituais – Charles – levou-me a um cemitério público do Rio de Janeiro, a fim de visitarmos um suicida que rondava os próprios despojos em putrefação. [...] Estava enlouquecido, atordoado, por vezes furioso, sem se poder acalmar para raciocinar, insensível a toda e qualquer vibração que não fosse a sua imensa desgraça! [...] E Charles, tristemente, com acento indefinível de ternura, falou:
– “Aqui, só a prece terá virtude capaz de se impor! Será o único bálsamo que poderemos destilar em seu favor, santo bastante para, após certo período de tempo, poder aliviá-lo...” [...] (Op. cit., cap. Os réprobos, Nota da médium no 3, p. 49.)
De acordo com o exposto, não poderá restar dúvida sobre a eficácia da prece. E no caso específico do suicídio, podemos afirmar que é o único recurso de que nós, encarnados, dispomos para, com certeza, aliviar o sofrimento imenso causado por tão enganosa solução.
Abaixo, transcrevemos um trecho do diálogo entre Divaldo Pereira Franco e o Espírito de um suicida, que sofreu vários anos os efeitos dolorosos da sua precipitada ação (do livro O Semeador de Estrelas de Suely Caldas Schubert):
[...] Dei-me conta, então, que a morte não me matara e que alguém pedia a Deus por mim.
Lembrei-me de Deus, de minha mãe, que já havia morrido. Comecei a refletir que eu não tinha o direito de ter feito aquilo, passei a ouvir alguém dizendo:
“Ele não fez por mal. Ele não quis matar-se”. Até que um dia esta força foi tão grande que me atraiu; aí eu vi você nesta janela, chamando por mim.
– Eu perguntei – continuou o Espírito – quem é? Quem está pedindo a Deus por mim, com tanto carinho, com tanta misericórdia? Mamãe surgiu e esclareceu-me:
– É uma alma que ora pelos desgraçados.
– Comovi-me, chorei muito e a partir daí passei a vir aqui, sempre que você me chamava pelo nome.
Dá para perceber, nestes dois exemplos, que a oração, também para os casos de suicídio, tem o poder de lenir a dor e aplacar o desespero da vítima. Nestas condições, poderá acontecer a mudança gradativa dos painéis mentais (gerados pelo sentimento de culpa), à medida que surge o arrependimento sincero, proporcionando aos samaritanos da Espiritualidade resgatarem a vítima, que ainda se encontre nas regiões de sofrimento, para uma colônia espiritual.
Reformador Nov.09
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 18:29

LINK DO POST | COMENTAR | favorito
Domingo, 1 de Maio de 2011

PORQUE TE PERSEGUEM?

 Porque não sou do mundo. Antes da formação do mundo eu já existia.
Vivia em outras esferas, formadas antes da criação do vosso sistema planetário.
Aguardava a emancipação do vosso planeta para me instalar no seio da Humanidade que o habita. Falo da emancipação do pensamento. Do pensamento do homem que atingiu o cume da compreensão. Do homem que se capacitou para aceitar o que ocorre nos planos superiores do Universo.
Nos dias tumultuosos do século passado recebi ordem para me instalar no vosso planeta. Essa ordem emanou de quem dirige o Universo, Desci, afinal, ao mundo das sombras para iluminá-lo com as claridades divinas. Sucede que o meu aparecimento deu origem a sério desapontamento no seio das organizações científicas filosóficas e religiosas.
Tal desapontamento não me surpreendeu levando em conta a maneira por que foram tratados todos os Instrutores morais da Humanidade, inclusive o Cristo, com o qual colaboro e vivo irmanado. Como é sabido, o Cristo, em outros tempos, fora apontado como emissário do demônio, o mesmo conceito fazem de mim apesar de ter vindo ao mundo em meados do "século das luzes".
Tudo tenho feito em benefício da Humanidade, sem me afastar das sábias diretrizes traçadas por Jesus.
Faz pouco mais de um século que desci ao mundo, contando, hoje em dia, com a colaboração de milhões de pessoas espalhadas por todos os cantos da Terra. Os meus colaboradores são os trabalhadores da última hora que se inspiram nas luminosas lições do Evangelho.
A minha bandeira é assaz expressiva. Ela tem por divisa: - "Fora da caridade não há salvação". Essa divisa é suficiente para que e seja julgado pelos homens de sã consciência.
Dei aos homens a certeza absoluta da sobrevivência da alma, após a destruição da forma física.
Abri as cortinas que ocultavam aos homem o belo panorama do mundo espiritual.
Escancarei as portas do Infinito para que os homens se certificassem da habitabilidade dos mundos espalhados pelo Cosmos.
Restabeleci no Planeta, mediante provas irretorquíveis, a Lei dos renascimentos, ensinada nas escolas filosóficas do passado.
Para os involuídos aconselho a paciência a prece. O fruto só amadurece no tempo preciso.
No Terceiro Milênio toda a Humanidade aceitará a minha doutrina, que é, incontestavelmente, de caráter universal.
Não combato nenhuma idéia religiosa. Limito-me, apenas, a ensinar aos homens a verdade em todo o seu esplendor, sem me preocupar com a incompreensão de muitos.
Queres que te diga o meu nome? Sou o Consolador. Sou o Espiritismo Cristão. Sou o Restaurador das verdades do Evangelho.
Já sabes porque me perseguem.

 Fonte: Reformador - fevereiro, 1964
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 16:10

LINK DO POST | COMENTAR | favorito
Quarta-feira, 9 de Março de 2011

NA DIFUSÃO DO ESPIRITISMO

“E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos se não desfalecermos.” — Paulo.
(GÁLATAS, 6:9.)

Difundamos sempre o Bem — falando, escrevendo e, sobretudo, esforçando-nos por sua exemplificação na vida cotidiana — mesmo que o mal resida ainda em nós, retendo-nos nas faixas da insegurança.
Divulgando-o, em todas as suas faces, esta¬remos não só consolidando o “pouco” já adquirido, mas, também, induzindo os que nos ouvem, nos lêem e nos observam, a que amem o Bem e ao Bem procurem afeiçoar-se.
Falemos, escrevamos e exemplifiquemos o Bem, segundo nossas possibilidades, ainda que se não tenha ele instalado em nossa alma, de forma definitiva.
Falemos de tudo que edifica.
Da Alegria — ainda que, muita vez, seja¬mos surpreendidos pelo desalento injustificável...
Do Altruísmo — embora observando que o egoísmo ainda se não ausentou de nossa realidade espiritual...
Do Desprendimento — como recurso à felicidade maior, mesmo que sintamos, em nós, o apego aos bens perecíveis...
Da Simplicidade — ainda que a ostentação, interior e exterior, fale de nossa condição...
Da Humildade — por sublime virtude evangélica, notando, embora, que o orgulho ainda é um companheiro semimorto nos escaninhos do nosso pensamento
Do Equilíbrio — por norma de engrandecimento moral; mesmo verificando que ainda não apresentamos condições para vivê-lo integral e plenamente...
Utilizemos as energias de que dispomos para exemplificar o Bem junto aos nossos semelhantes, como precioso recurso de aproximação fraterna, embora ainda não o possamos praticar da maneira preceituada pelo Evangelho do Reino e pela Doutrina Espírita.
*
A orientação do doutor de Tarso é oportuna e convincente, inclusive sob o ponto de vista da lei de Causa e Efeito, da qual o Espiritismo se fez também arauto: “E não nos cansemos de fazer o Bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos.
Sim, companheiros de Ideal Espírita, difundam os sempre as coisas que edificam e constroem para a Eternidade.
Não consintamos que a nossa boca ou as nossas mãos se prestem à inglória tarefa de, pela palavra e pela pena, expandir o mal.
Nossas imperfeições não nos dão o direito de apologizarmos o mal, em qualquer de suas expressões; apesar delas, sentimos o imperativo de enaltecer da vida, que é tão sublime e bela em seus objetivos, o lado bom, a fim de, que, servindo-nos ainda da inspiração de Paulo, não tenhamos a boca “cheia de maldição e de amargura”.
Emmanuel, iluminado Instrutor, no sentido mais exato que a palavra encerra, acentua, em educativa mensagem, que “a disciplina antecede a espontaneidade” — frase que, em nosso entendimento, pode ser assim traduzida: Até que atinjamos posição espiritual em que a atividade no Bem se realize com naturalidade, cabe-nos o imperativo de praticá-lo, contrariando, inclusive, nossos impulsos e sentimentos.
A evolução é fruto de constante esforço. Quem se entrega ao erro, ao erro se escraviza; quem dele sai, reintegra-se no equilíbrio, renova-se para a Luz.
*
Difundamos e pratiquemos, incansavelmente, tudo quanto, pelo conhecimento já adquirido, constitui a razão de ser de nossas lutas e aspirações atuais — e que, no Grande Porvir, será luminosa e definitiva realidade em nosso caminho.
Usemos a palavra e a pena em favor do que é bom, do que ajuda, harmoniza e constrói; no entanto, é imprescindível não esqueçamos o imperativo da aplicação do que difundimos.
Todo o nosso empenho deve ser no sentido de nunca desmentirmos o que pregamos, muito embora nem sempre isto seja possível, dada a fragilidade de nossas conquistas espirituais.
Eventuais desacertos e enganos, consequen¬tes da instabilidade que ainda assinala nossa posição evolutiva, não devem nem podem justificar, em hipótese alguma, transformemo-nos em semeadores do desânimo e do egoísmo, da avareza e da ostentação, do orgulho e do desequilíbrio.
Nosso dever imperioso, na difusão do Espiritismo, consiste em fazermos que nossas mãos e bocas veiculem sempre, em quaisquer circunstâncias de nossa vida, a frase de esclarecimento e de consolação. Falando, escrevendo e praticando, na medida de nossos recursos, o Infinito Bem, contribuiremos para que a Doutrina Espírita, sob o radioso pálio do Evangelho do Senhor, cumpra, por divino emissário da Esperança e da Caridade, seus objetivos junto ao coração humano.

Fonte: Reformador – agosto, 1964
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 15:30

LINK DO POST | COMENTAR | favorito
Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011

NINGUÉM SE CASA COM A PESSOA ERRADA


Com tristeza, verificamos no seio das atuais sociedades ocidentais de nosso planeta, e de modo já bastante arraigado no Brasil, a prática abusiva dos divórcios, dos ajuntamentos clandestinos, das separações irresponsáveis com o abandono da família e dos escândalos recheados de cinismo.

E mais: há até quem chega ao exagero de manifestar propósitos relacionados com a extinção ou abolição do casamento, como se tratasse de costume desnecessário.

A propósito, no momento em que rascunhamos este trabalho, somos chamados à atenção, por nossa esposa, para mais um escândalo através da mídia relacionado com o número excessivo de adolescentes grávidas entre 10 e 19 anos. São mães solteiras que, em sua maioria, terão de abandonar a escola para cuidar de filhos sem pais! O próprio Ministro da Saúde se mostra preocupado, achando que tal situação tão seriamente desoladora é conseqüência dos maus exemplos oferecidos pelos adultos. Aliás, a essa situação de se procurar pôr filhos no mundo, na condição de mães solteiras, o ministro cognominou de produção independente. Independente quanto ao arbítrio, sim; mas de modo algum quanto às conseqüências que acarreta às suas famílias, a esses filhos e ao próprio Estado.

O caso é citado aqui dada a oportunidade do assunto e em face de uma entrevista que acompanháramos, não faz muito tempo, quando um juiz da infância e da juventude orientava a uma mãe solteira, dizendo-lhe que filho vem ao mundo para ter pai e mãe, que a sua educação precisa contar com esse duplo apoio. Dava a entender a todos que estavam presentes àquela solene audiência ser essa a função primacial do casamento: assistência e educação aos filhos, com vistas ao bem-estar e defesa da própria sociedade.

Realmente, essa é a finalidade essencial do casamento num mundo que valoriza a civilização. Caso contrário, a Ciência Espírita, que se encontra na Terra por determinação divina, desde abril de 1857, não lhe daria enfoque tão elevado nas questões 695 a 699 de “O Livro dos Espíritos”, obra máxima do Espiritismo.

Não se trata de mero comentário. É manifestação dos Espíritos superiores por determinação divina, através da mediunidade, advertindo o homem planetário quanto à sua responsabilidade de criatura de Deus presa no escafandro carnal.

Já temos tido diversas oportunidades de tratar desse assunto em palestras nas casas espíritas. E, aqui, ele vem a propósito de uma interessante reportagem, na televisão, a respeito das causas de divórcios ou separações de casais, em que se tenta demonstrar que a razão dos fatos deve encontrar-se nos casamentos indevidos, quando alguém se consorcia com a pessoa errada. Se os homens atentassem bem nos ensinos do Evangelho, pensariam melhor antes de externar certos juízos relacionados com as separações no casamento.

Vejamos de que modo Jesus respondeu aos fariseus, quando, para tentá-lo, indagaram se era lícito ao homem abandonar a sua mulher por qualquer motivo. E como o Mestre respondesse em sentido contrário, citando a lei divina, eles perguntaram por que Moisés mandou dar-lhe carta de divórcio e abandoná-la?

E Jesus, Cristo de Deus, responde-lhes com estas palavras: “Moisés, por causa da dureza de vossos corações, vos permitiu repudiar as vossas mulheres; mas no princípio não foi assim” (Mateus, 19:3-8).

A bem da verdade, ninguém casa com a pessoa errada, seja qual tenha sido o móvel do casamento. Enganam-se os que assim pensam. Os casamentos são sempre acertados ou melhor preparados na vida espiritual, em face dos desacertos, abusos, crimes ou incontinência moral praticados em encarnações anteriores. De modo que os Espíritos comprometidos com a lei divina, no passado, reencarnam com o fim de reparar esses males que envolveram, até mesmo, os que virão depois na condição de filhos.

A reencarnação é a grande e luminosa forma de aperfeiçoamento das almas e reparação dos erros em que se comprometeram por desatentas às leis que regem a Vida. Um dia, quando a Humanidade toda atentar no papel do Espiritismo no mundo, compreenderão que ele não veio para destruir as religiões, pelo contrário, veio para iluminá-las, esclarecendo-as, sobre a lei das vidas múltiplas como meio de purificação dos Espíritos. Nesse dia, todos compreenderão melhor a importante função do casamento.

Compreenderão todos que não há, e nunca houve, casamento errado, nem mesmo no tempo em que os casamentos eram determinados pela tirania dos pais, em face de interesses de ordem econômica e social; nem mesmo quando, ainda hoje, alguém se aproxima de uma mulher ou de um homem com intenções levianas!... Ah, homens do mundo como sois imperfeitos e atrasados, mesmo quando vos vangloriais de vossos títulos acadêmicos!

Cada indivíduo está casado ou vai casar-se com a pessoa certa, com quem se comprometeu na teia dos desatinos e das paixões, num passado distante. O que ocorre é que, após o enlevo das fantasias à qual dão o nome de paixão, caem as máscaras e cada um passa a ver o outro tal como ele é. Porque os casamentos, em nossas sociedades, ainda são provacionais em sua grande maioria. Estudai bem, homens do mundo, a Revelação Espírita.

Há os casamentos de almas que não se rebelam diante do realismo de suas provas ou expiações. E esses são tidos como felizes. E os filhos que deles se originam dispõem de melhor condição de se prepararem para a vida. São casamentos felizes, muitas vezes na aparência, porque representam uniões de almas um pouco mais evolvidas no processo de seu caminhar incessante na direção do infinito bem.

Naqueles lares, porém, onde os pais reagem ou se rebelam diante da prova ou da expiação, os filhos se sentem infelizes e correm riscos sérios em relação à sua formação social, por cujos desajustes os pais responderão mais tarde.

Os divórcios ou separações ocorrem em função do livre-arbítrio de cada casal ou do cônjuge responsável, mas não se encerram aí. Esses Espíritos deverão encontrar-se mais adiante, no roteiro da marcha evolutiva, depois de sofrerem bastante, no cumprimento dos compromissos que retardaram!...

INALDO LACERDA LIMA
Reformador Dez/99
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 13:45

LINK DO POST | COMENTAR | favorito
Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

CELIBATO, MONOGAMIA E POLIGAMIA

Que requisitos deve preencher uma pessoa que se propõe a ser um “condutor de almas”, assim entendido aquele que se dedica a ensinar os valores espirituais eternos, que tornam a criatura melhor e a aproximam do Criador?

Na atualidade, ainda se acredita que tais pessoas devam revestir a aura de pureza ou “santidade” e ser submetidas aos rigores do celibatarismo, em renúncia a muitos prazeres da vida, inclusive às alegrias do casamento, da prole. Onde, porém, encontrar, na Terra – planeta de provas e expiações – ministros religiosos com tais predicados, em número suficiente para encetar tarefa de tamanha envergadura, perante bilhões de almas em evolução, ainda encarceradas nas teias da ignorância?

Jesus, em seu ministério de amor e libertação, jamais preconizou tal exigência como condição absoluta para os trabalhadores do bem, tanto que escolheu como seus seguidores diretos pessoas comuns como nós, de todas as classes sociais, solteiros ou casados. Ao tratar da Lei de Reprodução, no Livro Terceiro, capítulo IV, questões698 a 701, de O Livro dos Espíritos, Kardec também questionou os Espíritos superiores sobre o celibato, a monogamia e a poligamia, recebendo dos mentores celestes respostas lógicas e consistentes.

A palavra celibato provém do latim cælibatus, definido literalmente como “não casado”, nome utilizado para designar uma pessoa que se mantém solteira, mas que não está compromissada com a castidade ou impedida de ter relações sexuais. Comumente, porém, a palavra é associada à condição da pessoa que optou pela abstinência [jejum] sexual, que decidiu não se casar para assumir outro compromisso, como acontece, por exemplo, no caso de certos religiosos. O celibato, especialmente no Ocidente, no seio do catolicismo, é um cânone ao qual deve aderir, obrigatoriamente, todo aquele que opta pela carreira eclesiástica. Muitos religiosos, sobretudo quando são jovens, não raro influenciados pela família, pela sociedade, acreditam que terão condições de suportar uma vida de castidade, mas depois de ordenados não se adaptam aos hábitos monásticos. Ocorre que o celibato obrigatório, em oposição às leis naturais, nem sempre contempla as necessidades íntimas de cada um. É que a pessoa pode, eventualmente, ter vocação para ser um excelente religioso, mas não suportar a vida celibatária.

Não são poucos os religiosos, sobretudo do sexo masculino, que abandonam a carreira eclesiástica para se casarem.Autodenominam--se “padres casados”, e muitos deles continuam ministrando ofícios religiosos, à margem do Clero. São também chamados de “egressos” e, pelo que consta, em sua grande maioria, dão exemplos de conduta cristã em família. De acordo com o site da “Associação Rumos – Movimento Nacional das Famílias dos Padres Casados”, com sede em Brasília (DF), a entidade “não é um grupo de contestação contra a Igreja Católica Romana ou qualquer autoridade eclesiástica”. O objetivo da instituição é buscar o “diálogo com as instituições, Organismos Religiosos e Sociais, dentro de uma perspectiva ecumênica”, bem assim obter o “reconhecimento do ministério dos padres casados, a implantação do celibato opcional na Igreja Católica Romana e a valorização do papel da mulher na Igreja”.1 Segundo seus organizadores, os padres casados estão em toda parte. Formam um exército de pelo menos 100 mil homens, 5% deles no Brasil. [...] Por terem contraído matrimônio, com ou sem a necessária dispensa do compromisso do celibato concedida unicamente pelo papa, esses homens foram excluídos do ministério sacerdotal, não por vontade própria, mas por imposição de uma disciplina multissecular.2 Reportagem publicada em conhecida revista de circulação nacional alerta que o conflito com o celibato na Igreja Católica é um dos grandes desafios do sacerdócio. Perturba os padres há séculos e continua sendo um dos problemas mais sérios do Vaticano.3

Existem aqueles que realmente estão em condições espirituais de subjugar o instinto sexual pelo exercício do amor universal. Essas pessoas, voluntariamente, vivenciam a castidade e optam pela abstinência do sexo para se dedicarem mais intensamente ao cumprimento de tarefas nobres, seja no campo intelectual, seja no assistencial ou religioso, sem que com isso tenham descompensações graves na área afetiva, capazes de lhes tirarem o equilíbrio, apesar das severas tentações que muitas vezes experimentam.

Mencione-se como exemplo Francisco Cândido Xavier e Madre Teresa de Calcutá, entre tantos outros missionários das mais diversas atividades humanas, inclusive nas áreas científica e filosófica, os quais renunciaram à vida conjugal em benefício da Humanidade. Nesses missionários, não se estancou o fluxo das energias criadoras do sexo, que foram direcionadas para outros objetivos nobres. Qualquer pessoa, principalmente o jovem solteiro, o homem ou a mulher solitários, o viúvo, independente de sua evolução, pode canalizar suas energias criadoras para o esporte, para as artes, para a caridade, para o trabalho edificante, como forma de atenuar as labaredas dos instintos que ainda se hospedam no animal racional.

Apesar de ser um ardoroso defensor da castidade, o apóstolo Paulo deu a entender que o celibato não era para todos, indistintamente, tanto que ressalvou, na 1a Epístola aos Coríntios (7:9): “Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se”. O celibato imposto é uma distorção que tem levado muitos religiosos a abandonar as fileiras do sacerdócio. Outros, apesar de permanecerem reclusos nos conventos e nas igrejas, pelos mais diversos motivos, tornam-se infelizes e estão sujeitos a desregramentos sexuais lamentáveis, com grande desprestígio para o movimento religioso a que se vincularam e em prejuízo deles próprios, conduta que provoca desarmonias e perturbações de toda ordem.

Desse modo, o celibatarismo em si não é um ato meritório, podendo sê-lo, entretanto, quando a opção é tomada em prol da Humanidade, com a finalidade de ser útil ao próximo, sem ideias egoístas, como fez Padre Germano, que honrou a batina até o fim, servindo aos pobres e aos humildes.4

Essa constatação, porém, não exclui os efeitos positivos do ascetismo consciente, no plano individual, muitas vezes escolhido pelo Espírito antes da encarnação como forma de conquistar a autodisciplina ou como forma de resgatar débitos do pretérito: [...] Todo sacrifício pessoal, tendo em vista o bem e sem qualquer ideia egoísta, eleva o homem acima da sua condição material.5

Em outro extremo, encontramos a poligamia que, como o nome indica, é a união conjugal de uma pessoa com várias outras, pertencendo ao gênero do qual é espécie a poliginia e a poliandria.A poliginia serve para designar a união de um homem com muitas mulheres. No mesmo padrão, temos a poliandria, que é a união de uma mulher com vários homens. A monogamia, por seu lado, expressa a cultura em que o homem e a mulher têm apenas um cônjuge. No Planeta, mais especificamente na África e no Oriente, ainda existem povos que cultuam a poligamia, cuja extinção vem ocorrendo gradualmente, com o passar dos milênios, o que caracteriza o fim de um ciclo de etapas do progresso humano.

Embora em alguns casos imposta sob rótulos religiosos, trata-se de uma cultura protegida, em determinados países, pela legislação transitória dos homens, costume proveniente das eras remotas, em que prevalecia o estado de natureza, e também das sociedades patriarcais e matriarcais da Antiguidade, em que se exacerbavam os instintos animais, favorecendo a promiscuidade sexual. Por fim, o casamento monogâmico deve fundar-se na afeição dos seres que se unem, o que já não ocorre na poligamia, em que não existe afeição real, mas apenas sensualidade. A monogamia, portanto, é a união mais em consonância com a lei do progresso, porque estimula o aperfeiçoamento dos laços de sentimento entre o casal. Para servir a Deus, entretanto, não importa se somos adeptos dessa ou daquela religião. O que interessa mesmo é o cultivo sincero da conduta ética em sintonia com os ensinos do Cristo que se refletem no pensamento atribuído a Gandhi: “Sê tu a mudança que queres ver no mundo”.

Reformador Nov.2010

1 Disponível em:
[Error: Irreparable invalid markup ('<http:>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

<div style="text-align: justify;">Que requisitos deve preencher uma pessoa que se propõe a ser um “condutor de almas”, assim entendido aquele que se dedica a ensinar os valores espirituais eternos, que tornam a criatura melhor e a aproximam do Criador?</div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Na atualidade, ainda se acredita que tais pessoas devam revestir a aura de pureza ou “santidade” e ser submetidas aos rigores do celibatarismo, em renúncia a muitos prazeres da vida, inclusive às alegrias do casamento, da prole. Onde, porém, encontrar, na Terra – planeta de provas e expiações – ministros religiosos com tais predicados, em número suficiente para encetar tarefa de tamanha envergadura, perante bilhões de almas em evolução, ainda encarceradas nas teias da ignorância?</div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Jesus, em seu ministério de amor e libertação, jamais preconizou tal exigência como condição absoluta para os trabalhadores do bem, tanto que escolheu como seus seguidores diretos pessoas comuns como nós, de todas as classes sociais, solteiros ou casados. Ao tratar da Lei de Reprodução, no Livro Terceiro, capítulo IV, questões698 a 701, de O Livro dos Espíritos, Kardec também questionou os Espíritos superiores sobre o celibato, a monogamia e a poligamia, recebendo dos mentores celestes respostas lógicas e consistentes.</div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">A palavra celibato provém do latim cælibatus, definido literalmente como “não casado”, nome utilizado para designar uma pessoa que se mantém solteira, mas que não está compromissada com a castidade ou impedida de ter relações sexuais. Comumente, porém, a palavra é associada à condição da pessoa que optou pela abstinência [jejum] sexual, que decidiu não se casar para assumir outro compromisso, como acontece, por exemplo, no caso de certos religiosos. O celibato, especialmente no Ocidente, no seio do catolicismo, é um cânone ao qual deve aderir, obrigatoriamente, todo aquele que opta pela carreira eclesiástica. Muitos religiosos, sobretudo quando são jovens, não raro influenciados pela família, pela sociedade, acreditam que terão condições de suportar uma vida de castidade, mas depois de ordenados não se adaptam aos hábitos monásticos. Ocorre que o celibato obrigatório, em oposição às leis naturais, nem sempre contempla as necessidades íntimas de cada um. É que a pessoa pode, eventualmente, ter vocação para ser um excelente religioso, mas não suportar a vida celibatária.</div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Não são poucos os religiosos, sobretudo do sexo masculino, que abandonam a carreira eclesiástica para se casarem.Autodenominam--se “padres casados”, e muitos deles continuam ministrando ofícios religiosos, à margem do Clero. São também chamados de “egressos” e, pelo que consta, em sua grande maioria, dão exemplos de conduta cristã em família. De acordo com o site da “Associação Rumos – Movimento Nacional das Famílias dos Padres Casados”, com sede em Brasília (DF), a entidade “não é um grupo de contestação contra a Igreja Católica Romana ou qualquer autoridade eclesiástica”. O objetivo da instituição é buscar o “diálogo com as instituições, Organismos Religiosos e Sociais, dentro de uma perspectiva ecumênica”, bem assim obter o “reconhecimento do ministério dos padres casados, a implantação do celibato opcional na Igreja Católica Romana e a valorização do papel da mulher na Igreja”.1 Segundo seus organizadores, os padres casados estão em toda parte. Formam um exército de pelo menos 100 mil homens, 5% deles no Brasil. [...] Por terem contraído matrimônio, com ou sem a necessária dispensa do compromisso do celibato concedida unicamente pelo papa, esses homens foram excluídos do ministério sacerdotal, não por vontade própria, mas por imposição de uma disciplina multissecular.2 Reportagem publicada em conhecida revista de circulação nacional alerta que o conflito com o celibato na Igreja Católica é um dos grandes desafios do sacerdócio. Perturba os padres há séculos e continua sendo um dos problemas mais sérios do Vaticano.3</div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Existem aqueles que realmente estão em condições espirituais de subjugar o instinto sexual pelo exercício do amor universal. Essas pessoas, voluntariamente, vivenciam a castidade e optam pela abstinência do sexo para se dedicarem mais intensamente ao cumprimento de tarefas nobres, seja no campo intelectual, seja no assistencial ou religioso, sem que com isso tenham descompensações graves na área afetiva, capazes de lhes tirarem o equilíbrio, apesar das severas tentações que muitas vezes experimentam.</div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Mencione-se como exemplo Francisco Cândido Xavier e Madre Teresa de Calcutá, entre tantos outros missionários das mais diversas atividades humanas, inclusive nas áreas científica e filosófica, os quais renunciaram à vida conjugal em benefício da Humanidade. Nesses missionários, não se estancou o fluxo das energias criadoras do sexo, que foram direcionadas para outros objetivos nobres. Qualquer pessoa, principalmente o jovem solteiro, o homem ou a mulher solitários, o viúvo, independente de sua evolução, pode canalizar suas energias criadoras para o esporte, para as artes, para a caridade, para o trabalho edificante, como forma de atenuar as labaredas dos instintos que ainda se hospedam no animal racional.</div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Apesar de ser um ardoroso defensor da castidade, o apóstolo Paulo deu a entender que o celibato não era para todos, indistintamente, tanto que ressalvou, na 1a Epístola aos Coríntios (7:9): “Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se”. O celibato imposto é uma distorção que tem levado muitos religiosos a abandonar as fileiras do sacerdócio. Outros, apesar de permanecerem reclusos nos conventos e nas igrejas, pelos mais diversos motivos, tornam-se infelizes e estão sujeitos a desregramentos sexuais lamentáveis, com grande desprestígio para o movimento religioso a que se vincularam e em prejuízo deles próprios, conduta que provoca desarmonias e perturbações de toda ordem.</div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Desse modo, o celibatarismo em si não é um ato meritório, podendo sê-lo, entretanto, quando a opção é tomada em prol da Humanidade, com a finalidade de ser útil ao próximo, sem ideias egoístas, como fez Padre Germano, que honrou a batina até o fim, servindo aos pobres e aos humildes.4 </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Essa constatação, porém, não exclui os efeitos positivos do ascetismo consciente, no plano individual, muitas vezes escolhido pelo Espírito antes da encarnação como forma de conquistar a autodisciplina ou como forma de resgatar débitos do pretérito: [...] Todo sacrifício pessoal, tendo em vista o bem e sem qualquer ideia egoísta, eleva o homem acima da sua condição material.5</div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Em outro extremo, encontramos a poligamia que, como o nome indica, é a união conjugal de uma pessoa com várias outras, pertencendo ao gênero do qual é espécie a poliginia e a poliandria.A poliginia serve para designar a união de um homem com muitas mulheres. No mesmo padrão, temos a poliandria, que é a união de uma mulher com vários homens. A monogamia, por seu lado, expressa a cultura em que o homem e a mulher têm apenas um cônjuge. No Planeta, mais especificamente na África e no Oriente, ainda existem povos que cultuam a poligamia, cuja extinção vem ocorrendo gradualmente, com o passar dos milênios, o que caracteriza o fim de um ciclo de etapas do progresso humano.</div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Embora em alguns casos imposta sob rótulos religiosos, trata-se de uma cultura protegida, em determinados países, pela legislação transitória dos homens, costume proveniente das eras remotas, em que prevalecia o estado de natureza, e também das sociedades patriarcais e matriarcais da Antiguidade, em que se exacerbavam os instintos animais, favorecendo a promiscuidade sexual. Por fim, o casamento monogâmico deve fundar-se na afeição dos seres que se unem, o que já não ocorre na poligamia, em que não existe afeição real, mas apenas sensualidade. A monogamia, portanto, é a união mais em consonância com a lei do progresso, porque estimula o aperfeiçoamento dos laços de sentimento entre o casal. Para servir a Deus, entretanto, não importa se somos adeptos dessa ou daquela religião. O que interessa mesmo é o cultivo sincero da conduta ética em sintonia com os ensinos do Cristo que se refletem no pensamento atribuído a Gandhi: “Sê tu a mudança que queres ver no mundo”.</div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Reformador Nov.2010</div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-size: xx-small;">1 Disponível em: <http: dos.org="" sobre="" www.padrescasa="">. Acesso em 26/8/2010.</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-size: xx-small;">2 Disponível em: <http: 872="" archives="" casados.org="" www.padres="">. Acesso em 26/8/2010.</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-size: xx-small;">3 LIMA, Maurício. Amores proibidos. In: Revista VEJA, São Paulo, Ed. Abril, ano 32, ed. 1.584, n. 6, p.79, 10 fev. 1999.</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-size: xx-small;">4 SOLER, Amalia Domingo. Fragmentos das memórias do Padre Germano. Pelo Espírito Padre Germano. Trad. Manuel Quintão. 1.reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008.</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-size: xx-small;">5 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Comentário de Kardec à q. 699.</span></div>
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 23:03

LINK DO POST | COMENTAR | favorito
Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

O PROBLEMA DO MAL

Desde as mais priscas eras o homem tem observado que, a par das boas coisas que tornam a vida deleitável, outras existem ou acontecem que são o reverso da medalha, isto é, só causam aflições, dores e prejuízos.
Foi, por isso, induzido a crer seja o governo do mundo partilhado por duas potestades rivais: - Deus, fonte do Bem, e Satanás, agente do Mal.
Essa crença nos dois princípios antagônicos em luta pela hegemonia foi e continua sendo a base das doutrinas religiosas de todos os povos.
Entre estes, a idéia de que uns se salvam e outros se perdem para todo o sempre é geral, havendo até quem afirme que o número dos perdidos é muito maior do que a cifra dos bem-aventurados.
Quer isso dizer que o Mal seria mais forte que o Bem, e que Satanás estaria conseguindo derrotar a Deus, frustrando-Lhe os desígnios de salvação universal.
Em que pese a ancianidade de tais conceitos, são falsos e insustentáveis, diríamos mesmo, heréticos.
Com efeito, admitir o triunfo do Maligno, a dano da Humanidade, é o mesmo que negar ao Pai Celestial os atributos da onisciência e da onipotência, sem os quais não poderia ser verdadeiramente Deus.
O Espiritismo, que é o Paracleto anunciado pelo Cristo, contrariando os ensinos da Teologia tradicional, esclarece-nos que o Bem é a única realidade eterna e absoluta em todo o Universo, sendo o Mal apenas um estado transitório, tanto no pano físico, como no campo social e na esfera espiritual.
Para que se compreenda isto, é preciso, entretanto, considerar, não as conseqüências imediatas de tudo quanto observamos, mas sim os seus efeitos mediatos, futuros, porque só estes, ao longo dos anos, dos séculos ou dos milênios, é que farão ressaltar, nitidamente, a infalibilidade da Providência Divina frente aos destinos da Criação.
Certos fenômenos geológicos, por exemplo, podem ter sido considerados catastróficos à época em que se deram; foram eles, porém, que compuseram os continentes e formaram os oceanos, emprestando-lhes os aspectos maravilhosos que hoje nos extasiam, provocando-nos arroubos de admiração.
Muitas guerras internacionais e outras tantas revoluções intestinas, embora se constituam, como de fato se constituem, dolorosos flagelos para as gerações que nelas são envolvidas, dão ensejo, por seu turno, à queda de tiranos e opressores, à extinção de preconceitos e privilégios iníquos, à mudança de costumes arcaicos, ao progresso tecnológico e quejandos, resultando daí, em favor dos pósteros (que seremos nós mesmos, em novas reencarnações), a melhoria das instituições, maior liberdade de pensamento e de expressão, uma justiça mais perfeita, maior conforto nos sistemas de transporte, de comunicações, nos lares, etc.
Quando não, é por meio delas que os maus se castigam reciprocamente, consoante o ensinamento: «quem com ferro fere, com ferro será ferido». Um dia, ainda que longínquo, cansadas de sofrer o choque de retorno de suas crueldades, ditadas pelo egoísmo, pelo orgulho e outros sentimentos que tais, as nações aprenderão a valorizar a paz, buscando-a, então, sincera e veementemente, através da fraternidade e do solidarismo cristão.
Assim também acontece com nossas almas.
Criadas simples e ignorantes, mas dotadas de aptidões para o desenvolvimento de todas as virtudes e a aquisição de toda a sabedoria, hão mister de, vida pós vida, neste orbe e em outros, passar por um processo de burilamento que muito as fará sofrer.
E’ a luta pela subsistência. São as enfermidades. As insatisfações. Os conflitos emocionais. Os desenganos. As imperfeições próprias daqueles com os quais convivemos. Enfim, as mil e uma vicissitudes da existência.
Nesse autêntico entrevero, usando e abusando do livre arbítrio, cada qual vai colhendo vitórias ou amargando derrotas, segundo o grau de experiência conquistada. Uns riem hoje, para chorarem amanhã, e outros que agora se exaltam, serão humilhados depois.
Tudo, porém, concorre para enriquecer nossa sensibilidade, aprimorar nosso caráter, fazer que se nos desabrochem novas faculdades, o que vale dizer, se dilatem nossos gozos e aumente nossa felicidade.
Bendito seja, pois, o Espiritismo, pela revelação dessa verdade, à luz da qual se nos patenteia, esplendorosamente, a Bondade infinita de Deus!
Rodolfo Calligaris
Fonte: Reformador – Janeiro - 1966
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 23:20

LINK DO POST | COMENTAR | favorito

O PROBLEMA DO MAL

Desde as mais priscas eras o homem tem observado que, a par das boas coisas que tornam a vida deleitável, outras existem ou acontecem que são o reverso da medalha, isto é, só causam aflições, dores e prejuízos.
Foi, por isso, induzido a crer seja o governo do mundo partilhado por duas potestades rivais: - Deus, fonte do Bem, e Satanás, agente do Mal.
Essa crença nos dois princípios antagônicos em luta pela hegemonia foi e continua sendo a base das doutrinas religiosas de todos os povos.
Entre estes, a idéia de que uns se salvam e outros se perdem para todo o sempre é geral, havendo até quem afirme que o número dos perdidos é muito maior do que a cifra dos bem-aventurados.
Quer isso dizer que o Mal seria mais forte que o Bem, e que Satanás estaria conseguindo derrotar a Deus, frustrando-Lhe os desígnios de salvação universal.
Em que pese a ancianidade de tais conceitos, são falsos e insustentáveis, diríamos mesmo, heréticos.
Com efeito, admitir o triunfo do Maligno, a dano da Humanidade, é o mesmo que negar ao Pai Celestial os atributos da onisciência e da onipotência, sem os quais não poderia ser verdadeiramente Deus.
O Espiritismo, que é o Paracleto anunciado pelo Cristo, contrariando os ensinos da Teologia tradicional, esclarece-nos que o Bem é a única realidade eterna e absoluta em todo o Universo, sendo o Mal apenas um estado transitório, tanto no pano físico, como no campo social e na esfera espiritual.
Para que se compreenda isto, é preciso, entretanto, considerar, não as conseqüências imediatas de tudo quanto observamos, mas sim os seus efeitos mediatos, futuros, porque só estes, ao longo dos anos, dos séculos ou dos milênios, é que farão ressaltar, nitidamente, a infalibilidade da Providência Divina frente aos destinos da Criação.
Certos fenômenos geológicos, por exemplo, podem ter sido considerados catastróficos à época em que se deram; foram eles, porém, que compuseram os continentes e formaram os oceanos, emprestando-lhes os aspectos maravilhosos que hoje nos extasiam, provocando-nos arroubos de admiração.
Muitas guerras internacionais e outras tantas revoluções intestinas, embora se constituam, como de fato se constituem, dolorosos flagelos para as gerações que nelas são envolvidas, dão ensejo, por seu turno, à queda de tiranos e opressores, à extinção de preconceitos e privilégios iníquos, à mudança de costumes arcaicos, ao progresso tecnológico e quejandos, resultando daí, em favor dos pósteros (que seremos nós mesmos, em novas reencarnações), a melhoria das instituições, maior liberdade de pensamento e de expressão, uma justiça mais perfeita, maior conforto nos sistemas de transporte, de comunicações, nos lares, etc.
Quando não, é por meio delas que os maus se castigam reciprocamente, consoante o ensinamento: «quem com ferro fere, com ferro será ferido». Um dia, ainda que longínquo, cansadas de sofrer o choque de retorno de suas crueldades, ditadas pelo egoísmo, pelo orgulho e outros sentimentos que tais, as nações aprenderão a valorizar a paz, buscando-a, então, sincera e veementemente, através da fraternidade e do solidarismo cristão.
Assim também acontece com nossas almas.
Criadas simples e ignorantes, mas dotadas de aptidões para o desenvolvimento de todas as virtudes e a aquisição de toda a sabedoria, hão mister de, vida pós vida, neste orbe e em outros, passar por um processo de burilamento que muito as fará sofrer.
E’ a luta pela subsistência. São as enfermidades. As insatisfações. Os conflitos emocionais. Os desenganos. As imperfeições próprias daqueles com os quais convivemos. Enfim, as mil e uma vicissitudes da existência.
Nesse autêntico entrevero, usando e abusando do livre arbítrio, cada qual vai colhendo vitórias ou amargando derrotas, segundo o grau de experiência conquistada. Uns riem hoje, para chorarem amanhã, e outros que agora se exaltam, serão humilhados depois.
Tudo, porém, concorre para enriquecer nossa sensibilidade, aprimorar nosso caráter, fazer que se nos desabrochem novas faculdades, o que vale dizer, se dilatem nossos gozos e aumente nossa felicidade.
Bendito seja, pois, o Espiritismo, pela revelação dessa verdade, à luz da qual se nos patenteia, esplendorosamente, a Bondade infinita de Deus!
Rodolfo Calligaris
Fonte: Reformador – Janeiro - 1966
PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 23:20

LINK DO POST | COMENTAR | favorito
Domingo, 22 de Março de 2009

UM ESTRANHO CASO DE OBSESSÃO


De um jovem que se assinou J.S.P., em carta que nos escreveu, recebemos a seguinte interrogação:
“Será condenável um homem se tornar noivo de uma jovem, marcar a data do casamento e depois verificar que é a outra que ama, e, por isso, desejar romper o compromisso com a primeira? Este é o meu problema. Que devo fazer? Sinto que ambas gostam de mim, embora de minha parte já existe uma definição.”
Isso faz-me lembrar o episódio ocorrido com Jesus, citado pelo evangelista Lucas, no capítulo 12, vv. 13 e 14:
“Então , no meio da turba, um homem lhe disse: “Mestre, dize ao meu irmão que divida comigo a herança que nos tocou.” Ao que Jesus respondeu: “Ó homem! Quem me designou para vos julgar, ou para fazer as vossas partilhas?”

Não acreditamos que esse gentil correspondente esteja dizendo a verdade. Deve tratar-se apenas de uma curiosidade, uma investigação que ele faz, a fim de obter resposta, à luz do critério doutrinário, para casos a que, infelizmente, tantas vezes assistimos em nossa vida de relação. Não nos sentimos, aliás, no direito de opinar sobre ocorrência tão melindrosa, na hipótese de se tratar de uma realidade que o amigo J.S.P. viva no momento.
Não obstante, o bom senso indica que o fato de jogar com os sentimentos do nosso próximo é grave, e pode resultar em conseqüências muito desagradáveis, mesmo dramáticas. Muitas vezes, a leviandade praticada por alguém, em casos de amor, pode refletir-se em além-túmulo e arrastar a uma obsessão aquele que feriu um coração com a traição ou o desprezo. A lei de caridade manda-nos respeitar o coração amigo que se nos devota, e procurar não iludi-lo com falsas promessas ou atitudes levianas.
Uma solicitação de casamento deve ser refletida, amadurecida, antes de realizada, observando o pretendente se, com efeito, o seu sentimento de amor é sincero, é fiel para enfrentar um compromisso de tal responsabilidade. Porque tal compromisso não é apenas social, mas também moral, e o homem de bem deve honrá-lo, consultando a si próprio antes de tomar a resolução.
Este, vale dizer, é um problema exclusivamente de consciência, o qual, por isso mesmo, não foge às necessárias buscas de inspiração na prece sincera e vibrada.
Uma ingratidão, uma traição de qualquer natureza, assim como a hipocrisia diante de um coração que ama, é erro que poderá reverter sobre quem o pratica, senão de momento, mais tarde, e, mesmo, em futuro remoto. Responderemos, no entanto, narrando um fato típico de traição de amor, por nós assistido há cerca de quarenta anos, fato real e não fantasia de romance, que se passou em certa pequena cidade do Estado do Rio de Janeiro, a qual era por nós visitada periodicamente. E o nosso correspondente, se, realmente, estiver envolvido pela própria leviandade, compreenderá que necessita muita cautela do modo de agir, recorrendo ao Evangelho, a fim de orientar-se.

O jovem Sr. A.G. tornara-se noivo de uma jovem de excelentes qualidades morais, muito delicada de sentimentos e leal aos afetos íntimos, mas de condições sociais muito modestas. Era uma boa filha para sua mãe, a qual, por sua vez, era viúva e adorava a filha única entre ternura infinita. Chamava-se Elisa a jovem noiva, e, sua mãe, Madalena. O noivado corria normalmente, e o casamento fora marcado para seis meses depois. Elisa entregava-se ao seu amor com todas as forças da alma, o coração repleto de esperanças e confiança no futuro. O noivo, por sua vez, mostrava-se dedicado e atencioso. Não passava um único dia sem visitar a noiva, e o idílio fazia crer a nossa Madalena que a filha seria felicíssima no casamento.
Um dia, no entanto, o Sr. A.G., que era comerciante e lutava a fim de prosperar, necessitou viajar a uma cidade próxima - a cidade de A.R. -, lá passando três dias. Em um baile, a que fora convidado por um colega de comércio, conheceu uma jovem por nome Terezinha. Dançou prazerosamente com ela, reconheceu-a educada, alegre, amável, elegante, muito sociável, e enamorou-se. Voltando a sua cidade natal, meditou em que Elisa era bem inferior a Terezinha, pois não freqüentava a sociedade, vestia-se modestamente, e nem possuía aquela irradiante personalidade da outra. Elisa notou-o silencioso e triste, falando o mínimo, demorando-se menos em suas visitas, mas de nada desconfiou, porque seu coração era puro e não podia acalentar suspeitas contra aquele que lhe merecia toda a confiança. Na semana seguinte, A.G. voltou à cidade de A.R., e Terezinha pareceu-lhe mais sedutora do que no primeiro dia. Prosseguiu o namoro, com a moça a corresponder-lhe ternamente, com imensa alegria. Finalmente, passoua viajar para a velha cidade de A.R. todos os sábados., pretextando negócios, e lá ficava também aos domingos, deixando a casa comercial ao cuidado do sócio. Mas, não confessava a Terezinha que era comprometido em sua cidade natal nem rompia o noivado com Elisa. Faltava-lhe coragem para esclarecer a ambas a própria situação.
Chegara, no entanto, a época indicada para o consórcio com Elisa. Mas A.G. desculpou-se, e pedira mais dois meses de espera. Os negócios não iam bem... enquanto continuavam as visitas à cidade vizinha, e Elisa, fiel e confiante, e sua mãe continuavam preparando o modesto enxoval. Até que, de uma das visitas a A.R., o jovem Sr. A.G. voltou casado com a graciosa Terezinha, sem jamais haver desfeito o noivado com Elisa.
Numa cidade pequena como aquela, tais acontecimentos, há quarenta ou cinqüenta anos passados, repercutiam como raios que explodissem entre a população. Elisa soubera do fato logo após o desembarque do casal, que vinha ali mesmo residir. Mas não pôde, não quis acreditar no que amigos lhe vieram informar. Mas, investigando, logo se inteirou da realidade, e adoeceu. Adoeceu de paixão, de surpresa, d e choque nervoso, de humilhação, de desespero, de decepção, de desilusão, de vergonha, de traumatismo moral. Adveio embolia cerebral e, um mês depois, Elisa morria nos braços de sua inconsolável mãe. Nesse dia, houve revolta entre as pessoas afeiçoadas a Elisa e sua mãe, e Terezinha foi por elas informada do procedimento desleal do homem que a desposara. Confessou ela, então ignorar o compromisso de A.G. com alguém daquela cidade, e não se sentir culpada pelo passamento da jovem. Discutiu calorosamente com o marido nesse dia. Mas tudo passou logo depois, e não mais tocaram no assunto. A hora em que, porém, saía o féretro de Elisa, sua mãe, desolada, em desespero, exclamou – e suas palavras repercutiram tão tragicamente pelo ambiente mortuário da sua pobre sala de visitas que as pessoas presentes estremeceram de impressão e pavor:
“Minha filha, vai em paz para junto de Deus, porque eras um anjo que mereceu o Céu! E fica descansada, porque o miserável que causou a tua morte há de me pagar! Ele não será feliz, porque eu não o deixarei ser feliz!”
E, três meses depois, Madalena, sempre inconsolável, inconformada, morria também. A pobre mulher era cardíaca e não resistiu à dor de perder a filha naquelas circunstâncias.
Cerca de três ou quatro meses depois após o passamento de Madalena, Terezinha começou a beber e embriagar-se. Das primeiras vezes que o fato se verificou, o marido repreendeu-a energicamente. Houve discussões graves, cenas lamentáveis. A.G. acusava-a de Ter o vício desde o tempo de solteira, e encobri-lo hipocritamente; que aquela alegria permanente dos seus modos, aquela vivacidade que todos lhe conheciam, outra coisa não era senão reflexo do álcool ingerido às ocultas. Chorando, Terezinha afirmava que jamais bebera, que somente agora uma necessidade irresistível de beber levava-a a procurar, em qualquer arte, algo com que aplacar aquele terrível desejo que a prostrava. Os melhores médicos da cidade, e até facultativos de São Paulo e do Rio de Janeiro, trataram dela. O marido gastava o que certamente não possuía, a fim de libertá-la do nefando vício. Mas, era tudo em vão. Terezinha continuava a beber, e cada vez embrenhava-se no vício com mais ardor. Mas não era vinho, não era cerveja que a atraíam. Era a cachaça, a cachaça! O terrível veneno que os obsessores preferem para sugerir aos seus desafetos. Terezinha, dIante tão graciosa, agora se embebedava até sair à rua, na ausência do marido, e fazer tolices, e dizer inconveniências, até cair na calçada e entrar em coma alcoólico, como os ébrios comuns. A.G. passava pela vergonha de ser avisado, por qualquer transeunte, de que sua mulher se encontrava caída, completamente bêbada, numa calçada ou numa esquina de rua.
Vieram quatro filhos desde malogrado matrimônio. E Terezinha não deixou de beber, e não atendia aos deveres para com os mesmos. Era preciso, então, que o marido se repartisse entre os próprios negócios e as atenções aos filhos, auxiliado por criadas. Os filhos cresciam verificando a desgraça em que caíra a própria mãe. A.G. arruinou-se como comerciante, sendo necessário submeter-se a um modesto emprego de administrador do cemitério local. E, finalmente, Terezinha já não usava a cachaça pura, mas temperada em cravo e a canela. No ano de 1940, as circunstâncias da vida levaram-me à dita cidade. Visitei o casal, convidou-me a uma conversa particular, já embriagada, e falou-me, debulhada em lágrimas:
“Sr. Frederico, sei que o senhor é espírita e conhece muitas coisas que os outros desconhecem... Pelo amor de Deus, liberte-me desse desejo de beber... é uma força indomável que me arrasta para a bebida! Eu não quero beber! Mas sou forçada a beber!”
Nessa visita, contemplei, então, um casal desajustado, filhos infelizes, um homem vencido pela adversidade, uma mulher arruinada por uma desgraça inconcebível!
Regressando à minha terra, orei durante algum tempo, e, nas reuniões que fazíamos no nosso templo espírita, suplicávamos ao Alto socorro para ela. Mas Terezinha continuou a beber durante mais cinco anos, da mesma forma. Bebeu durante quatorze anos, sem um só dia de trégua!
Certo dia em que o Sr. A.G. se lamentava numa roda de amigos, um deles aconselhou:
“Por que você não leva sua esposa ao Centro Espírita Bittencourt Sampaio? O Sr. Z, seu diretor, é um grande médium, apóstolo do Bem, tem curado muita gente, de variadas doenças...”
A.G. não era espírita, mas, impelido pelo desespero, levou a esposa ao Sr. Z, e explicou-lhe o que acontecia.
Reunidos os três em gabinete apropriado, o médium Z, que, de imediato, compreendeu o que se passava, orou e suplicou a Jesus a presença de um de seus mensageiros a fim de socorrer a paciente. Apresentou-se, então, à sua vidência, o grande, o iluminado espírito de Bittencourt Sampaio, que lhe disse, através da intuição:
“Chama o teu médium... Trata-se de uma obsessão... e faremos o que o senhor permitir.”
Veio o médium – a própria esposa de Z -. Este, incorporado pelo generoso Protetor presente, espalmou uma das mãos sobre a cabeça de Terezinha e a outra sobre o médium. Qual uma faísca elétrica, o obsessor apresentou-se, incorporando-se na médium. Era Madalena, a mãe da pobre Elisa, noiva atraiçoada de A.G.. Conversaram os dois, como de praxe em tais reuniões, sob a assistência de Bittencourt, sempre incorporado em Z. Madalena terminou por submeter-se, não ainda convertida, a perdoar, mas à irresistível autoridade de Bittencourt. Abandonou a presa, que subjugara durante quatorze anos! Terezinha ficou radicalmente curada da embriaguez em uma semana, pois fora necessário ainda fortificá-la através de passes, que Z lhe aplicava, ainda sob influência curativa de Bittencourt Sampaio.
Mas... perguntará o leitor: Por que o Espírito Madalena não obsidiou antes A.G., que foi o traidor de Elisa, e não Terezinha, que ignorava o compromisso por ele mantido com aquela?
E nós ousamos confessar que não sabemos. É possível, porém, que a pobre Madalena, despeitada, odiando aquela que roubara o coração do prometido de sua filha, preferisse ferir Terezinha, para que a dor de A.G. fosse mais cruel. É possível que Terezinha, de modo algum, tivesse tendência para a bebida, sem o saber; e, certamente, se esta foi, realmente, inocente da ação reprovável de A.G., devia, por alguma remota falta, à lei de Deus e, por isso teria mais possibilidade de “dar passividade” a um, obsessor, por ser, com certeza, frágil, além de ser médium, assim expiando um erro do passado, enquanto o marido expiava um crime cometido no presente. Porque foi um crime o que ele praticara contra Elisa. Madalena, certamente, errou. Mas... “quem estiver sem pecado atire a primeira pedra” nessa pobre entidade que, sob o cuidado do grande e iluminado Bittencourt Sampaio, encontrou, sem sombra de dúvida, o verdadeiro caminho a seguir, a fim de redimir-se.

FONTE: Reformador – abril de 1976 – Frederico Francisco

PUBLICADO POR SÉRGIO RIBEIRO às 19:45

LINK DO POST | COMENTAR | favorito

.MAIS SOBRE MIM

.PESQUISAR NESTE BLOG

 

.Abril 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27

.POSTS RECENTES

. GRATIDÃO: UM NOVO OLHAR S...

. EM PAUTA – A TRISTE FESTA

. A INDULGÊNCIA

. A RAIVA DESTRUIDORA

. TERRORISMO DE NATUREZA ME...

. RADICALISMO RELIGIOSO

. CARNAVAL - UMA FALSA ALEG...

. EM PAUTA - A TRISTE FESTA

. PERÍSPIRITO E VESTES BRAN...

. ANO BOM

.arquivos

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Outubro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds